Conte Sua História de SP: queria comprar um sapato novo

 

No Conte Sua História de São Paulo, você acompanha o depoimento de Hilário Burri ao Museu da Pessoa. Hilário nasceu em Dois Córregos, interior de São Paulo, em 1924. Veio para a capital, depois que um irmão conseguiu alugar a casa para os pais, no bairro do Sacomã. Da casinha no Sacomã, o pai conseguiu outra no Alto do Ipiranga, época em que seu Hilário já era ajudante de pedreiro na empresa Elevadores Atlas. No caminho não havia calçada, apenas barro, o que o obrigava a levar um sapato extra na sacola. Para sair de lá, só havia uma linha de ônibus. Seu Hilário conta que todo o dinheiro que ele e os irmão ganhavam tinha de ser entregue para o pai. Até que ele resolveu mudar a ordem das coisas

 

 

Hilário Burri é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Você também pode registrar, em áudio e vídeo, suas memórias. Agende entrevista pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Se quiser, escreve um texto e envie para mim: milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: embalei meu filho no samba da Vai Vai

 

Maria da Conceição Pereira nasceu em Sabinópolis, Minas Gerais, em 1951. Neta de portugueses, cresceu em ranchos feitos pelo pai, que trabalhava na agricultura como meeiro. Aos oito anos foi morar na casa do padrinho para poder estudar. Com 13, mudou-se para São Paulo onde começou a trabalhar com arte. Vivia em Santo Amaro, mas gostava mesmo de passear nos Jardins, sempre acompanhada da irmã e amigas. Foi lá, ainda com 18 anos, que conheceu o marido: homem bonito, de bigode e sempre com um carrão. Não era dele, era do dono do banco para o qual trabalhava. Motorista exemplar, era respeitado por todos os colegas, podia até levar o carro para casa. A mãe e a irmã providenciaram o enxoval, todo comprado na loja do Mappin. E Maria da Conceição Pereira casou-se, em uma igreja no Piraporinha, zona sul da cidade. Orgulhosa, diz que todo povo do banco compareceu. Foi morar no Bixiga, bem onde a escola de samba Vai Vai ensaiava para o Carnaval. No depoimento, gravado pelo Museu da Pessoa, Dona Conceição lembra de como o samba da Vai Vai a acompanhou durante toda a gravidez:

 

 

Maria da Conceição Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento dela foi gravado no Museu da Pessoa. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade, e registrar suas memórias, agendando entrevista, em áudio e vídeo, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Se quiser, mande seu texto para mim: milton@cbn.com.br e leia outras história de São Paulo aqui no Blog.

Conte Sua História de SP: o telefone tocou e meu sonho se realizou

 

No Conte Sua História de São Paulo você vai conhecer Diego Christiano Pila. Ele nasceu em São Carlos, em 1978, viveu parte da sua infância num sítio na zona rural. Aos 15 anos morou com os avós para continuar os estudos. Ingressou na faculdade de Relações Públicas na Unesp, de Bauru. E sempre sonhou em trabalhar na cidade grande. Após três anos de formado, a oportunidade chegou. Mas por muita sorte. Além de Diego ter conseguido passar para a quarta e última vaga de um concurso para a Petrobras quase perdeu a data do recrutamento. Esquecera de avisar à empresa que havia mudado de endereço. O telegrama que o informava sobre os procedimentos para inscrição nunca chegou até ele.

 

Os trechos que você vai ouvir desta história foram gravados pelo Museu da Pessoa:

 

 

Diego Christiano Pila é pesonagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode registrar suas memórias em áudio e vídeo, marcando uma entrevista pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Pode também escrever sua história e enviar para mim: milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: o escocês que se apaixonou pela cidade

 

No Conte Sua História de São Paulo você ouve o depoimento de Barry Michael Wolfe ao Museu da Pessoa. Barry é escocês, nascido em Glasgow, em 1955. Criança, sonhava ser Sherlock Holmes e se divertia ao andar de terno, gravata e chapéu espiando as pessoas. Virou advogado, ainda na Escócia. Conheceu o Brasil pelo filme “Gabriela, Cravo e Canela”, e nas músicas de Vinícius de Morais. Apaixonou-se. Em Londres, chegou a tocar tamborim em uma escola de samba. Mas só conheceu o país, em 1986, a convite de um amigo que comandava grupo de investidores estrangeiros. Aqui, esteve no Rio e São Paulo, em visita que antecederia sua decisão de se mudar definitivamente para viver no Brasil:

 

 

Barry Michael Wolfe é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa (assista à entrevista completa aqui). Você também pode registrar a sua história, agende entrevista em audio e vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Se quiser, conte sua história por escrito e envie para o e-mail milton@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br.

