Desafio à frente: recalculando …

 

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

 

Foto: Pixabay

 

“Mais coisas sobre nós mesmos nos ensina a terra que todos os livros.

Porque nos oferece resistência.

 Ao se medir com um obstáculo o homem aprende a se conhecer”

Antoine de Saint-Exupéry

 

 

Muitas pessoas se recordam de Saint-Exupéry por seu famoso livro O Pequeno Príncipe (1943). Durante meu pós-doutorado na França, conheci sua história como piloto do correio aéreo francês, através de suas experiências descritas no livro Terra dos Homens (1939).  Um livro poético cujas frases muitas vezes me faziam voltar e ler novamente por conta de suas narrativas tão profundas sobre a vida, amizade e heroísmo. Imaginar o que era pilotar aviões que atravessavam oceanos com uma única hélice e sem pressurização, aviões cujos motores não ofereciam segurança e falhavam de repente, com “barulheira de louça quebrada”, me fazia refletir que isso era possível graças à coragem daqueles pilotos.

 

Na vida cotidiana somos convidados ao enfrentamento de desafios. Situações que vão exigir reinvenção, novas atitudes, mudança, mas acima de tudo coragem. Coragem para acreditar em nós mesmos e trilhar outros caminhos.

 

Construir novos objetivos e se engajar para atingi-los pode ser uma tarefa árdua. Quem nunca pensou: “isso é demais para mim” ou “não vou dar conta”? Por costume ou hábito, muitas vezes as pessoas estão insatisfeitas com o modo como estão vivendo, mas não conseguem mudar. Preferem a certeza ao risco, numa ilusão de que assim estão seguras, protegidas dos perigos da vida. Subestimando a própria capacidade de superar os desafios, desconsideram que a incerteza é uma das características do mundo que vivemos.

 

Mudanças levam tempo, exigem planejamento e dedicação. Mudanças geram autoconhecimento, nos permitindo enxergar potencialidades que nem sabíamos que eram nossas. Geram aprendizagem. O mais curioso é que ao decidirmos realizar algo diferente, as transformações se iniciam, produzindo novos comportamentos. Pense em alguém que decidiu aprender a cozinhar ou dirigir, a praticar uma atividade física, um segundo ou terceiro idioma, trocar de emprego… a decisão inicial gerou uma ação, um comportamento direcionado para atingir esse objetivo.

 

As estruturas neurobiológicas localizadas nos lobos frontais, mais especificamente no córtex pré-frontal, desempenham um papel essencial na formação de metas e objetivos, bem como no planejamento de estratégias necessárias para alcançá-los. Além disso, o córtex pré-frontal é responsável pela avaliação do sucesso ou fracasso das ações realizadas e o estabelecimento de novas estratégias, quando se torna necessário mudar o curso de ações ou pensamentos de acordo com as exigências do ambiente.  

 

Uma vez ouvi o CEO de uma empresa dizer que atingir um objetivo em nossa vida deveria ser como usar o aplicativo de trânsito: você coloca o destino que deseja chegar e segue o trajeto definido. E se errar? Para isso existe o “recalculando”. Não é desistindo, é recalculando.

 

Apesar de Albert Einstein ser sinônimo de genialidade, ter desenvolvido a teoria da relatividade e ter sido eleito o mais memorável físico de todos os tempos; suas palavras servem de incentivo para aqueles momentos nos quais a gente quase joga a toalha, pensa em desistir, mas se recorda que vale a pena tentar novamente:

 

“Eu tentei 99 vezes e falhei, mas na centésima tentativa eu consegui. Nunca desista de seus objetivos mesmo que esses pareçam impossíveis, a próxima tentativa pode ser a vitoriosa”.

 

Se assim era para o gênio, imagine para nós, pobres mortais! Diante de novos objetivos, surgem os obstáculos, mas a gente se empenha, se esforça, desenvolve habilidades… se conhece e se supera. Como no aplicativo de trânsito, a gente recalcula e chega lá.

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Influenciadores sempre existiram; no digital, explodiram!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Ilustração: Pixabay

 

Religiosos, políticos, cientistas e esportistas com capacidade de liderança influenciaram gerações passadas, delineando crenças,  usos e costumes. A fase do consumo influenciado por personagens não necessariamente famosos, foi provavelmente iniciada ao fim do século XIX, no ano de 1890, com a marca Aunt Jemima de ingredientes para panqueca, que estampava na embalagem a ex-escrava Nancy Green. Devido ao sucesso, Nancy assinou um contrato vitalício para ser a porta-voz da marca. Durou 131 anos e não sobreviveu ao assassinato de George Floyd.

 

A Disney, a partir de 1920, com o coelho Osvaldo, iniciou a histórica série de personagens que todos conhecem, perene até os dias de hoje.

 

Ilustração de Oswald the Lucky Rabbit

 

Durante seus anos de ouro, Hollywood produziu ícones influentes, representados pelos astros e estrelas de suas películas, através das atuações dentro das telas e seus estilos de vida fora dela.

