Maratona Piauí CBN de podcast: um novo modelo de negócio

 

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Adriana Salles Gomes, Ana Paula Wehba e Fernanda de Paula e eu em FOTO DE MARCELO SARAIVA

 

A reportagem a seguir foi publicada originalmente no site da Revista Piauí, onde você encontra a cobertura completa da Maratona Piauí CBN de podcast, que se realizou nesse sábado, dia 17 de agosto, em São Paulo:
 

Por que apostar em um podcast e como conseguir financiamento? Ao mesmo tempo, como democratizar o acesso aos podcasts? Foram essas algumas das questões discutidas na abertura da 2ª Maratona Piauí CBN de Podcast, que acontece neste sábado em São Paulo, no campus da ESPM na Vila Mariana. Adriana Salles Gomes, editora-chefe da Revista HSM Management e apresentadora do podcast CBN Professional, Ana Paula Wehba, diretora de eventos, projetos e negócios da revista Trip, e Fernanda de Paula, gerente de marketing de produtos do laboratório Boehringer Ingelheim, conversaram sobre estratégias de negócios para criar podcasts. A mediação foi do jornalista Milton Jung, da CBN. Na plateia e pelas redes, o público participou enviando perguntas para os participantes de mesa. A maratona tem apoio do Google News Iniciative.

 

A menstruação e suas dores motivaram a criação do podcast Seu Forte é Ser Mulher, parceria entre a Trip e o laboratório Boehringer Ingelheim, que fabrica os medicamentos Buscopan e Buscofem, usados contra cólicas menstruais. O podcast é uma ação típica de branded content, conteúdo de marca, quando a empresa financia o projeto.

 

“Toda mulher menstrua, e ainda assim o tema é um tabu. Resolvemos falar disso de forma muito autêntica. É um tema que conversa com a marca, nem preciso colocar o nome do produto”, afirmou Fernanda de Paula.

 

A partir de uma pergunta da plateia, as participantes discutiram o risco de o conteúdo patrocinado prejudicar a isenção jornalística e, por consequência, a qualidade do produto.

 

“Há um risco, claro, e não se pode transformar o programa em uma propaganda”, respondeu Wehba. “A gente queria trazer as dores reais das mulheres. Se a gente interferisse, ia prejudicar a naturalidade da vida real.”

 

Apresentadora do podcast CBN Professional, Salles Gomes disse que a HSM Management, uma plataforma de educação corporativa, viu nos podcasts uma chance de ampliar seu público e tornar a marca mais conhecida. O modelo de negócio é o patrocínio tradicional.

 

“O podcast permite manter a profundidade para abordar os assuntos, num tom mais leve e com participação do público”, afirmou Salles Gomes. Ela destacou, porém, a necessidade de uma boa interação entre os parceiros responsáveis pelo projeto. “A gente tem de abrir mão de uma coisa para ter outra coisa. Negociar, enfim.”

 

As três participantes defenderam a necessidade de democratizar o acesso aos podcasts. “Acho que a gente deve olhar para o podcast como uma ferramenta de democratização da informação”, afirmou Wehba. Ela criticou as dificuldades para localizar os podcasts nos tocadores. “Ainda precisamos de uma plataforma de distribuição na qual você consiga ver tudo que está sendo produzido de podcasts.”

 

“Não se pode tratar o áudio como se fosse um cidadão de segunda classe”, cobrou Jung. Para quem quer começar um podcast, as dicas da mesa foram: ouvir podcasts do Brasil e do exterior, escolher um tema “verdadeiro, legítimo”, ou seja, pelo qual a pessoa tenha interesse genuíno, e, por fim, ter o que dizer. A dica de Jung também foi precisa: falar com cada ouvinte individualmente, para que ele se sinta próximo. “É preciso chamar o ouvinte de você”, concluiu.

Uma proposta para tornar o debate público mais humanizado

 

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Foto: Pixabay

 

“Em casa onde falta pão, todos gritam e ninguém tem razão”. Mais vivo do que nunca, o dito popular traduz parte da verdade que assistimos na sociedade brasileira, expressa de forma histérica nas redes sociais —- e não apenas nas redes sociais.

