Meu nome é Olga Pereira Pinto da Silva. Tenho 78 anos. Morei, dos sete aos 15 anos na Vila Jafet, no Ipiranga. Todas as casas dessa vila eram destinadas aos trabalhadores da tecelagem e estamparia Jafet. Em todas as residências havia crianças e adolescentes — amiguinhos que até hoje guardo na lembrança. Meu pai era funcionário da fábrica.
Minha infância foi marcada por personagens interessantes. O Sr. Armando vinha com seu veículo cheio de pães de todos os tipos e as nossas mães, todo dia, compravam os deliciosos produtos. O que eu mais gostava eram os pães doces. Maravilhosos! O padeiro atendia a todas com muita educação e sempre bem humorado.
O Sr. Paco, um simpático espanhol, era o verdureiro. Chegava com sua carroça lotada de frutas, verduras e legumes. Minha mãe era sua freguesa assídua. Mas ela reclamava, pois ele chegava bem na hora do almoço, quando ela estava servindo à mesa e tinha que largar tudo para fazer a compra…. porém, minha mãe o elogiava pelos produtos frescos e de boa qualidade.
O mais esperado e o mais querido de todas as crianças era, sem dúvida, o sorveteiro, sr. Jean. Ele era um senhor belga, falando um português com sotaque francês, o que lhe dava um charme especial. Seus sorvetes de massa eram divinos. A gente tinha que levar um copo de vidro, no qual ele punha as bolas do que, para mim, eram verdadeiros manás dos céus.
Às vezes, fico pensando que todas estas personagens da minha infância já estejam em outro plano quem sabe saboreando as alegrias que nos ofereceram aqui na terra.
Olguita Maria é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Num sábado qualquer, decidi passear pelo centro de São Paulo. Não tinha ideia por quais ruas ou lugares passaria. O meu destino era incerto. Me entregaria ao acaso, sem hora para chegar a qualquer lugar. Sem itinerário fixo, e nem horário para retornar. A única fixação que tomava conta de mim era sair e perambular pelos locais que um dia fizeram parte da minha vida, que me transformaram na pessoa que sou hoje.
Queria fazer algo diferente daquilo que fazia desde 1981, quando tinha 14 anos, e saía de Ferraz de Vasconcelos para trabalhar no centro de São Paulo, como office boy. Naquela época, o meu tempo era cronometrado. O olho sempre fixo nos ponteiros do relógio para não me atrasar. Aliás, o tempo não era meu, ele não me pertencia. Fui engolido por ele, que mastigou a minha infância e cuspiu o resto que juntei ao longo da minha juventude. Só me restou a opção de buscar a sobrevivência por meio dos estudos e do trabalho prematuro.
São Paulo transforma, tanto para o bem quanto pro mal. Dá mas também nos tira muitas coisas. Quem vive aqui, se choca com os contrastes construídos por misturas de vidas, histórias, horrores, tragédias e belezas.
Caminhei pelos calçadões de pedras portuguesas da Praça da Sé até o local onde fui apresentado a ela: Praça Antônio Prado, número 33. Aqui foi um divisor de águas. Tudo foi diferente depois desse trabalho. Não foi o meu primeiro, mas foi onde encontrei alternativas que poderiam converter a vida pacata em novas oportunidades.
Parado na frente do prédio lembrava da minha chegada acanhada no primeiro dia. O olhar sempre em direção ao chão. Tudo era muito estranho. Eu tinha medo de não me adaptar. Pensei em desistir ao fim da primeira semana. Queria voltar para a minha cidade e me ocupar com o serviço de antes: engraxar sapatos na Praça Independência, em frente a estação de trem.
O meu gerente percebeu que eu estava deslocado naquele ambiente, quando me convidou à sua sala e me disse: “não desista garoto, você tem capacidade para enfrentar os novos desafios. Siga em frente…”. Foi o que fiz!
Hoje estou aqui de volta. Muita coisa mudou. Parado no meio da praça, observava as pessoas caminhando, de um lado para o outro, os prédios, as loja. Contudo, eu só conseguia ver o meu passado. A cidade se esvaziou. Não mudou para mim, porque há mais lembranças guardadas na memória. As áreas públicas tem menos verde, e muita sujeira espalhadas pelas vias públicas.
Enquanto me refrescava na sombra que vinha do antigo prédio do Banespa, olhava para o relógio instalado no ponto inicial da Avenida São João, sem funcionar, enferrujado e com a sua estrutura de mármore toda empoeirada. Não estava lá o coreto, local onde populares e apoiadores do movimento Diretas Já, costumavam se aquecer, antes de se dirigirem ao Largo do Anhangabaú e Praça da Sé. Os engraxates profissionais também desapareceram. A banca de revistas e periódicos, onde comprei o meu primeiro jornal: O Estado de São Paulo já não ocupava o seu lugar.
