Mundo Corporativo: primeiro a metodologia, depois a tecnologia, ensina Hendel Favarin, da escola de negócios Conquer

Foto de Vlada Karpovich no Pexels

“Construa o produto com o cliente e não para o cliente” 

Hendel Favarin, Conquer

Fechar a porta das salas de aula e abrir acesso às salas virtuais. Levar o conteúdo para a internet. Planejar com os professores como essa migração deveria ocorrer. E contar com a experiência de alunos. O desafio que a escola de negócios Conquer encarou em março do ano passado foi o mesmo de todas as demais instituições de ensino, no Brasil. Com a pandemia decretada não era mais possível manter a mesma estrutura de ensino e foi necessário agilidade dos gestores e capacidade de adaptação diante do cenário de incerteza que surgia. 

Algumas escolas tiveram mais sucesso do que outras nessa transformação digital. Um dos motivos para isso, segundo Hendel Favarin, co-fundador da Escola Conquer, entrevistado no programa Mundo Corporativo, foi entender que primeiro vem a metodologia e depois a tecnologia:

“Nossa taxa de desistência foi de cerca de 1,5%. A falta de engajamento (em algumas escolas) não foi por causa da tecnologia, mas porque a metodologia foi colocada à prova e o aluno não estava no centro da experiência”.

A Conquer foi fundada, em 2016, por Hendel Favarin, Josef Rubin, e Sidnei Junior, em Curitiba, a partir da insatisfação dos três jovens empreendedores com o ensino tradicional. Para eles,  especialmente as faculdades e os cursos de pós-graduação tinham conteúdo desconectado do mercado de trabalho, metodologia ultrapassada e professores muito teóricos e com pouca experiência no dia a dia dos negócios. 

“Nós surgimos para desenvolver softskills que fazem toda a diferença para um profissional alavancar seus resultados, independentemente da sua formação”

Hendel conta que a Conquer tinha 2 mil alunos em aulas presenciais até o início da pandemia. Com o conteúdo online, criação de cursos gravados e a oferta de graça de um curso sobre inteligência emocional, a escola passou a atender 30 mil alunos nos meses seguintes e, desde sua fundação, já conseguiu alcançar 1 milhão de pessoas de 80 países:

“O alcance e o impacto dos cursos digitais durante a pandemia proporcionaram maior acesso, maior democratização, porque os preços naturalmente caíram. Os cursos digitais permitem uma redução de preço, não têm todo aquele custo da infraestrutura presencial. Então os cursos acabaram diminuindo o seu tíquete médio e aumentando o alcance. É muito interessante porque hoje a gente vê alunos não só de todo o Brasil, mas também de muito mais classes sociais”.

A maior perda com o ensino à distância, de acordo com Hendel, foi com a criação de redes de relacionamento que é incomparavelmente maior no presencial do que no digital. O trabalho remoto também trouxe novas demandas aos líderes e gestores, aspectos que têm sido levado em consideração nos diversos cursos oferecidos pela escola: 

“As empresas que se destacaram foram as empresas que priorizavam a gestão pautada em pessoas, focada na conexão e empatia para as pessoas O líder fez toda a diferença. Gerando empatia, compartilhando suas vulnerabilidades, falando de suas falhas, seus acertos, seu aprendizado. A humanização líder: esse é o grande pulo do gato para se conectar à distância com suas equipes”. 

Com apenas 30 anos, Hendel, assim como seus dois sócios fundadores, também usam de sua experiência no empreendedorismo para ajudar outras pessoas a alavancarem os seus negócios. No programa Mundo Corporativo, ele deixou algumas sugestões para quem pretende iniciar seu empreendimento:

  • Construa o seu produto com o cliente e não para o seu cliente
  • Experimente, não tenha medo de errar
  • Esteja disposto a testar
  • Lance o MVP ou o Produto Mínimo Viável
  • Leve para o mercado o mais rápido possível
  • Observe, escute, aprenda e mude

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site da CBN. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo, e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Sua marca: histórias criam sentido para a marca

“Pense que história sua marca tem para contar”

