Mundo Corporativo: Rosângela Angonese vê nas mulheres o antídoto para os líderes tóxicos

Rosângela Angonese. Foto: Priscila Gubiotti

“O líder precisa saber fazer essa escuta e buscar formar um trabalho colaborativo com as pessoas da sua equipe, eu acho que essa é a essência”

Preste atenção como seus colegas chegam ao escritório. Observe o olhar deles e o ânimo que demonstram para iniciar o trabalho. Ouça como se cumprimentam, os comentários que fazem e os diálogos que travam. Aliás, perceba a si mesmo, entenda qual é o seu comportamento no ambiente de trabalho ou meça a sua disposição em sair da cama para iniciar o expediente.  Todos esses aspectos dizem muito sobre como são os líderes da sua empresa, porque é nos colaboradores e profissionais que a forma deles agirem se reflete. Se houver tristeza, olhares sem brilho, baixa autoestima, burburinho de corredor e reclamações na sala do café, tenha certeza, você está diante de uma empresa comandada por líderes tóxicos.

Apostar que os dias desses líderes estão contados é ter muita esperança na sensibilidade dos principais executivos das empresas — aqueles que têm o poder em contratar e demitir. A despeito disso, Rosângela Angonese, especialista em comportamento organizacional, se esforça para demonstrar às empresas o quão deletério é esse modelo de liderança. No programa Mundo Corporativo da CBN, a executiva apresentou algumas das ideias que ela e seu colega Ricardo Neves defendem no livro “O fim da liderança tóxica nas organizações” (Editora Neo21).

Rosângela tem estudado o tema a partir dos movimentos que ocorrem no ambiente organizacional, e quando eu perguntei para ela se já havia sido uma líder tóxica, não titubeou na resposta: sim! E explicou:

“A gente precisa demonstrar as nossas fragilidades e dizer “poxa, eu às vezes ainda sou tóxica assim”, “às vezes ainda eu piso na bola”, “às vezes eu ultrapasso o limite”, mas o o mais legal é quando a gente se dá conta disso, refazer a conversa. Eu acho que isso é uma coisa muito importante”.

Como você leu no primeiro parágrafo, os sinais do tipo de liderança que atua na sua empresa estão expressos no escritório em que você trabalha. O chefe persiste no formato comando e controle e os funcionários absorvem a tese do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Os mais talentosos e corajosos tendem a ir embora e os que ficam carregam no mau humor e desânimo, o que impacta em sua produtividade. Se tudo isso acontece porque esses líderes não mudam suas características ou são mudados pela a empresa? 

“A meu ver, a liderança tóxica, que é aquela que não ouve, também é aquela que não ouve não só as palavras mas não ouve os sinais que estão acontecendo ao seu redor, por exemplo, como que as pessoas estão chegando no trabalho, elas estão trazendo algum problema particular, alguma questão que pode estar interferindo na sua satisfação de estar ali?”.

Os tóxicos não enxergam os sinais nos seus colaboradores nem em si mesmo. Muitos, segundo Rosângela, são incapazes de se perceber dessa forma, de entender que suas emoções estão influenciando na dinâmica e no rendimento da empresa. Apesar disso, a autora acredita que o espaço para esse modelo de liderança está se reduzindo. A começar pela fuga de talentos que tem levado às empresas a abrirem os olhos para a dificuldade em reter esses profissionais mais qualificados. Depois, aqueles que assumem os postos de comando, chegam já entendendo que há um novo comportamento sendo exigido pelas equipes de trabalho. E, finalmente, Rosângela credita às mulheres outro ponto de resistência:

“Um elemento que começa a transformar (o ambiente de trabalho) é a presença de mulheres em postos de liderança. Ela pode vir para o ambiente corporativo liderando, sendo feminina, tendo esse modelo feminino. Eu acho que isso seria um grande ganho para as organizações e para toda essa discussão da transformação do modelo da liderança”.

Aos que tem interesse genuíno de mudar sua forma de agir quando ocupam cargos de chefia, Rosângela sugere que inicie por criar um ambiente colaborativo e entenda que a era do chefe sabe tudo acabou. Ninguém mais consegue ter respostas para todas as questões que surgem ou dominar o conhecimento por completo. Para promover a inovação, as empresas precisam de múltiplos conhecimentos e isto vem de diferentes ideias e pensamentos: 

“O papel do novo líder é cuidar de gente, apoiar as pessoas, mandar menos e ouvir mais, e buscar criar um ambiente de colaboração”.

