Avalanche Tricolor: uma dose extra de paciência

Athletico 4×2 Grêmio

Brasileiro – Arena da Baixada, Curitiba-PR

Vanderson em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Nesta semana, a família concluiu seu segundo ciclo de vacinação contra a Covid-19. Mulher e filhos, além deste que lhe escreve: todos já estão com a segunda dose no braço. Dá um certo alívio, passado um ano e oito meses desde o início dessa desgraça que nos abateu. Lembro que no começo muitos imaginavam que tudo se resolveria rapidamente. Alguns falavam em duas semanas para voltarmos ao normal —- seja lá o que isso signifique. Apostei em ao menos dois meses, quando cheguei em casa no dia em que iniciamos a quarentena, em 20 de março do ano passado. Alertei a turma de que seria um período complicado, mas valeria a pena a reclusão.

Se o prazo final da pandemia estendeu-se muito mais do que a expectativa, a boa notícia foi saber que o prazo de conclusão das primeiras vacinas se encurtou bem mais do que todos acreditavam. No segundo semestre do ano passado, já surgiam os primeiros resultados. E no início de dezembro de 2020, havia países vacinando seus cidadãos —- o Brasil, lamentavelmente, demorou mais e permitiu que muita gente fosse embora antes da hora, apesar de a existência de uma vacina capaz de reduzir os riscos de contaminação grave, internação e morte.

Desde janeiro, quando a vacina começou a circular por aqui a ansiedade para que o processo se acelerasse foi enorme. Comemorava-se cada pessoa conhecida que tivesse sido imunizada. A agulha no braço era mais do que uma vitória individual. Era coletiva. Como se todos estivessem sendo protegidos. Aliás, todos estão sendo protegidos quando uma pessoa se vacina. Se aprendemos alguma coisa ao longo deste tempo, é que a busca da imunidade possível é uma responsabilidade ética que assumimos quando decidimos viver em comunidade —- lamento muito por aqueles que insistem no contrário e seguem com sua visão mesquinha e assassina.

Pela idade, minha mulher e eu tomamos a primeira dose antes dos filhos. No meio do caminho, o vírus me pegou, mas a proteção foi suficiente para não me abater. Viva a ciência! Os três meses de espera para a segunda dose foram intermináveis, mas chegaram com a devida celebração. Os meninos tiveram ainda mais sorte. Primeiro, porque foram contemplados com o que aqui em São Paulo chamados de xepa —- aquelas doses remanescentes que precisam ser aplicadas depois de abertas para evitar o desperdício. Segundo, porque em lugar de 12 semanas puderam tomar a segunda dose em apenas oito, graças a redução do tempo proposta pelo Governo de São Paulo.  

Este foi o primeiro fim de semana que passamos juntos com a certeza de que se a ciência cumpriu o seu papel, nós, como cidadãos, cumprimos o nosso. Não temos a ilusão de que estamos livres do vírus. Sabemos que é preciso seguir com as medidas de proteção, em especial com o uso da máscara. Não dá para baixar a guarda. Apesar disso, nos demos o direito de comemorar essa vitória.

O mesmo não posso dizer do meu Grêmio que no fim da tarde deste domingo desperdiçou mais uma oportunidade para sair da zona de … “você-sabe-qual”. Apostei que na primeira rodada do returno já estaríamos livre desse martírio futebolístico e percebo que estou sendo precipitado. Diante do que assisti em Curitiba talvez seja prudente tomar uma terceira, quem sabe, uma quarta dose da vacina da paciência.

Mesmo ameaçadas pela desinformação, muitas empresas não investem na prevenção

Foto de Markus Winkler no Pexels

Falo de muita coisa, especialmente quando sou convidado. Falo particularmente de comunicação, porque foi neste conhecimento que construí carreira —  no início nas redações, e depois nos palcos e livrarias.  Costumam querer saber do jornalismo como anda, e falo dele com carinho e preocupação. Palestro também de pais e filhos ou de ética e cidadania, porque me atrevi a escrever sobre esses temas, mesmo que eu não deva ser referência para ninguém.

Seja qual for o assunto que estou falando, lá no meio do caminho peço licença, abro parênteses e inicio o discurso que virou missão: sobre desinformação. Poucas coisas — e coisas não faltam — têm exigido olhar tão atento de cada cidadão, porque esse fenômeno transformou-se inimigo da verdade, combatente da ciência e um vírus para nossa integridade. 

Muitos de nós achamos que a desinformação —- ou essa coisa que chamam, sob meu inócuo protesto, de fake news —- é problema dos outros. Especialmente se os outros forem políticos. “Eles que são brancos que se entendam”, falamos nós enquanto lavamos às mãos. Quem pensa assim tem parte da razão. É nesse campo que as mentiras se expressam com ataques mútuos que igualam lados opostos. É na política dos palácios e parlamentos que temos um solo fértil para criação de fatos falsos e mensagens produzidas para prejudicar o adversário.

