Conte Sua História de SP: O cotidiano das enchentes

 

As chuvas que incomodam neste verão fazem parte da história do paulistano e de todos aqueles que já moraram por aqui. Em um dos capítulos do Conte Sua História de São Paulo, em homenagem aos 458 anos, a marroquina Custódia Santos Marcondes, descreve os três dias de enchente que foi submetida, no início dos anos de 1950.

 

Ouça o depoimento de Custódia Santos Marcondes, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, originalmente, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no CBN SP. Os depoimentos são gravados pelo Museu da Pessoa e você pode agendar uma entrevista em áudio e vídeo no site www.museudapessoa.net. Se quiser, pode enviar um texto para milton@cbn.com.br.

Rua Augusta, o documentário

 

Tenho recebido muitas contribuições e sugestões de homenagens para a cidade de São Paulo que, nessa quarta-feira, completa 458 anos. Alguns textos serão usados no Conte Sua História de São Paulo, outros serão publicados aqui no Blog, nos próximos dias. Hoje, reproduzo documentário Augusta St, curta-metragem sobre a avenida que se inicia no centro da cidadem, atravessa a avenida Paulista e vai parar lá embaixo nos Jardins. Foi motivo de música e muita controvérsia, parte dela descrita neste vídeo criado por Ricardo Hirsch, Morgana Duque, Gabriel Tye e Natália Rodrigues, em uma realização do Senac-SP e sugestão da ouvinte-internauta Mia Triafa.

 

Curta:

 

Augusta St. [Documentary] from Morgana Duque on Vimeo.

Conte Sua História de SP: O lampião de gás

 

Nos 458 de São Paulo, estamos levando ao ar uma série de fatos sobre a capital paulista contados por pessoas que moram ou moraram na cidade, a partir de depoimentos que foram gravados pelo Museu da Pessoa. A partir desta segunda, vou reproduzir aqui no Blog alguns capítulos do Conte Sua História de São Paulo e começarei com os lampiões de gás que iluminavam o comerciante Álvaro Lopes, nascido na capital em 1925.

 

Ouça a história de Álvaro Lopes, sonorizada pelo Cláudio Antônio

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, originalmente, aos sábados no CBN São Paulo. Para contar a sua história da cidade, envie um texto para milton@cbn.com.br ou marque uma entrevista, em áudio e vídeo, no Museu da Pessoa.

Exultação

 


Por Suely Aparecida Schraner
Ouvinte-internauta da CBN

Exultais povo de São Paulo que habitas na capital. Exultais e fotografais todo o brilho e parafernália da avenida mais famosa, com seus carros “bibelôs de asfalto”.

Árvores a competir em tamanho e grandeza vos contemplarão do alto dos seus patrocinadores. Tudo o que reluz é ouro? Ouvireis jingle e buzinas a cada esquina. Exultais. É chegada hora da messe e aquisições por impulso. Xing Ling ou não, os sinos badalam em sua glória.

Exultais ainda que sejais contristados por várias provações no trânsito caótico, sob um sol incandescente. Um rebanho a clamar pelo tempo que se foi e pelo ano que já vem. A luz emoldurará as cãs e a neve da decoração surreal refrescará toda alma natalina.

A falta de bois, jumentos, reis ou incenso será compensada com lojas abarrotadas e apelo irresistível. Não reduzireis o consumo. Não reutilizareis as embalagens. Não reciclareis os resíduos. Não recusareis o que não é necessário. Entretanto, repensais esta atitude e sereis perdoados de todo egoísmo praticado no ano que se vai.

Os fogos espocando e suas luzes, como idéias reluzentes, acalentarão corações e mentes. Exultais e também orais. Com o advento da temporada das chuvas e das enchentes, virão escorregamentos. Na São Paulo de inundações, o medo das bactérias da urina do rato, será ofuscado pelo brilho incontido das luzinhas multicoloridas.

Exultais que por ora, prevalece o espírito natalino. Exultais que neste advento, as doações são mais generosas e os sentimentos mais fraternos. Exultais que é tempo de celebrar.

Exultais e orais, para que o festim pantagruélico, não corroa o fígado cansado de guerra. Orais para que se precisar, os doutores estejam lúcidos e não transformem seu diagnóstico em simples virose.

Conte Sua História de SP: Minha roupa suja

 

A professora Gianny Silva nasceu em São Paulo em 1973 e considera que tem um problema de DNA (na linguagem coloquial, Data de Nascimento Antiga). Em setembro de 2008, ela contou ao Museu da Pessoa uma de suas memórias de infância: o dia em que descobriu o poder de chantagear os irmãos mais velhos. Um segredo que ela guardava até então. Seu texto foi apresentado, agora, no Conte Sua História de São Paulo.

