Um pouco do que penso sobre ser jornalista

 

Recentemente concedi entrevista para o site NUBE que faz seleção e recrutamento de estagiários na qual falei sobre exercer o jornalismo. Reproduzo aqui o resultado da conversa com a repórter Cláudia Giannoni. O texto que segue é da apresentação da entrevista feita pelo próprio site:

 

 

Jornalista há 30 anos e uma das vozes mais conhecidas pelo brasileiro. Logo cedo, acorda os paulistanos com as mais diversas notícias e informações e faz de sua rotina uma pauta diária. No “Especial Carreira” desta semana você conhecerá um pouco mais sobre Milton Jung, âncora da Rádio CBN.

 

Formado em jornalismo pela PUC, ele conta ter pensado durante uma época de sua vida em fazer educação física. “Porém, toda minha família é da imprensa, tio, pai, esposa. Então, não tive como fugir muito do ramo”, comenta.

 

Em sua carreira, já passou pelos mais renomados veículos de comunicação e adquiriu uma experiência imbatível na arte de noticiar. Portanto, se você quer conhecer um pouco mais sobre o mundo onde os acontecimentos mandam e desmandam nos assuntos midiáticos, assista agora mesmo mais uma reportagem da TV Nube!

 

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Conte Sua História de SP: chegou do Egito para encontrar a Liberdade

 

No Conte Sua História de São Paulo, você ouve um pequeno trecho do livro Vou para o Brasil, escrito por Ugo di Stefano, italiano nascido no Egito que veio jovem para o Brasil.

 

 

No dia 17 de dezembro de 1956 o navio atracou no cais de Santos. Desembarcamos com nossas poucas malas, só roupa e alguns livros. Subindo a serra de ônibus sob uma leve chuva, observava com curiosidade os telhados vermelhos das casas, muitas casas com telhados. Era acostumado a ver casas sem telhas. Claro, no Egito não chovia, portanto bastava uma laje de concreto e só. As telhas eram usadas em palácios públicos ou em grandes mansões. A vegetação da serra de Santos mostrava vários tons de verde e as árvores muito próximas umas das outras, sem deixar espaço. Incrível, uma floresta perto das cidades de Santos e de São Paulo. Uma maravilha! Em um bosque de pinheiros no Egito, era fácil o acesso entre as árvores, mas nesta linda floresta, de vegetação tão densa, não me parecia possível penetrar facilmente.

 

Recebi a informação que para encontrar uma pensão italiana razoável precisava comprar o jornal italiano Fanfulla publicado em São Paulo. Fiz isto e achei uma pensão que visitei. Era boa,. situada na rua Canuto do Val, no bairro de Santa Cecília e meu irmão ficou em outra, na rua adjacente à minha. As donas das pensões eram italianas e ofereciam café da manhã, almoço e jantar. No meu quarto um rapaz italiano que trabalhava como vendedor em uma firma de relógios de ponto. No dia seguinte fomos ao consulado geral da Itália para registrar presença e, mais importante, para perguntar sobre a possibilidade de trabalho. Quando souberam que vínhamos de Port Said, fomos apresentados imediatamente ao cônsul, que depois de conversar um pouco conosco chamou por telefone o responsável do jornal Fanfulla para anunciar duas pessoas que poderiam dar informações interessantes sobre o desembarque anglo-francês no Egito. Percebemos que a resposta do outro lado da linha era de que o assunto do desembarque já era notícia velha. Com um telefonema, o cônsul conseguiu um trabalho para mim nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. Pediu-me, que fosse no dia seguinte à Praça do Patriarca, escritório central, falar com o sr, Maddaloni no sexto andar. Para meu irmão ele deu outro nome e endereço.

 

Fui admitido com o salário de 3.700,00 Cruzeiros, que era o salário mínimo da época, mas dava para pagar a pensão e ainda sobrava um pouco. Três meses depois o salário mínimo aumento para 4.500,00 Cruzeiros. Com o extra, dava p[araa fazer algo mais., Às vezes penso, como o Brasil mudou, Hoje com o salário mínimo em São Paulo de 755,00 Reais não daria para pagar uma pensão completa para uma pessoa em um bom bairro, como era Santa Cecília naquela época, em 1957.

