O mercado em Instambul: “Genuine fake watches”. Foto: Jaime Troiano/TroianoBranding
No cenário competitivo de hoje, diferenciar produtos aparentemente comuns e transformá-los em marcas distintas é um desafio que muitas empresas enfrentam. Jaime Troiano e Cecília Russo discutiram recentemente no “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” como essa transformação ocorre.
Cecília Russo destacou um exemplo peculiar: a marca de grama Ito Grass. A empresa enfatiza no título que “grama não é tudo igual”. Uma ideia que faz sentido, segundo Cecília, considerando a experiência que teve em Holambra, a cidade das flores no interior de São Paulo. Ela disse que ao conversar com produtores observou tratamentos diferenciados em flores, mostrando que mesmo produtos aparentemente idênticos podem ter distintas percepções de marca:
“Me lembro quando visitamos viveiros de flores, e os profissionais que trabalhavam lá nos mostravam como as flores de tal lugar recebiam um tratamento totalmente diferenciado, de rega, poda e tudo mais. Uma flor com marca. Afinal, um produto se torna uma marca não apenas pelo nome que ele carrega, mas pelo conjunto de significados que são percebidos nele”.
Cecília Russo
Outro exemplo é a evolução das marcas de ovos. Antes, ovos eram commodities genéricas, mas agora marcas como Mantiqueira e Fazenda da Toca têm identidades únicas. Cecília compra ovos orgânicos de “Ovo de Itu”, uma marca que promove transparência e proximidade, enviando fotos das galinhas e informando sobre seus períodos de descanso aos consumidores.
Marca genuinamente falsa
Jaime Troiano acrescentou que até produtos como papel sulfite e água mineral, aparentemente indiferenciáveis, possuem marcas distintas. Ele citou exemplos de Chamex e Report para papel sulfite e São Lourenço e Minalba para água mineral, onde cada marca possui um conjunto de fãs
“Água mineral, H2O, algo aparentemente impossível de diferenciar, tem marca e claramente distintas em termos de percepção dedicados, enfatizando a diferenciação através de embalagens, experiência e comunicação”.
Jaime Troiano
Ele também falou sobre tintas de construção, onde a lealdade do pintor a uma marca específica pode influenciar a escolha do cliente.
O caso mais inusitado de todos, porém, Jaime deixou para o fim do comentário. Ele encerrou com um exemplo curioso de Istambul, onde uma barraca que vende réplicas de relógios de grandes marcas, não se acanha em expor em uma placa a sua marca: “Genuine fake watches”. Ou seja, anuncia de forma clara e transparente que vende “relógios genuinamente falsos”, destacando a importância da autenticidade na construção da marca.
Sua marca de hoje
“Se você tem um produto, vale sempre se perguntar o quanto você está efetivamente criando uma identidade própria, deixando de ser apenas um a mais no mercado e criando algo com significado. Se estiver, você tem uma marca, caso não, apenas mais um produto igual aos seus competidores”
Cecília Russo
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com os comentários de Jaime Troiano e Cecília Russo vai ao ar, aos sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN.
Gravação do Mundo Corporativo em foto de Priscila Gubiotti
“Quando eu tô feliz é que eu tomo decisões melhores, quando eu tô feliz é que eu alcanço minha meta com mais facilidade. Então, é importante que a gente crie o ambiente de trabalho feliz em primeiro lugar”
Luiz Gaziri, professor e pesquisador
Em um cenário corporativo cada vez mais desafiador, a saúde mental e o bem-estar dos profissionais se tornam aspectos cruciais para a eficiência e produtividade das equipes. Segundo Luiz Gaziri, especialista em comportamento humano e autor de livros sobre felicidade e polarização política, a liderança tem um papel fundamental nesse contexto. Ele ressalta a influência direta dos líderes na cultura organizacional e, consequentemente, no bem-estar dos funcionários.
Durante sua participação no programa Mundo Corporativo da rádio CBN, Gaziri enfatizou a necessidade de uma mudança de paradigma na liderança empresarial. Ele observa que, frequentemente, líderes não estão cientes de como suas estratégias e comportamentos influenciam negativamente o ambiente de trabalho. Gaziri, com sua experiência como executivo e consultor, notou uma persistência de modelos de gestão ultrapassados, focados em competição e individualismo, ignorando os impactos na saúde mental dos colaboradores.
“O mundo corporativo hoje ainda é muito pautado na competição, no individualismo, então esses líderes precisam se preparar melhor, entender o que traz bem-estar para o ser humano, como que a estratégia de uma empresa impacta no comportamento? O que é motivação? Sem esse conhecimento de comportamento humano torna-se Impossível a gente conseguir um ambiente de trabalho mais positivo.”
Gaziri destaca a relação direta entre estratégias empresariais e a felicidade dos trabalhadores. Ele cita pesquisas que demonstram como uma liderança inadequada pode ser a principal fonte de estresse para os funcionários, afetando negativamente a produtividade e a saúde mental.
