Mundo Corporativo: Leandro Melnick, da Even, diz como construir a ideia de sustentabilidade no canteiro de obras

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“Não é que a gente investe, a gente atua de forma sustentável, porque a gente entende que é o melhor formato. Não somos uma empresa muito preocupada com essa visão do quanto vai ser o retorno para cada projeto; nós olhamos de forma mais amplificada o resultado”

Leandro Melnick, Even

Mão de obra intensa, grande número de fornecedores e um volume considerável de resíduos são apenas alguns dos muitos desafios que o setor de incorporação e construção tem diante das demandas da pauta ESG. No caso de Leandro Melnick, entrevistado do Mundo Corporativo, uma peculiaridade se expressa nessa lista: equilibrar-se na governança de duas empresas que atuam no mesmo segmento e com participação mútua na sociedade. Leandro é CEO da Melnick, criada pelo pai dele, no Rio Grande do Sul, e da paulista Even, com quem fechou sociedade, em 2008. 

“Em um  mercado tão supervisionado e analisado, com vários bancos e entidades que cobrem as empresas de capital aberto, esse assunto tinha que ser muito transparente. Então, a gente foi exaustivo, fomos vigilantes no processo de transparência de relatórios, de comitês de apoio e de governança para dar segurança. E isso foi muito bem aceito por todos os stakeholders, o que deu muita tranquilidade para a empresa seguir o trabalho”.

Outra característica destacada por Leandro, que deve ser consideradas nas boas práticas de sustentabilidade, é o fato de as incorporadoras trabalharem com produtos de vida longa — conforme a qualidade, apartamentos e casas podem durar além dos 50 anos. Ou seja, não basta implantar sistemas que reduzam o consumo de energia ou o volume de resíduos durante a construção, é importante pensar na eficiência energética do ambiente, na arquitetura sustentável e no tipo de material a ser usado, entre outros aspectos.

A política de gestão de resíduos da Even promove o total aproveitamento da madeira que sobra nas obras, que é separada em contêineres  exclusivos, que são coletados por cooperativas, que limpam essa madeira e a fornecem para a indústria novamente para fazer, por exemplo, compensados. De acordo com o relatório de sustentabilidade da construtora e incorporadora, 98% dos resíduos gerados nas obras são reaproveitados de diversas formas. Desse total, 20% entram no ciclo da logística reversa, como é o caso da sucata  oriunda dos blocos de concreto e de cerâmica e das estruturas metálicas:

“Quando ela (a fornecedora do material) vai fazer o fornecimento de uma nova carga, ela traz para sua origem toda a sucata, todo o material que foi gerado por essa mesma industria “.

Leandro Melnick disse que ao longo dos dez anos em que essa estratégia está sendo usada, a Even conseguiu devolver ao mercado 46 toneladas de sucatas de resíduos metálicos, 100 toneladas de blocos de concreto, cinco toneladas da embalagem de papelão das cerâmicas e 15 toneladas de embalagens plásticas.

Na relação com os colaboradores, um dos objetivos é ampliar a diversidade de gênero em um setor com intensa mão de obra masculina.  Atualmente, no escritório e na gestão das obras, já existem 40% das vagas de escritório ocupadas por mulheres e 39% nas obras. Leandro destaca ainda os projetos na área da educação que oferecem ensino básico para todas as pessoas que trabalham no canteiro de obra; cursos técnicos, pelos quais já passaram cerca de 600 profissionais que começam como serventes; e a oportunidade de os colaboradores atuarem na área de voluntariado, onde aplicam o conhecimento desenvolvido dentro da empresa.

“Já temos a adesão de 26% dos nossos profissionais que participam em mutirões para reformar uma escola, para moradias populares e para dar aulas em entidades”.

Para Leandro, o investimento em ESG aumenta o engajamento dos funcionários que tendem a oferecer novas ideias para a evolução do tema no canteiro de obras e nas unidades habitacionais entregues. Uma consciência que é levada para além dos tapumes, construindo uma consciência coletiva que impactará de forma positiva as pessoas que esses colaboradores são capazes de alcançar.

Assista à entrevista completa com Leonardo Melnick, CEO da Even incorporadora e construtora, ao Mundo Corporativo ESG:

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às dez da noite e em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: “o novo normal, não vai ser novo nem normal”, diz Marcelo Miranda, CEO na Espanha

 

 

“Se existe algum novo normal esse novo normal é a mudança constante porque quando ele chegar, o novo normal, não vai ser novo nem normal para a gente, nós vamos viver, por muitos meses, mudanças constantes” — Marcelo Miranda

Há dois anos no comando de um empresa da área de construção civil, em Saragoça, na Espanha, o executivo brasileiro Marcelo Miranda teve de enfrentar os efeitos sanitários e econômicos da pandemia bem antes de seus compatriotas. Com pouco tempo para se adaptar às medidas restritivas e aos riscos da doença, a empresa da qual é o CEO, a Consolis Tecnyconta, líder na Europa em concreto pré-moldado, teve de ser ágil para mudar processos, trabalhar à distância e oferecer segurança aos seus profissionais.

 

Os primeiros casos de contaminação, entre os espanhóis, apareceram entre o fim de janeiro e as primeiras semanas de fevereiro. Em 14 de março, o país teve de parar, com a decretação de regras que limitaram a circulação de pessoas e obrigaram o fechamento da maior parte das atividades econômicas. A Espanha foi uma das regiões que mais sofreram com a COVID-19 e atualmente registra perto de 28 mil mortes e cerca de 254 mil pessoas infectadas, tendo uma população em torno de 47 milhões de habitantes.

 

Ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Marcelo Miranda falou das estratégias usadas para enfrentar a primeira onda do coronavírus no país e de como a empresa se organizou para a retomada das atividades. Ele identificou três estágios importantes diante da crise: o primeiro que foi o de pensar na sobrevivência com o acolhimento das pessoas e suas famílias; o segundo, o de como operacionalizar os sistemas para manutenção dos negócios; e, o terceiro, o de repensar a empresa:

“… esse repensar tem andado ao lado da construção: digitalização; tecnologias de industrialização e pré-fabricação de construções; e o lado humano das construções, de como a arquitetura pode ajudar a vivermos de uma maneira mais humana e com mais qualidade de vida”.

Para Miranda, inovação é resolver problemas e, assim, as empresas precisam identificar quais serão os problemas daqui para a frente. Nesse momento, ele vê a necessidade de o setor da construção civil como um todo, e não apenas a sua empresa, passar por uma intensa transformação. Pois diz que essa indústria ainda é de pouca confiabilidade, de grande impacto ambiental e que emprega mão de obra não-qualificada:

“O que vai acontecer é a celebração de uma transformração dessas empresas com visão mais consciente do seu papel na sociedade”.

Para os empresários brasileiros que planejam como gerir seus negócios após a pandemia da Covid-19, Miranda sugere que se busque criar ambientes mais saudáveis nas relações de trabalho, nos quais os profissionais sintam-se confiantes em implantar transformações e tenham espaço para errar e corrigir rapidamente sempre que necessário:

“Essa cultura organizacional de facilitar as decisões, de facilitar a comunicação, de aproximar as pessoas, de ser uma cultura mais horizontal e mais voltada para resultados mesmo de curto prazo é o que realmente tem feito diferença para quem já tem isso desenvolvido. Às empresas que não têm, nunca é tarde para começar e aprender”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.