Assaltos à mão armada, por telefone e de colarinho branco

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Em meu texto para este blog,escrito no dia 25 de abril, tratei dos constantes assaltos realizados por quadrilheiros em cidades do interior do Rio Grande do Sul.Lembrei que esse tipo de crime acabou com a fama de pacatez ostentada tempos atrás pelos pequenos municípios do interior gaúcho e que fazia muita gente sonhar em morar em um deles, depois de se aposentar, a fim de fugir dos problemas enfrentados, no dia a dia,nas grandes cidades.Para que se tenha uma ideia do que vem ocorrendo em meu estado natal (não tenho notícias de ocorrências semelhantes em outras regiões do país),basta atentar para a estatística:da última sexta-feira até terça-feira passada,dia no qual escrevo para o blog,ocorreram quatro roubos a bancos,afora arrombamentos,tentativas de arrombamento e furtos. Ao todo foram cometidos nove crimes. Em Sarandi,os bandidos chegaram ao cúmulo de sequestrar o gerente do Banco do Brasil e sua mulher,antes de praticar o assalto ao BB. Em Fagundes Varela,dois PMs foram feitos reféns. Os ladrões estavam protegidos por colete à prova de balas e atacaram agência do Sicredi. Hoje em dia,eles estão ficando cada vez mais sofisticados.

 

Bem mais sofisticados, até por serem integrantes da classe média e mais que isso,inclusive,foram os executantes de outro tipo de assalto,esse aos cofres públicos,tanto que mereceram a atenção da Polícia Federal:os flagrados graças à Operação Concutare,que envolveu sem-número de gente,tanto no RS quanto em Santa Catarina. Os investigados teriam praticado crimes contra o ambiente.

 

Já contra os consumidores,em geral,parecem estar as empresas de telefonia. É muito difícil encontrar-se alguém que não tenha queixas de assédio telefônico cometido por funcionários de Call Centers e de demora quando se liga pedindo para falar com algum atendente.Além disso,de acordo com levantamento da Serasa Experian,apenas de janeiro a março de 2013,a cada 15 segundos,um consumidor brasileiros foi vítima de tentativa de fraude,por conta não das empresas,mas de criminosos. Na semana passada,tivemos que aguentar, eu e minha mulher, ligações contínuas de pessoas que se faziam passar por funcionários de uma tal de “central de provedores” e diziam que iriam trocar o nosso modem.Acrescentavam,ora que eram da Oi,ora da UOL ou do Terra,visando a dar credibilidade ao que propunham. Para usar um termo da minha juventude,diante do que se vê neste mundo de gananciosos,durma-se com um barulho desses.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)