Ajuste as metas e motive seus colaboradores
Gaziri lança “A Arte de Enganar a Si Mesmo”, foto de Priscila Gubiotti
Na entrevista, o autor do livro “A ciência da felicidade” (Faro Editora) também abordou a questão das metas inatingíveis, um problema comum no mundo corporativo. Gaziri explica que, quando as metas são excessivamente altas, os funcionários podem desenvolver a “desesperança aprendida”, uma sensação de impotência e falta de controle sobre os resultados, levando à desmotivação e ao declínio do desempenho.
Para melhorar esse cenário, o especialista sugere várias medidas, como ajustar as metas de acordo com a realidade, promover um ambiente de trabalho motivador e garantir a segurança financeira dos funcionários. Ele destaca a importância de um ambiente que promova a segurança psicológica, onde as pessoas não tenham medo de expressar suas opiniões e ideias.
“O ambiente molda inclusive a minha inteligência, mas a gente usa a estratégia de deixar as pessoas na insegurança financeira com bastante constância o que é ruim para o ambiente de trabalho. Sem falar na questão de metas, de prêmios, de ambientes que sejam motivadores. Então, a gente vê um caos aí muito grande no mundo corporativo por causa dessa falta de conhecimento sobre ser humano.”
Além disso, Gaziri aponta para a necessidade de uma liderança consciente e preparada para criar um ambiente de trabalho positivo e saudável. A capacitação dos líderes em entender e gerenciar aspectos relacionados ao comportamento humano é fundamental para impulsionar o bem-estar e a felicidade no ambiente de trabalho.
A polarização no ambiente de trabalho e como gerenciá-la
A polarização, um fenômeno amplamente discutido no contexto político, também se manifesta no ambiente corporativo, influenciando as dinâmicas de trabalho e a tomada de decisões. Luiz Gaziri, em seu livro “A Arte de Enganar a Si Mesmo: Uma Visão Científica da Polarização Política e Outros Males Nem Tão Modernos” (Alta Books), aborda essa questão, destacando como a polarização pode afetar negativamente as empresas.
O autor observa que a polarização nas empresas ocorre devido à tendência humana de se agrupar com indivíduos de opiniões semelhantes. Esse fenômeno leva as pessoas a reforçar suas crenças e ignorar perspectivas divergentes, criando um ambiente onde prevalece o viés de confirmação. Ele exemplifica isso com um experimento realizado por Lee Ross, da Universidade de Stanford, no qual israelenses e palestinos avaliaram propostas de paz de maneira diferente, dependendo de qual lado acreditavam que as propostas tinham vindo. Isso mostra como a origem de uma ideia pode influenciar sua aceitação, independentemente do seu mérito.
No ambiente de trabalho, essa polarização pode levar a conflitos e a uma falta de inovação, pois as ideias são avaliadas com base na afinidade com o grupo, e não em seu potencial. Para combater esse problema, Gaziri sugere a nomeação de um “Advogado do Diabo” em reuniões e decisões de grupo. Essa pessoa teria o papel de questionar e analisar criticamente todas as ideias apresentadas, promovendo um pensamento mais diversificado e crítico.
Embora essa abordagem possa tornar as reuniões menos agradáveis a curto prazo, ela conduz a decisões mais criativas e eficazes. A diversidade de pensamento, apesar de potencialmente desconfortável, é crucial para evitar a estagnação e promover a inovação.
Gaziri enfatiza a importância de gerenciar a polarização no ambiente de trabalho, especialmente em uma era de crescente diversidade. A inclusão de diferentes perspectivas e a promoção de um ambiente onde as ideias são julgadas pelo seu mérito, e não pela sua origem, são essenciais para o sucesso das empresas. Ele propõe que os líderes fomentem a segurança psicológica e a abertura às opiniões divergentes, garantindo assim que as melhores ideias prevaleçam, independentemente de onde venham.
Essas reflexões de Gaziri oferecem um olhar crítico sobre como a polarização pode afetar o ambiente corporativo e apontam caminhos para criar um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e inovador.
Assista ao Mundo Corporativo com Luiz Gaziri
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no canal da CBN no YouTube e no site http://www.cbn.com.br. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo às 10 da noite, em horário alternativo. Você também pode ouvir a qualquer momento no podcast do Mundo Corporativo. Colaboram com o programa: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael e Furugen:
Quem sabe tirar um tempo para um café e um doce? Foto de Ea Ehn
“Pensar que a velocidade não é o único caminho de atender as necessidades dos consumidores, há também o desejo pelo devagar, na hora certa, de forma oportuna, e bem feito”
Cecília Russo
Em um mundo onde a instantaneidade digital dita o ritmo é essencial que se explore a influência dessa velocidade sobre as marcas, bem como a tendência crescente de desaceleração e contemplação — dois movimentos em sentido opostos. Foi o que fizemos na conversa com Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, quando buscamos identificar como a forma acelerada com que vivemos está pautando a estratégia de serviços, produtos e negócios.