Para saber mais sobre o livro “O fim das lideranças tóxicas nas empresas” e entender as novas expectativas para as relações de trabalho, assista à entrevista completa com Rosângela Angonese, no Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem as participações de Rafael Furugen, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Renato Barcellos.

Conte Sua História de São Paulo: suas margens refletem a inteligência e a hipocrisia humana

Francisco Costa

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

Em uma manhã de primavera onde a névoa ainda úmida e fria, sobre ti marginal, passeio nesse tapete negro que me leva e me  traz.

Sobre a sua margem direita, observo a inteligência dos homens refletida na arquitetura moderna, nos prédios que nascem rompendo o horizonte

Sobre a sua margem esquerda, em um resquício de natureza, a vida tenta superar ela mesma e reflete a hipocrisia humana, sobre um rio que agoniza e pede socorro.

Oh rio! Quem dera que os homens modernos pudessem olhar para ti com o olhar do criador, aquele que majestosamamente te criou.

Francisco Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: jingle bom é como chiclete e não esconde a marca

Imagem do comercial da Casas Pernambucana (reprodução Youtube)

“Se nós somos assim (musicais), seria muito difícil as marcas e sua comunicação não se encontrarem com música também”

Jaime Troiano

O Brasil sempre foi um país musical por excelência. A mistura de nossas heranças portuguesas, africanas e indígenas criou um sincretismo religioso, alimentar e comportamental muito especial, único no mundo. Uma riqueza que se revela na música que nos acompanha desde o início. Com todo esse histórico seria de se estranhar se as marcas não bebessem também dessa fonte. O resultado é que cada brasileiro tem em mente ao menos um jingle inesquecível.  

“Nossa cultura musical é muito forte e as marcas sabem se servir disso”

Cecília Russo

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo além de cantarolarem alguns desses refrões e mexer com nossa memória afetiva, também comentaram sobre os cuidados que as marcas devem ter ao explorar esse recurso:

“Quantas vezes a gente fala “eu vi um comercial lindo”,  mas não lembra  a marca “. 

Jaime Troiano

O talento está em fazer um jingle que conquiste o consumidor sem esconder a marca. Uma tarefa que não é fácil e apenas alguns artistas sabem fazer bem feito. Caso de Heitor Carillo criador de “Não adianta bater”, música do início dos anos de 1960, que anunciava as ofertas das Casas Pernambucanas:  

“Quem bate?
É o friiiio….
Não adianta bater, que eu não deixo você entrar. Nas Casas Pernambucanas, é que eu vou aquecer o meu lar. Vou comprar flanelas, lãs e cobertores, eu vou comprar. Nas Casas Pernambucanas, nem vou sentir o inverno passar.” 

O nosso maestro Paschoal Junior resgatou esse e outros jingles que ficaram famosos ao longo do tempo e foram lembrados por Jaime e Cecília no bate-papo matinal de sábado, no Jornal da CBN. Você pode ouvi-los no arquivo de áudio publicado a seguir. Antes, fica a recomendação dos nossos comentaristas:

“Jingle é como chiclete, gruda mesmo. Se você, empreendedor ou  que tem um pequeno ou médio negócio, se puder use esse recurso para sua marca”

Jaime Troiano

Mundo Corporativo: Reynaldo Naves, da Olivia, sugere narrativas disruptivas para que pessoas e empresas mudem

Reynaldo Naves no estúdio do Mundo Corporativo da CBN, em foto de Priscila Gubiotti

Falar de como a tecnologia impacta a sua vida é “chover no molhado” — perdão por usar uma expressão de uma época em que as mudanças ocorriam de forma bem mais lenta do que atualmente. Todos sabemos como nosso cotidiano, nossas relações, nosso trabalho e nossas empresas estão passando por uma enorme migração diante da transformação digital. A despeito disso, se a ideia é acompanhar esses processos toda e qualquer organização tem de focar suas ações no desenvolvimento das pessoas. Quem fez esse alerta foi Reynaldo Naves, sócio e gestor da Olivia, no Brasil, consultoria internacional especializada em transformação organizacional.

