Conte Sua História de São Paulo: no pedal da bicicleta, bicho

Ilan Rubinsteinn

Ouvinte da CBN

 

 

Ciclovia? Ciclofaixa? Mountain bike? Não! Desça a avenida São Gualter a toda velocidade. Para diminuir a resistência do ar, saia do selim para o bagageiro. Desastre. Deslize por 50 metros com as mãos e o rosto no asfalto. Não vai sobrar um botão da camisa Franita vermelha, que vai se desgastar inteira como boa parte da pele do rosto. Algumas marcas no dorso das mãos te acompanharão, neste e noutros outros passeios de magrela por São Paulo. 

 

Sobreviveremos, porque são tempos de andar de Fusca, Simca, Galaxie, DKW ou Aero Willys — e só o chefe da casa pode ter um desses. Sobra espaço nas ruas para nossas Monarks e Calóis. Com câmbio, só as de corrida. Capacete? Roupa de ciclismo UV 3XE? Deixa de ser Florisbela, meu! 

 

Vamos por aqui … 

 

Descemos para ao Lapão pela rua Mercedes; tomamos um Colegial na Carmen. Não? Pela lateral do trilho do trem de Santos, passando pelas lagoas, em direção a  Osasco. Não?  Autódromo, cruzando o Rio Pinheiros pelos canos da Sabesp, no Socorro: ali assistimos aos 500 Km de Interlagos e voltamos.  Marginal Pinheiros? O que é isso, xará? Tá louco? Estamos em 1969, bicho!

 

Ilan Rubinsteinn  é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, acompanhe em seu agregador preferido o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Mundo Corporativo: Tonny Martins, presidente da IBM, fala da inteligência artificial no combate à Covid-19

 

 

“A penetração de tecnologia como elemento fundamental para a sociedade, tanto no comércio, na indústria, na educação, saúde e entretenimento, esse mundo mais híbrido é algo que veio para ficar” —Tonny Martins, IBM Brasil

 

Em 48 horas, 90% dos colaboradores estavam trabalhando remotamente, com segurança física e psicológica; em seguida, foi oferecida a estrutura necessária para que os parceiros de negócios trabalhassem com a mesma produtividade e capacidade; e, finalmente, houve a colaboração no amadurecimento dessas empresas diante da transformação digital que se acelerou durante a pandemia. Esses foram três aspectos destacados pelo presidente da IBM Brasil, Tonny Martins, na avaliação que fez sobre como a empresa agiu diante da crise sanitária e econômica, que se iniciou em março.

 

“Nesse primeiro momento, nós trabalhamos com nossos clientes para checar o que nós chamamos de sinais vitais: a conectividade, a capacidade de se abrir para o mundo externo, escalabilidade da sua tecnologia —- do dia para a noite, o canal digital ficou entupido —-, ajudar esses clientes a terem uma operação resiliente que funcionasse de forma consistente e contínua foi nossa preocupação”

 

Na entrevista, falamos de tecnologia e de como a forma acelerada com que a digitalização atua nos diversos segmentos —- da educação à saúde, da indústria ao entretenimento —- está mudando o comportamento de empresas e pessoas. Para Tonny Martins, um dos esforços foi tornar os canais digitais mais próximos dos clientes:

“A tecnologia mais humanizada, mais personalizada, e mais próxima do indivíduo, você consegue, em escala, gerar um nível de eficiência nas relações e nas operações, nunca antes vista”

 

A IBM tem participado de uma série de projetos nas áreas de educação e saúde em parceria com outras empresas de tecnologia, startups e governos. Em um desses programas, ao lado da Cisco, cerca de 9.400 professores e mais de 160 mil estudantes foram beneficiados, com a redução dos entraves para as aulas online. Na área da saúde, entre outras ações, foram desenvolvidos o APP Enfermeiro Virtual e o Portal Corona BR, que já teria alcançado 20 milhões de pessoas.

