Conte Sua História de São Paulo: os bolinhos de polvilho da vovó

Por Waldizia Moniz

Ouvinte da CBN

A casa ainda está lá. Quando nasci em meados da década de 40, ela era muito mais bonita. Um sobradão amarelo com quatro janelas dando para a rua. As do andar superior exibiam duas pequenas jardineiras lotadas de lírios azuis, paixão de vovó. Tempos diferentes aos de hoje. Nossa porta permanecia sempre bem aberta para facilitar a entrada dos parentes e dos vizinhos. O único telefone disponível naquela rua era o nosso, exceto um outro que pertencia ao Lourenço da mercearia.

Pois é. Nasci e cresci ali, numa rua ainda sem asfaltamento e quase nenhum trânsito. De minha porta, podia perfeitamente avistar a pequena igreja de São José do Maranhão, onde fiz a primeira comunhão. Tínhamos dias comuns e bucólicos, com o verdureiro passando logo cedo com sua carroça de frutas, legumes e verduras. Sentadinha no degrau da porta da rua, eu acompanhava a cantoria das donas de casa batendo suas roupas nos tanques e seu vai e vem com bacias equilibradas nas cabeças, em direção ao gramado, onde estendiam sua fileira de roupas alvas e humildes.

Por volta do meio dia, o cheiro de frituras variadas invadia o ar. Vovó fazia uns bolinhos de polvilho sensacionais. A infância que vivi difere completamente da infância atual.

Meu local para brincar e aproveitar a vida era a rua. Com um bando de garotos, eu desaparecia por entre recantos fascinantes do meu querido bairro do Tatuapé. Gozei de uma espetacular liberdade de movimentos, onde não se cogitava ainda da presença de quaisquer perigos. 

Muito pequena, aprendi a me virar sozinha quando foi preciso estudar um pouco mais distante de casa. O velho bonde era meu meio de transporte favorito. Eu esperava por ele ali na Celso Garcia e seguia até o bairro da Penha, descendo no ponto final. O colégio religioso ficava logo atrás da igreja da Penha. Durante sete anos, fiz este percurso. Expandi minhas andanças tão logo comecei a fazer um cursinho pré-universitário na região central de São Paulo. Acho que foi nesta época que caí de amores pela minha cidade. Ao relembrar as ruas de minha São Paulo antiga, muitas vezes ainda sou tomada por uma emoção marcante e singular. 

Fui uma pequena exploradora que percorreu com amor e curiosidade todas aquelas ruas que ainda mantenho vivas na arquitetura de minha mente. Tomei o famoso chá no Mappin da Xavier de Toledo. Fazia meus lanches na Leiteria Americana. Comprei meus vestidos de baile nas butiques da rua do Arouche. E como namorei! Namoros ingênuos, regados a músicas românticas e passeios de mãos dadas. Hoje, tenho três filhos, seis netas e um casamento com o companheiro que está aqui ao meu lado há cinquenta anos.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Waldizia Moniz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: razão ou emoção, uma dança complexa no comportamento do consumidor

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“A gente tem razão e emoção ambas ativadas antes mesmo de pôr os pés na loja.”

Cecília Russo

Na hora de decidir qual marca ou produto comprar, uma série de fatores influencia o comportamento do consumidor. Um dos dilemas mais fascinantes que eles enfrentam é a escolha entre a razão e a emoção. No programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso,” Jaime Troiano e Cecília Russo analisaram essa questão crucial e exploraram até que ponto a lógica e o sentimento influenciam nossas escolhas.

Razão e Emoção: Uma Dança Complexa

Cecília Russo entende que este é um processo complexo. Ela ilustra o tema com um exemplo prático de um casal escolhendo porcelanato para a cozinha. Antes mesmo de entrarem na loja, eles já estão munidos de informações racionais, mas também cheios de expectativas e sonhos, o que demonstra que tanto a razão quanto a emoção desempenham um papel desde o início.

“A gente já vai criando experiências, já se vê recebendo amigos naquele novo espaço da casa, longe da racionalidade.”

Cecília Russo

A conexão emocional surge assim que o consumidor começa a sonhar com os produtos ou serviços que estão prestes a adquirir. No entanto, o ambiente de compra também é crucial, com elementos como promoções, etiquetas de preço e até mesmo a interação com o vendedor influenciando nossa tomada de decisão.

