Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o poder de conexão das marcas regionais

“Minha vida é andar por esse país
Pra ver se um dia descanso feliz
Guardando as recordações das terras onde passei
Andando pelos sertões e dos amigos que lá deixei”

A vida de um viajante – Luiz Gonzaga

No cenário empresarial brasileiro, muitas vezes as marcas que florescem no interior do país permanecem pouco conhecidas nas capitais e grandes metrópoles. Porém, essa discrepância não diminui a força e o impacto dessas marcas regionais. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano, e Cecília Russo mostraram que as marcas do interior do Brasil têm se destacado de maneira notável, conquistando os corações e mentes de seus públicos de forma única.

Marcas regionais aparecem em todos os setores

Ao se aventurarem pelo interior, Troiano e sua equipe constataram um fenômeno interessante: empresas familiares, muitas vezes na primeira ou segunda geração, têm se estabelecido como pilares econômicos e fontes de orgulho nas suas respectivas regiões. Essas empresas, que abrangem setores diversos como educação, agricultura e comércio, têm construído marcas que se tornam parte intrínseca das comunidades locais.

As viagens pelo país têm permitido a descoberta de joias escondidas no vasto território brasileiro. Empresas de arroz e grãos em Goiás, fabricantes de aço no Ceará e redes de shopping centers no Sul estão entre os exemplos notáveis. Essas marcas, mesmo desconhecidas em âmbito nacional ou internacional, se mostram fortes concorrentes, oferecendo produtos e serviços de qualidade que atendem às demandas regionais.

“Essas marcas regionais têm um sentido de pertinência e de engajamento dos colaboradores com a empresa e com a marca maior do que a gente vê, por exemplo, no eixo São Paulo, Rio de Janeiro ..”

Cecília Russo

O orgulho de quem consome as marcas regionais

Ao contrário das grandes cidades, onde a marca da empresa muitas vezes é eclipsada pelo peso dos produtos, nas regiões do interior, o orgulho de fazer parte de algo local e valioso é um motivador significativo para os funcionários. Isso cria um elo mais forte entre a marca e as pessoas que a representam, contribuindo para a lealdade e identificação genuína.

Além disso, as marcas regionais conseguem oferecer valor aos consumidores locais, competindo de igual para igual com marcas nacionais ou internacionais. Isso ocorre, em parte, devido à menor necessidade de investimento em marketing e comunicação. Os laços culturais, familiares e regionais já presentes na comunidade tornam mais fácil a conexão emocional com o público-alvo, reduzindo a necessidade de grandes campanhas publicitárias.

A lição das marcas regionais

Esse fenômeno de sucesso das marcas regionais ressalta a importância do empreendedorismo local e do fortalecimento das raízes culturais. O Brasil é uma nação diversificada, com diferentes realidades e necessidades, e as marcas que reconhecem e atendem essas particularidades têm um espaço valioso no coração dos consumidores.

“Há muito a aprender com as marcas regionais empreendedoras do Brasil”

Jaime Troiano

A valorização do orgulho local, o engajamento com a comunidade e a entrega de valor autêntico aos consumidores são lições valiosas que podem inspirar empresas de todos os tamanhos e setores a construírem relações mais profundas e significativas com seus públicos.

Ouça o comentário completo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Você pode ouvir o programa, ao vivo, no Jornal da CBN, todos os sábados, às 7h50 da manhã:

Reale Júnior diz que é preciso seguir o “rastro do dinheiro” no caso das joias de Bolsonaro

O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, está prestes a tomar uma decisão crucial sobre a autorização da quebra de sigilo bancário e fiscal do ex-presidente Jair Bolsonaro e da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro. O pedido foi feito pela Polícia Federal após uma operação que investiga a venda de joias com dinheiro vivo no exterior.

O jurista e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, em entrevista ao Jornal da CBN, ressaltou que o comportamento de um grupo em torno do ex-presidente, que estaria envolvido em práticas de fake news e comprometimento das urnas eletrônicas, poderia justificar a prisão preventiva — tema que ganhou maior projeção, na sexta-feira, a partir do cerco da Polícia Federal a ex-assessores e pessoas do circulo pessoal de Bolsonaro. Além disso, mencionou a importância de se seguir o rastro do dinheiro para entender onde ele foi depositado e se há tentativas de impedir a produção de provas.