 

Tonny Martins mostrou-se entusiasmado com os resultados do uso da inteligência artificial que ajudou a desenvolver mais rapidamente o conhecimento de médicos e pesquisadores sobre o Sars-Cov-2, permitindo estratégias eficazes para o combate à doença. Aliás, das tecnologias que passaram por um processo de aceleração desde o inicio da pandemia, uma das apostas do presidente da IBM Brasil é a inteligência artificial:

 

“Existe um estudo da IBM que mostra que o nível de penetração da Inteligência Artificial nas empresas no nosso dia a dia é só de 4% … hoje, você tem uso da Inteligência Artificial mais na parte do  atendimento, colaboração, automação do depósito, nas suas áreas de suporte; e a gente vai ver uma evolução exponencial dessa Inteligência Artificial, que a gente chama de empresa cognitiva na nossa vida, no nosso dia a dia”.

 

Assista ao vídeo completo do Mundo Corporativo aqui no blog. Aproveite e se inscreva no canal da CBN no You Tube para ser informado sempre que um novo programa estiver sendo gravado. Acompanhe, também, o podcast do Mundo Corporativo. Colaboraram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN.

Sua Marca: é preciso humildade para ter o foco do cliente

 

 “Marcas somente existem porque dão um significado para a escolha que os clientes e os consumidores fazem” — Jaime Troiano

 

Foi com base em conhecimento trabalhado por um dos principais consultores de empresas do país, que o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso orientou os gestores a terem melhor resultado em suas estratégias. Jaime Troiano e Cecília Russo chamaram atenção para a necessidade de a empresa focar no que realmente interessa. E, conforme ensinou José Carlos Teixeira Moreira, da Escola de Marketing Industrial, em lugar de focar no cliente, é preciso explorar o foco do cliente.

 

“(focar) no cliente é quando a empresa e a marca querem colocar de forma imperativa o seu ponto de vista, ignorando quem está do outro lado, é uma visão autocentrada ou narcisista” —- Cecília Russo

 

Há um foco ainda pior que é quando o gestor foca em si mesmo, em seu próprio umbigo. Parece aquele sujeito que diz que está profundamente apaixonado por si mesmo e completa dizendo que sente que o amor é correspondido. O que deve inspirar o gestor da marca é o foco do cliente. Para tal, Jaime Troiano sugere:

 

  1. Tirar o bumbum da cadeira e encostar a barriga no balcão
  2. Conviver, observar e acompanhar os clientes e consumidores
  3. Bisbilhotar, conversar, ouvir com vontade de entender o cliente
  4. Calçar o sapato do cliente
  5. Ser atento e humilde para aprender.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN e está à disposição em podcast.

Conte Sua História de São Paulo: a passageira do Uber

Por Henrique Ribas

Ouvinte da CBN

 

 

Viagem quase finalizada. Entro na rua Professor Picarolo. Nunca havia reparado no nome, apesar de sempre passar no local. Era ali o destino final do meu passageiro, um estudante da GV. Em mim, batia um certo cansaço tanto quanto a fome batia no meu estômago. Estacionei, desci do carro, alonguei o corpo, bati a sujeira dos tapetes. Troquei a estação do rádio da Alpha para CBN — é sempre bom ouvir notícias. Tânia Morales se despedia. Pena. Adoro ouvi-la falar de livros e outros temas.

 

Peguei a mochila com a merenda. Um iogurte, uma maçã e duas bisnaguinhas com queijo. Delícia! Deixei o vidro do carro meio aberto. A brisa era boa, o vento gostoso. A metrópole estava silenciosa a ponto de ouvir o barulho água correndo — era a fonte do Mirante Nove de Julho, deixando a água correr por sua silhueta bela, barroca, iluminada …

 

Lanche terminado, fio dental passado, álcool gel nas mãos, halls refrescando a boca, veículo Ok. Hora de voltar para as pistas. Em 30 segundos, o aplicativo anuncia: buscar passageira na rua dos Franceses. Cheguei lá e duas garotas se aproximam. Jovens, de mãos dadas. A menor de cabelos curtos e saia sensual, pede para eu esperar um minuto. Pelo retrovisor vejo as duas conversando. Devem estar falando palavras de despedido. Não ouço, mas leio seus olhos emitindo cumplicidade. Os lábios se tocaram com ternura, paixão e libido. Eu, culpado pela inconveniência, não consegui deixa de assistir àquele filme no meu retrovisor. 