Análise de Regressão: Descobrindo o Peso da Razão e da Emoção

Para determinar se a razão ou a emoção pesam mais, Jaime Troiano menciona o uso da estatística e, especificamente, da Análise de Regressão. Essa ferramenta estatística permite que os especialistas avaliem a importância relativa de diferentes fatores na escolha de uma marca ou produto.

“Quando se tem isso em mãos, não somos nós que vamos dizer se a escolha do piso foi mais emocional ou mais racional, os dados da regressão nos darão isso.”

Jaime Troiano

No entanto, Jaime enfatiza que não há uma resposta única, já que a influência da razão e da emoção pode variar dependendo da categoria de produto.

Conclusão: Uma Dança Complexa entre Lógica e Sentimento

No final, Cecília sintetiza o dilema ao afirmar que a razão e a emoção são praticamente indissociáveis. Ambas desempenham um papel importante na estratégia das marcas, e encontrar o equilíbrio certo é essencial. Não se trata apenas de preço ou paixão desenfreada; a escolha da marca é uma dança complexa entre lógica e sentimento.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” é apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, aos sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Leizer Pereira, da Empodera, diz que empresário reconhece o valor mas não prioriza a diversidade

Gravação online com Leizer Pereira, foto: Priscila Gubiotti

 “Ninguém quer se assumir como racista, machista ou homofóbico. Acho que o maior desafio está na resistência em reconhecer que você é parte do problema e também da solução. Existem os vieses inconscientes, que são os preconceitos que todos nós temos e que criam barreiras para as pessoas.”

Leizer Pereira, Empodera

Apesar de 94% dos líderes reconhecerem o valor da diversidade para atrair e reter talentos, a efetivação da diversidade como uma prioridade real cai pela metade. O Brasil, marcado por sua rica tapeçaria de culturas e histórias, ainda enfrenta desafios significativos quando se trata de diversidade e inclusão nas organizações. Esta não é apenas uma questão de justiça ou de fazer o que é moralmente correto; é também uma questão estratégica que pode impulsionar a inovação e a rentabilidade em um mundo corporativo em constante mudança.

Da conscientização à ação: a missão da Empodera

Leizer Pereira, fundador e CEO da Empodera, mergulha profundamente nesta questão em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN. Ele destaca que, embora muitas organizações estejam cientes do valor da diversidade, ainda existe uma lacuna significativa na transformação dessa compreensão em ações concretas e sistematizadas.

“Eu acho que precisamos promover mais oportunidades para as pessoas. Promova oportunidades, equidade e deixa as pessoas crescer na velocidade do seu talento e esforço. Tem muita gente boa sendo deixada para trás nesse país. A gente não tem. A gente não tá com essa possibilidade de desperdiçar talento”

A Empodera, fundada em 2017, busca capacitar empresas a entender e abraçar verdadeiramente a diversidade. Além de focar na diversidade racial, a organização também aborda questões de gênero, LGBTQIA+, gerações e pessoas com deficiência, reforçando a ideia de diversidade de pensamento como chave para soluções criativas e integradas.

Desafios e oportunidades: a perspectiva pessoal de Leizer

A trajetória pessoal de Leizer Pereira, como um homem negro que cresceu na periferia do Rio de Janeiro e posteriormente ascendeu ao mundo corporativo, oferece uma perspectiva sobre os desafios e oportunidades presentes na jornada de inclusão. Ele argumenta que, enquanto o acesso ao ensino superior tem se tornado mais democrático no Brasil, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que os jovens, especialmente aqueles de origens desfavorecidas, estejam preparados não apenas academicamente, mas também emocional e culturalmente para os desafios do mundo corporativo.

Com o crescente reconhecimento da importância da diversidade, resta saber se as organizações brasileiras vão intensificar seus esforços para transformar palavras em ações e garantir que a diversidade e a inclusão sejam mais do que apenas palavras da moda, mas sim pilares fundamentais de sua cultura e estratégia.

“Então, as empresas ainda têm um longo caminho, porque elas são inclusivas para quem? Hoje não é para todo mundo. Então, a gente precisa construir essa organização inclusiva para todas as pessoas”.