 

Nesta semana, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, em conferência realizada em Salt Lake City, comentou sobre os efeitos perversos que comentários em redes sociais podem provocar nas pessoas — especialmente na forma como essas mídias estão moldando as crianças.

 

Obama diz não ler as reações às falas dele nos meios de comunicação tradicionais ou nas redes sociais, porque entende que foram planejadas para alimentar a ansiedade (“designed to feed possible anxiety”). E ao tratar do tema, fez questão de ressaltar que sua posição não se relaciona apenas a comentários tóxicos: os elogios podem fazer as pessoas pensarem que estão fazendo tudo certo, quando talvez não estejam.

 

Entendo que Obama se refira a arquitetura digital que tende a retroalimentar determinados comportamentos concentrando pessoas de grupos com o mesmo viés em torno de seus perfis — e privilegiando a opinião dos mais expressivos nas redes, não necessariamente da opinião pública.

 

 

TED@BCG - October 3, 2018 at Princess of Wales Theatre, Toronto, Ontario, Canada

 

Ao mesmo tempo, deparo com a fala de Julia Dhar, especialista em debate público, em apresentação no TED Talks, que já tem mais de 2 milhões de visualizações. Ela nos oferece pontos importantes para a reflexão, em tempos de intensa discussão, quando todos gritam e ninguém tem razão — como nos lembra o ditado popular que abre este post.

 

Apresenta em sua fala e se dedica a desenvolver em sua atividade profissional, a ideia de transformar o bate-boca em bate-papo, sem que percamos a noção de que estamos diante de um debate de ideias.

 

Defende argumentos e contra-argumentos. Avanços e recuos. Aceitação e oposição. É uma admiradora das discussões, desde que produtivas —- o que somente será possível se algumas técnicas forem aplicadas e mudanças de comportamento, aceitos.

 

Para não cairmos na armadilha que as discussões acaloradas e, muitas vezes, sem qualquer respeito ao contraditório nos proporcionam —- levando muitas pessoas a preferirem o silêncio —, Julian Dhar convida o cidadão a seguir regras aparentemente simples.

 

Sugere primeiro que se crie uma realidade compartilhada, que significa encontrar pontos em comuns, mesmo que mínimos. É preciso “envolvimento com a ideia oposta, de modo direto e respeitoso”. Isso exige que saibamos ouvir a voz de quem argumenta de forma contrária, de quem não pensa como eu. Segundo a pesquisadora Juliana Schroeder, da Universidade Berkeley, esse exercício humaniza as pessoas: facilita o envolvimento com o que pessoa tem a dizer.

 

Em seguida, Julian Dhar pede que se separe a ideia em discussão da identidade do interlocutor: “atacar a identidade da pessoa que argumenta é irrelevante, porque não foi escolha dela”. Sugere que se lide com a melhor visão da ideia, mais clara e menos pessoal.

 

Finalmente, alerta que nos apegamos às nossas ideias de maneira a acreditar que são realmente nossas e que, por extensão, somos delas. Ou seja, ao aceitarmos que somos proprietários daquela ideia também nos transformamos em propriedade dela e, assim, fica muito mais difícil nos desapegarmos. Para não sermos reféns dessa situação, Julian Dhar sugere que sejamos capazes de desenvolver o que chama de “humildade da incerteza” ou a possibilidade de estarmos errados: “é essa humildade que nos faz tomar decisões melhores”.

 

Em resumo:

  1. Crie uma realidade compartilhada — concorde com algo

  2. Separe as ideias da identidade

  3. Abrace a humildade da incerteza

 

Segundo Julian Dhar, os princípios do debate podem transformar a maneira como falamos uns com os outros; nos levar a parar de falar e começar a ouvir; parar de rejeitar e começar a persuadir; parar de nos fechar e começar a abrir nossa mente.