Conte Sua História de SP: minha turminha da William Harding, no Tucuruvi

 

Por Luiz Cesar de Almeida Bischoff

 

 

Rua William Harding, Tucuruvi, bairro que outrora, nos anos 50, chegou e a ter uma estação de trem, que antes de sua desativação pude ainda passar diversas vezes por ela. A lembrança do trem me traz a dos amigos de infância, dos quais grande parte perdi o contato. Mas voltando no tempo na “nossa” rua , sem os transtornos do trânsito ou dos carros estacionados tomando o “nosso” espaço, jogávamos taco , empinávamos pipas, papagaio, maranhão, não havia essa coisa de cerol ou cortante, apenas empinávamos para competir qual a mais bonita ou quem levava a “pipa” mais longe.

 

Competição sadia, jogávamos bola na rua mesmo, onde as traves do gol ou eram os nossos próprios chinelos ou mesmo dois pedaços de pedra, bola essa que quando caia no quinta do “seu” Olívio e da dona Francisca, era um terror, pois era certeza que a bola seria devolvida toda rasgada. Esse ódio pela bola é que sempre acertavam as roseiras do seu jardim.

 

Um dia, só de pirraça , após termos mais uma bola rasgada, combinamos que todos juntos iríamos “mijar” na garagem da casa do “seu” Olívio. Não foi surpresa nossas mães ficarem sabendo do fato e todos levamos uma “surra”, apenas o objeto usado variou de palmadas a cinto de couro grosso.

 

Em muitas vezes após sairmos do colégio Silva Jardim, onde logo em frente havia um morro, hoje Av Dr Antonio Maria de Laet, servia de palco para brincadeiras como escorregar com caixas de papelão morro abaixo.

 

Todos tínhamos nossos problemas e dificuldades, seja pela falta de um pai ou desemprego ou pelo apego à bebida , crianças que fomos, nossa vida era jogar pião, brincar de esconde-esconde, fazer fogueira e “roubar” frutas no enorme terreno dos Lima, que hoje é a estação do metrô e Shopping Tucuruvi.

 

Quanta diferença, onde está a garoa da minha infância que me acompanhava, quase todas as manhãs, como amiga solitária nas minhas idas a escola? Onde está o ar que podia aspirar com força e nele sentir o cheiro do capim cortado, que iria alimentar o cavalo do verdureiro? Onde está o canto dos bem-te-vis, que invadia nossos ouvidos e nos obrigava a acordar, mesmo sem querer? Onde estão as revoadas de andorinhas, que sempre invadiam o céu da “nossa” rua nas tardes quentes de verão? Onde está a água da bica, que todos tomávamos e que fluía em frente da rua Cônego Ladeira, rua essa em frente a simpática Paróquia do Menino Jesus e na qual fui batizado?
Lembranças que puxam outras e poderia passar horas, dias à escrever sobre elas mas tenho que terminar por aqu , não deixando porém de citar alguns amigos da “nossa” rua Willian Harding, como o Reinaldo, Luzia, Nelsinho, Neder, Fábio, Carlos, Mauricio, Nairo , Rolf ,Rosangela, Luis, Anselmo, Emílio, Leda, Ivo, enfim todos aqueles que de algum modo fizeram parte da minha infância e adolescência , deixo aqui um grande e fraterno abraço a cada um.

 

Luiz Cesar de Almeida Bischoff é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade aqui na CBN enviando seu texto para milton@cbn.com.br. Ou pode gravar seu depoimento no Museu da Pessoa. Agende no email contesuahistoria@museudapessoa.net e receba depois um DVD com suas memórias.

Conte Sua História de SP: rodei o mundo e vivo no Copan

 

Por Edyr Sabino
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Eu era pequeno quando vim à São Paulo pela primeira vez. Foi há 50 anos. Eu tinha apenas 7 anos de idade. Minha família havia comprado nosso primeiro apartamento na Capital. O termo metrópole estava começando a fazer sentido para mim. Nossa vida no interior, Penápolis, era bem mais tranquila. Eu não me lembro muito bem da viagem de lá para cá, pois dormi a maior parte do tempo. Acho que me deram algum remédio para dormir durante a viagem e não vomitar. Mas me lembro do dia quando cheguei aqui pela primeira vez na minha vida. A cidade de São Paulo era grande. Era década de 1960.

 

Atravessar a Av. Ipiranga era um desespero. Minhas tias Elmaza e Geni apertavam as minhas mãos, dizendo que era para eu não escapar. Elas não contavam que estavam com medo de atravessar a rua sem serem atropeladas. Elas eram músicas e acho que já haviam ouvido Adoniram Barbosa cantar sobre uma moça chamada Iracema, que morreu atropelada num esquina ali perto, na Av. Sao João. Eram aqueles ônibus Mercedinho, azul e creme, que passavam.

 

Eu gostava do que via. O Edifício Copan ainda tinha andaimes, ainda estava em obras, e nos já tínhamos apartamento quitinete no bloco B, 8º andar. Aquele monte de botões nos elevadores me impressionavam. Ver aquelas rampas que sobem ou descem naquele bloco e o corredor enorme e tortuoso, cheio de portas uma ao lado da outra. Parecia ter uns 20 apartamentos por andar, com muito eco. Tínhamos que caminhar em silêncio, senão poderia chamar a atenção dos outros moradores. Mas não tinham muitos moradores ainda. O prédio ainda não havia sido oficialmente inaugurado. Meus tios pisavam forte e minhas tias, bastavam chinelos. Som que gerava um eco inconfundível.

 

A cidade era cinza. Foi quando eu aprendi o termo garoa! Terra da Garoa!

 

Não nasci em São Paulo. Adoraria sair desta cidade, mas é nela que vim morar e é nela que eu vivo. Rodei o mundo, e vivo no Copan, na cidade de São Paulo até hoje

 


Edyr Sabino é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio.

Conte Sua História de SP: meu tempo nessa cidade

 

Por Caubi Dias

 

 

Meu tempo nessa cidade
Foi um tempo sem conquista
Tempo sem “privacidade”
Com tempo assaz pessimista
Pois daquele tempo eu sei
Que era mau tempo e morei
Algum tempo, em Bela Vista.

 

Se era tempo de Bexiga
No meu tempo eu só sabia
Que o tempo era só de briga
Em todo o tempo que havia
E em tempo de confusão
Pedi, ao meu tempo, opção
De tempo em Vila Maria.

 

Mas lá fiquei pouco tempo
Pois em tempo de agonia
Eu, de tanto perder tempo
Sem tempo de mordomia
Troquei de tempo e cidade
Por mais um tempo à vontade
E, a tempo, como eu queria.

 

Sou nordestino.
Me adaptei bem em GuarUhos
Estou passando através do tempo que não passa,
porém muda e faz barulho.

 

Caubi Dias é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O programa vai ao ar, aos sábados, no CBN São Paulo, logo após às 10 e meia da manhã. Para participar, envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pela e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Conte Sua História de SP: as férias na Vila Prudente

 

Por Martha Catalunha

 

 

Por aqueles idos de 70, eu, uma criança que vivia em cidade pequena movimentada pela velocidade e ruído dos Gordinis e DKVs e passava as férias escolares na casa de tia Francisca e tio Germinal, na esplendorosa metrópole Paulistana. Ali, na Vila Prudente, lembro-me bem, meus olhinhos infantis dançavam e se iluminavam com os out-doors, as letras garrafais em lâmpadas piscando pela cidade, viadutos e semáforos lotados de carros, automóveis, caminhões, ônibus e Fuscas “envenenados”, ah! e a louca e tresloucada velocidade das pessoas caminhando pelas ruas, alamedas e avenidas.

 

Da casa de tia Francisca, subindo no telhado da cozinha, podia ver a estação de trem da Vila Prudente e a fábrica da Ford. Como era gostoso meu Deus, passava horas ali admirando a velocidade de São Paulo… e que velocidade…!

 

Sonhava morar nesta cidade, tomar o trem todos os dias quando entrasse no mercado de trabalho e passar por aquela roleta gradeada e muito grande (para o meu tamanho de menina), a qual eu observava tanto…

 

Muitas vezes, à meia-noite, antes que caíssemos nos braços de Morfeu, eu e meu primo pulávamos da cama para comer aqueles gostosos sanduíches enormes recheados com hambúrguer, salada, tomate, ovo e muita maionese que nosso primo Rude nos trazia de onde trabalhava. Guloseima que eu conhecia somente na cidade grande.

 

Foi também nos rodopios da “Paulicéia” de Mário de Andrade que dei meus primeiros passos numa lenta dança a dois, ao som de Elton John com sua “Goodbye Yellow Brick Road”, puxada pelo meu primo Gérson tão menino quanto eu.

 

Aos finais de semana sempre vinham nos visitar meus queridíssimos e modernos (para a época) primos Adhemar e Helena com sua filhinha Gisele. Ríamos muito, muito e muito, o Adhemar – com suas costeletas à Émerson Fittipaldi – só contava piada, e desopilávamos o fígado como num verdadeiro campeonato de gargalhadas.

 

Uma parte de meus sonhos infantis tornou-se realidade: foi aqui mesmo que principiei minha vida profissional, mas já a Vila Prudente não era a mesma, o viaduto, o que aconteceu mesmo com ele? Ih, o trem perdeu a graça e a estação foi desativada, a velocidade das pessoas misturou-se à minha e os sonhos coloridos da infância repousam inocentemente numa romagem de saudade…

 

Martha Catalunha é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agente entrevista, em áudio e vídeo, no Museu da Pessoa pela e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Conte Sua História de SP: eu, meu irmão e minhas amigas na cidade

 

Por Eloisa Pasquini
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Nasci em São Paulo, em 1953, quando meus pais moravam à Rua Borges Lagoa no bairro de Vila Clementino. Naquela época, a cidade era bem diferente. Meu irmão e eu brincávamos na rua sem nenhum perigo. Havia pouquíssimo movimento de carros e nenhum problema de segurança. Pulávamos corda e amarelinha, jogávamos bola, e a vida era muito boa. Nos dias chuvosos, quando não podíamos sair de casa, meu irmão e eu ficávamos sentados de frente para a janela da sala e a brincadeira era contar os carros que passavam na rua…com certeza havia muito poucos carros nessa época. Lembro-me dos grandes táxis pretos. Todos carros importados, pois a única fábrica nacional era a da Volkswagen.

 

Quando tinha oito anos e meu irmão dez, mudamos para a Rua Manoel da Nóbrega a 400 metros da Avenida Paulista, e paralela a Av. Brigadeiro Luiz Antonio. Nessa época, a Paulista tinha casas residenciais enormes e muito bonitas com lindos jardins. Me lembro de passear na Paulista com meus pais. Era um passeio bonito onde admirávamos as casas, as árvores, as belezas da avenida. Nessa época a região ainda era considerada bairro residencial e o centro da cidade é o que hoje chamamos de centro velho. Na Paulista e na Brigadeiro passava bonde. Lembro-me muito bem como era bom andar de bonde. A região era tão calma que ainda podíamos brincar na rua sem nenhum problema. Meu irmão tinha uma turminha de amigos e eles desciam o ladeirão da Manoel da Nóbrega de carrinho de rolemã. Lá embaixo eles viravam na rua Tutóia, paravam, subiam à pé e desciam tudo de novo. E era pura diversão.

 

Eu também tinha minhas amiguinhas, mas como sempre fui muito moleca, um dia, pedi para andar de rolemã. Não me emprestaram de muito bom grado, mas lá fui eu. Como não tinha experiência, desci a ladeira à toda e quando cheguei na Tutóia não consegui virar, continuei em frente e só parei em frente ao quartel que tinha lá embaixo, bem longe, onde a rua já era de duas pistas. Claro que quando voltei ouvi de tudo … mas não me intimidei e continuei me divertindo. Meus pais só ficaram sabendo que eu andava de carrinho de rolemã quando eu já era adulta.

 

Acompanhei toda a mudança da Av. Paulista. Casas lindas sendo demolidas e prédios enormes construidos. Um vai e vem de caminhões entrando e saindo dos terrenos e de repente um lindo prédio surgia. Me lembro também quando a corrida de São Silvestre era à noite! Sempre na Paulista. Algumas vezes a assistimos ali mesmo, era uma enorme emoção.

 

Apesar de ser uma região residencial já havia alguns cinemas e outros foram surgindo com o tempo. Os cinemas eram na rua e não em shoppings como hoje. Nossa turminha de adolescentes se reunia e seguia a pé para os cinemas. Na volta, mesmo que fosse escuro, não havia perigo e andávamos sem medo de assaltos. Que tempo bom era esse!?

 

Me lembro também do primeiro shopping inaugurado em São Paulo. O Iguatemi na Av. Faria Lima. Se não me engano em 1966. Era uma grande novidade. Nessa época o chique era fazer compras na Rua Augusta.

 

Morei em São Paulo até 2003, quando mudei para Atibaia onde estou até hoje. Na época não foi fácil me acostumar numa cidade pequena, mas hoje gosto muito daqui. À vezes quando estou ouvindo a CBN e ouço a respeito dos congestionamentos de trânsito fico ainda feliz. Aliás, gosto de ouvir vocês e ficar por dentro de tudo que acontece nessa querida cidade onde passei 50 anos da minha vida.

 


Eloisa Pasquini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade aqui na CBN. Mande seu texto para milton@cbn.com.br. Ou melhor ainda: agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa: contesuahistoria@cbn.com.br. Você vai lá, grava seu depoimento e ainda recebe um DVD com suas memórias.

Conte Sua História de SP: O dia em que o Corinthians foi campeão

 

Por Suely A. Schraner
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Vai corinthians!

 

Era 1977 e o clima, uma ansiedade cinzenta. A alegria em preto e branco. A realidade em tecnicolor.

 

Luis Pinguinha, faltou ao trabalho para ficar picando papel. O Dario fez um balão enorme em preto e branco. O Muniz saiu pra comprar ingressos pra todos.

 

Não entendia nada do que via. Medo da massa. Virgem de estádio. De concreto o filhinho de seis anos, louquinho pelo Corinthians. Ingresso na numerada, que seguro morreu de velho. As colegas de escritório quiseram ir. As comadres com seus pimpolhos corintianos, também.

 

Entrar no Estádio do Morumbi até que foi fácil. Coração disparado. Como sair daqui no final? Em volta só emoção. Multidão cadenciada entoava: filhos da puta, filhos da puta. Eram guardas que entravam com seus cães policiais. Alinhavam-se em campo para dar mais segurança. Segurança? Engrossar esse coral. Catarse popular. Desabafos anônimos em resquícios de ditadura.

 

Os olhos dos circundantes a brilhar. Ovação ao plantel corintiano. A boca a salivar. Coração a saltitar. Entra a Ponte (Preta) pra enriquecer o repertório de nomes feios.

 

Começa o jogo. A Jurema gritava:Geraldão, minha paixão, Geraldão, minha paixão! Virou bordão.

 

Bem depois e era já, aos 36 minutos, Zé Maria bate uma falta pela direita. A bola percorre toda a pequena área e vai parar no pé de Vaguinho. De bico, ele chuta a bola no travessão do goleiro Carlos. Na volta ela quica no chão e sobe para Wladimir cabecear. Em cima da linha, Oscar também de cabeça, salva. No rebote, a bola sobra pro pé direito de Basílio. Ele faz o gol. Quebrou o jejum de 23 anos! Festa no Morumbi. No cordão de isolamento até os guardas chorando.A torcida invade. Faz mal não.

 

Esperar a vida toda pra sair do estádio. Ainda assim, massa comprimida. A numerada é pra poucos. A rampa de saída, pra todos. Neguinho segurava a bandeira no ombro.Enorme. No mastro de bambu, a cachaça já secara. Com a mão livre, batucava levemente nos traseiros de quem vinha à frente. A Jurema perdeu o radinho de pilha. Roubaram o guarda-chuva da Neuza.

 

Na rua lateral , o ônibus da torcida Ponte Preta. Se puseram a cantar: Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni. O filho falou, vamos correr mãe? Melhor não, ela respondeu. Então vou tirar a camisa.Não demonstre medo, que é pior, filho. Uma pedra acertou o braço, outra maior nas costas. Lapidação bem agora? Uma viatura chegando. Ufa!
O resto foi o que vocês ouviram no rádio.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.