A sociedade da velocidade e o impacto nas marcas
Cecilia e Jaime discutiram como as marcas respondem à “Sociedade do Cansaço”, termo popularizado pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul-Han, que deu nome a um dos seus livros. Nessa sociedade, onde a produtividade e a positividade são exaltadas, a velocidade se torna um ritmo usual, impactando não apenas a saúde física e mental, mas também a maneira como as marcas se posicionam.
Exemplos clássicos incluem Kodak e Polaroid, que evoluíram para atender às demandas por resultados imediatos. A mudança da Kodak para o digital e o retorno nostálgico das Polaroids ilustram essa adaptação. Da mesma forma, empresas como McDonald’s e Domino’s Pizza capitalizaram na promessa de velocidade, redefinindo o conceito de fast-food e entrega rápida.
A ascensão do movimento lento
Por outro lado, Jaime e Cecília destacaram um movimento crescente em direção à desaceleração, como uma resposta compensatória à velocidade frenética da sociedade moderna. A busca por equilíbrio, ou “homeostase”, como Jaime mencionou, está gerando uma demanda por marcas que promovem lentidão, contemplação e o “viver o momento”.
Eles citaram exemplos como o crescimento de escolas de yoga, clubes de leitura promovidos por livrarias, e redes de café que oferecem um espaço para pausar e refletir. Aplicativos como Calm e Insight Timer são testemunhos do desejo crescente das pessoas por ferramentas que ajudem na meditação e no sono.
A Lição Sueca de Equilíbrio: Fika
Interessantemente, Jaime trouxe à tona o conceito sueco de “fika” – uma pausa para café e um doce, enfatizando a importância de pequenos momentos de descanso e socialização no meio do dia de trabalho. Esta prática sugere que, mesmo em culturas focadas em eficiência, há um reconhecimento crescente da necessidade de equilíbrio
“Quanto mais as marcas, e antes disso, a sociedade nos empurra para produzir e acelerar, mais haverá demanda interna na direção contrária e, dessa forma, espaço para marcas trazerem propostas de “lentidão”, contemplação, curtir o momento, desacelerar”
Jaime Troiano
Velocidade e lentidão como caminhos para o sucesso
A discussão no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso revela uma verdade fundamental do branding contemporâneo: o sucesso não reside apenas na capacidade de uma marca em acelerar, mas também na sua habilidade de oferecer pausas e momentos de reflexão. As marcas que reconhecem o valor da desaceleração têm tanto a ganhar quanto aquelas que capitalizam na rapidez.
Este equilíbrio entre velocidade e lentidão, conforme destacado por Jaime e Cecília, é o que define as marcas de sucesso na era atual. Como eles concluem, o segredo está em atender às necessidades do consumidor – seja rapidamente ou devagar, mas sempre de forma oportuna e bem executada.
Ouça aqui o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo e vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, logo após às 7h50 da manhã.
Bastidor da gravação com André Duek, foto de Priscila Gubiotti
“Que é possível, sim, começar de uma maneira simples, com pouco dinheiro, com risco calculado, com bom planejamento. E, logicamente, ter a paciência para entender que o processo é longo..“
André Duek, empresário
Empreendedorismo vai além de simplesmente iniciar um negócio; é uma jornada de transformação pessoal e profissional. Este é o cerne da “potência empreendedora”, um conceito trazido à tona pelo empresário André Duek. Segundo Duek, essa potência é uma força inata presente em cada um, que pode ser despertada e cultivada para alcançar o sucesso, independentemente das origens ou recursos disponíveis.
“Você não precisa ter estudado numa escola de primeira linha ou ter nascido num berço esplêndido para vencer na vida”.
Essas percepções foram compartilhadas por Duek durante entrevista ao programa Mundo Corporativo da rádio CBN. A conversa se desenrolou em torno de sua vasta experiência em empreendedorismo, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, e de sua jornada desde os primeiros passos nas empresas de moda da família até se tornar um influente empresário e autor.
O sucesso anterior pode atrapalhar o empreendedor
Em sua fala, Duek realça a importância da resiliência e da adaptação às circunstâncias, reforçando que o caminho para o sucesso empresarial não é linear e está repleto de aprendizados.
“O processo é longo e se você tiver paciência, estudar mais do que todo mundo, trabalhar mais do que todo mundo, as oportunidades surgem”.
Duek também reflete sobre os erros e desafios enfrentados em sua trajetória. Ele menciona que os obstáculos e falhas não devem ser vistos como barreiras intransponíveis, mas como etapas fundamentais para o crescimento.
Um sucesso anterior acaba atrapalhando você a começar um novo negócio Por quê? Porque você já tem a predisposição de achar que porque você fez alguma coisa certa que qualquer coisa que você vai fazer vai dar certo, também. Isso não é uma verdade. Então, eu paguei para aprender e foi uma lição muito dura, mas me ajudou bastante a depois a consertar e não deixar acontecer novamente.
Uma abordagem mista para empreender com sucesso
Entre os conselhos dados a aspirantes a empreendedores, Duek enfatiza a importância de uma pesquisa e planejamento sólidos, bem como a necessidade de equilibrar emoção e razão nas decisões de negócios. Ele sugere uma abordagem mista, combinando as qualidades criativas e emocionais brasileiras com a praticidade e foco dos métodos americanos.