 

Ela propõe que ao mediarmos debates ou entrevistas façamos a seguinte pergunta: “sobre o que você mudou de ideia e por quê?”.  Antes de levarmos à frente essa proposta, quem sabe não está mais do que na hora de perguntarmos a nós mesmos: “sobre o que eu mudei de ideia e por quê?”.

 

Se jamais mudei, eis aí um problema a ser resolvido.

Venha participar do debate que comemora os 10 anos do Adote um Vereador

 

Reforço aqui convite para participação no debate em comemoração aos 10 anos do Adote um Vereador, que será neste sábado, dia 24:

 

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O Adote um Vereador é uma ideia lançada há 10 anos logo após uma eleição municipal — oportunidade em que eu apresentava o CBN SP e percebi que boa parte do eleitor não se via representado naqueles 55 vereadores recém eleitos por São Paulo. Meu esforço foi mostrar a todos que somos responsáveis por eles e precisamos acompanhar de perto o trabalho que é realizado nas câmaras municipais.

 

Tivemos avanços e retrocessos. Ganhamos adeptos e perdemos muita gente pelo caminho. Algumas sementes ficaram espalhadas por aí — e é sempre uma alegria quando vemos que alguém, em algum lugar qualquer, acredita nessa nossa ideia.

 

Costumam me perguntar se somos uma ONG ou coisa que o valha. Digo sempre que somos uma NONG — uma não organização não governamental —, pois não temos uma ordem jurídica instituída, não temos uma constituição, não temos um estatuto e não temos verba. O que temos é uma ideia que insistimos em espalhar seja através de ações individuais de cada cidadão que se integra ao Adote seja através de textos e palestras que realizo.

 

Para marcar os 10 anos do Adote um Vereador, vamos nos reunir no dia 24 de novembro, sábado, das 10h às 12h, no auditório principal do Pateo do Collegio, na Praça do Collegio, número 2, centro de São Paulo, para promover uma mesa redonda na qual o tema central é “Por que política?”.

 

Cada um dos convidados terá 10 minutos iniciais para apresentar sua ideia e seu projeto sobre o assunto e depois partimos para a conversa entre todos.

 

A entrada é franca.

 

Participam do evento como convidados especiais:

 

Dr José Vicente — Reitor da Faculdade Zumbi do Palmares, e fundador da ONG Afrobras, mestre em administração e doutor em educação, sociólogo

 

Eduardo Muffarej —- Idealizador do Renova BR, que surgiu com o objetivo de preparar novas lideranças para entrar para a política

 

Caci Amaral — Membro do colegiado da Rede Nossa São Paulo e da coordenação da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de SP, também integra o grupo de trabalho de democracia participativa da Nossa São Paulo.

 

Maria Cecília Milioni Ferraiol — professora e coordenadora do EJA no Colégio Santa Maria, que implantou o Adote um Vereador com seus alunos.

 

Para que esta ideia permaneça por mais 10, 20 anos, é fundamental que outras pessoas nos ajudem participando ou divulgando este trabalho.

 

Portanto, o que pedimos hoje a você é que aceite nosso convite e faça sua inscrição (é de graça) na nossa página no Facebook. Se você puder, espalhe essa notícia para os seus amigos nas redes sociais copiando o link do evento (https://www.facebook.com/AdoteUmVereador/) ou do site do Adote um Vereador (https://www.adoteumvereadorsp.com.br).

 

Todo apoio será muito bem-vindo!

Ajude a divulgar o debate que marcará os 10 anos do Adote um Vereador, em São Paulo

 

convite ADOTE UM VEREADOR

 

O Adote um Vereador é uma ideia lançada há 10 anos logo após uma eleição municipal — oportunidade em que eu apresentava o CBN SP e percebi que boa parte do eleitor não se via representado naqueles 55 vereadores recém eleitos por São Paulo. Meu esforço foi mostrar a todos que somos responsáveis por eles e precisamos acompanhar de perto o trabalho que é realizado nas câmaras municipais.