Cecília Russo

O primeiro filtro de café foi criado pela dona de casa alemã Melitta Bentz, em Dresden, em 1908. Resultou do incômodo que causavam os percoladores de café e os sacos de linho, usados até então, que deixavam a bebida muito forte e com resíduos. Após algumas tentativas, Melitta fez pequenos furos no fundo de uma caneca de latão e usou um pedaço de papel do caderno escolar de um dos filhos. O resultado foi excelente e aprovado pela família. Ela e o marido decidiram, então, comercializar o produto e, um ano depois, com a patente já garantida, venderam 1.200 filtros de café em uma feira em Leipzig. Hoje, a Melitta fabrica mais de 160 itens ligados a café — de filtros a cafeteira. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo destacaram a importância das marcas e produtos saberem contar as suas histórias, porque são elas que dão alma e sentido ao negócio.

“Quem trabalha com as marcas precisa muito conhecer a história, aquilo que aconteceu, que está na raiz e na origem dessas marcas”, Jaime Troiano.

Dia desses, Jaime e Cecília estiveram no Le Pain Quotidien, restaurante em um dos shoppings de luxo de São Paulo, e tiveram a curiosidade de entender o logotipo que acompanha a marca do local. O gerente da casa explicou a relação do desenho com o pão feito no forno. Eles descobriram que a história reforçava o compromisso da rede de restaurantes com o pão de qualidade.

“Em marcas, as histórias fazem muito sentido e nessa linha histórias que são verdadeiras criam o sentido de engajamento” — Cecília Russo

Em um cenário no qual o consumidor recebe uma série de estímulos, gerar histórias que constróem memória se torna fundamental. Até mesmo casos que surgem a partir de erros cometidos na fabricação de produtos. E no programa, Jaime e Cecília lembraram duas desses histórias.

A primeira eles conheceram ao entrar em uma loja da Bauducco, em São Paulo, que expõe em suas paredes a historia da criação do panetone, nome que tem origem no Pani di Toni, um padeiro de Milão, que errou a receita do pão e para corrigir o produto começou a acrescentar frutas cristalizadas. 

A segunda é do post-It da 3M que surge a partir de um adesivo de baixa aderência criado por Spencer Silver para o qual outro colega de empresa, Art Fry, encontra uma funcionalidade que se transformou em um estrondoso sucesso internacional.

“Nossa memória é seletiva, nunca esqueci dos serões da Dona Benta que contava histórias. E por ser seletiva é ainda mais importante. Use histórias a favor de sua marca, criando conexões mais profundas” — Jaime Troiano

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de São Paulo: uma nova amiga e a rádio como companheira

Amaryllis Schloenbach

Ouvinte da CBN

Foto de Gratisography no Pexels

Meados dos anos 1940, morava com minha família em um sobradinho no bairro de Pinheiros, que defrontava com uma morada coletiva, na época denominada de cortiço. Pela manhã, no pátio do excelente grupo escolar, dividia minha merenda com a coleguinha minha vizinha fronteiriça,  e,  em muitas tardes ou noites de tempestade, precisávamos abrigá-la por conta da inundação que assolava aquele trecho de terra batida.

Havia uma boca-de-lobo onde, da janela, presenciei sumirem cães, galinhas, móveis, objetos vários, e, certa vez quase um bebê ser tragado em seu bercinho flutuante. No último momento este foi resgatado por um herói anônimo da vizinhança, que adentrou aquela forte correnteza barrenta, incentivado pelos gritos desesperados da mãe, nadou entre destroços a tempo de salvá-lo, aplaudido por todos os moradores do quarteirão.

Consternada com aquelas cenas eu me consolava afirmando, com  toda convicção, que quando crescesse não haveria mais episódios parecidos nesta minha desamparada cidade.

Adulta, trabalhando no Serviço Social do HC, voltei a morar na mesma rua, agora asfaltada, córrego canalizado, livre de enchentes. Porém o problema apenas mudou de endereço, e hoje, já idosa, acompanho pela internet as mesmas inundações, as  piores cenas de afogamentos, em vários outros bairros dessa mesma amada cidade que continua desassistida.