Que fique claro, porém. Nem toda política se baseia na mentira nem toda a mentira é monopólio da política. A desinformação se disseminou como arma de destruição a ser usada em qualquer campo de batalha: no da política, sem dúvida; mas, também, em todo tipo de área em que haja competição. Hoje, mensagens falsas são usadas para prejudicar pessoas, instituições e empresas. Há uma indústria que forja informação conforme o desejo do cliente. Sem dó nem piedade. Matando e destruindo.

E antes de trazer alguns números para termos ideia da dimensão do estrago que a desinformação causa, faço aqui os meus parênteses para explicar a  ojeriza que tenho em chamar esse crime de fake news:

Se é fake não é news, se é falso não é notícia.

Vamos entender que notícia é produto que tem na sua origem a busca da verdade, mesmo que nem sempre sejamos capazes de contá-la com precisão. Na base da desinformação está a mentira, mesmo que para contá-la muitas vezes sejam usadas verdades. Isso faz uma baita diferença no produto final que será entregue às pessoas.

Essa indústria —- a da desinformação —- é altamente produtiva e capaz de causar prejuízos de US$ 78 bilhões, por ano, conforme estudo da Universidade Baltimore nos Estados Unidos 

Pesquisa do Instituto Locomotiva, aqui no Brasil, mostrou que 53% das pessoas receberam pelas redes sociais informações falsas relacionadas a vacinação contra Covid-19. O poder de convencimento é tal que 22,3% dos entrevistados estão certos de que a vacina provoca alterações no DNA. Se projetarmos esse percentual para a população brasileira chegamos ao número de 36,6 milhões de pessoas que acreditam nesta mentira. É uma gente que se nega à proteção. Mais suscetível à contaminação e mais propensa a contaminar. Uma gente que mata e morre porque faz da mentira uma verdade.

Em outro levantamento, a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial identificou que 75% das grandes empresas foram ameaçadas por fake news (perdão, tento escapar deste palavrão, mas não consigo) —  por informações falsas criadas para prejudicar a reputação de suas marcas. Na consulta que a Aberje fez com os executivos de comunicação das principais empresas que atuam no Brasil descobriu-se que 67% deles consideram alto o risco da organização enfrentar uma grave crise de imagem por conta desse fenômeno. Apesar de a percepção de que as empresas podem ser alvo desse tipo de ataque, surpreende saber que 71% dos líderes consultados afirmam não ter um plano de contingência específico para enfrentar campanhas de desinformação. E 82% dos altos executivos jamais terem feito uma preparação para esse tipo de crise.

É como estar diante de um tsunami, assistindo ao recuo do mar e decidir ficar sentado na areia assistindo a um espetáculo que vai culminar em tragédia e destruição —- contra você e todos os seus. 

O combate a desinformação não é apenas tarefa de jornalistas — mesmo que o jornalismo sofra na credibilidade seus efeitos. Quem nunca viu aquele ex-presidente de topete laranja acusando o jornalismo investigativo de ser fake news, não é mesmo? O fato é que a sociedade precisa se organizar, criar mecanismos para melhor informar o cidadão. Para educar o cidadão. Serão necessárias ações pedagógicas para que os mais jovens percebam os indícios de fraude nas mensagens que circulam e compartilham; formação de uma consciência que demonstre às pessoas a responsabilidade que temos ao disseminarmos qualquer informação; e a elaboração de instrumentos dentro das empresas para que possam proteger sua reputação —  a começar pela preparação dos próprios líderes.

Conte Sua História de São Paulo: sem se ver e juntas, desde os tempos da escola

Rosiléne da Costa Ferreira

Ouvinte da CBN

Cena do filme São Paulo Sociedade Anônima de 1965

Ainda no ano dourado de 1965, éramos 17 adolescentes cursando o terceiro ano clássico (TAC) num tradicional colégio para meninas, em São Paulo. Unidas nos sonhos, brincadeiras, projeções para o futuro, com muito estudo, disciplina e severa vigilância das freiras — o que não nos impediu de paquerar os rapazes da faculdade em frente.

Formadas, cada uma seguiu seu caminho. Tornamo-nos profissionais de respeito, esposas, mães e, mais tarde, avós e aposentadas. Algumas mantiveram contato entre si através de encontros casuais e cartas mas não nos vimos mais.

Em agosto de 2019, uma delas, com um esforço digno de detetive profissional, investigou o paradeiro de cada uma e conseguiu reunir onze através do celular: São Paulo, Ubatuba, Recife , Rio de Janeiro, até Nova Zelândia!