Reale Junior destacou a necessidade de quebrar o sigilo bancário e fiscal para seguir o dinheiro e explicou que a utilização de dinheiro em espécie nas negociações pode dificultar o processo de investigação. Ele apontou que a busca por ocultar valores e bens, além das trocas de e-mails mencionadas na entrevista, justifica a quebra de sigilo para obter informações relevantes.

O ex-ministro da Justiça também abordou a pressão sobre a empresa americana envolvida na exportação das joias, levantando questões sobre sua ciência da ilegalidade e o rigor das fiscalizações nos Estados Unidos.

Quanto ao ato em defesa da democracia ocorrido há um ano no Brasil, em 11 de Agosto, o jurista afirmou que essa movimentação foi crucial para alertar a sociedade sobre os riscos que o país enfrentava nas mãos do então presidente Jair Bolsonaro. Reale Jr foi um dos líderes daquele movimento e salientou a ampla manifestação da sociedade civil e a participação de diversos setores, incluindo sindicatos, estudantes, bancários e empresários, que se uniram para reagir contra o que consideravam um golpe.

A entrevista com Miguel Reale Júnior evidencia a importância do desenrolar da investigação das joias e do papel do Supremo Tribunal Federal em tomar decisões fundamentais para o desdobramento do caso. A quebra de sigilo bancário e fiscal emerge como um passo crucial para a compreensão dos fluxos financeiros envolvidos nas transações das joias e possíveis tentativas de obstrução das investigações.

Ouça a entrevista completa no Jornal da CBN

Mundo Corporativo: Paula Esteves, da Worklover, desvenda o universo do empreendedorismo

Paula Esteves em entrevista ao Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“O empreendedor começa sonhando.Então, se eu não entendo o que eu posso sonhar e não identifico qual é esse sonho,  eu nem começo a empreender”

Paula Esteves, Worklovers

O empreendedorismo muitas vezes é visto como um desafio intimidador. No entanto, para Paula Esteves essa jornada representa uma tremenda oportunidade de autodescoberta e realização. Ela compartilha a visão de que, ao alinhar seu empreendimento com seu propósito de vida, os desafios se transformam em pequenas batalhas que impulsionam o crescimento. Paula,  criadora e CEO da Worklover, uma iniciativa voltada para a educação do empreendedor, foi entrevistada pelo programa Mundo Corporativo, da CBN, e destacou a mudança de mentalidade necessária, especialmente em uma cultura que muitas vezes valoriza a segurança do emprego tradicional. 

Para ela, também uma empreendedora, ao abraçar a liberdade e responsabilidade que vem com o empreendedorismo, podemos nos conectar verdadeiramente com nosso propósito.

“Empreender tem suas dificuldades, tem seus desafios, mas quando você faz aquilo que é para você, que está conectado com o seu propósito, justifica a razão pela qual você veio para cá, para essa vida. í a coisa fica diferente, aí os desafios, as dificuldades passam a ser pequenos desafios, apenas” 

O Mundo em Transformação

A sociedade está passando por transformações significativas, especialmente no mundo do trabalho. Paula observa que muitos indivíduos estão optando pelo empreendedorismo não apenas por escolha, mas também por necessidade. Isso ocorre à medida que as estruturas tradicionais de emprego se tornam menos previsíveis, levando um número crescente de pessoas a explorar suas paixões e transformá-las em negócios. Pesquisas indicam que mais da metade das pessoas que são demitidas decidem empreender por necessidade. Essa mudança de paradigma exige uma nova abordagem e planejamento, para que os empreendedores possam trilhar um caminho seguro e estruturado.

“O empreendedor não tem espaço para pouca paciência, o empreendedor não tem espaço para quem não tem foco e quer fazer mil coisas ao mesmo tempo, ele não tem espaço para quem não tem coragem e se vitimiza da sua própria vida”.

Educação Empreendedora Estruturada

Paula Esteves aborda essa lacuna educacional por meio da Worklover, oferecendo uma metodologia clara e direta para potenciais empreendedores. Seu “Método P”, baseado nos princípios de marketing de Philip Kotler, oferece uma abordagem abrangente para construir um plano de negócios sólido. Desde a definição do propósito até a construção de metas SMART (específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais), o método auxilia os empreendedores a navegar pelos desafios com confiança. Além disso, Paula enfatiza a importância de se livrar de equívocos comuns, como a antecipação de cartão de crédito, que pode prejudicar a saúde financeira dos empreendimentos.

