“O exercício da religião é fundamental nesse momento”

Com a devida autorização, reproduzo com destaque neste post, a mensagem, antes privada, enviada pelo Padre Manoel Corrêa Viana Neto, em resposta a texto que publiquei no dia 6 de abril:

Milton a paz! Enviei para ti um argumento plausível e concordo com aquilo que penso sobre a abertura das igrejas, defendida pelo Dr. Taiguara Fernandes de Souza. “Não existe sacramentos virtuais”!


Depois, a pandemia não atinge somente o corpo, mas a psique e a alma e o exercício da religião que não é apenas algo intimista, mas sobretudo comunitário é fundamental nesse momento.

Tenho atendido muitas pessoas que estão sofrendo sobremaneira na alma porque privadas da eucaristia e da participação na igreja.


Quando você fala que somos templos do Espírito Santo, invocando uma passagem de São Paulo aos Coríntios (6,19), não pode esquecer do contexto que esta passagem é citada: o problema da imoralidade e do contra testemunho de cristãos! Ou seja, com uma mentalidade mundana, é por isso que logo a seguir ao versículo por você citado, no 20, ele vai dizer que “fomos comprados por alto preço. Portanto, devemos glorificar a Deus com o nosso próprio corpo”. Isto é, pela fé autêntica e corajosa…


Você já imaginou se os cristãos dos primeiros séculos se intimidassem com a perseguição e se resignassem na sua fé, não celebrando e não se encontrando, mesmo à custa do martírio? Certamente não estaríamos aqui refletindo sobre essa situação…


Já dizia o provérbio latino: “Quot capita, tot sententiae” (quantas cabeças, tantas sentenças). O que me preocupa é o cerceamento de um direito constitucional e soberano: o da liberdade de religião, tanto no foro interno como externo.

Isto é o que eu gostaria de expressar a você no teu post.


Um abraço e que Deus te abençoe!

NB: duas outras mensagens deixadas na área de comentários do blog trazem outros argumentos contrários a minha opinião, exposta no post “É um pecado querer fiéis de joelho nas igrejas diante de um vírus que mata“. Convido-os a ler, refletir e, se entenderem pertinente, deixarem também os seus argumentos, com a mesma generosidade que fizeram aqueles que por lá passaram