“É preciso fazer o que chamamos de ‘twin transformation’ que é fazer a transformação digital, fazer a transformação focada em sustentabilidade a partir das pessoas, porque no dia a dia, para as coisas acontecerem, é que a cultura aparece. Então, se você não tiver uma orquestração da tua visão, dos teus serviços e da tua arquitetura a cultura que se instala  pode estar desbalanceada”. 

Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Reynaldo explicou que o risco de a estratégia e a cultura estarem desconectadas  é o de as pessoas não verem sentido nas mudanças e quando isso ocorre os colaboradores tendem a produzir menos e os talentos vão embora.

“Esse é o grande paradigma. A gente tem que perceber que a estratégia — esse como e onde a gente chega — não pode estar desconectada de comportamentos coerentes, consistentes e congruentes com isso”.

A proposta da Olivia, de acordo com Reynaldo, é buscar formas disruptivas nos projetos de transformação organizacional a partir da criação de narrativas inspiradoras, simples e objetivas. Para ele, a complexidade do mundo já é grande demais diante de tantas ferramentas e soluções que surgem a cada instante — ciência de dados, inteligência artificial e internet das coisas, por exemplo. É preciso identificar o que realmente é importante para a organização, sem a tentação de querer repetir fórmulas criadas para outras realidades. Na conversa que tivemos antes do programa se iniciar, Reynaldo havia comentado que uma das coisas que mais o incomoda é quando o gestor o procura e anuncia: “quero implantar a cultura do Google na minha empresa”.  Vai dar errado, diz ele! Você não é o Google!

“Cultura não se copia. E a outra coisa é que quando você tem essa narrativa a forma como você faz as pessoas vivenciarem essa mudança ela tem que ser vivencial, ela tem que ser inesquecível” 

Repetindo o ensinamento de um dos maiores especialistas em cultura organizacional, o americano Roger Connor — “change the culture, change the game”-, Reynaldo defende que as experiências implantadas nas empresas têm de ser disruptivas porque assim consegue-se mudar as crenças que mudam os comportamento que fazem com que você haja de forma diferente alcançando resultados diferentes: 

“Essa é a grande sacada do processo que é a partir das pessoas alavancar a tua estratégia e não top-down”.

Sim, é de baixo para cima, mas o líder é fundamental para que as mudanças aconteçam. Apesar de o processo ser bem estruturado para que as pessoas atuem na transformação, Reynaldo lembra que é “na última milha” que o sucesso se realiza. Um espaço que sequer tem um script, porque é o espaço do exemplo: 

“O sucesso de uma transformação é, quando um líder tem um plano na mão, o como ele faz isso, o como ele engaja ou o como ele escuta ou o como ele coloca no ar a contribuição dos outros”.

Quando tratamos de transformação organizacional não falamos apenas das grandes corporações. As mudanças se fazem necessárias em empresas de todos os tamanhos. Por isso, pedi para Reynaldo deixar sugestões a pequenos e médios empresários interessados em sobreviver ao atropelo causado pelas novas tecnologias e as mudanças de comportamento:

  1. A sua empresa é o seu exemplo: esteja conectado no comportamento que atrai clientes para crescer; crie um código de conduta; e mantenha a coerência entre o que diz que faz e o que realmente faz;
  2. Invista em tecnologia: existem soluções para pequenos negócios; invista em tecnologia de gestão da empresa para ter os dados
  3. Saiba se o cliente está satisfeito: ao fazer isso, não tome decisão sozinho, converse com o pessoal que está na linha de frente, veja se eles entendem o cliente, quais problemas que eles tem com os clientes e, a partir disso, faça as mudanças necessárias.

Para entender mais sobre como fazer as transformações no seu negócio para estar adaptado às demandas atuais, assista à entrevista completa com Reynaldo Naves, da Olivia:

O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: Ibirapuera, o parque que me reconcilia com a humanidade

Claudia Signorini

Ouvinte da CBN

Parque do Ibirapuera, foto de Renata Carvalho/Helicoptero da CBN

Há quase quarenta anos moro num prédio a poucos quilômetros do parque do Ibirapuera.

Para mim, que deixei uma casa com quintal e jardim, frequentar esse parque foi como encontrar o éden.

