Cinco relatos corporativos que você precisa contar aos colegas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Do mundo corporativo tal qual na vida real podemos extrair interessantes episódios ilustrativos do comportamento humano e empresarial. A bibliografia nesse contexto é extensa, apresentada por significativos autores e obras das quais cito abaixo alguns casos:

 

1. O CLIENTE COMO META

 

A AVIS, locadora de autos, num momento de extrema dificuldade financeira, tinha excessiva reclamação do pessoal de vendas pelo sistema, que dificultava o atendimento no balcão. Decidiu, então, que os especialistas que criavam os processos fossem às lojas e executassem as vendas. No retorno deles houve acentuada melhoria no sistema e apenas uma baixa. Um dos técnicos, ao entrar o primeiro cliente, se escondeu debaixo do balcão.

 

2. O POSITIVO EXTRAIDO DO NEGATIVO

 

A mesma AVIS estava sempre sem filas, menos pelo novo sistema e muito mais pela concorrência da HERTZ, líder de mercado. A AVIS começou então a mostrar as filas na HERTZ e convidar os clientes a evitar a demora indo para as lojas AVIS. Deu certo.

 

3. A MAXIMIZAÇÃO É MAU NEGÓCIO

 

Em reunião da diretoria de uma grande corporação química, o Gerente de Crédito expôs com orgulho o resultado alcançado de 0% de inadimplência, número jamais atingido durante longos anos anteriores. Ao que o CEO retrucou: talvez por nunca ter alcançado essa marca a empresa tenha durado tanto, pois com crédito restrito ela certamente estaria perdendo clientes e posição no mercado.

 

4. A DURAÇÃO DA REUNIÃO É INVERSAMENTE PROPORCIONAL AO CONHECIMENTO

 

O Prof. Parkinson idealizou uma reunião de aprovação de orçamento em que se discutiam investimentos desde reator atômico e galpão industrial até chá e café para reuniões festivas. Como apenas um presente tinha condições técnicas para o maior investimento e todos tinham para chá e café, os tempos gastos foram proporcionais ao conhecimento disponível na reunião. Poucos minutos para milhões de dólares e muitos para poucos dólares.

 

5. A SUPREMACIA DA PUBLICIDADE*

 

O Dr. Robert Cade, da Universidade da Flórida, na década de 1960, desenvolveu uma bebida para esportistas: o Gatorade. O “Florida Gators” testou-a e ficou conhecida como a equipe vencedora do segundo tempo por causa de sua resistência. Quando ganharam o Orange Bowl, o técnico perdedor disse: ”não tínhamos bebido Gatorade; isto fez diferença”. A “Sports Illustred” publicou. E o momento mágico se prolongou. O Gatorade passou a ser a bebida oficial da National Football League, da National Basketball Association, da Professional Golf Association, da NASCAR, etc., cujo porta voz durante anos foi Michael Jordan.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

PS: * Publicidade é a comunicação não paga, também chamada de RP Relações Públicas. A Propaganda é a comunicação paga.

CBN Professional: é possível uma empresa sem chefe e decisões só por consenso?

 

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Mário Kaphan em entrevista foi CBN Professional

 

A busca pelo consenso, inalcançável para a maioria de nós, seja na vida privada seja na profissional, é a razão de ser da Vagas.com desde sua fundação em 1999. Chega a ser difícil entender como isso funciona, especialmente em mercado competitivo no qual reina a meritocracia ou qualquer outra coisa que se pareça com isso. E não pense que ao conversar com um dos fundadores da empresa, Mario Kaphan, ficará mais fácil saber como o consenso pode dar certo: “não temos nenhuma decisão muito relevante que não esteja dentro do consenso, mas já sabemos que o consenso não funciona”.

 

Entrevistei Kaphan por mais de uma hora para o CBN Professional – série de podcast produzida pela rádio CBN em parceria com a HSM Educação Executiva – que já está no ar. Já havia falado com ele um ano antes para outro quadro do Jornal da CBN quando fui apresentado ao sistema horizontal de gestão que impera na vagas.com. Lá não tem chefe, sub-chefe, supervisor de chefe. Todos tem o mesmo poder. Todos, não. Os que conseguem convencer mais, acabam tendo mais poder do que os outros. Porque se as decisões são na base do consenso, quem tiver melhor argumento, leva vantagem. Não é?

 

Antes de começar a ouvir a entrevista com Mário Kaphan, tento explicar como o consenso funciona: eu e você entendemos que é preciso mais um funcionário no nosso departamento; anunciamos a decisão na intranet da empresa; se alguém tiver dúvida sobre esta necessidade, abre uma controvérsia; eu, você e o controverso discutimos o tema; se ninguém sair convencido, ampliamos o grupo de debate; se não houver consenso nada acontece; se nossos argumentos forem fortes o suficientes, o novo colega é contratado.

 

Deu pra entender?

 

Sim ou não, vale a pena ouvir a entrevista completa com o Kaphan, refletir sobre os conceitos e conhecimentos construídos ao longo desses 17 anos e pensar se alguns deles podemos incluir no nosso negócio; na nossa vida. Se ainda está em dúvida, saiba que os resultados da Vagas.com até agora têm sido muito bons, mesmo diante da crise econômica que passa o Brasil, este país no qual a busca pelo consenso está impossível.

 

“Filhos são mais leais que seu chefe’”, alerta Kanitz

 

Um pouquinho de egoísmo não faz mal a ninguém e pensar na sua própria família antes de dar prioridade à sua empresa, à sociedade e aos outros é recomendável. Quem diz isto é um mestre em administração por Harvard, Stephen Kanitz, que tem dedicado seu tempo à família – a dele e a dos outros, pois além de ser autor do blog famílias.melhores.com.br, acaba de lançar o livro “Família acima de tudo”(Thomas Nelson Brasil).

Na entrevista que você ouve aqui no blog, Kanitz faz um alerta aos puxa-sacos e workaholics: os filhos são mais leais do que seu chefe no trabalho e serão eles que lembrarão de você na aposentadoria. Critica as empresas que não respeitam o tempo de seus profissionais e os impedem de se dedicar a mulher, ao marido ou aos filhos. E defende uma mudança de hábitos radical: “o prazer de ter um filho não pode ser menor do que o de ter um carro novo”.

Ouça a entrevista de Stephen Kanitz e reflita sobre seu comportamento profissional e familiar