Christian Müller Jung

A máquina pública existe para servir à comunidade. Foi para tal que foi concebida. Seu gestor é escolhido democraticamente por essa mesma sociedade. Ao assumir o comando do país, estado ou município, esse representante tem o dever de governar para todos, sem distinção. E, para tanto, terá de negociar e debater com os diversos setores que compõem a sociedade.
Ou seja, terá de fazer política.
É possível uma gestão técnica sem diálogo político?
Como encontrar a medida entre o político e o técnico nestes tempos em que nos encantamos com a ideia de gestões baseadas em metas, eficiência e tecnologia?
No Brasil, infelizmente, ainda se exerce em muitos lugares a “velha” política.
Aquela do toma-lá-da-cá. Acerto entre partes. Negociatas em lugar de negociação. Conluio em vez de conversa. Um repertório antigo com consequências atuais. Práticas que desgastam a imagem do setor público diante de um cidadão que quer apenas eficiência na gestão e prestação de serviços de qualidade.
Na verdade, não se governa sem unir as duas pontas.
Em um cenário ideal, a técnica fornece os dados e a política fornece a direção. Separar as duas de forma absoluta é quase impossível e, em muitos casos, contraproducente.
Mesmo em discussões técnicas — como a construção de uma ponte, a reforma de uma escola ou um novo protocolo de saúde — as decisões não ocorrem no vácuo.
A técnica diz como fazer; a política decide o que priorizar com base nas necessidades reais da população.
Afinal, uma solução tecnicamente perfeita que a sociedade não aceita tende ao fracasso.
A política traduz a técnica em consenso e apoio popular.
O problema não é a presença da política, mas a substituição da técnica pela conveniência.
A política sem técnica é populismo sem base.
Mas a técnica sem política é tecnocracia sem alma.
O desafio da gestão pública está justamente no equilíbrio: a técnica traz a viabilidade, enquanto a política garante a legitimidade. Um governo eficiente não escolhe entre um e outro. Faz os dois trabalharem juntos.
Christian Müller Jung é publicitário de formação e mestre de cerimônia por profissão. Colabora com o blog do Mílton Jung (de quem é irmão).