Guia Salarial destaca que empresas estão em busca de profissionais que saibam se comunicar

 

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A comunicação surge em destaque mais uma vez como competência a ser desenvolvida pelos profissionais que buscam desenvolvimento na carreira e espaço no mercado de trabalho. Agora, foi no Guia Salarial da Robert Half, empresa de recrutamento fundada em 1948, nos Estados Unidos, e com atuação no Brasil há 13 anos.

 

O Guia é fonte de informação sobre remuneração, tendência de recrutamento, e de profissões e habilidades mais demandadas nas áreas de finanças, contabilidade, tecnologia, jurídico, recursos humanos, marketing e vendas, e cargos de alta gestão.

Ao apresentar o resultado do levantamento feito nos mercados em que atua, a Robert Half faz uma lista de cinco a dez habilidades que as empresas mais valorizam na busca de profissionais. De oito segmentos analisados, a comunicação se destacou em cinco deles. E por curioso que seja: muitas vezes em funções que nós não imaginaríamos que a comunicação fosse fazer muita diferença.

Veja, por exemplo, o caso dos profissionais da área de Finanças e Contabilidade — um pessoal que costumamos identificar como ligado a dados, números e estatísticas. A boa comunicação é a segunda das oito habilidades mais demandadas, de acordo com o Guia. E, certamente, é fundamental para que se atenda uma outra exigência que está na lista: a capacidade de influenciar. Não basta ser Contábil, Fiscal ou Tesoureiro, a visão tem de ser macro e o profissional tem de estar pronto para desenvolver olhar crítico na apuração de dados e gerar informações qualitativas com velocidade e com potencial para ajudar a empresa nas tomadas de decisão.

 

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Finanças e Contabilidade/Fonte Robert Half 2020

 

Ainda de olho nos resultados do guia, na área do Mercado Financeiro, boa comunicação volta a aparecer atrás apenas da habilidade de transformar o tecnológico em ação digital. O mesmo ocorre no setor de Seguros, um ambiente muito conservador, mas que, pouco a pouco, se reinventa.

 

Sabe aquele turma da Engenharia? E engenheiros não nos faltam, apesar de boa parte estar fora da área de formação. Em uma lista de dez habilidades procuradas pelas empresas, é necessário, por exemplo, bom relacionamento pessoal, conhecimento do negócio, flexibilidade e, claro, ser um bom comunicador. O mesmo acontece com o setor de Tecnologia em que se destacam posições como de Gerente de TI, Desenvolvedor, Cientista de Dados, Segurança da Informação e Chief Technology Officer (CTO).

 

Para quem ainda tem dúvidas sobre a importância da comunicação, lembro frase de Biz Stone, um dos fundadores do Twitter:

“A comunicação equivale a acender uma tocha na caverna escura”

A boa notícia para quem atua nesses setores — e talvez se assuste ao saber que precisará desenvolver habilidade para qual não se sinta capacitado —  é que comunicação se aprende com treinamento, leitura apropriada, muita observação, escuta ativa e prática constante.

 

Aproveite e conheça o livro “Comunicar para liderar” que escrevi com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, e publicado pela Editora Contexto.

 

Comunicar para liderar foi destaque em Felicidade iLTDA

 

 

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A experiência de ser entrevistado nem sempre me deixa à vontade. Fui treinado para entrevistar pessoas. Quando se está do outro lado, sempre fica a apreensão de que seu desempenho poderia ser melhor. A resposta não foi tão clara quanto gostaria. Talvez tenha desperdiçado a oportunidade de contar algo mais produtivo para as pessoas. Dia desses tive de encarar esse desafio a convite de João Paulo Pacífico, empreendedor, inspirador e apresentador do programa Felicidade iLTDa, na Rádio Globo.

 

Verdade que a tarefa de ser entrevistado foi facilitada pela forma simpática e tranquila com que o Pacífico fez a mediação. Além de o fato de estar sentado à mesa com uma colega super competente e minha grande amiga: a Leny Kyrillos, com quem escrevi o livro “Comunicar para liderar” (Contexto). Ao lado dela, a conversa sempre se torna agradável e produtiva.

 

Falamos de comunicação e liderança, contamos curiosidades de nossas carreiras —- como o motivo que me levou a deixar o esporte pelo jornalismo — e apresentamos dicas para ajudar os profissionais a se relacionarem melhor com seus colegas, parceiros de negócios e clientes.