Atravessei a praça e Fui até a esquina com a Rua São Bento. Neste lugar funcionava a loja de roupas masculinas Ducal, onde comprei minhas primeiras calças e camisas sociais, com a gratificação que ganhei, por ter alcançado em primeiro lugar, as metas estabelecidas pelo meu gerente. A alegria tomava conta de mim.
Me lembro da felicidade da minha mãe quando, no portão de casa, me viu chegar com as sacolas cheias de roupas novas. Ela cuidava com tanto carinho, que até passou a engomar as golas das camisas.
Caminhei pela São João. A minha direita estava o prédio antigo do Correio, ao seu lado o Viaduto do Chá, por onde eu atravessava todos os dias, com a minha pasta de plástico cheia de documentos que deveriam ser entregues em alguma escritório, empresa, banco ou cartórios. A esquerda o Vale do Anhangabaú, que passou por reformas. Mais a frente, o Largo do Paissandu, e a sua volta várias tendas improvisadas para abrigar moradores de rua.
Encontrei-me com o prédio do SPCine, que dava sinais de total abandono. Continuei minha andança e cheguei nas esquinas da São João com a Ipiranga, e, para a minha tristeza, notei que os cines Marabá e o República também estavam com suas atividades encerradas. Estes cinemas foram palcos de grandes exibições de filmes e atraiam pessoas de vários pontos do Estado. Recordo do dia em que eu e o meu irmão fomos ao Marabá assistir ao lançamento do filme “Rambo – programado para matar”. Era uma tarde de domingo, ensolarada. Nas mãos pipocas e refrigerantes. Os olhos atentos na sequência de imagens vindas do videoteipe projetadas no telão.
O passeio e as lembranças pareciam não ter fim, mas agora já era noite e o cenário não era mais o mesmo daquela época. As ruas com iluminação precária, e vários comércios com suas portas fechadas, em total abandono e degradação. Retornei às minhas lembranças em que São Paulo era mais linda.
Adair Loredo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem de São Paulo. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
A compra da Garoto pela Nestlé foi finalmente liberada, em junho deste ano, encerrando um longo processo de análise e debate. Mas como funciona o processo de compra de marcas e como é calculado o valor desse ativo? No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, exploramos esse tema e discutimos a importância da consistência na construção e monitoramento do valor de uma marca ao longo do tempo.
“Marcas não adquirem valor da noite para o dia”
Cecília Russo
O processo de compra de marcas
Muitas vezes, marcas são adquiridas por competidores do mesmo mercado. Nesses casos, há um órgão regulador responsável por analisar e aprovar essas transações. No Brasil, temos o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que avalia se a junção de duas marcas pode prejudicar os consumidores ao limitar a concorrência e criar um monopólio. A análise realizada pelo CADE no caso da compra da Garoto pela Nestlé durou incríveis 20 anos, tornando-se um dos casos mais longos da história. Outro exemplo é a compra da marca Kolynos pela Colgate na década de 90, na qual o CADE determinou que a Kolynos fosse afastada do mercado por quatro anos para evitar a formação de um monopólio prejudicial aos consumidores.
Valor de marca e Brand Valuation:
“Antes do CADE entrar para julgar, no caso de compra de marcas rivais, e no caso de qualquer compra de marca, é preciso definir seu valor”
Jaime Troiano
O cálculo do Brand Valuation, ou valor de marca, baseia-se na contribuição da marca para os resultados financeiros de uma empresa. Em outras palavras, o valor de uma marca representa o quanto a empresa gera a mais em termos de fluxo de caixa por ser proprietária dessa marca, em comparação ao que geraria sem ela. Para calcular o valor econômico da marca, primeiro é necessário estimar o volume de recursos que a marca contribuirá para a geração de fluxo de caixa no futuro. Em seguida, esse volume é trazido a valor presente usando uma taxa de desconto. Essa taxa de desconto é uma operação comum no campo das finanças e permite obter o valor econômico da marca.
A importância da consistência e monitoramento:
Como dito por Cecília Russo, a lição que podemos tirar desse tema é que marcas não ganham valor da noite para o dia. Aumentar o valor de uma marca exige consistência ao longo dos anos, paciência e monitoramento constante para garantir que sua construção esteja indo na direção desejada. Construir uma marca forte requer um trabalho contínuo de estratégia, posicionamento, comunicação e entrega de valor aos consumidores. É importante acompanhar de perto os resultados e ajustar as ações quando necessário, para garantir que a marca esteja cumprindo seu propósito e agregando valor ao negócio.
É preciso investir na construção da marca
O valor de uma marca é um ativo estratégico que pode impulsionar o sucesso de uma empresa. No caso de aquisições de marcas, é necessário considerar o impacto no mercado e obter a aprovação dos órgãos reguladores. Já o cálculo do Brand Valuation é fundamental para compreender o valor econômico da marca, levando em conta seu potencial de geração de fluxo de caixa futuro.
A lição mais importante a ser aprendida é que a construção de valor de uma marca requer tempo, esforço e consistência. É fundamental desenvolver estratégias sólidas, manter uma comunicação eficaz e entregar valor aos consumidores de forma consistente. Além disso, é essencial monitorar constantemente a marca para garantir que ela esteja cumprindo seus objetivos e gerando resultados positivos.
Portanto, investir na construção e no fortalecimento da marca é uma estratégia de negócio inteligente. Ao fazer isso, as empresas podem aumentar seu valor de mercado, conquistar a fidelidade dos clientes e se destacar da concorrência. Afinal, uma marca bem-sucedida é um ativo valioso que impulsiona o crescimento e a sustentabilidade de uma empresa a longo prazo.
Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar todos os sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN:
No estúdio do Mundo Corporativo com Luiz Fernando Lucas Foto: Priscila Gubiotti
“Esse é o ponto em que as empresas vão começar a se destacar contratando seres humanos mais íntegros no sentido da palavra de mais completos, de mais clareza de quem são”
Luiz Fernando Lucas, advogado
Os dilemas éticos que enfrentamos no cotidiano são nossos e devem ser solucionados por nós. Cabe a cada um fazer suas escolhas diante das diversas situações que enfrenta na sua vida pessoal e profissional. Portanto, você é responsável pelo seu sucesso ou fracasso. Tem de ser pautado por essa premissa, sob o risco de perder o protagonismo e a liberdade. Nada disso, tira a responsabilidade de a empresa construir um ambiente eticamente saudável, mas é preciso entender que na “hora do vamos ver” a decisão é sua. Conversei sobre estes temas com Luiz Fernando Lucas, advogado por formação, especializado no tema da ética por convicção e autor do livro “A Era da Integridade” (Editora Gente).
“Acredito mesmo que não as empresas, mas nós como seres humanos precisamos cada vez mais voltar aos princípios, as virtudes, aos valores”.
No programa Mundo Corporativo, Luiz Fernando explicou que a integridade é a busca pela plenitude e completude, sendo congruente entre o que se fala, pensa e faz. Essa sintonia é que diferenciará cada vez mais o profissional de seus colegas e concorrentes. De verdade, já diferencia, porque, como dito na epígrafe deste texto, às empresas estão em busca desses talentos, que deixou de ser apenas a referência para aquele que é inovador, colaborativo ou excepcional na execução da sua tarefa:
“Estamos indo para um momento no qual mais importante do que os hard ou soft skills são as inner skills, aquelas competências que vêm de dentro, a sua essência”.
RHs têm de investir em indicadores de integridade
A despeito da valorização que ética, responsabilidade e integridade têm tido, Luiz Fernando diz que os departamentos de recursos humanos ainda não usam métodos capazes de identificar esses valores nos profissionais que se apresentam como candidatos. Segundo o advogado, há vários instrumentos de avaliação de perfil psicológico e de personalidade, há indicadores financeiros e de resultados, assim como sociais e ambientais, porém ainda são incipientes do de governança corporativa.
“A proposta é quais indicadores de valores de impacto na sociedade, por exemplo, de saúde do grupo de pessoas que estão não apenas dentro da empresa, mas como que elas estão levando bons exemplos para a sociedade”.
O autor ressalta que vivemos na “era da integridade”, e estamos vivendo um momento de ampliação da consciência humana e que é possível escolher evoluir como espécie através da integridade e consciência. Destaca a relação entre confiança, valores e felicidade, e a importância de se fazer escolhas éticas e responsáveis diante das novas tecnologias. Além disso, chama atenção para a influência que os ambientes profissionais e pessoais que vivenciamos têm na construção desses relacionamentos éticos e responsáveis:
“Se eu tenho uma conduta ética na minha vida pessoal, eu vou contribuir com aquilo no meu grupo de trabalho e se na minha empresa valoriza-se a cultura de integridade, a ética, os valores de alguma forma, eu vou levar aquilo pro meu seio familiar, para o meu pro meu convívio social. E aqueles aprendizados vão fazer refletir sobre o impacto da minhas ações e das minhas omissões como ser humano na vida”.
Para uma reflexão mais completa sobre integridade, assista à entrevista com Luiz Fernando Lucas, ao Mundo Corporativo, programa que teve as colaborações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
Igreja na praça da Sé, foto de Claudinéia Regina/Flickr CBNSP
Era o ano de 1983. Eu havia ingressado no Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Unesp, em São José do Rio Preto. Bacharelado de Letras-Tradução. Com 18 anos, nascida e criada em uma pequena cidade do interior paulista, sentia-me um peixe fora d’água naquele ambiente tão politizado, com colegas super descolados.
Nem imaginava que, em breve e, justamente, com eles, pisaria em São Paulo, pela primeira vez. A abertura política se fazia lenta, mas progressivamente. Nesse contexto, a comunidade universitária da UNESP, em sintonia com o movimento Diretas-já, propunha um processo de eleição para a indicação do candidato ao cargo de reitor da universidade.
No início de 1984, realizou-se a consulta à comunidade, num ato democrático extraordinário, para a época. Mas o Conselho Universitário e o governador Franco Montoro não acataram a nossa vontade expressa pelo voto. Isso gerou profunda revolta, motivando uma prolongada greve e a ocupação da reitoria e das diretorias de várias unidades.
Naqueles dias, embarcou no trem RioPreto-São Paulo um grupo de destemidos, do qual eu fazia parte. Uma noite inteira, não só de café com pão, café com pão… mas, também, de pão com mortadela, mortadela com pão. Na manhã seguinte, chegamos em São Paulo para revezar com os colegas que estavam ocupando a reitoria há vários dias.
Eu fingia naturalidade no metrô, fingia saber onde estávamos ou para onde íamos. A ninguém eu havia dito que jamais estivera na capital. Imagina! Na Praça da Sé, olhei deslumbrada a Catedral, os prédios do Tribunal de Justiça e da própria reitoria. Notei que faltavam árvores e sobrava gente.
Dado o risco de estarmos sendo vigiados, entramos rapidamente na reitoria, de onde só saí oito dias mais tarde com todos os companheiros, expulsos por Michel Temer, então Secretário de Segurança Pública de São Paulo.
Seguidos à distância pela força policial, fomos em passeata pelo entorno, gritando palavras de ordem, cantando o hino da época: ”para não dizer que não falei das flores”. Ouvia aplausos de alguns, palavras de apoio de outros, e chuva de papel picado a nos receber.
Lá se vão 38 anos de muitas outras histórias de manifestações, comícios, protestos, passeatas, quase sempre em São Paulo. Mas é essa passagem que divido com você, na Praça da Sé, o marco zero da minha história de lutas e paixão por essa cidade.
Janice de Paulo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem de São Paulo. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo
Bastidores da gravação com Luiz Calina, em foto de Priscila Gubiotti
“O preconceito é quebrado através do encontro da experiência do diálogo. Então, o diálogo acaba sendo uma das partes mais importantes do assunto”
Luiz Calina
“Contrato e depois não posso demitir?”. Eis aí uma preocupação se não legítima, bastante comum entre empregadores desafiados a contratarem pessoas com deficiência. A pergunta é apenas um dos muitos mitos que tornam a presença de cegos — e não apenas cegos — bastante limitada em ambiente de trabalho. Para começar bem essa conversa, então, vamos logo a resposta que Luiz Calina, entrevistado do Mundo Corporativo, me deu:
“Você contratando a pessoa certa para o lugar certo, ela tem que ter performance. Ah, e se não tiver, como é que eu vou fazer para demitir? Como você demite qualquer um. Suporte que a pessoa não tá performando, não tá entregando o resultado, e troque por outra pessoa, talvez outra pessoa com deficiência, mas que tenha interesse em trabalhar”
Tirada essa “barreira” da frente desse seu caminho de descrença, vamos às demais informações: Luiz Calina é sócio diretor da Calina Projetos. Ela comanda a produtora que está à frente do projeto “Diálogo no escuro” que tem se destacado como uma iniciativa pioneira que visa promover a inclusão dessas pessoas com deficiência visual no mercado de trabalho. Esse tem sido um tema cada vez mais relevante e atual.
Criado na década de 80, na Alemanha, o projeto já percorreu mais de 170 cidades em 47 países, proporcionando uma experiência única aos participantes. No Brasil, chegou em 2015 e desde então tem se estabelecido como uma referência no combate ao preconceito e na promoção da diversidade.
O “Diálogo no escuro” consiste em uma exposição e um workshop, ambos realizados em ambientes totalmente escuros. Na exposição, os visitantes são guiados por pessoas com deficiência visual, simulando diferentes espaços urbanos. Através da audição e do tato, os participantes são desafiados a reconhecer e interagir com o ambiente. Já no workshop, os participantes realizam atividades no escuro, promovendo a reflexão e a superação de desafios.
O objetivo do projeto é proporcionar uma experiência imersiva que quebre preconceitos e estigmas em relação às pessoas cegas. Ao se depararem com a vulnerabilidade do escuro, os participantes são levados a repensar suas percepções e a desenvolver empatia em relação às pessoas com deficiência visual.
De acordo com Luiz Calina, os resultados do projeto têm sido positivos, com feedbacks que demonstram uma maior sensibilização e consciência por parte dos colaboradores das empresas envolvidas. A experiência no “Diálogo no escuro” proporciona descobertas surpreendentes e estimula a busca por recursos e soluções, mostrando o potencial das pessoas em enfrentar desafios.
Aos empregadores que se preocupam com o fato de ter um cego na sua equipe de trabalho e a necessidade de ter despender mais tempo do que o normal para que ele realize suas funções ou tenha de escalar um colega para ajudá-lo, Calina lembra a história que inspirou o projeto, lá na Alemanha, nos anos de 1980. O filósofo Andreas Heinecke recebeu a incumbência de orientar um estagiário cego que integraria sua equipe. Logo pensou que haveria a necessidade de colocar alguém em apoio para que o novo funcionário exercesse suas atividades. Surpreendeu-se ao descobrir que, apresentado ao espaço físico e explicadas suas funções, o colega tinha total autonomia.
“Eu estou aqui no estúdio da CBN. Não sei onde é o banheiro. Alguém vai ter que me mostrar a primeira vez e depois eu vou saber. A única diferença é que talvez a gente chegue ali na porta e alguém me aponte: “Ó, ali é o banheiro!”, e eu já vou saber. A pessoa cega você tem que levar e de preferência até você abre a porta do banheiro e fala “aqui está a cabine, tem a parte do mictório, tá bem em frente, a pia tá pra direita e o papel toalha tá à esquerda”. Se você fizer isso você vai ajudar bastante a ele, porque ele não não tem condição de ver. Só que isso é a primeira vez. Depois, tá tudo resolvido A única diferença é da primeira vez não indicar com a mão, é preciso levá-lo até o local. Depois, tá tudo resolvido”
Apesar dos avanços, ainda há muito desconhecimento e falta de educação sobre a realidade das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A lei de cotas estabelece a obrigatoriedade de empresas terem um percentual de colaboradores com deficiência, mas muitas vezes o cumprimento dessa lei é feito com pessoas com deficiências menores, que requerem poucas adaptações.
No entanto, empresas comprometidas com a diversidade e inclusão estão no caminho certo, promovendo a inclusão efetiva de pessoas com deficiência visual. Além de ser uma ação socialmente responsável, a inclusão traz benefícios para a empresa, como o reconhecimento da marca, o engajamento dos colaboradores e a ampliação do público consumidor.
“Então, se você tem um time bastante diverso para buscar novos produtos, você vai atender um número maior de possíveis consumidores, que eventualmente se você estiver em uma bolha; vamos dizer todo mundo igual ou na direção ou na área de marketing, talvez você não pense nesses outros consumidores que também vão fazer diferença no seu mercado consumidor”.
Portanto, a inclusão de pessoas com deficiência visual no mercado de trabalho é uma questão que vai além da obrigação legal, é uma oportunidade de promover a diversidade, quebrar preconceitos e construir um ambiente mais inclusivo e igualitário. O projeto “Diálogo no escuro” está com duas exposições, em São Paulo e Rio de Janeiro. Na capital paulista, está na Unibes Cultural, da Oscar Freire, 2.500, e no Rio, está no Museu Histórico Natural, na praça Marechal Âncora, no Centro.
Para conhecer mais sobre como funcionam as exposições e o workshop Diálogos no escuro”, assista à entrevista completa no Mundo Corporativo, que tem as participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Guilherme Muniz.
Nasci em São Paulo e passei minha infância e adolescência na pequena Tambaú, no interior do estado. Voltei à capital, em 1978, quando passei no vestibular para cursar biblioteconomia, na Escola de Comunicações e Artes da USP. Durante o curso, estagiei em uma das bibliotecas universitárias do campus do Butantã e não sai mais daqui.
Venho todos os dias para a USP, desde 1978, ora trabalhando em bibliotecas, ora em arquivos; e é sempre uma alegria adentrar ao campus pela avenida principal e observar as árvores majestosas que ladeiam a passagem e, muitas vezes, escondem os prédios das diversas faculdades.
Trabalhar no campus tem essa magia de estar vivendo dentro de um parque. As sibipirunas, árvores enormes que estão por toda a Cidade Universitária, com seus troncos cobertos de hera, sustentam em seus galhos bromélias onde bandos de periquitos fazem ninhos. Em agosto, cobrem-se de flores amarelas, avisando que a primavera vai chegar e depois fazem um tapete no asfalto, quando suas flores caem. Das árvores que dão flores temos também o flamboyant, a quaresmeira, o ipê , a cerejeira japonesa…
Temos também pés de jaca, goiaba, pitanga, amora e, cada uma a seu tempo, dá frutos que fazem a festa, tanto daqueles que circulam pelas avenidas, como dos papagaios, periquitos, carcarás, tucanos, quero-queros, canarinhos, corujas, saguis e teiús que convivem livremente por toda parte.
Na avenida dos bancos, próximo ao prédio da Matemática e da FAU, temos diversas árvores da mata Atlântica. Nessas árvores foram colocadas placas que identificam as espécies: ipê-rosa, pinheiro bravo; aroeira mansa; canela–amarela; sambacu e muitas outras, que vamos conhecendo e aprendendo o nome à medida que caminhamos.
Além das árvores espalhadas pelo campus, temos também alguns parques internos como o Bosque da Física com sua pista de caminhada; o Jardim Japonês, próximo do Instituto de Biociências; o Bosque da Biologia, na rua do Matão; e a Raia Olímpica, que além das árvores abriga uma família de capivaras.
A USP é famosa pela qualidade do ensino, das pesquisas que produz, de suas bibliotecas e seus acervos documentais e de artes, mas para mim o que mais me encanta é poder, morando em São Paulo, conviver com essa natureza exuberante todos os dias.
Dina Elisabete Uliana é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem de São Paulo. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo
“A culpa já vendeu e continua vendendo bilhões e bilhões de reais para as respectivas empresas”
Jaime Troiano
No universo das marcas, há uma tática que tem se mostrado extremamente eficaz para impulsionar as vendas: a exploração da culpa. Por meio de mensagens sutis, as empresas colocam a responsabilidade e a vergonha nos ombros dos consumidores, induzindo-os a comprar produtos ou serviços como forma de aplacar esse sentimento. É o homem que olha com inveja para o carro novo do vizinho; é o filho que pede para descer longe da porta da escola por causa das roupas da mãe; é o colega de trabalho que fala escondido ao celular porque seu modelo é ultrapassado.
Este é um tema recorrente e delicado no branding. Muitas marcas se valem dessa abordagem, apelando para os sentimentos de responsabilidade dos consumidores. É preciso ter consciência do impacto dessa estratégia na sociedade e no comportamento de compra. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo alertaram para os riscos éticos que esta abordagem gera e a importância de se estabelecer limites para não manchar a imagem das marcas.
O uso da culpa como estratégia de marketing não é uma novidade. Desde a década de 80, comerciais têm sido criados com o intuito de enaltecer produtos ou serviços, ao mesmo tempo em que jogam a responsabilidade para o lado do consumidor. Um exemplo emblemático é o comercial da marca Mistral, no qual o icônico Clodovil aconselhava uma noiva a não se casar cheirando como um homem (veja o vídeo deste post). Essas abordagens, embora controversas, geraram e continuam gerando bilhões de reais para as empresas, mostrando que a culpa ainda é um poderoso fator de persuasão.
“E por que a culpa vende? Porque de certa forma o consumo é uma forma de aplacar essa culpa, tapar esse buraco.”
Cecília Russo
Um caso que teve menor projeção, porque não estava na mídia, mas causa enorme indignação a quem deparou com ele foi identificado pela própria Cecília Russo em visita a uma escola no bairro de Sumaré, em São Paulo. A diretoria achou por bem exibir na porta uma placa com os dizeres: “Mãe, faremos pelo seu filho tudo o que você faria se não tivesse que trabalhar”. Essa mensagem cutuca diretamente a culpa das mães que precisam trabalhar fora e ressalta a importância de refletir sobre os limites éticos dessa estratégia.
“Um soco na cara. Cutucar a culpa!”
Jaime Troiano
A publicidade também se utiliza de situações cotidianas para despertar esse sentimento nos consumidores. Há comerciais famosos que retratam indivíduos sendo julgados por suas escolhas ou posses materiais. No passado, havia um produzido para o Banespa — banco público já extinto – no qual um homem com roupas extravagantes e correntes de ouro no pescoço pisa no pé de uma moça, que pensa: “acho que ele não tem cheque especial Banespa”. Essas mensagens reforçam a ideia de que o consumo é uma forma de aplacar a culpa.
Apesar do potencial lucrativo da estratégia, é fundamental que as marcas ajam com responsabilidade e estabeleçam limites claros para não serem lembradas apenas por manipularem sentimentos íntimos das pessoas, especialmente em um mundo cada vez mais patrulhado e atento às questões sociais.
Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:
Nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti
“Cada vez mais é importante que a sociedade se mobilize porque é dessa forma que a gente vai transformar a potência do jovem numa realidade para o país”.
Julio Campos, Movimento Jovens do Brasil
A população brasileira está prestes a assistir uma transformação no seu perfil demográfico. Atualmente, ainda temos uma quantidade enorme de jovens e adultos com potencial de levarem o país ao crescimento econômico e a dar um salto de qualidade. É o que os técnicos chamam de “bônus demográfico” — mais jovens e adultos do que idosos e dependentes da Previdência Social. Haverá, porém, uma queda expressiva da população e o aumento no número de idosos se acentuará — e diante dessa transição virá o “bônus demográfico”. Mais gente sendo sustentada pela Previdência, menos produzindo.
Temos uma janela de oportunidade se fechando e será preciso investir fortemente na juventude para inserir essa população no mercado de trabalho. Esse é um dos desafios do Movimento Jovens do Brasil uma iniciativa de Luiza Helena, do Magazine Luiza, e de Julio Campus, CEO da Compra Agora, que surgiu em 2018. Entrevistado pelo Mundo Corporativo, Julio disse que a educação é o fator primordial para inclusão dos jovens, oferecendo-lhes escolhas e preparo adequado.
“O acesso à educação e às oportunidades são fundamentais para que os jovens possam avançar em suas carreiras”.
O movimento tem como objetivo oferecer treinamento de habilidades técnicas, cognitivas, emocionais e sociais aos jovens, capacitá-los para que se tornem agentes de transformação na sociedade, conectá-los a oportunidades de trabalho e promover o diálogo entre gerações, unindo jovens e jovens por mais tempo — expressão que a instituição usa para identificar os mais velhos que se dispõem a colaborar nessa transformação.
Dentro do Movimento Jovens do Brasil, são trabalhados quatro pilares essenciais: desbravar, transformar, conectar e dialogar. Através dessas trilhas, o movimento busca fortalecer os jovens e prepará-los para o mercado de trabalho. A trilha do desbravar engloba a capacitação técnica, cognitiva e emocional. Já a trilha de ser um agente de transformação convida os jovens a exercitar um pensamento crítico sobre políticas públicas e seu papel na sociedade. O movimento também conecta os jovens às oportunidades de trabalho e cursos disponíveis. Por fim, a promoção do diálogo intergeracional fortalece tanto os jovens quanto aqueles que já têm mais experiência, incentivando a compreensão mútua.
Júlio também destaca a importância da mobilização da sociedade em auxiliar os jovens, especialmente aqueles que vivem em áreas periféricas, a superar as barreiras e alcançar seu potencial máximo. É importante destacar que o Movimento Jovens do Brasil busca formar jovens multiplicadores, capazes de impactar positivamente suas comunidades. Através do voluntariado e do entendimento de seu papel como cidadãos, esses jovens podem devolver ao seu território as oportunidades que receberam.
“Acho isso extremamente potente. Porque você traz gente que fala a linguagem dos seus semelhante, do seu igual, ele entende aquela realidade. Então, ninguém melhor do que ele para poder passar esse conhecimento. Então, a gente forma o jovem voluntário para que ele possa ser se agente multiplicador na sociedade.”
Para saber como participar desse projeto, seja em busca das oportunidades de conhecimento existente seja diante da possibilidade de oferecer o seu conhecimento ao movimento, visite o site jovensdobrasil.org.
Assista à entrevista completa com Julio Campos, do Movimento Jovens do Brasil, ao Mundo Corporativo que teve às participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
Parque da Independência em foto de arquivo da cidade
Nos meus tempos de criança, ouvia muito os meios de comunicação dizerem: “São Paulo, a cidade que mais cresce no mundo”. O presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower, quando veio em visita ao Brasil, estava ansioso para conhecer a cidade, principalmente para conferir esse slogan. Foi em fevereiro de 1960, eu tinha nove anos mas não atinava esse progresso, já que eu morava num bairro pacato da zona leste que nem ruas asfaltadas tinha.
De fato, muitas empresas internacionais, atraídas pelo mercado que a cidade e o país propiciaria, vieram para São Paulo, principalmente a indústria automobilística, notadamente a Ford, que se instalou no bairro do Ipiranga. Os laboratórios farmacêuticos também seriam outra atividade de muita importância na cidade com várias industrias que se instalaram na zona sul. Incluía, talvez, o efeito da frase de Juscelino Kubitschek que em campanha à presidência da República, em 1955, prometeu “Crescer 50 anos em 5 anos”
O centro da cidade erguia edifícios que futuramente seriam sedes de bancos, nacionais e internacionais, cartórios, estabelecimentos comerciais…. Com isso, outro setor que crescia bastante era o da construção civil, atraindo a migração, principalmente de nordestinos para a cidade. Na maioria, os migrantes vinham do interior da Bahia, e logo os baianos foram conquistando a cidade, de tal forma que qualquer outro migrante do nordeste que chegava seria logo chamado de baiano. Até migrante de outros estados do nordeste, ou mesmo de outra região, para os paulistanos era baiano.
Sem dúvida, o progresso desta cidade se deve muito aos migrantes que, em busca de oportunidades de trabalho para melhoria de vida, a tornaram essa potência. Outra região da cidade, a Avenida Paulista começava a se modernizar, encerrando o ciclo dos casarões, hoje com vários edifícios .