A entrevista com André Duek no Mundo Corporativo desdobra uma visão profunda sobre o empreendedorismo, destacando a “potência empreendedora” como um motor para a realização pessoal e sucesso profissional. Suas palavras não apenas iluminam o caminho para os aspirantes a empreendedores, mas também ressoam com qualquer um que busque transformar desafios em degraus para o sucesso.
Assista ao vídeo completo do Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, toda quarta-feira, às 11 horas da manhã, no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, domingos, às dez da noite, em horário alternativo, e está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
A marmita que a dona Eleta preparava para o senhor Bonifácio era uma obra de arte. Tinha cinco andares. Cinco vasilhames redondos de alumínio com alças dos dois lados. Eu era muito criança e a marmita parecia desproporcional para o meu tamanho. Tenho certeza de que uma delas continha feijão e a outra, arroz. Isso era sagrado. As outras três levavam as misturas. Exalava um cheirinho muito gostoso. Ah, havia também, amarrada pelo gargalo, uma garrafinha verde com uma rolha de cortiça que continha o café. Esse café, após minha longa jornada, ainda chegava quente na fábrica de cimento. Garfo e colher eram segurados por um elástico num dos lados. Não me recordo da data exata, mas com certeza era a década de 1950.
O roteiro era perigoso para um garoto com menos de dez anos. Penso que havia mais anjos da guarda naquela época ou, ao menos, menos demônios. Saía de casa sempre no mesmo horário e começava a minha jornada. Descidas, curvas para a direita e para a esquerda, um casarão, o correio e lá no final uma esquina, seguida de uma reta.
Naquela época, acredito que nenhuma rua era asfaltada. Algumas eram cobertas com paralelepípedos e outras ainda eram de terra ou cascalho. Quando chovia, as ruas no alto tornavam-se perigosas, transformando-se em lamaçais, enquanto as mais baixas se enchiam de água. Entre essas pequenas tragédias, continuávamos com nossas vidas.
E também prosseguia meu caminho, até atravessar uma pequena ponte. Logo após, chegava a parte mais arriscada da jornada: um túnel que passava por baixo da estrada de ferro, usado para conduzir as águas do rio de nosso bairro, Perus. No canto, havia uma pequena passarela por onde caminhava cuidadosamente, vendo as correntes de água quase roçarem meus pés. Logo depois, já era possível ver as grandes chaminés da Fábrica de Cimento Portland Perus. Andava então pelo solo coberto por um pó cinza, quase verde, enquanto ouvia o apito anunciando o horário do almoço. Do meu lado esquerdo estendia-se uma grande cerca de arame. Os fios, muito grossos, estavam cobertos com o mesmo pó.
Após algum tempo, via meu pai me esperando. Ele sorria amplamente. Também, quem não sorriria, faminto, vendo chegar tal almoço?
Sentávamos no refeitório e, enquanto ele escolhia as marmitas e pegava os talheres, eu observava os outros trabalhadores, conversando e rindo, apesar do cansaço. Tinha certeza de que meu pai era o mais importante de todos, o mais forte, o mais… tudo.
Era um momento agradável do dia. Afinal, eu estava lá, cumprindo minha importante missão. Após algum tempo, ele terminava sua refeição, arrumava tudo, dava um tapinha em minhas costas e me mandava voltar para casa. Novamente, aquele sorriso de felicidade. Não é que ele sempre sorrisse. Mas quando o fazia, era valorizado. Ele também não era de ficar fazendo carinho ou dando abraços o tempo todo. Ainda assim, sentia que ele era o paizão mais afetuoso de todos, o senhor Bonifácio.
O tempo passou.
Já com dois filhos, visitava frequentemente meus pais em Perus, próximo de onde morava. Não havia mais fábrica de cimento, nem marmita, nem caminhada. A infância já tinha ficado para trás há muito tempo e agora pertencia aos meus filhos. Ao abrir o portão, deixava os dois correrem à frente. Meu pai, já aposentado, que estava abaixado cuidando de sua horta, levantava-se, olhava firme e sorria. Era exatamente o mesmo sorriso de quando eu levava suas marmitas. E esse sorriso era diferente dos outros.
Foi somente então que entendi. O sorriso não era pelo almoço que eu levava. O sorriso era por mim. Era a alegria de me ver. Agora, já adulto, ele transferira esse presente para os netos. Era um sorriso reservado, mas vasto, do tamanho do mundo.
Agora, enquanto escrevo, após todo esse tempo, sinto que ele está olhando para mim novamente, com o mesmo sorriso, como se eu ainda fosse uma criança.
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Flávio Cruz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros episódios, visite o blog de miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
“A nossa marca de hoje só pode ser uma e com duas palavras: leia muito”
Jaime Troiano
Os livros têm papel fundamental na formação de todos os profissionais. Os gestores de marca não fogem dessa regra. É a partir deles que desenvolvemos conhecimento e nos inspiramos na busca de ideias inovadoras. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo conversaram com os ouvintes sobre o tema e citaram uma série de autores que nos ajudam a pensar sobre branding — alguns são especialistas na área enquanto outros são geniais o suficiente para com suas palavras nos levarem a criar mais e melhor.