Empreendedorismo com Propósito

Uma das lições mais profundas que podemos extrair da jornada empreendedora de Paula é a importância de alinhar nossas ações com nosso propósito pessoal. Ao refletir sobre sua própria experiência, ela percebeu que a busca por um propósito significativo é a força motriz por trás de uma jornada empreendedora bem-sucedida. Compartilhando sua paixão e conhecimento, Paula busca não apenas educar, mas também inspirar outros empreendedores a seguir seus sonhos com determinação e foco 

Paula destaca o envolvimento da Worklover em projetos sociais, como uma parceria com o G10 Favelas para capacitar e ajudar mulheres em situação de risco a empreender.

Na conversa com Paula Esteves, de desafios transformados em oportunidades a métodos educacionais estruturados, fica evidente que a jornada empreendedora exige coragem, paixão e uma abordagem cuidadosamente planejada. No entanto, ao abraçar nosso propósito e tomar as rédeas de nossas vidas, podemos trilhar um caminho de sucesso e realização.

Assista à entrevista completa com Paula Esteves, CEO da Worklover. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Rafael Furugen e Priscilla Gubiotti:

Conte Sua História de São Paulo: minhas frutas da cidade

Por Paulo Valadares

Ouvinte da CBN

Foto de Engin Akyurt

Frequentei São Paulo desde os anos 1970. Bati pernas pelo Centrão. Corri a São Silvestres quando ainda era noturna. Os espectadores nos davam champanhe durante a virada do ano. Mesmo correndo. 

A minha São Paulo verde não tem bosques frescos; mas campos de futebol com grama natural e algumas frutas.

Explico: eu saía enfadado do escritório no fim do expediente. Descia do Paraíso e seguia até o Largo do Paissandu para comer frutas. 

Passava por jovens esperançosos que iam para o curso noturno. Pais que retornavam angustiosos para as periferias. Era o momento que a grande jiboia trocava de casca. Saia a população oficial, entravam mercadores de amores remunerados e outros marginais. 

Ao chegar ao carrinho de frutas postado, pedia uma fatia de melancia e outra de abacaxi. Despesa que cabia no bolso. Nunca perguntei de onde elas vinham, assim, como não perguntavam minha procedência. 

Para mim elas serão sempre frutas de São Paulo.

Paulo Valadares é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Daniel Mesquita. Seja você também personagem da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Comunicação eficaz para combater a polarização

A convite da jornalista Joyce Carvalho falei sobre o livro “Escute, expresse e fale”(Rocco), no programa que apresenta na CBN Curitiba. Provocado por ela, expliquei que a comunicação desempenha um papel crucial na construção de relações sustentáveis e na superação da polarização e da agressividade presentes nas interações diárias e online.

O livro que escrevi com Antônio Sacavém, Thomas Brie e Leny Kyrillos explora como a comunicação pode ser um antídoto à polarização e à violência nas sociedades. Destaquei que ouvir e compreender o outro é fundamental para aproximar pessoas com perspectivas diferentes e reduzir conflitos.

Na conversa, Joyce e eu chamamos atenção do ouvinte para o fato de  a comunicação ser um instrumento poderoso para superar desafios sociais e criar um ambiente mais colaborativo e harmonioso. Além disso, destaquei a importância de influências positivas na formação de profissionais de comunicação e ressaltai a necessidade de abordar questões complexas de forma sensível e responsável.

A surpresa ficou por conta da reprodução de momentos em que atuei no rádio do Rio Grande do Sul como jornalista esportivo ao lado do meu pai, que também foi tema da conversa que você ouve aqui:

Marina diz que ninguém vai passar por cima de decisão técnica para explorar petróleo na foz do Rio Amazonas

No calor dos debates e discussões que caracterizam a Cúpula da Amazônia,  em Belém do Pará, Marina Silva, a ministra do Meio Ambiente, foi enfática sobre a importância das decisões técnicas do Ibama serem respeitadas no caso da exploração de petróleo na região do Foz do Rio Amazonas. Em entrevista ao Jornal da CBN, ela foi perguntada sobre o parecer da AGU — Advocacia Geral da União que pode abrir espaço para que o presidente Lula autorize as operações da Petrobras no local. Marina destacou que tais decisões levam em conta critérios ambientais e Lula jamais passaria por cima dessas avaliações:

“Às vezes as pessoas usam um termo equivocado: flexibilizar o licenciamento ambiental. Ninguém flexibiliza uma cirurgia do coração, uma cirurgia do rim, uma cirurgia do olho. Por que que o olho e o coração da natureza a gente quer flexibilizar?”


O desmatamento na Amazônia também foi abordado na entrevista, e Marina compartilhou dados promissores sobre a reversão da curva de crescimento do desmatamento no primeiro semestre. Ela ressaltou a importância do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia (PPCDAm), destacando seu papel na redução do desmatamento ao longo dos anos. No entanto, a Ministra também apontou para a necessidade de mudanças no modelo de desenvolvimento, promovendo setores como turismo, bioeconomia e agricultura de baixo carbono.

Ouça a entrevista completa da ministra do Meio Ambiente Marina Silva ao Jornal da CBN

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: minimalismo e essencialismo são estratégias poderosas para as marcas

Móveis da Ikea, Photo by ATBO on Pexels.com

“O essencialismo se por um lado indica menos por outro lado é a oportunidade de criar conexões ainda mais relevantes com seus consumidores”. 

Cecília Russo

Duas tendências que têm se destacado no mundo do branding, o minimalismo e o essencialismo, são conceitos que parecem estar na contramão do consumo. Porém, têm um impacto positivo nas marcas e no comportamento dos consumidores, de acordo com Jaime Troiano e Cecília Russo, comentaristas do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

O essencialismo vai além de fazer menos, trata-se de fazer as coisas certas, investindo tempo e recursos de forma sábia. É o que se aprende no livro “Minimalismo: a disciplinada busca por menos” (Editora Sextante), de Greg McKeown. Essa filosofia tem conquistado a preferência dos consumidores modernos, que buscam otimizar recursos e fazer escolhas mais conscientes.

“As marcas que souberem aproveitar e acompanhar essa tendência do essencialismo certamente se destacarão no mercado”

Cecília Russo

Um exemplo é a Cobasi, uma marca de varejo presente em várias cidades do Brasil, que atua no segmento de produtos para pets e casa. Ao adotar a assinatura “Essencial para a vida”, a marca direcionou seu foco para atender às necessidades essenciais de seus clientes, mostrando-se mais relevante e alinhada com o que eles buscam.

A Nestlé também utilizou o minimalismo de forma inteligente ao lançar um iogurte com apenas dois ingredientes, estampando o número “2” na embalagem. Essa simplicidade e clareza na comunicação destacam a qualidade do produto e atraem os consumidores que buscam uma alimentação mais simples e natural.

Outro exemplo é a marca sueca de móveis, Ikea, que é um verdadeiro ícone do minimalismo e essencialismo. Suas criações são pensadas para serem acessíveis, com poucas peças e um design otimizado para ocupar menos espaço possível. O resultado é um sucesso absoluto que conquista consumidores em muitos países.

No Brasil, a marca de joias de Antônio Bernardo também adota o minimalismo em suas criações, optando por um design limpo e sofisticado. Essa abordagem elegante e simples ganhou admiradores e reforça o valor das peças. 

“Antônio Bernardo opta por um design limpo, de linhas sofisticadamente simples. Engraçado falar isso: sofisticadamente simples, mas é isso mesmo. Apesar de ser uma joia, pode se dizer que ela traz o minimalismo na forma como os seus produtos são concebidos, expostos e embalados”.

Jaime Troiano

Além disso, as Havaianas são um exemplo clássico do sucesso do essencialismo. Mesmo com várias versões, são as básicas que continuam a ser as mais queridas, pois traduzem a essência da brasilidade e conquistaram o mundo com sua simplicidade cativante.

A busca pelo essencialismo não apenas indica “fazer menos”, mas também oferece uma oportunidade para as marcas criarem conexões ainda mais significativas com seus consumidores. A simplicidade não é necessariamente fácil de alcançar, mas as marcas que conseguirem transmitir sua essência de forma autêntica e clara certamente conquistarão um lugar especial no coração de seus clientes.

Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília Russo em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Reforma tributária: Senado será contraponto a “Rito Arthur Lira”

Neste segundo semestre, a reforma tributária é um dos temas de maior relevância no debate político e econômico. Após a aprovação na Câmara dos Deputados, o projeto enfrenta agora o desafio do Senado, onde o debate promete ser mais prolongado do que o esperado pelo Governo. O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, senador Vanderlan Cardoso (PSD GO), falou em entrevista ao Jornal da CBN sobre as diferenças de tratamento em relação à tramitação na Câmara.

Diferentes Tratamentos na Câmara e no Senado

As discussões no Senado seguirão um calendário estabelecido, com várias reuniões e audiências públicas planejadas. O objetivo é ouvir diversas autoridades e segmentos da sociedade, permitindo um debate amplo e inclusivo que contemple as perspectivas das diferentes regiões do Brasil, como Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul, explicou o senador goiano. Ficou claro que o Senado será um contraponto ao “Rito Arthur Lira” que prevaleceu no debate na Câmara — quando o presidente da Câmara tem interesse no assunto, usa de todo tipo de atalho para acelerar a aprovação do projeto.

“Nós temos um calendário a ser obedecido. E esse calendário nos foi passado pelo relator que quer aprovar, quer colocar em votação (a Reforma Tributária) durante o mês de outubro”.

Vanderlan chamou atenção para a necessidade de fazer um “pente fino” no que passou pela Câmara, principalmente em relação as mudança feitas “depois da meia-noite” — uma referência ao fato de o projeto ter sofrido mudan;cas nas últimas horas que antecederam a votação, com oferta de novos benefícios a determinados setores da economia.

Desafios para os Senadores

Uma das questões mais desafiadoras para os senadores é como lidar com as compensações para os estados em desenvolvimento que se beneficiaram de incentivos fiscais. As regras serão alteradas e é fundamental um debate aprofundado para garantir uma transição justa e eficiente.

União em prol da Reforma

O governador Romeu Zema, de Minas Gerais, defendeu uma frente Sul-Sudeste para contrapor a pressão dos estados do Norte e Nordeste, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo. No entanto, o senador Vanderlan ressalta que a reforma não deve ser vista como uma disputa regional, mas sim como um esforço para atender às necessidades e peculiaridades de cada estado, em benefício de todo o Brasil.

Aprovação no Senado

A aprovação da reforma tributária no Senado ainda este ano dependerá do relator, o senador Eduardo Braga (MDB AM), que já está trabalhando no processo. Simulações e estudos serão realizados para entender o percentual do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), mas a definição da alíquota ficará a cargo do Governo.

A reforma tributária é um tema complexo e crucial para o país, e sua discussão no Senado requer atenção e engajamento de todos os envolvidos. Ouvindo diferentes perspectivas e buscando o consenso, o Senado tem o desafio de aprovar uma reforma que atenda às demandas de todas as regiões brasileiras.

Para ouvir a entrevista completa com o senador Vanderlan Cardoso, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, clique aqui.

Mundo Corporativo: Marcello Schneider, da BYD, fala de geração de emprego e preparo para o futuro sustentável

“A fabricação de um carro elétrico é mais limpa e tecnológica em comparação com os carros a combustão, o que contribui para a redução da poluição e permite produzir veículos não poluentes em maior escala.”

Marcelo Schneider, BYD

O Brasil é um país estratégico para as operações da BYD, especialmente devido à sua rica biodiversidade e ao papel fundamental na luta contra as mudanças climáticas. É o que diz Marcello Schneider, diretor empresa chinesa líder mundial em veículos elétricos e soluções sustentáveis, em entrevista ao Mundo Corporativo, especial ESG, da CBN. A BYD construirá três fábricas para a produção de automóveis eletrificados, caminhões e ônibus elétricos e baterias no município de Camaçari (BA). O investimento de R$ 3 bilhões deverá gerar 5 mil empregos diretos e indiretos, conforme anúncio feito em julho. A empresa acredita que o Brasil pode se tornar um líder global em sustentabilidade.