Com a pandemia ficamos mais unidas, numa comunicação diária sempre ansiada, preocupadas umas com as outras, dando força na tristeza, risos nas conquistas, flores virtuais, receitas, fotos de família e pequenos mimos guardados com cheiro de lembranças.

Hoje, somos senhoras de 73 anos ou mais. Nos apelidamos de “joaninhas”. Nos unimos numa folha para salvar aquela que está em perigo. Rimos e choramos juntas, sem perspectiva de nos encontrarmos novamente, ao menos por enquanto.

É um alento nesses tempos de reclusão e solidão contarmos umas com as outras todos os dias graças ao meio virtual, sem nos vermos há 55 anos, com muitas saudades. É muito tempo. 

Quem sabe um dia?

Que delícia viver e reviver!

Rosiléne da Costa Ferreira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Anúncios de atrações do Rock in Rio nos fazem pensar sobre o que é normal

Foto: Divugação

O Rock in Rio começa a atiçar os ânimos dos amantes e saudosos dos shows musicais, que desapareceram dos palcos com a pandemia. Justin Bieber e Demi Lovato foram anunciados como atrações principais nos dias 4 de setembro de 2022. Sim, isso mesmo. Estamos falando do ano que vem ainda. Mas como tudo que é bem planejado, é preciso tomar medidas com bastante antecedência, mesmo que para muitos de nós ainda seja difícil vislumbrar a possibilidade de voltarmos a nos aglomerar: na igreja, na boate, no sambódromo ou em um concerto musical. 

Quando isso acontecer com a segurança devida e a liberdade que adoramos, talvez possamos falar que voltamos ao normal. Alguns apostam que isso vai ocorrer no Reveillon. Outros, no Carnaval. Há quem acredite que logo depois da primeira dose ter sido aplicada no braço da maioria dos brasileiros, a festa já está liberada. Tem pessoas que garantem que está tudo normal —- tenho dúvida do que entendem por normal. É possível que minha reclusão em casa por quase todos esses dias, que se iniciaram em 13 de março do ano passado, tenha mexido com minha estima e capacidade de sonhar, mas sou bastante cético em relação ao calendário de eventos e atividades.

Para pensarmos sobre quando o normal estará entre nós, é bom antes entendermos o que encontramos nos dicionários como definição desta palavra. Ao folhear o Aurelio —- ainda mantenho um aqui na biblioteca que aparece no pano de fundo das minhas apresentações no Jornal da CBN —- fico sabendo que normal é algo usual, corriqueiro, que ocorre a todo momento. Mas, também, surge como aquilo que está conforme as normas, dentro das regras.

Num sentido ou noutro, saber se tudo voltará ao normal dependerá de uma série de fatores. Especialmente do controle da doença que mata desde o ano passado mais de 560 mil brasileiros. A tendência é que até o ano que vem já tenhamos contido o vírus —- e, também, tenhamos vacinas suficientes para retomar um novo ciclo de imunização, a medida que muitos médicos e doutores, que ouvimos na CBN, entendem que o combate a este coronavírus tenha de ser anual, como fazemos com o vírus da gripe.

Diante das definições do dicionário, posso dizer que se fizermos o normal, poderemos voltar ao normal.

Ou seja, se fizermos o normal —- como aquilo que está dentro das regras (neste caso sanitárias) —- poderemos voltar ao normal, fazendo aquilo que é usual nas nossas vidas, seres gregários que somos: nos congregando entorno da música, da história, do amor e tudo aquilo que nos move. 

Aí, sim, provavelmente o Rock in Rio será o grande sucesso de sempre — a despeito de sua line-up —, em lugar de se transformar em mais um desejo frustrado, um sonho abortado por esta pandemia. 

Prefeito do RJ admite voltar atrás se piorar cenário da Covid-19; cientista tem certeza

Tem de dar uma esperança e esta chega na forma de anúncio do fim das restrições sanitárias nas cidades e estados. É um pouco do tom do que fizeram o governador João Doria, de São Paulo, e o prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, na semana passada. Os dois, aliás, têm travado, diríamos assim, uma batalha midiática em relação a avanços no combate a Covid-19. Um antecipa calendário de vacinação aqui e o outro corre a encurtar o prazo por lá. Eles agora disputam quem vai liberar geral antes — tudo com base no comitê de cientistas e médicos que os orientam, é o que sempre ressaltam.

Se São Paulo disse que pode mais gente dentro das lojas, o Rio contra-ataca com abertura das portas de boates. Se São Paulo já planeja evento teste, o Rio bota na mesa feriado festivo. E por aí vai. Cada gestor com a sua dose de esperança a oferecer, enquanto a dose de vacina chega a conta contas. Eis aqui um ponto sobre o qual nem um nem outro têm controle: quantas vacinas chegarão para ampliar a cobertura da população, depende do Governo Federal, que tem se atrapalhado na logística de compra, recebimento e entrega.