 

O programa —- como o próprio nome nos induz a pensar — é sobre felicidade no trabalho e se propõe a tratar de assuntos que mostrem como as empresas podem contribuir para um futuro melhor. Foi o que me fez lembrar do poder da palavra na comunicação e o cuidado que devemos ter ao nos dirigirmos às outras pessoas, especialmente quando estamos diante da necessidade de avaliar o seu comportamento ou o seu desempenho profissional:

 

“… uma palavra bem dita, muda e transforma a vida do outro; assim como a palavra mal dita, fere”.

 

Esse poder é ainda maior quando se aprende — como disse Leny Kyrillos — que a comunicação contagia e constrói imagens. A propósito, ao ser provocada a identificar os  pecados na comunicação dos líderes, Leny ressaltou que o mais grave deles é a falta de autenticidade:

 

“(a pessoa) se sente cobrada e pressionada por uma série de coisas e começa a acreditar que ela precisa desempenhar um papel que não é o dela, e muitas vezes perde sua essência”.

 

Espero ter sido autêntico na conversa com a Leny e com o João Paulo Pacífico — mesmo quando fui levado a contar uma piada em um dos quadros propostos pela produção do programa.

 

Ouça  muitas outras dicas e curiosidades no podcast de Felicitade iLTDA.

 

Características essenciais para ser um líder comunicador e o caminho para o diálogo qualificado

 

BIBLIOTECA

 

“O grande líder é aquele que exerce papel transformador. A força verdadeira da liderança é a capacidade de promover e multiplicar mudanças positivas. E, para isso, é preciso gerar laços de confiança — com suas equipes, pares, gestores e clientes -, que são desenvolvidos através de um instrumento básico: a comunicação” — Claudia Sender, presidente Executiva da TAM

 

A obsessão por fazer da comunicação um instrumento de transformação das pessoas e a crença de que os novos líderes necessariamente terão de desenvolver esta habilidade, levaram a fonoaudióloga Leny Kyrillos e eu a escrever o livro “Comunicar para liderar” (Contexto), que ganhou o prefácio de Claudia Sender, da TAM.

 

Com a ideia de compartilhar com você parte deste conhecimento, aproveito o espaço para reproduzir trecho de um dos capítulos no qual tratamos da importância de ser líder e apresentamos dicas para desenvolver um diálogo qualificado e as características para quem pretende ser um líder comunicador:

 

Temos a convicção de que a comunicação é arma poderosa e definidora para o tipo de líder que você pretende ser. Encontramos sustentação para essa ideia no pensamento do historiador Plutarco que, ao traçar o perfil de personalidades grego-romanas, na obra Vidas Paralelas, escreveu:

 

“Muitas vezes uma pequena coisa, a menor palavra, um gracejo ressaltam melhor um caráter (éthos) do que combates sangrentos, batalhas campais e ocupações de cidades”.

 

Ele conseguia entender muito mais o líder pelos sinais que emitia do que pelas vitórias que conquistava. Precisamos, portanto, desenvolver nossa capacidade de se comunicar, emitindo os sinais certos e adaptando-os ao estilo de liderança que buscamos, tendo como prioridade obter o comprometimento dos liderados por meio da autoridade e não apenas pelo poder. Seja um líder comunicador!

 

O diálogo está na base deste modelo de liderança que defendemos e precisa ser entendido em sua plenitude. É comum traduzi-lo como sendo a conversa a dois. Os dicionários assim o definem mesmo porque passou a ter esse significado.

 

Na sua origem grega, porém, temos “diálogos”, sendo que “dia” — que também se encontra em dialética — significa “através”, “passagem” ou “movimento”. Enquanto logos é “palavra”, “razão” ou “verbo”. Conclui-se que diálogo é uma corrente de sentidos e significados que são compartilhados na busca de algo em comum. E compartilhados não apenas a dois, mas com todos.

 

Lembre-se: jamais traduza diálogo por duelo. Pelo diálogo, devemos encontrar convergência na equipe e capacitá-la a alcançar os objetivos traçados, movê-la em um mesmo sentido, ou seja, motivá-la.

