Conte Sua História de São Paulo: Artista capilar e poeta

 

José Ferreira de Carvalho

Foram dois diplomas em Portugal, antes de chegar ao Brasil para abrir seu próprio negócio. Aqui, desenvolveu outra habilidade, a poesia, exercitada nos jardins do Museu do Ipiranga, no bairro em que foi morar, em 1954. O senhor José Ferreira de Carvalho, no depoimento gravado pelo Museu da Pessoa para o Conte Sua História de São Paulo, lembra da infância na cidade portuguesa de Vila De Aguiar e fala com orgulho da sua profissão: barbeiro. Perdão, seu José, artista capilar. “E sem frescura” como faz questão de ressaltar.

Ouça a história de José Ferreira de Carvalho, em depoimento sonorizado por Cláudio Antonio

Você também pode contar um capitulo da nossa cidade. Agende uma entrevista no telefone 2144-7150 ou pelo site do Museu da Pessoa.

Conte Sua História de São Paulo: No navio de Portugal

 

Cesário dos Santos Rodrigues Cesário dos Santos Rodrigues nasceu em Sendim, lugarejo próximo de Vizeu, em Portugal. Deixou a terra natal aos 12 anos para encontrar-se com toda a família, em São Paulo. Foram dez dias de viagem de navio onde viveu aventuras inesquecíveis, fez amizades – apesar de algumas brigas – e conheceu brinquedos jamais vistos em sua infância modesta. É, porém, a lembrança do desembaque no Brasil quando pode rever seu pai que ainda lhe proporciona fortes emoções como demonstrou durante depoimento gravado pelo Museu da Pessoa para o programa Conte Sua História de São Paulo.

Ouça o depoimento de Cesário dos Anjos Rodrigues sonorizado por Cláudio Antonio

O Conte Sua Hitória de São Paulo vai ao ar, no CBN SP, logo após às 10 e meia da manhã. Você também pode participar. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa.

Conte Sua História: Retalhos de minha infância

 

Márcia OvandoA invasão da rua 25 de Março ainda não havia ocorrido, apesar de as lojas de confecção já estarem lá, quando Márcia Ovando se mudou com os pais e as irmãos – o irmão mais novo ainda não havia nascido. Fez amigos e conhecidos, muitos dos quais continuaram a visitá-la quando deixou o apartamento da 25 por uma casa em Moema, outro bairro que tinha cenário distante daquele que conhecemos, atualmente.

Márcia foi personagem do Conte Sua História de São Paulo quando contou lembranças dos tempos de meninas. No depoimento ao Museu da Pessoa, descreveu com emoção a prisão do pai, vítima do regime militar, e com alegria a vivência com famosas personalidades da televisão.

Ouça o depoimento de Márcia Ovando, sonorizado por Cláudio Antonio

Você também pode participar. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa e Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: Reveillon no ônibus

 

Maria das DoresPassar o reveillon dentro do ônibus e passear com as amigas até os cinemas da cidade estão nas lembranças da ouvinte-internauta Maria Francisca das Dores registradas pelo Museu da Pessoa para o Conte Sua História de São Paulo. Natural de Passos, interior de Minas, veio para a capital trabalhar na casa de uma família aos 20 anos. Desde aquela época construiu uma relação de carinho com São Paulo, apesar de considerar a cidade, atualmente, muito insegurança.

Ouça o depoimento de Maria Francisca das Dores, sonorizado por Cláudio Antônio

Você também pode participar deste quadro que vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Agende um entrevista pelo telefone 011 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa e Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de SP: Carnaval, não; dança de salão

 

Entrevista_05

Foi no salão de festas da Igreja Nossa Senhora da Lapa, na zona oeste de São Paulo, que a paulistana Elisa Vicenza Imperatrice descobriu o quanto a música e a dança podem ser determinantes na nossa vida – “revigorante”, como ela própria descreve no depoimento gravado pelo Museu da Pessoa para o Conte Sua História de São Paulo. Antes de se apaixonar pelas valsas vienenses, Elisa também se divertia nos bailes de Carnaval, mas não passava de uma brincadeira de menina:

Ouça o depoimento de Elisa Vincenza Imperatrice com sonorização do Cláudio Antonio

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Agende um depoimento na sede do Museu da Pessoa pelo telefone 011 2144-7150 ou pelo site www.museudapessoa.net.

Conte Sua História de São Paulo: O trem da vida

 

Por Elza Guerra Alemán
Ouvinte-internauta

Ouça “O trem da vida” com sonorização de Cláudio Antonio

Bairro do Brás

O ano de 1947 corria. E corria mesmo. Minha mãe falava todos os dias que o ano estava passando muito veloz. Isto porque ela não queria mudar-se do bairro do Brás onde morávamos e meu pai já havia estipulado o mês de janeiro para a mudança. A cada 24 horas mais se aproximava o dia de irmos para outro bairro, o longínquo Real Parque. Era longe, muito longe, naquelas montanhas cheias de eucaliptos, depois da ponte sobre um grande rio. Varias vezes tínhamos ido até lá visitar a família Valladares – o senhor Andrés, dona Luisa e suas duas filhas. Até que achávamos divertido passar o dia na granja deles! Enquanto minha mãe se lamentava, eu e minha irmã não víamos a hora de mudar de casa.

Meu pai tinha uma hospedaria no bairro do Brás, na rua Dr. Almeida Lima. Era a “Pensão Brasil”, um hotelzinho de poucas ou nenhuma estrela e onde também morávamos.

Nessa ocasião, eu tinha 7 anos. Estava no primeiro ano do curso primário, na Escola Normal Padre Anchieta. Todos os dias, pela manhã, passava pela rua 21 de abril para chamar minha coleguinha Olímpia e juntas chegávamos à avenida Rangel Pestana, no belo colégio, para as aulas da professora Idalina Guerra.

Apressadamente o ano caminhava para seu final.

Meus pais procuravam levar-nos, a mim e a minha irmãzinha, a todos os lugares onde provavelmente seria muito difícil voltar depois da mudança. Íamos então com mais freqüencia aos cinemas do bairro. No Piratininga, no Brás Polytheama, no Universo, assistiamos filmes espanhóis, americanos, brasileiros e argentinos. Quando íamos a noite, a sessão era de dois filmes e não podíamos ficar na sala de exibição depois das vinte e duas horas. O lanterninha vinha avisar meus pais para se retirarem com as crianças. Alguns filmes, talvez o “Sob a luz de meu bairro”, o “24 horas na vida de uma mulher” ou o “Os sinos de Santa Maria” eles não puderam ver o final, pois certamente tiveram que sair antes de terminada a sessão. Era a lei na época.

O Teatro Colombo, no largo da Concórdia, além de espetáculos musicais e peças de teatro, também exibia filmes. Lá, nas matineés de algazarra, assistíamos desenhos e seriados cujos finais nunca mais saberíamos.
Aquele final de ano rendia em passeios. Fomos ao circo montado na rua Visconde de Parnaiba , quando levavam a peça “Os milagres de Lourdes” e lembro-me que eu e minha irmãzinha choramos emocionadas.

De outra feita vimos também a peça “O Ébrio”, talvez no mesmo circo, onde também nos derretemos em lágrimas.

O Parque Shangai, instalado no parque Dom Pedro, era um acontecimento. E lá fomos nós ver todas aquelas luzes, brinquedos que se moviam, a mulher gigante que ria, ria sem parar e acho que se chamava Chica Pelanca.

Assistir aos casamentos na igreja Bom Jesus era também uma grande distração. Tenho a impressão que não perdemos nenhum sábado. E depois de analisar os vestidos das noivas e os trajes dos convidados passávamos pela rua Caetano Pinto para que minha mãe pudesse matar a saudade de seu tempo de criança.(Foi ali que meu pai a viu pela primeira vez, quando não passava de uma menina, filha de imigrantes espanhóis).

Atravessar as Porteiras do Brás, quando estas se fechavam, era cansativo, pois tínhamos que subir uma escada de muitos degraus, andar por um corredor e descer do outro lado. Dentro da estação de trens, no local de embarque, havia uma balança para pesar volumes. Não sei como funcionava, porém quando meu pai nos pesava, a balança soltava um cartãozinho com desenho de algum animal. Lembro-me que sempre recebia o desenho de um carneirinho, talvez pelo meu pouco peso. Gostava de ouvir o sinal avisando que as porteiras iriam se fechar ou abrir. Elas barravam o fluxo de carros, bondes e ônibus que cruzavam a avenida Rangel Pestana, para a passagem dos trens.

Mas, voltemos a Pensão Brasil que tinha altas portas e janelas idem que se abriam para a rua. A construção seria com certeza do século XIX. Fazia parte de uma serie de casas geminadas, que nessa época, anos 40, eram residências de famílias proletárias. Meu pai alugara duas daquelas casas, que possuíam muitos quartos e as transformou em um pequeno hotel. Hotel que servia tanto aos estudantes da Escola

Aeronáutica, da rua Visconde de Parnaíba, como aos migrantes, despejados aos montes na Estação do Norte. Esses eram seus hospedes. O grupo de casas fazia vizinhança ao “Laticínios Paulista”, a usina de leite, que por sua vez ficava junto a outra passagem dos trens. Uma passagem também com porteiras que cortava a rua dr. Almeida Lima.

Pensam que não? Lembro-me e ainda penso ouvir o barulho dos trens… dos vagões de carga, do trem de luxo, da litorina… ouço o barulho das caixas metálicas, arrastadas pelos funcionários do Leite Paulista…com vasilhames de vidro…na calçada que estava constantemente molhada…

Aquele 25 de dezembro chegou num instante. A Aurora Pazzito, o Alfredo, a Maria, a menina bem vestida da última casa, eu e minha irmã, logo cedo saímos a rua para mostrarmos os presentes que havíamos ganhado. Uma boneca, um joguinho de sofá, panelinhas e um revolver do Roy Rogers faziam a alegria daquela meninice.

Os dias rolaram como bolinhas de gude na ladeira. E uma noite ouvi minha mãe nos chamando para ouvir os apitos das fábricas, as buzinas dos carros, os estrondos dos fogos de artifícios, os meninos com paus batendo nos postes. Era a festa do reveillon. Terminava 1947 e nascia um ano novo.

Dias depois, nossa parca mudança chegava ao Real Parque. Casas pequenas com grandes quintais, árvores, cachorros, galinhas e pássaros. Água de poço. Rua de barro. Era uma nova etapa, um novo trajeto do trem de nossas vidas.


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você participa enviando seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: A partida

 

Por Vera Helena Gasparotti Praxedes
Ouvinte-internauta do CBN SP

Ouça o texto ‘A Partida’ sonorizado por Cláudio Antônio

Este poema fiz quando mataram meu vizinho, em frente a casa dele que fica em frente a minha, em um lugar lindo com uma pracinha, ao lado de um também belo parque que se chama Parque Nabuco no Jardim Jabaquara. O nome dele George Alexandre, um professor de inglês que lecionava em Diadema e chegava todos o dias em sua casa por volta das 00:30 hs. da madrugada. Só sabemos que quem o matou foi um ou dois homens em uma moto, provavelmente queriam entrar com ele, que reagiu.

A Partida

Um grito ecoou pela noite escura,
Desafiante, profundo, cheio de horror,
O peito pulsou sem doçura:
– Seria de dor? – Seria de pavor?

Um estampido ressoou pelo ar,
Não murchou as flores, não secou as árvores,
Não calou os pássaros, não rachou o chão,
Certeiro, perfurou o coração.

O corpo caiu num baque aguçado,
Sombreado pela luz da lua,
Vermelho, em vez de prateado.

Um suspiro seguiu…
Nem mesmo o tempo parou
Para velar o quê partiu…

É mesmo assim, fica tudo assim mesmo.


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Participe enviando seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História: No tempo certo

 

O som dos relógios marcou o tempo de um pequeno lojista no centro de São Paulo. O ouvinte-internauta Fábio Monastero o conheceu quase por acaso e compartilha com você a emoção desta descoberta:

 

 

Tem Conte Sua História de São Paulo aos sábados no programa CBN São Paulo, todos os dias aqui no blog e na sua estante com o livro lançado pela Editora Globo, que reúne 11O capítulos da capital paulista