Nos anos 50, a cidade teve a sua população aumentada de 2 milhões para 3 milhões e meio de habitantes, matematicamente um aumento de 75%. E, nos anos 60, já contava com quase 4 milhões de habitantes.
Tudo isso estou dizendo para tentar explicar como a cidade de concreto, infelizmente, deixou muito pouco para a preservação da natureza. Muitos lugares da cidade, onde hoje estão situados muitos edifícios, museus e outros ícones, como se diz popularmente: “era tudo mato”
Eu vivi em meio ao crescimento da cidade. Tudo acontecia e não cheguei a conhecer locais cuja preservação da natureza estava estabelecida. Já havia o Parque Ibirapuera mas, pelo que sei foi uma obra planejada para os festejos do Quarto Centenário de são Paulo.
Embora eu já tenha ouvido reivindicações de estudo do parque atribuído a outros paisagistas, oficialmente o projeto e concepção das áreas verdes é de Roberto Burle Marx, que teve também participação de Otávio Augusto Teixeira Mendes.
Temos o Parque da Aclimação , com suas garças maravilhosas, Parque do Carmo, Parque Buenos Aires, Praça da República (que já foi até local de touradas), mais recentemente Parque Augusta e outros, que são excelentes mas não me trazem a sensação de estar em contato com a natureza em seu estado mais puro. A revitalização do Rio Pinheiros, bem recente, está trazendo algo positivo em termos de local que se pode usufruir da natureza em São Paulo.
Porém, e sempre existe um porém, como dizia o dramaturgo Plinio Marcos, na verdade, um local que tem algum tempo que descobri e que frequento com certa assiduidade, acredito que trás o objetivo da narrativa ao encontro do tema proposto. Está localizado no bairro do Ipiranga, mais precisamente nos fundos do prédio do Museu, o Bosque, ou Bosque do Museu do Ipiranga, reconhecido pela importância enciclopédica da Wikipédia .
É fantástico apreciar a quantidade de vegetação do bosque formada por araucárias, pau-ferro (que os índios na língua tupi chamavam de Ubiratã) paineiras, árvore de borracha, amendoim acácia (essas que pesquisei) e árvores de frutos comestíveis, e muitas outras que me rendo pela minha total falta de conhecimento de botânica
Em pesquisa que realizei na internet, para se ter uma ideia, das 160 espécies localizadas no museu, 91 aparecem no Bosque. Algumas, mais precisamente 18, estão registradas em lista da União Internacional para a Conservação da Natureza na categoria de espécies ameaçadas de extinção (triste). Parece pouco, como o texto descreve, mas indica a falta de comprometimento do homem em preservar a natureza. Além desse aspecto, o texto denuncia que o bosque vem sofrendo com a perda de sua vegetação original muitas vezes pela interferência depredatória do homem, que não observa os limites de descarte de plásticos e embalagens que agridem a natureza. Os fatores climáticos também influenciam nessas perdas
Outra impressão que tenho do bosque é a de que, na sua essência, nunca foi modificado em seu acervo natural. Não houve modificação no seu fulcro apenas adaptações com determinação de trilha para os frequentadores correrem ou caminharem, bem como colocação de bancos e aparelhos de ginástica na beira da trilha.
Logo na entrada principal, antes de adentrar o núcleo do bosque, bem pertinho do prédio do museu, há espaço para crianças, com playground, e algumas mesas para convescote. Os sanitários para o público também ficam nessa área.
Há outra entrada próxima do Museu de Zoologia da USP, que, aliás, por muito tempo foi dirigido pelo professor, zoólogo e compositor musical de muito sucesso , Paulo Vanzolini.
O Museu de Zoologia está localizado numa área oposta que, de imediato , apresenta ao visitante sua exuberante vegetação. Nos dias mais quentes, as árvores frondosas propiciam aquelas sombras refrescantes tornando o Bosque um lugar ainda mais aconchegante. Sou suspeito, pois sempre que vou pra caminhada no museu, não deixo de fazer o circuito do bosque que, como eu disse, frequento há muitos anos desde quando morava no bairro de Vila Prudente (não tão distante, uns 3 a 4 km, mas eu vinha de carro)
Quando me mudei de Vila Prudente, um dos fatores decisivos na escolha de novo imóvel seria encontrar um local que eu pudesse praticar atividades físicas ao ar livre. Há 18 ano,s me mudei para o bairro do Ipiranga e distante apenas 400 metros do Bosque, que ,praticamente, é o quintal do edifício onde moro… agora, venho a pé!
Era sonho meu estar tão perto do bosque?
-“Sim , e …. foi realizado.
Julio Araujo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem de São Paulo. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo