Conte Sua História de São Paulo: São Sebastião da praça da minha rua

Vera Helena Gasparotti Praxedes

Ouvinte da CBN

Parque Nabuco, no Jardim Jabaquara

Existem coisas que nos emocionam! 

Apareceram na pracinha, em frente da minha casa, algumas mudinhas plantadas de ora-pro-nóbis, cada uma com uma plaquinha as identificando. Há mudas de outras espécies, também. 

A origem daquela obra da natureza, descobri quando fui levar os recicláveis no parque Nabuco, que fica entre o Jabaquara e a Cidade Ademar.

Na volta, vi um senhor passar por trás de um belo carro vermelho com uma enxada nova na mão. Nova sim, porque visualizei o selo.  Fui sem demora perguntar o que ele estava fazendo. 

Qual foi a minha surpresa! Com a enxada, estava capinando ao redor de uma minúscula planta. Começamos a conversar e então o senhor me contou que mora bem longe daqui e na casa dele não tem espaço.  Tem até uma praça por lá, porém arrancam qualquer coisa que por ventura alguém resolva fazer. 

Disse-me o senhor que estava plantando sementes que, com carinho, germinam na casa dele. Até falou que a mudinha de orvalha que por hora capinava ao redor, trouxera a semente de mais longe ainda lá da represa. Falou também que comentou com a esposa que achava que aqui as pessoas não arrancavam o que era plantado. De vez em quando, ele vem fazer limpeza ao redor das mudas porque assim quando a prefeitura vai cortar o mato e limpar a pracinha não as arranca. 

Contou-me que mora lá pra cima, pelas bandas da Montemor. A saber: a rua Rodrigues Montemor fica no bairro de Americanópolis. A pracinha — cenário desta história que compartilho com vocês — se chama Azevedo Antunes, e fica na rua Conde Moreira Lima, no Jardim Jabaquara. O nome dessa doçura é Seu Sebastião. São Sebastião que preserva a cidade!

Vera Helena Praxedes é  personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: meu pátio era o Parque da Água Branca

Eliana Succar Assad

Ouvinte CBN

Parque da Água Branca em foto de Wikipedia

Minha infância, até os 11 anos, passei no bairro das Perdizes, na rua Turiassú bem atrás do Parque da Água Branca. Nossa casa dava para os fundos da casa do administrador do parque, e com jeitinho minha mãe pedia se poderíamos atravessar por ali.

Pela casa, em um passe de mágica, o mundo se transformava de rua com ônibus e muito barulho em um paraíso. Saíamos correndo livres para rolar na grama, ribanceira a baixo. Árvores e palmeiras enormes…. na minha imaginação uma floresta. Depois sentávamos nos bancos em volta do imenso picadeiro; e no silêncio, minha mãe abria o livro de historias e passávamos um tempo lá escutando maravilhadas! 

Depois seguíamos para as gaiolas para ver os pássaros e outras de macacos…em seguida os lagos: nos debruçávamos nas grades e os peixes apareciam, grandes e pequenos.

Assim, seguíamos andando pela manhã em direção a saída, mas sem antes dar uma olhada nas antas enormes que dormiam tranquilas; e aí voltamos para almoçar em casa e ir para a escola.

Ao lado, moravam meus avós e tios que nos domingos nos levavam no parque: ah, tudo mudava! Eram exposições agrícolas com tratores enormes  e bois premiados! O cheiro, as pessoas, a pipoca, o algodão doce … tudo mudava. Um mundo de emoções!

Tudo ficou na memória .. 

Depois nos mudamos para outro bairro. Quando minha mãe ficou doente, eu a levei para passear por lá e todas as emoções voltaram para mim e para ela.

Eliana Succar Assad é  personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: suas margens refletem a inteligência e a hipocrisia humana

Francisco Costa

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

Em uma manhã de primavera onde a névoa ainda úmida e fria, sobre ti marginal, passeio nesse tapete negro que me leva e me  traz.

Sobre a sua margem direita, observo a inteligência dos homens refletida na arquitetura moderna, nos prédios que nascem rompendo o horizonte

Sobre a sua margem esquerda, em um resquício de natureza, a vida tenta superar ela mesma e reflete a hipocrisia humana, sobre um rio que agoniza e pede socorro.

Oh rio! Quem dera que os homens modernos pudessem olhar para ti com o olhar do criador, aquele que majestosamamente te criou.

Francisco Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: Ibirapuera, o parque que me reconcilia com a humanidade

Claudia Signorini

Ouvinte da CBN

Parque do Ibirapuera, foto de Renata Carvalho/Helicoptero da CBN

Há quase quarenta anos moro num prédio a poucos quilômetros do parque do Ibirapuera.