 

A mais mocinha entrou no carro, com uma má vontade clara e pesada, acomodando-se no banco de traz à minha direita. Conferi o destino, iniciei a corrida e partimos. Destino: Pinheiros, Rua Francisco Leitão. Ela ainda deu uma leve olhada para trás. Viu seu amor parado, em pé na calçada, com o olhar fixo no meu Uber que se tornava cada vez mais distante. Encostou a cabeça no vidro da janela e, depois de alguns segundos, cerrou seusolhos languidos, meio úmidos. Como o amor entre as pessoas é algo que inebria. Fiquei enternecido por aquele clima que invadiu o carro. Duas garotas e um sentimento tão puro ao meu olhar. Como o preconceito torna certas pessoas cegas para aquilo que a vida nos oferece. Duas garotas que se amam. 

 

Passeamos na Paulista de vidros abertos. Início de madrugada, vento fresco que banhava levemente nossas caras. No cruzamento com a Peixoto, um biker curtindo sua magrela. À frente, um casal com sorrisos escancarados faz uma self, com o Trianon ao fundo. No farol seguinte, em frente ao Conjunto Nacional, uma galera trabalhava intensamente.

 

Cheguei ao destino: a mocinha, com a cara de quem um cochilo tinha tirado, disse um obrigado doce e me desejou boa noite. Retribuí por aqueles momentos tão especiais, apaixonados e particulares que vivemos naquele percurso. Ela pelo seu amor, deixado provisoriamente na Rua dos Franceses, eu, pela minha cidade. 

 

Henrique Ribas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. E ouça outros capítulos da cidade no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

“Me aceitei como negro aos 27 anos”; e nós com isso?

 

Milwaukee Bucks iniciou movimento de paralisação da NBA
Crédito: Kevin C. Cox/Getty Images/Site CBN

 

A ausência de jogadores da NBA nas quadras, na noite de quarta-feira, em Orlando, foi o gesto mais simbólico e de maior repercussão contra a violência aos negros, nos Estados Unidos, desde que policiais de Kenosha atiraram sete vezes e pelas costas no negro Jacob Blacke, no domingo, no estado do Winsconsin. O primeiro ato foi dos jogadores de basquete do Milwaukee Bucks seguidos pelos demais colegas da liga e se estendeu ao basquete feminino e ao beisebol, com a paralisação das rodadas da WMBA e da MLB.

 

A despeito de o presidente dos Estados Unidos Donald Trump ter feito comentário crítico e dito que é por isso que a NBA está perdendo audiência — o assunto ganhou espaço no noticiário esportivo, avançou pelas demais editorias dos jornais, destacou-se nas manchetes dos telejornais e de programas de rádio pelo mundo.

 

Eram 5h50 da manhã, aqui no Brasil, quando o apresentador Frederico Goulart nos provocava a refletir sobre o feito, no quadro que fazemos ao lado de Cássia Godoy, no CBN Primeiras Notícias. Ressaltei que foi a jogada mais marcante do basquete americano já vista nas quadras — esporte que quando jogado é um espetáculo por si só. E foi a forma de revelar a força antirracista que se expressa nos Estados Unidos com protestos nas ruas e manifestações nem sempre pacíficas — porque pacíficos também jamais foram os atos contra os negros.