Jaime, por exemplo, mencionou a relevância da literatura em sua formação, incluindo autores como Machado de Assis, Fernando Pessoa, Dostoiévski, Eça de Queiroz e Jorge Amado. Ele também lembrou da extensa biblioteca de branding que mantém com a Cecília, que considera ser uma das maiores do Brasil sobre o assunto.
As seis dicas de Brad Vanauken
Um livro em particular foi lembrado pelos nossos comentaristas:“Brand + Aid,” escrito por Brad Vanauken, que oferece um guia prático para resolver problemas de marca e fortalecer o posicionamento no mercado. Os dois destacaram seis sugestões que estão no livro e podem nos ajudar a desenvolver a nossa marca:
1. Não reduza gradualmente a qualidade de seus produtos ou serviços com a intenção de reduzir custos.
2. Não se foque em resultados de lucratividade de curto prazo, para não comprometer os ganhos de longo prazo.
3. Reduza cada vez mais seus investimentos de comunicação. Isso é um perigo, é como treinar um peixe para ficar mais tempo fora da água.
4. Pense em branding e desenvolvimento da sua marca desde o início do processo, não apenas no fim.
5. Não estenda sua marca para outras categorias de produto, a menos que sua marca esteja muito saudável.
6. Evite mudar constantemente o posicionamento e as mensagens de sua marca, pois isso pode causar confusão e perda de vitalidade.
Uma biblioteca de branding
Vamos a lista de livros e autores citados por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:
David Aaker – professor emérito de marketing da Haas School of Business na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e autor de “On Branding: 20 Princípios que Decidem o Sucesso das Marcas“,“Construindo Marcas Fortes” e “Relevância de Marca: Como Deixar seus Concorrentes para Trás”;
Kevin Keller – professor de Marketing da Tuck School of Business da Dartmouth College e autor de “Gestão Estratégica de Marcas”;
Gerald Zaltman – professor Emérito da Harvard Business School e autor e editor de 20 livros, um dos mais famosos “Marketing Metaphoria: What Deep Metaphors Reveal About the Minds of Consumers”;
Nizan Guanaes – publicitário e empresário brasileiro, autor de “Você aguenta ser feliz?: Como cuidar da saúde mental e física para ter qualidade de vida”
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo e vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã:
Tatyane Lucah em gravação do Mundo Corporativo, foto: Pricila Gubiotti
“O empreendedorismo é uma maneira de você remunerar a sua paixão”
Tatyane Lucah, Escola Brasileira de Empreendedorismo
Ser empreendedor no Brasil exige coragem, resiliência e uma série de outras habilidades para superar as barreiras que surgem na construção do próprio negócio. Se for uma empreendedora, haverá desafios ainda mais específicos, ressalta Tatyane Lucah, fundadora da Escola Brasileira de Empreendedorismo, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN. Ela cita que a mulher está sujeita à “economia do Cuidado”, na qual, frequentemente, assume responsabilidades domésticas, precisa dar atenção aos filhos e até mesmo aos pais idosos.
Ela destaca que, de acordo com estatísticas de 2022, as mulheres têm 18% a menos de tempo disponível em comparação aos homens devido a essas responsabilidades. Tatyane enfatiza a importância de aprender a dividir o tempo entre tarefas urgentes, importantes e circunstanciais.
“Circunstancial é aquilo que dá para fazer? Ótimo! Não dá? Aprenda a dizer não. O urgente é você apagando fogo, você sendo uma empresária bombeira. E a questão do importante é, sim, meninas, sempre respeitem a sua agenda. Está na agenda, missão cumprida! Não está na agenda, não se culpe por não ter dado tempo ou não ter feito.”
Tatyane também discute como o empreendedorismo pode ser uma alternativa para as mulheres que buscam equilibrar suas vidas profissionais e pessoais, permitindo que elas sejam relevantes no mercado enquanto cuidam da economia do cuidado. Além disso, ela menciona a diferença entre empreendedoras e empresárias, ressaltando a importância da capacitação e da gestão empresarial para que as mulheres possam não apenas iniciar seus negócios, mas também torná-los bem-sucedidos e relevantes no mercado.
Uma Trajetória Empreendedora
A jornada de trabalho de Tatyane Lucah começou cedo, aos 11 anos, vendendo pastel na CEAGESP, com o apoio do pai. Aos 15, foi office girl em uma empresa que vendia molas para a Auto Latina (a junção da Ford e da Volkswagen). Posteriormente, trabalhou no SBT por dois anos antes de entrar na área de eventos.
Ela destaca a importância de seu pai e de um namorado que a incentivaram a buscar conhecimento e excelência em tudo o que fazia. Tatyane enfatiza que o conhecimento foi fundamental para acelerar o processo de crescimento e sucesso:
“Você quer dar certo, estude! Eu sei porque eu já ganhei muito dinheiro, já tive muito sucesso financeiro, mas por falta de educação empreendedora, eu já perdi muito dinheiro nesses meus 22 anos de empreendedorismo. E eu falo que é super desnecessário. Se eu tivesse o acesso à metodologia desenhada que eu tenho hoje, teria ido muito além.”