Além da vacina, tem a variante. Estamos na delta. E se deixarmos ela se espalhar de mais, chegaremos na épsilon, como chamou atenção a doutora Margareth Dalcomo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz. Na entrevista, deste manhã, no Jornal da CBN, lembrou que o vírus, quanto mais se multiplica, mais variantes sofre. E nessa evolução, pode ficar mais transmissível e letal. Foi assim que a variante delta chegou aos diversos países e levou gestores internacionais às cordas mais uma vez.

Ouça a entrevista:

Aqui no Brasil, mesmo que digam que estão observando a performance da variante delta, nossos gestores têm preferido acreditar que o risco será menor. Temo —- e disse isso hoje no Jornal —- que a ideia de que a delta mata menos esteja levando os administradores e nós todos a baixarmos a guarda, acreditando que pegar Covid é tranquilo, o problema é ter de ir para o hospital. A despeito do risco que citei no parágrafo anterior — o de nos transformarmos em um criadouro de variantes —, ainda há o fato de muitas pessoas que contraíram o vírus, mesmo em formas mais leves, ficarem com sequelas.

Hoje, com um tom abaixo daquele usado no anúncio da semana passada, o prefeito Eduardo Paes admitiu ao Jornal da CBN que pode recuar das medidas de flexibilização conforme a situação se agrave, mesmo com o avanço da vacinação. Paes prevê que até 18 de agosto, a população com até 18 anos tenha recebido ao menos uma dose. Disse que foi com base nessa previsão que planejou as ações para a reabertura das atividades, inclusive festas e público nos estádios. 

“Se precisar voltar atrás, eu volto”, afirmou o prefeito.

Uma hora e meia depois, ouvimos a cientista, que rebateu:

“Não há dúvida que terá de voltar atrás”

Assista à entrevista do prefeito do Rio, Eduardo Paes, no Jornal da CBN

Covid no Brasil: tá melhor mas tá muito ruim; e pode piorar

Vacinação contra a Covid-19 (Foto: Governo do Estado de São Paulo)

Tá melhor mas tá muito ruim. Era a frase que ouvia de um dos meus técnicos de basquete sempre que, ao fim da partida, perguntava sobre algum fundamento do jogo em que buscava me aprofundar. Nem bem havia se encerrado a entrevista do Jornal da CBN desta quarta-feira e a frase ressoava na minha cabeça. Não falávamos de basquete, infelizmente. O assunto era a Covid-19 no Brasil. 

No último boletim, divulgado pela Fiocruz, se vê  que por mais uma semana, há tendência de queda no número de óbitos e nos indicadores de ocupação de leitos de UTI Covid-19. E segue em crescimento o número de pessoas contaminadas de um dia para o outro. São 46,8 mil novos casos por dia, em média. E 1,6 mil mortes por dia, em média.

Diante da experiência e conhecimento da doutora Ethel Maciel, pós-doutora em epidemiologia na Universidade John Hopkins e professora da Universidade Federal do Espírito Santo,  nossa convidada no Jornal da CBN, queríamos entender qual o estágio da pandemia no país, 551 mil mortos, 19,7 milhões de contaminados e 500 dias depois de ter se iniciado por aqui. 

“O momento é de cautela … estamos em uma situação de descontrole e a possibilidade é de  (o número de casos e mortes) voltarem a patamares ainda mais altos com a variante Delta”.

Ou seja, com os dados da Fiocruz em uma mão e a análise da doutora da Universidade Federal do Espírito Santo em outra, podemos dizer que “tá melhor, mas tá muito ruim”.  E pode piorar.

Para a doutora Ethel, uma das médicas que têm se sobressaído na análise de cenário da pandemia, aqui no Brasil, o chocante é perceber um quadro nos números e outro nas ruas. Disse que o movimento de pessoas, a ocupação de locais abertos e fechados —- sem contar os eventos clandestinos — dão a entender que a pandemia terminou. Uma falácia que pode se transformar em extensão da tragédia que vivemos a cada dia. Especialmente frente a demora para se completar o ciclo vacinal na população e a interrupção da vacinação em algumas capitais por falta de doses. 

Nos dados oficias, somos 97.325.965 vacinados em primeira dose. Isso representa 45,96% da população brasileira. E apenas 38.704.270 ou 18,28% das pessoas totalmente imunizadas. Tá melhor (do que no início do ano) mas tá muito ruim, porque demoramos para trazer e produzir vacinas e demoramos para distribuí-las. 

Ethel chamou atenção para o fato de que o Ministério da Saúde leva até quatro dias para receber o imunizante no aeroporto, fazer a checagem necessária e iniciar a entrega nos Estados, que depois têm de distribuir para os municípios. A médica defende uma espécie de via rápida com o produto sendo encaminhado, sem abrir mão dos procedimentos de segurança, em prazo menor:

“Vacina só funciona no braço das pessoas, não nos galpões do Ministério da Saúde”.