Ouça o texto de Gianny Silva com sonorização de Cláudio Antônio

Nasci e cresci na cidade de São Paulo, mas, por uma questão de DNA, sou do tempo em que ainda se brincava na rua, existiam muitas árvores, muita brincadeira, e é claro muita arte!

Na década de 1970, mudei-me para o Conjunto Residencial Ingaí. Naquela época, só existiam os sobrados do conjunto. Hoje em dia, existem os sobrados do conjunto Fábio e os prédios do Parque dos Pássaros. Ocorre que, na época, onde hoje estão essas novas residências, existia um, digamos, bosque. E um grande muro que ia do início da atual rua Robert Bird até onde hoje está a EMEI Ingai. Atrás do muro existia uma “vacaria” e um bambuzal. A brincadeira da turma era subir ao muro e descer suavemente de bambu!
Eu queria brincar, mas por problema de idade, era a mais nova, e tamanho, os mais velhos não deixavam. Até a hora que eu ameacei contar para a mamãe! Fui colocada no muro e uma amiga, a Edna, brincava que iríamos cair! Resultado… caímos mesmo!
Eu fui escorregando pelo curral das vaquinhas, em cima de todo aquele estrume!

Arranhei-me toda e fiquei muito limpinha. Fui para casa chorando, tomei banho e os arranhões ardiam até dizer chega. Mas eu não podia dar um “pio”, pois minha mãe ficaria muito brava!

A roupa, cheia de cocô de vaca, foi escondida dentro do guarda-roupas durante todo o fim de semana. E minha mãe tentando descobrir o que estava provocando o cheirinho desagradável no quarto!

Na segunda-feira, dei a roupa para a Francisca, uma mocinha muito gracinha que trabalhava em casa, e a coitada ficou por uma semana lavando a roupa para tirar as manchas!

Você também pode contar mais um capítulo da sua cidade. Marque uma entrevista ou envie um texto para o site do Museu da Pessoa. Se quiser mande o texto para mim, milton@cbn.com.br, vou ficar bem feliz de conhecer a sua história. Aqui no meu blog, o Blog do Mílton Jung, você encontrará vários casos curiosos sobre a cidade de São Paulo, registrados pelos ouvintes-internautas da CBN.

Conte Sua História de SP: Zuzu e Darwin

 

No Conte Sua História de São Paulo, Zuleide Oliveira Monteiro de Castro, nascida em 1948, na capital. Aos 12 anos conheceu o amor da sua vida. Eles quase dançaram juntos na festa junina da segunda série, mas alguém se intrometeu no romance, como ela contou ao Museu da Pessoa, em outubro de 2008:

Ouça o texto que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo, sonorizado pelo Cláudio Antonio

Fui da primeira turma da Escola Estadual Wolny de Carvalho Ramos, em 1958, quando da expansão do ensino no estado de São Paulo. O velho Wolny chamava-se Ginásio Estadual de Água Rasa e funcionava à noite no prédio do Grupo Escolar Professor Theodoro de Morais. Naquele tempo a escola era bem diferente. Embora mista, os meninos e as meninas não se comunicavam, ficavam segregados, meninas de um lado e meninos do outro de uma linha imaginária, mas muito respeitada, que dividia o pátio. Na sala de aula? Conversas? Nem pensar.

Com 12 anos eu já estava na segunda série do ginásio e estudava à noite! Havia um loirinho, lindo, de olhos azuis, na minha turma, que por sorte era mista. Eu o achava o máximo! Apesar de só olhar de longe e quase não ouvir a sua voz, pois era tímido e ficava absolutamente calado durante todas as aulas. A distribuição da sala de aula era assim: por ordem alfabética, quase duas fileiras de meninas. Eu lá, na última carteira de meninas, ao lado da Zilda. Atrás de nós sentava o Constantino e isso nos proporcionava a oportunidade de trocar umas palavrinhas e uns bilhetinhos com ele e seu parceiro. As carteiras, antigas, eram duplas.

Constantino, esperto como ele só, logo percebeu o meu interesse pelo Darwin, o loirinho de olhos azuis, e resolveu dar uma de cupido. Tentou marcar um encontro entre nós no Cine Vitória, lá na Álvaro Ramos, mas o cinema era um pouco longe da minha casa, o dinheiro era curto, e papai muito severo. Então, não deu certo.