Costumo fazer minhas caminhadas em volta do lago duas ou três vezes por semana. Acompanho extasiada a mudança das estações: a época dos ipês, roxos, amarelos e brancos, esses últimos de breve duração; a época das sibipirunas, das tipuanas, das primaveras, dos pessegueiros em flor, numa florescência luxuriante.

E o que dizer dos pássaros e aves que povoam esse parque: sabiás, bem-te-vis, sanhaços, joões-de-barro, patos, mergulhões, cisnes, até os utilíssimos urubus nas suas vestes negras e andar pendular. E a pérola das pérolas, a garça cinza, imponente, elegante, nem sempre visível, infelizmente.

O parque também é um lugar de encontro.

Sempre paro para conversar com os frequentadores que levam seus cães para passear, como eu fazia com minhas duas vira-latas cujas cinzas deixei neste mesmo parque no local em que as soltava para correr.

Costumo cumprimentar os funcionários que trabalham no parque, os seres invisíveis como eu os chamo. Paro para tomar água de coco na barraca do Duda. Chamo a atenção dos skatistas que invadem a pista dos pedestres.

Bato palmas para os que jogam o lixo nos recipientes adequados. Sento num dos bancos do parque para observar todos os sons, as cores, os perfumes que esse maravilhoso parque me oferece.

No fim de minhas caminhadas eu me sinto em plena comunhão com a natureza e de certa forma reconciliada com a humanidade.

Claudia Signorini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: poucas marcas mostram as mulheres por inteiro

Photo by JEFERSON GOMES on Pexels.com

“Há poucas marcas que mostram a mulher por inteiro, um pouco cada uma dessas coisas. Acho que falta sensibilidade por parte das marcas, de saírem dessa visão mais unidirecional”

Jaime Troiano

Quando estamos prestes a nos despedir do mês de março, surge a oportunidade de analisarmos o comportamento das marcas em relação às mulheres — homenageadas no dia 8 de março e por extensão no mês todo. Jaime Troiano e Cecília Russo observaram as ações desenvolvidas e alertaram para a necessidade de a comunicação ser mais completa, evitando ‘segmentar’ a mulher.

“É como se as marcas ainda mantivessem um olhar que fragmenta as mulheres, sem conseguir vê-las de forma integrada”. 

Na avaliação do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, ora as marcas exaltam força, mostrando mulheres poderosas e batalhadoras; ora mostram sua fragilidade e como as marcas podem ser as salvadoras; ora mostram sua face da sedução, como se o ser mulher fosse ser a expressão mais sexualizada por excelência.

É preciso sensibilidade para compreender essa mulher que é muito mais complexa do que a simplificação dos anúncios, por isso o que nossos comentaristas sugerem é que se trabalha mais a empatia, evitando esteriótipos e segmentações.

Diante do tema que provocamos, Cecília Russo pediu licença e compartilhou com os ouvintes, um manifesto às mulheres escrito por ela e suas colegas que atuam na TroianoBranding. Segue:

Um dia queimamos sutiãs em praça pública.

Símbolo do que aperta, restringe, limita.

Desde lá, queimamos muitas outras coisas também.

Muros, barreiras, preconceitos, estereótipos.

É hora de celebrar as vitórias.

Hoje, somos quem quisermos ser.

Ampliamos escolhas e oportunidades.

Podemos ser a princesa e também a heroína.

A professora e a astronauta.

A que joga vôlei e a que joga futebol.

A costureira, a médica, a bombeira e a enfermeira.

A que cuida, a que manda, a que faz o que quiser.

É hora de celebrar as possibilidades.

Mas ainda há muito o que queimar.

Há mais espaços a conquistar.

Há mais direitos a reivindicar.

Há mais respeito a buscar.

Há ainda violência a nos ameaçar. 

É por isso que o 8 de março faz sentido.

Uns podem achar um dia bobinho, de mimimi.

Mas é nesse dia que paramos para olhar para nós.

Nos colocamos no centro de nossas próprias vidas.

O que seria natural, precisa de um dia como pretexto apenas para isso.

Equilibristas girando os pratinhos que não se veem no direito de parar.

Vem o dia 8 como um freio, um sinal de pare.

Que possamos usar esse dia como um espaço para comemorar.

Aquilo tudo o que já somos.

E também tudo aquilo que ainda podemos ser.

