Avalanche Tricolor: de afazeres e entregas

Grêmio 2×4 Flamengo

Brasileiro – Arena Grêmio

Diego Souza, atacante do Grêmio, cabeceia a bola em direção ao gol e dois zagueiros do Flamengo assistem ao lance que se transformou no primeiro gol da partida
Diego Souza faz de cabeça em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Se é que existe alguém que passe neste blog com alguma frequência —- aqueles que costumo chamar de meus caros e raros leitores —-, deve ter percebido que o movimentei pouco nesta semana. De domingo até agora não mais de três postagens e uma delas graças a sempre pertinente participação da Simone Domingues, que nos ajuda a entender o que se passa na nossa mente e como tudo que está em  volta influencia nosso comportamento. 

Justifico-me: a semana está intensa e, não bastasse comandar quatro horas de Jornal da CBN com o volume de notícia gerada no mundo, assumi compromissos neste início de ano que têm me tomado boa parte do dia com estudos, planejamento, reuniões e aulas. São dois projetos distintos. Um voltado ao desenvolvimento de habilidades profissionais, com a imersão no conhecimento do marketing digital, e outro ligado a um desejo pessoal e fraterno que há muito alimentava, que é o de dominar a língua italiana — se não dominá-la, ao menos ter segurança para levar em frente outros projetos de vida relacionado ao país de meus ancestrais. 

Foi na Itália que meu bisavô por parte de pai nasceu. Consta que o primeiro Ferretti —- da minha linhagem —- a desembarcar lá pelo sul do país, tenha sido o biso Vitaliano, nascido em Ferrara, na região da Emília-Romanha. Dele veio um casamento com um sem-número de filhos. E dos filhos, um era minha avó Ione, mãe do meu pai. Boa parte da minha infância foi próxima dos Ferretti, especialmente de Caxias do Sul, na serra gaúcha. Isso não foi suficiente para que eu absorvesse o conhecimento da língua, o que teria sido uma tarefa bem mais simples pois sabemos que o cérebro da criança é muito mais poroso do que o de adulto, já endurecido por sabotadores internos, viéses inconscientes e excesso de preconceitos consigo mesmo. 

Divago entre uma agenda mais intensa do que se imagina para um início de ano, a desaceleração no ritmo de publicações e as relações familiares das quais tenho orgulho, porque foram esses motivos de minha falta de atenção com você que, por pouco e raro que é, merece minha dedicação e respeito. Nem sempre conseguirei entregar o que prometo, com a frequência que gostaria e qualidade que o leitor busca. Desatenção, cansaço, frustrações, escolhas nem sempre as mais certas, energia sendo sugada em outras frentes —- e você não tem ideia de que como esta pandemia também tem impactado esse meu comportamento — às vezes podem ser fatais no resultado que se busca. 

Dito isso, assumo aqui o compromisso que a despeito de a escassez de tempo e de energia para dar conta de todas às frentes de trabalho, vou continuar insistindo em dar o que tenho de melhor e oferecer, aos que confiam alguns minutos do seu dia a me ler neste espaço, o pouco do conhecimento que tive o privilegio de adquirir em vida e me permite escrever e pensar com alguma lógica e razão. 

Assumo esse compromisso com o desejo de ser retribuído com a sua confiança e leitura, assim como espero que o Grêmio de Portaluppi —- ops, olha aí outro de origem italiana que me apetece —- também esteja compromissado em entregar o que tiver de melhor nesta reta final de temporada. E o melhor que temos é a Copa do Brasil.

P.S: a coisa está tão intensa que este post foi salvo para ser publicado ontem à noite; descubro agora que por algum motivo ficou parado por aí. Nunca é tarde.

Adote um Vereador: e aí, candidato, vai encarar???

Texto publicado pelo site do Adote um Vereador SP

Desde cumprir o que já está na lei até mudar comportamentos na prefeitura e na Câmara Municipal. Uma lista de compromissos, elaborada por quatro grupos de cidadãos que monitoram o trabalho dos políticos na cidade de São Paulo, será colocada à disposição dos partidos para que seus candidatos assinem e se comprometam em levar as ideias adiante ao se elegerem para a prefeitura ou para a Câmara Municipal de São Paulo. 

O “Termo de Compromisso para Candidato” foi uma iniciativa do Observatório Social do Brasil, seção São Paulo, com o apoio do Adote um Vereador, do Voto Consciente e do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral. Os compromissos elencados são considerados relevantes para o alcance da transparência e para a preservação de irregularidades e do desperdício de recursos públicos. A intenção é colaborar com a eficiência do gasto público e dos serviços prestados à população.

