A violência na nossa “Chicago” do Sul

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Zero Hora adora fazer manchetes parrudas. A de hoje fala sobre a nossa Porto Alegre e a maldição que caiu sobre ela. Ei-la:

 

“TAXA DE HOMICÍDIOS DISPARA NA CAPITAL”

 

O levantamento do jornal gaúcho dá conta de que o número de assassinatos por 100 mil habitantes,em Porto Alegre,cresceu 23,2% entre 2013 e 2014.O índice saltou de 33 para 40,6 assassinatos. Assim, a “Chicago”,apelido que resolvi dar para Porto Alegre em razão da semelhança existente quando essa cidade americana precisou lidar com a máfia, registrou o terceiro maior crescimento entre as capitais,cuja média ficou estagnada no período.

 

Porto Alegre está entre as capitais mais violentas do Brasil,vergonha das vergonhas

 

Os dados são do ano passado e podem ficar piores,pois neste ano, tivemos paralisações de funcionários públicos estaduais,acompanhadas pela Brigada Militar. Teoricamente,os PMs deveriam trabalhar. Isso deu chance maior aos bandidos, que se sentiram livres para matar e roubar à vontade.

 

Além disso,quem tem um carro, corre o risco de ser assaltado em um semáforo,ao se distrair e permanecer no veículo ou deixá-lo estacionado em algum lugar no qual ninguém imagina que será furtado ou roubado e levado para um dos múltiplos desmanches que existem nesta cidade.Somos recordistas neste tipo de roubo.

 

Penso que os bancos,se é que não são recordistas em ter os caixas eletrônicos explodidos ou arrombados de outras maneiras,estão pertos disso. Ainda nessa madrugada, O GATE – Grupo de Ações Táticas da Brigada Militar teve de ser acionado para retirardinamite da agência do Banrisul, em São Sebastião do Caí. Roubos semelhantes ocorrem com frequência em cidades do interior do Rio Grande do Sul,onde o policiamento é feito por pouquíssimos brigadianos.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Porto Alegre entregue à violência me faz lembrar Chicago

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Porto Alegre já foi uma cidade relativamente tranquila. Não creio que tenha exagerado quando, num despretensioso texto para minha página no Facebook,a comparei com a velha Chicago que,se não me engano,era uma espécie de sede da máfia dos Estados Unidos e não somente nos filmes que nos acostumamos a ver essa famosa cidade. Ela não era fictícia,mas bem verdadeira. Já a cidade na qual moramos,especialmente nos últimos dias,sofreu uma transformação. Os bandidos locais estão ficando cada vez mais agressivos. A briga pelos pontos de venda do produto em que mergulharam com a cara e a coragem – os tóxicos de todos os tipos – torna-se muito mais violenta a cada dia que passa. O pior é que este recrudescimento não fica apenas nas vilas. Surge em um momento desastroso para a população: os funcionários públicos do governo gaúcho estão em greve. Encontram-se entre eles os que são responsáveis pela proteção do povo: os da Brigada Militar e Polícia Civil. A paralisação é mais do que justa. Os descontos nos salários,porém,não são. Mesmo os professores que não comparecem às escolas em que trabalham é pernicioso, com certeza,tanto para alunos e seus pais,mas não diz respeito à segurança,quem é que não sabe.

 

Quem acompanha a cobertura da mídia não desconhece o resultado trágico,inclusive,da perseguição empreendida pela Brigada Militar, na sexta-feira, que se estendeu por várias ruas e,uma bala perdida – quase sempre existe uma – atingiu um padeiro da Avenida Getúlio Vargas, no bairro Menino Deus, onde, aliás, vivi por muitos anos e meus filhos cresceram, sendo que um deles, o Christian, ainda mora lá. O padeiro, que morreu nesta terça-feira, levava para passear a cachorra da casa,antes que a sua família ocupasse os carros que os levaria ao litoral para aproveitar o feriado.

 

Com a manchete “Crimes e boatos elevam a sensação de insegurança ”a notícia da Zero Hora estampa a fotografia que acompanha o texto. Nessa,mostra o resultado da bomba explodida em Canoas,aliado a falsos alertas espalhados pelo WhatsApp. Até isso serve como uma espécie de arma para espalhar o terror por Porto Alegre e cidades vizinhas. “Assaltos ousados,arrastões,perseguições e arrombamentos,em apenas um dia em cinco agências bancárias pioraram ainda mais a sensação de insegurança como reflexo da paralisação da polícia no Estado.Essa parte do texto pertence ao atilado repórter policial Humberto Trezzi.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)