 

As revistas, importante canal de comunicação, passaram a atender o segmento de Moda, Beleza e Comportamento nitidamente para influenciar o consumo. 

 

No Brasil, a revista Claudia foi pioneira ao iniciar sua atividade em 1961, com tiragem de 150 mil exemplares. E tão importante quanto o pioneirismo foi a influência exercida pela revista no comportamento do público feminino. Papel, que identificamos, tenha desempenhado e protagonizado por longo período. Iza Smith, editora da revista, testemunha e confirma a relevância da Claudia por longo período, pela qualidade e tiragem, com aproximadamente 400 mil exemplares. Iza vai além ao me subsidiar sobre as influenciadoras atuais, demonstrando total conhecimento do sistema vigente. Como se fosse uma editora do Marketing de Influência de hoje.   

 

Os anos 60 e 70 consagraram os protagonistas da música popular, entre espetáculos de Rock, como Woodstock; cantores, como Beatles e Rolling Stone; e os movimentos da Bossa Nova, com Vinicius e Tom, e Tropicália, com Caetano e Gil. Ao mesmo tempo o estudo do Comportamento do Consumidor tomou forma no mundo acadêmico, com uma série importante de estudos a respeito do processo de divulgação e interpretação dos seus desejos e preferencias.

 

Quando as mídias eletrônicas se desenvolveram, especialmente a televisão, os destaques da música e do cinema passaram a influenciar significativamente os consumidores em amplitude internacional. A Pepsi foi um exemplo.

 

Nos anos 80, a influência de garotos propaganda é evidenciada pela dupla Carlos Moreno e Bombril, atingido o recorde de quase 40 anos, e da C&A com Sebastian.  

 

Nos anos 80, a influência de garotos propaganda é evidenciada pela dupla Carlos Moreno e Bombril, atingido o recorde de quase 40 anos, e da C&A com Sebastian.  

 

A partir de 2005, O Marketing de Influência na era digital toma corpo, na medida em que as empresas identificam no blog uma oportunidade comercial.

 

Em torno de 2010 surgem mecanismos que permitem a relação direta entre as marcas e as plataformas – Google, Facebook, Tweet, Linkedin –  e também uma relação direta entre as marcas e os veículos de comunicação. 

 

Os influenciadores por sua vez usam diretamente as plataformas com áudio e vídeo, como o Instagram e YouTube.

 

Alice Ferraz Foto:divulgação

 

Quem teve a percepção e a antecipação deste cenário foi a então dona de agência de comunicação e assessoria de imprensa Alice Ferraz.

 

Alice, em entrevista ao Alô Alô Bahia, contou que percebeu que não estava convencendo com a mídia que era papel, e estava em Nova York em uma Semana de Moda, quando viu uma blogueira na primeira fila, e ao ler seu conteúdo, pensou: 

“É dessa forma em primeira pessoa que devemos apostar, para não ser distante. Não poderá mais ser a marca falando da marca, precisa haver uma experiência. Isso foi há 10 anos, quando nem existia o Instagram”.

 

Alice criou antes de existir o termo influenciador digital, a F*Hits —   primeira agência de marketing digital do mundo focada em influenciadores digitais. Hoje são 200 influenciadores digitais que atingem mais de 40 milhões de pessoas, num país de 210 milhões.

 

Os números de Alice Ferraz são expressivos. Instagram 22 milhões de seguidores, YouTube 10 milhões de inscritos, Facebook 23 milhões de fãs. 

 

Segundo a Forbes, Alice Ferraz está entre as 20 mulheres mais poderosas do Brasil e entre as 500 pessoas mais influentes da indústria da moda no mundo.

 

Em quatro anos, 2014, os influenciadores evoluíram construindo suas audiências e sob controle próprio. E atraem a atenção dos grandes grupos de mídia, que passam a fazer parceria com eles, surgindo o modelo de parceria de conteúdo.

 

Em dois anos aproximadamente, 2016, nova evolução, quando as marcas percebem que há os microinfluenciadores, sem os milhões de seguidores daqueles, mas com seguidores suficientes para potencializar com dezenas e até centenas de outros microinfluenciadores.

 

Surgem ferramentas em 2017 para administrar “n” quantidade de microinfluenciadores e possibilitar que as grandes marcas potencializem as operações do Marketing de Influência. 

 

Nesse aspecto, quem chama muito a atenção para essa segmentação é Cris Tamer, ao classificar as microinfluenciadoras  como aquelas que têm até 100 mil seguidoras e as nanoinfluenciadoras com nichos de até 5 mil apoiadoras — com números baixos, mas significativos pela qualificação, com evidencia no mercado de luxo.

 

Reprodução Instragram @cristamet

 

Cris Tamer tem base no luxo. Em 2008 saiu da Daslu, onde exerceu função similar as de hoje ao trabalhar como produtora de conteúdo da loja e da revista, e criou um blog em sociedade com Sofia Alckmin.

