Conte Sua História de SP: As mamonas da Mooca

 

No Conte Sua História de São Paulo, Argemiro Navarro Ortega, 72 anos, lembra das batalhas de mamonas na rua dos Trilhos, na Mooca, onde foi morar assim que deixou a cidade de Santo Anástico, interior paulista. Ele tinha apenas dois anos quando a família Ortega decidiu se instalar no bairro famoso por ser reduto de italianos. Das brincadeiras de criança, gostava também dos banhos de rio na região. Dos tempos da juventude, se divertia nos bailes de formatura, onde conheceu sua esposa:

Ouça o depoimento de Argemiro Navarro Ortega, gravado pelo Museu da Pessoa, editado pela Juliana Paiva e sonorizado pelo Cláudio Antonio

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, logo após às dez e meia da manhã, no CBN SP. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade, gravando um depoimento ou escrevendo texto para o site do Museu da Pessoa.

Compre aqui o livro “Conte Sua História de São Paulo” lançado pela Editora Globo.

Conte Sua História de SP: Os Mulheres Negras

 

Maurício Gallacci Pereira

No Conte Sua História de São Paulo, o músico, ator e jornalista Maurício Galati Pereira. Com destaque no cenário cultural, principalmente na época em que integrou a banda “Os Mulheres Negras”, Maurício volta no tempo ao descrever o ar rural da Vila Olímpia, nos anos de 1960, e o ar pesado deixado pela Ditadura Militar.

Corintiano, ele lembra do título de 1977 e a reação dos intelectuais da Escola de Comunicação e Arte da USP devido a comemoração por uma vitória em esporte por muitos deles chamado de “ópio do povo”. Maurício foi participante ativo da ebulição que surgiu em São Paulo, nos anos 80. O novo rock, os movimentos alternativos, a vida noturna efervescente – ingredientes de um caldeirão importante para a cultura brasileira. No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa retoma, também, a história do grupo musical que formou ao lado de André Abujamra.

Ouça as história de Maurício Galati Pereira, editado pelo Julio César e sonorizado pelo Cláudio Antonio.

Conte, você, mais um capítulo da nossa cidade. Mande um texto para milton@cbn.com.br ou agende uma entrevista, em aúdio e vídeo, no Museu da Pessoa. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, a partir das 10 e meia da manhã, no CBN São Paulo.

Conte Sua História de SP: No jardim da cidade

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte-internauta Suely Aparecida Schraner:

Ouça o texto que foi ao ar no CBN SP com sonorização do Cláudio Antonio

Caiu. Passou raspando. Foi por um triz. O escarro vindo da janela do ônibus passou a um milímetro do espetinho de carne, o famoso churrasquinho de gato, assando na calçada. Fiquei imaginando que as vezes que acertam.

O Largo Treze de Maio, um misto de mercado persa às avessas. Na travessa, uma sinfonia de sons de todo tipo. Um canto cadenciado e alto se destaca a cada 10 metros: Compro “orodóleuro”. Difícil traduzir o, “compro ouro, dólar e euro”. São moços e moças, com seus coletes-placas amarelos, escrito em preto e vermelho “compro ouro”, a repetir este mantra zilhões de vezes ao dia. Mais a frente, na Praça Floriano Peixoto em meio a tantas pernas que vão e vem, enrolados em seus cobertores sujos, moradores de rua acampados na beira da calçada do Paço Cultural Júlio Guerra, a Casa Amarela. Ao lado, seus fieis cachorros. E um monte de filhotinhos. Uma mais assanhada, se pôs a saltar numa altura absurda para o seu tamanhinho. É a Lokinha, a garota visivelmente drogada, me disse. Uma cachorrinha branca e cinza, alegre e saltitante, ainda sem nenhum encardido na pelagem. Quem resiste?

Na Casa Amarela e no CCM – Centro de Cidadania da Mulher (em Santo Amaro) é que acontece o curso de Jardinagem. Lugar onde se aprende o cultivo de plantas, de amizades e onde também se põe a mão na massa. A professora é gente fina, os alunos gente sensível, que sabe que gente também é natureza. Natureza a pedir socorro, como no espaço plantado e sujo que espera por manutenção e limpeza.

Importante no curso de jardinagem é criar camaradagem com tudo o que é ser vivo. As alunas cuidam e fotografam suas plantas exibindo-as como quem mostra fotos de filhas muito queridas. O desafio do momento é limpar e podar o espaço plantado em frente ao CCM. Perto do bueiro, um cheiro intenso de urina enquanto os achados surpreendem. Ao final, cordilheiras de sacos pretos lotados de todo tipo de embalagem, bitucas de cigarro, moedinhas de um centavo, uma faca e até cigarro de maconha. Toda sorte de imundície produzida pelas gentes gentis deste solo varonil. Enquanto isso voava mais lixos vindos de ônibus, de carrão, de pedestres e das gentes com e sem instrução.

Duas horas depois, a força das vassouras, pás e tesoura mostraram a que vieram. Tudo limpo, podado, arrumado e uma cena chama a atenção. O pedinte faminto ganhou um espetinho de carne. Um outro, assalta o petisco e sai correndo. Surpreso, o roubado exclama: nem bem Deus me dá o saco, vem o cão leva a farinha!

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após as dez e meia da manhã, no CBN SP. Você pode participar enviando um texto para milton@cbn.com.br ou agendando uma entrevista no site do Museu da Pessoa.

Conte Sua História de SP: Cunha Lima e a cultura

 

No Conte Sua História de São Paulo, o poeta, jornalista e escritor Jorge da Cunha Lima fala de sua íntima relação com a cidade. A família sempre lidou com fazendas de café no interior. Mais tarde, o avô trouxe todos para morarem em São Paulo, na Aclimação, bairro que na época concentrava funcionários públicos graduados e alguns milionários. Lá, o garoto teve o gosto pela arte e pela cultura despertado ao acompanhar a avó ao piano.

Neste depoimento gravado pelo Museu da Pessoa, Cunha Lima, ex-secretário de Cultura do Estado de São Paulo, lembra como foi a educação no colégio São Bento e curiosidades do Largo São Francisco.

Ouça o depoimento de Jorge da Cunha Lima, sonorizado pelo Cláudio Antonio, que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo

Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP.

Conte Sua História de SP: Skowa e o talento da madrinha

 

No Conte Sua História de São Paulo, o cantor e compositor Marco Antonio Gonçalves dos Santos, Skowa fala da madrinha que influenciou sua carreira e lembra momentos de sua infância na casa dela, no Jardim Europa. Hoje, Skowa tem 56 anos e nome ligado a história cultural paulistana com os trabalhos realizados nas bandas Skowa e Máfia.

Ouça o depoimento de Skowa, gravado pelo Museu da Pessoa, e sonorizado pelo Cláudio Antonio.

Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa. Sábado que vem tem mais.

Conte Sua História de SP: Vanzolini, da música à ciência

 

Paulo Vanzolini

Mestre da música brasileira e dos mais respeitados cientistas ligados à zoologia no mundo, Paulo Vanzolini é o personagem do Conte Sua História de São Paulo. Ele nasceu em 1924 na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, filho de pai engenheiro e professor da Poli-USP e mãe dona de casa. Cresceu entre a Alameda Tietê e a rua Atlântica, nos Jardins, um bairro bem diferente nos anos30. Este e outros momentos foram registrados no depoimento de Vanzolini, gravado pelo Museu da Pessoa:

Ouça o depoimento de Paulo Vanzolini, ao Conte Sua História de São Paulo, sonorizado por Cláudio Antônio.

Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no CBN SP.

Conte Sua História de SP: Minha biblioteca

 

Paulo Pina

No Conte Sua História de São Paulo, Paulo Pina, 48 anos, nascido na capital, criado na zona leste e apaixonado pela cultura. Ele sonhava ser jornalista, mas ao conhecer a jovem Irene descobriu às artes. Formado em biblioteconomia, hoje é responsável pelo Museu Lasar Segall, uma relação que se iniciou na primavera de 1985 e foi contado em mais um capítulo da nossa cidade, em depoimento ao Museu da Pessoa:

Ouça o depoimento de Paulo Pina gravado pelo Museu da Pessoa, sonorizado pelo Cláudio Antônio e editado pela Juliana Paiva

Participe do Conte Sua História de São Paulo. Envie um texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa. Este programa vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no CBN SP.

Conte Sua História de SP: Minha avó Olga

 

Denise Cristina Peixoto Subir em árvore para comer frutas, cantar e ouvir as histórias de Dona Olga, a avó que a criou na cidade, são algumas das muitas lembranças de Denise Cristina Peixoto, personagem do Conte Sua História de São Paulo. Ela nasceu em Araras, interior do Estado, e teve de morar com os avós quando perdeu a mão ainda recém-nascida.

Neste depoimento gravado pelo Museu da Pessoa, Denise fala da sabedoria da avó que foi capaz de superar muitas dificuldades sem perder a graça. “Raiva dói pra quem tem”, foi uma das lições que recebeu da avó.

Acompanhe o depoimento de Denise Cristina Peixoto, no Conte Sua História de São Paulo, sonorizado pelo Cláudio Antonio e editado pela Juliana Paiva.

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no CBN SP. Você pode contar um capítulo da nossa cidade enviando um texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista com áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa.

Conte Sua História de SP: Ao lado da cidade grande

 

João Augusto Barbosa O personagem do Conte Sua História de São Paulo é João Augusto Barbosa que nasceu em Itapevi, interior do Estado, morou em Osasco, região metropolitana, mas tem todas as lembranças marcadas pela cidade de São Paulo. Aos 65 anos, ele gravou depoimento ao Museu da Pessoa no qual descreveu alguns dos bons e interessantes momentos que viveu por aqui.

No Conte Sua História de São Paulo, ele diz que guarda com carinho os primeiros namoros nos anos de 1960, uma época de revolução cultural e de costumes.

Ouça a história de João Augusto Barbosa, sonorizada por Cláudio Antônio e editada pelo Julio César

Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às10 e meia da manhã, no CBN SP.

Conte Sua História de SP: E aí, Negão !

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte-internauta Gabriel Fernandes fala de uma cena inesquecível para ele e os meninos que brincavam na Vila Mariana:

Ouça o texto de Gabriel Fernandes sonorizado por Cláudio Antonio

Anos 1960. A molecada andava barbada pelas ruas, cabelos compridos, calças Lee, camisas Volta ao Mundo e O Capital de Marx ¬– do qual nunca foram muito além das primeiras páginas – debaixo do braço.

Eu morava na Vila Mariana, ainda garoto, jogava bola, naquele dia, como fazia quase todas as tardes. Tênis Rainha, sem camisa, calção de brim – ainda não se dizia shorts – e uma Bola Pelé furada.

A algumas casas da minha, ergueram um prédio comercial, havia pouco tempo, que passara a ser a sede da Colorado RQ, uma fábrica de televisores existente na época.

O sossego diminuiu bastante e o movimento na rua aumentou muito: carros, caminhões, operários e, com certa frequência, mulheres jovens que transformavam em passarela as calçadas ásperas da rua em que eu morava. Eram garotas-propaganda desfilando sua beleza para o deleite de nossos olhos infanto-juvenis.

Muitas vezes víamos parar uma Mercedes-Benz, dourada, novinha, brilhante, à porta da fábrica. Dela descia um crioulo jovem, forte, posudo, que vinha sempre aboletado no banco traseiro. O motorista era um português, branquelo, falador, canastrão, que costumava tomar umas canjebrinas no boteco em frente de casa. Contava causos, contava grandeza, contava mentiras. Gesticulava muito, engambelava a molecada com sua conversa fiada, mas, no fundo, parecia ser um boa-praça.

Às vezes o negão, terno branco ou de cores fortes, corte impecável, gravatas coloridas, sapatos de verniz ou cromo alemão, andava pelas calçadas exibindo uma linda moça em cada braço e mais duas ou três fazendo graça para ele.

A rua parava, o tempo congelava, até o vento parecia parar de soprar. As mães, as tias e as avós saíam à janela. Prendiam a respiração à espera de algum desfecho inesperado. Mas só a rotina parecia prevalecer.

O português tomava o último gole, dizia um rápido até-logo, abria a porta da Mercedes para o dândi entrar. Beijinhos daqui, beijinhos dali, as moças se despediam, o crioulo entrava no carro, o portuga assumia o volante e deslizavam suave e silenciosamente pelo asfalto até desaparecerem na primeira esquina.

Uma tarde o português interrompeu nossa pelada ao se aproximar com sua máquina dourada. A molecada abriu passagem preventivamente para que o dândi passasse com sua carruagem. Todos voltaram para a calçada. Eu me contentei em ficar no meio-fio. O carro vinha lentamente, o negão no banco traseiro como de hábito, o vidro aberto pela metade.

Inexplicavelmente, enchi o peito e gritei em direção ao carro:

– E aí, negão!

A uma ordem do passageiro, o português parou o carro. Meu coração quase parou de susto. Apertei a Bola Pelé furada nas mãos como se fossem os braços de minha mãe.

– Venha cá, garoto! – chamou o crioulo.

E eu congelado, pregado no chão, a bola ainda mais murcha nas mãos, incapaz de me mover.

– Venha cá, cara! – insistiu o negão.

E eu fui. Pé ante pé, trêmulo, respiração entrecortada, a bola amarrotada nas mãos suadas.

O crioulo colocou o braço para fora da janela. Ofereceu sua mão para um cumprimento. Titubeei, mas, ainda trêmulo, acabei segurando a mão negra e forte.

– Tudo bem garoto? – ele me perguntou – Batendo uma bolinha?

Eu estava era batendo o queixo.

Quando a molecada viu que eu havia sobrevivido, aproximou-se rapidamente do carro. Todos queriam pegar na mão do negão que, pacientemente, a todos cumprimentou e dirigiu algumas palavras.

O carro se foi, o crioulo acenando simpaticamente, aquela cena sendo gravada em nossas lembranças para sempre.

Eu já tinha aprendido a admirar aquele cara havia muito tempo, pelo que dele ouvia falar, lia ou assistia na televisão. Depois daquela tarde, passei também a admirá-lo pela simplicidade e grandeza de espírito.

Segunda década do século XXI. A molecada já não anda barbada pelas ruas, cabelos compridos são raros, as marcas de calças jeans são incontáveis, as camisas Volta ao Mundo há muito desapareceram, assim como O Capital de Marx ¬– do qual a maioria dos jovens nunca ouviu falar.

Mas alguém atravessou praticamente incólume todas essas décadas.
E aí, negão? Essa frase sempre volta à minha cabeça quando revejo na televisão ou nos jornais aquele crioulo, há décadas mundialmente conhecido. Tive o privilégio de assistir ao fenômeno da transformação de um homem em mito: Pelé.

Conte mais um capítulo da nossa cidade, envie um texto ou agende entrevista no Museu da Pessoa. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP.