Conte Sua História de São Paulo: cheguei com a cidada pronta para comemorar o Ano-Novo

Sonia Regina dos Santos

Ouvinte da CBN

Em 31 de Dezembro de 1967. Com 18 anos, alguns trocados e uma carteira de trabalho novinha, saí de Minas para morar em São Paulo. Da Rodoviária da Luz fui direto ao apartamento de um grande amigo, na Rua 24 de Maio, coração da cidade. Ao chegar, a melhor das surpresas: abastecida e decorada, a sala estava pronta para receber um novo ano, dentro de poucas horas, e, também, a me desejar boas-vindas.

Não se fizeram esperar os primeiros convidados; e antes de anoitecer, de longe se ouvia o genuíno sotaque paulistano dos rapazes elegantes e barulhentos. Bem mais tarde, as moças e, com elas, o tom da alegria, o brilho e a magia das noites de festa. 

De madrugada, descemos animados para ver a Avenida São João. Os bares e restaurantes lotados prolongariam ao máximo as comemorações do Réveillon. As luzes, a multidão em festa, uma energia quase a trepidar. Imersa numa espécie de doce euforia, a cada passo, mais e mais eu me distanciava de mim mesma e da minha pequena cidade.

Tantos anos se passaram e ainda me emociono em meio à multidão. Não é fácil, dela ser parte. Dá trabalho ser independente, ter liberdade. Nunca me curei da minha mineira cacofonia, mas São Paulo me aceitou mesmo assim, desde aquele Ano Novo. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Sonia Regina dos Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Você pode ouvir este e outros capítulos aqui no blog ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo:

Conte Sua História de São Paulo: o Natal em que nasci

Antonio Dionísio

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

Sou paulista e paulistano. Nasci na noite de Natal, no bairro da Consolação. Eram 25 de dezembro de 1963. Sou filho de migrantes pernambucanos. Meu pai, Antonino Dionísio Marques, de Vitória de Santo Antão, terra da Pitu, uma das mais conhecidas cachaças do Brasil. Minha mãe, Maria do Carmo. Natural de Correntes, na época distrito de Garanhuns.

Papai era era alfaiate e foi para São Paulo, em 1957, após trabalhar com Seu Bruno Perrelli, no Recife. Na capital paulistana, acompanhou a agitação política no fim dos anos de 1950 e início de 1960. 

Ele assistiu à partida inaugural do Estádio do Morumbi. Além do fato de ter acompanhado a construção do estádio, decidiu ver o jogo de estreia porque era torcedor ferrenho do rubro-negro Sport Recife. Não que seu time estivesse em campo, mas o anfitrião São Paulo receberia o Sporting de Lisboa, jogo que a equipe da casa venceu por 1 a 0, com gol de Peixinho.  Foi o que bastou para que Seu Antonino se transformasse em torcedor do tricolor paulista. Falava com entusiasmo de tudo que presenciou naquele dia.

Após os eventos de 31 de março de 1964 e se sentindo inseguro, enviou  para o Recife, sua esposa, minha mãe, e eu, no fim de abril. Ele e o irmão, João Dionísio, deixaram São Paulo, no mês de Sant’Ana, como o nordestino chama o mês de junho. 

Religiosamente, meu pai retornava à capital paulista para rever os amigos. Por várias vezes, eu o acompanhei. Ficávamos na casa de um cunhado dele que também era migrante e morava na rua Cuiabá, número 96, bairro da Mooca. Chegávamos a ficar até 20 dias.

Ao me formar no ensino superior, fiz um estágio, para aprimorar os conhecimentos em voleibol, no Esporte Clube Banespa e morei um tempo no bairro de Santo Amaro, na zona Sul. Quando a grana permitia, visitava o centro da cida e almoçava pastel com caldo de cana, no Mercado Público. 