 

O blog evoluiu e enveredou na trilha do luxo contemporâneo, quando cumpre o que considera essencial para uma formadora de conteúdo: consistência de postagem, coerência, fotos com qualidade, legenda com qualidade, comprometimento, seguidores naturais (comprar seguidores jamais), escrever sobre o que conhece, atender a todos, interagir com percepção dos maiores fãs.   

 

Sofia Alckmin se desligou há um ano, e Cris prepara uma equipe para atuar mais amplamente nas diversas áreas do conteúdo para Moda, Beleza e Comportamento, com base nos cuidados com o corpo humano — espiritualmente e fisicamente. Aplicará os conhecimentos obtidos no MBA Gestão do Luxo FAAP, na London Fashion Institute, na ESSEC Divisão de Luxo Paris, na Índia onde estudou Filosofia e nas melhores práticas das empresas Chocolate, GEP e Daslu. Está habilitada como uma comunicadora clássica tradicional, natural, e criativa, e usa a tipologia do London Fashion Institute.

 

No mercado brasileiro, a validação da função de influenciador fez com que surgissem muitos profissionais, e consequentemente uma demanda crescente de consultores e escolas especializadas.

 

Reprodução Instagram @danialmeida

 

Dani Almeida é um dos casos de sucesso: em 3 anos partiu de uma loja física mal localizada, mas com um e-commerce bem estruturado, e se transformou em loja virtual, influenciadora, consultora, treinadora e professora.

 

Dani está hoje no Instagram com 120 mil seguidores; no You Tube 150 mil; Telegram, 5 mil; WhatsUp, 5 mil; e já lecionou para 5 mil alunos. De julho de 2017 até hoje faturou R$1,6 milhão.

 

As premissas de Dani para se inserir na mídia social: aparecer no mundo digital como pessoa e não como logotipo; criar o perfil do público a atingir; definir os canais a utilizar considerando o perfil do público a atingir; traçar estratégia de conteúdo agregando valores aos produtos; planejar seu conteúdo; usar estratégia para crescimento de vendas e de seguidores.

 

Efetivamente os influenciadores do presente possuem recursos infinitamente maiores que os do passado, o que facilita e dificulta a sua escolha. O que simboliza o mundo presente, com mais acessos às informações, mas maior complexidade. Mais riqueza e mais pobreza.   

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

A metamorfose e a subjetividade humana

 

Por Simone Domingues
@simonedominguespsicologa

 

Borboleta

 

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”
Raul Seixas

 

A palavra metamorfose tem sua origem no grego antigo e significa, como bem representada na música de Raul Seixas, um processo de transformação ou de mudança. Apesar de os seres humanos não passarem pelo processo de metamorfose, como compreendido na Biologia, as mudanças ocorrerão em todo o ciclo de desenvolvimento da vida humana, extrapolando as transformações físicas e, sobretudo, contribuindo para a construção da subjetividade: o jeito de ser de cada um.

A subjetividade pode ser compreendida como a singularidade de cada pessoa, construída a partir das experiências vividas, reunindo o conjunto de características, ideias, opiniões e comportamentos. Esse conjunto de características engloba aspectos biológicos, como a nossa herança genética, mas também aquilo que nos representa, como as preferências musicais, alimentares, amorosas, o jeito de lidar com as situações difíceis ou de comemorar as conquistas, as opiniões políticas, a preferência por exatas ou humanas… ou seja, tudo aquilo que expressa quem somos.

Algumas pessoas acreditam que a nossa subjetividade é imutável ou inata. Quem nunca ouviu aquela frase: “eu nasci assim e vou morrer assim”? De fato, as nossas transformações não são abruptas, acontecem pouco a pouco, a medida que participamos do mundo social, da coletividade e do encontro com o outro. Somos influenciados e influenciamos. É no espaço coletivo que manifestamos a nossa individualidade, mudando o mundo e recriando a nós mesmos. A cada dia já não somos mais exatamente como éramos no dia anterior, pois tivemos vivências diferentes, ouvimos coisas diferentes, tivemos novas experiências. Isso permite reflexões e conduz a renovações.

 

Em tempos nos quais prevalecem opiniões acirradas e extremistas, há uma exigência por atitudes do tipo tudo ou nada, ser isso ou aquilo, estar de um lado ou de outro. Mudar de ideia ou descobrir que não há um jeito único para fazer as coisas pode ser visto, nessas circunstâncias até mesmo como uma fraqueza. Valorizam-se os rótulos, sufocando a criatividade, a espontaneidade e a capacidade de adaptação. Essa rigidez ou apego exagerado às próprias ideias e atitudes aprisiona, indicando que existe apenas um caminho e uma única maneira de percorrê-lo.

 

A vida admite tantas definições e possibilidades para termos uma única versão, pronta, acabada ou definitiva de nós mesmos. Da mesma forma que a lagarta se transforma em borboleta, somos seres em constante mudança. Essa é a nossa natureza: podemos mudar de gosto, de ideias, de amigos, de atividades, de opiniões formadas sobre tudo!