Há dois anos, jornalista aposentada, tornei-me só,  e tive problemas de adaptação a essa nova fase, embora continuando a morar no mesmo local, por mais de 40 anos, no encantado bairro do Bixiga.

Mal comecei o meu processo de adaptação,  o mundo foi assolado pela terrível pandemia do vírus mortal que ceifa vidas preciosas e leva o medo a todos os lares.

Precavida, iniciei meu distanciamento social, com o necessário confinamento. Não tendo parentes mais, contudo, sofri por precisar manter a devida distância de amigos, a maioria também da terceira idade, e igualmente confinados.

Acompanhei diariamente, durante quatro meses, a terrível situação de uma querida amiga vítima da infecção, que permanecia em UTI especial, e que até hoje, milagrosamente salva, lúcida, ainda passa, em casa, por sessões diárias de fisioterapia, para recuperar totalmente os movimentos depois de permanecer por tanto tempo imobilizada, em coma induzido. Levada pela fé, confiei em sua cura e ainda adquiri nova amiga na pessoa de uma de suas irmãs, a qual me dava notícias da paciente todos os dias, e com quem trocava mensagens de encorajamento.

Assim, resisto bravamente durante tanto tempo a me deixar abater diante de tantas notícias tristes, tantos lutos, tantas decisões equivocadas, tantas “pavonices”, tantas brigas inúteis, tantas demonstrações de incompetência!

Nisso me foi de grande valia a descoberta da CBN, onde pude contar com uma grande equipe de profissionais dedicados, apaixonados pelo fazer jornalístico, pela exposição da verdade, tão deturpada nesses tempos de pandemia, onde a par de grande número de pessoas com atitudes heroicas, somos obrigados a conviver também com uma grande leva de seres ditos humanos, mas sem um mínimo de empatia para com seus semelhantes!

E la nave va!…

Amaryllis Schloenbach é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. E a narração de Mílton Jung. Conte você mais um capítulo da nossa cidade, envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca: marcas brasileiras precisam mais de São João do que de Halloween

“Temos de ser mais São João do que Halloween”

Jaime Troiano

Como brasileiros gostamos bastante de festas juninas —- sim, estamos às vésperas do início dos festejos —, uma atividade genuinamente nacional. Esse mesmo sentimento, porém, nem sempre se reflete na nossa relação com as marcas. O que está por trás desse olhar estranho às nossas marcas?  O malinchismo pode ser uma resposta, disse Jaime Troiano, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. 

La Malinche é como Malinalli Tenépatl, de origem nahuátl, passou para a história. Ela é apresentada como amante de Hernán Cortés e o teria ajudado, como tradutora, na Conquista da América pelos espanhóis. Virou substantivo. Significa algo como aquele que valoriza o estrangeiro em detrimento de sua cultura. Para Jaime, o malinchismo em relação às marcas é um traço latino-americano, não apenas brasileiro: 

“Valorizamos marcas estrangeiras, palavras estrangeiras …” 

Cecília Russo destaca que esse comportamento não parte apenas do consumidor. É das próprios gestores das marcas. Para ela, muitas vezes falta o sentido de orgulho, de bater no peito e se afirmar como merecedora de prestígio:

“Tem muita marca que parece que já entra no jogo combalida, perdendo antes do apito de início do jogo, meio com um espírito vira-lata”.

Mas há esperança. E bons exemplos a negar essa prática.

A Natura é uma delas — uma brasileira que faz história, ressalta sua brasilidade e sai pelo mundo na compra de outras marcas, como The Body Shop, Aesop e Avon. Tem o exemplo dos bancos, também: Itau e Bradesco, as marcas mais conhecidas no setor são nacionais. E o clássico caso da Havaianas: 

“Ela entra no jogo batendo no peito e isso faz toda a diferença (traz até a bandeira brasileira no seu produto)”

