Conte Sua História de São Paulo: quando escutei a primeira música dos Beatles

 

Por Reinaldo Carmo Milito

 

 

Quando nasci em maio de 1952, minha família morava no Bom Retiro, na rua José Paulino, 752. É de lá que tenho as minhas lembranças mais remotas –- uma espingardinha de rolha, presente de Natal; minha bisavó Angela; e os meus primeiros heróis, Maurício e o irmão dele de quem eu não lembro o nome — dois garotos judeus que eram nossos vizinhos.

 

Lá por 1955, mudamos para a Casa Verde, numa casa próxima à ponte sobre o Rio Tietê. Ainda não existia a Avenida Braz Leme e no local ficava o nosso campo de futebol e uma enorme área que era nosso cenário imaginário para as inúmeras batalhas com espadas de madeira, inspirados por Ivanhoé, ou de tiroteios com falsos rifles e revólveres a la Bat Masterson, Daniel Boone, ou pelo falso Zorro, que na verdade era o Cavaleiro Solitário e seu amigo Tonto!

 

Em 1962, fomos morar no centro – esquina da Avenida Rio Branco com Ipiranga. Morávamos no 12º andar do Edifício Agulhas Negras e a vista me fascinava porque até então eu só tinha visto a cidade no plano do chão!

 

Levei comigo as empolgações das brincadeiras de rua; e a lateral da banca do Adão, um ex-boxeador, era o nosso gol. É lógico que o jogo sempre terminava no 1 X 0. A primeira bolada na banca, o Adão, um negro sarado com mais de 1,80 de altura e um físico avantajado, botava medo em qualquer um, imediatamente apitava o final do jogo!

 

Meu parceiro de artes era o Edson, filho do Sr Francisco que era o zelador do prédio. Curtíamos também subir no terraço que ficava no 22º andar e de lá soltar aviõezinhos de papel para disputar qual o que chegava mais longe!

 

Fazia parte do meu mundo maravilhoso, a garagem de onde saíam as lotações para Santos – Expresso Zefir – que ficava na Avenida Ipiranga. Eu era maluco pelo Simca Chambord e era ali que eu me realizava, pois a frota era formada por Simcas e Aero Willys.

 

Um pouco mais adiante, quase na famosa esquina cantada pelo Caetano em Sampa, tinha uma loja de disco e foi onde escutei a primeira música dos Beatles. Posso dizer sem sombra de dúvidas que a minha vida mudou depois daquele dia! Todo dia eu passava lá e pedia para o rapaz: — “por favor, coloque aquela música”. A música era “I Wanna Hold Your Hand”!

 

As matinês de domingo do Cine Metro, com Festival de Tom e Jerry, o cachorro quente da Salada Record, o pudim de leite do Bar Cinelândia na esquina da São João com a Dom José de Barros, o mate gelado, o pão francês da Padaria Irradiação, os doces da Dulca e os pastéis com caldo de cana das pastelarias que ficavam em frente ao prédio onde eu morava são inesquecíveis. Sem falar da pizza brotinho da Casa Italiana, na Rua Antonio de Godoy, em frente ao Cine Boulevard.

 

Ainda não existia a Galeria do Rock porque ele, o rock, estava gatinhando! Ela era a Grande Galeria, ao lado do Cine Art Palácio. Conheci cada pedaço do centro de São Paulo e meu local preferido era a Galeria Prestes Maia por causa das escadas rolantes! O Anhangabaú era o palco para os desfiles de fanfarras e militares, nas datas comemorativas à Independência, Proclamação da República, e outros eventos cívicos. Era ali que se viam os “papa filas” e onde ficava o famoso “buraco do Ademar”.

 

Tudo me fascinava no centro. O som da sirene da Gazeta, que informava o meio-dia, o presépio do Largo Paiçandu, nos dezembros, as lojas Mesbla e Mappin e a quantidade de cinemas que existiam num raio de 200 metros da minha casa. Conheci quase todos os porteiros dos cinemas porque eu os perturbava para me deixarem entrar sem pagar o ingresso!

 

Minha família mantinha uma pequena indústria na Casa Verde e o colégio que eu estudava também ficava lá. Todo dia eu ia e voltava de bonde. Ficava eufórico quando eu vinha no bonde do “bailarino”, apelido do motorneiro mais simpático e conhecido de São Paulo. Eu vinha ao lado dele prestando atenção em tudo e perturbando-o para me deixar pisar no pino localizado no assoalho que era a buzina do bonde – “délém, délém, délém…”

 

Durante os dois anos que morei no centro tive a oportunidade de ver de perto o desfile do time campeão da Copa de 62, a passagem do presidente francês Charles De Gaulle e o movimento que levou à Revolução de 1964, dentre tantos outros eventos. Vi a São Silvestre com partida e chegada na Cásper Líbero, na virada do ano, e a construção do Monumento ao Duque de Caxias, na Praça Princesa Izabel, desde o seu início até a inauguração.

 

Uma experiência ímpar vivida, dando uma ideia de certa inocência popular naquela época, eu vivi na Praça da Sé. A praça toda tomada de gente, assistindo ao jogo da seleção brasileira contra a Tchecoslováquia, pela Copa de 62, num telão enorme que simulava um campo de futebol. Ouvia-se a narração pelos alto falantes espalhados nos postes da praça e o telão mostrava a suposta localização da bola através de uma luz acesa. Aquilo era o máximo. Nunca vou esquecer o momento do gol do Brasil!

 

Enfim, eu trago vivas essas lembranças com uma felicidade imensa e ao mesmo tempo muita tristeza por ver no que se transformou o centro de São Paulo, a cidade que eu amo de paixão!

 

Apesar de ter morado só os primeiros três anos no Bom Retiro, foi lá que eu passei os melhores momentos da minha adolescência e foi durante um fórum entre amigos, ex-alunos do Colégio Alarico Silveira, que, embalado pelas lembranças que cada um trouxe, me inspirei a escrever esse poema:

AS NOSSAS “PENNY LANES”

As ruas do Bom Retiro são as nossas “Penny Lanes”,
Cada uma com seu cheiro cada uma com seu jeito
Infelizmente nada mais está como antes,
Lá nas bandas da Bandeirantes.

 

Por onde ando e para onde olho não canso de ver desgraça
Até o Luso Brasileiro foi demolido na Rua da Graça.
Muita saudade do Jardim da Luz, do bonde e da Salada Record.

 

Hoje vejo o olhar sofrido estampado em rosto latino
Dos muitos que trabalham na José Paulino.
Judeu virou coreano, grego virou chinês,
italiano virou boliviano só o pãozinho ainda é francês
apesar do português ter virado nordestino,
pois agora é do Evanilson a padaria que era do Jacinto, lá na Rua Silva Pinto.

 

Já não tem mais Cine Paris, nem a fábrica de canetas Sheaffer
Muito menos a da Ford e tampouco o Radar Tantã.
Nem a Casa Walter funciona mais ali, na Barra do Tibagi.

 

O Marechal ainda resiste ao tempo, assim como a Igreja Santo Eduardo.
A barbearia do Oswaldo ainda existe só que agora é o Belizário que faz barbas e cabelos de velhos e novos freqüentadores do bairro, ao lado do bar do “Pinga”.

 

A padaria ainda está lá na esquina só que a turma não vai mais lá
Ah, ainda é a mesma, a feira da Rua Jaraguá.
Ainda tem “Antonio Coruja”, “Javaés” e “Newton Prado”,
“Guarani”, “3 Rios” e “Mamoré”,
“General Flores”, “Anhaia e “Solon”
E também “Ribeiro de Lima”, “Prates” e “Julio Conceição”,

 

Mas se um dia a Rua dos Italianos virar Rua dos Coreanos
Juro que morro do coração!

Reinaldo Milito é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: o colono que superou um encontro vocálico

 

Por Vera Lucia Crepaldi Selma
Ouvinte da CBN

 

 

Bisneto de imigrantes italianos, Luiz nasceu na cidade de Ibitinga., interior de São Paulo. Filho mais velho de Guerino Crepaldi e Domingas Buchi, tinha um irmão, José. A família trabalhava como colonos numa fazenda na região de Marília — colonos era a denominação que se dava ao trabalhador que cuidava da lavoura para o dono da fazenda, morando ali mesmo, numa casa oferecida pelo proprietário.

 

“Não tinha dinheiro, mas comida nunca faltava” — era o que Luiz sempre falava. Verduras, frutas, legumes e aquela carne de porco que ficava envolta na banha, uma vez que não havia refrigeração. Era uma fartura. Ele e o irmão tocavam e cantavam. Luiz tocava gaita e cavaquinho. José tocava violão. Juntos tocavam e divertiam os amigos em Ibitinga.

 

Mas, aos 16 anos, uma grave doença acometeu o pai Guerino e a família veio para São Paulo na busca de uma cura. Apesar da via sacra para tentar salvar o pai, os esforços foram em vão e, em pouco tempo, o Seu Guerino morreu.

 

Sem estudo — Luiz nunca havia frequentado uma sala de aula —, sem trabalho e morando num cortiço na Vila Maria, com a mãe e o irmão, a vida se apresentou bastante dura para esse jovem recém-chegado. Até o banheiro era compartilhado com várias famílias. Apesar de nunca ter frequentado uma escola, ele sabia ler, sim. Aprendeu na fazenda mesmo.

 

Luiz foi corajoso e audacioso e se matriculou num curso técnico em Contabilidade. Arrumou um emprego de auxiliar em uma loja e à noite passou a frequentar as aulas Muitas vezes sem comer, enfrentava todas as dificuldades de quem nunca tinha entrado numa sala de aula. A vontade de desistir o acometeu, principalmente quando era a bola da vez na “chamada oral”.

 

Inesquecível a sua narrativa sobre o dia em que o professor de português pediu para que ele se levantasse e respondesse:

 

— Luiz, o que é um encontro vocálico ? Ele nunca tinha ouvido falar.
— Bem, professor, um encontro vocálico é um encontro vocálico.

 

Diante das risadas dos colegas e da expressão atônita do professor, que ainda emendou um “estão vendo? Nunca se esqueçam dessa brilhante definição!”, aquele foi mais um dia em que Luiz pegou suas coisas, saiu da sala e jurou que nunca mais voltaria. Entretanto, foi convencido por outro professor que o interpelou por perceber a sua fisionomia transtornada.

 

Luiz resolveu tentar mais uma vez depois da promessa do professor, que se tornou inesquecível para ele, de que conversaria com alguns colegas para que o auxiliassem com as dificuldades que ele tivesse na escola. E assim foi… aos trancos e barrancos, Luiz conseguiu o seu diploma de Técnico em Contabilidade, que garantiu a sua sobrevivência e de toda a família.

 

Luiz casou, reformou a casa da sua sogra para que pudesse nela morar junto com sua esposa e ainda construiu uma casa para sua mãe e outras duas que lhe garantiram uma renda extra pelo resto de sua vida. Teve três filhos.

 

Apesar de nunca ter estudado o primeiro grau, formou os três filhos. Meu irmão engenheiro, formado pela USP de São Carlos, hoje trabalhando e vivendo nos Estados Unidos. Eu, arquiteta, formada pela FAU/USP, hoje aposentada e trabalhando na empresa de meu marido. Minha irmã caçula cirurgiã dentista, formada pela Camilo/Castelo Branco

 

Essa é a minha história de São Paulo. A história do meu pai, que morreu em 2004, aos 79 anos; que veio de Ibitinga e foi acolhido pela cidade; que mudou a sua vida, uma vida que lhe deu todos esses presentes, como ele mesmo dizia.

 

Vera Lucia Crepaldi Selma é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo: o pão doce do meu lanche, na Mooca

 

Por Marlene Ayres Bicudo
Ouvinte da CBN

 

 

Nossa família é aquela chamada quarto centenária paulistana, família de professores. Castilho Amaral é o sobrenome por parte de mãe. Ela contava que eram em 17 irmãos, mas com o tempo as fotos contavam com apenas oito: Joaquim, João Miguel, Nelson, Olavo e as mulheres Noemia, Cida, Benedita e Roquellina. Aos três anos, mudamos para o bairro da Mooca, onde vivi por 17 anos. Nossa casa na rua Cassandoca, travessa da Taquari, ficava em meio a outras casas e diversas fábricas de tecelagem, pastifícios, metalúrgicas e indústria Matarazzo. Eu tinha bronquite e o passeio de toda semana era ir ao gasômetro, pois diziam que aquele cheiro de gás fazia muito bem aos problemas respiratórios.

 

As casas eram térreas, com terrenos compridos que tinham quintais de cimento e terra, e quase todas tinham porões. Na parte de terra dos quintais haviam árvores frutíferas, hortas e galinhas. Os porões tinham muitas histórias; além de moradia, tinham espaço para brincadeiras e a parte sombria, parte irregular na altura do porão, desabitada, que para nós era bastante assustadora

 

Na continuação da nossa rua estava o antigo hipódromo que virou o lindo parque da Mooca. Ali frequentei o parquinho — assim era chamada a creche. Com nossos uniformes de calção vermelho, conguinha branco, camisa branca, boné e mochila de tecido vermelho. Tenho boas lembranças, principalmente da hora do lanche. Canecas para cima para tomar leite com café, canequinhas viradas para baixo para quem fosse esperar o Toddy gelado, meu preferido. O lanchinho era quase sempre pão com manteiga, pão com goiabada e pão com banana.

 

Minha mãe ficou viúva quando eu fiz um ano de idade, então logo começou a trabalhar, nada muito comum naqueles anos 1960. Era maravilhoso quando ela deixava um pão doce para o meu lanche, deixado quando passava em frente ao parque a caminho do trabalho. Era uma surpresa deliciosa.

 

O parque da Mooca fez parte da minha vida, ali frequentei a escola modelo primária Dr .Fabio da Silva Prado. Era a única escola que cada sala de aula tinha um espaço individual de recreio. Os alunos não compartilhavam o recreio comum, que era reservado aos mais velhos. Era lindo porque ao redor das salas tinha o bosque. Antes de entrarmos na escola, em seu pátio externo de entrada era estendida a bandeira e todos cantávamos o hino nacional.

 

Foi no parque da Mooca que aprendi a nadar. Tinha uma enorme piscina, com uma boa parte rasa e outra funda, além do espaço com trampolim. A piscina era dividida com uma faixa azul, pois havia o lado feminino e o lado masculino, não podiam se misturar. O vestiário era bastante controlado; nada de biquíni; chuveirada antes de acessar a piscina; e os dedos dos pés eram vistoriados e rigorosamente examinados; todos tinham que abrir os dedos para não esconder nenhuma micose. A incumbência de levar-me à piscina ficava a cargo dos meus irmãos mais velhos, Luis, cinco anos mais velho que eu, e Carlos, cinco anos mais velho que o Luis. E como fazer para tomar conta da irmãzinha sem poder se misturar? Ficávamos lado a lado na faixa separadora. Aprendi a nadar rápido , pois meus irmãos paqueravam as meninas e pediam para elas me ensinarem a nadar e tomar conta de mim.

 

Não lembro de bondes, já estavam no fim de circulação. Nosso passeios eram as visitas aos parentes e eles visitarem nossa casa, era a farra dos primos. Não havia tédio, principalmente na Mooca, em meio a tantos imigrantes italianos, portugueses e tantas outras pessoas maravilhosas que se ajudavam mutuamente tornando a vida mais tranquila e segura.

 

Muitas pessoas gostariam de viver em lugares mais tranquilos, mas confesso que ao retornar de qualquer viagem, sempre digo que adoro esta São Paulo, esse agito, esse movimento que dificilmente você se sente sozinha. Pode passear na Paulista, tem lindos parques, museus, teatros, lojas, igrejas e tudo de montão. Acho o máximo. Aqui tem de tudo, pessoas gentis e educadas que prezam a limpeza, a urbanidade e digo que os paulistanos são generosos.

 

Como paulistana parabenizo minha cidade e convido a todos a amá-la muito mais, preservando e participando de sua zeladoria.

 

Marlene Ayres Bicudo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: minha paixão pelo bairro de Campos Elíseos

 

 

Por Nelmar Rocha

 

 

 

 

Há sete anos moro no bairro de Campos Elíseos, centro de São Paulo, ladeado pelos bairros de Santa Cecília, Santa Ifigênia, Bom Retiro e Barra Funda. Me mudei para o centro para ficar mais próxima do trabalho e das muitas opções de lazer que São Paulo oferece. Até então, morava em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, onde nasci, estudei, cresci, mas nunca trabalhei.

 

 

Desde os meus 17 anos, ia para o trabalho em São Paulo e voltava pra casa Cansada de perder uma hora e meia, duas no congestionamento, resolvi mudar.

 

 

A escolha pelo bairro não foi, inicialmente, por gostar da região. Na verdade, foi amor à primeira vista pelo meu futuro lar: um apartamento antigo, amplo, arejado, com grandes janelões, onde é possível observar as ruas e o movimento local. Da janela da sala, sabe-se quando há espetáculo na Sala São Paulo, pois suas luzes são acesas logo no início da noite — uma paisagem que não canso de olhar.

 

 

Passei a explorar o Campos Elíseos e aí não teve jeito, me apaixonei por suas ruas largas e arborizadas, por seus casarões quatrocentões cheios de histórias e por seu comércio, onde encontro supermercados, padarias, farmácias, feiras e lojinhas — que eu, aliás, adoro entrar e bisbilhotar! Tem de tudo um pouco, desde um alfinete até a própria máquina de costura.

 

 

O bairro tem também várias opções de lazer, como a Sala Funarte, o Sesc Bom Retiro e o Teatro e o Centro Cultural Porto Seguro. Além disso, vários outros negócios estão chegando: galerias de artes, espaços culturais, restaurantes, botecos temáticos .… E para todos esses lugares, vou a pé.

 

 

Ao caminhar pelo bairro, me encanto com o boteco minúsculo — com cadeiras e mesas nas calçadas, onde as pessoas conversam enquanto saciam sua sede e fome — e com as frutas coloridas expostas nas carrocinhas de madeiras, estacionadas nas esquinas.

 

 

Os moradores de hoje são bem diferentes daqueles que outrora habitaram o lugar, e as residências são bem mais modestas que as do final do século 19 e início do século 20 — isso porque Campos Elíseos foi o primeiro bairro planejado da cidade, para onde vieram os abastados Barões do Café, que saíam do interior para fixar residência na região, devido a proximidade da Estação Sorocabana, atual Estação Júlio Prestes, e da Estação da Luz. Para receber tão ilustres fazendeiros, foram construídas mansões enormes, com pé direito altíssimo. Verdadeiros palácios.

 

 

O bairro também foi sede do Governo do Estado, o Palácio dos Campos Elíseos, na antiga Alameda dos Bambus, hoje Avenida Rio Branco. Depois de sofrer um incêndio, a sede foi transferida para o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. O Palácio dos Campos Elíseos abriga hoje uma secretaria de estado. Outros antigos casarões são agora escolas e sede de empresas, o que ajuda a revitalizar o local.

 

 

No bairro, ainda tem muito a se fazer, mas a boa vontade de seus moradores e comerciantes, por meio da associação de bairro, e o desejo de se viver num local agradável fazem dos Campos Elíseos um lugar onde é possível trabalhar por um futuro melhor, sem esquecer um passado que ajudou a construir a cidade de São Paulo.

 

 

Nelmar Rocha é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe da série em homenagem aos 465 anos da nossa cidade: envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: quando cheguei de Angola ainda tinha garoa

 

Por Matilde Alexandrina Silveira Cristiano Moniz
Ouvinte da CBN

 

 

Cheguei em São Paulo, em 14 de dezembro de 1982, de uma pequenina cidade, no litoral de Angola. Na época, com apenas 17 anos e meio, desembarquei no aeroporto de Viracopos. Estava acompanhada de um irmão, um ano mais velho e, juntos, fomos para a Vila Mariana, morar com duas tias, irmãs da minha mãe.

 

Na bagagem, um mundo de expectativas, sonhos e medos.Deixávamos para trás, nossos pais, uma irmã mais velha, amigos, animais de estimação, histórias da infância.

 

Na época, São Paulo ainda era da garoa. Lembro-me bem da minha decepção ao constatar que, em pleno verão, tínhamos dias frios, cinzentos e com uma constante chuvinha. Eram dias tristes e me deixavam ainda com mais saudade da família. Mas esse era apenas um detalhe.

 

Deparei com uma cidade grande, desajeitada, porém com um enorme e acolhedor coração, que recebia com carinho e compaixão todos que aqui queriam prosperar — nordestinos, sulistas, nortistas, brancos, negros, asiáticos… e a todos oferecia inúmeras oportunidades.

 

Em São Paulo reconstrui minha vida e fui atrás dos meus sonhos: casei, estudei, trabalhei e tive filhos. Aqui, vivi momentos de alegria e tristeza. Porém, cada tijolo dessa reconstrução aumentou e fortaleceu meu encantamento e paixão pela metrópole.

 

Hoje me pergunto qual região elegeria como símbolo da cidade e chego à conclusão que seria, sem dúvida, a da Avenida Paulista, pelo significado que tem para mim, por sua presença constante em minha vida. Na Paulista, trabalhei por 23 anos, conheci meu marido e companheiro de jornada, nasceram e estudaram meus filhos, até a conclusão do ensino médio. E sempre acompanhei as grandes mudanças que nela aconteceram: da avenida glamorosa, das décadas de 1980 e 1990, à avenida das grandes manifestações e de lazer, dos dias de hoje. A Paulista é, para mim, a cara de São Paulo.

 

Matilde Alexandrina Silveira Cristiano Moniz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo: amedrontado pela falsa ideia de ser engolido na Pauliceia

 

Por Alceu Costa
Ouvinte da CBN

 

 

 

Quando cheguei em São Paulo,
Eu era um jovem calado,
Discreto, comportado,
Risonho, mas assustado,
Caipira um tanto acanhado,
Amedrontado pela falsa ideia
De ser engolido na Pauliceia,
Uma imensa cidade desvairada,
Sob a lei do tudo ou nada
Da ditadura militar instalada.
Com humildade e orgulho,
Fui morar na Av. Mercúrio,
Aos poucos, comecei a trabalhar,
Na Light, até me aposentar,
Casado, residindo no Cambuci,
Meu lugar com certeza é aqui,
Próximo do Parque da Aclimação,
Porém, faço esta observação:
Aquele jovem encabulado,
Há muito tempo passado,
Aquém desta nova era,
Frequentou o Parque Ibirapuera,
Embora pouco assíduo,
Mais à noite do que de manhã,
Jamais deixou esquecido
O concorrido Tobogã.
Por isto, ó Parque Ibirapuera,
Agora, como eu, sexagenário,
Com muito Amor de atento cidadão,
Deixo-te estes versos de saudação,
Meu precioso talismã,
Do ontem, do hoje e do amanhã. 

 



Alceu Sebastião Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe da série em homenagem aos 465 anos da nossa cidade: envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: um fusca embrulhado para presente

 

Por Célia Corbett
Ouvinte da CBN

 

 

Essa história aconteceu em maio de 1971. Éramos uma família recém-chegada ao bairro de Higienópolis, na Avenida Higienópolis esquina com a Rua Sabará, no Edifício Parque Higienópolis, um edifício pomposo de 21 andares e novinho em folha. Éramos meu pai, Helio Ferrari, três filhos, Márcia, Carlos e Célia e meus avós paternos, Anna e Francisco.

 

Meu pai já havia decidido presentear o Carlos que havia passado no vestibular para cursar a faculdade de engenharia, no Instituto Mackenzie. O Carlos sempre foi um ótimo aluno, rapaz correto e filho amoroso que merecia um bom presente, mas Sr. Ferrari era um pai prestimoso e queria que o presente fosse entregue literalmente embrulhado.

 

Sr. Ferrari poderia dizer: — “Carlos, vamos à concessionária da Rua Maria Antonia buscar seu fusca”. Mas, ele era um pai muito especial e estava presenteando um filho do qual muito se orgulhava. Foi quando me passou a missão: — “Filha, embrulhe o carro de seu irmão para presente com laço e tudo”.

 

Sr. Ferrari foi para o centro da cidade trabalhar na Rua Conselheiro Crispiniano. O Carlos foi para bem longe, uma vez que meu pai lhe deu uma tarefa deveras difícil para executar e eu meio atônita, fui providenciar um grande lote de papel celofane azul.

 

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Seu Ferrari entrega o presente para o filho Carlos em foto da família

 

Missão dada, eu, de joelhos colei uma folha à outra no chão da garagem do prédio onde morávamos e onde o fusca já estava. Ninguém entendia nada, papel para todos os lados, uma trabalheira enorme. O pessoal do prédio — porteiros e faxineiros e condôminos — olhavam incrédulos para aquele trabalho todo. Seguiu-se o cuidadoso procedimento de embrulhar o Fusca para presente. Até aí funcionou tudo bem. Mas depois veio o laço, pois um pacote de presente que se preze tem que ter um belo laço, não é mesmo? E assim foi feito, um laço bem grande com papel celofane vermelho.

 

Sr. Ferrari sentou-se na sua máquina de escrever e datilografou uma carta temática como se o Fusca fosse um “gênio do bem” que chegaria para cumprir uma missão para o seu novo “amo”.

 

Assim era a carta:

 

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Quando o Carlos voltou já estava tudo pronto, carta escrita, chaves separadas, fusca embrulhado para presente e máquina fotográfica preparada. A entrega do carro ocorreu com toda a pompa e circunstância que haviam sido meticulosamente idealizadas e preparadas por meu pai e por mim. Quem não estava esperando tudo isto era o Carlos e não é difícil imaginar a emoção que envolveu este fantástico acontecimento familiar. Tudo aconteceu no bairro de Higienópolis, precisamente no dia 2 de maio, quando o Carlos completava 19 anos.

 

Eu sou a Célia, hoje eu tenho 64 anos e o Carlos, 66. Tenham certeza que essa história está guardada no melhor lugar dos nossos corações.

 

Célia Corbett é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Venha participar desta série e envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo: Cambuci, o bairro onde nunca morei

 

Por Julio Araujo
Ouvinte da CBN

 

Minha relação com o Cambuci vem desde os meus avós que habitaram no bairro entre 1915 e 1948. Minha avó nasceu e foi criada no bairro num tempo em que a cidade de São Paulo era bem provinciana, há mais de 100 anos. Meu avô, de origem italiana, argentino de nascimento, foi sempre ligado ao comércio, teve caminhão de frutas, também foi “chofer de praça” num ponto do Largo do Cambuci. Foi também sócio de um mercadinho na Avenida Lins de Vasconcelos, no coração do bairro.

 

No Cambuci também nasceu, em 1925, minha mãe, na Rua Gama Cerqueira. Foi criada no bairro e só saiu quando se casou. Ela sempre contava histórias de lá, dos carnavais passados, da vida dura. Morou com a família também em outras ruas, sempre pagando aluguel.

 

Nos anos 1920, o bairro já era bem desenvolvido, devido à sua localização próxima ao centro da cidade.

 

Na década de 1950 apresentava características de bairro aristocrático, com ótima infraestrutura, ruas asfaltadas e muitas ainda com paralelepípedos. Havia a linha do bonde para o centro da cidade.

 

A minha primeira lembrança do bairro remete quando tinha 6 ou 7 anos. Era 1957, meu avô era sócio num mercadinho da Lins de Vasconcelos, próximo à Aclimação. Minha mãe me levava para visitá-lo e lá ele servia sanduíche e guaraná sem gelo. Durante muito tempo me intrigou o porquê de aquele refrigerante ter um gosto tão diferente. E a culpa era do fato de não estar gelado!

 

Quanto eu completei 11 anos, eu ia ajudá-lo no mercadinho e pude conhecer toda a redondeza, pois realizava entregas em domicílio. Eu percorria a Avenida Lacerda Franco, a própria Lins de Vasconcelos e as travessas do entorno. Numa dessas andanças, pela primeira vez entrei num prédio de apartamentos, o Edifício Ligia Maria. Fiquei assustado ao ver as pessoas morarem tão apertadas, aquelas unidades uma colada na outra. Eu fazia a entrega e ia embora.

 

Sempre ouvi que o primeiro mercado com sistema de auto-serviço foi no Cambuci: o Peg Pag. Havia também o cine Riviera, onde hoje está a igreja Renascer. Lembro da Copa de 1962, o jogo Brasil x Espanha transmitido no rádio da Auto Escola Lins, que ficava ao lado do mercadinho, com a transmissão do locutor Pedro Luiz.

 

O jogo estava muito nervoso, Espanha ganhava de 1 a 0, parecia o fim. Eu bem moleque também sofria, mas acho que mais por causa de ver os adultos sofrerem tanto. Eles suavam, embora fizesse um frio tremendo naquele dia. Veio o segundo tempo e “Gooool de Amarildo!!”, o Brasil empatava. Que alívio! Eu olhava pros adultos e contemplava a felicidade deles. Depois veio o segundo gol. Virada! Brasil ia pra finais da Copa do Chile.

 

E todos foram pro mercadinho comemorar, beberam, comeram traziam noticiais de que a TV Record iria exibir o videotape no outro dia. Meu avô não se entusiasmava tanto, afinal ele era argentino. Enfim, todos estavam muito felizes. A Avenida Lins foi tomada à noite pelos moradores, era o mês de junho, também o mês das festas juninas.

 

Passou o tempo, me afastei do Cambuci, eu já estava na idade militar com medo de servir o Exército, em plena ditadura, e ir pra Quitaúna, ou Barueri, que eram quartéis longe à beça. Inventei de tudo pra não servir. Nada funcionou. Estava chegando o momento. No derradeiro dia, o praça que chamava os convocados já havia dito onde serviriam e muitos deles foram para longe. Chegou minha vez, ele olhou pra mim e riu ironicamente, finalmente disse: “sossegado hein?!” Pensei, estou livre. Mas ele continuou: “você vai servir no Batalhão de Saúde… no Cambuci.. só tem sossegado lá!

 

Puxa! Eu não queria servir de jeito algum, mas era no Cambuci, nos fundos do Hospital Militar. Tudo de bom. Perto de casa. Depois que eu estava lá dentro o mesmo soldado era praça velha cumprindo o período de núcleo-base
Fiquei no quartel um ano num período do auge da ditadura militar, em 1969.

 

Incorporei no dia 16 de maio. O quartel já havia passado por uma invasão com roubo de armas do corpo da guarda do hospital um ano antes. Foi um período em que, apesar das dificuldades decorrentes das constantes prontidões e do clima político tenso, eu me reencontrei com o bairro, o que me deixava muito contente.

 

No carnaval de 1970, eu estava de serviço e na quarta-feira de cinzas saí com outros soldados para ver o término dos desfiles no Anhangabaú. Ficamos bem próximos dos componentes da última escola a desfilar. O nome: Império do Cambuci. Muitas coincidências.

 

Em 1970, dei baixa do Exército e aí começou a dificuldade para encontrar emprego, eu havia parado de estudar no segundo ano colegial. Eu não sabia muito o que queria. Trabalhei um ano numa gráfica na Vila Prudente, mas não parava em emprego algum. Até que em 1972 encontrei no jornal dois anúncios para atuar em escritórios. Um era na Votorantim, no escritório da Praça Ramos de Azevedo e o outro era… adivinha onde? No Cambuci, na empresa Lastri Indústria Gráfica, que ficava na rua Independência.

 

Novamente o Cambuci entrava na minha vida. No teste na Votorantin nada deu certo, eu só pensava em terminar logo e ir para o Lastri, —sim com “o” como os gráficos diziam, embora a nova geração pronunciasse a Lastri. No Lastri fui muito bem e me contrataram.

 

O bairro também se caracterizava pelo grande número de indústrias gráficas existentes, as maiores do estado e, como o Lastri, que não existe mais, do Brasil.

 

Passou o tempo, o Cambuci envelheceu, as famílias tradicionais mudaram de lá. Muitas foram para bairros mais recentes que se formaram, como a minha família. Na década de 1990 conheci o restaurante do cantor da jovem guarda, o Ed Carlos, com o nome de Ed Carnes, na Rua Theodureto Souto, que até hoje se encontra no mesmo local. Um local muito agradável e aconchegante.

 

Vejo que atualmente o bairro está se modernizando e voltando aos poucos a ganhar importância.

 

Enfim, muita coisa ocorreu na minha vida envolvendo o bairro do Cambuci e queria um dia relatar. Por isso tenho um sentimento muito grande pelo bairro.

 

Ahh! apesar do bairro fazer parte da minha vida, nunca morei por lá e nasci na Vila Monumento. Morar não morei, mas meu coração sempre terá um lugar para o Cambuci.

 

Julio Araujo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Participe desta homenagem a nossa cidade: envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo: o passeio ao centro tinha o sabor do guaraná caçula

 

Por José Antonio Braz Sola
Ouvinte da CBN

 

 

 

Início da década de 1960. Morávamos em Pinheiros, perto do Largo. Eu tinha uns 7 anos e minha irmã, 4. Nos domingos em que meu pai — um simples comerciário — tinha folga, ele nos  levava para passear, de ônibus ou de  bonde, enquanto a mamãe ficava em casa cuidando do almoço mais caprichado da semana.

 

Íamos com frequência ao Parque da Água Branca, onde podíamos ver e tocar  os bichinhos que tanto nos encantavam — especialmente bois, vacas e cavalos. Lembro-me de que ficava particularmente feliz quando o ônibus passava em frente ao Estádio Palestra Itália, sede do clube pelo qual já era apaixonado, o Palmeiras.

 

Fazíamos passeios  também no centro, onde ficávamos maravilhados com as vitrines das lojas mais conceituadas da cidade, localizadas nas Ruas Barão de Itapetininga, 24 de Maio, do Arouche e na Praça da República. Era uma época pré-shopping centers.

 

Seguíamos, também, até a Praça do Patriarca, para admirar a vitrine da Kopenhagen, que estava sempre ornamentada maravilhosamente, sobretudo em datas especiais como Páscoa e Natal. Em dezembro, claro, era obrigatório ver e falar com o Papai Noel no Mappin, além de ir apreciar o maravilhoso presépio mecanizado, montado na Galeria Prestes Maia.

 

O dinheiro do papai era curto, mas ele dava um jeitinho de nos oferecer um lanche, sempre acompanhado do insubstituível Guaraná Caçula Antárctica. Sinto muitas saudades daqueles tempos, de todas aquelas coisas e especialmente daquela São Paulo.  

 

José Antonio Braz Sola é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: sapato e bolsa combinando para passear no centro

 

Por Elvira Pereira

 

 

Parabéns São Paulo! Cidade em que nasci e que tanto amo! Como dizia Fernando Pessoa: “o Tejo não é mais bonito do que o rio que corta a minha aldeia” Para mim, São Paulo é a mais bela cidade do mundo!

 

Filha de portugueses, nasci no Bairro do Brás, na Rua Piratininga, há 75 anos. Depois nos mudamos  para o Tatuapé, onde vivo até hoje. Todo ano, ao se aproximar as comemorações do aniversário de São Paulo, faço uma retrospectiva, uma viagem interna com direito a escala nos anos 1960.

 

Éramos de família de poucos recursos — meus pais e três filhas. Nosso sonho de consumo era ir à cidade, como se dizia na época. E ninguém que se preze ia desarrumado. Vestíamos nossa melhor roupa, que não era de grife, combinando a bolsa com o sapato. E lá íamos pegar o bonde Praça Clóvis, na Avenida Celso Garcia.

 

Descendo na praça, seguíamos a pé até a Rua Direita com destino às Lojas Americanas,  que era a apoteose do passeio. Mais precisamente, a lanchonete ao fundo da loja. Ah!… aquele cachorro quente ! Ainda sinto o aroma e o sabor do delicioso molho de tomate com pimentão e cebola. Inigualável. 

 

Dando continuidade ao nosso “tour”, seguíamos até o Mappin, com suas lojas de departamento. Ainda ouço a voz do ascensorista, parando em cada andar, abrindo a porta de grades do elevador com as mãos enluvadas, anunciando  os produtos.

 

Após o Mappin, um giro pela Praça da República, que era melhor cuidada e frequentada. Depois o retorno para casa, também de bonde com a sensação de quem fez uma viagem inesquecível.

 

Lembranças que na verdade são carícias congeladas em nossos corações.

 

Elvira Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.