 

Comecei a conhecer os arredores da pensão, Uma igreja grande e bonita, no largo Santa Cecília, lojas de departamentos, escritórios comerciais e sobrados bem pintados e bonitos. A avenida Angélica com grandes casarões e com uma bela praça de nome Buenos Aires, ampla e arborizada. Andando pela calçada da praça … O que vejo? … Alarme! Um jovem casal em pé, mais do que juntos se beijando apaixonadamente na boca? Um outro casal, nos seus 20 e poucos anos, sentado em um banco da praça, também se beijando com muito entusiasmo. na minha mente tocou o alarme: HARAM!!! Isto não pode ser, é HARAM. Na língua árabe HARAM quer dizer: PECADO, não permitido. Como fazer uma coisa destas em público? E tudo com a maior tranquilidade, não se importando com ninguém. Devo confessar que eu nunca fui santo, mas em público não se faziam estas coisas no Egito, herdando, assim, os costumes árabes. Foi neste momento que senti verdadeiramente o sublime sentido da liberdade. Me senti absolutamente livre … em um país livre.

 


O Conte Sua História de São Paulo tem a locução do Mílton Jung e a sonorização do Cláudio Antonio. Para participar do quadro que vai ao ar, aos sábados, após às 10h30 da manhã, no CBN SP, mande seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net

Conte Sua História de SP: poema da cidade

 


Por Dryca Lys
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Eu nasci e cresci nesta cidade maravilhosa chamada São Paulo. E com seus mistérios e sua fantástica frieza aconchegante. São Paulo é uma experiência de vida, é uma chance única de encontrar vários países em um único lugar.

 

Você pode conhecer a cultura alemã, entrar em contato com a cultura indígena, se sentir no Japão, conhecer a cultura coreana, judaica entre várias e várias culturas sem sair de São Paulo. Graças a magia que existe aqui, você pode se inspirar e difundir arte. Para o aniversário da minha São Paulo, envio este poema. É o que sinto e o que vejo nesta metrópole que chamo de lar

 


Este poema é parte integrante do livro Clube de Autores

 

São Paulo

 

Existem lugares que te fazem sonhar
outros fazem você se sentir mal
mas existe um lugar que te enfeitiça
um lugar que acende seus desejos, atiça
sua vontade de estar ali presente
um lugar único que te faz voar…

 

Mesmo caminhando nos becos escuros
as ruas brilhando como diamante
a música se espalhando e de repente
as estrelas caem e você anda pela poeira sideral
todos os cantos desse lugar parecem seguros
nem sempre… Mas um tapete brilhante

 

se estende aos seus pés, você chora
sozinho, canta em meio a multidão
nos dias de chuva, a brisa aquece
seus anseios, a noite vem, incandesce
seus desejos, a noite se esconde, vai embora
nos dias de sol você vê a sua solidão…

 

Você pode estar em vários lugares, sem sair
de dentro dela, mas não há nada
melhor do que estar lá, faça
o que for, corra, vá e volte, você pode ir
mas ela esta dentro de você, a saudade
te queimará inteiro, você sempre volta para esta cidade.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no programa CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar deste quadro enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: os pirilampos da Mooca

 

Por Cleide Cais
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Era 1954. Eu tinha sete anos. Morávamos na Mooca, bairro de preferência dos descendentes de italianos que haviam imigrado em busca de terras férteis. Minha avó, que viera de Mantova, tinha sua chácara naquele mesmo bairro, onde cultivou por muitos anos verduras que vendia e com cujo produto criou seus quatro filhos.

 

A Mooca era mágica para mim. Naquela época eu já revelava a semente de leitora contumaz, que sou. Aprendera a ler com seis anos e sempre estava procurando leitura, me recordo de que minha diversão era ler o que quer que fosse que estivesse em placas de ruas do bairro.
Meus horizontes eram a Mooca. A Rua Florianópolis onde estava nossa casa no número 629 não tinha asfalto, muito menos calçadas. Era um lamaçal quando chovia; um lamaçal lindo, onde eu afundava minhas alpargatas para horror da minha mãe.

 

Adorava a chuva, que continua até hoje a ser alvo de minha extrema paixão. Tinha uma ligação mágica com um limoeiro que estava plantado no terreno daquela modesta casa: seus frutos eram alaranjados e sua polpa também. Mas a magia vinha dos pirilampos que nele tinham sua morada.
À noite, além das estrelas e da lua, quando presente, eu tinha as luzes multi-coloridas dos pirilampos.

