Avalanche Tricolor: Jean Pyerre tem futebol e sobrenome de craque

 

Grêmio 1×0 Fortaleza
Brasileiro — Centenário, Caxias do Sul/RS

 

Gremio x Fortaleza

O talento de Jean Pyerre em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Recorri ao VAR aqui de casa para entender a dimensão da jogada de Jean Pyerre que nos levou a marcar o único e decisivo gol da partida desse sábado à noite. Como já tínhamos 44 do segundo tempo e apenas mais alguns minutos de acréscimo, no momento em que Pepê desviava a bola para rede eu já não conseguia prestar atenção em mais nada do que acontecia no gramado do Centenário —- sim, tivemos de jogar lá em Caxias do Sul, onde o frio é mais frio e a chuva, mais gelada, porque a Arena está reservada à Copa América.

 

Naquele momento, só me passava pela cabeça o risco de ficarmos mais um jogo sem vitória, mesmo tento atacado muito e mantido a bola sob nosso domínio por muito mais tempo do que o adversário; imaginava o constrangimento de mais uma segunda-feira de trabalho dando explicações dos motivos que nos faziam ocupar o Z4; e, pior ainda, saber que estaríamos alimentando por mais tempo os teóricos da conspiração durante toda a parada para a Copa América.

 

Foi, então, que de repetente vi Jean Pyerre metendo a bola pelo meio da área para encontrar lá do outro lado Pepê, que com um chute cruzado fez o gol da vitória. Demorei para comemorar. Queria ter certeza de que a bola seguiria o seu destino. E a impressão que tive é que ela demorou para se decidir, também: entro ou não entro? Entrou.

 

Na comemoração já tinha ideia da beleza do lance, mas, como disse, a visão estava embasada pela tensão do empate que se realizava em mais uma partida em casa, ou melhor, em que tínhamos o mando de campo. Por isso, antes de começar a escrever esta Avalanche fiz questão de ver e rever o lance na tela do computador. Vi em velocidade normal, revi em câmera lenta, congelei a cena e repeti tudo de novo por mais algumas vezes.

 

Meu VAR ajudou-me a entender como tudo se iniciou e como o futebol nos reserva surpresas. Sabe-se que Jean Pyerre tem talento superior a média, mas muitos o consideram lento de mais nas jogadas. Há os que reclamam da dificuldade dele em desarmar o adversário. E os que entendem que lhe falta fôlego para aguentar o tranco dos jogos mais duros, por isso acaba sendo substituído ao longo do segundo tempo.

 

Eis que já tínhamos um jogo inteiro em disputa, com desgaste de lado a lado, e foi exatamente Jean Pyerre quem apareceu para desarmar a tentativa de ataque do adversário. Interceptou a jogada no meio de campo e olhou para frente em busca de um companheiro. Percebendo o espaço que a marcação lhe oferecia, deu velocidade ao ataque com quatro passadas longas e domínio preciso da bola. Qualquer jogador comum não teria encontrado outra solução senão arriscar o chute.

 

Jean Pyerre está distante de ser um jogador comum. Tem talento, tem elegância e não tem medo de criar. Não bastasse ter sobrenome de craque: é Casagrande. 

 

Com a confiança que lhe é peculiar, o nosso meio-campista enfiou a bola rasteira entre quatro jogadores adversários. Fez a bola cruzar em diagonal e fora do alcance deles. Colocou-a no que no passado chamávamos de “ponto futuro”, onde haveria de aparecer Pepê, que fez a leitura certa da jogada de seu companheiro, correu por trás dos zagueiros, se antecipou a marcação e encontrou força suficiente para marcar o gol.

 

Um golaço que revela quantos talentos — como Jean Pyerre e Pepê — ainda temos sendo forjados para as novas conquistas e para substituir aqueles que por obra do destino se vão embora. E que nos garantiu três pontos importantes para nos dar ânimo para o período de preparação que teremos pela frente, assim que cumprirmos o compromisso desse meio de semana pelo Brasileiro.

Sua Marca: a fórmula do sucesso de marcas centenária

 

 

Têm marcas que passaram de pai para filho com a mesma competência com que se mantiveram no cenário de uma geração para outra de consumidores. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo conversaram com Mílton Jung sobre as marcas centenárias e a fórmula do sucesso:

 

“Relevância é fruto da consistência combinada com a renovação” — Cecília Russo

 

Mate Leão, Coca Cola, Salton e Droga Raia são algumas das marcas lembradas no programa que conseguiram se manter presentes no mercado mesmo diante da sua longevidade —- ou graças a sua longevidade.

 

“São um sucesso, primeiro porque fazem um trabalho consistente; e segundo porque o mundo precisa desses pilares de permanência, dessas referencias históricas” — Jaime Troiano.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.