 

Disse Luís de Camões:

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o Mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades”.

É justamente isso que vai possibilitar sermos quem somos!

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Cinco dicas para as suas vendas não ficarem escondidas atrás da máscara

 

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Foto: Pixabay

 

Sorriso, o primeiro passo para um atendimento de excelência, não mais será possível. Com os novos protocolos para o comércio físico, o uso da máscara impede a tradicional ferramenta de abertura do processo de venda, que é um natural sorriso ao recepcionar um cliente potencial.

 

Essa, dentre outras mudanças, são desafios apresentados às equipes de vendas, justamente no momento em que as características do atendimento presencial precisam se distinguir do virtual para poder encantar o cliente.

 

Com essa percepção, a SKS CX Customer & Checker Software analisou e desenvolveu algumas recomendações para adaptar o atendimento às circunstancias da Covid-19 -a partir da expertise de Avaliação de Satisfação que possui, iniciada em 1988, pela sua CEO, Stella Kochen.

 

Chamando-as de “dicas”, Stella elaborou cinco premissas, cuja primeira é a questão do sorriso pelo olhar.

“A equipe de vendas tem que aprender a sorrir com os olhos. Parece impossível ou maluquice? Longe disso. Com as máscaras – essenciais para a proteção – é necessário encontrar outras formas de expressar nossa cordialidade, solidariedade e vontade de atender com excelência o consumidor. Olhar nos olhos do cliente é a chave desse processo. E digo que esse é um comportamento que deveria se consolidar mesmo após a Covid-19”

A segunda dica da Stella é começar o atendimento com uma frase não comercial. Muito menos falando do vírus.

“O momento da compra é, muitas vezes, o momento da descontração; de dar um presente (a nós e aos outros), de ter um pequeno luxo. Com a pandemia esse momento fica truncado e comprometido. É aí que o atendente entra: trazendo um pouco de leveza e delicadeza que esse momento pede”.

A agilidade como sinônimo de segurança é a terceira premissa. Mas é preciso tomar cuidado para não ser ríspido.

“É necessário identificar a necessidade do consumidor e ‘ler’ qual é o grau de urgência que ele tem … Estoque organizado e memorizado pode ser fundamental”.

A quarta dica é a venda adicional em outros canais e, convenhamos, já é hora de assimilar que o omnichannel é uma realidade. Não há ameaça e sim conexão convergente.

“Aproveite e informe que há outros canais disponíveis para aquisição de outros itens. Muitos clientes não vão querer ficar muito tempo dentro da loja”.

A quinta dica é administrar a espera do cliente. A loja pode estar com fila de espera

“Mantenha sempre um profissional informando qual é o ‘status’ do tempo de espera; providencie água e café (com o rigor sanitário); agradeça a paciência. Esse é o momento de fidelizar esse cliente com profunda empatia”.

Essas premissas certamente contribuirão para a eficácia do atendimento. É importante ressaltar que os custos de forma geral estarão aumentando acentuadamente, gerados pelas condições protocolares de prevenção.

 

Há e haverá necessidade de metas fortes de produtividade de todos os agentes econômicos. As equipes de vendas terão que se envolver com índices de Conversão, de Peças por Atendimento, e de Tíquete Médio, como nunca.

 

É melhor aprender a sorrir com os olhos.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

“Por que estou sonhando com a(o) ex?”

 

Por Simone Domingues

 

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Imagem Pixabay

 

A internet tornou-se uma das ferramentas mais rápidas para se fazer pesquisas sobre diversos assuntos, e não seria diferente durante a pandemia que vivemos. Uma das informações mais procuradas durante o isolamento social tem chamado à atenção de pesquisadores: “por que estou sonhando com o ex”? ou “por que estou pensando no ex”? —- essa busca cresceu 2.450% na comparação com o mesmo período no passado, segundo a empresa de marketing digital AGY47.

 

 

Ivan Izquierdo, em seu livro Memória (2018), destaca que os sonhos são evocações desorganizadas de memórias, em combinações variadas e diferentes, numa interação entre memórias antigas, recentes e os estados emocionais. E se tem algo que estamos vivenciando intensamente neste momento são as nossas emoções!

De que modo a memória participa desse processo?

 

Vemos o mundo parado, seja no comércio, seja nas artes, seja na nossa capacidade de ir e vir. Na incapacidade de projeções futuras, tendemos a nos resgatar no passado. Até mesmo a televisão tem exibido reprises de novelas, filmes e jogos de futebol. Nesse cenário de saudades, nossa memória entra em ação, associando essas vivências atuais a contextos antigos, possivelmente resgatando onde estávamos, com quem estávamos…

 

Nossa memória trabalha com associações. Não memorizamos um item isolado, ou seja, não memorizamos o movimento da bola entrando no gol, mas, sim, o gol que deu o título, a fala do narrador evidenciando que éramos campeões e as companhias daquele momento.

 

Imagine a seguinte situação: todos os dias quando seguia para o trabalho, um rapaz passava na cafeteria e comprava um café. Um dia deparou com a cafeteria fechada. No dia seguinte insistiu e ela permanecia fechada. Assim se seguiram os demais dias até o rapaz mudar seu comportamento e não ir mais à cafeteira. Porém, em um determinado dia, ao passar em frente a cafeteria, ele se deu conta de que estava aberta. O que ele fez? Foi lá comprar o seu café.

 

Com a memória acontece algo semelhante: esquecemos ou extinguimos uma informação, porque esta se torna desnecessária num determinado momento. Entretanto, a presença de fatores que estejam, de certo modo, associados à uma lembrança, podem trazê-la à tona.

Agora, cuidado!

 

Antes de sair por aí confiando demais na sua memória é preciso saber que a memória tende a incorporar fatos irreais, distorcendo as situações. Nelson Rodrigues dizia: “não há nada mais relapso do que a memória”.

Então, se nesse momento de isolamento social você estiver pensando muito no seu ex (relacionamento), talvez seja a hora de colocar a memória para trabalhar e buscar na lembrança —- e não no Google — quais os motivos dele ter adquirido a condição de ex.

 

Simone Domingues (@simonedominguespsicologa) é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Triste de quem é refém de heróis e mitos

 

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Site CBN/Foto: Pablo Jacob, Agência O Globo

 

As últimas horas têm sido intensas. Mais intensas do que as anteriores. Seja porque a extensão do confinamento nos exige mais da mente, do corpo e da alma, seja porque a cada dia, o número de mortos aumenta e esses mortos ganham nome e sobrenome —- às vezes, muito mais próximos de nós do que desejaríamos.

 

Fosse apenas o risco que a doença nos traz, já seria suficiente para termos dias com sofrimento e preocupação. Soma-se a esse cenário inédito nas nossas vidas, porém, comportamentos estranhos de autoridades públicas e cidadãos anônimos.

 

No Palácio, o discurso do confronto prevalece, independentemente de quem seja o inimigo. A impressão que tenho é que o Governo tomou das mãos da oposição a bandeira  do “quanto pior, melhor”. Se não, o que foi este início de semana, em que o Presidente — às vésperas de assistir à ampliação de brasileiros infectados e mortos, e hospitais lotados —- ameaça demitir o líder da equipe que combate a doença, em mais um declaração marcada pelo desatino, no domingo.

 

A turma do deixa disso entrou em ação, na segunda-feira. O STF falou. O Congresso ameaçou. Os generais apaziguaram. E o Presidente recuou fazendo cara de mau — de criança que foi contrariada. Em seguida, e já era noite em Brasília, o Ministro da Saúde Luis Henrique Mandetta fez um pronunciamento com críticas veladas e ironia em relação ao Presidente. Até ao sugerir leitura para acalmar, mandou recado: disse que leu o Mito da Caverna, de Platão — e não entendeu. Nós entendemos o recado dele.

 

O inacreditável é que o Presidente e o Ministro são partes de um mesmo Governo que diz ter um só inimigo com “nome e sobrenome”: Sars-COV-2. Não têm, não. Sinalizam o tempo todo que um é inimigo do outro, nenhum aceita ser coadjuvante, enquanto o novo coronavírus protagoniza uma devassa na vida dos brasileiros.

 

Em meio a tudo isso, a massa se digladia na praça pública que se transformou as redes sociais. Agride com palavras, usa informações falsas, ataca sem dar atenção à lógica e enxerga em qualquer análise que se faça uma teoria da conspiração.

 

Nesta terça-feira, das mensagens que recebi, várias alertavam para o risco de quem defende o Ministro da Saúde, que não seria flor que se cheire, estaria comprometido com manobras políticas e planos de saúde. Seu herói tem pés de barro, dizia uma delas. Outros traziam críticas ao Presidente e vinham acompanhadas de coisas do tipo: “vocês é que elegeram o Mito, agora embalem”.

 

Como jornalista, cubro fatos, apuro a verdade e contextualizo o cenário. Não tenho ídolos, menos ainda mitos e heróis. Se o caminho percorrido é o certo, relato; se é o errado, denuncio. Se usa a ciência como pauta, pergunto para esclarecer. Se usa as crenças, questiono. Evito confundir mensagem e mensageiro. E se esse aponta o rumo certo pela maneira errada, digo o que entendo ser o certo e o errado. Não tenho compromisso com personagens nem narrativas. Se acerto, cumpro minha obrigação; se encerro, peço desculpas.

 

Herói? Mito? Triste de quem vive em busca de um. Vai se frustrar, com certeza; e afundar na ilusão. Vai se transformar em refém de sua idolatria. Perder a capacidade de discernimento e a análise crítica. Desperdiçar a beleza do livre pensar. De sonhar!

 

O Comércio não pode parar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Estamos diante de um fenômeno global latente. De um lado, alguns líderes políticos mundiais estão se distanciando da ciência, ao desconsiderar o efeito das mudanças climáticas, e mais recentemente ao negar o risco do coronavírus. Ao mesmo tempo há uma polarização política e econômica nos movimentos sociais extremos de direita e de esquerda.

 

Entretanto, descasos do conhecimento científico não impediram que severas medidas de prevenção estejam em vigor no mundo inteiro para enfrentar o SARS-CoV-2.

 

O cenário brasileiro não é diferente e o varejo, um dos mais importantes segmentos da nossa Economia, está cumprindo quarentena compulsória de 15 dias. Método indicado para a saúde e temerário para a economia, se houver necessidade de prolongamento e não ocorrer assistência governamental com recursos financeiros.

 

Por isso, o IDV — Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, que reúne as 70 maiores empresas do setor, empregando 750 mil pessoas em 30 mil estabelecimentos e 200 centros de distribuição, com faturamento de R$ 345 bi, após videoconferência realizada ontem, sugeriu:

— O governo irrigue fortemente a economia, e atenda estados e municípios para permitir a prorrogação de impostos e taxas por 120 dias;

 

— As empresas concedam férias individuais e coletivas, licença remunerada, utilização de banco de horas, redução de salários e outras medidas;

 

— As autoridades liderem, unidas as ações para a saúde e a economia para evitar uma profunda recessão

 

— O Governo retome imediatamente as atividades assim que haja possibilidade no aspecto da saúde da população

Cabe ressaltar que dentro desse segmento identificamos que os supermercados não estão preparados para atender demandas de entregas a domicílio e delivery de pedidos via e-commerce. Nas cidades onde estão os centros de difusão do vírus, como São Paulo, devido a concentração populacional, há prazos de duas semanas, ou até interrupções de entregas.

 

É incompreensível que a exaustiva “omnicanalidade” não comparece na hora da verdade. No que tange a perda de oportunidade, o papel mais constrangedor cabe aos Shopping Centers. No momento em que são obrigados a fechar as portas físicas não dispõem das portas virtuais.

 

A ABRASCE, entidade que os representa, se tivesse os Market Places de cada empreendedor, poderia estar em campanha certa, no momento certo para divulgar a alternativa certa. Mas, estava estudando uma forma de não se comprometer com os inquilinos e até agora não concluiu o acordo inicialmente acertado com a ALSHOP, que representa os lojistas de Shopping.

 

O desafio para o varejo de Shopping de como atuar com as portas fechadas, agora ficou fácil de enxergar. O primeiro passo é se preparar para o delivery e para o e-commerce e as redes sociais. A partir de aí testar outros modelos de como chegar ao consumidor, inclusive considerando que virão outros comportamentos de compra.

 

É hora de priorizar as 24hs de atendimento. O comércio não pode parar.
Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Quais os efeitos que uma pandemia pode ter sobre nós?

 

Por Simone Domingues

 

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Ilustração: PIXABAY

“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”
                                                                                                          José Saramago

Muito além dos efeitos epidemiológicos amplamente divulgados e sobre a saúde das pessoas, há um outro conjunto de consequências que perpassam as mentes dos que vivem esse momento. Na obra de ficção “Ensaio sobre a cegueira” (1995), José Saramago nos apresenta uma epidemia de cegueira inexplicável e analisa profundamente os efeitos psicológicos e comportamentais que a mesma desencadeia nas personagens do livro. Diante do caos da epidemia, destaca-se o lado humano mais sombrio, na luta pela sobrevivência; porém, por outro lado, a ausência da visão permite captar, através dos outros sentidos, inesperadas sutilezas advindas das relações sociais e afetivas. Como que antevendo os dias atuais, Saramago antecipa no seu livro as consequências psíquicas provocadas pela pandemia de coronavírus: o caos e o temor do desconhecido deflagrando comportamentos inesperados. Inesperados, mas não necessariamente ruins ou negativos.

 

A percepção do caos fez surgir uma forma de emoção coletiva, um misto de medo e ansiedade. Medo do perigo imediato de contaminação, fazendo com que adotemos medidas protetivas razoáveis, como lavar as mãos ou não abraçar os amigos. Ansiedade, gerada pela sensação de tensão e apreensão de que algo ruim possa acontecer e que foge ao nosso controle, removendo do nosso horizonte as certezas quanto a um futuro calculado dentro dos nossos projetos de vida. De certo modo, as conquistas obtidas com os avanços científicos e tecnológicos, especialmente no campo da medicina, promoveram uma sensação de segurança para as nossas fragilidades, especialmente relacionadas ao adoecimento.

Luc Ferry, filósofo francês contemporâneo, alerta para um tema atual, o transumanismo, cujas crenças de que os avanços tecnológicos e científicos, incluindo a própria medicina, conduziriam à perfeição infinita do ser humano, obtida, por exemplo, com a capacidade de recombinar o DNA.