Hoje, viajo menos a São Paulo, devido os afazeres. Vou eventualmente, a cada dois, três anos. Sempre que vou me emociono andando a pé pelo centro. Assim admiro melhor suas ruas, monumentos, parques, museus, exposições e tudo de bom que essa megalópole oferece.

Por restrições financeiras, faz uns seis anos que não saboreio aquele caldo de cana acompanhado de pastel, uma parada obrigatória sempre que assistia a um jogo da Taça São Paulo de Futebol Junior.

Por uma dessas coincidências que o destino nos apronta, meu pai morreu na manhã de um 25 de dezembro, quando eu estava completando 43 anos. Preparava um churrasco para comemorar meu aniversário e havia convidado seus parentes de Vitória de Santo Antão e os da minha mãe, da cidade de Correntes. A presença deles naquela data, ao menos serviu para que todos pudessem prestar uma homenagem ao Seu Antonino que, assim, como eu, adorava a cidade de São Paulo.

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Antonio Dionísio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: a rosa na escadaria da Sé

Márcia Dainez

Ouvinte da CBN

Vista da Praça da Sé a partir dos altos da Catedram, foto: Mílton Jung

Minha história em São Paulo começou em 1986, no bairro do Ipiranga, na visita a casa de umas tias que moravam na rua Bom Pastor. Até então, via São Paulo  pela televisão. Era algo distante de minha realidade, nascida e criada no interior. 

Foi naquele ano que surgiu a oportunidade de ir para a capital paulista. Na época, não tínhamos telefone. Era ainda por carta que avisamos de nossa viagem. Desembarcando na rodoviária do Tietê foi um desespero ver tanta gente apressada em chegar ao destino; e o tempo todo alguém dizendo: tenha cuidado, a cidade grande é perigosa! Pegar o metrô foi outra novela, tudo muito novo e arriscado.

Com parada na Sé, aproveitamos para conhecer a Igreja Matriz. logo na escadaria, um jovenzinho me ofereceu uma rosa, gesto que achei muito gentil,  afinal ele não me conhecia. Aceitei de imediato tal carinho. Até que o jovem deu o valor — não lembro quanto, mas era alto.  Devolvi a rosa!

Fomos ao metrô novamente e chegamos ao destino. Uma casa com algumas divisões em que cada pedacinho fora aproveitado. O pedreiro de um bairro distante pernoitava num cômodo nos fundos durante a semana e prestava serviços à minha tia já idosa como forma de pagamento. 

Ao lado, uma jovem equipou um outro espaço com potes e vasilhas pois estava sem emprego e montou ali a sua cozinha e o ponto de venda de bolos. Do outro lado, uma cabeleireira fez o seu salão. Tudo alugado. 

As tias falaram de uma peça com Ary Toledo, logo mais à noite. De repente me senti gente e conheci um teatro! No retorno pra casa vi que a cidade de São Paulo não parava mesmo e funcionava a noite toda. No dia seguinte, fomos conhecer o Museu do Ipiranga,  viver a história só lida nos livros da escola. Inesquecível!

As lojas todas com atendimento diferenciado. E, claro, trouxe um tecido lindo, do qual fiz uma camisa. Me orgulhava em vesti-la e dizer aos amigos: trouxe de São Paulo! 

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Márcia Dainez  é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: memórias da cidade que vivi e cresci

Por Ana Paterno

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

O meu amor por São Paulo começou em abril de 1971 quando, com oito anos, desembarquei na cidade, vinda de uma pequena aldeia da região do Douro, em Portugal. Aquele dia ficou gravado na memória como uma fotografia em preto e branco.

Vivi 30 anos na São Paulo da garoa, das chácaras cheias de árvores, que ocupavam enormes quarteirões em ruas com filas de sobrados e casas.

Vivi na São Paulo na qual se brincava sem medo com os amigos, na rua, de queimada, de esconde-esconde, de amarelinha, de tantos outros jogos. Num tempo em que havia bailes de garagem, matinê nos clubes Espéria e Tietê, carnaval com banho de seringa nas ruas. E, também, as quermesses.