Entre os 15 compromissos propostos, os candidatos a prefeito não devem nomear para cargos comissionados agentes públicos ou cidadãos que sejam réus em ações criminais ou de improbidade administrativa com condenação em segunda instância —— é a Ficha Limpa para comissionados.

Pede-se que os Conselhos Municipais tenham voz ativa nas decisões da prefeitura e a retomada do conselho participativo no Orçamento. Se eleito, o candidato também tem de tornar regra a divulgação de relatórios mensais sobre como o dinheiro público está sendo usado pelas subprefeituras em formato simples e com linguagem acessível ao cidadão —- o que reforça lei já aprovada na Câmara que exige que os textos oficiais do município sejam escritos de maneira simplificada.

Para os candidatos a vereador, o termo prevê 17 ítens, dentre os quais um que determina que o parlamentar se obriga a seguir os pareceres do Tribunal de Contas do Município em relação as contas da prefeitura. É comum os vereadores aprovarem, por interesse político, as contas do Executivo, quando técnicos do TCM identificaram irregularidade em pagamentos e repasses.

Dar prioridade às votações nominais e promover a redução da verba anual de Auxílios de Encargos Gerais de Gabinete durante o mandato também aparecem na lista de pedidos das entidades.

Um documento está sendo enviado aos partidos; mas todos os candidatos individualmente podem assinar o termo e torná-lo público em suas redes sociais. O Observatório Social do Brasil vai reunir este material para que o cidadão cobre do candidato quando eleito. 

Para ler a lista completa de compromissos propostos aos candidatos, acesse os links abaixo. 

Você pode nos ajudar a fazer com que os candidatos assumam esses compromissos.

Copie os termos de compromisso e envie para os candidatos que você conhece. Depois, envie para o e-mail contato@adoteumvereadorsp.com.br

Copie aqui o Termo de Compromisso para candidatos a vereador 

Copie aqui o Termo de Compromisso para candidatos a prefeito

Leia mais: https://www.adoteumvereadorsp.com.br/news/entidades-pedem-que-candidatos-assumam-compromissos-com-transparencia-e-eficiencia-do-servico-publico-antes-das-eleicoes/

Mundo Corporativo: Daniel Castanho fala das vantagens para as empresas que se comprometeram a não demitir

 

“A empresa está tomando conta do que há de mais nobre, que é o trabalho do seu funcionário” — Daniel Castanho, empresário

Um manifesto apresentado a 40 empresários brasileiros transformou-se em um movimento com adesão de mais de 4.500 empresas que se comprometeram a não demitir nenhum funcionário até o dia 1º de junho, apesar das dificuldades econômicas provocadas pelo novo coronavírus. O empresário Daniel Castanho, um dos criadores do “Não demita”, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da CBN, calcula que 2 milhões de empregos foram garantidos neste período.

 

Esta edição do Mundo Corporativo foi gravada de casa — seguindo as recomendações de isolamento social — com vídeo captado por uma câmera de Iphone e áudio por um aparelho TieLine.

 

Castanho é o presidente do conselho de administração e um dos fundadores do grupo Ânima Educação, que reúne 12 instituições educacionais, mais de 118 mil alunos e cerca de 8 mil educadores. Ele conta que assim como muitas pessoas, assustadas com os riscos que a pandemia poderia gerar, correram aos supermercados para fazer estoques de uma grande variedade de produtos, donos de empresas e executivos imaginaram que seria necessário demitir profissionais para manter suas empresas saudáveis, em um primeiro momento. Porém, foi possível mostrar que a manutenção dos empregos, era um compromisso ético e moral que as empresas deveriam assumir:

“… se você demitir alguém agora, a pessoa não vai ter nem a possibilidade de mandar o seu currículo, nem de sair de casa, então é o momento do empresário não demitir”

No início do movimento, alguns empresário alegaram que não teriam condições de assumir o compromisso de não demitir, porém, mudaram de ideia a partir do instante em que perceberam que seus concorrentes estavam dispostos a manter seus profissionais. Em seguida, viram o impacto positivo que a medida gerava entre seus colaboradores e clientes:

“O movimento gera comprometimento dos funcionários e valorização por parte dos consumidores”

