Avalanche Tricolor: saudade de você!

LDU 0x1 Grêmio

Sul-Americana — Quito, Equador

Léo Pereira em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

Vitória!

Que saudade de você, minha querida! 

Há quanto tempo a gente não se encontrava por aqui. 

A última que lembro foi há mais de um mês.

Gol? Não comemorava há quase 20 dias.

Que seca!

Abstinência total.

 

Fomos buscá-la da maneira mais sofrida possível.

Lá na altitude. Nos 2.850 metros de Quito.

Com o jeito Scolari de ser.

Fechado em uma linha de seis jogadores próximos da área.

Com os pontas recuados. Os meias recolhidos. 

E os atacantes voltando na intermediária.

Com uma ou outra escapada ao ataque.

 

Abrimos mão do toque de bola preciso por uma marcação precisa na bola. Trocamos a aproximação pelo chutão. Ocupamos os espaços. Reduzimos riscos. Restringimos os perigos de gol. Contamos com Chapecó, um goleiro bem aventurado. Usamos de velocidade e apostamos no talento do passe de Jean Pyerre —- jogador que demonstrou um ânimo irreconhecível.

 

Consagramos Léo Pereira. O garoto de Bauru, que surgiu em Itu, ameaçou ser moleque de Itaquera e agora se transformou em mais um guri do Humaitá. Com apenas 21 anos e 1,72 de altura, correu, marcou e se meteu em meios aos grandalhões da zaga adversária para marcar de cabeça o único e definitivo gol da partida.

Uma vitória sofrida, sem dúvida.

Mas antes sofrer com apenas 23% de posse bola, na retranca e com uma vitória, do que inanição com a bola no pé. 

Tava com saudade de você.

 Vê se não me deixa, Vitória!

Avalanche Tricolor: pra cumprir tabela

La Equidad 0x0 Grêmio

Sul-Americana – Estádio Bellavista, Equador

Foto: Divulgação / Conmebol / Twitter

Classificado por antecedência e com merecimento, o Grêmio foi para a última partida desta fase de grupos da Sul-Americana com poucas pretensões. Fez o suficiente com o pouco que tinha de jogadores —- apenas 15 viajaram para o Equador e um deles, Pedro Lucas, ainda se sentiu mal antes do jogo. Nenhum dos garotos tinha mais de 21 anos e para a maioria era a primeira chance entre os profissionais. Todo o restante do grupo permaneceu em Porto Alegre treinando para o início do Brasileiro.

Diante da altitude, o Grêmio precisava poupar o fôlego de todos que estavam em campo, sob risco de não ter quem os substituíssem. Ainda sofreu revés logo no início com a lesão de Elias, após uma das muitas entradas violentas da marcação adversária. E desperdiçou um pênalti no segundo tempo em cobrança ruim de Guilherme Azevedo.

Foi o suficiente, mesmo que tenha tido a vantagem de dois jogadores a mais, após as expulsões assinaladas pelo árbitro para coibir a violência do adversário. O importante era  manter a invencibilidade e garantir a melhorar campanha na competição —- muito mais para pela preservação do bom astral dessas últimas semanas do que propriamente pelo destino na Sul-Americana. O que tinha de ser feito já havia sido feito. E fomos ao Equador apenas cumprir tabela. Cumprimos.

Agora é esperar a estreia no Campeonato Brasileiro.

Avalanche Tricolor: Ferreirinha é o futebol jogado com prazer

Grêmio 3×1 Lanús

Sul-Americana — Arena Grêmio

A bola a caminho do gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Um time com personalidade. Disposto a provar sua superioridade. Retomar o futebol que encantou o Brasil e a América, mesmo que para isso precise rever posicionamento, reajustar peças e revezar jogadores. Desde a primeira rodada da Copa Sul-Americana, o Grêmio tem tido 100% de aproveitamento, superando adversários dentro e fora de casa —- respeitando-os, com certeza, mas expressando em campo o futebol mais elevado que construiu nos últimos anos.