Para aproveitar melhor esse potencial que marcas brasileiras têm, Jaime e Cecília  sugerem que os responsáveis pelo ‘branding’ — ops, perdão pelo estrangeirismo —  busquem espaço próprio em lugar de apenas reproduzirem modelos estrangeiros. Devemos usar o ‘benchmarking’— caramba, de novo? —- que é entender as referências inspiradoras em uma área de negócios, mesmo aquelas que estão no exterior, e criar soluções próprias, diz Cecília:

“O problema é que ficamos mais reprodutores de modelos do que criadores de soluções legítimas e nossas” 

Por fim, mesmo que pareça contraditório, as marcas devem ganhar respeitabilidade e valor do lado de fora do país para aumentar seu prestígio aqui entre nós. Ou seja, usar o malinchismo a favor das marcas.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Conte Sua História de São Paulo: o operário que virou escritor

José Jorge Porto 

Ouvinte da CBN

Foto de Rodolfo Quirós no Pexels

Em abril de 1975 deixei a terra natal, no interior de Pernambuco, para encontrar trabalho em São Paulo. Fui morar na casa da minha irmã, ali em Guaianazes. Demorou pouco para o primeiro emprego. Na PEM Engenharia, na Vila Mariana, como ajudante de eletricista. A primeira obra foi um marco: o prédio da IBM, na Tutóia com a 23 de Maio — a primeira estrutura de concreto revestido com vidro. 

Marcantes e difíceis estes tempos. Ganhava um salário mínimo. Passava frio. Mas mesmo as dificuldades me encantavam. Logo me matriculei numa escola estadual ali, em Guaianazes, no Jardim São Paulo. Ano seguinte, ingressei em uma escola técnica de eletrônica. Lá na primeira obra — que durou quatro anos — fui promovido à oficial eletricista e depois encarregado de eletricista. Até hoje quando passo diariamente dirigindo ali na 23 de maio que vejo aquele prédio meu coração fica alegre.

Meu esforço me levou à universidade, me formei em filosofia, Gestão Estratégica de Empresas e Engenharia Elétrica, fiz várias especializações. Hoje, também dou aulas em ambientes corporativos.

Em março de 2020, um dos diretores da empresa TEMON onde trabalho, me antecipou as férias porque aos 63 anos eu não poderia ficar exposto ao coronavírus. Com três dias em casa, reciclei dois bancos de madeira. E a ansiedade em ficar parado em casa não passava.

Comecei a escrever algumas coisas e percebi que nascia um aprendiz de escritor.  Em parte das escritas, reproduzi conversar com um amigo irmão, o Cleyton. 

Cento e quarenta páginas depois, o livro ficou pronto e a Editora Laços aceitou publicar “Reflexões para gestores”, em que abordo principalmente os desafios, habilidades e competências que um gestor precisa ter, saindo de uma visão tecnicista para uma visão contemporânea, levando o gestor a transformar o trabalho em algo gratificante para todos, ao  autoconhecimento na construção de uma empresa ética, competitiva e mais humana.

José Jorge Porto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Conte você também a sua história da cidade, envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. O quadro vai ao aos sábados, 10h30, no CBN SP

Mundo Corporativo: Paulo Castello, da Fhinck, diz que pandemia mostra que trabalhamos mais do que precisamos

Photo by Tima Miroshnichenko from Pexels

“Nós fomos treinados a trabalhar em fábrica. Você  tem de repetir procedimentos. Agora tem uma migração para personalização. O trabalho vai ser pessoal, você vai ser o seu próprio CNPJ.”

Paulo Castello, Fhinck

Com o uso de recursos digitais, a empresa percebeu que um dos departamentos sempre apresentava queda de produtividade e foco no trabalho, no fim da tarde. Por cerca de um mês fizeram quatro testes para entender como melhorar o desempenho do grupo. Trocaram a disposição dos colaboradores, mexeram no desenho do escritório,  reduziram o expediente de oito para seis horas e depois para quatro horas. Tudo devidamente medido, a conclusão foi de que com apenas seis horas de trabalho, o grupo renderia melhor, manteria a mesma produtividade em todo o expediente e ainda ganharia duas horas de lazer.

