Por Maria Lucia Solla
Olá!
Quando era pequena, achava que a cada aniversário eu seria outra marialúcia, depois de partir o bolo e apagar a velinha. Sentia medo e curiosidade. Não queria ser diferente, mas queria ir em frente. Tinha medo de perder o chão, mas vivia nas nuvens; e ainda sou assim.
Com o passar dos anos, o medo foi diminuindo, e a curiosidade ganhou espaço e tomou o quanto pode. Quero mais. Quero muito mais. Hoje sei que todas as marialúcias, de todos os dias e de todos os anos, moram aqui mesmo. Dentro de mim. Tem vezes que entram num conflito danado, mas acabam fazendo as pazes e unem as forças, em prol de todas.
Em mim, mora a menina que busca mão forte, proteção e direção, e também mora a adolescente que abomina a idéia tanto de proteção quanto de direção. Aquela que clama por liberdade sem limite. O tempero quem dá é a mulher que mora em mim, a mulher que quer usar a liberdade conquistada para testar os próprios limites. Que anseia pela mão forte que também esteja em busca de proteção e que saiba negociar a direção a seguir. Essa mulher quer que a mão forte roce a sua, por pura traquinagem, antecipando o momento de se perderem em meio a todos os seus eus. De ontem, de hoje, de amanhã.
E você, conhece quem mora em você?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.
Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora:
Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira; escreveu o livro De Bem Com a Vida Mesmo que Doa, publicado pela Libratrês; e recentemente comemorou o nascimento de mais uma marialúcia