Hoje, entramos em campo com uma formação um pouco diferente daquela que estamos acostumados. O Grêmio deixou no banco jogadores que precisam retomar o fôlego para as partidas finais do Campeonato Gaúcho, demonstrando a importância de se ter um elenco equilibrado e o compromisso que assumiu de provar que, a despeito do revés inicial na temporada, segue grande e vitorioso.

Tiago Nunes escalou um time reforçando na entrada área com dois volantes que ofereceram mais segurança à defesa, sem perder a qualidade na distribuição de jogo: Thiago Santos, que tem se destacado positivamente, e Lucas Silva, que fez sua melhor partida desde que chegou ao Grêmio.

Havia ainda um terceiro falso volante na equipe: Matheus Henrique. O pequeno gigante do nosso meio de campo estava mais livre para armar lá na frente e chegar à área.

Como dizem os comentaristas de esporte: volante moderno tem de colocar o pé na área. Assim como havia feito na partida do fim de semana, pelo Gaúcho, Matheusinho surgiu entre os zagueiros para marcar de cabeça, aos dois minutos de jogo. Concluiu jogada construída por Ferreirinha.

Aliás, caro e raro leitor desta Avalanche, se você ainda não tirou algumas horas do dia para assistir a este guri jogar bola lá pelo lado esquerdo do Grêmio, não demore muito. Gente da qualidade de Ferreirinha não costuma ter vida longa no Brasil. Em breve, algum gringo estará assediando o menino. Ele faz chover. Raro atacante que dribla sem vergonha. Que irrita o marcador com seu talento. Que joga pra frente, em direção ao gol. E invariavelmente consegue chegar ao seu destino. Hoje, além da assistência para Matheus Henrique, marcou mais duas vezes. A primeira, depois de encontrar Rafinha livre na direita e correr para dentro da área para fulminar de cabeça no gol adversário. E a segunda, empurrando a bola bem passada por Diego Souza. Não por acaso, em quatro partidas nesta Copa Sul-Americana, Ferreirinha foi considerado o melhor jogador em campo em três delas —- incluindo a de hoje. Ferreira é o futebol jogado com prazer. 

Avalanche Tricolor: gol, gol, gol ….

Grêmio 8×0 Aragua

Sul-Americana — Arena Grêmio

Foram necessários poucos minutos para saber o risco que corríamos de golear o adversário. Foi um, foram dois, foram gols atrás de gols. Por um lado. Por outro. Por cima. Por baixo. Confesso, perdi a conta no meio do caminho. E tive de algumas vezes conferir o placar na tela da televisão. Falar de um jogo assim, querer entender essa superioridade, é desnecessário. Por isso, deixo as palavras de lado e reproduzo as imagens de Lucas Uebel, fotógrafo do Grêmio FBPA, que acompanha o time onde o time estiver. Hoje, teve direito a cumprimento de Maicon, que marcou de penalti. Considere-se cumprimentado por mim, também, Lucas — a quem não conheço pessoalmente, mas usufruo da arte de registrar os mais belos momentos da nossa Imortalidade.

Avalanche Tricolor: dois gols de um Grêmio que já conhecemos



Lanus 1×2 Grêmio

Sul-Americana — estádio La Fortaleza, em Lanús (ARG)

Festa de Ferreirinha no segundo gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Há quem já enxergue o redesenho do futebol do Grêmio, que está sob nova direção há pouco mais de uma semana. E veja nos dois gols marcados no freguês argentino, na noite dessa quinta-feira, as mudanças impostas pelo técnico Thiago Nunes. Longe de mim querer tirar o mérito do treinador ao escrever esta Avalanche, na manhã de sexta-feira, após ler parte da crônica esportiva e especializada do Rio Grande do Sul. A despeito de a chegada dele provocar o efeito ‘chefe novo’ que influencia o desempenho tanto de acomodados quanto de  desmotivados, tem potencial para tornar o time ainda mais forte, pelo que já mostrou na carreira que construiu até aqui. Porém, por mais que confie —- e eu sempre irei confiar —-, é preciso parcimônia na análise e um refresco na memória. 