Paulo Castello, CEO e fundador da Fhinck, contou essa história ao Mundo Corporativo, para sustentar a ideia de que trabalhamos mais do que necessitamos, uma tese que vem sendo defendida ao longo do tempo, desde que se passou a questionar o processo fabril que ainda molda as relações de trabalho em boa parte do mundo. O empresário sempre esteve conectado ao tema da inovação que, pelo que se percebe, não se restringe a tecnologia, apesar desta ser essencial nesses tempos.

Foi para encontrar soluções tecnológicas que permitissem a medição do desempenho operacional, da produtividade e da qualidade de vida dos colaboradores, que Paulo fundou a Fhinck Business Solution, em 2014, uma “startup brasileira”, como faz questão de ressaltar:

“A gente usa inteligência artificial. Nosso software coleta dados enquanto você trabalha, o tempo de cadeira, fora da cadeira, sistemas que usa, tendências e comportamentos”.

Uma das mudanças identificadas com a pandemia em que a maior parte das empresas mandou seus colaboradores para casa foi o aumento de até 22% do foco dos colaboradores no trabalho. Estudos desenvolvidos na Universidade de Harvard e pelo MIT já haviam mostrado essa tendência. Após o investimento em ‘open space’, que são os ambientes corporativos abertos, sem salas ou cubículos funcionando como estações de trabalho, aumentou a interação das pessoas e o fluxo de ideias. Por outro lado, as distrações cresceram na mesma proporção. Em casa, o profissional concentra-se por mais tempo e de forma mais efetiva. 

O problema é que a maioria dos profissionais não foi preparada para o home office e acaba perdendo o controle sobre a sua jornada, com danos psicológicos e físicos. Paulo conta que na própria Fhinck, um mês depois de todos os funcionários estarem em trabalho remoto, descobriu-se que a maioria não estava almoçando direito:

“Com nossa tecnologia travamos as agendas de trabalho de todos, do meio-dia às duas da tarde. Aumentamos o horário de almoço, porque em casa precisamos preparar a comida, ao contrário de quando estamos no escritório, que se vai ao restaurante”. 

Os dados ajudam a entender de uma forma mais ampla todas as tendências e padrões da jornada de trabalho, inclusive riscos trabalhistas:

“Se os RHs não prestarem muita atenção ou terão problemas trabalhistas ou terão problema de evasão de talentos para outras empresas que vão propiciar um ambiente de trabalho mais regular. Com uma rotina mais estruturada”

A previsão é que um dos legados da pandemia e do ‘home office’ forçado será o modelo híbrido na forma de trabalho, com parte das funções sendo realizadas em escritórios e outra à distância. No futuro, não muito distante, Paulo entende que os contratos terão de de se adaptar porque haverá uma mudança radical no formato atual, com expediente em horário comercial, das 8 da manhã às 5 da tarde. Haverá a possibilidade de os profissionais não serem exclusivos de uma empresa, mas fazerem aquilo que gostam e como gostam, em tarefas a serem contratadas através de plataformas digitais, com demandar específicas. 

“É importante não ficar preso a modelos do passado”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às 11 da manhã, pelo site da CBN e pelas páginas da rádio no Facebook e no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; domingo, às dez da noite, em horário alternativo, e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast.

Conte Sua História de São Paulo: o recado que recebi na garrafa espatifada no chão

Suely Schraner

Ouvinte da CBN

Foto de Markus Spiske no Pexels

Vírus e governo rindo na nossa cara.

Tempo governado por ansiedades. Incertezas. Sufoco do acaso. 

Nem é mais 2020. 2021 nem é. 

Que seja pelo menos de travessia para afetos coletivos sem egoísmo exclusivista. 

Engaiolados estamos. Pandemia infinita. 

Máscaras e Distanciamento. A nossa vacina por ora. 

Calor humano intermediado por fibra ótica. 

Encontros  e abraços apertados,  adiados. 

Pensamentos fragmentados. Afagos sonhados.

A distância mais longa percorrida até então: a calçada do portão de minha casa.

Na manhã ensolarada, uma garrafa de vinho espatifada dentro da garagem.

Algumas formigas ébrias rodopiavam no que restava do líquido. 