 

Porém uma noite foi especial: a noite do 25 de janeiro de 1954: a Cidade de São Paulo fazia 400 anos. Uma grande festa foi programada a ser realizada em um parque muito distante do Bairro da Mooca.

 

Minha mãe colocou em mim e na minha irmã, então com cinco anos, nossos melhores vestidos, meias brancas e o par de sapatos brancos de dias de festas. Fomos nós quatro: minha mãe, linda, brilhando em sua modéstia, meu pai, belo e magnífico, elegante em seu único terno.
Fizemos uma longa viagem em duas linhas de ônibus, até chegarmos ao local da festa do quarto centenário da Cidade.

 

São Paulo era, na ocasião, a maior cidade da América Latina com 2,5 milhões de habitantes. Os preparativos para as comemorações tiveram início três anos antes da data, culminando com a entrega aos paulistanos do Parque do Ibirapuera espaço com cerca de um milhão e meio de metros quadrados, cujo projeto arquitetônico foi feito por Oscar Niemeyer e o paisagismo por Roberto Burle Marx.

 

O parque foi o presente para a Cidade destinado a ser um símbolo do patrimônio coletivo e ponto de referência obrigatório da Cidade de São Paulo como constou do “Boletim Informativo da Comissão do IV Centenário da Cidade de São Paulo, n. 02 – São Paulo – Brasil – Junho 1953, Arquivo Edgard Leuenroth”.

 

Chegando ao local, após a longa viagem, eu estava encantada com tudo o que via, automóveis, muita gente alegre, luzes, fogos, porém, o clímax de repente me atingiu: de um aviãozinho chovia do céu milhares e milhares de estrelas de papel prateado sobre todos nós! Eram estrelas comemorando o IV Centenário da minha Cidade! Quanta emoção ao notar todas as crianças correndo para tentar pegar aqueles lindos pedaços de papel prateado, aquelas magníficas estrelas que brilhavam como a luz dos pirilampos do meu limoeiro.

 

Por muitos anos guardei a minha estrela de papel laminado dentro de um livro. Porém, o tempo passou, para chegar aos meus 67 anos fui perdendo coisas, perdendo pessoas, perdendo bichos, perdendo amigos, perdendo até a mim mesma, e, com essas perdas se foi a estrela do quarto centenário da minha Cidade.

 

Mas a emoção eu não perdi , hoje, lembro de tudo, como se a festa estivesse se repetindo e todas as pessoas amadas estivessem ao meu lado, correndo para catar as estrelas de papel prateado que o aviãozinho derramava.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, no CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa (contesuahistoria@museudapessoa.net).

Conte Sua História de SP: prefácio da minha vida que estava para começar

 


Por Sônia Santos
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Lá pelos anos 60, numa pequena cidade do interior de Minas…

 

Quando eu era jovem havia muita gente à minha volta, muitos com quem conversar, família, as amigas do colégio, os vizinhos da minha rua.

 

Suzana e Margareth moravam na esquina, duas casas planas, cheias de luz, cercadas por um magnífico jardim e toda a nobreza de um quintal de amoras e pitangas. Cresceram ali, na companhia de numerosos irmãos mais uma dezena de primos, todos aos cuidados da avó enquanto os pais e os tios trabalhavam na fazenda.

 

A casa da Ercília e Tomas guardava certo mistério, creio, por estar quase sempre, toda fechada. Os móveis escuros, austeros, as paredes forradas de sisudas fotografias, a penumbra, o silêncio … Era o cenário perfeito aos segredos da nossa efervescente juventude.

 

Contava também com a cumplicidade da minha avó Vicentina, com quem passava eternas tardes, ela falando do seu passado de tantos risos e lágrimas como só o passado das avós sabem ser e eu, do meu insignificante presente. Foram uns poucos anos, mas duraram toda uma vida! Nada, não havia nada que fizesse despertar em alguém, qualquer curiosidade. Vida leve de adolescente sem outra preocupação que a própria felicidade.

 

Assim seguia o tempo, mudando de vez em quando alguns nomes, poucos lugares e, quase sem pensar, lá estava eu mudando o rumo dos acontecimentos. Certo dia, com o solene apoio da minha avó e o olhar espantado do meu irmão, decidimos, minha irmã e eu, ir morar em São Paulo. Era fim de ano e havia um justo propósito: Ano Novo – Vida Nova! O futuro sorria-nos maravilhoso e a cidade grande nos fascinava!
Poucos dias depois, com todos os nossos pertences numa pequena mala, partimos sem medo. Nossa vida acabara de começar…

 

Sônia Santos foi personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, após às 10 e meia da manhã, no programa CBN São Paulo. Você pode contar mais capítulos da nossa cidade enviando textos para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapesso.net.

Conte Sua História de SP: o cemitério salvou minha vida

 

Por Paulo Roberto Nakashima
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Estava eu caminhando pela Rua Aurora, entre o Largo do Arouche e a Rua da Consolação, no final da década de 80, entre as 23:00 / 24:00, voltando da escola. Eu usava o cabelo bem comprido, algo pouco comum naquela época para um homem e seguia tranquilamente o meu caminho quando me deparei com um homem visivelmente embriagado, que falava alto em espanhol, abraçado por duas mulheres que, provavelmente, prestavam-lhe serviço como acompanhantes. Ao passar por eles o homem gesticulou algo para mim e tentou me beijar. Acho que me confundiu com uma mulher por causa do meu cabelo e as mulheres começaram a rir e zombar de mim. Empurrei o homem e respondi de forma impetuosa as mulheres. Uma delas começou a gritar enquanto que a outra entrou correndo em um barzinho próximo e logo saiu de lá acompanhada de um homem enorme, do tamanho de um armário, bufando com olhos arregalados, enquanto que a mulher falava: “ Foi aquele ali !” e apontava para mim.

 

Tenho que confessar que não me sinto envergonhado em dizer que não pensei duas vezes em sair correndo. Fui em direção a Rua da Consolação seguido pelo furioso armário ambulante que gritava: “Eu te mato, eu te mato, filho d#%¨¨&* !”.

 

Fui subindo a Consolação e só parei quando cheguei aos portões do cemitério, lugar bem conveniente para um descanso no caso dele me alcançar. Felizmente não vi sinal algum do homem. Fiquei surpreso com a minha capacidade atlética. Cheguei a pensar seriamente em participar da São Silvestre, mas desisti da ideia porque não tive a oportunidade de convidar aquele homem para correr atrás de mim, já que eu mudei o meu caminho que eu fazia para voltar da escola.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, após às 10h30 da manhã, no CBN SP. E você participa enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendado entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Conte Sua História de SP: minha festa de debutante não foi por água abaixo

 

Por Beth Russo
Ouvinte-internauta da CBN

 


 

Minha rua ficava no Bairro do Cambuci. Rua Freire da Silva. Eram os anos 50/60. No começo nem era asfaltada e o esgoto era a céu aberto. Depois veio o asfalto. Foi uma grande melhoria. Só tinha um problema. Eram os dias de chuva. Enchia a qualquer chuvinha. Todas as casas tinham um murinho na porta ou comportas para a água não entrar. Mas não adiantava. A água é poderosa e quando não “pulava” o murinho, vertia pelas paredes. Minha mãe colocava pedaços de jornal nas frestas da porta, mas também não adiantava muito. Para meu irmão e eu era uma festa: fazíamos barquinhos de jornal e ficávamos na janela vendo-os partir. Às vezes passava um caminhão na enchente e formavam grandes ondas e aí entrava nas casas. As mulheres saiam a xingar, mas as crianças adoravam ver aquele mar bem na sua porta.

 

Eu estudava no Colégio Rainha dos Apóstolos (tinha bolsa, porque era ótima aluna). Para ir para escola, os bombeiros levavam os moradores de barco até a parte seca. Era uma festa. Sentia-me em Veneza. Outras vezes tínhamos botas de borracha, cano alto. Sempre que alguém precisava sair, um familiar acompanhava até onde não havia água e trazia as botas de volta. Nunca ficamos doentes. Quando a água baixava era hora da limpeza. Dava um trabalhão. Desinfetar tudo, esperar secar, raspar o chão, escovão, etc.

 

Quando completei 15 anos, era moda fazer uma festa, com 15 pares de amigos, com velas acesas e tudo mais. Era em nossa casa mesmo. Tinha a vitrola, um bolo, pão com patê e cuba libre. Só que no dia caiu a maior chuva e encheu a rua. Não teve festa. Mas no dia seguinte apesar de tudo conseguimos reunir todo mundo e eu tive minha festa de 15 anos. Era tudo tão simples! Contentávamos-nos com tão pouco! E éramos felizes!

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados no CBN SP, logo após às 10 e meia da manhã. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode enviar sua história para milton@cbn.com.br ou agenda entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net

Conte Sua História de SP: na casa do vigário

Por Sônia Maffei

 

 

Minha história sobre a querida metrópole,tem início no fim de 1940,até início de 1960, morava com minha família na cidade de Itu,onde nasci,assim que podia minha mãe,eu e minha irmã, vínhamos para a capital visitar parentes, para mim era uma alegria imensa ,quando era anunciada a viagem,e nem dormia devido a ansiedade.

 

Viajávamos apenas,eu,minha saudosa mãe,e também minha falecida irmã, papai também já em outro plano espiritual, ficava trabalhando, pois era advogado,e nunca tirava férias,pois teria que se manter por conta própria,como todo profissional liberal. Veja como as coisas mudaram em São Paulo, geralmente ficávamos hospedadas na Casa Paroquial de Santa Cecília, pois duas tias de minha mãe,minhas tias avós,tia Ditinha ,e tia Inacinha, eram funcionárias da casa paroquial,e o vigário,gentilmente permitia que parentes das empregadas ali fossem hospedadas.

 

A Casa Paroquial ,era situada à rua Frederico Abranches,e posteriormente transferida para a Fortunato,passeávamos com segurança pelas ruas das imediações, pois,o bairro dos Campos Elíseos,ali perto era onde estava a sede do governo estadual.

 

São Paulo era uma cidade bem policiada,e o trânsito organizado quando eu era criança, vínhamos de trem,para cá ,desembarcávamos na estação Júlio Prestes e caminhávamos com segurança até o bairro de Santa Cecília. O bairro já não é mais o mesmo,mas a majestosa igreja de Santa Cecília lá permanece,testemunha de nossa história.Tenho esperança de que as coisas melhorem,pois tenho fé.Graças a Deus, após minha aposentadoria consegui me mudar para esta querida metrópole,que sempre visitava nos finais de semana,e nas férias.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participartar enviando sua história para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em vídeo com o Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: a maravilhosa Vila Pompeia

 


Por Denilson Claro
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Nasci em 1966 no Hospital Beneficência Portuguesa, Vila Mariana, fui batizado na Igreja de São Judas Tadeu, próxima ao Jabaquara e de todos os anos de minha vida, mais de trinta passei no bairro de Vila Pompeia, zona oeste da capital, mais especificamente na Rua Raul Pompeia, em uma casa na qual meus pais ainda moram. Mais Paulistano impossível.

 

Tenho muita saudade deste que foi meu antigo bairro de infância, adolescência e juventude no qual cresci, estudei e fiz grandes amigos.

 

Sou de um tempo em que aos domingos tudo fechava incluindo os postos de gasolina. Tudo ficava muito silencioso, menos em dias de jogos. Quando brincávamos na rua escutávamos os vizinhos torcendo assistindo suas tevês dentro de suas casas. Sim casas e de muros e portões baixos, pois hoje este bairro recebeu a intensa verticalização que veio das Perdizes e os bares e restaurantes que vieram da direção da Vila Madalena.

 

Um tempo que brincávamos na porta de casa fosse de esconde-esconde (e não valia se esconder na garagem dos outros, apenas atrás dos carros ou em cima das árvores) ou então competindo na contagem de cores dos Fuscas, Kombis e Corcéis que passavam, sempre de forma bem espaçada, pela rua. Tempo que a frota de veículos era de pouco menos de um milhão de veículos e hoje passam de sete milhões.

 

Um tempo em que com meus onze anos ganhei a “liberdade” de ir a pé a escola que ficava pouco mais de três quadras de casa na então “semi tranquila” Avenida Pompeia. Hoje vendo meu filho com esta exata idade, sinceramente não creio ter a coragem de dar a mesma liberdade de locomoção que meus pais me deram na época.

 

Conhecíamos cada vizinho pelo nome e pela história de vida. Jogávamos bola em uma pequena e tranquilíssima rua próxima chamada Taipas, na qual fiz grandes amigos. Marcávamos o campo com tijolo e valia a famosa tabelinha com os muros das casas.

 

Naquele tempo, nem era preciso planejar grandes viagens nas férias escolares, pois no dia seguinte ao término das aulas, cada rua do bairro se transformava em um recanto de amigos conversando, andando de bicicleta, jogando futebol ou até mesmo bola de gude em algum terreno vazio.