Assista ao Mundo Corporativo no YouTube

  • Quando assistir: Quartas-feiras, às 11 da manhã, ao vivo.
  • Onde assistir: Canal da CBN no YouTube.
  • No ar: sábado no Jornal da CBN e domingo, às dez da noite.
  • Podcast: no site da CBN, no Spotify ou na Alexa.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Renata Barcellos, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: meu casamento no Mosteiro de São Bento

Por Paulo Monteiro da Paixão

Ouvinte da CBN

Foto do site Mosteiro de São Bento

Sou paulistano e nasci no bairro do Tatuapé em 1963. Hoje estou aposentado e tenho esposa, dois filhos, uma neta e um genro. Eu e minha esposa moramos no bairro de Vila Guilhermina, na zona leste. Minha filha, genro e neta vivem na Vila Ré. O filho mora no Morumbi.

Meu depoimento, creio ser raro. Eu e minha esposa nos casamos na igreja em 30 de junho de 1984. Na época, eu, um jovem estudante, frequentava regularmente as missas diárias das sete da manhã no Mosteiro São Bento, no Largo São Bento, antes de ir para a escola — o curso preparatório para cadetes do ar, na avenida Prestes Maia.

Quando decidimos nos casar, ambos com 20 anos, resolvemos que a cerimônia seria no mosteiro. Foi um desafio agendar.

O mosteiro, naquele tempo, celebrava apenas um casamento por mês. Contudo, superamos as dificuldades com o auxílio de um monge muito atencioso que cuidava dessa questão. Fizemos o curso na igreja e notifiquei o DSV — era obrigatório na época para saber quais ruas estariam liberadas no centro, no sábado à tarde, para a celebração.

A cerimônia começou às seis horas em ponto, pois os monges tinham seus rituais religiosos marcados para as sete da noite. Não poderia haver atraso. Exatamente no horário, minha noiva adentrou a igreja sob o som dos sinos, e o órgão de tubos acompanhou toda a celebração. Quem a celebrou foi o diretor da empresa em que eu trabalhava. Ele era um padre. Às seis e meia, após o beijo na noiva, a cerimônia se encerrou.

Durante todos esses anos, nunca conheci alguém que tenha se casado naquela igreja. Fomos privilegiados por celebrar o momento mais importante de nossas vidas em um marco de São Paulo.

Na cidade, trabalhei como office boy. Conheci toda São Paulo andando de ônibus e a pé. Porém, o Largo São Bento, o Mosteiro, a Igreja e a cerimônia perpetuam em minha memória até hoje.

Paulo Monteiro da Paixão é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros episódios, visite o blog de miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: como aproveitar melhor o calendário da porta da geladeira 

 

Foto Pexels

“As datas comemorativas do calendário anual estão aí à nossa disposição. Concentrem-se em algumas especiais para sua marca. Usem mas não abusem”

Jaime Troiano

Calendários fazem parte do dia a dia de muitos lares.  Na porta da geladeira, é inevitável encontrar algum dos muitos tipos de “folhinhas” que destacam feriados e datas comemorativas. O ouvinte do Jornal da CBN sabe bem do que estamos falando. Além de servirem para assinalar datas especiais, têm um papel crucial no universo das marcas. Estas datas, que vão desde o Natal e Réveillon até o Dia da Consciência Negra, estão ali, à disposição das marcas, esperando ser aproveitadas com sabedoria e autenticidade. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo enfatizaram que o sucesso no aproveitamento dessas datas não está apenas em se manifestar, mas saber como e quando fazer isso. Para algumas marcas, como aquelas ligadas à gastronomia, certas datas são inerentes ao seu DNA, como o Natal para marcas de peru. Já marcas de roupa possuem uma maior flexibilidade, podendo se vincular ao Dia das Mães ou Dia dos Pais, por exemplo.

Evitando Estereótipos e Manipulações

No entanto, é fundamental que essa associação seja genuína e respeitosa. Uma marca de eletrodomésticos, por exemplo, precisa ter cautela ao associar o Dia das Mães apenas a atividades domésticas. É vital entender que as datas comemorativas devem ser usadas como momentos de homenagem sincera, e não de forma manipulativa.     

“Já vi empresas de eletrodomésticos aproveitando o dia das mães, promocionalmente. Achei de muito mau gosto. Lembra de atividades domésticas que nessa hora não é do que as mulheres querem ser lembradas”.

Cecília Russo

Marcas e Rituais: A Força da Tradição

Algumas marcas têm feito isso de forma tão significativa que suas campanhas tornam-se rituais anuais esperados pelo público. Quem não se lembra das panetones da Bauducco indicando a proximidade do Natal? Ou jingles antigos que, ainda hoje, remetem a momentos especiais do ano?

Ao final, a mensagem é clara: datas comemorativas são uma ferramenta poderosa para as marcas, mas seu uso requer discernimento e autenticidade. Concentrar-se em datas que realmente façam sentido para a marca e evitando excessos é o caminho. E, claro, sempre comemorar e valorizar todos os dias, seja ele voltado para um grande público ou para um grupo específico, como o Dia do Meteorologista, que, aliás, é comemorado no dia 14 de outubro.

E você, empreendedor e profissional liberal? Está pronto para fazer de sua marca um sucesso, aproveitando as datas comemorativas com autenticidade e respeito ao seu público?

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, vai ao ar aos sábados às 7h50 no Jornal da CBN, e tem a participação de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Sabrina Zanker, da L’oréal Luxo, convida às empresas a se envolverem em causas sociais e investirem em líderes femininas.

Sabrina Zanker no estúdio do Mundo Corporativo da CBN Foto: Priscila Gubiotti

“Se você se engajar com causas, você ser uma empresa que acolhe bem, tem um bem-estar para aquele colaborador, promove a diversidade no ambiente de trabalho e fora do ambiente de trabalho e promove transformação na sociedade, eu acho que isso é fundamental para você recrutar pessoa,s também manter pessoas engajadas e motivadas a trabalhar na sua empresa”

Sabrina Zanker, L’Oréal Luxo

No cenário corporativo moderno, a responsabilidade das empresas vai muito além de simplesmente gerar lucros. As organizações têm a oportunidade e, muitos argumentariam, a obrigação de desempenhar um papel ativo na transformação social. Esse engajamento em ações sociais não apenas reflete uma missão e visão alinhadas com valores sociais, mas também demonstra uma liderança que busca transformar a vida das pessoas. Essa é a opinião de Sabrina Zanker, diretora geral da L’oréal Luxo, convida do programa Mundo Corporativo, da CBN.

Um aspecto importante dessa transformação é o acolhimento. Em um mundo onde muitas pessoas enfrentam desafios emocionais, como depressão e abusos, as empresas podem oferecer um ambiente seguro e acolhedor. No entanto, é essencial que o engajamento seja autêntico. Com o aumento do acesso à informação, consumidores e stakeholders podem facilmente discernir entre ações genuínas e aquelas feitas meramente por razões de imagem.

Há um benefício direto para as empresas que escolhem se engajar autenticamente em causas sociais. Além de reforçar a imagem corporativa, essa autenticidade tem um efeito profundo no moral e na retenção de funcionários. As novas gerações, em particular, valorizam empresas cuja cultura e valores refletem suas próprias crenças e identidades. A promoção da diversidade e a contribuição ativa para a transformação social tornam-se elementos fundamentais na atração e retenção de talentos.

“As empresas têm que se posicionar de acordo com a sua missão, com seu propósito, fazer causas que realmente tenham conexão com isso. Aí de fato vai ter esse acolhimento, esse papel de transformação, e isso vai repercutir de maneira muito natural na sua imagem corporativa”

Abuso Não é Amor: uma iniciativa global

Com tantas causas sociais que merecem atenção, como uma empresa decide onde concentrar seus esforços? A autenticidade, mais uma vez, é a chave. As ações devem ser alinhadas com o propósito e a missão da empresa. Para a L’Oréal Luxo, por exemplo, o empoderamento feminino é uma causa intrinsecamente ligada à marca, tornando-a uma escolha natural para o seu engajamento.

Uma dessas ações que merece destaque é a campanha “Abuso Não é Amor”, focada em reconhecer e combater relacionamentos abusivos. Esta é uma questão que transcende fronteiras nacionais, impactando mulheres de todas as origens e estratos sociais.

