No Conte Sua História de São Paulo, a ouvinte da CBN Iracema Barreto Sogari destaca a cidade que se transforma a partir da coragem de sua gente:
Meus pais vieram da Bahia, em busca de trabalho e sobrevivência. Nasci em São Miguel Paulista, no extremo leste. Frequentei escola pública, ajudei minha mãe nas tarefas de casa e trabalhei enquanto cursava pedagogia à noite. Fiz especialização em educação especial e, nos fins de semana, participava das comunidades eclesiais de base.
Na década de 1990, criamos o Centro de Comunicação Popular do Itaim Paulista, que incluía uma rádio popular, essencial para os bairros periféricos. Foi lá que conheci Francisco Sogari, pesquisador e jornalista, com quem me casei e tive dois filhos, Gabriele e João Filipe. Trabalhei como professora, em três turnos, e o salário ajudava minha mãe. Nossa família se divertia no Parque Ibirapuera, na Avenida Paulista e até em estádios, torcendo pelo Inter, time do meu marido gaúcho.
Aos seis anos, Gabriele foi arrancada do nosso convívio, vítima de um motorista irresponsável. Ainda hoje, 24 anos depois, vivo a maior violência que uma mãe e um pai podem passar, dor que vai contra a natureza humana: enterrar os filhos.
Mas a vida tinha que continuar. Encontramos forças em João Filipe e no amor ao próximo. Em memória de Gabi, criamos o Instituto Gabi, atendendo crianças e jovens com deficiência e autismo. Hoje, o Gabi é referência em inclusão, oferece acolhimento e assistência a 50 pessoas diariamente. Em breve, o projeto completa 25 anos, transformando vidas e construindo políticas públicas para famílias que vivem duplamente excluídas.
“Quem ajuda as pessoas é feliz.” Gabi dizia esta frase toda vez em que eu e o Francisco participávamos das atividades nas comunidades.
((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Iracema Barreto Sogari é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))
A recente parceria entre duas marcas de origens e públicos distintos, Havaianas e Dolce & Gabbana, ilustra bem como essa estratégia pode ser explorada com resultados bastante positivos. Para Jaime Troiano e Cecília Russo, o acerto da colaboração ou da ‘collab’, nesse caso, pode ser medido pela forma como os consumidores aderiram à ideia e pelo sucesso de vendas.
No Sua Marca Vai Ser um sucesso, Cecília destacou que os quatro modelos criados pelas duas marcas esgotaram no mesmo dia, mesmo diante de um preço alto, se considerarmos que estamos falando de uma sandália de borracha — o par de Havaianas com a assinatura da Dolce & Gabbana custava em torno de R$ 350,00.
O fato é que a fusão do despojamento brasileiro com o luxo italiano criou um produto cobiçado, demonstrando o poder das alianças estratégicas no mercado. Para Cecília, dois motivos podem ter sido fundamentais para esse resultado: o primeiro, a possibilidade de consumidores que não costumam comprar produtos de luxo terem acesso a marca Dolce & Gabbana. O segundo, se relaciona ao que se considera “bem posicional”:
“A (collab) Havaianas e Dolce & Gabbana me posicionam no mundo de um jeito diferente, como alguém que tem acesso a coisas que poucos têm”, comentou Cecília.
O efeito do “eu consegui”
Jaime destaca que essa também “é uma forma das marcas criarem um fato novo no mundo sedento por novidades.”. Além disso, com a sedução das redes sociais, hoje, mais do que comprar, as pessoas querem mostrar. E uma sandália Havaiana com a marca Dolce & Gabbana tem forte apelo neste sentido. Quanto mais difícil for para obter o produto, mas os consumidores têm o desejo de dizer, publicamente, que “eu consegui”
A Marca do Sua Marca
A principal marca do “Sua Marca” foi a análise da força das colaborações para ampliar o alcance e o desejo dos consumidores. A união de marcas tão distintas mostra que, ao combinar suas essências, podem gerar produtos que transcendem suas identidades originais, capturando a imaginação do público. Uma experiência que pode suscitar as mais diversas parcerias, como lembra Jaime Troiano: “pode ser um ingresso para um show disputadíssimo, conseguir a reserva de uma mesa na Casa do Porco, em São Paulo, ou um par de sandálias da Havaianas/Dolce &Gabbana.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso**
O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.
“A nossa cultura é inacreditavelmente diferenciada justamente por isso, porque todos temos a liberdade de opinar em qualquer nível. E a colaboração acaba acontecendo e a inovação vem também acompanhando toda essa dinâmica”
Gilson Magalhães, Red Hat Brasil
O surgimento dos smartphones, que mudaram a sociedade, permitindo que a tecnologia da informação chegasse às mãos de bilhões de pessoas, foi o impulsionador das soluções em código aberto. A opinião é de Gilson Magalhães, presidente da Red Hat Brasil, líder internacional no desenvolvimento de software open source —- perdão, é assim, em inglês, que a turma costuma se referir ao tipo de produto criado em um regime descentralizado em que a empresa não é a única responsável por sua produção.