 

FAÇA VOCÊ MESMO

 

O caminho por um diálogo qualificado:

 

1. Reaprender a ouvir
2. Ouvir é tão importante quanto falar
3. Exercitar a paciência
4. Saber perguntar
5. Não demonstrar pressa
6. Atenção na linguagem não verbal
7. Identificar as necessidades do outro
8. Buscar pontos em comum
9. Criar vínculos que fortaleçam as relações

 

O ambiente corporativo ensina que a busca pela motivação passa pela forma como os líderes enxergam as intenções dos seus funcionários em relação a empresa. Por exemplo, é preciso entender que as pessoas lutam pelo seu próprio sucesso. Então, você tem de mostrar o que elas ganharão se estiverem motivadas.

 

Max Gehringer, consultor de carreira e comentarista da rádio CBN, diz que é errado imaginar que os empregados serão convencidos a trabalhar mais e melhor porque o sucesso da empresa resultará no sucesso deles. É o contrário: o sucesso de cada um dos profissionais é que fará o sucesso da empresa. Portanto, mude seu discurso, troque a ordem de sua fala e você mudará a forma das pessoas agirem. É isso mesmo! A comunicação oral influência fortemente o ambiente de trabalho, os relacionamentos pessoais e o negócio em si.

 

Apesar de as facilidades proporcionadas pelas ferramentas eletrônicas, estas jamais serão tão eficientes quanto a comunicação pessoal, cuja abrangência envolve não somente o sujeito, mas também todo o ambiente corporativo.

 

A oralidade está na essência de uma comunicação interna eficiente, pois permite a troca de olhar, a cumplicidade e um entender que não se concretiza, por exemplo, no e-mail. Apesar desse ganho, a comunicação oral é muito mais difícil de controlar, pois depende basicamente da subjetividade dos interlocutores.

 

O mais importante, diante dessa verdade, é termos noção de como nosso estilo próprio, nossas características pessoais são fundamentais para constituir a imagem de líder. Reforçar nossos pontos positivos, tirar partido deles e corrigir ou atenuar os negativos é o caminho para definirmos nosso estilo, e é isso que realmente se valoriza hoje em dia.

 

Agora, temos de compreender que algumas qualidades são desejáveis e, se não as identificarmos em nosso perfil, temos de incluí-las no processo de aprendizagem que nos transformará em um líder comunicador:

 

FAÇA VOCÊ MESMO

 

Características essenciais para um líder comunicador:

 

1. Conhecimento do tema a ser tratado
2. Criatividade
3. Poder de síntese
4. Voz bem colocada
5. Clareza na articulação
6. Uso adequado dos recursos vocais
7. Bom vocabulário
8. Postura e atitude pró-ativa
9. Boa expressão corporal e facial
10. Uso adequado dos gestos

 

O livro Comunicar para liderar está disponível também em e-book e pode ser encomendado na página da Editora Contexto

De falar e dizer, ouvir e escutar

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Você não sente, às vezes, que anda falando demais? Pois eu sinto, e comecei a treinar para dizer mais, falando menos. Para escutar, não simplesmente ouvir. É difícil, mais para uns do que para outros, mas é arte como pintar, esculpir, desenhar, expandir a consciência, fotografar, viver.

 

“A gente é jovem, a gente aprende.”

 

Eu gosto de olhar nos olhos de quem fala, e de escutar, não só de ouvir. Meio caminho andado, porque tem aqueles que gostam de falar muito, dizendo pouco, e para completar o quadro, têm alergia a escutar.

 

Quando a gente começa a exercitar uma coisa difícil, como é o falar menos, para mim, a gente percebe melhor alguns aspectos da própria personalidade. Tenho me dado conta do quanto sou intensa, apesar do meu modo aparentemente calmo de ser. Tenho me dado conta de como pode ser difícil conviver comigo, por isso. Agora, imagina viver dentro de mim.

 

Esse é um bom exercício, procurar imaginar como deve ser para o outro, viver dentro de si, com suas dores, alegrias, sonhos, ansiedade, tropeços, dúvidas, bobeadas e acertos.

 

Como diz o Nana: ‘Do outro lado do problema tem um ser humano fazendo o que pode para solucioná-lo, para resolver a situação. Não uma máquina.”

 

E continua dizendo que esse ser humano, na sua complexidade e no seu modo único de ser, vai resolver o que deve ser resolvido a seu modo, não ao nosso.

 

Assim, falando o menos que consigo, digo que é urgente que ensinemos aos nossos filhos, desde o seu nascimento, e que mostremos aos nossos jovens e aos nossos velhos a importância de aceitarmos a diferença em nossos semelhantes.

 

Aceitação, tolerância e respeito, já!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung