Conte Sua História de São Paulo: “Óhh! Masp e suas obras, não me despreze no olhar”

Expedito Peixoto

Ouivnte da CBN

Avenida Paulista

Óhh! Consolação, me consola; não brigues

Com Luís Antônio, o Brigadeiro; convença-o me advogar  

Da fortuna de Peixoto Gomide

Lhe peço a gentileza de me acertar

Me presenteie um trem de dinheiro

Pra no meu Araripe despejar

Óhh! Paulista da Boa Vista

Ao Dr. Arnaldo, me conduza

Me eleve ao topo, ao mirante

Com breve pausa na Augusta,

De lá me faça ver o Paraíso pulsante

De oportunidades reais, robustas.

Óhh Masp e suas Obras

Não me despreze no olhar

Me ilumine com suas artes

Ajude-me a leveza me levar

Vá ao ápice da mente dos astros

Me induza a pensar o seu pensar.

Óhh império das indústrias

Produza frutos pra conosco ratear,

Óhh terra berço do comércio

De suas rendas, vamos partilhar?

Não deixes o Leão, nem Haddock Lobo

Pão, leite e bom vinho nos faltar.

Óhh, imensos prédios e torres

Protejam-me e não me deixes parar

Me façam viajar às alturas

Pra com amplitude enxergar

Encha meu coração de sabedoria

Pra no meu Sertão poetizar.

Óhh!, Metrô, linha verde, em trilhos

Quantas e quantos a transportar

Oriente-me e me mantenha na linha

Una todas suas forças a me focar

Me eleve pro alto fora do túnel

Guia-me pra com leveza voar.

É Paulista!!! É que nasci pequenino

Longe!, bem longe, distante de cá

Lá viví a infância e juventude

Depois me debandei de lá para cá

Aqui labutei, cresci, resisti, até ri

Mas nunca esqueci, a saudade de lá.

Óhh Paulista!, reembolse-me energias,

Não é que eu queira te deixar;

O segredo é que tenho uma dívida

Só serei (imenso) feliz se quitar…

Desejo é retornar pro meu sertão  

E minha imensa saudade matar.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Expedito Peixoto da Paz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: André Clark, da Siemens Energy, fala do desafio de transformar o potencial energético do Brasil em desenvolvimento

Bastidor da entrevista online de André Clark Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“O Brasil é uma potência energética, não só na produção de energia, mas na cadeia de valor da energia.”
André Clark, VP Siemens Energy

O Brasil está numa posição rara no mundo: tem energia renovável em larga escala, uma malha de transmissão avançada e agora começa a atrair data centers e novos investimentos porque consegue oferecer eletricidade verde e em quantidade. Mas, segundo André Clark, vice-presidente sênior da Siemens Energy para a América Latina, isso não garante por si só que o país liderará a transição energética, é preciso organizar setor privado, governo e sociedade para implementar o que o mundo já decidiu fazer em clima. Esse foi o tema central da entrevista dele ao programa Mundo Corporativo, na CBN.

Clark lembrou que o país não chegou ao atual patamar por acaso “O Brasil é um país que produz 92% da sua eletricidade de forma renovável. Não chegou aqui à toa e certamente não por acidente. Foi com políticas públicas muito bem feitas que datam da década de 60”, afirmou, citando hidrelétricas, Proálcool, eólica e solar como escolhas feitas ao longo de décadas. Ele também destacou o papel diplomático brasileiro no tema: “O Brasil é um líder geopolítico disso. Na Rio 92 inicia a discussão do conceito de sustentabilidade na sociedade e nos negócios.”

Transição energética não é teoria: é implementação

Ao analisar a preparação do país para a COP30, em Belém (PA), Clark chamou atenção para o fato de que o debate climático está mais difícil no cenário internacional, mas que isso não pode servir de desculpa para a inação. “A humanidade ainda tá lutando para não aquecer mais de 1,5ºC, mas nós estamos perdendo essa corrida e nós vamos ter que correr muito mais, eletrificando os transportes, reduzindo o consumo de hidrocarbonetos e mudando o nosso estilo de vida como pessoa. O planeta não aguenta tudo isso que nós estamos fazendo.”

Para ele, a COP30 será uma conferência de execução: “Ela celebra 10 anos do Acordo de Paris e ela é uma COP da implementação.” Por isso, o setor privado brasileiro precisa chegar unido, com propostas concretas. “A primeira lição de casa do setor privado é se unir em uma agenda comum brasileira e construtiva.”

Clark fez um alerta que interessa diretamente ao país: o mundo, hoje, corre atrás primeiro de segurança energética, e só então de transição energética. O Brasil, ao contrário, vive um momento de excesso de energia renovável — e isso também exige gestão. “O mundo não tá preparado para acumular energia em larga escala. A energia produzida tem que encontrar do outro lado um consumo. Se ele não encontra esse consumo, o operador nacional do sistema tem que fechar aquela fonte.”

Na prática, isso significa que o país precisa acelerar soluções como armazenamento, baterias, hidrelétrica reversível e, principalmente, atrair consumidores intensivos de energia — caso dos grandes data centers e, no futuro, da produção de hidrogênio verde. “Nós estamos vivendo excesso de energia. Por isso que hoje o Brasil começa a atrair data centers, grandes devoradores de energia.”

Cadeia de valor, empregos e formação profissional

Ao falar da atuação da Siemens Energy no Brasil, Clark explicou por que produzir equipamentos no país é questão estratégica: “Tudo que a gente produz são equipamentos ultracríticos para o sistema energético de um país. Ter fabricação no país é um ativo estratégico, é quase uma questão de soberania nacional.” Segundo ele, a presença industrial no Brasil permite atender emergências e ainda exportar.

Esse movimento vem acompanhado de outra transformação: a dos empregos. A transição energética, afirmou, já está criando demanda por mão de obra técnica. “A transição energética vem junto com o que a gente chama de green jobs e esse green jobs, apesar de parecer só um mistério, é eletricista, técnicos em eletrônica, programadores, programadores de sistemas energéticos… coisa que existe hoje, só que em um volume muito maior.” Ele citou, inclusive, a decisão de direcionar recursos para formação no Pará, em vez de levar uma grande comitiva à COP.

Diversidade como proteção empresarial

Na parte final da entrevista, Clark ligou transição energética, cultura e gestão de pessoas. Para ele, empresas que se afastam da sociedade correm mais riscos. “Diversidade nos enriquece, reduz os riscos e nos faz enxergar os momentos em que a sociedade muda. Os grandes incidentes empresariais na última década foram quando a empresa perdeu visão da mudança da sociedade. Diversidade conecta a empresa à realidade da sociedade.”

Ele defendeu que organizações mantenham canais abertos para ouvir mulheres, negros e população LGBTQIAP+ sobre obstáculos internos. “Não é sobre como a gente erra, é sobre como a gente corrige os nossos erros.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quem decide o poder das marcas é o consumidor

Renner assumiu a liderança em varejo, no Marcas Mais

As marcas mais fortes do Brasil não são apenas lembradas; elas são queridas, escolhidas e defendidas pelos consumidores. Essa é a principal mensagem dos novos resultados do estudo Marcas Mais, realizado pela Troiano Branding em parceria com o Estadão. O levantamento, baseado em 11.500 entrevistas, mede o envolvimento emocional e racional entre pessoas e marcas em 30 categorias de mercado, indo além do simples “top of mind”.

O resultado da 11ª edição do prêmio foi analisado por Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN. Jaime destacou que o estudo permite uma leitura de longo prazo sobre o comportamento das marcas no país: “A cada ano, ele é mais importante porque aumenta a possibilidade de uma comparação histórica de como as marcas estão se comportando no mercado”, afirmou. Ele lembrou ainda que a amostra “é até maior do que boa parte dos estudos de intenção de voto eleitoral”.

Entre os destaques deste ano estão Caixa Econômica Federal, Nubank e Itaú, que lideram o setor bancário; Vivo, no segmento de telefonia; e Heineken, no de cervejas — esta última consolidando uma ascensão constante nos últimos anos. No varejo de roupas, a Renner assumiu a liderança, superando Riachuelo e C&A.

Cecília Russo reforçou que os resultados retratam um mercado mais maduro, no qual as grandes marcas mantêm estabilidade de presença e significado junto ao público. “Há mudanças, mas o mercado brasileiro nos parece cada vez mais maduro, sem grandes solavancos na posição das grandes marcas”, observou. Ela lembrou que, mesmo marcas que enfrentaram crises recentes, como a Americanas, “ainda se beneficiam de um reconhecimento histórico”.

A marca do Sua Marca

Mais do que um ranking, o estudo Marcas Mais mostra que a verdadeira força de uma marca está em quem a escolhe. Como resumiu Jaime Troiano, “é o consumidor o dono da verdade; ele decide sobre o poder de uma marca, e ouvi-lo é fundamental”.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Fernando Modé, do Boticário, explica como dar autonomia sem perder a estratégia

Bastidor da entrevista online com Fernando Modé Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“No nosso caso, o erro, ele é até programado.”
Fernando Modé CEO do Grupo Boticário

Descentralizar decisões, aproximar a ponta do consumidor e, ao mesmo tempo, manter uma estratégia única. Esse é o eixo que Fernando Modé, CEO do Grupo Boticário desde 2021, descreve como a base para escalar resultados em um negócio multimarca e multicanal. Foi o tema da conversa no programa Mundo Corporativo, na CBN.

A aposta começou com a revisão do modelo de gestão: mais autonomia perto do cliente, coordenada por uma lógica única de negócio que a empresa batizou de “ecossistema da beleza”. Nas palavras de Modé, “essa interação com o consumidor, dando mais autonomia para ponta, ela é fundamental para que a gente possa entregar cada vez mais melhores serviços e produtos na medida que o consumidor deseje”. A consequência direta, reconhece, é o aumento da responsabilidade: decisões mais distribuídas exigem cultura, rituais, símbolos e incentivos coerentes.

Cultura que se pratica e se ouve

Modé resume a sua leitura do papel do comando: “o primeiro C de CEO… é o C de cultura”. E reforça que cultura se constrói no dia a dia: “comunica com atitudes, comunica com o processo… [e] é saber ouvir também. É pegar a reverberação daquilo que você tá tentando passar como comunicação e transformar isso em atitudes que levem a esse caminho”.

A confiança é o amortecedor dessa descentralização. Ele recorre a uma imagem para explicar o tempo de maturação: “a confiança é conquistada comendo 1 kg de sal junto”. E deixa claro que errar faz parte do método: “No nosso caso, o erro, ele é até programado… eu faço um teste de uma comunicação A, uma comunicação B e vou testar qual que seja mais efetiva”.

No tabuleiro operacional, o grupo ancora decisões em previsibilidade melhor da demanda — indicador que, segundo Modé, saiu de um erro de 75% para 45% — e na ampliação de categorias e canais, com ênfase recente em cabelos e no mercado profissional de salões.

Um ecossistema, várias jornadas

A integração de canais não é uniformização de experiência. O consumidor, diz ele, já entende que farmácia, loja própria, venda direta, e-commerce ou supermercado oferecem momentos distintos de compra. A missão do grupo é garantir atributos e discurso consistentes, com liberdade para navegar onde for mais conveniente. E essa jornada começa muito antes da loja: “talvez 80% ou mais de 80% dessa jornada esteja fora da loja”.

No desenvolvimento de produtos, o centro de P&D em São José dos Pinhais trabalha milhares de itens por ano e usa modelos computacionais para acelerar testes de eficácia e segurança. Sustentabilidade entra como requisito de projeto — do desenho de embalagens à logística reversa —, em conjunto com preço, margem e atributos de uso.

Pessoas, trabalho e licença parental

A pandemia deixou aprendizados sobre organização do trabalho. “Hoje a gente mantém o trabalho remoto como prioritário para algumas áreas de negócio”, afirma Modé, destacando encontros presenciais por “intencionalidade” — especialmente perto de consumidores, franqueados e equipes. Entre as políticas de pessoas, ele cita a licença parental de 120 dias para todos: “são 120 dias que a gente garante também para os pais. E é obrigatório no nosso caso”.

No fecho, Modé retoma o papel do exemplo: “a sua atitude fala tão alto que eu não consigo ouvir o que você tá me dizendo”. Para ele, liderança é coerência entre discurso e prática ao carregar um objetivo estratégico que “pode ser revisto, mas tem que ter uma consistência de começo, meio e fim”.