É preciso aprender a lição com os outros países e entendermos o risco da variante Delta, muito mais contagiosa. A título de comparação: enquanto uma pessoa com o SarsCov-2 — o vírus como nos foi apresentado lá no início da pandemia —- contamina de duas a três pessoas, se tiver a variante Delta, vai contaminar de cinco a oito pessoas. Mais pessoas infectadas, mais pacientes em hospitais, menor capacidade de atendimento. Tudo isso somando, resulta em maior risco de mortes.

Os Estados Unidos, com cobertura vacinal muito mais ampla do que o Brasil, recuaram na liberação do uso de máscaras por causa do avanço da variante Delta. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças recomendou, mesmo aos vacinados, o uso de máscaras em ambientes fechados nas áreas em que o contágio da Covid é considerado “substancial”ou “alto” —- que representam dois terços do país E lá, quase metade da população (48,8%) recebeu as duas doses das vacina. 

“A gente precisa aprender com os erros alheios”.

Mesmo sob esse alerta e entusiasmado com o avanço da vacinação e a queda no número de pessoas internadas. por Covid-19, o governador João Doria anunciou hoje ampliação no horário de funcionamento do comércio e da capacidade de ocupação dos locais, além de acabar com o toque de restrição à noite. Ao mesmo tempo, antecipou o calendário da vacinação em dois dias e espera ter vacinado os adultos, com primeira dose, até o dia 16 de agosto. No dia seguinte, já indicou, todas as restrições de horário e ocupação do comércio serão suspensas.

Quando falamos com Ethel Maciel, o anúncio ainda não havia sido feito, mas ela já havia deixado o seu recado: 

“Nós precisamos ser mais esperto do que o vírus, por enquanto, o vírus está ganhando”

Assista à entrevista completa com Ethel Maciel, professora e pós-doutora em epidemiologia, no Jornal da CBN:

Falta de vacina em 7 cidades é alerta para quem insiste em escolher imunizante

Foto: Governo do Estado de São Paulo

Escrevi dia desses sobre a turma que faz turismo em posto de saúde em busca da vacina de estimação. Escolhe vacina como se estivesse na gôndola de vinho. A esses que mantém a prática, que sirva de alerta o que acontece em sete capitais brasileiras, desde o início da semana —- cidades em que a vacinação da primeira e, em alguns casos, até da segunda dose teve de ser interrompida por falta de imunizante.

Hoje, entrevistamos no Jornal da CBN, o prefeito da cidade de Aracaju (SE), Edvaldo Nogueira, que acumula o cargo de presidente da Frente Nacional de Prefeitos: foi claro ao dizer que faltarão vacinas em outras capitais, em breve, especialmente naquelas que haviam conseguido avançar mais no calendário. Um dos problemas citados pelo prefeito — além da já sabida gestão incompetente do Governo Federal, que demorou para comprar vacina —- é a falta de previsão de entrega de vacinas pelo Ministério da Saúde. Segundo ele, a informação somente chega um ou dias antes da distribuição na cidade, prejudicando o planejamento:

“Precisamos de um calendário nacional de chegada de vacinas com quantitativo de doses’

Diante dos fatos e dos riscos, o que se entende é que, aqueles que ficarem escolhendo vacina, acabarão sem mel nem porongo — se é que essa expressão, que sempre ouvi do meu pai, faz algum sentido para você, caro e cada vez mais raro leitor deste blog.

Escrevi agora “sem mel nem porongo” e isso me remeteu a outra expressão, ou melhor, outra história que costumava ouvir no passado. Essa contada pela minha avó, Iva Guartieri.

Toda vez que abria a geladeira para escolher qual fruta pegar e me demorava diante da escolha, vó Iva repetia a lenda da “Escolha da Cruz”, contada na Umbria (ITA), em que um homem se lamentava da vida e considerava pesada de mais a cruz que tinha de carregar. Pedia a Deus que trocasse seu fardo. De tanto reclamar, foi atendido. Deus abriu a porta da sala das cruzes. O homem deixou a dele lá dentro e começou a escolher uma melhor: uma muito grande, outra áspera, havia cruz gelada de mais, quente de mais. A busca durou horas até que o homem deixou a sala feliz com uma cruz que lhe parecia apropriada e foi-se embora para a vida. Deus olhou, sorriu e pensou: “lá vai ele com a mesma cruz que entrou!”.

Assim como escolher qual cruz vamos carregar —- pois cada um tem a sua própria —-, é perda de tempo e risco de vida escolher a vacina. Tome a que estiver disponível e saia do posto de saúde feliz com a vacina que lhe cabe. Até porque, neste caso, nem todos teremos esse privilégio, infelizmente!