“A gente não entende, talvez, a dimensão do impacto dessa tecnologia no nosso dia a dia e como ela veio com escala muito maior. Saímos da escala de milhões de pessoas que usavam Tecnologia de Informação para bilhões de pessoas. Foi necessário o uso de novas tecnologias e um dos casos importantes nesse avanço foi justamente a participação das soluções de código aberto como um fomentador da inovação e crescimento da escala”.
Gilson foi criado no ambiente do código proprietário, ou seja, cada um é dono do seu próprio nariz e ninguém põe a mão. Foi há oito anos que se descobriu um apaixonado pelo código aberto provocado pelo que identificou ser um tendência de mercado e se ofereceu para trabalhar na Red Hat Brasil:
“Não só não me arrependo da decisão, como acho que esse é o caminho para as novas gerações, porque é o caminho que garante que haja, na evolução dessa grande indústria, a possibilidade da colaboração das pessoas participarem da estruturação de como vão ser as entregas, as soluções de TI”
Em uma indústria em que a colaboração é a chave que aciona a inovação, a gestão de pessoas tem de ser pautada por essa mesma ideia. As relações têm de ser abertas como os códigos-fontes e o conceito precisa ser exercitado na dinâmica de trabalho das empresas. Para Gilson, o sucesso desse negócio depende de se ter uma cultura que ofereça espaço para a colaboração espontânea. O método tradicional do comando-controle, do “eu mando e você obedece” ou hierarquizado não funciona nessa indústria. Gilson diz que na Red Hat não adianta mandar fazer, porque se a pessoa não concordar com o caminho proposto, não o seguirá. E isso não é um problema. É a solução.
“Nós temos que fazer e trabalhar com convencimento. O poder de influência é muito mais importante nesse sentido. Isso contamina o líder que tem que ser um exemplo a ser seguido e não ser uma eminência a ser satisfeita”.
A pandemia — não seria diferente nesta indústria — tornou-se um desafio a parte na busca da criação de ambientes colaborativos, porque a ideia de ambiente, muitas vezes relacionada ao espaço físico da empresa, deixou de existir. O que falamos ser ambiente — e no meu caso, escrevo muito aqui no blog — na realidade é cultura da empresa. Agora imagine levar essa cultura a todos os colaboradores quando cerca de 30% deles chegaram nos últimos dois anos, ou seja, já dentro do modelo de trabalho à distância.
Uma das formas de simplificar a adaptação dos colaboradores que chegam é identificar já no recrutamento perfis que estejam de acordo com o pensamento colaborativo e aberto. Essa cultura também impacta nas decisões de promoção que não consideram a senioridade, mas a contribuição ou o poder de influenciar e levar os outros a caminhar em uma direção significativa para o cliente.
“Aqui é uma outra dinâmica. A gente costuma dizer que nós não temos portas abertas, nós simplesmente não temos portas. Não tem como dizer que o chefe é intocável. O chefe precisa estar lidando com qualquer questão, da limpeza do escritório a decisão de novos produtos”.
O presidente da Red Hot Brasil diz que essa forma de trabalhar leva à escuta ativa, o que se fazia com maior simplicidade quando todos compartilhavam o mesmo espaço fisico, mas que agora, com o trabalho à distância, exigiu a criação de novos métodos e hábitos como encontros informais e cafés com os líderes. Nessas e nas demais atividades de relacionamento, Gilson afirma que todos são estimulados a falar o que quiserem e sem restrições ou retaliações.
Provocado por um dos nossos ouvintes, que queria entender se em ambientes colaborativos também haveria espaço para a competição que sempre foi vista como indutora do desenvolvimento e da melhor produtividade, Gilson preferiu colocar essa questão de uma maneira diferente. Começou lembrando que parte dos colaboradores da Red Hat decidiu tatuar a marca da empresa em uma demonstração da admiração por aquilo que fazem; e explicou:
“O que acontece quando a pessoa faz uma tatuagem é que ela está demonstrando que tem um vínculo, uma paixão por aqui. Então, a motivação está mais em fazer parte de alguma coisa transformadora do que você ser melhor do que a outra”.
Ouça o programa Mundo Corporativo com Gilson Magalhães, presidente da Red Hat Brasil, que também falou sobre oportunidade de emprego nesse setor de soluções de código-aberto e o tipo de profissional que mais buscam no mercado:
O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.