Para mim, que deixei uma casa com quintal e jardim, frequentar esse parque foi como encontrar o éden.

Costumo fazer minhas caminhadas em volta do lago duas ou três vezes por semana. Acompanho extasiada a mudança das estações: a época dos ipês, roxos, amarelos e brancos, esses últimos de breve duração; a época das sibipirunas, das tipuanas, das primaveras, dos pessegueiros em flor, numa florescência luxuriante.

E o que dizer dos pássaros e aves que povoam esse parque: sabiás, bem-te-vis, sanhaços, joões-de-barro, patos, mergulhões, cisnes, até os utilíssimos urubus nas suas vestes negras e andar pendular. E a pérola das pérolas, a garça cinza, imponente, elegante, nem sempre visível, infelizmente.

O parque também é um lugar de encontro.

Sempre paro para conversar com os frequentadores que levam seus cães para passear, como eu fazia com minhas duas vira-latas cujas cinzas deixei neste mesmo parque no local em que as soltava para correr.

Costumo cumprimentar os funcionários que trabalham no parque, os seres invisíveis como eu os chamo. Paro para tomar água de coco na barraca do Duda. Chamo a atenção dos skatistas que invadem a pista dos pedestres.

Bato palmas para os que jogam o lixo nos recipientes adequados. Sento num dos bancos do parque para observar todos os sons, as cores, os perfumes que esse maravilhoso parque me oferece.

No fim de minhas caminhadas eu me sinto em plena comunhão com a natureza e de certa forma reconciliada com a humanidade.

Claudia Signorini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: coração conquistado pela cidade verde e rural que a CBN me revelou

Joelma Melo

Ouvinte da CBN

Esta é a foto feita por Gabo Morales, em Marsilac, que conquistou nossa ouvinte

Era dezembro de 2013 e eu estava vivendo um sonho: havia passado no mestrado da Faculdade de Saúde Pública e iria pesquisar a minha paixão: a cidade de São Paulo. Já estava tudo certo. O projeto de pesquisa foi aprovado, logo começariam as aulas. Porém, uma reportagem da CBN aguçou minha curiosidade e me levou ao encontro de uma São Paulo verde, meio rural, a qual sequer imaginava que existiria.

Se não me engano a reportagem foi de um quadro chamado Seu Bairro, Nossa Cidade. E ele contava sobre um bairro no extremo sul onde as crianças ainda brincavam nas ruas, as pessoas se conheciam, não havia sinal de internet e, especialmente, estava dentro de uma área de proteção ambiental.

Oi? Dei um Google e apareceu uma imagem de uma moça de vestido vermelho, cabelos longos e loiros, no meio de uma mata. Parecia uma visão. Que lugar é esse?!

A imagem era parte de um blog de um fotógrafo chamado Gabo Morales, e bastaram algumas fotos para eu enlouquecer:

Tenho que ir! Preciso conhecer este lugar. Não pensei duas vezes e entrei em contato com o fotógrafo, convencendo-o a me levar até lá. Fato que aconteceu em janeiro.

Moradora da zona norte, atravessei a cidade. Foi ônibus, metrô, trem, ônibus, e mais um ônibus. E quanto mais avançava rumo a Marsilac, mais verde a cidade se tornava. Até que cheguei ao bairro.

A rua principal que se chama estrada — Estrada de Marsilac — com uma pequena praça, algumas vendinhas, crianças brincando, mulheres na janela e um horizonte verde, independentemente do lugar que eu olhasse.

Outros cheiros, outros sons, outro tempo se fundindo em uma cidade conhecida pelo concreto, pela rapidez, pelas alturas dos prédios, por gente apressada e muito barulho.

Pronto, não tinha mais volta. Ao retornar para casa, escrevi um novo projeto e enviei para minha futura orientadora. Eu estudaria uma outra São Paulo.

Uma São Paulo que tem cachoeira, que tem onça… Arah! Mas a onça é parda e não pintada. E graças à Deus, nunca cruzei com uma.

Vi Bromélias, manacás de encher os olhos, plantação de tuia-holandesa. Tinha também macacos, ovelha, além das temidas aranhas. Cobra só vi a pele, e fugi. Também tive que correr de umas vacas brabas, porque lá também tem um lado meio rural.

Voltei para casa muitas vezes com as botas cheias de barro. Mas tudo bem. Como eu estava feliz.

E tinha as pessoas. Ah, que delícia! Quantas conversas tive em quintais verdes, enquanto tomava um cafezinho. Sou eternamente grata pelos cuidados, pelo carinho e, acima de tudo, pela confiança em contarem tanta coisa sem nada em troca.

Foram dois anos gastando quase 3 horas para ir e mais 3 para voltar. Mas valeu a pena. Até hoje lembro de muitas falas, dessas pessoas as quais mesmo com todas as dificuldades não abrem mão de viver tão perto de uma natureza mais bruta, porém não menos bela.