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Conte Sua História de São Paulo: partimos de Pirituba e trouxemos a saudade

Rose Mari Sibinel Fasciani

Ouvinte da CBN

Estação de Pirituba construída pela companhia inglesa São Paulo Railway

Vivíamos em Pirituba: pais, a nona e cinco filhos. A rua era de terra, não era asfaltada. Eram os anos de 1970. Em frente de casa passava o trem suburbano que fazia o trajeto entre Jundiai e ABC. Nosso transporte era o trem.

Fomos criados brincando na rua desde pequenos. Um olhava pelo outro. Aos domingos, a mãe nos ensinou a frequentar a paróquia São Luiz Gonzaga. Para chegar lá, se passava por um caminho ermo e  com escadas de terra. Apesar de pequenos, fazíamos tal passagem, muitas vezes, sozinhos.

Sempre havia o Sol.

Sempre havia a calmaria.

Sempre tinha bolo, polenta, pudim de pão amanhecido.

Sempre vizinhos para bater papinho.

Já na juventude havia as domingueiras no clube Piritubão. Lá, a gente se divertia. Eu, como a mais velha do grupo, liderava as moças mais jovens. Fazia com que ficassem juntas e não saíssem com os garotos para fora do clube. As mães confiavam em mim.

Dançávamos bastante e às dez da noite bora para casa que na segunda tinha  de pegar trem para trabalhar, retornar à noite, tomar sopa de feijão com macarrão na nona e estudar no Colégio Xavier Antunes que ficava meia hora de caminhada pelos trilhos do trem. E lá íamos com nossa capa branca de estudante noturno.

Tudo passou, crescemos, partimos de Pirituba, parentes se foram e a saudade ficou.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Rose Mari Sibinel Fasciani é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando a Fórmula 1 acelera fora das pistas

Divulgação/Warner Bros. Pictures

O ronco dos motores da Fórmula 1 agora ecoa também em Hollywood. O filme estrelado por Brad Pitt, inspirado no universo das corridas, ultrapassou a barreira dos autódromos e conquistou o público dos cinemas e do streaming, transformando velocidade em narrativa e emoção em estratégia de marca. Este foi o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.

Cecília Russo contou que o interesse pelo filme começou por uma lembrança pessoal. “Minha memória afetiva em relação à Fórmula 1 é enorme, por conta do meu pai, que era um fã maluco pelas corridas.” Ela destacou que o sucesso da produção está em sua capacidade de ampliar o alcance da marca. “O filme não apenas mostra corridas, ele expande o universo da Fórmula 1 para públicos que talvez nunca tenham assistido a uma prova.” Segundo Cecília, a Fórmula 1 é hoje uma das plataformas de branding mais valiosas do mundo, com carros que funcionam como vitrines ambulantes para empresas de tecnologia, telecomunicação e serviços.

Jaime Troiano observou que a força da Fórmula 1 vai além das máquinas. “Na Fórmula 1, pilotos viram marcas vivas. Hamilton, Senna, Schumacher — cada um é mais que atleta, é um símbolo, um ideal de realização.” Ele acrescentou que o filme cria “uma narrativa aspiracional, misturando real com o ficcional e ampliando o desejo das pessoas de se aproximarem desse universo”. Para Jaime, o sucesso financeiro e simbólico da Fórmula 1 — avaliada em cerca de 25 bilhões de dólares — mostra o poder de marcas que se mantêm ativas, renovando suas histórias.

A marca do Sua Marca

A lição deixada pelo comentário é clara: até as marcas mais fortes precisam se reinventar para continuar relevantes. A tradição é um combustível poderoso, mas não basta sozinha. Para seguir na dianteira, é preciso acelerar na criação de novas narrativas, emocionar em diferentes plataformas e conquistar públicos além das pistas.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

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Conte Sua História de São Paulo: aprendi com a arquitetura desta cidade única

Nicolau Sérgio Egornoff Zecchinel

Ouvinte da CBN

Portal na Praça Patriarca
Portal do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, Praça Patriarca Foto: Marcelo Kuttner

Nasci na rua Morro Agudo, no bairro de Sumarezinho, em 1959 — realmente, a rua era bem íngreme. Sou um ítalo-russo-brasileiro. Meu pai era italiano e minha mãe russa. Aos quatro anos, mudei para  a Cayowaá quando comecei a frequentar a escola primária para aprender a falar português. Até então, só falava russo.