Com base em experiência desenvolvida no comando da Ânima Educação, empresa da qual foi um dos fundadores, Castanho recomenda que os empresários sejam muito transparentes com seus colaboradores. Em 2009 e 2013, por exemplo, o grupo adquiriu instituições de educação que estavam com os salários atrasados e dificuldades financeiras, e decidiu chamar todos os professores e funcionários e abrir os números, o faturamento, a dívida, o tamanho da folha de pagamento:

“Você tem de entender todo mundo como empreendedor, são todos seus sócios naquele momento, são empreendedores arriscando com o CNPJ do outro; então olhe para todo mundo que trabalha na sua empresa como seu sócio e fale com eles como nós vamos reinventar essa empresa com um novo formato e tudo mais … “

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Volta às aulas

 

Nos próximos dias, milhares de crianças se despedem das férias, conferem os cadernos, arrumam a mochila e seguem de volta à escola. As aulas recomeçam e a rotina dos estudos, também. Alguns tiveram tarefas durante a folga do meio de ano, porque os professores aprenderam que incentivá-los a fazer exercícios no recesso aquece a memória e ajuda a guardar alguns conceitos (em troca, os alunos são recompensados com pontos extras na avaliação). Reencontrar os amigos de sala já não provoca mais a mesma sensação do meu tempo, porque em tempos de rede social nada mais é novidade, tudo se conta, se posta e se “selfie”. Por mais que cada um vá para o seu lado, o Facebook nos deixa lado a lado, compartilhando visitas, encontros e baladas. Com tudo registrado em tempo real, imagino que ninguém mais se atreva a pedir para os alunos escreverem a velha composição com o título “Minhas férias”. Tá tudo no Face, professora!. Aliás, ninguém mais chama aquilo de composição, agora é redação.

 

Estou de volta, também, após 15 dias de férias nos quais tentei me manter o mais distante possível das obrigações. Em meu Twitter e Facebook apenas compartilhei o que era publicado no Blog; no e-mail da rádio, deixei acumular broncas, pedidos, convites e anúncios; no pessoal, respondi o que pedia urgência e guardei o que me daria trabalho. Mesmo assim é impossível desligar por completo, especialmente morando na cidade, onde cruzamos por pessoas, ouvimos comentários, o rádio insiste em contar notícias e o jornaleiro arremessa as manchetes na porta de casa todas as manhãs. Apesar de obrigado por força da profissão, gostaria de não ter sabido de aviões que caíram e foram derrubados, e dos números gigantescos de mortes provocadas por líderes-anãos que comandam seus países e quadrilhas.Lamentei que Ubaldo e Suassuna tenham ido embora. Fiquei triste com a morte de Rubem Alves que tantas vezes salvou-me de entrevistas medíocres com suas respostas inteligentes. A quem vou procurar na próxima pauta? Ao menos não precisei noticiar a falta de propostas para o Brasil no início da campanha eleitoral.

 

As férias terminaram. Passaram muito mais rápido do que planejei. Não tive tempo para fazer quase nada do que programei. Havia me proposto a ficar em casa para organizar a vida: arquivos, livros , discos e documentos. Vão continuar esperando para voltar ao lugar certo. A volta dos treinos de golfe vão ter de esperar, também. Até a bicicleta ficou pendurada na parede, andou menos do que quando estou na ativa. Fiquei devendo todas as visitas aos amigos e parentes. Li, não tudo que imaginava, mas li porque sempre estou lendo; ouvi mais música do que o normal e me diverti com os seriados e filmes à disposição no Netflix. Foram maratonas regadas a vinho. O que aproveitei muito mesmo foi a companhia da família porque era este meu único compromisso nestes dias todos. É para isso que se tira férias. Conversamos, nos divertimos, encontramos soluções para o problema dos outros e deixamos os nossos para lá, lembramos de histórias passadas e programamos outras tantas.

 

Agora, chegou a hora de conferir as tarefas, arrumar a mochila e voltar à ativa. Seja bem-vindo, trabalho!

Da saudade, o compromisso.

 

Por Nei Alberto Pies
Professor e ativista de direitos humanos

 

“Toda a política pública sazonal ou que venha atender interesses passageiros que não tem continuidade, principalmente às que dizem com a questão de violência, tem perdas porque o projeto em algum momento vai ter que recomeçar e certamente não começam do ponto onde estava. Assim, as situações que foram examinadas, vão regredir e esse retrocesso é o grande prejuízo”. (Luis Cristiano Aires, juiz de Direito, sobre as perdas da não continuidade do trabalho das Mulheres da Paz)

 

Como num sonho roubado, acabou o trabalho social das Mulheres da Paz que vinha sendo realizado em nossa cidade há mais de um ano. A prevenção à violência contra mulheres e jovens tornou-se órfã de um dia para outro. As possibilidades de divulgar e convencer a comunidade sobre a importância dos direitos humanos e da cidadania como o melhor antídoto para a superação de nossa tão complexa realidade de violência esgotaram-se porque preferiram que este trabalho continuasse sendo realizado apenas por voluntários, que já o fazem faz muito tempo.

 

O Projeto Mulheres da Paz, em Passo Fundo, é uma fecunda e valiosa semente lançada para colaborar com a superação da violência em Passo Fundo, particularmente da violência doméstica praticada contra as próprias mulheres. Como demonstra o encarte produzido pela jornalista Camila Almeida e publicado no Jornal Zero Hora do dia 28 de abril de 2013, quem sofre as consequências da violência doméstica são também nossas crianças, adolescentes e jovens. A referida jornalista soube de maneira especial abordar o caso da Sílvia, Mulher da Paz. Quem acompanhou os desdobramentos desta triste história, irá transformar saudades em compromissos com a Silvia e com tantas mulheres que a sua história representa.

 

A luta pela superação da discriminação e violência contra a Mulher falará sempre mais alto em nossas vidas. Por isso mesmo, nos tornamos tão corajosos e insistentes na defesa de Projetos como o Projeto Mulheres da Paz, da qual Silvia fez parte. Este projeto deu tão certo em nossa cidade porque foi realizado com mulheres, em comunidades onde ocorre o ciclo da violência doméstica, com o protagonismo das vítimas. As Mulheres, ao refletirem sobre as causas da violência e ao se apropriarem dos seus direitos, tornaram-se mediadoras de conflitos e protagonistas de uma cultura de paz e direitos humanos.

 

Lamentamos que a tão propalada ideia de continuar tudo o que era bom já se transformou em esquecimento ou era verborragia de campanha eleitoral. Mas para as Mulheres da Paz e para os ativistas de direitos de direitos humanos que as acompanharam neste percurso, acabou apenas um trabalho sistematizado e organizado enquanto Projeto. Ficam grandes ensinamentos: a convicção de que segurança pública precisa vir acompanhada de processos de cidadania ativa para ser completa. Que a prevenção à violência contra mulher passa pelo encorajamento e protagonismo cidadão que adquirimos através da informação, cidadania e direitos. Que a cidade, a partir de seus bairros mais vulneráveis, precisa articular todos os sujeitos ativos e entidades para construir uma cultura de paz a partir dos direitos humanos. Que a violência contra a mulher deixará de ser uma triste realidade quando se tornar uma política pública local a partir de nossa cidade.

 

Sobram saudades, mas renovam-se os compromissos.

 

Ando devagar

 

Por Abigail Costa

Começo de abril de 2010. Não é falta de assunto, mas tudo está andando tão rápido que quando paro pra pensar nisso tem que ser rápido.

Ainda outro dia reunimos amigos em casa numa função gostosa para brindar a chegada do ano, depois uma viagem planejada, início das aulas.

Tudo já faz parte do passado.

Tenho encarado essa “passagem rápida” do tempo, dia a dia, bem-vivida ! Aproveitado mesmo.

Jantar em família é pra eles. O prato preferido de um filho, a massa recheada do outro, a bebida que nós gostamos. De sobremesa,  as gargalhadas – a parte deliciosa da noite.

Depois, um encontro com uma amiga – ouvir, falar, reforçar as palavras de carinho. – Até um outro dia !

E assim vamos nós. Sem a obrigação de correr paralelo ao tempo.

Pela manhã, os compromissos. Se entra algum extra, algum tem que sair. Não dá para espremer as horas. Caso contrário eles vão se somando, você se esgotando.

Compromisso de hora em hora fica bonito na agenda do médico. Reparou?   Tudo enfileirado, das oito às oito. Agora, o seu doutor cumpre o horário?

Se cumpre passa pra mim. Os meus, não!

O nome do seriado não sei, mas me lembro que  alguém dizia:

– “Perceba como as pessoas se apropriam de várias vidas e acabam deixando de viver a dela”.

Numa vida é impossível não cumprir várias  tarefas. Carregá-las  depende da vontade de sofrer.

Pode ser uma opção.

A minha é aproveitar as horas desta quinta-feira, 1º de abril de 2010.

Único dia, mês e ano.

Se fez, fez. Se não deu, vire a página. Vá para a outra tarefa.

Carregar tudo nas costas é uma opção.

Abigail Costa é jornalista e, às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung, sem pressa