 

Poderia me estender e contar de cada rua e cada estabelecimento, mas infelizmente não há tempo nem espaço aqui para contar, mas guardo todos em meu coração.

 

Tudo passa, São Paulo mudou e a Pompeia não foi exceção, muito pelo contrário. Os edifícios cada vez mais repletos de infraestruturas de lazer colocam os garotos de hoje atrás dos muros. Amizades hoje só na escola – amigos de bairro, ou de rua estão praticamente extintos na capital. Vizinhos? Morando nos edifícios, mal encontramos nosso vizinho de frente.

 

Por fim, minha vida neste maravilhoso e inesquecível bairro da capital, deixou marcas e muita, muita saudade.

 


O Conte Sua História de São Paulo é sonorizado pelo Cláudio Antônio e vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Conte Sua História de SP: o carnaval da Vila Esperança

 

Por Ana Maria dos Santos

 

Ana Maria dos Santos nasceu em 1956 em São Paulo. Quando criança, não conheceu seu pais. E uma série de coincidências curiosas a levaram a acreditar que finalmente havia revelado esse segredo. Ela contou sua história ao Museu da Pessoa, em janeiro de 2010.

 

 

Quando nasci, isso a mais de cinquenta anos, minha mãe estava sem condições e encontrou uma mulher muito bondosa para me criar. Essa senhora morava então na Rua Maria Carlota, na Vila Esperança. Essa rua ainda não havia sido asfaltada e, na época que asfaltaram, virou a alegria da molecada e a tristeza das mães, com surras e tudo, pois o danado do piche grudava em nós e em nossas roupas, dava o maior trabalho para tirar. Isso quando saía.

A filha da minha mãe de criação me batizou, era a minha madrinha muito querida, e de vez em quando eu falava que queria ter um pai. Às vezes, elas me arrumavam um (acho que era um parente distante do interior) e lembro que recebemos a visita da comadre que elas tanto falavam. Foi quando ela me contou que era a minha mãe verdadeira e que eu tinha de recebê-la (pensava que o nome dela era Rosa Maria?!).

A partir daí comecei a me esconder quando ela vinha me visitar. Eu simplesmente sumia. Até dentro de um cesto de vime enorme eu me escondia, tanto era o pavor que ela me levasse embora. Porém, aos meus sete anos ela teve que me levar para estudar num internato em Pinheiros. Aos onze anos, fugi com mais duas meninas, por causa dos maus tratos desse colégio de freiras, correndo a pé pela rua Cardeal Arcoverde, de Pinheiros até o Pacaembu. Foi tragicômico, pois a família que deu garantias que nos abrigaria, e era também o único lugar mais perto que eu sabia como ir, era do diretor da instituição.

Tudo isso para tentar voltar para minha Vila Esperança. Era fevereiro e eu queria também matar a saudade do meu querido e velho carnaval da infância, que subia pela Rua Evans e descia pela Rua Maria Carlota: as matinês, a batalha de confetes, eu tinha de ir.

Como naquela época eu não tinha muita proximidade física, afetiva, com minha mãe verdadeira e estava muita revoltada por causa da ida pro colégio interno, apesar dos esforços dela para fazer algo por mim, quase não conversávamos. Sabia muito pouco sobre ela, somente que trabalhava demais como empregada doméstica. Um dia, mexendo em seus documentos, li que seu nome era Maria Rosa!? Aí eu, muito infantil, quando escutei a música, marchinha de carnaval do Adoniran Barbosa, “Vila Esperança” – “Foi lá que conheci Maria Rosa, meu primeiro amor/Primeira Rosa, primeira esperança, primeiro carnaval, primeiro amor, criança”.

Criança!? Pensei: sou eu!! Pensei comigo: “Desvendei a segredo da minha mãe!” Que ilusão de mente fértil! Só dando risada mesmo. Mas a Esperança, o carnaval, ainda moram bem profundamente nesta velha criança. Por outro lado, até hoje não consigo cantar essa música inteira até o fim sem conter o choro. Nos últimos anos de vida da minha mãe, conseguimos restaurar muita coisa, principalmente a compreensão.

 

Ana Maria dos Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Você pode marcar uma entrevista em áudio e vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou enviar seu texto por escrito para milton@cbn.com.br