Mundo Corporativo: Sidney Klajner, do Einstein, fala sobre como a tecnologia e a cultura organizacional transformam a saúde

Sidney Klajner na gravação do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“Aquele preconceito quando a gente fala de adoção tecnológica, eu acho que vai ser quebrado com o tempo à medida que o meu tempo é melhorado na interação com o paciente.”

Sidney Klajner, Hospital Albert Einstein

A crescente demanda por cuidados médicos de qualidade e a pressão para oferecer serviços eficientes, fazem da revolução tecnológica uma resposta indispensável. Essa foi um dos temas da conversa com Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, no programa Mundo Corporativo.

Klajner falou do impacto da transformação digital na medicina, destacando como a inteligência artificial está sendo usada para aprimorar o atendimento ao paciente. Ele afirmou que “a interação com o paciente deve ser priorizada, deixando que a tecnologia cuide dos detalhes técnicos, como a análise de resultados de laboratório.” Essa abordagem, segundo o presidente do Einstein, otimiza o tempo dos profissionais de saúde e melhora a qualidade do atendimento prestado.

Cultura Organizacional e Propósito

Além da tecnologia, Sidney Klajner destacou a importância de uma cultura organizacional forte e alinhada ao propósito da instituição. “Cuidar bem daquilo que a gente recebe ou daquilo que a gente cria como legado cultural e transmitir é fundamental”, enfatizou. Segundo ele, a disseminação de uma cultura baseada em valores sólidos é crucial para o cumprimento dos objetivos de uma organização, especialmente em uma instituição de saúde que visa não apenas o lucro, mas também o impacto social.

Para Klajner, a liderança pelo exemplo é uma peça-chave. Ele se mantém ativo na prática médica, realizando cirurgias e atendendo pacientes, o que, segundo Klayner, permite uma gestão mais conectada com a realidade do hospital:

“Estar na sala de cirurgia me faz viver o Einstein e entender as necessidades reais dos nossos colaboradores e pacientes. Essa vivência  é fundamental, até porque no meu caso, preciso gerar um resultado muito positivo para continuar empreendendo nas ações que buscam a realização do propósito, e isso é sentido vivendo o hospital no dia a dia, é  entendendo quais são os pontos que a gente tem que conhecer e investir para estar melhor”.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: desci na estação errada?

Por Pedro Galuchi

Ouvinte da CBN

Photo by Andre Moura on Pexels.com

Próxima estação: Sé…

Desembarco pela esquerda…

Na esquina da Rua Direita

Repentina suspeita:

 

Desci na estação errada?

Viro-me pé ante pé

Vejo imagem desbotada

Da imensa catedral da fé

 

A praça perdeu a cor

Uma tristeza sem par

Não tem perfume de flor

Cheiro de miséria no ar

 

Sem perna estende a mão

Suplica qualquer esmola

Rastejantes pelo chão

Pivetes cheirando cola

 

Apertado o coração

Em instante me desespero

Retratos de solidão

Multiplicam-se no marco zero

 

A chegada do metrô

Levou antiga cena

Os escritórios de dotô

Teatro Santa Helena

  

Segundos de implosão

Sumiu o Mendes Caldeira

No meio da confusão

Vanzolini sem a carteira

 

Naquele aperto da Clóvis

Não há mais separação

Faço a prova dos noves

Dolorosa conclusão

 

Desvio dos passantes

Peço licença, por favor

Fujo às escadas rolantes

Entro no trem salvador

 

Próxima estação:

Nem presto atenção

Anhangabaú… São Bento…

Pedro Segundo… Liberdade…

 

O sentido tanto faz…

Dentro do túnel o sentimento:

A velha Sé ficou pra trás

Apenas uma saudade!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Pedro Galuchi é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: meus joelhos têm as marcas da Vila Sabrina

Denise Moraes

Ouvinte CBN

Vista aérea da Vila Sabrina Foto: divulgação

Olhei-me no espelho do elevador e reparei nos meus joelhos: não tão bonitos quanto minha mãe queria. Lembrei dela falando desde bem pequena — uns seis anos?: “Menina, não seja tão moleque! Cuidado com os joelhos, depois ficam todo marcados…”  

Não adiantou nada, eu sei.  Os tenho cheios de marcas. Algumas adquiri depois de adulta mesmo, em minhas trilhas e passeios, em pedras e galhos. E quer saber? Me orgulho delas. Quanto as marcas de infância, amo mais ainda, porque são dos bons tempos em que eu sumia na rua em que morava, sempre descobrindo os lugares mais incríveis para brincar. 