Será que jogaram a garrafa no calar da noite e não ouvi? 

Aí o telefone tocou. O amigo presente do outro lado da linha explicou:

Tentou deixar um vinho de presente, na noite anterior. Não quis tocar, respeitando o distanciamento. Pegou uma cordinha no carro e amarrou a garrafa. Cuidadosamente passou-a por cima das grades e foi descendo. O nó se desfez e plaft. Lá se foi o néctar dos deuses. O caminho de Baco definitivamente interrompido.

Ele não se deu por vencido. Comprou outro e retornou no dia seguinte. Dessa vez, tocou a campainha e mantendo o distanciamento entregou o presente. 

Amizades e afetos, um elixir para todas as dores. 

São Paulo cíclica, rogai por nós.

Suely Schraner é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. contesuahistoria@cbn.com.br é o nosso e-mail. Escreva para cá e ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br e no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Carolina Utimura, uma ativista disposta a inspirar a jovem potência, no Brasil

Foto de Andrew Neel no Pexels

“Acho que o que eu sempre tive foi humildade de saber que eu preciso aprender com essas gerações mais velhas, mais experientes … E algo que eu sempre trouxe para mim é que eu vou tentar completar essa falta de experiência com muito estudo” Carolina Utimura

Iniciar uma reportagem com Carolina Utimura sem dar destaque para a idade dela parece impossível. Não é sempre que se conversa com uma Chief Executive Officer de apenas 26 anos. Cargo, aliás, que ocupa na Eureca, desde o ano passado, ou seja, desde que tinha 25. Eu tentei, na entrevista que fiz no programa Mundo Corporativo e vai ao ar nesse sábado, no Jornal da CBN. E o fiz já na primeira pergunta.

Ao me responder se o “seu mérito é a sua idade?”, Carolina de cara revelou a maturidade que a levou ao posto de comando da empresa especializada na seleção e desenvolvimento de jovens para vagas de estágio e trainee: 

“Tive um monte de privilégio na minha formação. Fazer uma faculdade pública. Tenho uma família me ajudou a investir na formação. Fazer um trabalho voluntário dentro de uma empresa júnior. Eu acho que foi uma sequência de coisas que me ajudaram a acelerar um pouco mais a carreira”. 

Uma carreira para a qual se preparou desde os tempos da universidade, quando conheceu o movimento de empresas júnior, que reúne alunos de diversas áreas e interesses em organizações e ações empreendedoras que prestam serviços para pequenos negócios. É uma enorme oportunidade de desenvolver habilidades de comunicação, liderança e trabalho em equipe.  Já entre os mais novos, Carolina se destacou como ativista da juventude e, no último ano da faculdade, foi eleita presidente da Federação Brasileira de Empresas Júnior. 

“Desde quando entrei no primeiro ano havia o desafio de cuidar de uma empresa de verdade, fazer projetos reais para clientes reais, atendíamos microempresas da região. No meu caso em Bauru. Temos metas financeiras, de projetos e qualidade destes projetos. E conseguimos nos conectar com pessoas de todo o Brasil”

Com a pandemia, o número de jovens desempregados aumentou consideravelmente e programas de estágio e treinamento também não cresceram a ponto de absorver essa mão de obra e oferecer a experiência que necessitam para entrarem no mercado de trabalho. 

O Brasil tem hoje 50 milhões de pessoas com idade entre 15 e 29 anos, um número que equivale a toda a população da Argentina e cinco vezes a de Portugal. Cerca de 30% desses jovens estão desempregados e sem estudar, o que leva técnicos a identificá-los como a geração ‘nem-nem’ — uma expressão que é rechaçada por Carolina Utimura (e por este jornalista, também):

“…porque não transmite a causa raiz desse problema. Especialmente depois da pandemia, vemos um movimento muito forte de evasão escolar, evasão universitária, do desemprego juvenil, também. A gente vê que tem causas muito atreladas a ele conseguir ingressar ao ensino superior, conseguir terminar seus estudos, a ter acesso a boas vagas de trabalho, a própria  composição da família. São alguns pontos que acabam dificultando essa potencia dos jovens”.