Diante desta perspectiva, havia uma certa sensação de vitória sobre a natureza, decorrente da capacidade da nossa razão resolver todos os nossos problemas. Tal sensação é abruptamente destroçada quando um pequenino vírus se espalha pelo mundo em uma velocidade assustadora, desafiando governos e a própria ciência, que não responde ao desafio na mesma medida e rapidez com que ele se apresenta.

 

Embora as pandemias sejam recorrentes, como a peste negra, que dizimou no século XIV quase um terço da população e a gripe espanhola, ocorrida em 1918, que contaminou mais de 500 milhões de pessoas, é possível que os reflexos psíquicos hoje sejam muito diferentes. Na primeira havia uma interpretação mística dos fatos e, na segunda, uma guerra devastadora já vinha causando ampla destruição humana. A pandemia do coronavírus nos surpreende em nosso apogeu como humanidade tecnológica e da informação. Talvez por isso o medo e ansiedade por ela provocados sejam ainda maiores. Nós sabemos tudo, em tempo real, com gráficos e informações atualizadas a cada hora, mas ainda não sabemos qual será o desfecho exato ao final deste ciclo. Ao mesmo tempo, parece haver uma tolerância maior com os cancelamentos ou situações adiadas, os imprevistos…talvez pela percepção de que não nos atinge individualmente, mas a todos.

 

As mudanças nos comportamentos tornaram-se bruscas e imediatas. Como se adequar ao novo formato de trabalho? Home Office até meses atrás soava como privilégio. Mães terem mais tempo para ficarem com seus filhos em casa? Isso seriam férias…Ter tempo para ler aquele livro ou ver aquela série que você tanto queria… De repente nos vemos todos em casa, num isolamento social que visa nos proteger, mas que também remete a forma inédita de solidariedade – a de não propagar a infecção.

 

Muitas destas adaptações vão na contramão do individualismo racional que o desenvolvimento e a globalização geraram. Estarmos reclusos hoje, sem poder ir ou vir, reflete um cuidado com o outro. Estamos descobrindo novas formas para agir, tentando salvar a nós mesmos e aos que nos rodeiam. Essa reclusão acende reflexões e possivelmente nos prepara para novos valores, novas atitudes.

Como reagiremos? Resgatando o individualismo primitivo e egoísta que busca tão somente a sobrevivência imediata, nos transformando em consumidores de máscaras, álcool-gel, remédios e alimentos? Ou será que o racionalismo das últimas décadas terá nos deixando um legado positivo, que aproveitaremos daqui em diante? Não por uma ilusória onipotência, mas de uma forma mais equilibrada em que conciliaremos todas as conquistas da razão e da tecnologia em sintonia com nossos afetos.

Esse enorme desafio global está exigindo de nós um novo repertório de comportamentos, nos proporcionando uma forma de empatia, permitindo um (re)encontro com esta coisa que está dentro de nós e que não tem nome, essa coisa que somos. Talvez assim possamos enxergar novas possibilidades, a partir da cegueira que nos atingia.

 

Simone Domingues (@simonedominguespsicologa) é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

A Moda perde espaço

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Em pé: Vera Fiori, Deise Sabbag, Maria Aparecida Saad, Eleny Kronka, Regina Di Marco e Cristine Yufon.
Sentado: Grazia Lodi, Margarete Abussamra, Meg Guida e Maria Helena Pena.

 

 

 

Há dias, visualizando a foto acima, em “Modos e Modas”,  do blog da jornalista Deise Sabbag, foi convidativo fazer uma reflexão a respeito do momento atual da Moda.

 

Para começar, tenho dúvida, se hoje teríamos esse contingente de fashionistas de mídia — mesmo porque não temos mais a quantidade de veículos especializados em moda aí representados — e  tal  qualidade de jornalistas e veículos de Moda. Em tempo: naquela época poderíamos ter mais um ou dois grupos como o retratado.

 

A busca da explicação pelo fato, menos por saudosismo e mais por preciosismo técnico, vale a pena, pois a perda de espaço da Moda tem trazido prejuízos econômicos, sociais e culturais.

A Moda evoluiu intensamente  na segunda metade do século passado, em termos de acompanhamento dos novos comportamentos dos consumidores, dos formatos de distribuição, na formação de profissionais de nível médio e superior, ficando aquém apenas na confecção, onde sempre encontrou regiões com mão de obra abaixo da linha de pobreza.

Entretanto, a transformação dos meios de comunicação e a disrupção nos veículos tradicionais, em conjunto com a proliferação de propostas distanciadas da qualidade mínima, convergindo com discursos do próprio meio da Moda louvando o “laissez faire”, desorganizou todo o sistema.
Se, na época da foto da Deise, alguém listasse as 10 principais fashionistas, não iria aparecer ninguém que não fosse expert em Moda. Faça isso hoje, no Google, buscando brasileiras —- vai aparecer pouca gente que, efetivamente, seja fashionista.