Meu avô era pintor artístico: criava e pintava os painéis e cenários para os programas da antiga TV TUPI, Canal 4. Muitas vezes o acompanhei no trabalho, e era fascinante. Alguns croquis guardo até hoje.

Aos sete anos, fui estudar no Colégio Dante Alighieri. Quando não vinha de ônibus do Dante, pegava o transporte bem debaixo do MASP, que ainda estava em construção. Andava pelo parque do Trianon, e atravessava a ponte sobre a Alameda Santos. Era muito legal ! 

Nas férias, minha mãe, às vezes, me levava ao trabalho dela, na praça João Mendes, em uma farmácia homeopata, Dra. Helena. Eu adorava comer coxinha na padaria ao lado. Na praça Patriarca, gostava da Copenhagen, do empório Casa Godinho e da Casa São Nicolau. Virando na São Bento, havia uma lanchonete que servia calabresa de Bragança, uma delícia!

Assim comecei a conhecer São Paulo, uma cidade fantástica!

Aos 12 anos, fui morar no internato do colégio São Vladimir e estudar no São Francisco Xavier, no Ipiranga. Oportunidade para conhecer o Museu da Independência e o Museu dos Bichos — como eu chamava o Museu de Zoologia da USP. Também adorava jogar futebol de salão na quadra que ficava nos bombeiros da avenida Nazaré, que está lá até hoje.

Voltei para o Sumaré aos 16 anos e comecei a treinar natação no SESC da rua Doutor Vila Nova. Depois fui para o  Palmeiras, onde passei minha adolescência frequentando o clube.

Nesta mesma época, comecei a trabalhar numa banca de jornal, na esquina da Cayowaá com a Heitor Penteado, depois fui para o Banco Itaú, na Boa Vista.

Me formei em arquitetura na Faculdade Braz Cubas, em 1986. Trabalhei na Tok Stok e hoje tenho meu próprio escritório de arquitetura, WNEZ Arquitetura.

Moro no bairro de Interlagos, casei, tenho duas filhas e uma esposa maravilhosa que me dão muita alegria.

A cidade cresceu muito, os problemas também, mas continua sendo uma cidade única.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Nicolau Sergio Egornoff Zecchinel é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Hélio Rotenberg, da Positivo Tecnologia, explica como a empresa evoluiu dos PCs aos superservidores de IA

Bastidor da entrevista online de Rotenberg ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“O empreendedor é inquieto.”
Hélio Rotenberg

A Positivo Tecnologia nasceu ligada à educação, ganhou escala fabricando computadores e hoje mira o fornecimento de infraestrutura e serviços para inteligência artificial. A mudança, segundo o presidente e cofundador Hélio Bruck Rotenberg, foi resposta direta às oscilações do mercado e às novas demandas das empresas. Este foi o tema da entrevista concedida por Rotenberg ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Da fábrica de PCs à infraestrutura de IA

Rotenberg relembra que, no auge do mercado de computadores no Brasil, em 2012, a empresa produziu 2,5 milhões de unidades. A partir de 2013, com a retração do setor, veio a necessidade de diversificar. “Quando o mercado brasileiro de computador cai, despenca, a gente também aproveita essa oportunidade, que poderia ser uma crise, mas se torna uma oportunidade para diversificar a empresa”, afirma.

Essa diversificação incluiu servidores, tablets, máquinas de pagamento, serviços de TI e segurança, além de contratos públicos como a urna eletrônica. Na frente de IA, a aposta está no lado da infraestrutura, tanto para data centers quanto para soluções on-premise em empresas — um sistema de TI em que a infraestrutura (hardware e software) é instalada e mantida nas próprias instalações físicas da empresa.

“Nós acabamos de vender o maior servidor de inteligência artificial do Brasil”, diz. A companhia também passou a oferecer implementação e manutenção desses ambientes após a aquisição da Algar Tech (atual Positivo S+), integrando hardware e serviços.