A partir dessa base de experiência, Tatyane fundou o Grupo Projeto Figital aos 21 anos, inicialmente como organizadora de eventos corporativos. Ao longo de 22 anos, expandiu a empresa para áreas como marketing digital, branding e logística, atendendo a clientes de grande porte, incluindo multinacionais.
Um dos principais aprendizados que Tatyane compartilha é a importância das conexões e do atendimento excepcional ao cliente. Ela enfatiza que as pessoas compram de pessoas, e a confiança e o relacionamento desempenham um papel fundamental no sucesso empresarial. Independentemente das barreiras que enfrentou ao longo de sua jornada, Tatyane sempre se concentrou no resultado final e acreditou que alcançaria seus objetivos.
A educação empreendedora é essencial
A ideia de fundar a EBEM – Escola Brasileira de Empreendedorismo surgiu de uma necessidade premente. Durante a pandemia, Tatyane viu seu mercado de eventos ser drasticamente afetado, perdendo contratos no valor de mais de 8 milhões de reais. Esse momento de crise a levou a refletir sobre o que poderia fazer para ajudar outras empresárias que estavam passando por dificuldades semelhantes.
Foi nesse contexto que ela decidiu criar uma metodologia e um curso digital chamado “Gestão Lucrativa”. No entanto, a economia do Cuidado e as preocupações decorrentes da pandemia fizeram com que muitas empresárias não conseguissem concluir o curso. Tatyane então adaptou a metodologia e trouxe um grupo de 20 empresárias para uma versão presencial do curso. Segundo ela, os resultados foram impressionantes, com empresas experimentando um crescimento significativo, incluindo escritórios de arquitetura, advocacia e varejo.
A fundação da Escola Brasileira de Empreendedorismo foi uma resposta à necessidade de oferecer educação e apoio às empresárias, focando em sua essência e bem-estar emocional como um primeiro pilar. Tatyane enfatiza que uma empresária bem cuidada é fundamental para o sucesso de seu negócio.
A escola oferece uma abordagem híbrida com aulas presenciais e online, incluindo um grande evento anual, formação em gestão lucrativa e uma mentoria de um ano chamada “Miss Mind” (Mente Mestra), onde a colaboração e a troca de experiências desempenham um papel fundamental no desenvolvimento das empresárias.
Desafios e princípios do empreendedorismo feminino
Na entrevista, Tatyane identificou três aspectos-chave para que as mulheres não repitam erros comuns na jornada empreendedora, que muitas vezes impedem o crescimento rápido de seus negócios.
Construção de Equipe: Ela enfatiza a importância de construir uma equipe sólida, destacando que um empreendedor não pode fazer tudo sozinho. Contratar as pessoas certas e atribuí-las às funções adequadas é fundamental. Tatyane recomenda a avaliação de perfis comportamentais ao contratar para garantir um encaixe adequado.
Treinamento: O treinamento é outra peça-chave do quebra-cabeça. Empresárias precisam estar dispostas a investir tempo e recursos no treinamento de sua equipe. Além disso, é importante gostar de pessoas e estar disposta a ensinar, pois o sucesso de um negócio depende em grande parte do engajamento e do encantamento dos colaboradores.
“Primeiro você constrói um time e esse time constrói a sua empresa. É um erro muito grande você achar que sozinha você vai construir o teu negócio. A contratação, o engajamento, o encantamento de pessoas vai fazer com que você se torne uma grande empresária”.
Liderança Inspiradora: Tatyane destaca que uma liderança inspiradora é essencial para capacitar e inspirar aqueles que buscam empreender. Ser congruente e autêntico em sua liderança é fundamental, pois as pessoas sentem a energia de um líder. Ela também faz um convite para que as mulheres adotem mais princípios femininos, como compartilhamento, co-criação e intuição, para equilibrar as energias masculinas presentes no mundo dos negócios.
Assista ao Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, todas as quartas-feiras, às 11 horas da manhã, no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, e aos domingos, às 22h, em horário alternativo. Você também pode ouvir em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Letícia Veloso, Renato Barcellos e Rafael Furugen.
Essa história deve ser contada na primeira pessoa, não por prioridade, mas para expressar fielmente a realidade do sentimento. A generosa frieza da humanidade. Acordei lépido, depois de um sono, por minha consideração, longo, de cinco horas ininterruptas e o complemento posterior de mais três.
Um belo desjejum à base de frutas, sanduíche e o querido e esperado café, acompanhado de uma disposição incomum para a prática esportiva. O sentimento era de um senhor vigoroso, equilibrado e me lembro bem da atenção em manter o foco na minha pessoa.
Sai à rua em direção ao metrô Brooklin para cumprir um compromisso. O caminho se apresentava com uma energia colorida pelo sol forte, que esquentava o ambiente, mas o bem-estar interior se sobrepunha a qualquer pensamento negativo.
Entrei no espaço, comprei meu bilhete e caminhei em direção à plataforma. Sentia-me o melhor cidadão paulistano, admirando a simples educação popular nas escadas rolantes e o inesperado respeito ao entrar no vagão. Ambiente com lotação completa, o calor das pessoas era inevitável sentir, embora o ar-condicionado estivesse em perfeito funcionamento.
Subitamente, uma jovem se levanta me oferecendo seu assento. Sua expressão era de uma pessoa caridosa. Sinceramente, meu sentimento foi em direção oposta ao que eu sentia segundos atrás. Inesperadamente, tive a percepção de que transparecia a imagem de um frágil senhor, um idoso que carecia de um assento.
Agradeci, recusei e automaticamente olhei minha figura, que refletia na janela do veículo, e o esforço para encontrar aquele senhor vigoroso foi de certo modo desgastante. Passados alguns minutos, me desloquei para o centro do vagão, quando, acreditem, um senhor obeso, juro, bem obeso, se levanta para me ceder seu lugar.
Desculpem-me, mas é difícil demais andar em equilíbrio. Acho que vou comprar uma bengala para minha cabeça.
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Marcelo Vieira Pinto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade no podcast do Conte Sua História de São Paulo.
A força das marcas é um tema que tem ganhado cada vez mais relevância, especialmente no contexto do ambiente interno das empresas. Ao longo dos anos, a área de marketing, comunicação e branding costumava direcionar seu foco principalmente para o mercado externo, negligenciando muitas vezes a importância do que ocorria dentro das organizações. Esse cenário modificou-se, a despeito de algumas empresas ainda não terem percebido, como destacaram Jaime Troiano e Cecília Russo no programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”.
“A precipitação digital, a vontade de gerar resultados a curtíssimo prazo, a vaidade corporativa de não obedecer ao ritmo natural de evolução das coisas, tudo isso atropela o processo de amadurecimento interno da marca.”
Jaime Troiano
A necessidade de adotar um autêntico propósito
Um exemplo citado na conversa ilustra essa questão. Um conhecido relatou ter visto um comercial de um automóvel da empresa onde trabalha, mas só o viu na TV, demonstrando que, dentro da própria empresa, a comunicação interna sobre a marca estava sendo negligenciada. Isso reflete uma visão puramente comercial das marcas, que não considera seu papel coletivo e seu propósito interno.
Cecília e Jaime ressaltaram que, nos últimos anos, houve uma mudança significativa nesse cenário. Empresas orientadas por um propósito claro têm promovido uma maior integração interna, onde todos os colaboradores reconhecem o papel coletivo na construção da marca. Um exemplo notável disso é a empresa de chocolates, Dengo, que se destacou no mercado de forma rápida devido à adoção interna de um autêntico propósito.
A importância do RH na gestão da marca
Além disso, a gestão de marca tem envolvido cada vez mais a equipe de recursos humanos, que desempenha um papel fundamental na disseminação da cultura da marca entre os colaboradores. Exemplos como o da Cobasi, uma empresa que valoriza o alinhamento entre cultura, propósito e posicionamento, e a AEGEA, empresa de saneamento, que promove a ideia de “nossa natureza movimenta vida”, destacam como a gestão de pessoas desempenha um papel crucial na construção da marca.
“Nossa experiência nos últimos 10 anos, mais ou menos, tem nos levado a conviver com outros setores da empresa além da turma de marketing e comunicação. Um deles, em particular, que é a turma de gestão de pessoas, recursos humanos. Os nomes variam. Essa área, que tradicionalmente se concentrava apenas em operações mais burocráticas, hoje tem um papel central para quem quer que a marca seja cultivada e cresça saudavelmente.”
Cecília Russo
Portanto, a força das marcas reside principalmente no ambiente interno das empresas, onde a cultura, o propósito e o alinhamento com a estratégia são fundamentais. Essa força interna é o alicerce sobre o qual as marcas podem ser verdadeiramente respeitadas e, posteriormente, refletidas de forma autêntica no mercado externo. A mensagem é clara: o sucesso das marcas começa de dentro para fora, na integração e no comprometimento dos colaboradores com os valores e o propósito da empresa.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O comentário “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã, e é apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo.
Gravação do Mundo Corporativo com Alberto Saraiva foto: Pricisla Gubiotti
“O mundo atual precisa de gente que tem a capacidade de controlar despesas. No passado, você se preocupava praticamente só com as vendas. As vendas eram muito aceleradas, as vendas eram muito fortes, então, você não precisava ser um grande administrador de despesa”.
Alberto Saraiva
Oferecer produtos a preços significativamente mais baixos do que a concorrência. Foi esse o caminho que Alberto Saraiva, português de nascença, encontrou para manter a padaria que o pai recém havia fundado no Belenzinho, região central de São Paulo. De verdade, Alberto queria ser médico, mas após um incidente trágico — o pai foi morto durante um assalto a padaria — viu-se obrigado a assumir o negócio para o qual não havia se preparado. Abandonou o curso e investiu na sua intuição para tornar a padaria possível em um bairro no qual a concorrência era enorme.