 

É bem verdade que na esfera internacional aparecerão assumidades como Chiara Ferragni, Anna Wintour, Anna Dello Russo, Kristina Bazan, Aime Song, Giovanna Battaglia e Christine Centenera. Porém, todas com o respaldo de revistas de moda de expressão, entre as quais a Vogue predomina.

Tecnicamente, a Moda é uma forma de comunicação e, como tal, possui uma linguagem, que serve para quem usa e para quem produz. E precisa ser apreendida. Afinal, seres com inteligência precisam usá-la para evoluir sempre, e o caminho é a aprendizagem. Isto vale para a música, para a gastronomia, para a arte, etc.

Na medida em que se propaga que nada disso importa e que a roupa é um mero apetrecho para não ficar nu, aí viramos todos neandertais. E passamos a agir como primatas da moda e do mundo. O que é confirmado pelos dados atuais.
Sob o aspecto econômico e sustentável, o vestuário polui mais que os aviões e os navios. O setor produz a enormidade de 2,4 trilhões de dólares, que corresponde a 3% do PIB mundial, que de acordo com o FMI, para 2020, será de 80 trilhões de dólares. E este PIB da Moda é maior que os PIBs do Brasil, Itália, Rússia, Canadá, Coreia, Espanha, México e Indonésia.

Desse imenso montante, 33% das roupas são usadas por apenas um ano, e a média mundial é usar cada peça sete vezes, onde 500 bilhões de dólares vão para o lixo.

Na questão do comportamento em que a chance de expressar a personalidade e o estilo através da roupa deveria ser bem aproveitada, estão acionando o modo errado, que é copiar ao invés de criar. Tanto de estilistas quanto de consumidores. Porque antes é preciso estudar Moda. Para pelo menos copiar certo. E divulgar.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

O excitante mundo das mudanças e a importante tarefa de prever

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Shoopings sofrerão concorrência dos market places?

 

A proximidade de um novo ano sempre desperta um olhar ao futuro. Estímulos cada vez maiores para mudanças comportamentais decorrentes de inovações tecnológicas ou vice-versa, produzem farto material.

 

Do passado recente, vejamos algumas.

“Até junho esse tal de Rock´n´Roll terá desaparecido”. Revista Variety, 1955

 

 

“Não gostamos do som dos garotos. Grupos com guitarras estão acabados. Os BEATLES não têm futuro no Show Business”. Dick Rowe, executivo da Decca Records, 1962

 

 

“A compra à distância irá fracassar porque a mulher gosta de sair de casa, segurar a mercadoria, gosta de estar apta a mudar de ideia”. Revista TIME, 1968

 

 

“Não há razão para alguém querer ter um computador em casa”. Ken Olson, presidente da Digital Equipment Corporation, 1977

 

 

“Prevejo um espetacular e passageiro sucesso para a internet. Em 1966 ela cairá em desuso”. Robert Metcalle, inventor da Ethernet, 1995

 

 

“Os aparelhos convergentes terão limitado sucesso, pois os consumidores irão preferir, por exemplo, máquinas fotográficas de alto desempenho, que não irão encontrar em aparelhos celulares”. Al Ries, autor de Marketing de Guerra e de vários best sellers na área de Marketing, 2004

 

 

O fato é que o Rock, os Beatles, a compra à distância, o computador em casa, a internet e o aparelho convergente foram assimilados pelos consumidores. Aceitavam a guitarra, o computador pessoal e abriam mão de provar a mercadoria.

 

Uma resultante cômoda para quem apostou nas mudanças, porém como se viu, pessoas do meio tiveram percepção contraria. Desde então acompanhamos alguns casos.

 

Em 196,6 quando o Shopping Iguatemi foi inaugurado, em São Paulo, os principais lojistas da rua Augusta não aderiram. Eles acreditavam que os clientes acostumados às compras na rua não fariam em um “caixote fechado”.

 

Quando o e-commerce começou a se desenvolver, o varejo iniciou a se instalar na rede individualmente. Ora, se os centros comerciais aglutinam marcas concorrentes para a necessária sinergia do comércio, facilitando a escolha ao consumidor, por que na rede que é universal se instalar só?

 

Somente agora os Market Places estão visíveis a todos. Entretanto, ainda há nos shopping centers quem acredita que o Market Place do Shopping irá concorrer com o Shopping.

 

Grandes corporações de varejo entravam no e-commerce construindo Centros de Distribuição, de forma que o abastecimento da operação era feito diretamente pelo CD. Entretanto, se houver grande número de lojas o mais conveniente é que haja entregas feitas da loja mais próxima. Evita-se o bloqueio da mercadoria no CD e escoa o estoque da loja.

 

Os Shopping Centers por deterem a expertise do mix de lojas deveriam ser os pioneiros dos Market Places, no entanto as grandes marcas individuais é que estão criando shoppings virtuais agregando outras marcas.

 

Como se pode ver, identificar mudanças e criar oportunidades para negócios existentes é tarefa possível e necessária.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.