Quem não ouviu Lupicínio, perdeu a mágica

 

Por Milton Ferretti Jung

Esses moços,pobres moços,
Ah,se soubessem o que eu sei,
Não amavam,
Não passavam aquilo que
Eu já passei…

 

Como de hábito,acordei cedo nesta terça-feira,dia em que já levanto pensando no que escreverei para o blog capitaneado pelo Mílton. Já na primeira edição do Jornal da CBN,fui alertado para um fato que começou a ser comentado desde muito cedo e que de maneira alguma eu não abordaria no texto que o meu filho posta na quinta-feira:neste 16 de setembro,um dos maiores sambistas deste país,o meu patrício Lupicínio Rodrigues estaria fazendo 100 anos. Fiquei muito satisfeito ao ouvir,durante o Jornal,elogiosas referências ao compositor,autor de inúmeras músicas que fizeram grande sucesso em uma época na qual o Lupi teve de concorrer com inúmeros sambistas altamente criativos. Afora o seu vasto repertório de músicas populares,Lupicínio Rodrigues só deixou de lado o samba para assinar o Hino do Grêmio. Reza a sua biografia que Lupe,como era chamado desde pequeno,cultivava três grande paixões:a música,o bar e as mulheres. Será que exagero se acrescentar uma quarta paixão às outras três? Lupicínio não comporia o Hino do Grêmio se não fosse torcedor do Imortal Tricolor. Se ele tivesse criado apenas esta música, eu seria seu fã.

 

Abri o meu texto desta quinta-feira lembrando o início daquele samba que ele chamou de “Esses Moços”,um dos meus preferido dentre o seu vasto repertório. E olhem que é difícil pinçar uma de suas criações no meio de tanta música inspirada. Criei-me em uma época de grandes sambistas e quando virei locutor de rádio,Lupicío Rodrigues,o velho Lupe,já encantava os ouvintes das duas únicas emissoras nas quais trabalhei,fora,é claro,a Voz Alegre das Colina,o serviço de alto-falante que rodava sambas de um compositor que inventou o termo dor-de-cotovelo ou,se fosse sob “a égide” da nova ortografia,sem hífen. Desculpem-me,mas já estou aproveitando ouvir no meu computador, para matar a saudade, os sambas de Lupe. Quem não ouviu Lupicínio,perdeu a mágica.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Apesar de tudo…

 

Por Julio Tannus

 

 

Adoro a cidade de São Paulo. Foi aqui que cresci, me eduquei, me formei, constitui família e hoje desfruto da cidade com todos os seus lugares, praças, shoppings, restaurantes, cinemas, teatros, livrarias, exposições e sua vida incessante. E desfruto também dos amigos, amigas, colegas e vizinhos. Assim que cheguei de Paraty, no fim dos anos 40, fui morar na Rua São Lázaro, travessa da Rua São Caetano, hoje chamada de “Rua das Noivas”, mas até então uma rua movimentadíssima, com todo tipo de comércio, além, é claro, do Cine São Caetano. Minha primeira escola, aos cinco anos de idade, foi o Recanto Infantil Jardim da Luz, do Departamento de Cultura, no Parque da Luz próximo a Estação da Luz.

 

A primeira surpresa: após alguns dias de chegada à cidade, fui com minha mãe e meu irmão caminhando pela Rua São Caetano em direção ao Parque da Luz. Ao chegar na Av.Tiradentes, em frente ao antigo Liceu de Artes e Ofícios, hoje Pinacoteca do Estado, me deparei com o monumento a Ramos de Azevedo (Ramos de Azevedo foi o centro em torno do qual gravitou o renascimento arquitetônico da cidade de São Paulo), hoje transferido para a Cidade Universitária; e exclamei em alto e bom som, nos meus cinco anos de idade: “Olha mamãe, uma mulher de peito de fora!”. Foi uma gargalhada geral. E minha mãe retrucou: “Fica quieto menino!”.

 

 

A primeira raiva: íamos – eu, pai, mãe e irmão – passear no Viaduto do Chá, aos domingos pela manhã. Era o passeio dos paulistanos. Entre os meses de abril e maio, eu e meu irmão temos a mesma idade, pois a diferença entre nós é de apenas 11 meses. E minha mãe nos vestia igualzinho, com o mesmo terno de calça curta e gravata. Então as pessoas passavam por nós e sempre ouvíamos comentários do tipo “que gracinha”, “são lindinhos”. Até que alguém nos perguntava “são gêmeos?”. E respondíamos categoricamente “não somos gêmeos”. E logo vinha outra pergunta “que idade você tem?”, eu respondia “cinco anos”. E você, dirigindo-se ao meu irmão “quantos anos você tem?”. “Cinco anos”. E aí vinha a resposta terrível “Ah! mentirosos hein?” Ficávamos possessos de raiva.

 

 

O primeiro choque: aos domingos íamos ao Cine São Caetano assistir à sessão da tarde. Até que, em um domingo de muita chuva, meu pai decidiu ficar em casa e não nos levar. Ficamos frustrados por pouco tempo, pois nos demos conta que ambos, pai e mãe, estavam compenetrados em suas leituras. Sorrateiramente, descemos as escadas e logo estávamos caminhando apressadamente em direção ao cinema. Ao chegar, o porteiro indagou o que queríamos. Respondemos: “viemos encontrar nossos pais que estão no cinema”. De imediato propiciou nossa entrada. Após algum tempo de fascínio pelo que se passava na tela, fui surpreendido e sobressaltado por uma mão forte que repentinamente me levantou da cadeira. Era meu pai, com uma expressão de angústia e raiva. Fomos levados de imediato para casa, com uma promessa de castigo por causar tanto desespero aos pais.

 

O primeiro time: flamenguista por herança de pai e de tanto ouvir “uma vez Flamengo, Flamengo até morrer” me sentia desajustado diante de tantos palmeirenses, são-paulinos, santistas, e assim por diante. Até que na celebração do IV Centenário da cidade, no dia 6 de fevereiro de 1955, o Corinthians se tornou campeão e meu time paulista do coração.

 

 

E, de 9 a 11 de julho de 1954, com a imensa participação de toda a população, que invadiram as ruas de nossa cidade, ocorreram festas maravilhosas. Entre elas me recordo nitidamente da Chuva de Prata, que Randal Juliano, pela Rádio Record, dizia: “O sentimento do paulista faz com que a cidade se locomova até o viaduto do chá. E aqui a multidão ergue os olhos para o céu, de onde caem lâminas metalizadas… Lâminas coloridas metalizadas sobre o viaduto do chá. Iluminadas por holofotes do exército, com o esplendor e luminosidade bonita. Traduzindo a alegria do povo paulista neste nove de julho, que comemorava uma derrota… Talvez tenha sido o único povo a comemorar uma derrota.” E recordo aqui o Hino do IV Centenário:

 

São Paulo, terra amada
Cidade imensa
De grandezas mil!
És tu, terra dourada,
Progresso e glória
Do meu Brasil!
Ó terra bandeirante
De quem se orgulha nossa nação,
Deste Brasil gigante
Tu és a alma e o coração!
Salve o grito do Ipiranga
Que a história consagrou
Foi em ti, ó meu São Paulo,
Que o Brasil se libertou!
O teu quarto centenário
Festejamos com amor!
Teu trabalho fecundo
Mostra ao mundo inteiro
O teu valor!
Ó linda terra de Anchieta,
Do bandeirante destemido.
Um mundo de arte e de grandeza
Em ti tem sido construído!
Tens tu as noites adornadas
Pela garoa em denso véu,
Sobre seus edifícios
Que mais parece chegarem aos céus!

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e Co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Corinthians: 100 derrotas implacáveis

 

Nesta onda de homenagens ao Corinthians, não poderia faltar uma “flauta centenária”, tarefa que ficou a cargo de Sebastião Corrêa Porto que relacionou em livro as 100 derrotas implacáveis. Ano após ano, listou momentos de extrema alegria da torcida adversária. Goleadas inesquecíveis como o 7 x 3 da Portuguesa em 1951 até jogos vencidos por placares magros, mas não menos importantes, como o 1 x 0 do XV de Jau, em 1978.

Provavelmente faltarão jogos que você gostaria de ver citados em “Prazer, adversário! Corinthians 100 anos: 100 derrotas implacáveis” (Editora Porto de Ideias), mas o livro está aí para provocar estas boas lembranças. Afinal, vencer um time com a importância e dimensão do Corinthians é sempre muito bom, parafraseando locutor de TV famoso.

Ouça a entrevista com Sebastião Correa Porto, ao CBN SP

Do meu glorioso Grêmio, Sebastião registrou a vitória por 3 x 0 em 2003, no estádio Olímpico. Creio que fez de propósito pois matou dois coelhos com uma cajadada só. Falou mal do Corinthians e ainda lembrou ter sido aquele o ano da derrocada do Tricolor, quando despencamos para a segunda divisão.

Como discordo do jogo escolhido, deixo registrado aqui, texto que o autor dedicou aos confrontos entre os dois mosqueteiros, no capítulo de apresentação do livro:

O que dizer do Corinthians contra o Grêmio ? Até mesmo contra este time gaúcho, que se acha e se sente argentino, o Corinthians leva pau – e dos grandes. É impressionante o serviismo do Corinthians às cores e ao sotaque argentinos. Se não bastassem aqueles episódios vergonhosos do “rei Teves”, do contrato do Passarella, ainda existe uma chuva de goleadas sofridas para este time argentino que entre nós se esconde. Se ainda não se convenceram, lembrem-se do jogo que derrubou o time para a segunda divisão