Sinto falta do cheiro, daquela sensação de liberdade, de calma, de ter sido transportada para uma São Paulo que se converte em mata, que agrega o bicho-homem com o bicho-bicho que ainda tem água limpa.

Culpa da CBN, a qual sempre serei grata!

Joelma Melo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita.  Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: embarquei no trem de Adoniran Barbosa

Olivio Segatto

Ouvinte da CBN

Imagem reproduzida do site São Paulo Antiga (visite o site e conheça outras preciosidades como essa)

Num belo dia de domingo dos anos 50, minha família resolveu visitar o Horto Florestal, aqui na cidade de São Paulo. Éramos eu, minha irmã mais velha e nossos pais.

Ao chegar ao local, tivemos uma surpresa que para mim foi inesquecível. Fomos orientados a subir em um trem pequeno e bonito para fazermos um passeio pela região. Nem imaginava que esse trem, anos mais tarde, ficaria famoso em todo Brasil.

Atravessamos com a máquina boa parte da floresta local. Que coisa mais linda, era um verdadeiro abraço da natureza!

Depois desse lindo passeio descemos num local apropriado para um piquenique. Saboreamos os salgados, bolinhos, sanduíches e, após, um delicioso pão doce feito em forno de barro, construído por meu pai.

Aos meus pais e minha irmã Zezé que ajudou muito na preparação dos alimentos, saudades…

Depois de vários anos desse passeio, tivemos o surgimento da música “Trem das Onze”. Cheguei à conclusão que eu e minha família, por alguns momentos, viajamos no trem de Adoniran Barbosa em sua bitola estreita.

Trem que antes de ficar famoso era chamado de Trenzinho da Cantareira.

Olivio Segatto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: mochila, barraca e namorada na natureza paulistana

Glauber Julio Andrade da Silva

Ouvinte da CBN

Cacheoria de Marsilac em foto publicada em SelvaSP.com.br

Não! É difícil acreditar! 

Saí de Campinas com mochila e barraca nas costas pra dois dias em delicioso modo acampamento: livre prazer na natureza! Tudo parecia muito certo e planejado, menos o destino que se lia no bilhete da passagem: São Paulo! 

Como assim?! 

Certo, já conhecia há muito os seus metrôs e quanto concreto na megalópole, mas o incrível: era verdade! Soube que por uma linha de busão, atrás de um tal Engenheiro Marsilac, e mais uma pequena caminhada, chegaria a um lindo lugar às bordas da cidade. 

Mochila, barraca e namorada. Lá estava eu. As libélulas faziam as honras da casa. Com o entardecer, fogueirinha para o café à lenha e, com o friozinho da noite, o romântico estrelado Manto Sideral. 

Quem diria? Acordar em meio ao verde em plena cidade de São Paulo

Glauber Júlio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: minha melhor praça da cidade

José Carneiro de Laia

Ouvinte da CBN

Foto de  Flavio Bianchini Junior no GoogleMap

Vila Nova Sílvia, zona leste de São Paulo, CEP 03820-020.

Embora poucos de nossos moradores ou frequentadores saibam o seu nome, a pequenina praça se chama Natal Antônio da Cunha; tem o formato de um triângulo escaleno e foi criada 1981 com a construção de um conjunto habitacional do BNH, o Banco Nacional de Habitação — já extinto — do INOCOOP  e da  Caixa Econômica Federal.

Contam os antigos moradores de nossa vizinhança que aqui era um descampado, para onde traziam animais para pastar. Havia algumas árvores aleatórias e muito capim e carrapicho.

Com a nossa chegada, no início dos anos 1980, e os 500 sobrados que foram construídos era necessário no mínimo uma praça, por menor que fosse.

O local passou a ser cuidado pelos próprios moradores. Que além de preservar a praça ainda cobrava melhorias da subprefeitura da Penha. Foi assim que a nossa praça, mais de 40 anos depois, tornou-se ostentosa e bonita. Há períodos em que os órgão públicos de conservação de afastam, mas os moradores resistem. É por isso que nos orgulhamos de ter aqui plantadas árvores de décadas: um eucalipto, três pau-brasil, cinco paineiras, um jacarandá e três Ipês (um roxo, um amarelo e um branco). As mais apreciadas são as frutíferas: tem pés de manda, jambo, pitanga, ameixa, de limão e, em fase de crescimento, um pé de romã e outro de acerola.

Há espaço, também para um pequena academia ao ar livre, bancos planos e uma recente mesa para jogar dominó, o que faz da nossa praça um mini-ponto de atração para muitos moradores, atraindo até vizinhos mais distantes, o que nos leva a enfatizar que esta é a melhor praça de São Paulo

O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização de Cláudio Antonio. Participe enviando seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: os nomes da cidade

Flavio Cruz

ouvinte da CBN

Não fujo do ridículo. Tenho companheiros ilustres. O ridículo é muitas vezes subjetivo.

Independe do maior ou menor alvo de quem o sofre.

Criamo-lo para vestir com ele quem fere

nosso orgulho, ignorância, esterilidade.

(Pauliceia Desvairada)

Falei com o Engenheiro Goulart e com o Ermelino Matarazzo e disse que ia tomar a Liberdade de ir até a Sé para conseguir alguma Consolação ou até alguma Luz para a Pedreira que é a vida do Paulista. 

No Pacaembu, procurei Palmeiras que acabei não achando. Achei, porém, Paineiras, no Morumbi, depois de passar pelo Paraíso sem pedir licença para a Ana Rosa. 

Andei também por Itaquera, mas só achei o que queria no Parque da Vitória, pois a dita cuja não estava lá. Falei com muitos santos: São Mateus, Santa Terezinha, São Domingo, Santa Ifigênia, São Lucas. Pedi a eles Socorro para minha Saúde. 

Santo Amaro, então, me falou que deveria ir até a Vila dos Remédios para encontrar o que eu queria. Fiquei com fome e fui pescar na Ponte Rasa, lá no Rio Pequeno. Não consegui nada. Fui então rezar na Vila Oratório para conseguir comida — a não ser que eu quisesse alguns Perus, pois as Perdizes estavam muito caras, tanto no Mercadão como no Mercado da Lapa.

Além de fome, senti sede e fiquei em dúvida entre a Água Fria, a Água Funda e a Água Branca. Achei melhor ir para a Água Espraiada, não sem antes fazer um Bom Retiro no Alto da Lapa, de onde se podia ter uma Bela Vista. 

Cheguei na Lapa de Baixo e falei Mandaqui um Limão, pois ainda vou passar pela Quarta Parada e pela Quinta da Paineira. Parei na Parada Inglesa e fiquei pensando por que tanta coisa com os ingleses – Chácara Inglesa, Morro dos Ingleses se nós temos apenas Brás e Brasilândia.

Sem dinheiro para o Metrô, fui ao Tatuapé e, enquanto andava, me perguntava por que a gente precisa de um Moinho Velho se há um Brooklin Novo, ou um Parque Popular se há um Real Parque?

É mesmo uma Pauliceia Desvairada, como dizia o Mario de Andrade. Ainda bem que, quando estiver chateado, posso ler uns trechos de Brás, Bexiga e Barra Funda, do Alcântara Machado, pegar o “Trem das Onze” com Adoniran Barbosa, ou tomar um “chopps” na esquina da Ipiranga com São João.

Flávio Cruz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo: um acróstico para a cidade que nos oferece sua natureza

Walter José Soares de Lima

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

Moro na Serra da Cantareira, Vila Rosa. E tenho várias experiências deste lugar maravilhoso que é a cidade de São Paulo. A Cantareira já me permitiu ter contato com diversas espécies de pássaros, macacos e gambás.

Sou adestrador de animais pela Federação Brasileira de Animais – FBAA, tenho dois cães e duas gatas. Uma vez, no muro de minha casa, peguei uma coruja enorme que estava assustada com a implantação do Rodoanel. Para que fosse preservada, a encaminhei para o centro de reabilitação.

Fico triste de ver grandes chácaras virarem condomínios. Assim como me incomoda, saber que as pessoas vivem com tanta pressa que, às vezes, não se dão conta que tem perto delas belezas naturais como cachoeiras, uma mata robusta, pássaros, insetos e animais dos mais interessantes.

Quando na caminhada com meus cães, descubro algo novo a cada dia. Receitaria, se psicólogo fosse, uma belo passeio pelas ruas do seu bairro aliviando o estresse — seja nas Palmas do Tremembé, na Vila Maria, na Vila Marieta, na Vila Arnoni ou na Vila Rosa, que são um pedaço do imenso território que é a cidade de São Paulo.

Cidade que assim descrevo em um texto que ganha a forma de um acróstico:

Sentimento que se confunde com muito amor e carinho;

Alimenta corações e cria relações de grande valia;

Olha por todos e cuida de tudo como se fossem filhos;

Perdoa com facilidade maus tratos que fazem com ela, e retribui com delicadeza;

Adormece e acorda em movimento tão frenético que as pessoas se tornam assim;

Unifica povos, recebe diferentes etnias, tribos, sempre de braços abertos;

Logo se torna um grande palco de expectativas e conquistas profissionais;

Obrigado por existir! Isso é o mínimo que podemos falar desta grande metrópole