Veículos Elétricos e a Redução das Emissões

A BYD é pioneira em veículos elétricos e investe fortemente em soluções de mobilidade sustentável. Schneider ressalta que a frota de ônibus elétricos da BYD no Brasil já superou a marca de mil unidades, contribuindo significativamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a empresa fornece veículos elétricos para uso urbano e de carga, impulsionando a eletrificação do transporte no país. Na entrevista, ele identifica os benefícios e os desafios na fabricação dos novos modelos de veículos:

“Vou dar o exemplo do ônibus. Uma bateria pode durar 15 anos junto com os ônibus.  Após essa aplicação para rodar com os ônibus, nós retiramos essa bateria, ela é rebalanceada e ela pode ser usada por mais 10, 15 anos em outra aplicação que são sistemas estacionários de energia. Vamos imaginar grandes containers ou até pequenos containers onnde nós vamos gerar energia através da energia do sol e armazenar”

Energia Solar e Armazenamento de Energia

A empresa também é uma das principais fornecedoras de sistemas de energia solar e armazenamento de energia no Brasil. Schneider destaca que a energia solar tem experimentado um crescimento acelerado no país, impulsionado pela busca por fontes limpas e renováveis. De acordo com o diretor da fabricante chinesa, a BYD oferece soluções completas para geração, armazenamento e gestão de energia, permitindo aos consumidores a independência energética e a redução das contas de luz.

A Transformação do Mercado de Trabalho

Marcello Schneider aborda o impacto da BYD no mercado de trabalho brasileiro. Com a expansão das operações da empresa no país, a demanda por profissionais qualificados em tecnologias sustentáveis tem aumentado. A BYD acredita na importância de capacitar a mão de obra local, criando oportunidades de emprego e contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

“Nós temos já aprovados aqui pelo nosso chairman global eum investimento da ordem aí de 10 bilhões de reais até 2025, tanto para abertura de uma nova fábrica quanto também para outros projetos de expansão e desenvolvimento. Sem dúvida, a gente vai ter uma uma necessidade muito boa de contratação de mão de obra especializada e não especializada”.

Desafios e Perspectivas Futuras

O diretor da BYD compartilha os desafios enfrentados no processo de eletrificação do transporte e da adoção de energias renováveis no Brasil. Ele enfatiza a importância da parceria entre governo, empresas e sociedade civil para promover políticas públicas que incentivem a sustentabilidade e tornem viável a expansão das soluções limpas.

Marcello Schneider destaca que a BYD está comprometida em continuar inovando e oferecendo soluções sustentáveis para o Brasil e o mundo. A empresa acredita que a transição para um futuro sustentável é urgente e que cada passo dado em direção a essa transformação é fundamental para garantir um planeta mais limpo e saudável para as futuras gerações.

O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Débora Gonçalves e Rafael Furugen

Conte Sua História de São Paulo: encontros marcados no Centro Velho

Por Neide de Souza Praça

Ouvinte CBN

Foto Mílton Jung

Nasci e sempre morei em São Paulo. Cresci em Itaquera, e, em 1978, quando conclui a universidade, morava na Parada Inglesa, na zona norte. Formada, comecei a trabalhar em regime de seis horas diárias com uma folga semanal. Por se tratar de uma maternidade, a folga não era fixa, variava de acordo com a escala de serviço. 

À época, o “centro velho” tinha lojas que atraíam a população, que variavam de utensílios domésticos a vestuário. Havia o Mappin, na Xavier de Toledo, logo após o Viaduto do Chá; a loja Pitter, próxima ao Teatro Municipal, com suas vitrines que expunham roupas modernas, voltadas aos jovens. Na rua São Bento havia a Mesbla, bonita loja de departamentos, a Botica Ao Veado d’Ouro, antiga farmácia de manipulação; a Casa Fretin, de materiais cirúrgicos, e muitas outras.

O movimento de pedestres era grande também nas ruas Direita, XV de Novembro, no Pátio do Colégio e nas Praças da Sé e do Patriarca. A linha azul do Metrô já havia sido inaugurada e a Estação Sé fora aberta no início daquele ano. Era por essa estação meu acesso ao Centro Velho. Após um percurso de aproximadamente 10 minutos de ônibus desde minha casa, embarcava no metrô, na estação Santana da linha azul, e viajava por aproximadamente 15 minutos até a Sé.