Alberto Saraiva é o fundador e presidente do Habib’s, um empreendedor de sucesso que construiu um império gastronômico a partir de uma jornada repleta de desafios e aprendizados. Sua história foi a inspiração para a nossa conversa no programa Mundo Corporativo, da CBN.
“O grande lance dessa padaria é que não tinha movimento nenhum. E eu não tinha como trazer cliente. Então, eu coloquei o pãozinho a um preço mais barato. Naquela época, o pãozinho era tabelado pela Sunab. Eu coloquei 30% mais barato que a tabela da Sunab. Meus patrícios diziam que o pãozinho não dava lucro”.
A importância de ter um carro-chefe
Com o preço mais baixo, a padaria de Saraiva ganhou uma clientela que foi fundamental para o sucesso do negócio: os “padeiros de rua”, que compravam o pão mais barato e, em seguida, revendiam para bares, botecos e condomínios, de porta em porta. A partir dessa experiência, Saraiva aprendeu a importância de ter um “carro chefe” em seu negócio, ou seja, um produto altamente popular e acessível. Ele enfatiza que, no início, não é necessário se preocupar muito com o lucro, pois ele é uma consequência natural do volume de vendas e da eficiência na gestão de despesas.
“Tente ter um produto que atraia o cliente pelo preço. Que tenha qualidade, que tenha aceitação do público. Carro-chefe é o seguinte: é um produto que você vende, que não tem rejeição, todo mundo quer, todo mundo procura. Então, se você consegue ter um produto desses com uma margem menor e consegue vender a preço acessível, eu diria que isso já é 70% do sucesso do negócio”.
Como o Habib’s se iniciou
A história do Habib’s teve início quando Saraiva encontrou um novo produto para impulsionar seus negócios: a esfiha aberta. Ao conhecer um senhor que sabia fazer esse prato tradicional árabe, Saraiva percebeu que havia encontrado seu “carro-chefe”, e lançou o Habib’s. O nome “Habib” significa “amigo” em árabe, refletindo a filosofia da empresa de oferecer comida a preços acessíveis e construir relacionamentos próximos com os clientes.
Para expandir sua rede de restaurantes, Saraiva adotou a verticalização, produzindo seus próprios ingredientes e controlando de perto a qualidade e os custos. Isso permitiu que o Habib’s mantivesse sua abordagem de preços acessíveis e qualidade consistente à medida que crescia.
A empresa tem de ser contaminada por seu líder
Bastidor da gravação do Mundo Corporativo foto: Priscila Gubiotti
Atualmente, o grupo de Saraiva inclui não apenas o Habib’s, mas também outras marcas como o Ragazzo, uma rede de comida italiana conhecida por sua coxinha, e o Tendall Grill, uma churrascaria que segue a mesma filosofia de preços acessíveis.
Saraiva destaca que um líder de sucesso precisa motivar sua equipe, estar constantemente inovando e cuidar das finanças da empresa com atenção. Ele enfatiza que é essencial acreditar em si mesmo e ter confiança em sua capacidade de realizar grandes feitos no mundo dos negócios.
“Quer dizer, o líder precisa ter sempre um projeto novo que motive as pessoas a tocar o existente. E sempre estar criando e inovando. Eu acho que isso são coisas que contaminam. Uma empresa precisa estar contaminada pelo seu líder”
É preciso estar atento às oportunidades
Além disso, Saraiva não tem medo de correr riscos calculados e acredita que o empreendedorismo é sobre aproveitar as oportunidades sem hesitação. Ele enfatiza que os empreendedores devem ter a determinação de seguir em frente, mesmo diante de desafios e incertezas. Por exemplo, a pandemia da COVID-19 trouxe novos desafios para o setor de restaurantes, mas Alberto Saraiva e sua equipe continuam a inovar e adaptar seus negócios para enfrentar essas dificuldades. Uma das soluções foi usar a infraestutura das cozinhas do Habib’s para produzir marmitas:
“O que que eu fiz: eu transformei um pedaço dessa cozinha numa cozinha da Mita. Então, eu uso toda a estrutura do Habib’s e tem uma marca digital lá que ninguém sabe que é do Habib’s nem de onde vai nem como é que vai. E com essas cozinhas, eu consigo fazer a expansão porque eu já tenho a infraestrutura montada. Então, a Mita em oito meses já tem 50 lojas, e agora chegamos a faturar R$ 12 milhões”.
Em resumo, a história de Alberto Saraiva e o sucesso do Habib’s são um testemunho da importância de acreditar em si mesmo, adotar uma mentalidade empreendedora e estar disposto a enfrentar desafios em busca de seus objetivos no mundo dos negócios.
Assista ao Mundo Corporativo
O programa Mundo Corporativo traz uma entrevista inédita todas às quartas-feiras, 11 da manhã, no canal da CBN no YouTube e no site da CBN. O Mundo Corporativo também pode ser ouvido em podcast, no Spotify. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Letícia Veloso, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.