Feliz mês da mulher. É hora de celebrar. 

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, sonorizado por Paschoal Júnior

Mundo Corporativo: maior velocidade na transformação digital acrescentaria ao PIB mais de R$ 1 trilhão, diz Tatiana Ribeiro, do MBC

“Transformação digital é todo o processo desde a digitalização mesmo, acessos a negócios, utilização de ferramentas para isso e, também, tem todo o lado que está relacionado à mudança de cultura” 

Tatiana Ribeiro, Movimento Brasil Competitivo

A grande indústria que estuda a implantação da inteligência artificial,  a startup que nasce no ambiente virtual ou o armarinho do bairro que se relaciona com seus clientes pelo WhatsApp. Cada um a seu modo e do seu tamanho enfrenta os desafios da transformação digital, tema que motivou o Movimento Brasil Competitivo a convidar a Fundação Getúlio Vargas para estudar o impacto dessas mudanças na produtividade e no crescimento econômico. Tatiana Ribeiro, diretora executiva do movimento,  em entrevista ao Mundo Corporativo, foi quem nos apresentou o potencial que o país têm a medida que entenda a importância de criar condições para o investimento em transformação digital se acelere:

“É desafiador! A gente precisa avançar com mais velocidade, e isso poderia trazer para o Brasil um acréscimo de R$ 1,1 trilhão ao  PIB. Então, acho que isso é um indicador bastante importante para mostrar o potencial que isso tem de agregar pra economia”

A projeção tem como referência os resultados alcançados nos Estados Unidos, onde a ampliação da oferta digital nos últimos cinco anos, em média, foi de 7,1%. Aqui no Brasil, ficou em 5.7%. Ou seja teríamos de pisar fundo no acelerador. Para ficar com o pé mais no chão, a persistirem os atuais patamares brasileiros, conseguiríamos agregar coisa de R$ 300 bilhões no PIB — o que já é um bom dinheiro. 

Considerando os exemplos do primeiro parágrafo desse texto, percebe-se que a desigualdade digital brasileira se equipara a desigualdade social. Há um fosso que separa as indústrias que estão em estágios bastante avançados e outros tantos setores. A mesma FGV que atuou ao lado do Movimento Brasil Competitivo havia, anteriormente, realizado pesquisa em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial na qual mediu o nível de maturidade digital das micro e pequenas empresas: 

“Numa pontuação de até 100 pontos, elas estão ali na casa de 40 pontos. Inclusive já tem uma série histórica porque eles fizeram a mesma pesquisa em 2021 e 2022 e a evolução é muito pequena. Então, esse é um setor que a gente precisa olhar” 

Oportunidade de crescimento a vista. De emprego, também. De acordo com a pesquisa “Transformação digital, produtividade e crescimento econômico”, nos últimos cinco anos o número de empregos digitais teve crescimento de 4,9% em comparação às demais ocupações. Nem crise nem mudanças socioeconômicas foram suficientes para impedir, por exemplo, remuneração acima da média e melhor produtividade de trabalho. 

Só não avança mais porque falta gente bem preparada. Para ter ideia: a Confederação Nacional da Indústria identificou que serão abertas 700 mil vagas no setor de tecnologia até 2025. Tatiana explica que, considerando ensino profissional, técnico e superior, o Brasil forma, atualmente, apenas 50 mil pessoas por ano. Para os interessados, a dirigente sugere a presença em cursos de curta duração, de três a seis meses; o ensino técnico profissional; e, em uma terceira janela de oportunidade, a implementação do novo ensino médio que tem um itinerário formativo técnico e profissional.

A formação e a capacitação, percebendo as necessidades do mercado, com o governo interagindo localmente com o setor produtivo para entender as demandas regionais é uma das ações necessárias para que o Brasil aproveite o potencial de crescimento que a transformação digital nos oferece. Em um segundo passo é preciso trabalhar políticas estruturantes de suporte aos pequenos negócios, explica Tatiana:

“Eles são 99% das empresas do país e representam 30% da nossa economia, são responsáveis massivamente pela geração de empregos, e a gente precisa entender como apoiá-los de forma que realmente possam transformar e trazer muito mais eficiência para os negócios”.

Finalmente, há necessidade de políticas coordenadas do ponto de vista do setor público, a medida que temos uma série de atores e interlocutores que muitas vezes se sobrepõem ou duplicam esforços. Uma ação nesse sentido poderia minimizar um dos riscos que a transformação digital gera que é o abismo digital:

“A gente pensa por exemplo na conectividade. É fundamental que essa conectividade seja ampliada; que as escolas brasileiras de todo o país tenham acesso de qualidade para que os alunos possam usar isso como uma ferramenta de aprendizado”.

Para conhecer mais sobre o estudo realizado pelo Movimento Brasil Competitivo e FGV assista à entrevista completa de Tatiana Ribeiro:

O Mundo Corporativo tem as participação de Renato Barcellos, Letícia Valente, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: coração conquistado pela cidade verde e rural que a CBN me revelou

Joelma Melo

Ouvinte da CBN

Esta é a foto feita por Gabo Morales, em Marsilac, que conquistou nossa ouvinte

Era dezembro de 2013 e eu estava vivendo um sonho: havia passado no mestrado da Faculdade de Saúde Pública e iria pesquisar a minha paixão: a cidade de São Paulo. Já estava tudo certo. O projeto de pesquisa foi aprovado, logo começariam as aulas. Porém, uma reportagem da CBN aguçou minha curiosidade e me levou ao encontro de uma São Paulo verde, meio rural, a qual sequer imaginava que existiria.

Se não me engano a reportagem foi de um quadro chamado Seu Bairro, Nossa Cidade. E ele contava sobre um bairro no extremo sul onde as crianças ainda brincavam nas ruas, as pessoas se conheciam, não havia sinal de internet e, especialmente, estava dentro de uma área de proteção ambiental.

Oi? Dei um Google e apareceu uma imagem de uma moça de vestido vermelho, cabelos longos e loiros, no meio de uma mata. Parecia uma visão. Que lugar é esse?!

A imagem era parte de um blog de um fotógrafo chamado Gabo Morales, e bastaram algumas fotos para eu enlouquecer:

Tenho que ir! Preciso conhecer este lugar. Não pensei duas vezes e entrei em contato com o fotógrafo, convencendo-o a me levar até lá. Fato que aconteceu em janeiro.

Moradora da zona norte, atravessei a cidade. Foi ônibus, metrô, trem, ônibus, e mais um ônibus. E quanto mais avançava rumo a Marsilac, mais verde a cidade se tornava. Até que cheguei ao bairro.

A rua principal que se chama estrada — Estrada de Marsilac — com uma pequena praça, algumas vendinhas, crianças brincando, mulheres na janela e um horizonte verde, independentemente do lugar que eu olhasse.

Outros cheiros, outros sons, outro tempo se fundindo em uma cidade conhecida pelo concreto, pela rapidez, pelas alturas dos prédios, por gente apressada e muito barulho.

Pronto, não tinha mais volta. Ao retornar para casa, escrevi um novo projeto e enviei para minha futura orientadora. Eu estudaria uma outra São Paulo.

Uma São Paulo que tem cachoeira, que tem onça… Arah! Mas a onça é parda e não pintada. E graças à Deus, nunca cruzei com uma.

Vi Bromélias, manacás de encher os olhos, plantação de tuia-holandesa. Tinha também macacos, ovelha, além das temidas aranhas. Cobra só vi a pele, e fugi. Também tive que correr de umas vacas brabas, porque lá também tem um lado meio rural.

Voltei para casa muitas vezes com as botas cheias de barro. Mas tudo bem. Como eu estava feliz.

E tinha as pessoas. Ah, que delícia! Quantas conversas tive em quintais verdes, enquanto tomava um cafezinho. Sou eternamente grata pelos cuidados, pelo carinho e, acima de tudo, pela confiança em contarem tanta coisa sem nada em troca.

Foram dois anos gastando quase 3 horas para ir e mais 3 para voltar. Mas valeu a pena. Até hoje lembro de muitas falas, dessas pessoas as quais mesmo com todas as dificuldades não abrem mão de viver tão perto de uma natureza mais bruta, porém não menos bela.

Sinto falta do cheiro, daquela sensação de liberdade, de calma, de ter sido transportada para uma São Paulo que se converte em mata, que agrega o bicho-homem com o bicho-bicho que ainda tem água limpa.

Culpa da CBN, a qual sempre serei grata!

Joelma Melo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita.  Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: três lições da SXSW 2023 

Palestra de Emmy Webb em foto de Jacqueline de Bessa Santos, da TroiannoBranding

“Nunca podemos perder as pessoas de vista, a lição é repetir nosso mantra – só constrói marcas fortes quem entende de pessoas. O SXSW, ao lado de ver o que é novo, cabe nosso olhar para aquilo que é permanente, a alma humana”

Jaime Troiano

 

Nenhuma viva alma que se dedica à criação e inovação deixou de bisbilhotar os acontecimentos em Austin, nessa última semana. A capital do Texas, de vocação musical, transformou-se em ponto de encontro de pensadores, pesquisadores, futuristas, artistas, intelectuais e todo tipo de gente que está interessada em descobrir o que pode haver de mais novo no mundo. A SXSW — South by SouthWest — surgiu da necessidade de os artistas locais se abrirem para o mundo e da percepção de que o mundo poderia se abrir para todos, inspirado pela riqueza cultural de Austin.

Desde 1987, quando cerca de 700 pessoas se reuniram por lá — número bem acima da expectativa inicial que era de apenas 200 —, a SXSW construiu a imagem de ser o palco de apresentação das grandes tendências mundiais. Sabe o Twitter, esse que Elon Musk está se esforçando para acabar? Foi apresentado pela primeira vez em Austin, em 2007. O mesmo aconteceu com o Foursquare, em 2009; o GameSalad, em 2013; o Waymo, carro autônomo do Google, que ainda não tinha sido assim batizado, em 2016. 

Diante desse fenômeno é claro que a turma do branding não poderia ficar de fora. Com base nas informações enviadas pela colega Jacqueline de Bessa Santos — que passou a semana em Austin e  trabalha com Jaime Troiano e Cecília Russo —, nossos comentaristas do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, elencaram três lições que precisam ser bem entendidas pelas marcas, a partir do que aconteceu na SXSW, neste ano.

A primeira é que nada substitui o clima de interação humana. Mesmo que todo o conhecimento da SXSW esteja exposto ao mundo através das informações publicadas e acessíveis, o evento presencial tem o propósito de fazer com que as pessoas troquem ideias, vejam outras pessoas e construam relacionamento

“Interação humana, é isso que marcas devem sempre buscar, mesmo quando estão no digital” 

Cecília Russo

A segunda lição vem da atração das pessoas por celebridades. A futurista Emy Webb, a atriz de Bollywood Priyanka Chopra, e a modelo Miranda Kerr, que tem a marca Kora de cosméticos, tiveram suas salas lotadas, com filas intermináveis. O curioso é que esse fascínio é atemporal, pois mudam-se os temas, os ambientes, as formas de exposição, mas as pessoas correm atrás dos nomes badalados. Não à toa marcas gastam fortunas para contratá-las. É preciso, porém, saber escolher qual celebridades tem ou não sintonia com a marca que representarão.

O terceiro ponto destacado por Jaime e Cecília é a forma como o debate sobre a inteligência artificial ganhou nova dimensão, mesmo não sendo algo novo. O ChatGPT, lançado no fim do ano passado, tornou esse conhecimento acessível às pessoas e Austin repercutiu as inúmeras possibilidades que surgem. Na análise dos nossos comentaristas, surgiu um paradoxo, considerando a ideia de que devemos conhecer pessoas para alimentar marcas fortes:

“Vemos uma tendência de algumas iniciativas de IA tornarem alguns processos mais humanos, ou seja, mesmo parecendo um paradoxo, é a tentativa de humanizar as máquinas, trazendo conforto para as pessoas, por exemplo, com procedimentos médicos menos invasivos”.

Cecília Russo

Já que nosso aqui é marcas, não dá pra deixar de perceber na foto que ilustra este post — feita pela Jacqueline em Austin — a presença de uma marca bem brasileira, o Itau, um dos patrocinadores do evento internacional. Qual a razão disso? Pense que a maior delegação estrangeira da edição deste ano é a brasileira, com cerca de dois mil inscritos.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso que tem a sonorização do Paschoal Júnior:

Mundo Corporativo: Julia Maggion, da Ateha, explica como negócios verdes podem fazer do Brasil uma potência regenerativa

“A gente precisa como país se apropriar desse lugar. Realmente, entender que os negócios podem ser uma ferramenta para se colocar nessa posição de uma potência regenerativa mesmo” 

Julia Maggion, Ateha
Photo by mali maeder on Pexels.com

O Brasil tem a possibilidade de se transformar em uma potência regenerativa, a partir de uma série de ações que valorizem seus principais biomas, aproveitando-se da riqueza que oferecem para desenvolver novos negócios sustentáveis. Essa não é apenas uma visão otimista do que podemos fazer no país, é realidade que se enxerga a partir de projetos que estão em andamento, alguns dos quais sob o olhar da empreendedora Julia Maggion, uma das fundadoras da Ateha, empresa criada para apoiar empreendedores com ideias de impacto para as soluções climáticas, em 2021.

Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, Julia esbanjou entusiamo ao falar do empreendedorismo verde e das possibilidades que existem no Brasil. A existência de matas nativas e biomas diversificados — Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa, Pantanal e Bioma Marinho —permite ao país a liderança desse movimento de regeneração e o surgimento de fontes de renda para comunidades locais.

Após passagem em uma série de grandes empresas e no sistema bancário, nos quais aprendeu lições importantes na área corporativa, Julia descobriu-se em projetos de impacto social e ambiental. A ideia da Ateha surgiu nesse novo momento, quando então ela se juntou a parceiros de negócios no setor financeiro: Raymundo Magliano Neto, ex-CEO da Magliano Corretora e co-fundador da Expo Money e Humberto Matsuda, co-fundador da Performa Investimentos e fundador da Matsuda Invest. Uma combinação que para ela foi perfeita: 

“A Ateha faz investimentos sementes nas empresas, mas a gente entra muito no negócio, botando a mão na massa. É o que eu gosto de fazer. Eu adoro pegar o negócio no começo, a ideia e desenvolver. E o nosso papel também é fazer a ponte com o universo do investimento, haja vista a experiência dos meus sócios”.

Os projetos de impacto ambiental e regenerativos tem inúmeros benefícios e permitem que se atue no âmbito local, entendendo os limites territoriais, as fronteiras de crescimento e as características próprias de cada população.  Da mesma forma, exigem do empreendedor visão diferente daquela que costumamos ter nas grandes empresas, em que o lucro é a meta:

“Aprender com essa lógica (a da sustentabilidade) exige desconstruir muito do que a gente aprendeu no mundo convencional dos negócios, exige a criação de um arcabouço de novos valores e, principalmente, no sentido de a gente saber trabalhar conectado, entendendo os ritmos da natureza”.

Na nossa conversa, Julia destacou que um dos negócios que estão sendo fomentados pela Ateha é o Ekuia Food Lab, um laboratório que pretende valorizar a biodiversidade da Amazônia e regenerar florestas, impulsionando negócios e fortalecendo uma nova economia com a criação de produtos alimentícios. Também em desenvolvimento está a Ateha Escola do Clima que pretende disseminar conhecimento, formando mão de obra mais bem preparada e empreendedores que tenham a visão de negócios regenerativos.

Pensar em soluções ambientais não é função apenas para empreendedores verdes ou startups que nasceram com essa intenção. É responsabilidade, também, de todas as empresas e seus líderes que precisam entender quais são os mecanismos de impacto que podem ser desenvolvidos dentro de seu negócio. Uma preocupação posta por uma das nossas ouvintes no Mundo Corporativo foi quanto ao risco de o empreendedorismo verde em lugar de proteger se transformar em explorador do meio ambiente:

“A gente precisa criar os mecanismos justamente para que isso não aconteça. Isso tem a ver com políticas públicas, com associações de empresários e de empresas que têm esse pacto de não gerar o impacto negativo. Porque como eu falei, a empresa acaba muitas vezes fazendo um projetinho que está gerando um impacto positivo, mas na sua atividade principal gera um impacto negativo absurdo. Então, a sociedade, principalmente, tem que estar muito atenta”.

Um das formas de atuar para impedir esse desvio de conduta é ter informação e conhecer os instrumentos de fiscalização e proteção ambiental. No site da Ateha existem vários documentos e artigos, disponíveis de graça, que podem ajudar você a estar mais bem informado sobre o assunto. 

Antes, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo, com Julia Maggion, CEO e cofundadora da Ateha:

O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.