Começou então a brincadeira. No início das aulas ele passava um bilhetinho: “O Darwin é casado”. No segundo, escrevia: “O Darwin é casado e tem um filho”. No terceiro: “O Darwin é casado e tem dois filhos”. E assim, sucessivamente. Ao final da quinta aula, o meu loirinho já tinha mais de 50 filhos, segundo as notícias do colega casamenteiro. Ríamos como só riem os adolescentes.

Mas, de repente… chega a grande oportunidade. A Professora Cida, de Português, prontificou-se em ensaiar a quadrilha para a Festa Junina. O Constantino seria o sanfoneiro, o que lhe deu um certo prestígio com a nossa mestra.

–- Professora, será que a Zuzu (esse era o meu apelido, como mascotinha da turma) poderia dançar com o Darwin?

Dona Cida, uma mocinha muito “pra frente”, topou na hora. Os ensaios eram aos sábados, no galpão, atrás da escola. Constantino no fole:

((Taratantan-tan-tan-tan. Taratantan-tan-tan-tan… Taratantan-tan-tan-tan, ra-ta-tan-tan-tan… ))
 
O baile na roça foi até o sol raiar… O loirinho, do alto de seu metro e sessenta, dançou o tempo todo calado, olhando por cima da minha cabecinha oca de menina. Não trocamos uma palavra sequer. Mas foi ótimo, não via a hora de chegar o próximo sábado para dançar com aquele garoto tão lindo!

No dia da festa eu estava uma maravilha, vestido estampado de florzinhas vermelhas, chapéu de palha com laço de fita, batom vermelho nos lábios e até uma pintinha feita com carvão na bochecha, para ficar bem catita. Ensaiei o dia inteiro o que iria falar para não perder a última chance de conversar com meu amado. Meus olhos brilhavam mais que a lua de inverno. Não é que a Lúcia, uma coleguinha bem mais velha e, portanto, bem mais alta, chegou na festa toda arrumadinha e sua mamãe foi pedir à professora Cida que ela participasse da quadrilha:

–- Sabe, professora, minha filha não veio aos ensaios porque ela me ajuda no salão. E a senhora sabe como é o movimento no fim de semana…

O pedido viera a calhar. Estava faltando uma dama para o terceiro par da fila, um garoto baixinho, que eu já nem lembro quem era, mas sei que era quase do meu tamanho. Foi quando aconteceu o pior: lá fui eu dançar com o nanico e a Lúcia saiu pelo terreiro nos braços do meu loirinho. Perdi a última oportunidade. Era junho, mas aquele namoro às antigas não conseguiu evoluir até o final do ano. O Darwin repetiu e eu fui para a terceira série.

Estamos em agosto de 2008, e enquanto digito este texto, o Darwin está dando mamadeira para uma das minhas netinhas gêmeas, de três meses. Ele é meu marido desde 1994. Como isso aconteceu? Isto é uma outra história de São Paulo. Ah, um detalhe: ele já não é tão alto assim ..

Conheça a segunda parte desta história aqui

O depoimento de Zuleide Oliveira Monteiro de Castro está no Museu da Pessoa. Você também pode contar mais um capítulo da sua cidade. Marque uma entrevista ou envie um texto para o site do Museu da Pessoa. Se quiser mande o texto para mim: milton@cbn.com.br, vou ficar bem feliz de conhecer a sua história.

Conte Sua História de SP: O manequim do Mappin

 

Alex Periscinoto nasceu em 1925 na cidade de São Paulo e, após passar por vários empregos e funções, se tornou publicitário. Um dos lugares onde trabalhou foi a antiga loja de departamentos – famosa na capital paulista – Mappin. Foi nessa fase de sua carreira que ele viveu a história que contou ao Museu da Pessoa, em 1994, e se transformou em mais um capítulo do Conte Sua História de São Paulo, na CBN:


Ouça esta história que foi ao ar no CBN SP, sonirada pelo Cláudio Antônio

Eu já era casado e tinha um cunhado – tinha muitos cunhados, se você precisar de cunhados fala comigo. E cunhado, você sabe: acho que Deus inventou cunhado para jogar buraco, porque todos os cunhados se reúnem para jogar buraco. Ele era um deles. Era muito linguarudo e via publicidade na televisão, via a Sandra Bréa e cutucava a minha esposa. Ele achava que, como eu trabalhava em publicidade, tinha chance de sair com a Sandra Bréa. Vê se a Sandra Bréa ou qualquer atriz ia dar confiança. Não tinha relação nenhuma, mas ele era diabólico. 



Eis que um dia eu estou no Mappin trabalhando e estava chovendo. Chuva miúda e inclinada. Eu tinha um Coupê Mercuri 48. Todo mundo, na época, tinha carro usado, não podia comprar carro novo. Meu carro era velho. O vidro oposto ao motorista virava a manivela, mas não subia, estava quebrado. E eu não tinha dinheiro para consertar, ficava assim mesmo. Nesse dia, eu saio do Mappin e a Sônia, uma funcionária, irmã de um diretor do Mappin: 



– Alex, você vai lá para a Vila Clementino?


– Vou.


- Você me leva?


- Claro, vamos, está chovendo…



Então, eu subo a rua Augusta e paro no sinal. Chovendo. Eu ouço:



- Fiu, fiu!



Quando eu olho, a Sônia falou:



- É com você!



Era meu cunhado, que sempre inventou histórias. Eu transpirei: “mas, meu Deus do céu, todos menos esse”. Eu olhava e ele fazia um gesto, com a Gazeta Esportiva feito telhado na cabeça, como quem diz: “Abre aí que eu pulo, abre a porta”. E a Sônia:



- Abre, porque senão ele vai fazer todos os gestos possíveis – ela meio tonta, já limpando a chuva onde ele ia sentar.



Falei:



- Não, não, esse não!



Abriu o sinal e eu fui embora, deixei ele lá. Você imagina a situação que eu criei. Deixei a Sônia e ela falou:



- Alex, mas você está preocupadíssimo, vou lá falar com a tua mulher, eu conheço tua mulher, você estava me levando pra casa!


- É, Sônia, isso aí é uma outra história.



Eu deixei a Sônia, peguei o carro e voltei para o Mappin. Cheguei lá e falei para o Zé Paródia – ele era o meu subordinado na área de vitrine: 



– Zé, coloca um desses manequins de gesso, vestido, no assento da frente do meu carro.


Sabe esses manequins que ficam na vitrine com dedos tortos, de gesso, peruca de naylon? Ele pôs um bicho de gesso e eu fui segurando para casa. Caía aquilo, e eu segurando até chegar em casa. Mais tarde, eu falei pra minha mulher: 



– Olha, eu demorei porque eu tenho que comprar um manequim lá para o Mappin, umas duas dúzias de manequim e tem um mostruário aí. Ela, pela janela da cozinha, olhou e falou: 



– Bonitinho, né? Eu acho bom você tirar isso daí senão vão dizer que você ‘tá’ andando com mulher no automóvel…

Eu falei:
– Boa ideia. 



Ela me ajudou a desatarraxar e botamos tudo atrás do carro. Jantamos, e eu falei:



- Vamos jogar buraco lá na casa do Sabião?


- Vamos. 



Nem deu outra, ela entrou na minha frente, estava um passo na minha frente, quando eu vi…



– O Alex…

Louco, ele contou tudo, com todos os detalhes, entregou mesmo. Ele acabou de falar, a minha mulher nem sequer olhou para ele. Olhou para a irmã, que nós somos casados com duas irmãs, e falou assim:



- Você fala pro seu marido tomar cuidado, porque ele é muito linguarudo. Era um manequim, eu ajudei a tirar do carro… Ele fica inventando essas histórias do Alex… Agora eu tive provas que ele inventa.

Ele olhava para mim e dizia assim:



- Como é o negócio?



Nós jogamos buraco naquela noite, ele dava a carta para mim assim: “O manequim”.

Passados dois anos, eu estava pescando no barco dele, no clube Samambaia, no Guarujá. Eram dez horas da noite, estava sentado no barco, pescando sossegado, ele meteu o pé nas minhas costas e me jogou na água. E eu só ouvi: 

- Manequim, é?



Ficou atravessado dois anos aquele negócio. Foi engraçado. Quando eu levei a história para os meus colegas do Mappin, que conheciam a Sônia, o caso ficou famoso.


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, no CBN SP. Você pode contar a sua história, também. Ou procura o Museu da Pessoa e grava em áudio e vídeo, ou manda por escrito para mim no milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: Nasce Cidade Tiradentes

 

No Conte Sua História de São Paulo, Márcia Cristina de Oliveira. Ela nasceu em 1975 e, nos primeiros anos da década de 1980, se mudou para a Cidade Tiradentes. O hoje famoso bairro da zona leste de São Paulo era, então, apenas um conjunto habitacional em construção, com poucas crianças para Márcia e seu irmão brincarem. Mas logo ela ganhou dois grandes companheiros para a aventura de testemunhar o nascimento de um bairro. História que Márcia contou ao Museu da Pessoa em maio de 2008:

Ouça o texto que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo

Eu tinha 7 anos quando vi um bairro nascer. O bairro em questão é a Cidade Tiradentes, uma Cohab que virou bairro. Mudei-me para a Cidade Tiradentes aos 7 anos. Quando cheguei, não tinha nada. Nenhum tipo de comércio ou escola e até por causa disso eu perdi um ano de estudos.

O que mais me deixava contente em morar nesta Cohab era a promessa que meu pai fez, a mim e ao meu irmão: assim que tivéssemos nossa casa, ele nos daria um cachorro e duas bicicletas de corrida. Então, morar em um lugar onde não havia muitas criança para brincar, somente mato por todos os lados, me deixava muito contente. Meu pai cumpriu sua palavra e nos deu nosso primeiro cachorro, chamado Buner. Ele era lindo.

Alguns meses depois, ganhamos as duas bicicletas. Já era Natal nessa época. Com o passar do tempo, a Cohab, que começou com poucos moradores, virou um bairro da zona leste de São Paulo. E, por incrível que pareça, tirando minha casa, eu vi cada prédio, cada loja, cada escola ser construída, tijolo por tijolo. É muito emocionante poder dizer que eu vi o nascimento de um novo bairro.

Marcia Cristina de Oliveira, personagem do Conte Sua Historia de SP. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você tambem mais um capitulo da nossa cidade. Vá ao site do Museu Pessoa, http://www.museudapessoa.net, publicque seu texto ou agende uma entrevista. Se você quiser ler e ouvir outras histórias de SP visite o meu Blog, o Blog do Milton Jung, sábado que vem tem mais.

Conte Sua História de SP: Ouvinte faz parte da história

 

No Conte Sua História de São Paulo, a ouvinte-internauta Suely Schraner, assídua colaborada deste quadro, faz homenagem aos 20 anos da CBN:

No dia 1º de outubro, dia em que se comemora o aniversário da CBN, é também consagrado à deusa da Palavra, Fides.

No começo era difícil sintonizar. No meio da notícia, entrava um “aleluião”. Rádio pirata evangélica, se interpunha entre o ouvinte e a “All News”. Sintonia fina, finíssima. Melhor nem triscar no dial 780 AM / 90,5 FM.

Na minha “cozinhoteca” (mistura de cozinha, biblioteca e cdteca) o dia passa em ondas “CBêNicas!. Desde “Jerônimo, o justiceiro do sertão”, novela radiofônica dos anos 60, sou totalmente AM. O radinho de pilha embaixo do travesseiro, presente do pai como compensação por uma grande perda. Hoje, moderno AM/FM, me acompanha o tempo todo. Fiel companheiro interativo. A arte de transformar palavras e ações em imagens na mente do ouvinte.

A trilha sonora dos meus passos é como a de muitos cidadãos desta metrópole. Aliviando o tédio nas manhãs geladas,o trânsito caótico ou redimindo uma insônia pertinaz . A locução liberando o pensamento. Conferindo interesse às palavras alinhavadas.

Contribuindo para o estro, a criatividade, elevando os níveis de oxitocina, o Conte Sua História de São Paulo, cumpriu a função de dar vez e voz ao ouvinte. Suscitou desejos, impulsionou uma constelação de memórias para contar algo e, mais tarde, escutar com emoção indescritível. É a CBN se instalando intensamente nas mentes e corações paulistanos. Dialogando com feijões na pressão, batatas ferventes, arroz soltinho. Por isso, um gosto incomparável, um vício prazeroso, inexplicável. A locução e a sonorização numa harmonia perfeita, seguem seduzindo nesses 20 anos.

Ouça este texto de Suely Schraner sonorizado pelo Claudio Antonio

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você pode participar enviando uma história por escrito ou agendando uma entrevista em vídeo e áudio no site do Museu da Pessoa.

Conte Sua História de SP: Personagens do Brasil

 

No Grupo Escolar de Olímpia, cidade do interior paulista, o menino Hilmo Alves descobriu as belezas do Brasil ouvindo músicas de Ary Barroso. Foi na capital, porém, que ele conheceu personagens e se transformou em protagonista da história deste País. Estudante e militante, teve a chance de entrevistar o presidente Juscelino Kubitschek e o prefeito Jânio Quadros quando levou sugestões para combater a discriminação racial e melhor o atendimento médico aos estudantes da USP. Hoje, com 84 anos, Hilmo Alves, filho de um funcionário da estrada de ferro e de uma dona de casa, ex-alfaiate de uma das mais chiques alfaiatarias paulistanas da época, conta a sua história de São Paulo, em depoimento ao Museu da Pessoa.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo com Hilmo Alves, sonorizado pela Cláudio Antonio e editado pela Juliana Paiva

Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, logo após às dez e meia da manhã, no CBN São Paulo.