O impacto do momento atual, de acordo com Carolina, deverá ser percebido na mudança de comportamento dos mais jovens:

“Eu gosto de falar de juventudes, com s, no plural, trazendo a diversidade que temos dentro desse público. Alguns comportamentos que a gente trazia dos milênios, da geração Z, de serem impacientes, não quererem ficar muito tempo no trabalho, vão mudar, porque a instabilidade financeira pode ser um item do cenário que a gente está vivendo”.

Na Eureca, a busca de candidatos a vaga de estágio ou trainee não passa pelo que chamam de “jovem de prontidão”, o de melhor faculdade e de melhores escolas, mas pelos que têm de potencial. Algumas das características que se destacam são o de ser questionador, ter visão crítica, empatia, que permite entender os colegas de trabalho, clientes e consumidor. Com a pandemia cresceu, também, a necessidade de se saber fazer a autogestão emocional para enfrentar os momentos de volatilidade e inconstância.

Além, de atuar na colocação dos candidatos, a empresa desenvolve uma série de trabalho para a capacitação dos jovens. Para aqueles interessados em se beneficiar das oportunidades oferecidas, é possível encontrar as vagas de trabalho disponíveis no site Eureca.me.

Para Carolina Utimura, a verdadeira potencia dos jovens brasileiros somente será percebida quando se melhorar a gestão e qualidade do ensino, adaptando-o às necessidades do mundo atual:

“Boa parte dos jovens passa pela escola sem ter habilidade de interpretação de texto, sem habilidade de fazer contas mais básicas da matemática; então, quando a gente fala muito sobre transformação digital e indústria 4.0, a gente também tem de falar sobre uma revolução educacional 4.0”.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa também está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: a casa 147 dos Vedolins

Ieda Vedolin

Ouvinte da CBN

Hospedaria dos Imigrantes, SP, reprodução Wikipedia

Essa história, começa com a mensagem que recebi de Eduardo Vedolin, meu sobrinho, que durante a pandemia pesquisou como foi a imigração da família:

“O Ano de 1886 foi de muito luto nas famílias daquela cidade — Campo de San Martino, região do Veneto. Devido as más condições de vida da época deve ter tido alguma doença que atingiu a todos. — ou causada pela desnutrição ou por uma peste contagiosa. Foi quando houve maior número de mortes registradas na cidade, vitimando pessoas de todas as idades. 

A casa 147, onde moravam os Vedolins, foi testemunha disso. Em menos de um mês, três pessoas morreram: a Elisabetta, então com 20 anos, a pequena Matilde, com apenas dois, e a mãe, Angela, com 55. A casa tinha sete moradores, passou a ter apenas quatro no fim de 1886. E, em breve, teria cinco, pois a Catarina já estava grávida do Emílio, mas ele não chegaria a morar nem por um ano nela.

Provavelmente isso motivou o casal Osvaldo e Catarina a buscar novas condições de vida, fora daquele lugar. E deixaram a casa 147 em fevereiro de 1888, com destino ao porto de Genova. Embarcaram no vapor Ila de Lozana para Santos, chegando em 19 de março do mesmo ano”

No emaranhado de nomes e datas que se seguiram a mensagem de Eduardo, relembramos nossa história. Meus pais, avós de Eduardo, Wilma Thomé e Attilio Vedolin, foram namorados de infância que acabaram por se casar, tendo seus pais e avós partido da Itália em direção ao Brasil no fim do século 19. A primeira parada de todos foi na Hospedaria dos Imigrantes, na Mooca. Nos relato, tivemos passagem pelo Belenzinho, pela Vila Operária Maria Zélia, pelo Brás e seus casarões que serviram de lar aos Schiavo e Thomé. 

Neste inicio de século 21, dentro de nossas casas, voltamos ao passado de nossos ancestrais. Imaginamos os medos diante do desconhecido, fomos tocados pela esperança de uma vida melhor, e encontramos histórias de coragem e esperança. 