Vivi a São Paulo dos ônibus elétricos nos quais íamos à escola e às compras no centro da cidade.

Vivi em uma São Paulo que era segura e na qual os vizinhos se conheciam e sentavam-se ao portão para conversar no fim do dia.

Tenho na memória a beleza das flores dos ipês amarelos, a cor do céu ao entardecer, o cheiro da terra molhada.

Cresci em uma cidade que também vi crescer. Com as construções de prédios, de shoppings, em número de habitantes, em ruas, em progresso. Em violência e problemas de infraestrutura, também.

Cresci como pessoa e como profissional. Formei-me em psicologia. Trabalhei na TV Cultura, um lugar onde já havia inclusão, igualdade e diversidade, num tempo em que mais do que falar sobre cada um, respeitava-se cada um. Lá conheci pessoas incríveis, cheias de histórias interessantes.

Em São Paulo, tenho família, tenho os meus amigos, os melhores, e para a vida toda. Pessoas que amarei para sempre. Continuarei a amar a minha cidade e todos os lugares que dela conheci. A cidade que ficará para sempre no meu coração.

Hoje, vivo no Porto, em Portugal, e amo a minha terra, mas sou feliz por ter essas memórias de uma cidade que foi e continua a ser um dos lugares mais importantes da minha vida.

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Ana Paterno é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: descobrindo as flores do asfalto

Por Valéria Dantas Machado do Nascimento

Ouvinte da CBN

Photo by Manoel Junior on Pexels.com

Quando penso em São Paulo, afirmo: logo eu existo.

Nasci e cresci aqui, então me sinto parte deste todo, deste mundão.

Hoje quase cinquentona, tenho muitas histórias pra contar.

Na infância, a Praça da Árvore foi meu berço, lá nasci, mas aos dois anos de idade fui para Vila Gumercindo.

De mãos dadas éramos quatro — papai, mamãe, maninho e eu — e hoje somos mais: irmãos, cunhada, sobrinho e afilhada. O ritmo é este: crescer, conhecer, surpreender-se com esta São Paulo.

Passeios com mãos dadas, os primeiros passos, a natureza no asfalto. Mamãe de Salvador e papai do interior de Jaboticabal,  já aqui afeiçoados, nos ensinavam que havia sim flor neste asfalto. Seja no Zoo, no Ibirapuera, no Horto ou na Cantareira, e até no ponto zero, na Praça da Sé, onde alimentar pombos era prazer de casa aos domingos.

Aqui vemos de tudo, e tudo com potência máxima. Do caos, ao crime, a paz, a evolução. Sim, São Paulo tem e é a pura satisfação. E quem aqui não nasce se torna cidadão de coração. Como destino ou de passagem, quem passa por São Paulo, leva consigo esperança, agito e o acreditar!

De manhã em oração quem me acompanha são as maritacas, os beija-flores que se reúnem em cima dos fios e dos postes de eletricidade. Totalmente adaptados à cidade grande. Vão e vem sem casa fixa, transformam seus ninhos em momentos de paz neste caos.

E é no Museu do Ipiranga que acontece a magia, a conexão com a natureza! No jardim frontal onde as palmeiras se transformam nas primeiras horas do dia, em pés de pássaros. Os jardins enchem nossos olhos e nos dão a impressão de simetria nem sempre percebida por pessoas que na pressão cumprem suas metas sem se dar conta da vida ao redor.

Na pista de cooper as folhas, os galhos, os diversos cantos e os passos de corredores anônimos marcam o início de mais um dia. 

No “story” registro o momento em que carros param, buzinas cessam e me conecto com a natureza em meio ao agito. Por instantes, a pressão se torna calmaria, o tempo não marca as horas, o agito se acalma dentro de nós.