Por um tempo, era no campinho, perto do largo da Vila Sabrina, onde havia um enorme terreno vazio, sem casas, sem nada. Mas um trator ficara remanejando a terra por muitos meses, uma bendita terra preta que minha mãe odiava, porque grudava de um jeito na roupa!! E eu, no meio dos meninos, acho que eu era a única menina, subia nas montanhas de terra que afundava um pouco quando a gente pisava. Lá de cima rolávamos e gargalhávamos. 

Em outro tempo, passávamos horas brincando dentro de um depósito de materiais de construção, subíamos nas prateleiras que armazenavam madeira e de lá pulávamos sobre os montes de areia. Minha mãe tinha a melhor das intenções, pois ela temia pelos machucados. Mas que tempo bom!

Vila Sabrina era uma vila distante de tudo, lá para os lados da Vila Maria, terra do Jânio Quadros. Cheguei a ver meus primos nadarem no rio Cabuçú, sob a vigilância do meu pai. Ele me carregava nos ombros. Eu com uns três ou quatro anos. Não me deixava colocar o pé no chão que estava encoberto de água, devido ao transbordamento desse riozinho, depois de uma forte e longa chuva de verão. 

As chuvas de verão eram muito bem-vindas. As enchentes não atingiam casas nem causavam os estragos de hoje em dia. Havia muito terreno permeável, muito mato, as pessoas, sabiamente, não construíam próximo de rios. Hoje, esse riozinho, na melhor das hipóteses, deve ter sido canalizado, pois a última vez que vi, era um esgoto a céu aberto.

Uma pena que nossos governantes provavelmente não acreditavam e não acreditam em Deus, pois a natureza, manifestação divina, jamais poderia ter sido desprezada e morta pelas mãos do homem. Quem sabe um dia, se ainda der tempo, nós, paulistanos, sobreviventes dos desmandos políticos, saibamos decidir por uma cidade melhor.

Denise Esperança deveria ser meu nome.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Denise Moraes, por que não, Denise Esperança é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: os paradoxos da metrópole

Por Paulo Bregantin

Ouvinte da CBN

Montanhas, vales e planícies. Assim era um amontoado de terra e um punhado de pessoas que há 470 anos começaram a escrever uma história boa, ruim, interessante, diferente. As montanhas transformaram-se em arranha céus, os vales tornaram-se formigueiros de casas e comércios, as planícies em estradas, as avenidas e ruas cortando cada centímetro de uma terra que atrai felicidade e ganância, paz e tormento, tranquilidade e insegurança. Paradoxo de uma metrópole.

As pessoas, mestiças em sua maioria, não tiveram medo dos desafios, descobriram que a terra da pequena cidadezinha poderia ser as bênçãos de Deus para suas vidas e, com esse objetivo, várias outras pessoas desembarcaram naquela que seria a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo.

Tudo aconteceu tão de repente que não dá para entender, pois a metrópole invadiu o mundo, fincou seus alicerces no meio da humanidade, implantou seu telhado por entre as plantações que existiam na época. O mundo nunca mais foi o mesmo, os transportes mudaram. Antes carro de boi, depois trens, ônibus, táxis, metrôs, lotações. As fazendas deram lugar aos condomínios, outra parte transformaram-se em fábricas, da noite para o dia transformaram-se em shoppings.

As pessoas simples e pacatas que passeavam pelas ruas da metrópole se enredando entre os bondes com seus chapéus. Hoje, piercing no nariz, cabelos vermelhos, roupas curtas, longas. Assim uma metrópole se transforma. Quem pode impedir o crescimento de São Paulo? Quem é louco para dizer que eladeve parar de crescer?

Os paradoxos de uma metrópole são algo sagaz e encantador. Observamos o bairro do Morumbi com suas mansões e prédios, rodeados por favelas de madeira e papelão. Os carros importados se confundem com os catadores de latas e seus carrinhos. O verde do Trianon com o cimento dos arranhas céus da Paulista. O cemitério da Vila Nova Cachoeirinha, muro áamuro com a maternidade Cachoeirinha. O maior índice de doentes com o maior hospital da América Latina. O maior número de carros por metro quadrado e o maior trânsito de todo o Brasil. Um mundo de policiais e uma multidão de ladrões. Quem entende?

O amor a São Paulo nasce a cada manhã, pois com chuva ou sol ,a cidade se parece com as ondas do mar. Nunca se sabe o que a “maré poderá trazer”. O coração bate forte quando se enxerga a marginal lotada, e o alívio é rápido quando o fluxo se esvai. O corre-corre do centro é adrenalina pura, mata alguns e outros ficam milhões de reais muito mais ricos.

O amor a São Paulo transforma as pessoas de corações frios em labareda. Com a agitação do dia a dia não existe mau tempo. Toda hora é hora de uma cervejinha ou happy hour no bar da esquina. O coração fica quente de qualquer jeito. Eita terra boa que tudo dá.

São Paulo é assim. Uma metrópole sem fim. Cresce e cresce; desenvolve e desenvolve. Nunca para, nunca fica muda. Sempre em movimento, falante e altiva. São Paulo é maravilha. Pulsam corações de milhões de apaixonados a cada metro dessa que é nossa metrópole. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

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Conte Sua História de São Paulo: “na terra da garoa namorei, escrevi, descansei …”

Por Wilson Jesus Thomaz Dutra
Ouvinte da CBN

Photo by Caio on Pexels.com

Na minha infância querida:

Na terra da garoa vi e colhi 

chá, café, goiabas, ameixas… Delicias!

Brinquei de pega-pega, esconde-esconde, 

taco, futebol, carrinho de rolimã … Alegrias!

Estudei o primário, ginásio,

científico, faculdade… Maravilhas!

Na minha juventude querida:

Na terra da garoa trabalhei 

Na indústria, comércio, banco… Labutas!

Namorei garotas brancas, 

negras, orientais… Beldades!

Na minha velhice querida:

Na terra da garoa namorei, escrevi, 

descansei e espero morrer… Infinito!

Isto meus irmãos paulistanos 

é a minha São Paulo querida! 

Terra que proporcionou tudo isso 

a mim e a muitos outros! 

Hoje, vejo-a arruinada! 

Com uma infância sem alegria, 

parte da juventude se drogando, 

e da velhice sem sonhos e lugares para descanso e morrer

Portanto, peço a todos, que façamos uma corrente de orações,

para que os nossos governantes cuidem melhor de nossa cidade querida! 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Wilson Jesus Thomaz Dutra é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode ser personagem da nossa cidade. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: que sorte!

Atlético GO 1×1 Grêmio

Brasileiro – Antônio Accioly, Goiânia/GO

Reinaldo comemora gol de empate, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O chute de Reinaldo foi forte, convicto e na direção do gol. Provavelmente, explodiria no peito do goleiro e se perderia pela linha de fundo ou em meio a área para ser despachada pelos zagueiros adversários. Sei lá por qual força do destino ou luz divina que se fizeram presentes, porém, uma perna apareceu no meio do caminho e fez com que a bola desviasse, fulminante, em direção às redes.

Ao fim da partida, nosso lateral esquerdo insinuou que a sorte estaria mudando de lado, após seis derrotas seguidas, algumas das quais com gols desperdiçados que calaram fundo na alma do torcedor. Reinaldo tem razão. Diante da situação que estamos enfrentando na competição, saber que, ao menos em um instante, o desvio da bola nos favoreceu é motivo de comemoração. Constrangida comemoração, afinal, mesmo com a sorte se revelando em campo, tudo que tinha a nos oferecer era um gol de empate e contra um dos times de pior campanha da competição. 

A sorte, esse elemento imprevisível que permeia nossas vidas, às vezes parece brincar conosco. Para um time que sofreu derrotas consecutivas, o empate pode até ser percebido como um sinal de mudança. É como uma brisa suave anunciando uma tempestade que finalmente passou. A sorte, caprichosa como é, parece estar redirecionando seu olhar para aqueles que insistem em lutar, mesmo diante de adversidades persistentes. 