 

Voltamos em seguida, às 6h, no Jornal da CBN com o noticiário e as reações pelo Mundo, para ainda antes das 7 da manhã, ouvirmos Juca Kfouri comentar que o esporte americano encestou o racismo:

 

 

A notícia foi destaque a cada meia hora, no Repórter CBN e tema único do bate-papo com Dan Stulbach, Zé Godoy e Luiz Gustavo Medina, no Hora de Expediente, no qual sempre preferimos ser diversos e divertidos nas notícias abordadas.  Os três haviam conversado com Roque Júnior, ex-jogador de futebol, com títulos na Europa e campeão do Mundo pelo Brasil, na sexta-feira passada — oportunidade em que ele destacou as diferenças de reações contra o racismo que se tem nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil; e justificou que o campo reflete a sociedade da qual faz parte.

 

 

Ao longo do Jornal da CBN ainda lembrei de entrevista que gravei nessa quarta-feira, com Luana Génot, do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), que vai ao ar no dia 12 de setembro, no programa Mundo Corporativo. Ela e sua organização fazem trabalho de excelência na busca da diversidade e da igualdade racial nas empresas.

 

Sem spoiler — mesmo porque o vídeo da gravação pode ser visto no Facebook e no canal da CBN no You Tube –, Luana constatou que desde o assassinato de George Floyd, em Maio, e as manifestações que se seguiram nos Estados Unidos, aumentou o número de empresários brasileiros em busca de informações do ID_BR para entender como podem se transformar em agentes desta luta contra o racismo, que restringe a entrada de negros no mercado de trabalho e reduz as chances deles ascenderem aos cargos mais altos da hierarquia corporativa.

 

 

Chama atenção que este interesse de empresas e organizações foi impulsionado por atos de violência nos Estados Unidos quando aqui no Brasil a morte de negros alcança números vergonhosos — e todos os dias. O Atlas da Violência, divulgado hoje, mostra que os assassinatos de negros aumentaram 11,5% em dez anos e de não negros caíram 12,9% no mesmo período.

 

Reprodução G1

 

Isso não acontece só com líderes empresarias; nós da mídia também somos culpados por, na maioria das vezes, somente sermos alertados para a gravidade dessa injustiça racial quando o noticiário no exterior fala mais alto —- Luana também aborda essa questão no Mundo Corporativo. 

 

Nesse ciclo de crueldade, em que não se vêem representadas nos diversos espaços da sociedade, muitas crianças negras crescem na descrença de que são capazes de mudar esta história, com dificuldade até mesmo de se reconhecerem como cidadãos e negros. Foi o que me disse um ouvinte da CBN em e-mail que fiz questão de ler na íntegra durante o Jornal e compartilho com você, caro e raro leitor deste blog. 

 

Leia até o fim, pense sobre o assunto, busque outras fontes que se expressam sobre o racismo e leve essa discussão à frente. Se uma palavra sua inspirar uma outra pessoa a seguir na mesma direção, tornaremos essa jornada menos árdua. 

 

Foi o que Vitor Del Rey fez hoje e a ele agradeço pela generosidade da mensagem e pela sinceridade em compartilhar com o público da CBN que, frente ao preconceito e racismo estrutural que vivemos, só se aceitou como negro, aos 27 anos:

 

“Mílton, bom dia!

 

Acredito ser diferente no Brasil, porque, ainda criança, os negros americanos ouvem sobre Luther King, Rosa Parks, Malcoln X e tantos outros. Aqui no Brasil, ainda criança, nós somos condicionados a odiar a nossa cor. Quando cresce, o ideal  é ser moreno, não negro..

 

Eu me aceitei como negro aos 27 anos, mesmo sendo um negro retinto, ou seja, bem escuro. Na verdade, eu sempre soube que era negro, não tinha como não saber: a polícia jogava isso bem na minha cara. A questão é que eu não tinha estímulo nenhum para amar a minha cor. 

 

Daí, conheci a EDUCAFRO, que além de me trazer a possibilidade do ensino superior me entregou algo bem maior: a oportunidade de conhecer a minha história, os heróis reais que nós temos, e a lutar por igualdade.

 

Hoje, sou formado em Ciências Sócias pela FGV, faço mestrado lá. em Administração Pública, trabalho com o ex-ministro da Educação Jose Henrique Paim e tenho um instituto: Instituto GUETTO — Gestão Urbana de Empreendedorismo, Trabalho e Tecnologia Organizada. Sou ponta de lança no combate ao racismo no Brasil e no mundo.

 

Paz!!

 

Vítor Del Rey

Presidente do GUETTO”

Sua Marca: comunicação consistente gera envolvimento do cliente

 

“Marcas que se destacam são aquelas com um trabalho consistente de comunicação” —- Cecília Russo

 

O estudo Marcas Mais, divulgado semana passada, identificou o nível de envolvimento dos consumidores com as empresas. Em sua sexta edição, a pesquisa reforçou o posicionamento de algumas marcas que têm se destacado ano após ano e, em função da pandemia, pela primeira vez usou a mesma metodologia para revelar as melhores ações de responsabilidade social, que contribuíram para tornar a vida das pessoas mais fácil.

 

Elaborado por Jaime Troiano e Cecília Russo, comentaristas da CBN, e encomendado pelo jornal O Estado de São Paulo, foram ouvidas 11 mil pessoas sobre 31 categorias de produtos, alguns incluídos pela primeira vez: segurança patrimonial, pneus e postos de combustível.

 

“As marcas ganham por terem consistência, por uma pressão de comunicação muito bem organizada e ganham por posicionamento muito claro no mercado com os quais consumidores e clientes se identificam”— Jaime Troiano

 

Dois aspectos que foram relevantes para  colocar as empresas no topo do Marcas Mais, na categoria responsabilidade social, foi o fato de já estarem, há mais tempos, através de seus produtos e serviços, realizando trabalhos que os aproximam dos clientes e de terem desenvolvido novas iniciativas com a pandemia, influenciando o bem estar dos consumidores.

 

As cinco marcas que se destacaram nessa categoria foram:

 

  • Nestlé
  • Natura
  • Lojas Americanas
  • Magazine Luiza
  • O Boticário

 

Aos gestores que buscam entender o que leva as marcas a se destacarem, além de analisarem o resultado completo do Marcas Mais, que você encontra no site do jornal O Estado de São Paulo, devem levar em consideração o recado de Cecília Russo, no programa Sua Marca Vai Ser Um Sucess:

 

“Ninguém ganha ranking por sorte: marcas precisam ser cultivadas, bem tratadas e comunicadas”

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. O quadro também está disponível em podcast.

Mundo Corporativo: “vamos contratar talentos e competências e entregar desafios”, diz Carlos Marinelli, do Grupo Fleury

 

O que essa pandemia nos mostrou é que nós já tínhamos várias ferramentas, várias tecnologias, e, talvez, nós não estivéssemos utilizando a sua total potencialidade; e mesmo as pessoas, quão resilientes as pessoas estão sendo durante esta pandemia” 

 

Um dos processos digitais impulsionados pelas restrições impostas pela pandemia foi o da telemedicina; o que antes se resumia a trocas eventuais de mensagens entre médico e paciente, através do WhatsApp, transformou-se em canal de atendimento e consulta. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Carlos Marinelli, presidente do Grupo Fleury, falou de como a empresa, o setor de saúde e seus profissionais tiveram de se adaptar desde que os primeiros casos de Covid-19 chegaram ao Brasil.

 

“Desde o primeiro momento, o foco sempre foi na segurança dos nossos colaboradores porque a gente sabia que, uma vez esses colaboradores estivessem seguros, nós iríamos trazer essa segurança também para os nossos clientes”.

 

Dentro das mudanças realizadas pelo Grupo Fleury, também houve a aplicação do serviço de atendimento móvel com a inclusão de procedimentos, como o de ultrassom e exame de imagens, medida que fez diminuir a necessidade de pacientes terem de se deslocar até as unidades de saúde. De acordo com Carlos Marinelli, foi criada uma área de consultoria às empresas que precisavam desenvolver suas atividades dentro de normas mais rígidas de segurança sanitária. Em 50 dias, aderiram ao programa 300 empresas e cerca de 400 mil pessoas foram atendidas por esses serviços, muitos para a realização de testes de Covid-19. 

 

O executivo destacou, ainda, a participação de seus laboratórios e profissionais em projetos de sequenciamento da mutação do Sars-Cov-2 e de desenvolvimento da vacina de Oxford:

 

“Esse é um momento em que o conhecimento precisa ser constituído, precisa ser elaborado; e quanto mais a gente passar rapidamente o conhecimento que a gente elabora, que a gente constrói, melhor para todo mundo. Essa é uma responsabilidade que também a gente trouxe para a gente”.

 

Um aspecto que tem desafiado os gestores é o de entender o que vai acontecer com as empresas e os negócios após a pandemia. Apesar de apostar na ideia de que as pesquisas com uma ou mais vacinas estarão concluídas até o fim do ano, o que identifica como sendo libertador para o cidadão, Carlos Marinelli alerta que isso não significará que voltaremos a nos comportar como antes da pandemia. Nem devemos. O executivo acredita que diminuirá a necessidade de todos os profissionais estarem todos os dias dentro do escritório, o que restringirá a frequência de deslocamentos e colaborará com a redução da pegada de carbono, com impacto positivo na questão ambiental: 

 

“Já estamos identificando pessoas que não voltarão para a sua principal forma de trabalho. Elas vão trabalhar de casa, elas vão trabalhar remotamente a maior parte do tempo e aquelas pessoas que vão trabalhar parte do tempo no escritório, vão trabalhar muito mais por missão. Essa história de jobs description — ou descrição de função — cada vez vai existir menos. Cada vez mais vamos contratar talentos e competências e entregar desafios”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, no Canal da CBN no You Tube, às quartas-feiras, às 11 horas. O programa vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados; domingo,  às 10 da noite, em horário alternativo; ou a qualquer momento em podcast.

Conte Sua História de São Paulo: minha primeira e única viagem de bonde, para entrar na história

Por Fátima M.R.F. Antunes

Ouvinte da CBN

 

 

No fim dos anos 1960, o prefeito Faria Lima começou a retirar os bondes de circulação. A desativação do bonde Fábrica, que fazia o trajeto Praça João Mendes e Sacomã, no Ipiranga, foi anunciada para janeiro de 1967. O nome Fábrica se referia à indústria que havia no início da linha, Estabelecimento Cerâmico Saccoman-Frèresa, onde trabalharam o vovô João e o tio José. 

 

Desde 1900, os bondes elétricos eram o meio de transporte popular na cidade. Grandes e pesados, correndo sobre trilhos e dependendo de fiação elétrica aérea, destoavam dos ágeis e maleáveis ônibus, que apareceram décadas depois. Naqueles anos 1960, os bondes estavam sendo substituídos por ônibus.  Ao longo da década, as linhas foram sendo suprimidas. A última viagem de um bonde passou pelas avenidas Ibirapuera, Vereador José Diniz e Adolfo Pinheiro até Santo Amaro — em 27 de março de 1968.

 

De nada serviriam os lamentos da população. A hora tinha chegando. E o bonde Fábrica, que rasgava o bairro do Ipiranga pela rua Silva Bueno, seria desativada. Tia Tereza, irmã caçula de minha mãe, assim como outros milhões de paulistanos, estava agitada com a mudança. Afinal, o famoso bonde Fábrica, presença constante nas boas e más ocasiões, sempre estivera ali, companheiro e solidário. 

 

A família de minha mãe morara no Ipiranga. Primeiro na Rua Lima e Silva; depois na das Juntas Provisórias. Tia Tereza tomava o bonde na Silva Bueno para ir às compras no centro e à infinidade de salas de cinema que havia nas avenidas São João e Ipiranga. No Fábrica, ela, mamãe e vovó visitavam os parentes no Pari, com baldeação na Praça João Mendes. No Fábrica, se ia ao médico; até o Sacomã, aos sábados e domingo, para o footing, ou o“vai e vem”: os rapazes ficavam parados nas calçadas, enquanto as moças caminhavam pra lá e pra cá, de olho num pretendente. 