Em 2017, o Grêmio enfrentou o mesmo Lanús em competição mais nobre e fase mais decisiva. Disputamos o título da Libertadores e vencemos a primeira partida no mesmo estádio de ontem —- La Fortaleza —- e com o mesmo placar de ontem. Coincidências, é lógico. Pois nem Grêmio nem Lanús conseguiram na temporada anterior alcançar a mesma performance da época em que se candidataram ao maior título sul-americano. Haja vista que hoje temos de nos contentar com a Sul-Americana.

Resgato o primeiro jogo daquela decisão porque basta um Google —- veja no vídeo a seguir —- para lembrar que os dois gols que nos abriram caminho para o título surgiram de jogadas semelhantes a que nos permitiram chegar aos gols de ontem: pelas pontas, com velocidade e talento.

Em 2017, o Grêmio saiu na frente no placar após a cobrança de escanteio do adversário. A defesa despachou a bola da área e foi parar nos pés de Fernandinho. Nosso atacante disparou contra os marcadores em altíssima velocidade até chegar na cara do gol e marcar. 

O segundo gol começou em outra arrancada de trás, com jogada  pelo lado esquerdo, em alta velocidade. A bola caiu nos pés do iluminado Luan e  nosso 7 usou de seu talento, driblou quem podia, deixou os zagueiros para trás e de cavadinha encobriu o goleiro para marcar aquele que foi o gol mais bonito da Libertadores.

A vitória de ontem começou a ser construída após a defesa tirar uma bola da área, o meio de campo brigar pela disputa dela e encontrar Ferreirinha inspirado na ponta esquerda. O guri, atrevido, fez um giro sobre o marcador e correu em direção ao gol para servir Leo Pereira, que também vinha em velocidade. 

Depois de levarmos o empate, reagimos novamente pelas pontas. Luis Fernando — aquele que fazia alguns arrancar os cabelos quando Renato mandava aquecer ao lado do gramado — arrancou pela direita, deixou o marcador para trás e serviu a quem estivesse chegando na área. Era Tiago Santos que estava a espera da bola quase na pequena área. Sim, aquele “volantão”, “perna de pau” e “velho”, que ao ser contratado foi motivo de críticas e pedidos de demissão de Renato, estava, aos 41 minutos do segundo tempo, lá no ataque para dar assistência à Ferreirinha que, mais uma vez, usou de talento para fazer a bola chegar nas redes.

A esta altura, você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve estar pensando: o Mílton parece viúva do Renato. Que pareça!

A minha admiração e respeito por ele sempre será enaltecida neste espaço, mesmo com todas as ressalvas que já fiz e registrei em Avalanches passadas. Mais do que isso, porém, é que faço questão de dar crédito a quem merece, sem desmerecer os demais. 

Assim que Renato chegou ao comando do Grêmio, em setembro de 2016, muitos passaram a elogiar a maneira como o time estava se apresentando em campo —- como se aquela performance tivesse sido inventada naquele momento. Esquecíamos de que a lógica do jogo havia sido montada por Roger,  que mudou a maneira do Grêmio se comportar em campo, valorizando a bola no pé, o toque rápido e o deslocamento em velocidade. Renato aprimorou a marcação e soube aproveitar muito bem a estrutura deixada por seu antecessor. Fez o nosso futebol evoluir e se tornar campeão.

Com Tiago Nunes nossa expectativa é a mesma. O treinador vai implantar o que pensa ser o futebol moderno, a partir de um modelo de jogo que já conhecemos há algum tempo e se transformou em uma de nossas marcas. Ele não vai reinventar o Grêmio. Vai evoluir com o Grêmio. E nos fazer campeão, mais uma vez! É a minha esperança.

Avalanche Tricolor:  se é o que temos, ganhemos!

Grêmio 2×1 La Equidad

Sul-Americana — Arena Grêmio

Gol de Diego Souza em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Foi o locutor oficial da transmissão de TV da Conmebol* quem disse que o Grêmio combina com Libertadores — e não tenho dúvida que os torcedores  pensamos da mesma maneira. No entanto, os resultados deste início de temporada não nos deram a oportunidade de manter a escrita dos últimos anos —- ahh, que falta fez aquele gol mal-anulado e sem VAR da fase preliminar. Com tudo isso, tivemos de encarar nesta quinta-feira à noite a estreia na Sul-Americana.

O Twitter oficial da Conmebol também tinha um tom de “que-falta-você-faz”.  E foi quem me alertou para o fato de que há nove anos não disputávamos essa competição. Neste 2021, porém, é a Copa que temos para jogar. E uma Copa que começa diferente porque trocou a disputa de mata-mata por uma fase de grupo bastante rígida, jque apenas o primeiro colocado segue em frente. Ou seja, já que é para jogar que seja a mais difícil de todas as edições.

E jogamos razoavelmente bem para um time que ainda precisa se acostumar com essa realidade e passa por uma transformação dentro e fora de campo. Thiago Gomes, com H, tem feito às vezes de treinador do time principal enquanto aguarda que Tiago Nunes, sem H, assuma o lugar que é de Renato Portaluppi —- não pense que usei o verbo ser no presente por acaso. 

Thiago, com H, comandou o time em três partidas, duas delas pelo Campeonato Gaúcho e fez, hoje, sua estreia em uma competição sul-americana. Soube manter a equipe com o que tinha de melhor à disposição, usando os dois principais reforços deste início de temporada —- ambos escolhidos por Renato. E mantendo o estilo de jogo que nos colocou entre os melhores do Brasil e da América nos últimos anos.

Diego Souza marcando um gol atrás do outro, além de dar assistência —- como no segundo, feito por Paulo Miranda —- foi o melhor da partida, na escolha da equipe técnica da Conmebol que, confesso, não tenho a menor ideia de quem seja nem como faz sua escolha. O atacante que Renato buscou para o time no ano passado, apesar das críticas, cumpre seu papel, é o goleador do time e ainda nos acrescentou qualidade na bola aérea. Com os cruzamento de um cada vez mais destemido Ferreirinha por um lado e de Rafinha pelo outro, Diego Souza tem tudo para consagrar-se como o artilheiro que é, em mais uma temporada. 

Aliás, Rafinha, outro nome da safra recente de Renato, que muitos entendiam que era desnecessário, já mostrou seu talento nas poucas partidas que disputou.

Com a braçadeira de capitão, apesar de recém-chegado, o que revela a personalidade do lateral direito, Rafinha deu qualidade na bola que vem de trás. E tem um cruzamento para área que chama atenção. Nossas cobranças de escanteio voltaram a nos dar esperança de gol —- há muito tempo deixamos a desejar e desperdiçamos essas oportunidades com bolas curtas ou lançadas sem rumo para a defesa cortar.

Outro nome a quem devo elogios é ao de Thiago Santos, com H. Volante de profissão, marca com precisão, combate o adversário e rouba a bola em quase todas as investidas. Ao contrário do que os detratores tentaram impor —- sim, fizeram campanha na internet e acusaram mais uma vez Renato de fazer más escolhas —-, sabe sua função dentro do time, é bastante útil para uma equipe que precisava retomar sua característica guerreira no meio de campo e servir de contraponto ao futebol leve que nos faz chegar com toque de bola no ataque. 

Foi ao estilo Renato, travestido de Thiago Gomes, que conquistamos os três primeiros pontos na Copa, mesmo tendo que sofrer parte do jogo com um a menos em campo, a medida que Rodriguez foi, justamente, expulso. Agora, com o time líder no Campeonato Gaúcho e vitorioso na estreia da Sul-Americana, o bastão passa às mãos de Tiago Nunes.

Quanto a você, caro e raríssimo leitor desta Avalanche, se gremista for como eu, caberá se acostumar com um novo estilo de técnico. Assim como com essa competição que não era a que sonhávamos, mas é a que estamos disputamos. E se é o que temos, ganhemos!!!