Ieda Vedolin é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A narração da carta foi uma gentileza do cônsul da Italia Fillipo La Rosa. A sonorização é do Cláudio Antonio. Para conhecer outras histórias da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Mundo Corporativo: para Clodoaldo Nascimento, da Yes!Idiomas, escolas terão três modelos de ensino após a pandemia

Foto de Cristian Rojas no Pexels

“O online veio para ficar. Ele vai ser uma ferramenta que nós vamos utilizar no nosso dia a dia de diversas formas, seja para atender a pessoas que trabalham e tenha dificuldade de tempo seja para atender a pessoa que quer aprender rápido e em qualquer lugar” 

Clodoaldo Nascimento/Presidente da YES!Idiomas

Escolas de inglês passaram a anunciar cursos 100% online como se o modelo fosse uma inovação, apesar de a estrutura tecnológica já estar à disposição e negócios das mais diversas áreas se sustentarem no digital, há muito anos. De acordo com Clodoaldo Nascimento, presidente da YES!Idiomas, entrevistado do programa Mundo Corporativo, a demora para essa migração —- que apenas ocorreu devido a pandemia —, está ligada ao apego a um padrão  que fez sucesso ao longo do tempo:

“Na verdade, talvez, (havia) aquela coisa de você quebrar o paradigma. Por exemplo, a ideia de que a aula é presencial, o professor tem de estar perto do aluno, falar no pé do ouvido dele. Principalmente nos idiomas temos às vezes essa dificuldade da pronúncia. E tinha a dificuldade de conexão. Isso fez com que gente procrastinasse essa vontade de levar para o EAD.Não teve jeito. A gente teve de antecipar este EAD”.

No caso da YES a troca das aulas presenciais para o ensino à distância ocorreu nas 180 escolas e no atendimento aos cerca de 60 mil alunos, nos 18 estados em que a rede de franquia atua, no Brasil. Clodoaldo disse que a transformação teve de ser feita em 15 dias, período em que a franquia teve de oferecer plataformas para a realização dos cursos, aulas foram gravadas e as unidades regionais criaram serviços de apoio para orientação dos alunos:

“Quando a gente viu que tinha esse problema, eu reuni minha parte pedagógica reuni minha parte operacional. E montamos um comitê de crise. 24 horas por dia, a gente ficava pensando na melhor maneira de a gente poder entregar o melhor produto. Nós tivemos de apressar um processo que talvez levasse anos e nós tivemos de fazer em duas semanas”.

Ao mesmo tempo que correm para se adaptar, as escolas tradicionais de idioma assistem ao surgimento de opções de ensino de língua estrangeira por aplicativos, que podem se transformar em concorrentes no setor.  Clodoaldo entende que os APPs não tiram alunos das escolas, são complementares ao ensino e, provavelmente, serão usados pelas instituições. Para ele, a partir de agora, haverá três modelos a serem ofertados no setor:

“A gente só tinha um modelo, eu acho que nós vamos ter três, que é o modelo tradicional presencial, a gente não pode deixar de ofertar porque tem pessoas que têm a predileção. Vamos ter um modelo híbrido, que vai ser uma coisa mais flex, na questão tempo. E vamos ter o 100% online”.

Mesmo que o ensino seja à distância, a gestão continuará sendo presencial, destacou Clodoaldo Nascimento, que é presidente da YES!Idiomas desde 2004. Ele começou como vendedor de cursos de inglês, em 1989 e dois anos depois chegou na YES, onde foi funcionário e concessionário até assumir o comando da rede. Par quem pretende investir no setor de franquias, Clodoaldo alerta:

“É preciso ter disponibilidade de tempo, saber que ele vai operar aquela franquia, porque o sucesso de uma franquia é uma coisa que tem a ver com parte da franqueadora — você está associado a uma marca, que já está no mercado, está consolidada —  mas só a marca consolidada, sozinha, ela não faz nada. Ela precisa de alguém que esteja atrás do balcão, dando o seu tempo, fazendo a coisa realmente acontecer”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site, na página do Facebook e no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e domingo, às 10 da noite em horário alternativo. Está disponível também em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno teixeira, Matheus Meirelles e Débora Gonçalves.