Marina Zarvos lançará “Ponto a Ponto — crônicas do cotidiano” (Grupo Editorial Lê) no dia 10 de setembro, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada no Distrito Anhembi.
A autora receberá os leitores a partir das 14h30, no estande K-74, próximo à Arena Cultural.
Marina teve dezenas de textos lidos no quadro Conte Sua História de São Paulo. Segundo ela, essa experiência a incentivou a transformar suas histórias em livros. Antes de “Ponto a Ponto”, foi coautora, com Sonia Bittencourt, de “As duas pontas da vida” (Oficina do Livro).
Tive o prazer de escrever a orelha de “Ponto a Ponto”, texto que reproduzo a seguir:
Marina Zarvos é amiga de longa data. É daquelas pessoas que chegam contando histórias e, quando você percebe, já está dentro delas. Eu e o Cláudio Antonio, o Claudinho, a conhecemos desde 2014. Foi quando nos falou do “Seu Tacílio”, que consertava calçados em uma sapataria na Jamaris, em Moema. Logo percebemos que ela faz amizade com facilidade. Em um passeio pelo bairro, nos apresentou Dona Eva, 90 anos, sobrevivente da Segunda Guerra e ainda firme para enfrentar as batalhas de um pedestre na cidade grande. Noutra vez, nos encontramos no Ibirapuera. Marina buscava o relógio perdido da mãe — como se procurasse também o tempo que escapa e insiste em permanecer. Certa vez, sentamos à mesa de um bar que hoje funciona onde antes era a casa de uma amiga de infância.
Como faz amigos essa Marina! Quando você a conhecer, vai entender a razão. Ela observa o mundo com atenção. Vê o que muitos deixam passar. Escuta o que poucos têm paciência para ouvir. E guarda — em crônicas, contos, poesias e textos reflexivos.
Entre um encontro e outro, descobrimos uma paixão em comum: o rádio. Claudinho e eu trabalhamos nesse ofício há décadas. Ele é o maestro que sonoriza cada história. Eu sou o editor e narrador do Conte Sua História de São Paulo, programa da CBN que há 20 anos dá voz aos ouvintes. Marina é ouvinte fiel. Um dia, ouviu seu nome e um de seus textos no ar. O que não sabíamos é que aquela experiência ajudaria a revelar a escritora que ela cultivava no escuro de uma gaveta — embora parte de seus textos já tivesse encontrado o público no rádio.
Neste livro, Marina vai além de Moema e da nossa São Paulo. Amplia esse universo. Em uma travessia feita de memórias e afetos, nos leva às suas origens. A cultura grega, presente na família, surge como referência — nos mitos, nos nomes, nas ideias que atravessam séculos. Ao mesmo tempo, seu olhar ilumina mulheres que sustentam histórias, muitas vezes de forma silenciosa.
Os textos formam uma galeria de personagens. Cada um conduz o leitor a experiências de perda, descoberta, amor e reconstrução. Fragmentos que, costurados, revelam um percurso: o de alguém que escreve para compreender a vida enquanto ela acontece.
Marina é uma narradora de encontros. Este livro é um convite. Ao percorrer suas páginas, o leitor reconhecerá, em muitas histórias, traços da própria vida — porque são essas histórias, as dela e as nossas, que nos deixam em sintonia.