Assim como na vida, no futebol, perseverar é o primeiro passo para transformar o azar em uma oportunidade inesperada. Talvez, apenas talvez, a maré esteja começando a virar, trazendo consigo um vislumbre de esperança e renovação para quem jamais desistiu de acreditar.

Conte Sua História de São Paulo: o mutirão do Alto da Vila Prudente

José Luiz Da Silva

Ouvinte da CBN

Foto de Mustafa ezz

Em 1947, meus pais compraram um terreno no Alto da Vila Prudente e logo começaram a construir num sistema de mutirão com irmãos, sobrinhos e cunhados. A primeira etapa a ser feita foi o poço que, quando atingiu 12 metros, nos deu a santa água! Foi uma alegria!!

Aos domingos, eu e o meu pai saíamos cedo, pegávamos o bonde aberto n° 32, Vila Prudente, na Praça João Mendes, e ali encontrávamos o tio Miro, esposo da tia Tica, Lídia por batismo e irmã do meu pai. Tio Miro era o nosso mestre de obras. Na ocasião, estavam construindo o Cine Marrocos, junto com o Antonio, o Tonhão, irmão do meu pai, e o Luizinho, cunhado do Tonhão. Com todos reunidos, seguíamos em direção à Vila Prudente. O bonde descia a Rua da Glória, Lavapés, e eu não via a hora da passagem pelo campo do Ipiranga F.C. Ficava na rua Silva Bueno, onde grandes craques jogavam: Ceci, Brandão, Rubens .… Lá vai o bonde na porteira do Ipiranga, parava para esperar outro carro, pois só tinha uma linha, e até vir outro a espera era por vezes longa, mas emocionante. 

O bonde parava em frente ao Cine Vila Prudente. Até o Largo da Vila Prudente o calçamento era de paralelepípedo. Já a rua do Orfanato era uma subida de terra, que em dias de sol era uma poeira só, e no de chuva, barro e lama. No cruzamento da rua do Oratório tinha um orfanato enorme: ao lado, um casarão antigo do Dr. Camillo e um trilho entre os eucaliptos que nos levava ao terreno em frente: um enorme morro. Do terreno avistava-se a cidade e a torre do Banco do Brasil e ao nosso redor, só mato, terra e céu. Subíamos a rua até chegar ao terreno, onde a tão sonhada casa era erguida. 

Os adultos assentavam os enormes tijolos que eu carregava um por vez, faziam a massa de barro, enquanto meu pai tirava água do poço. A casa subia devagar e assim foi até 1950 quando ficou pronta pra ser a nossa moradia.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

José Luiz da Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode ser personagem da nossa cidade. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: da infância à liberdade, no parque Novo Mundo

Por Luiz Roberto de Almeida

Ouvinte da CBN

Imagem da E.E. Heróis da FEB, no Parque Novo Mundo (reprodução Facebook)

Eu tinha nove anos, em 1970, quando minha família se mudou do Tatuapé, numa casa que sobreviveu à construção da estação do metrô, para um bairro próximo, do outro lado do Rio Tietê: o parque Novo Mundo, vizinho da Vila Maria, Penha e Guarulhos. 

O nome do bairro é uma referência ao novo mundo surgido após a Segunda Guerra Mundial, com as ruas homenageando nossos combatentes da FEB, muitos dos quais tombaram na Itália, onde nosso exército lutou bravamente contra o nazifascismo. 

Fomos morar na rua Soldado João Pereira da Silva, 16, esquina com a Pistoia, nome de uma cidade italiana, na região da Toscana. Em Pistoia, a cidade, localiza-se o Cemitério Militar Brasileiro onde foram enterrados os nossos soldados que morreram em batalha, mais tarde transferidos para o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. As placas com os nomes permaneceram lá e também o Monumento Votivo Brasileiro da Segunda Guerra Mundial. 

Nas cidades Italianas por onde a FEB passou, os brasileiros são reverenciados até hoje. Há um vídeo que registra uma solenidade em Montese, com as crianças cantando a Canção do Expedicionário num bom português. É realmente emocionante. 

Voltando ao Parque Novo Mundo: na minha rua havia poucas casas e vários terrenos baldios. Naquela época não tinha iluminação pública, água encanada, esgoto e asfalto. 

Só havia uma linha de ônibus atendendo o bairro que seguia para o Parque Dom Pedro II e dava a volta no mundo. O guarda noturno fazia sua ronda à cavalo, depois passou para a bicicleta e bem depois para a moto. 

Na esquina de casa ficava o restaurante do Sr, João e da dona Olinda. A padaria dos Srs. José e Joaquim era na mesma quadra, esquina com a avenida principal. Os nomes dos proprietários já dizem tudo, moravam no bairro muitos imigrantes, não só portugueses, mas também espanhóis, italianos, japoneses, convivendo como deveria ser no Novo Mundo surgido. 

Na rua Pistoia havia uma colônia japonesa num terreno bem grande, quase um quarteirão, e os japoneses jogavam beisebol e praticavam Tai chi chuan no pátio. Em 1988, no terreno foi construído um hospital, o Nipo-Brasileiro, com as presenças ilustres do Príncipe e da Princesa do Japão, do presidente José Sarney, do governador Orestes Quércia, do deputado Ulisses Guimarães e muitas outras autoridades 

A única escola era estadual e chamava-se Heróis da FEB, mas não estudei lá não. Eu e minha irmã fomos estudar no Colégio Santa Catarina, na Ponte Grande em Guarulhos, que já não existe há muitos anos, dando lugar a um condomínio de prédios, onde inclusive hoje mora uma amigo meu. Íamos para escola com algumas crianças vizinhas numa perua Chevrolet já antiga para a época. O Tio e a Tia da Perua, como se diz hoje, eram chamados de senhor.e senhora, mas era outra época. 

Nos vários terrenos baldios, a molecada fazia os seus campinhos de futebol. Jogávamos com uma bola “Dente-de-Leite” e calçando “kichutes”, um tênis preto que tinha travas de chuteiras e servia pra ir a escola, também. 

No terreno atrás da nossa casa havia um morrinho de uns três metros de altura, o tobogã, que descíamos em caixas de papelão. Era a época dos quadrados, que hoje em dia são mais conhecidos como pipas; do peão de madeira e das figurinhas pra jogar bafo. 

Depois, ganhamos a liberdade com uma bicicleta de duas rodas, a minha era uma Caloi dobrável; mas alguns tinham a Monareta e aí o bairro foi mais explorado pela turminha. 

Infância muito feliz. 

Só me mudei do bairro quando saí de casa para me casar, mas ainda trabalho no Novo Mundo. Hoje, já com água, encanada, iluminação nas ruas e diversas linhas de ônibus. Dizem que terá até uma estação de metrô. Vamos aguardar. 

Ah, pra finalizar, numa busca na internet encontrei, em notícia de 2022, o soldado, hoje com a patente de Tenente, João Pereira da Silva, morador de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e com 98 anos de idade. Lutou na Itália, na tomada de Monte Castelo, em novembro de 1944, quando os brasileiros derrotaram as tropas alemãs. 

Não sei se é a mesma pessoa que deu nome à minha rua, mas fica o meu agradecimento a todos esses bravos combatentes que lutaram para derrotar o totalitarismo na Europa e nos legaram um Novo Mundo. 

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Luiz Roberto de Almeida é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode ser personagem da nossa cidade. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Marcus Teles revela estratégias da Livraria Leitura para prosperar em tempos de crise

Nos bastidores do Mundo Corporativo, foto de Pricisla Gubiotti

“A austeridade e a independência financeira são nossas maiores fortalezas.”

Marcus Teles, Livraria Leitura

Com a concorrência acirrada de gigantes do e-commerce e as crises econômicas que desafiaram o mercado nos últimos anos, manter uma rede de livrarias no Brasil parece uma tarefa gigantesca. E é mesmo. No entanto, a Livraria Leitura além de sobreviver, também prosperou nesse cenário desafiador. Este é o tema central da entrevista de Marcus Teles, CEO da Livraria Leitura, no programa Mundo Corporativo.

Marcus Teles compartilhou as estratégias que levaram a Livraria Leitura a se tornar a maior rede de livrarias do país. “Nós crescemos mais nas crises,” afirmou Teles, explicando que a empresa sempre optou por operar com capital próprio e sem dívidas. Essa abordagem permitiu que a Livraria Leitura enfrentasse turbulências econômicas com mais resiliência do que muitos concorrentes.