A leitura de comportamento do consumidor é fundamental para as transformações e soluções que a Positivo Tecnologia oferece. Foram essas informações que orientaram, por exemplo, a evolução do portfólio de PCs. Rotenberg conta que, em parceria com a consultoria IDEO, a empresa passou dias em lares de classe média no Rio e em São Paulo para entender hábitos e expectativas. O resultado influenciou decisões de design e posicionamento. “A gente aprendeu que para a população de classe média, o computador era muito importante, era um bem muito caro. Então, ele ficava na sala, não ficava no quarto. Então, ele tinha que ser bonito”, recorda, ao descrever a presença do desktop como peça central da casa.

IA distribuída e uso prático

Para além dos grandes data centers internacionais, Rotenberg vê expansão do processamento de IA em ambientes locais por razões de custo, soberania e privacidade. “Algumas das inteligências artificiais […] vão ser processadas em data centers menores ou nas próprias empresas, que a gente chama de on-premise.” Por isso, a empresa se posicionou em parceria com fabricantes globais de chips e placas para atender bancos, governo e grandes organizações no país.

Na ponta, ele projeta crescimento do uso de NPUs nos computadores corporativos e pessoais. E aponta um desafio educativo: muitos usuários tratam os modelos de linguagem como um buscador tradicional. “A gente […] notou que as pessoas que usam inteligência artificial pela primeira vez […] usam hoje os LLM como se fossem um browser.” A Positivo trabalha numa interface que oriente o público a explorar melhor esses recursos.

Gestão, cultura e qualificação

Ao falar de liderança, Rotenberg descreve um estilo baseado em participação direta e adaptação. “A minha liderança é muito mais pelo exemplo, pelo ‘vamos lá, vamos fazer junto, vamos vencer mais essa’.” Ele reconhece, porém, a necessidade de ampliar estruturas e delegar com o crescimento da organização. “A cultura da empresa é uma cultura empreendedora […] as pessoas vibram com as vitórias […] mas a empresa foi mudando, […] tem mais níveis hierárquicos.”

Sobre qualificação, ele destaca a engenharia nacional envolvida em projetos como a urna eletrônica e a disputa por talentos de software. A educação segue como fator crítico: “Quanto melhor a educação, melhor nós seremos em tecnologia.”

Empreender é ajustar rota

No encerramento, Rotenberg sintetiza o recado para quem pretende abrir ou ampliar negócios: “O empreendedor tem que ser resiliente. Ele tem que estar totalmente aberto a corrigir rumos. Tenta um rumo, não dá certo, vai para outro, mas não desiste.”

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o preço da liberdade no pequeno varejo

Pexels

Ser dono do próprio nariz é o grande sonho de muitos brasileiros e também o maior peso sobre os ombros de quem decide empreender. Entre os pequenos varejistas de alimentos, a liberdade e a sobrecarga caminham lado a lado. Esse foi o retrato revelado em uma pesquisa conduzida pela Troiano Branding e a Gouvêa Experience, tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.

Os entrevistados, donos de minimercados, mercearias e empórios, mostraram que o dia a dia desses negócios é movido por dedicação e acúmulo de funções. “Eles compram, arrumam a loja, conversam com o cliente, precificam o produto e treinam a equipe. Tudo fica na mão do dono ou da dona”, explicou Cecília Russo. Entre os principais desafios, ela destacou os temas ligados às finanças: do fluxo de caixa à disputa com concorrentes e aos impostos.

Mas o que mantém essas pessoas de pé, apesar da rotina exaustiva? Para Jaime Troiano, há dois grandes motores: a independência e o sentimento de conquista. “Eles não são malucos nem masoquistas”, afirmou. “A moeda da autonomia e da liberdade compensa a carga pesada que enfrentam, as horas de dedicação e os sacrifícios que fazem.”

Muitos desses empreendedores relatam, ainda, o orgulho de estar em um degrau acima de seus pais e a esperança de ver os filhos subirem mais um. Essa percepção de ascensão social, mesmo diante das dificuldades, é o que alimenta o sonho de continuar.