A campanha colabora com organizações e plataformas para educar e informar sobre os sinais de um relacionamento abusivo, com o objetivo de prevenir a violência antes que ela comece. A parceria com Instituto AzMina, conhecido por seu trabalho em empoderamento feminino, é um exemplo de como a campanha busca alcançar sua missão.

Desenvolvimento de carreira e superando obstáculos

No contexto de avanço profissional, Zanker destaca a importância da rede de apoio e da sororidade. Ter um círculo de confiança e apoio é crucial para superar a  “síndrome do impostor”, um fenômeno comum entre mulheres que questionam suas próprias habilidades e realizações. Para combater essa síndrome, ela sugere auto-reflexão, terapia e o reconhecimento e aceitação de suas vulnerabilidades.

Além disso, Zanker aponta a maternidade como uma experiência que pode proporcionar aprendizado e crescimento, desafiando a noção de que ser mãe é um obstáculo na carreira de uma mulher. Em sua visão, a maternidade pode desencadear qualidades e desenvolvimentos valiosos que beneficiam o ambiente de trabalho.

Trajetória profissional e o papel da líder feminina

Com uma formação em comunicação, um MBA em finanças e formação em psicanálise, Zanker é um exemplo de um perfil multidisciplinar. Sua curiosidade e desejo de ver negócios de uma perspectiva holística a levaram por diversos caminhos e indústrias, construindo uma carreira diversificada e rica em experiências. Começando sua carreira na L’Oréal como trainee, ela traçou seu caminho através de diferentes áreas, desde finanças até marketing, moldando seu perfil como uma líder versátil e bem-arredondada. Em 2020, ela retornou à empresa e um ano depois foi convidada para ocupar o cargo de diretora-geral.

As empresas têm um papel significativo a desempenhar na transformação social e na promoção da equidade de gênero. Líderes como Sabrina Zanker exemplificam a capacidade das mulheres de ascender a cargos de liderança e influenciar positivamente o ambiente corporativo. Seu compromisso com o engajamento autêntico e a promoção de outras mulheres é uma inspiração para futuras líderes.

“Quando a gente fala de o papel de uma liderança feminina, eu acho que o que a gente busca na verdade é normalizar o papel da mulher em espaços que foram exclusivamente ocupados por homens”.

Assista à entrevista com Sabrina Zanker, da L’Oréal Luxo

A gravação do Mundo Corporativo pode ser assistida, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 da manhã, no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingos, às dez da noite, em horário alternativo. O Mundo Corporativo também está disponível em podcast. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Rafael Furugen

Conte Sua História de São Paulo: a camisa 10 de Pelé no Museu do Futebol

Por Sérgio Yunes

Ouvinte da CBN

A tarde quente e ensolarada de janeiro tornou ainda mais agradável a chegada à Praça Charles Miller, onde fica o Estádio Municipal do Pacaembu. Era 2019. O estádio ainda não passava por reformas, funcionava normalmente, inclusive naquela noite receberia uma partida pela primeira fase do Paulistão: São Paulo e Guarani de Campinas.

No vasto largo, vendedores ambulantes dos mais diversos tipos já se postavam, embora ainda fosse cedo. A polícia também estava presente, com soldados a pé e viaturas. Olhando tudo isso e driblando a todos eles, como convém ao histórico local, tomei o rumo do estádio. Meu destino não era o campo de jogo ou as arquibancadas, mas sim o Museu do Futebol, um dos principais pontos turísticos da cidade.

E como sou fanático pelo esporte desde 1970, quando fui apresentado ao jogo dos 11 pelo maior time de futebol de todos os tempos, a seleção brasileira daquela Copa do México, a visita ao Museu era mais do que obrigatória, era uma necessidade. Antes, uma ótima surpresa. Mesmo em preparação para o jogo da noite, os acessos à parte interna do Estádio estavam abertos à visitação. Cruzei os portões e logo cheguei ao campo. Arquibancadas, pista e gramado mostraram-se galantes, tudo prontinho para a partida e para receber as torcidas.

