Brasil 3 x 1 Croácia
Copa do Mundo – Arena Corinthians(SP)

Jogo do Brasil aqui em casa tem amendoim, pipoca, bolo doce e salgado. Tem vinho e guaraná, também. Tem família reunida, cunhado na poltrona, cunhada e sobrinha atiradas no sofá, filhos ao pé da TV e mulher para cá e para lá. Como parte da família é italiana, a torcida tem sotaques diferentes e divertidos. Menos mal que as vozes fazem coro. Só silenciaram para ouvir o hino nacional e compartilhar a emoção que estava no rosto dos jogadores brasileiros desde que se preparavam para entrar na Arena Corinthians. Desconfio até que os olhos mareados atrapalharam nossos craques naquele início de partida, impediram de ver a escapada do Croata pela esquerda, a bola que cruzou toda a área até bater nas pernas de Marcelo e o gol adversário. O primeiro gol da Copa do Brasil. Apesar de marcado por um brasileiro, contra.
Se jogo do Brasil tem amendoim, pipoca, bolo doce e salgado aqui em casa, tem de ter sofrimento, também. Foi sofrido sair perdendo, tanto quanto ver que a bola brasileira não rolava com precisão. Rolava truncada, mascada, às vezes desrespeitada. Ao menos estava rolando mais nos nossos pés do que no dos croatas, mas quando eles a dominavam o medo de mais um lance fortuito se transformar em gol soava à tragédia. O cunhado italiano parecia me consolar ao prever o empate, a virada e a vitória, o que não me impediu de ouvir perguntas difíceis de responder: por que o Brasil não joga bem? Por que não chuta a gol? Por que Fred não aparece? E o Paulinho, cadê? Por quê? Nem posso reclamar, pois teve gente graúda que ouviu coisa bem pior da torcida. Mas isto é outro assunto. O meu é o futebol. E a resposta veio depois do jogo, na voz do cabeludo David Luiz: temos de saber sofrer. Nisso somos especialistas, David. Em campo e fora dele.
Se jogo do Brasil tem de ter sofrimento, desta vez tinha Oscar jogando muito e Neymar decidindo, também. Nem que para isso tivesse de se aproveitar de uma daquelas bolas mascadas, que eu tanto reclamava, ou de um juiz ludibriado. Aliás, pobre Senhor Yuichi Nishimura, assim como aquela outra autoridade, ouviu coisas que eu não me atrevo a escrever por aqui. Os croatas até tinham razão de reclamar, no lugar deles eu não faria diferente. Mas ninguém havia contado para eles que a preferência de Fred é jogar deitado no gramado?
Bola para o alto porque semana que vem tem o México pela frente. E aqui em casa terá mais um punhado de amendoim, pipoca, bolo doce e salgado. Sofrimento, Oscar e Neymar, também.