A marca do Sua Marca

Empreender é caminhar sobre uma corda bamba: liberdade de um lado, responsabilidade do outro. Como lembraram os comentaristas, “não é para todo mundo”, mas é, para muitos, a única forma de viver com propósito e autonomia.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

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Mundo Corporativo: Joca Oliveira, da Unico Skill, explica por que educação deve ser benefício tão essencial quanto saúde

Entrevisa online com Joca Oliveira Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Daqui 5 anos a gente vai olhar para trás e vai ser que nem plano de saúde… algo super necessário e essencial para qualquer colaborador.”

Joca Oliveira, Unico Skill

A ideia de tratar educação como benefício corporativo — com acesso amplo a cursos, faculdades e certificações — ganhou corpo dentro de uma empresa de tecnologia e virou negócio próprio. A Unico Skill, liderada por Joca Oliveira, oferece às companhias um “plano de educação” ilimitado para colaboradores e dependentes, com rede de instituições no Brasil e no exterior. Os desafios para empreender neste setor foi o tema da entrevista no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Joca descreve o modelo de forma direta: “A Unico Skill é o primeiro benefício de educação ilimitada do Brasil; de uma forma simples, é como um plano de saúde, só que para educação.” No desenho do serviço, a empresa escolhe entre quatro planos e o colaborador recebe uma “carteirinha” que dá acesso a uma rede credenciada. Segundo ele, “hoje a gente tem no total mais de 100 instituições de educação, são mais de 26 mil cursos… é acesso a fazer uma pós-graduação na GV, uma graduação, curso de inglês em mais de nove escolas, curso de tecnologia, inclusive no exterior”.

O produto que virou empresa

A tese nasceu dentro da Unico, companhia de identidade digital, e migrou para operação independente para ganhar foco e escala. “O spin-off é quando você separa esse produto e ele vira uma empresa com CNPJ próprio… com time isolado, processos e cultura, ainda conectado à holding, mas com muito mais independência.” A separação, relata, acelerou a tração e reduziu conflitos de prioridades.

No modelo de negócios, a Unico Skill atua como orquestradora B2B2C: “A gente basicamente compra educação no atacado… aplica muita tecnologia. Nós somos uma empresa de tecnologia, não de educação. A gente orquestra todo esse ecossistema, mas eu não crio educação.” A curadoria e a hiperpersonalização por IA buscam orientar o uso efetivo do benefício — inclusive por dependentes.

Engajamento e a pressão por requalificação

A demanda acompanha a mudança do mercado de trabalho. Joca cita o diagnóstico de que até 2030 a maior parte da força de trabalho precisará de requalificação, puxada por automação e inteligência artificial. “O colaborador tem visto isso como uma janela para continuar crescendo, e a empresa entende que ela precisa disso para manter a mão de obra extremamente qualificada.” Entre os conteúdos mais buscados estão tecnologia (IA, cibersegurança, dados), graduações e cursos técnicos, além de idiomas. No formato, cresce o interesse por cursos de curta duração com certificação e por aulas síncronas ao vivo: “Não é verdade que todo mundo só quer presencial; e o EAD sozinho, às vezes, faz falta na interação. O síncrono ao vivo tem sido um dos grandes formatos do futuro.”

Crescimento com qualidade e a dor de escalar

A expansão traz desafios operacionais. “A dor do crescimento ela é latente”, admite Joca. “Se a gente esperar tudo ser perfeito, às vezes a gente vai desacelerar crescimento, mas garantindo que eu consiga manter a qualidade e consiga manter tanto colaborador quanto a empresa extremamente satisfeitos com o produto e com a entrega.” Para sustentar o padrão, ele enfatiza pessoas e liderança: “Contratar pessoas melhores do que você… um talento bom toca o problema, resolve o problema, não esconde o problema.”

Educação como política estrutural do setor privado

A visão de longo prazo mira a mesma abrangência de outros benefícios já consolidados. “O acesso à educação privada no Brasil é um problema gigante… a gente, como parte da iniciativa privada, [precisa] resolver isso de forma estrutural.” Na comparação com outras políticas corporativas, a defesa é explícita: “A gente acredita que a educação, sim, deveria ser tão grande quanto o plano de saúde.”

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