Foto-ouvinte 1: Arte no tapume

 

Os tapumes falam nas ruas de São Paulo. Alguns parecem gritar em desespero. Outros debocham da nossa cara. A maioria nos ajuda a entender que o espaço aberto para a arte dos grafiteiro, os torna peças admiráveis em vez de meros muros improvisados com data de validade. O ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias, bom de olho, preparou uma “exposição” para o Blog do Mílton Jung com as imagens que registrou na região central de São Paulo.

A mostra de arte no tapume da obra é aberta, assim se você quiser compartilhar com a gente suas imagens sobre o tema envie para milton@cbn.com.br.

Foto-ouvinte: O Centro respira arte

 

Um centro vivo, tomado pelas cores do espetáculo “Os Estrangeiros” e pela criatividade dos brasileiros Os Gêmeos e dos franceses do Plasticiens Volans. Estas imagens, feitas nos dias 13 e 14 de novembro, no Vale do Anhangabau, em São Paulo, animaram os ouvintes-internautas Marcos Paulo Dias e Luis Fernando Gallo. Satisfeitos e acreditando em um dia ver o coração paulistano renovado, compartilham com os leitores do Blog do Mílton Jung alguns dos momentos que gostariam fossem permanentes.

Conte Sua História de São Paulo: Virou gente grande

 

Por Teresa Botton
Ouvinte-internauta

 

 

Nasci e fui criada em S. Paulo Eu me sinto muito paulistana, e gosto disto. Lembro-me que quando criança, meu avô me levava até a praça da República para ver os patos. Naquela época, a praça era linda, limpa, cheia de árvores, gostosa, as pessoas bem arrumadas passeavam por lá, e os fotógrafos lambe-lambe tiravam fotos.

 

Eram passeios muito gostosos, lembranças agradáveis.

 

As casas de chá, o Fasano, na Barão de Itapetininga. Não me esqueço que uma vez uma prima fez o aniversário lá. Cada coisa mais gostosa que a outra.

 

E a Dulca ? Meus irmãos e eu adorávamos o “merengue” e o “cisne”. Além do que, nos aniversários o bolo era o mil folhas, todo coberto de açúcar de confeiteiro e quando o aniversariante assoprava a velinha, quem estivesse na frente tomava um banho de açúcar e ficava todo branco.

 

Tinha também o Mappin e a Clipper. A gente tirava o dia para fazer compras e ia para o salão de chá comer um misto quente e tomar um sundae ! Que glória!!

 

Sempre gostei de andar no centro.

 

Quando criança, ia ao dentista toda semana, na rua Quirino de Andrade. Eu adorava fazer o percurso a pé desde a Praça da República até lá. O movimento do centro, as lojas, tudo isto sempre me atraia. Gostava de entrar nas livrarias e ficar olhando os livros. Quando na faculdade tínhamos de comprar livros em espanhol, tipo obras completas do Freud, íamos a um importador na rua São Bento, que os vendia num bom preço e em três vezes. Ter que ir ao centro era uma excursão muito prazeirosa tanto para mim quanto para minhas amigas!

 

A gente sentia que estava fazendo turismo, e ia olhando tudo nas ruas: as pessoas, o movimento, as lojas, a paisagem, e, principalmente, a arquitetura. Ah, a arquitetura é o que mais me atraia!

 

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Buracos da Cidade: O Retorno

 

O lixo tomou conta do noticiário nas última semanas, e se você visitar nosso álbum de fotos no Flickr verá que o problema ainda não acabou. É enorme a quantidade de material encontrado espalhado nas calçadas. Postei, neste domingo, a quantidade de sujeira na Praça Júlio de Mesquisa, onde fica a Fonte Monumental. Porém, nesta segunda-feira, retornamos com a campanha “Buracos da Cidade “

Começo com a colaboração do Luiz Magno da Silva, do site Reação Ambiental, no qual registra a degradação da rua Saverio Valente no bairro do Jaraguá. Pedestres e motoristas se espremem para passar no local e não cair no buraco que está consumindo com a via.

Buraco do Jaraguá

Este outro é colaboração do pessoal da casa. O buraco estampado na foto fica na rua Marquês de Itú, próximo da Santa Casa, e foi registrado pelo comentarista esportivo da CBN Paulo Passos. Diz que ainda é buraco novo, foi aberto terça passada.

Buraco do Marquês

Foto-ouvinte: Montanha do Lixo

 

Montanha de Lixo

O lixo acumulado na calçada foi fotografado pelo ouvinte-internauta Douglas Brito, na rua Sete de Abril, no centro de São Paulo, no dia 11 de setembro, sexta-feira. Ele registrou e enviou pelo próprio celular. A imagem já foi enviada para o concurso “Revele o Lixo”, promovido pela ONG Educa SP que reunirá as imagens para uma exposição no mês que vem na Praça da Sé.

Paseo del Buen Pastor ou como revitalizar o centro

Por Fernando Gallo 

Se o amigo leitor um dia decidir visitar a aprazível cidade de Córdoba, na Argentina, recomendo veementemente que, além de provar os deliciosos sorvetes locais, vá a um lugar chamado Paseo del Buen Pastor.

Desde 4 de agosto de 2007 o Buen Pastor é um complexo comercial, cultural e recreativo na região central da cidade, uma espécie de bulevar, com restaurantes, sorveterias, lojas, espaços para exposições, palestras, mostras, e também uma bela fonte, que à noite, de hora em hora, dança, num espetáculo de som, luz e cor. É bastante freqüentado durante o dia, mas principalmente à noite, sobretudo pelos jovens do bairro universitário de Nueva Córdoba, que depois das aulas vão até ali para conversar, tocar violão, dar risadas e aproveitar a agradável atmosfera do lugar.

Dois anos atrás, no entanto, eu não sugeriria que alguém fosse conhecê-lo. À época o nome do lugar era o mesmo, mas sua função social muito diferente: Paseo del Buen Pastor era o presídio feminino da cidade, com seus muros altos, suas grades, sua iluminação escassa e aquele ar carregado que costuma circundar os presídios. Durante a ditadura militar (1976-83), a prisão guardava presas políticas, que sofriam violentas torturas e privações. Nove delas sumiram misteriosamente e nunca mais apareceram.

É possível que quem passasse por ali antes da demolição do presídio sentisse algum medo e um certo frio correr-lhe a espinha, porque desses lugares que não acolhiam boas energias.

Pois então veio a transformação, numa brilhante aula de urbanismo.

Em 4 de abril de 2007, cerca de 20 milhões de pesos depois – aproximadamente 10 milhões de reais à época -, (e se falamos em “cerca de” é porque na Argentina, como aqui, às vezes falta um milhãozinho aqui, outro ali…) enfim, 20 milhões de pesos depois era inaugurado o moderno complexo arquitetônico-urbanístico que hoje está lá.

A agradável área motivou os cordobeses a reocuparem o local, fosse para ir às compras, às freqüentes exposições e outras atividades culturais, fosse para tomar um sorvete ou apenas para sentar nos bancos e ver a noite cair ou o dia passar. A região valorizou-se, o que animou empresários a abrir por ali lojas, cafés, restaurantes e afins. Numa espécie de efeito dominó, quase todo o entorno do Paseo del Buen Pastor foi revitalizado pela iniciativa privada.

A umas 10 quadras dali, ainda no centro, também é possível encontrar, às 11 da noite de uma terça-feira qualquer, dois calçadões movimentados, com alguns poucos bares, artesãos-vendedores (que são cadastrados pela prefeitura para poderem estar ali), aspirantes a astrônomos que observam a Lua por meio de uma luneta, e pessoas que andam despreocupadas apesar do adiantado da hora porque as ruas são bem iluminadas, limpas e porque há policiais circulando por ali.

Em 28 de abril último li no Estadão que a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) contratou o ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná, Jaime Lerner, arquiteto renomado e consultor da ONU para assuntos de urbanismo, para que fizesse um projeto de revitalização da Nova Luz (Nova Luz se o amigo leitor preferir o eufemismo; Cracolândia se optar pela dura realidade).

De acordo com o repórter Bruno Paes Manso, estão entre as propostas de Lerner uma torre de 200 metros e 80 andares, um bulevar na Avenida Rio Branco com edifícios altos e 16 quadras com prédios de uso misto e altura máxima de 8 pavimentos.

Vejo a idéia com otimismo e ceticismo. No primeiro caso porque exemplos como o do Paseo del Buen Pastor nos mostram que toda uma região pode ser revitalizada a partir de um único complexo. No segundo, por vários motivos, a saber: porque creio ser um dos trunfos do bulevar cordobês a estrutura aconchegante e convidativa do complexo, que no seu ponto máximo deve ter uns 10, 12 metros; porque desde há muuuuito tempo ouço falar em “revitalização do centro de São Paulo” e “revitalização da ‘Nova Luz’” e nada vi de concreto acontecer; porque tenho dúvidas da capacidade da prefeitura manter a região limpa e segura; porque pairam dúvidas sobre a lisura das intenções da AIB desde o recente escândalo das doações irregulares a mais da metade dos vereadores de São Paulo.

Certa vez, não faz muito, conversando com Álvaro Aoás, simpático dono do Bar Brahma, perguntei quantas vezes ele ouvira falar em “revitalização do centro”, e se ele, por bem relacionado, nunca conversara sobre isso com quem de direito. Ao que ele me respondeu que vira e mexe eles aparecem lá no bar, dizem muitas coisas… mas nada acontece.

– O segredo – disse ele – é água, sabão e segurança. Nada mais. Se você fizer isso, os empresários vêm. E o resto das pessoas vêm também.

Água, sabão e segurança. E iluminação, acrescentei eu, ao que o Álvaro concordou.

Funciona. Principalmente se o poder público fizer a sua parte.

O Paseo del Buen Pastor é um excelente exemplo disso.

Fernando Gallo é jornalista da CBN e escreve no Blog Miradouro

Roupas ao vento, vida no centro

Por Devanir Amâncio (texto e imagem)

Roupas ao vento

“Sexta-feira, dezessete de abril de 2009, 13hs. Centro de São Paulo. Sem-teto secam roupas em tubo de ventilação no Largo São Francisco, após lavá-las na Praça da Sé. Para alguns, o local é popularmente chamado de ‘ fantasmão’. Em vinte minutos as peças estão prontas para serem vestidas. Num momento de distração,um dos sem-teto teve a sua calça levada pelo vento, impressionando dezenas de curiosos. Desesperado,o homem que dizia ser morador de rua temporário, conseguiu recuperá-la minutos depois, nas arcadas da Faculdade de Direito. Era a única que tinha”.Devanir Amâncio dirige a ONG Educa São Paulo