Concorrência e Adaptação

Uma das grandes lições de Teles é sobre como enfrentar a concorrência de grandes multinacionais. “Aquelas que quiseram brigar no preço e vender mais barato do que uma multinacional foram por um caminho de confronto difícil de vencer,” ressaltou. Ele destacou que a Livraria Leitura sempre priorizou a experiência do cliente e a formação de uma equipe bem treinada, capaz de oferecer recomendações personalizadas e atendimento de alta qualidade.

Para Teles, a chave do sucesso está na capacidade de adaptação e na austeridade. “Se a loja deu prejuízo no segundo ano, muitas vezes chegamos ao dono do imóvel ou ao shopping e negociamos uma redução de aluguel. Se isso não acontece, a loja é fechada,” contou ele, mostrando a firmeza nas decisões que ajudam a manter a saúde financeira da empresa.

O Crescimento da Leitura no Brasil

Teles trouxe uma perspectiva otimista sobre o hábito de leitura no Brasil, especialmente entre os jovens. “Nós esperávamos que, com a digitalização, os jovens fossem menos adeptos ao livro impresso. Na verdade, foi o contrário: eles leem muito hoje,” disse ele. A popularidade de séries e a influência de plataformas como o TikTok têm contribuído para esse crescimento.

Outro ponto destacado foi a importância das livrarias físicas. “A livraria é um contato de convivência,” explicou Teles. Ele acredita que, apesar do crescimento das vendas online, as livrarias oferecem uma experiência única que atrai leitores interessados em novidades e em um ambiente propício à descoberta de novos títulos.

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O segredo da mudança cultural: histórias

Manoel Amorim, Jay B. Barney e Carlos Júlio

Quando o tema é cultura organizacional relacionada com desempenho empresarial, a maioria dos thinkers e practioners busca sugerir a cultura organizacional “ideal” – ultimamente, tem sido a cultura que favorece a inovação, por exemplo. Mas o que nos interessa é diferente: queremos falar de como se faz uma mudança cultural. Culturas são normalmente desenvolvidas e mantidas por meio das histórias que os funcionários de uma empresa contam sobre o que significa trabalhar em determinada empresa. Assim, partimos da hipótese de que, se você quiser mudar a cultura de uma empresa, precisará contar novas histórias. Então fomos conferir o que acontece na vida real, com várias histórias de empresas {o quadro abaixo lista algumas}.

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Pesquisamos mais de 150 histórias derivadas de entrevistas com mais de 50 líderes de empresas de grande e médio porte e identificamos seis atributos das histórias que os CEOs constroem que os tornam mais propensos a ser bem-sucedidos na mudança da cultura de uma organização:

  1. As ações que constroem essas histórias são autênticas.
  2. Tais histórias são “estreladas” pelo líder.
  3. As ações que constroem essas histórias sinalizam ruptura com o passado e um caminho claro para o futuro.
  4. Essas histórias apelam para “corações e mentes” dos funcionários.
  5. As ações que constroem essas histórias costumam ser teatrais.
  6. Tais histórias são contadas e recontadas em toda a organização.

Também identificamos como ocorre o processo de mudança. Primeiro, é preciso entender que, durante a construção das histórias, a organização parece que “descongela”. Aí emerge a primeira história, do líder, e funcionários vão construindo e trocando outras histórias de mudança cultural.

À medida que essa nova cultura começa a amadurecer e tomar forma, o líder empresarial pode ajustar outros aspectos da empresa para reforçar e solidificar a nova cultura na empresa (mudando o mix de funcionários, a forma como os funcionários são avaliados e remunerados, o modo de treinamento etc.). Em seguida, uma nova cultura é “recongelada”.

Leia o artigo completo publicado na MIT Sloan Management Review Brasil nº 15.

Manoel Amorim e Carlos Júlio foram CEOs de várias empresas e são empresários e membros de conselhos de administração. Jay B. Barney é professor de gestão estratégica da University of Utah, EUA. Os três são autores do livro O Segredo da Mudança de Cultura (Saraiva Educação) que será lançado, nesta quarta-feira, dia 15 de maio, às 19h, na Livraria da Vila, na Alameda Lorena, 1501, em São Paulo.