O velho e histórico estádio revelava seu charme, encantamento e força. Aliás, força não só dele, mas de todo o futebol brasileiro, com placas em homenagem às conquistas da Seleção Brasileira, com os nomes de todos os jogadores.

Visto e sentido tudo isso, era hora de entrar no Museu. No caminho, a loja do Futebol. Como lembrança, um imã de geladeira com a imagem do Estádio. Ali ao lado, no café do Pacaembu, um jornalista começava a preparar os primeiros materiais para a cobertura do jogo. Ingresso na mão, comecei o passeio pelo imenso universo do esporte mais popular no mundo.

Escudos, fotos, vídeos, gravações, camisetas, arquivos históricos, listas de clubes, músicas e até uma biblioteca, talvez a mais completa para estudos sobre a modalidade. Mas foi na parte final da visita que presenciei algo impressionante, algo quase inacreditável. 

Amarelinha, incrivelmente nova e perfeita, como foi o futebol de seu dono. Lá estava ela, a camisa número 10 de Pelé. E não era qualquer 10 de Pelé, se é que é possível existir isso, era a camisa usada pelo Rei na final da Copa de 70.

Peça sem preço, de valor inestimável para toda uma nação e para o mundo, estava ali, venerada como um altar que homenageava a paixão e um dos homens mais amados do planeta. Impossível não ficar encantado ou hipnotizado ao olhar a vestimenta, imaginando os movimentos geniais, sagrados e míticos que recebeu naquele jogo contra os italianos. Impossível não devorar com os olhos cada detalhe da peça, do histórico escudo da CBD à etiqueta do fabricante, uma multinacional de material esportivo, colocada na parte interna, sem ficar à mostra. Naquele tempo não havia o marketing de hoje. Toda lisa, num amarelo dominante com gola e bordas das mangas em verde, certamente era a principal peça do Museu e alvo maior dos visitantes.

Ainda atônito por ter estado tão perto daquela peça icônica, que poderia ter tocado não fosse o vidro de proteção, encerrei o passeio pelo Museu e pelo Estádio. Ganhei novamente a praça Charles Miller, que já começava a receber os primeiros torcedores para o jogo da noite, afinal a bola, o campo e o gol precisavam continuar a prestar suas homenagens a quem os tratou com tamanha majestade.

Ouça o Conte Sua História com o gol de Pelé na final de 70

Sérgio Yunes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros episódios, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.”

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: ESG, a nova fronteira da gestão de marcas

Fabricar produtos com menor impacto ambiental é estratégia ESG

“O ESG surgiu para ditar práticas empresariais, mas também é um bom balizador para pensarmos o que as marcas, inclusive as pequenas, podem fazer no dia a dia para criar novas dimensões de significado à sua percepção.”

Cecília Russo

Em um mundo em constante evolução, a gestão de marcas, ou branding, tem se mostrado uma ferramenta indispensável para empresas que buscam estabelecer uma relação duradoura com seus consumidores. No entanto, atualmente, não basta apenas entregar um bom produto ou serviço. As marcas precisam se mostrar engajadas e responsáveis. Nesse contexto, entra em cena o ESG (Environmental, Social, and Governance) como direcionador das ações corporativas e, por consequência, das estratégias de branding.

ESG, sigla em inglês, se refere ao meio ambiente (E), sociedade (S) e governança (G) das empresas. A sigla surgiu pela primeira vez em 2004, em um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) intitulado “Who Cares Wins” (“Ganha quem se importa”).

“O branding está contido nas atividades de marketing e, por sua vez, está contido na gestão das empresas como um todo. Então hoje, tudo se conecta com tudo.”

Cecília Russo

Referências para entender ESG na prática

Vivemos em um período em que os consumidores esperam mais das marcas do que apenas a entrega de um produto de qualidade. Eles desejam que as empresas tenham um papel social, uma preocupação ambiental e uma governança transparente e ética. As empresas que conseguem incorporar essas dimensões em sua marca encontram um caminho de conexão mais profundo com seu público.

A Rhodia, por exemplo, destaca-se com sua fibra chamada Amni Soul Eco, pois ela não solta microplásticos no oceano, evidenciando sua preocupação ambiental.

“Nós criamos para ela um posicionamento que diz o seguinte: mais tempo com você, menos tempo no planeta. Isso porque a fibra especificamente não solta microplásticos no oceano.”

Jaime Troiano

Outros dois exemplos que atuam no S, do social, investindo em educação no Brasil e impactando milhões de brasileiros são os bancos Itaú e Bradesco.

Como referência para pensarmos sobre a importância do G, temos o caso recente da Americanas que sofreu por falta de governança, de um gerenciamento cuidadoso e transparente.

“O resultado disso é a perda de confiança na marca, que se desvaloriza diante de todos.”

Jaime Troiano

ESG não é tapume

Como Cecília bem ressalta, o fundamental é que as marcas não apenas falem sobre suas iniciativas ESG, mas que elas façam de verdade. Afinal, como já aprendemos em ‘Sua Marca Vai Ser Um Sucesso’: “marca não é tapume”, é a face visível de uma empresa e de suas práticas.

Portanto, para empresas e marcas que buscam se destacar no mercado atual, não basta apenas uma boa gestão de produtos e serviços. É preciso olhar para o todo, para o impacto global de suas ações, e o ESG surge como uma bússola nessa jornada.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O programa ‘Sua Marca Vai Ser Um Sucesso’ vai ao ar no Jornal da CBN aos sábados às 7h50 da manhã, com apresentação de Jaime Troiano e Cecília Russo. Para dar sugestões e fazer comentários sobre os temas abordados, envie email para marcasdesucesso@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Renata Rivetti, da Reconnect, apresenta estratégias para a semana de quatro dias e um ambiente de trabalho mais feliz.

Bastidores da gravação do Mundo Corporativo com Renata Rivetti Foto: Priscila Gubiotti

“[Felicidade no trabalho] tem a ver com pessoas que de repente se relacionam de forma mais saudável, mais positiva, com o ambiente de segurança psicológica e, também, um trabalho que desafia as pessoas, que faça sentido para elas, que traga mais significado para a vida”.

Renata Rivetti, Reconnect

A verdadeira felicidade no trabalho vai além de ambientes coloridos e piscinas de bolinhas. Segundo Renata Rivetti, fundadora da Reconnect Happiness At Work, ela se enraíza em relações mais positivas e segurança psicológica. Esse tema é vital para todos os profissionais, especialmente líderes que buscam produtividade e engajamento. No programa Mundo Corporativo, falamos de estratégias que podem transformar o clima organizacional e de como estão sendo realizadas as pesquisas para implantação da semana de quatro dias, uma ideia que se potencializou após a pandemia da Covid-19

Desvendando a felicidade corporativa

Não é apenas o ambiente físico que determina a felicidade no trabalho. Trata-se de ter equipes que interagem positivamente, se desafiam e encontram propósito em suas tarefas. Felicidade leva ao aumento do engajamento, produtividade e inovação.

Por que a felicidade ainda é um tema delicado nas empresas? Rivetti acredita que estratégias de liderança antigas, focadas em comando e controle, são menos sustentáveis hoje. Reflexões provocadas pela pandemia e novas gerações entrando no mercado de trabalho exigem uma nova abordagem sobre felicidade corporativa.

“Certamente, quando a pessoa é feliz no trabalho, ela vai ser mais engajada, mais produtiva. Vai falar bem da empresa, ser mais inovadora. A gente vê sucesso em todos os âmbitos”

Mensuração da felicidade

Fundada em 2021, a Reconnect surgiu da paixão de Rivetti pelo autoconhecimento e estudos sobre felicidade. Notando a demanda corporativa, ela lançou a Reconnect para medir e promover a felicidade em empresas, conduzindo desde palestras até diagnósticos completos.

Usando o modelo PERMA, criado pelo psicólogo Martin Seligman, conhecido como pai da Psicologia Positivada, a Reconnect analisa cinco aspectos do bem-estar subjetivo, buscando entender emoções positivas, engajamento, relações, significado e realização no ambiente de trabalho.

Confrontando o burnout e ambientes tóxicos

Ao abordar o aumento de casos de Burnout, Rivetti destaca a necessidade de tratar as causas raízes, como a cultura e a liderança, em vez de apenas os sintomas. Ambientes tóxicos muitas vezes refletem lideranças tóxicas, exigindo uma transformação cultural profunda:

“Tem aqueles que querem transformar o mundo e entendem a importância de cuidar de pessoas,  de falar de saúde mental e de trabalhar para uma construção. Talvez um capitalismo mais consciente. Mas ainda tem aqueles que querem manter tudo como sempre foi, têm medo da mudança, medo de perder o privilégio, medo de trazer temas que talvez não saibam lidar, como a saúde mental e o bem-estar”. 

A semana de quatro dias: um novo horizonte

A Reconnect está testando a viabilidade da semana de trabalho de quatro dias. Esses testes abordarão produtividade, bem-estar dos funcionários, impactos organizacionais e feedback direto dos envolvidos. Ao se associar a empresas de diversos setores, a Reconnect busca oferecer uma visão completa sobre os potenciais benefícios dessa abordagem de trabalho. 

Como funcionarão os testes 

Os testes propostos pela Reconnect não se limitarão apenas a avaliar a satisfação dos funcionários. Eles buscarão entender as implicações reais da semana de quatro dias em diversas dimensões: 

Produtividade: Será avaliado se uma semana de trabalho reduzida pode realmente levar a uma maior concentração e eficácia no trabalho, compensando assim a redução das horas trabalhadas. 

Bem-estar dos Funcionários: A iniciativa buscará compreender se uma jornada de trabalho reduzida pode melhorar a saúde mental e física dos funcionários, reduzindo o estresse e aumentando a satisfação no trabalho. 

Impacto Organizacional: Os testes também considerarão os efeitos da semana de quatro dias nos objetivos e metas gerais da empresa, bem como nas dinâmicas de equipe e nas interações cliente-empresa. 

Feedback Direto: Serão realizadas sessões de feedback regularmente, permitindo que os funcionários compartilhem suas experiências, preocupações e sugestões em relação ao novo formato de trabalho.

Assista à entrevista com Renata Rivetti no Youtube

A gravação do Mundo Corporativo pode ser assistida, ao vivo, no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às dez da noite, em horário alternativo. A entrevista também está disponível no podcast do Mundo Corporativo. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: memórias da cidade que vivi e cresci

Por Ana Paterno

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

O meu amor por São Paulo começou em abril de 1971 quando, com oito anos, desembarquei na cidade, vinda de uma pequena aldeia da região do Douro, em Portugal. Aquele dia ficou gravado na memória como uma fotografia em preto e branco.

Vivi 30 anos na São Paulo da garoa, das chácaras cheias de árvores, que ocupavam enormes quarteirões em ruas com filas de sobrados e casas.

Vivi na São Paulo na qual se brincava sem medo com os amigos, na rua, de queimada, de esconde-esconde, de amarelinha, de tantos outros jogos. Num tempo em que havia bailes de garagem, matinê nos clubes Espéria e Tietê, carnaval com banho de seringa nas ruas. E, também, as quermesses.

Vivi a São Paulo dos ônibus elétricos nos quais íamos à escola e às compras no centro da cidade.

Vivi em uma São Paulo que era segura e na qual os vizinhos se conheciam e sentavam-se ao portão para conversar no fim do dia.

Tenho na memória a beleza das flores dos ipês amarelos, a cor do céu ao entardecer, o cheiro da terra molhada.

Cresci em uma cidade que também vi crescer. Com as construções de prédios, de shoppings, em número de habitantes, em ruas, em progresso. Em violência e problemas de infraestrutura, também.

Cresci como pessoa e como profissional. Formei-me em psicologia. Trabalhei na TV Cultura, um lugar onde já havia inclusão, igualdade e diversidade, num tempo em que mais do que falar sobre cada um, respeitava-se cada um. Lá conheci pessoas incríveis, cheias de histórias interessantes.

Em São Paulo, tenho família, tenho os meus amigos, os melhores, e para a vida toda. Pessoas que amarei para sempre. Continuarei a amar a minha cidade e todos os lugares que dela conheci. A cidade que ficará para sempre no meu coração.

Hoje, vivo no Porto, em Portugal, e amo a minha terra, mas sou feliz por ter essas memórias de uma cidade que foi e continua a ser um dos lugares mais importantes da minha vida.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Ana Paterno é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.