Ao voltar para casa, meus pés pisam no asfalto da avenida, um carro freia, o pedestre reclama e o ciclista diante de tudo isso continua seu trajeto. Mas algo dentro de mim mudou, renovou e percebo que ao voltar não integralmente mais a mesma dentro de mim ainda me conecto aos minutos vividos  e sei que tudo já deu certo!

Nas estações que se mesclam e não seguem o calendário, já aprendi que reclamar do tempo é como se queixar da previsão não assertiva dos meteorologistas. Então, é assim viver aqui, rezar para ir e voltar, agradecer e acreditar que amanhã será ainda mais bonito do que hoje. E de geração para geração, a CBN faz parte do meu dia a dia.

Viva a vida em São Paulo. Viva a flor no asfalto.

Valéria Dantas, filha da Dona Selene, nossa ouvinte querida, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: uma manifestação de amor que começou em 2013

Por Carlos Eduardo Pinto Vergueiro Filho

Ouvinte da CBN

Jovens concentrados com bandeiras, faixas e gritos de guerra em frente ao Teatro Municipal, o mesmo marco histórico da Semana de 22 e a mesma juventude que dois anos depois pararia o Brasil. Mas não é de passe livre, Black Blocks e 20 centavos esta história. É sobre amor. 

Foi na passeata que subiu a Consolação, virou na avenida Paulista e terminou no Paraíso que dois jovens se encontraram. Foi em um bar de esquina com a 13 de Maio que se apaixonaram. 

Foi na Vila Madalena que namoraram. Foi no Jaguaré que se casaram. Foi na Cupecê que tiveram um filho. 

E é saindo da estação Vila Sônia do metrô que conto essa história que funde amor entre duas pessoas com as ruas, bares e o subterrâneo da cidade das tensões, São Paulo do nosso coração!

Parabéns terra da garoa, das multidões, das manifestações e da multiculturalidade. Que a sua história seja lembrada também pelos amores que fez nascer, tal como o nosso que completa 12 anos.

Carlos Eduardo Pinto Vergueiro Filho e Kraly de Castella Camolez Machado são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: minhas frutas da cidade

Por Paulo Valadares

Ouvinte da CBN

Foto de Engin Akyurt

Frequentei São Paulo desde os anos 1970. Bati pernas pelo Centrão. Corri a São Silvestres quando ainda era noturna. Os espectadores nos davam champanhe durante a virada do ano. Mesmo correndo. 

A minha São Paulo verde não tem bosques frescos; mas campos de futebol com grama natural e algumas frutas.

Explico: eu saía enfadado do escritório no fim do expediente. Descia do Paraíso e seguia até o Largo do Paissandu para comer frutas. 

Passava por jovens esperançosos que iam para o curso noturno. Pais que retornavam angustiosos para as periferias. Era o momento que a grande jiboia trocava de casca. Saia a população oficial, entravam mercadores de amores remunerados e outros marginais. 

Ao chegar ao carrinho de frutas postado, pedia uma fatia de melancia e outra de abacaxi. Despesa que cabia no bolso. Nunca perguntei de onde elas vinham, assim, como não perguntavam minha procedência. 

Para mim elas serão sempre frutas de São Paulo.

Paulo Valadares é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Daniel Mesquita. Seja você também personagem da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: minha transição de vida na correria da cidade

Takeo Genda

Ouvinte da CBN

Photo by DANIEL QUEIROZ on Pexels.com

São Paulo é mesmo uma correria.

Nasci no bairro do Imirim no corpo de menina e ainda pequenina, nada entendia. E morria de medo do bicho papão, do bêbado e do homem do saco que pegava as criancinhas.

Cresci um tiquinho e corria com os meninos da rua atrás da bola, da pipa e da minha mãe que queria que eu fosse menina.

No Imirim, entrei na escola e, no pré-primário, corria pra lá e pra cá no recreio; no ginásio, corria dos meninos e no colegial, corria atrás das meninas e, então, fui expulso porque era diferente. E corri de novo da minha mãe que não entendia que eu não era uma menina.

Comecei a trabalhar e logo a fumar. Minha mãe então me pôs pra correr. Fui morar com meu pai, mas não foi nada agradável esse reencontro, pois há anos ele não via sua filha que agora era um filho e tive que correr de lá.

Foi então que decidi correr atrás da minha vida que ficou muito corrida, pois tive que correr atrás de vários trabalhos, dos ônibus, a pé, de vários preconceituosos, das policias nas ruas, de moradias, de direitos, de namoradas ciumentas… Corri pro Lauzane Paulista, pro Ipiranga, pra Santa Cecília e Vila Buarque.

Corri, não morri, venci e hoje estou aqui um senhor aposentado, respeitado por todos, comemorando com São Paulo que acompanhou toda minha transição!

Takeo Genda, 59 anos, homem trans, funcionário público municipal , aposentado, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Fique atento porque já estamos nos programando para mais uma série especial do Conte Sua História: escreva agora o seu texto,  envie para contesuahistoria@cbn.com.br e vamos comemorar os 469 anos da cidade. Para conhecer outros capítulos, visite meu blog miltonjung.com.br ou o nosso podcast.

Conte Sua História de São Paulo: que sorte!

Por Janessa de Fátima Morgado de Oliveira 

Ouvinte da CBN

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Quando era criança, pensava que tinha sorte por ter nascido em São Paulo. Não me lembro o que me levou a pensar assim. Acho que foi quando comecei a ter aulas de Geografia, quando aprendi sobre as migrações e o que motivava tanta gente de outras regiões do país a migrarem para lá, onde eu morava.

Já na adolescência, comecei a ter mais motivos para reforçar esse pensamento.

Nunca fui de sair muito. Minha diversão era estudar e aprender. Comecei nessa fase da vida a perceber o quanto a cidade tinha para me oferecer. Tinha como ter um ensino de qualidade, porque dispunha de ótimas escolas, públicas e particulares. Tinha acesso a uma biblioteca, que ficava perto de minha casa, além de ter o Museu do Ipiranga como um quintal. 

Cresci e a cidade cresceu para mim. Quando saí do ginásio e fui para o colegial, mudei de escola e diariamente embarcava no ônibus Pinheiros para o Paraíso. Levava de 20 minutos a meia hora para chegar à escola. 

Conheci o Centro Cultural São Paulo! As rampas de acesso que se cruzavam em planos diferentes me mostravam outras pessoas como eu, com interesses semelhantes. Foi nesta época que também conheci a Liberdade e a feirinha montada aos fins de semana. Até novos sabores me foram apresentados! Foi quando tomei, pela primeira vez, um Mumy de maçã, que hoje é o Mupy.

O fluxo de crescimento me levou a sonhar com a USP. Queria fazer uma boa faculdade, mesmo sem saber, ainda, qual seria a profissão que abraçaria. Todo meu foco estava em estudar para alcançar meu objetivo. Foi assim que meu mundo cresceu mais um pouco, me levando a conhecer o Campus da Cidade Universitária, no Butantã. Entrei pela primeira vez lá no dia em que fui me matricular no curso de Farmácia-Bioquímica. Precisei de uma “guia” para chegar até a faculdade. 

Trabalhei na Freguesia do Ó. Passava pela Av. Rio Branco, Av. Rudge, pelo Largo do Arouche ou pelo alto de Pinheiros.

Meu filho nasceu também paulistano. A cidade dele foi diferente, andando de metrô lotado desde cedo, na linha verde, para ir à creche da Faculdade de Saúde Pública — foi onde fiz meu mestrado e doutorado. Tentei oferecer a ele a melhor versão de São Paulo.

Essa a cidade em que vivi por 44 anos e que fez de mim muito do que sou. Que me emociona por ser tão generosa.

Cidade que continua a receber gente. Os refugiados da Síria, o povo vindo da Bolívia para trabalhar no Bom Retiro. São Paulo também exporta gente. É o meu caso. Nos últimos anos que vivi na capital, a vida foi difícil. Desemprego! Nunca tinha pensado que sairia da cidade onde tive a sorte de nascer. As circunstâncias me fizeram olhar para fora e consegui uma oportunidade de trabalho em Portugal.

Porque ela me deu tanto, a cidade, faço o mesmo por ela. Sou, aqui, uma paulistana. Generosa, como São Paulo, ensino e provo ao mundo que ela tem muito mais do que quantidade. Ela tem qualidade!

Janessa de Fátima Morgado de Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Quer ouvir outras histórias, viste o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: o rádio que me aproxima da família paulistana

De Lucimar de Souza Fernandes  E. Santo

Ouvinte da CBN 

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Minha história com São Paulo começou quando, ainda bem criancinha, morava com a família em Belo Horizonte, onde vivo até hoje. Meu pai, um cidadão da pequena cidade de Santa Maria de Itabira, no interior de Minas, foi trabalhar em São Paulo com alguns irmãos, levado pela mesma motivação que até hoje muitos brasileiros o fazem: ganhar dinheiro para melhorar a vida. Ingressou na construção civil, na região de Santo Amaro. As preocupações com a família e a saudade falaram mais alto e ele voltou —  decepcionado com a cidade, pois a única irmã havia morrido atropelada nas comemorações do aniversário da grande metrópole. Ele nos trouxe presentes que até hoje ainda temos. 

Muitos anos depois, eu já uma jovem, quando retornava de um dia cheio de trabalho, sinto meu coração bater diferente e mais forte ao me encontrar por acaso, se é que ele existe, com um jovem rapaz, portador de um ar interessante que também esperava o ônibus. Conversa vai, conversa vem e adivinhem onde o rapaz nasceu? “Sou de São Paulo, nasci em Santo André”. A família dele havia se mudado para Belo Horizonte. 

Como a política do café com leite funcionou durante muito tempo aqui estamos hoje com 32 anos de casados. E São Paulo, desta forma, entra definitivamente na minha vida.

Em uma das viagens à cidade, nosso filho caçula, naquela época na fase do desfralde, nos fez parar na Avenida Paulista em busca de um banheiro para que ele pudesse se “aliviar”. Eu não tinha a menor noção do que essa avenida representava para os paulistanos e a sua grande importância na cena cultural e na economia de nosso país. 

O tempo passou, os filhos cresceram. Meu primogênito, então, escreveu mais um capítulo da nossa história com a cidade. Engrossou a fileira dos milhares de profissionais que fazem com que São Paulo se consolide como uma grande metrópole, com todos os problemas inerentes a elas, mas que também parece nos dizer: “venham… venham.. venham crescer e se desenvolver; aqui sempre cabe mais um, que queira trabalhar e superar as dificuldades de viver no coração econômico da América do Sul” . 

Hoje, ele está casado com uma mineira. Meus dias são mente e coração divididos entre Belo Horizonte e São Paulo. A melhor estratégia para equilibrar tudo isso é ouvir a CBN, em São Paulo, para saber como estão as coisas no bairro onde trabalham e moram meu filho e minha nora. 

As notícias sempre nos rendem alguns assuntos em família. Para mim, ouvir a rádio dá a sensação de que em alguma medida estou mais próxima deles e até compartilho do seu dia a dia: já sei como está o tempo, o trânsito, a política e o cotidiano. Isso ameniza a minha saudade e nos aproxima. Mesmo com todos os recursos tecnológicos disponíveis tenho a sensação que a rádio segue sendo um elo importante para quebrar a barreira de cada um viver em um lugar tão diferente e distante do outro. 

Lucimar S. F. E. Santo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras lembranças, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.