 

Os velhos bondes atravancavam o trânsito. Retirá-los das ruas parecia uma medida drástica, mas diziam que era necessária para a melhoria da circulação urbana.

 

Tia Tereza sempre foi uma entusiasta do progresso e da renovação, mas lá no fundo, sabia que os bondes deixariam saudade. Em janeiro de 1967, ela decidiu:  

 

“Vou levar a Fatima para um paseio no Fábrica antes que ele pare de rodas. Essa menina nunca andou de bonde! Quando for moça, vai poder dizer que andou de bonde em São Paulo.

 

Na Vila das Mercês, zona Sul, onde morávamos, só havia ônibus — eram pintados de amarelo clarinho, com faixas vermelhas na parte inferior.  Tia Tereza planejou com detalhes a aventura. Ajudou-me a escolher um vestido bem bonito. Do portão de casa, na antiga Rua B  — hoje Rua Caloji — nos acenavam a avó Dolores e minha mãe, Rafaela, com meu irmão Vanderlei no colo, enquanto íamos para o ponto.  Junto com a gente, foi a prima Eliana, filha da Tia Tereza, que sequer tinha completado um ano.

 

Descemos do ônibus no Sacomã e logo pegamos o bonde no ponto inicial. Sentei num daqueles bancos compridos, que ficavam nas laterais —- eram de madeira envernizada, duros, que faziam a gente escorregar, quando o freio era acionado. Confesso que achei escuro o interior do bonde, desconfortável. 

 

Antes do bonde deixar a Silva Bueno, descemos, atravessamos a rua e tomamos o ônibus de volta pra casa.  Eu tinha apenas quatro anos e jamais esqueci desse passeio. Mais do que a lembrança do bonde, ficou o carinho de minha tia. Penso que tia Tereza era uma mulher de visão. Ela já sabia, lá em 1967, que 53 anos depois, minha única e última viagem de bonde seria um capítulo do Conte Sua História de São Paulo. 

 

Fatima Martin R. F. Antunes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para o contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça também em podcast.

Sua Marca: oito razões para as marcas existirem

 

 

“As marcas não estão aí à toa e vão continuar existindo por muito tempo”—- Jaime Troiano

Por que as marcas existem? A pergunta pode parecer ingênua, mas poucas vezes paramos para pensar em qual seria a melhor resposta. Tendemos a consumir determinadas marcas e sequer temos noção do que nos leva a este comportamento. Assim como os gestores das empresas e serviços, que costumam lançar marcas nem sempre de forma estruturada e lógica.

 

 

Para responder a pergunta tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo elencaram oito razões para as marcas existirem:

 

Para os consumidores:

1. Reduzem tensão de escolha, em mercados cada vez mais complexos e com uma variedade enorme de produtos e serviços;
2. Ajudam a criar algo que é fonte de conveniência em nossas vidas: são nossos hábitos;
3. Falam de nós, de nossa identidade pessoal.
4. Dão sentido para a compra. Que não é apenas a materialidade do produto mas o que ele significa pra mim.

Para as empresas:

5. Buscar diferenciação frente à concorrência. Já que os produtos e serviços por si só acabam cada vez sendo mais semelhantes;
6. Ser um ativo que agrega valor ao patrimônio das empresas. É um bem a mais que a empresa constrói e aumenta seu valor de mercado;
7. Em muitas empresas, acaba sendo fonte de orgulho motivacional. O crachá que se carrega no peito. Quase um sobrenome a mais;
8. Ser um critério de qualificação do produto. Na medida em que sou dono de uma marca e ela é valiosa, eu tenho obrigação de preservar sua qualificação diante do mercado.

Existem fortes razões para as marcas continuarem existindo e tendo um papel em nossa vida e na das empresas. Portanto, fazer uma bom trabalho de gestão nesta área, conhecida por branding, é fundamental concluem Cecília e Jaime, na conversa com Mílton Jung, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. O programa vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã e pode ser ouvido em podcast.