Eu tinha uma amiga que concluíra a faculdade na mesma turma, e que trabalhava em uma maternidade da zona sul da cidade, atuando em regime de 12 por 36, isto é, trabalhava 12 horas e tinha outras 36 de descanso. Pelo menos uma vez ao mês, sempre que nossas folgas coincidiam, agendávamos um encontro para conversar, passear e tomar um lanche.

Nosso encontro era marcado pela manhã nas escadarias da Catedral da Sé, no “Centro Velho” de São Paulo. Aquela que chegasse primeiro ao local do encontro, aguardava a companheira, esperando no topo da escadaria. Era um momento de observação do movimento de pedestres.

Permanecíamos tranquilas, sem qualquer preocupação com a segurança. As pessoas caminhando na Praça nos pareciam trabalhadores que, apressados, iam cumprir sua tarefa diária. Minha amiga vinha de ônibus do bairro da Aclimação onde morava, e descia no ponto na própria praça.

Assim que nos encontrávamos, entrávamos na Igreja, onde rezávamos por alguns minutos e agradecíamos nossa condição. A Igreja estava sempre silenciosa aquela hora da manhã. Chamava nossa atenção o número reduzido de pessoas em seu interior, rezando ajoelhadas ou sentadas em reflexão e agradecimento. O olhar distante delas nos passava a sensação de que buscavam paz interior. No entanto, permaneciam ali, silenciosas, por pouco tempo. O movimento de entra e sai de fiéis era constante.

A Igreja era pouco iluminado. A luz externa, filtrada pelos vitrais ao alto, era difusa e não suficiente para iluminar a nave. Nem mesmo a iluminação artificial dava conta da tarefa. Nós entrávamos, agradecíamos a vida que tínhamos, e alguns minutos depois saíamos para o passo seguinte de nosso encontro, quando passeávamos pelas ruas do entorno, observando as vitrines das muitas lojas.

Há vários anos, um ponto especial e bastante frequentado na rua Direita, era o das Lojas Americanas, onde se encontravam pequenos objetos para casa, mas também brinquedos e outros produtos. Ainda que sua principal porta de entrada fosse pela rua Direita, a loja era suficientemente grande para oferecer acesso, também, pela rua José Bonifácio, paralela à anterior. Nesta rua, quase em frente à anterior, localizava-se a “Nova Lojas Americanas”, mais moderna e com produtos diferenciados. As pessoas acostumadas à loja antiga, aos poucos descobriam a nova loja e era comum frequentarem ambas, já que bastava apenas atravessar uma rua para o acesso.

Após nosso encontro e prece na Catedral da Sé, e a caminhada pelas ruas próximas, minha amiga e eu dávamos continuidade ao nosso programa, indo à “Nova Lojas Americanas”. Nela, nos dirigíamos à lanchonete, que era exclusiva e cumpria seu papel de modernidade oferecendo produtos que não eram comumente encontrados na região naquele tempo.

Sentadas no balcão, sempre fazíamos os mesmos pedidos: eu solicitava um lanche “americano” e um “sunday”, enquanto minha amiga pedia um sanduiche tipo “cheese salada” e um “banana split”. Enquanto lá permanecíamos, colocávamos as notícias em dia, e trocávamos ideias sobre situações ocorridas em nossos trabalhos. Uma vez concluído o “almoço”, nos dirigíamos à Praça da Sé, onde nos despedíamos com a certeza de novo encontro no próximo mês, exatamente igual a este. Eu me dirigia à estação do Metrô e minha amiga ao ponto de ônibus que a levaria para casa.

Mantivemos estes encontros, exatamente iguais, por vários meses, até que nossa rotina de trabalho nos absorveu totalmente, e perdemos a oportunidade de fazer coincidir nossas folgas para podermos estar juntas em nosso prazeroso passeio ao Centro Velho de São Paulo, ao final da década de 1970.

Ouça aqui este episódio do Conte Sua História de São Paulo:

Neide de Souza Praça é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Daniel Mesquisa. Seja você também personagem desta cidade, escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade e ler o texto completo da Neide, visite o meu blog miltonjung.com.br e conheça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.