Mundo Corporativo: Fernando Torelly, CEO do HCor, defende que empresas promovam a saúde de seus trabalhadores

“Revogamos o organograma e implantamos o funcionograma —- como as coisas tem de funcionar” 

Fernando Torelly, CEO do HCor

Quase dois anos acompanhando o pai internado quando ainda era adolescente, no Hospital das Clínicas, em Porto Alegre, foram determinantes para a carreira do economista Fernando Torelly. Recém-formado em Ciências Econômicas na PUC do Rio Grande do Sul, teve oportunidade de trabalhar na tradicional siderúrgica Zivi-Hércules, fundada em 1931, e, atualmente, com seus produtos em 90 países. Apesar de a vaga ser bastante atrativa, as visitas frequentes ao hospital influenciaram sua decisão de aceitar outro convite que havia recebido na mesma época, para ser o chefe de treinamento e recrutamento do Hospital das Clínicas. 

Já tendo passado por hospitais de excelência, como o Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e o Sírio Libanês, em São Paulo, Fernando Torelly assumiu a superintendência corporativa do Hospital do Coração —- HCor, às vésperas do início da pandemia, em janeiro de 2020. Um desafio que, segundo ele, se diferenciou de todos os demais que enfrentou ao longo da carreira. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, o executivo conta que a Covid-19 impactou a saúde de uma quantidade enorme de funcionários e profissionais dentro do próprio hospital:

“Sempre pensamos na indústria aeronáutica como a mais segura porque piloto e tripulação estão dentro do avião e eles próprios é que fazem o checklist de todos os controles. A pandemia colocou os profissionais de saúde dentro do seu próprio avião. Os protocolos de controle passaram a ser uma obsessão”.

Além da necessidade de reestruturar o atendimento dos pacientes —- com ou sem Covid-19 —, foram adotadas medidas para proteger os funcionários e seus familiares. Diante do receio de levarem o vírus para casa, os colaboradores puderam ficar em quartos de hotéis alugados pelo HCor. Com o apoio da instituição também trocaram o transporte coletivo pelo individual —- táxis e transporte por aplicativo. Outra preocupação foi com o suporte emocional para que os trabalhadores tivessem condições de exercer suas funções.

O processo de comunicação dentro da instituição teve de ser melhorado ao longo da pandemia, de acordo com Torelly. A prática era de fazer com que a informação seguisse uma hierarquia, sendo passada primeiro para gerentes e supervisores até chegar aos funcionários na frente de trabalho. Em alguns casos, isso levava a demora de até dois dias para que os novos procedimentos fossem adotados. Na pandemia, não se podia perder tempo:

“O processo de comunicação e hierarquia foi completamente modificado no hospital. Nós passamos a fazer duas reuniões com 200 pessoas, ao dia, com todas as lideranças para que pudéssemos atualizar todo o andamento da evolução da Covid … Tivemos de fortalecer a decisão de quem estava na ponta do atendimento do paciente”.

Para o executivo não é mais possível abrir mão desse modelo de comunicação, porque esse é o novo jeito de as organizações trabalharem. E um modelo que não se restringe a administração hospitalar. Tem de estar presente em todas os ambientes. Perguntado sobre que ensinamentos a experiência de liderar uma instituição da dimensão do Hospital do Coração podem ser levados para outras corporações, Torelly diz não ter dúvidas:

“A revolução dos processos de comunicação não hierárquicos, onde você conversa com todos os níveis, online e realtime. E a preocupação de transformar o ambiente de trabalho em um ambiente mais acolhedor e estimulador para o profissional fazer o seu melhor trabalho”. 

A comunicação entre hospital, profissionais de saúde e pacientes é outro aspecto que o executivo chama atenção. Para ele, ainda é preciso evoluir muito nesse sentido e usar da tecnologia disponível para que as informações circulem de forma mais rápida e transparente. Torelly lembra que o paciente muitas vezes está ansioso porque ele quer saber o que está acontecendo e como o tratamento está evoluindo. Uma forma de resolver essa questão é permitir que, através de plataformas digitais que os hospitais já mantém, os pacientes tenham acesso a todos os procedimentos realizados.

Das estratégias corporativas no hospital para aquelas que precisam ser adotadas por todas as demais empresas, Fernando Torelly destaca a importância de as organizações cuidarem muito mais da saúde dos seus colaboradores. Lembra que a doença que mais cresce no mundo é o burnout — “a depressão relacionada ao trabalho”: 

“Eu sou um ativista da transformação dos ambientes organizacionais em locais que trabalhem para gerar saúde aos seus funcionários e não o adoecimento físico e psíquico … Nós vamos nos envergonhar daqui uns 5 ou 10 anos da maneira como cuidamos da saúde dos nossos profissionais.”

Em lugar de entregar um cartão de plano de saúde para o funcionário e fazê-lo buscar atendimento em diversos lugares, as empresas têm de incentivar o cuidado com a atenção primária, com a identificação de médicos de referência e trabalhar a prevenção e a promoção da saúde. 

Assista à entrevista completa com Fernando Torelly, superintende executivo e CEO do Hospital do Coração, em São Paulo:

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN e nos canais da rádio, no YouTube e no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, 8h10 da manhã, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. E está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Os efeitos colaterais da vacina

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Imagem Gov do Estado de SP

— “Que vacina estão aplicando?”

Foi a pergunta que mais ouvi nos cerca de 30 minutos em que esperei —- ao lado da minha esposa — a oportunidade para tomar a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Vacinei em um posto avançado, criado pela prefeitura de São Paulo, em uma escola de classe alta, na zona Oeste da cidade. 

Assim que informados de que a vacina disponível era a fabricada pela AstraZeneca, que chegou ao Brasil em acordo com a Fiocruz, davam meia volta e seguiam em frente — provavelmente ao posto mais próximo, onde repetiram o ato. Desconfio que a reação seria a mesma se dissessem que era Coronavac. A vacina da moda entre os mais abastados é a da Pfizer —- seja porque acreditam que terá menos reação adversa que as demais, seja porque esperam que a aplicação de uma dose da fabricante americana sirva de visto para viagem ao exterior. 

Mesmo para quem fala de gestão de marcas todos os sábados pela manhã com a dupla de especialistas Jaime Troiano e Cecília Russo —- no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso —, e sabe o quanto elas ditam nossos comportamentos, descobrir que vacina têm marcas e com força suficiente para adiarmos a proteção de nossa vida porque não têm a grife preferida na “loja”, me deixou embasbacado. Tive reação adversa maior a essa atitude do que pela marca da AstraZeneca que carrego no braço desde a quarta-feira, ao meio-dia.

Agimos como estivéssemos diante da escolha de uma roupa para vestir ou uma bolsa para comprar:”Chinesa? É falsificada, né!”; “essa inglesa aí não dá nem pra viajar”; “é a americana? meu sonho de consumo, os amigos vão morrer de inveja”. Selecionamos vacina como vinho na adega: “nunca soube que a uva chinesa faz bons vinhos”; “esse inglês, dizem, dá dor de cabeça”; “ouvi falar que o americano é incrível, quero dois!”.  

Quando a Janssen chegar —- aquela que ‘a gente vai estar recebendo dos Estados Unidos não sei quando” —, imagine a maratona em busca de postos que aplicarem a vacina: uma dose só, eficácia que chega a 95%, reações adversas mais intensas desconhecidas e, dizem, abre as portas para o paraíso (se não o paraíso, para os Estados Unidos). 

Faz parecer aquela disputa em festa de madames que põem as roupas de melhor marca, do estilista famoso, e levam no braço a bolsa de luxo pra desfilar na cara das amigas. 

A senhora chega com a sua clutch Lana Marks’Cleopatra de US$ 400 mil, acha que está abafando e de repente vem a frustração. A metida do condomínio entra com uma Birkin da Hermès (US$ 1,4 milhão) a tiracolo. Mas como alegria de rico também dura pouco, a vingança não tarda. A moça da cobertura entra pela porta conduzindo uma Mouawad 1001 Nights Diamond, comprada por imbatíveis US$ 3,8 milhões. Onde será que ela conseguiu?

Como vacina é assunto em tudo que é canto —- ainda bem —-,  fico curioso em ouvir o bate-papo no vestiário da academia entre os senhores marombados. “Tá vendo essa marquinha aqui ó, é Janssen”, diz o coroa de toalha na cintura. “A minha é Pfizer, gostou?”, arrisca o outro enquanto seca os dedos do pé. O gerente da multinacional que estava por ali, vestiu logo sua camisa Lacoste, aquela do jacaré, para ir embora antes que descobrissem, tadinho, que ele só encontrou a Coronavac. 

A saber: a vacinação ocorre por ordem de chegada das doses e não é possível escolher qual tomar. Recusar o imunizante e deixar passar o dia previsto da primeira dose é a abertura de mais uma janela de oportunidade para contrair e transmitir o vírus. É um desserviço à sociedade, porque para controlar a Covid-19 é preciso de alta cobertura vacinal e rapidamente, diminuindo a circulação do vírus e o risco de surgir variantes com maior poder de contaminação, além de conter o aumento da velocidade de pessoas doentes e mortas.

Ao amigo e amiga que usa como argumento a busca por vacinas consideradas mais eficazes, lembre de que do ponto de vista individual a proteção entre uma vacina e outra muda muito pouco.

Todas à disposição no Brasil nos protegem do risco de morrer e diminuem consideravelmente qualquer possibilidade de termos sintomas graves. A eficácia faz sentido aos gestores de saúde que planejam o número de pessoas que têm de ser vacinadas para alcançarmos a imunidade coletiva.

Quanto as reações adversas, algumas pessoas que foram vacinadas disseram ter tido febre, dor de cabeça, indisposição e dor no local onde foi feita a aplicação —- muito pouco para quem até então corria o risco de morrer por contrair a Covid-19. Outras, que estão por aí correndo atrás da vacina da moda, e desperdiçando a chance de se imunizar em troca de um luxo, consta que tiveram o sentimento de egoísmo acentuado nos últimos meses. E para isso não tem cura.

No meu caso, que fui vacinado com a AstraZeneca, porque fiquei na pequena fila que se formava no posto lá da escola, perto de casa, o único efeito colateral que tive até agora —- quase 24 horas depois da primeira dose —- foi uma alegria extrema de saber que estou mais protegido e, em um ato de cidadania, estou ajudando a proteger as pessoas que amo. Uma felicidade que contaminou a família, amigos próximos, colegas de trabalho e ouvintes da CBN, muitos dos quais vibraram quando contei no ar que a vacina acabara de ser aplicada. Que essa felicidade contamine a todos!

O discurso do ex-chanceler

Ernesto Araújo em depoimento à CPI da Pandemia. Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

O ex-ministro Ernesto Araújo virou meme, na CPI da Covid. Logo ele que fez fama explorando a velocidade e eloquência das mensagens por rede social. Nenhum de seus inimigos — e fez muitos na passagem pelo Itamaraty — escapava dos disparos verborrágicos, aplaudidos por seguidores mais fiéis e impulsionados por robôs programados. 

Diante dos senadores, falou fino. Estava irreconhecível. A propósito, nem mesmo ele se reconheceu quando exposto a textos e declarações desastrosas dos tempos em que ocupava sala no Itamaraty. Nem 30 minutos havia transcorrido de seu depoimento e já ouvira um dos senadores lhe chamando de mentiroso.

Ao contrário das frases histriônicas e ofensas que marcaram seu “reinado”,  foi reticente nas respostas e claudicante nas afirmações. Revelou insegurança e medo. Abusou de barreiras verbais enquanto buscava as palavras mais apropriadas para a circunstância. Um recurso comum àqueles que não estão certos do discurso que fazem. Que revela a falta de repertório e vocabulário.

A barreira verbal, me explica a doutora, colega e amiga Leny Kyrillos, ocorre de diversas formas. Há os que repetem expressões —— verdade, tipo, né —-; há os que esticam vogais ou consoantes, gerando um ruído que atrapalha a comunicação. Há os que conseguem transforma-lá em silêncio, gerando a ideia de reflexão —- o que é positivo.

Ao substituir o silêncio entre as palavras pelo ruído, Ernesto Araújo desperdiçou o direito à reflexão e transmitiu hesitação.

Para o ouvinte, isso torna a fala enfadonha, confusa e ainda mais demorada, gerando a perda de paciência. Testes feitos com discursos semelhantes em que, em lugar do silêncio, produzia-se o som de vogais estendidas, passaram a noção de que neste segundo caso o intervalo entre as palavras eram muito maior. 

Nesses tempos de internet: a hesitação gera  mais do que impaciência e ruídos. É matéria-prima para memes. Nas redes sociais, circularam posts, vídeos, áudios e montagens com destaques aos piores momentos de Araújo. No senso comum, tendemos a dizer que, por medo, ele gaguejou, o que nos remete a ideia errada de que as pessoas que sofrem de disfemia ou disfluência são inseguras.  

Pessoas com transtorno de fluência não são necessariamente inseguras — podemos até dizer que são tão seguras ou não quanto qualquer outra. Ao contrário de Ernesto Araújo, o gago sabe o que dizer, mas tem dificuldade neurobiológica para ajustar o tempo da fala e a duração dos sons —- fator que pode ser corrigido de diversas maneiras.

Lembre-mo-nos de Nelson Gonçalves, ícone da música brasileira, um gago de sucesso estrondoso. Ou do Príncipe Albert que alçado a rei, George VI, superou sua gagueira para convocar o Reino Unido às armas, na Segunda Grande Guerra —- história bem contada no premiado filme ‘O Discurso do Rei’.

Nelson Gonçalves, George VI assim como tantos outros gagos ilustres que conhecemos ao longo da história têm ou tiveram uma disfunção da fala. Ernesto Araújo tem uma disfunção moral —- e para isso não tem solução.

Em tempo:

Ouça o comentário de Leny Kyrillos, que foi ao ar dia 21 de maio, no CBN Brasil