 

Tivemos avanços e retrocessos. Ganhamos adeptos e perdemos muita gente pelo caminho. Algumas sementes ficaram espalhadas por aí — e é sempre uma alegria quando vemos que alguém, em algum lugar qualquer, acredita nessa nossa ideia.

 

Costumam me perguntar se somos uma ONG ou coisa que o valha. Digo sempre que somos uma NONG — uma não organização não governamental —, pois não temos uma ordem jurídica instituída, não temos uma constituição, não temos um estatuto e não temos verba. O que temos é uma ideia que insistimos em espalhar seja através de ações individuais de cada cidadão que se integra ao Adote seja através de textos e palestras que realizo.

 

Para marcar os 10 anos do Adote um Vereador, vamos nos reunir no dia 24 de novembro, sábado, das 10h às 12h, no auditório principal do Pateo do Collegio, na Praça do Collegio, número 2, centro de São Paulo, para promover uma mesa redonda na qual o tema central é “Por que política?”.

 

Cada um dos convidados terá 10 minutos iniciais para apresentar sua ideia e seu projeto sobre o assunto e depois partimos para a conversa entre todos.

 

A entrada é franca.

 

Participam do evento como convidados especiais:

 

Dr José Vicente — Reitor da Faculdade Zumbi do Palmares, e fundador da ONG Afrobras, mestre em administração e doutor em educação, sociólogo

 

Eduardo Muffarej —- Idealizador do Renova BR, que surgiu com o objetivo de preparar novas lideranças para entrar para a política

 

Caci Amaral — Membro do colegiado da Rede Nossa São Paulo e da coordenação da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de SP, também integra o grupo de trabalho de democracia participativa da Nossa São Paulo.

 

Maria Cecília Milioni Ferraiol — professora e coordenadora do EJA no Colégio Santa Maria, que implantou o Adote um Vereador com seus alunos.

 

Gabriel Azevedo (a confirmar) —- bacharel em comunicação social, professor de direito constitucional, vereador em BH, e fundador da “Turma do Chapéu”, movimento de rede para incentivo da participação dos jovens na política.

 

Para que esta ideia permaneça por mais 10, 20 anos, é fundamental que outras pessoas nos ajudem participando ou divulgando este trabalho.

 

Portanto, o que pedimos hoje a você é que aceite nosso convite e faça sua inscrição (é de graça) na nossa página no Facebook. Se você puder, espalhe essa notícia para os seus amigos nas redes sociais copiando o link do evento (https://www.facebook.com/AdoteUmVereador/) ou do site do Adote um Vereador (https://www.adoteumvereadorsp.com.br).

 

Todo apoio será muito bem-vindo!

Zoologicamente falando

 

 

Quando um garoto de 12 anos pensa o que pensa — e você lê a seguir o que ele está pensando — é sinal que temos esperança na mudança. Valeu por compartilhar com a gente!

 

 

Por Matheus Nucci Mascarenhas
Colégio Notre Dame de Campinas, 7º ano

 

 

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Era o último dia de aula, uma sexta-feira enobrecedora, ensolarada e quente. Todos afobados, cansados e atordoados pelas longos conteúdos do ano, o costume do fim das aulas. Nesse dia, particularmente especial a mim, houve uma tarefa, criada pelos professores, com intuito de desviar seus alunos do prosaico: um debate. O incrível e controverso debate. O tema escolhido pelo docente foi este: “É correto existir zoológicos, ou não?”. Assim nós pudemos escolher o lado que achávamos correto. De repente, uma classe unida por fortes laços de amizade e interesses, dividiu-se em duas partes: os contrários e os favoráveis. Na realidade não eram somente os contrários e os a favores, mas sim extremamente opositores, ou extremamente defensores do tema.

 

 

Naquele momento, refleti um pouco sobre isso, mas agora, desenvolvo melhor meu raciocínio e vos digo, por quê? Por quê, sempre que um assunto envolve alguma decisão ou opinião, a divisão é feita através de pólos? Isso me incomoda. Por que sempre há de ter uma tão grande divisão? E vejo que isso não acontece somente na escola. Porque as opiniões políticas também são sempre assim. É um absurdo a maneira como é comum que qualquer um, que ouve um comentário de outro, rotule essa pessoa em algum dos pólos opinativos, somente por ouvir um comentário fraco, cujo autor nem havia ainda adicionado sua correta nem completa opinião. Ou seja: é uma conclusão precipitada e injusta sobre o discurso feito pelo locutor

 

 

Parece que sempre há a vontade insaciável do ser humano de enquadrar alguém em algum posicionamento, mesmo sem haver indícios de polarização, tanto na fala, quanto no comportamento da pessoa, que acaba sendo vítima de um processo invisível de aprisionamento a algum polo opinativo — mesmo que quem tenha projetado tal preconceito não tivesse essa intenção.

 

 

Ou você é de esquerda, ou, de direita! Ou você é “petralha”, ou é “coxinha”! Ou é fanático, ou é ateu! Ou é um carnívoro sem redenção, ou é um vegano que protege até os insetos peçonhentos. Parem com isso, não há a mínima necessidade de exercer esse antagonismo.

 

 

Fracamente, as ideias extremistas defendidas por pessoas que se dizem pertencentes aos pólos opinativos são igualmente incoerentes, e pressupõem a imediata suposição de que aquele que pensa diferente está errado. Além de não terem bases sólidas de argumentação, esses radicais em geral não têm a capacidade reflexiva necessária para construir fundamentos pertinentes que confirmem suas ideologias.

 

 

Tomemos como exemplo os atuais gurus políticos dos extremos. Ambos os líderes têm seus graves problemas, mas ambos são considerados “santos” por seus seguidores mais fiéis, que se deixam levar pela ingenuidade, formando uma imagem deturpada do ex-presidente Lula, ou do senador Bolsonaro. Os próceres dos extremos. Do outro lado, muitos os veem como demônios, como ameaças terríveis, consideram-os endiabrados. Mas algo não está certo. Por que os classificamos como santos ou demônios?

 

 

O fato é que esses personagens brasileiros não são nem capetas, nem anjos, são apenas pessoas, políticos que, apesar de divergentes, carregam consigo simbologias e anseios das pessoas comuns. O que os conecta é que representam o radicalismo, são extremos.

 

 

Já dizia Gregório Duvivier, escritor e humorista, em suas crônicas do Estadão, o mundo da razão não é preto nem branco, mas sim cinza, pois cinza é o meio termo e o meio termo é a razão. Um exemplo prático é que no cérebro humano, a razão cerebral se concentra em um local chamado de massa cinzenta, que é da cor cinza, mostrando que até o local onde fica o bom senso no nosso cérebro detém a cor cinza.

 

 

Não é preto nem branco, a razão das pessoas não é preta e branca, retomando, mas sim cinza, com tons diferentes de cinza, quanto maior a mudança da coloração cinza original, mais desvirtuada e próxima a leviandade essa pessoa estará. Lula e Bolsonaro estão presentes na escala de cinza mas não no cinza original, estando classificados em escalas mais claras ou escuras de cinza (à modê de cada um).

 

 

Na realidade, não existem extremos pólos opinativos políticos, dados por um representante, mas dados pelos seguidores dos representantes, que, geralmente, transformam esse dogmas em supostos pensamentos, esquerdistas ou direitistas. Seus líderes somente, em sua maioria, denominam-se nesses polos políticos para criar uma marca, legado e característica para ser seguida, se não seu propósito político não é frisado e comentado pelo povo.

 

 

Percebemos que nenhum polo fabulados pelos seguidores é corretos. Pense, onde é melhor viver? No polo Sul, ou, polo Norte? Ainda por cima no pólo Sul e Norte idealizados pelos pelos seguidores dos próceres. Definitivamente em nenhum desses lugares! Onde devemos viver mesmo é na linha do Equador, na “cinzenta” linha do equador, onde as ideias boas e coerentes que estavam presentes em cada polo fabulado, são trazidas a vigor.

 

 

Leitor não sei se você percebeu, mas, as ideias favoráveis dos polos em conjunto podem ser a chave para salvar nosso querido país. A união faz a força, a extrema divisão faz a inanição brasileira.

 

 

Termino o texto relembrando a fatídica cena de gritos desesperados, desesperados por atenção e querendo, exaltados, mostrar o sentido e afirmar a veracidade de sua opinião. Enfim uma sala de aula antes unida, acaba ardendo no calor da briga por uma simples opinião zoologicamente certa ou errada, dependendo de seus insensatos pontos de vista extremistas. Até mesmo zoológicos podem causar polarização, acredite.

 

 

“Num mundo quase sempre governado pela corrupção e arrogância pode ser difícil se manter firme nos princípios literários e filosóficos.” Olivia Caliban

Resistência às mudanças: a técnica e a política diante da nova Previdência

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O debate que Mílton Jung fez com Ivan Valente do PSOL e Darcísio Perondi do PMDB sobre as mudanças na Previdência, no qual números e suposições se conflitaram, diante da pergunta se haverá risco futuro no pagamento de aposentadorias, terá sido esclarecedora aos ouvintes?

 

Ouça aqui o debate completo que foi ao ar no Jornal da CBN 

 

Antes do programa, de acordo com a pesquisa Data Folha, publicada no domingo, 71% da população não aprovava as mudanças e quando se tratava dos bem-informados esta quantidade aumentava para 78%.

 

Como não foi feita pesquisa após o programa, podemos fazer um exercício baseado na técnica apresentada por Eva Hirsch, no dia 15 de abril, no Mundo Corporativo da CBN, no qual dissertou sobre a tomada de decisões dos seres humanos em geral.

 

O cérebro criado para agir rapidamente em situações de risco, em defesa própria, diante do perigo não hesita em nos proteger. Na origem,  era contra o leão faminto, hoje é pelos prazos de entrega, pelas contas a pagar, pelos chefes exigentes, etc.

 

Essa arquitetura origina um viés cognitivo, formando atalhos que levam a decisões precipitadas. A tendência é sempre manter o status quo, quando é preciso fugir da similaridade. Ficamos sempre com iguais. Tal quais os programas de trainees, que admitem sempre os de perfis idênticos.

 

Por isso, um grupo de professores de Harvard, Washington e Virginia criaram o IAT – Teste de Associações Implícitas. Para evitar, por exemplo, o ocorrido no Google quando deram só nomes masculinos nas salas do novo edifício. Ou casos como o da altura dos CEOs americanos: 60% medem 1,83m enquanto a população apresenta apenas 15% com este tamanho. Certamente quem os promoveu também media os mesmos 1,83m.

 

É preciso evitar a certeza buscando a dúvida, a outra opinião, e os dados e fatos que apoiam e contradizem. Sabendo que o juízo de valor ou o viés cognitivo sempre existirá, mas é dever reduzi-los.

 

Diante do exposto, será que os 78% contrários às mudanças na Previdência neutralizaram os vieses cognitivos? Será que analisaram dados e fatos?

 

Será que para aqueles que tomaram conhecimento da entrevista dos deputados acentuaram as posições anteriores ou mudaram de opinião?

 

E os políticos que votarão a mudança, seguirão a técnica ou a política?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

 

 

 

 

 

CBN Debate: sem a Reforma, vai faltar dinheiro para pagar os aposentados?

 

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A Reforma da Previdência tende a passar na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, mas ainda precisa de esforço redobrado do Governo Temer para alcançar os 308 votos necessários no plenário. É emenda à Constituição por isso são necessários três quintos do total de deputados.

 

Nesta altura da discussão ainda há muitos pontos divergentes, e alguns intransponíveis, pois há quem entenda que a reforma é desnecessária, que não há déficit na Previdência e, portanto, dá pra manter tudo como está. Além disso, questionam a legitimidade do atual Governo para promover esse debate.

 

Hoje, o Jornal da CBN, convidou dois dois deputados que fazem parte da comissão especial da reforma para entender seus pontos de vista. O CBN Debates, que teve as presenças de Ivan Valente PSOL-SP e Darcísio Perondi PMDB-RS, se iniciou com pergunta feita por um dos ouvintes: José Luiz, de São Paulo, disse que estava preocupado com a discussão sobre a Reforma e queria saber se havia algum risco de faltar dinheiro para os aposentados, caso não sejam aprovadas as mudanças propostas pelo Governo.

 

O debate completo você ouve aqui.

 

 

 

Reforma: campeão ou não, o Brasil bate um “bolão” quando o tema é ação trabalhista

 

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A Reforma Trabalhista está em discussão na Câmara dos Deputados e o governo aposta que conseguirá aprovar o relatório com as mudanças na CLT ainda nesta terça-feira. Há controvérsias … aliás, muitas controvérsias.

 

A proposta defendida pelo governo vai acabar com os diretos trabalhistas?

 

Empresas poderão reduzir salários dos trabalhadores?

 

Todo mundo vai ser terceirizado?

 

Essas são algumas das perguntas que os trabalhadores (e os desempregados, também) fazem neste momento. Por isso, o Jornal da CBN, nesta terça-feira, ouviu alguns dos seus comentaristas sobre o tema e foi além: convidou a Agência Lupa para checar informações usadas pelo presidente Michel Temer em defesa da Reforma Trabalhista e promoveu debate com participação de dois deputados que integram a comissão que vai votar as mudanças.

 

Por curiosidade, os deputados Vitor Lippi (PSDB-SP) e Chico Alencar (PSOL-RJ) divergiram sobre os motivos que levam o Brasil ao título de campeão mundial de ações trabalhistas. Para Lippi, é sinal da falta de garantia que os empregadores têm com as regras atuais. Para Alencar, prova da má-fé de empregadores.

 

A afirmação de que o Brasil é campeão mundial de ações trabalhistas também é repetida pelo presidente Michel Temer em suas entrevistas em defesa da Reforma Trabalhista, porém não há dados oficiais que mostrem esta “distinção”  brasileira no cenário, conforme apurou a Agência Lupa.

 

Em entrevista que foi ao ar pouco antes do debate, Cristina Tardáglia, diretora executiva da Agência, disse que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) informou não ter “conhecimento da existência de dados que comparem o número de ações trabalhistas em diferentes países” e que a “comparação não é possível” uma vez que existem “enormes diferenças entre leis trabalhistas, sistemas jurídicos e disponibilidade de estatísticas” nos diversos países do mundo.

 

A Agência consultou o  Tribunal Superior do Trabalho (TST).  Em nota o TST destacou que “não tem dados para verificar tal hipótese” e que, apesar de vários países terem leis trabalhistas, muitos não tem Justiça do Trabalho.

 

Foi o sociólogo José Pastore quem fez  estudo sobre ações trabalhistas e publicou artigos comparando a situação do Brasil com a de Estados Unidos, França e Japão. Neste universo, o Brasil está na frente no número de ações trabalhistas.

 

Dizer que o Brasil é campeão mundial talvez não seja o mais preciso, mas não há como negar que no quesito “ações trabalhistas” estamos batendo um bolão:

 

Acompanhe o debate entre os deputados Vitor Lippi e Chico Alencar:

 

 

Ouça a entrevista com Cristina Tardáglia, da Agência Lupa, e a checagem de outras afirmações feitas pelo presidente Michel Temer sobre reforma trabalhista e terceirização:

 

Voto em lista fechada: sim ou não?

 

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Comissão da reforma política reunida, em foto de Lucio Bernardo Jr/Câmara dos Deputados

 

O voto em lista fechada é um dos temas em discussão no que o Congresso chama de Reforma Política. Na realidade, estamos apenas fazendo ajustes de última hora na lei eleitoral, já de olho no impacto que a Operação Lava Jato terá no futuro dos partidos e políticos envolvidos, e na eleição de 2018.

 

Na lista, o sistema proporcional permanece, com os partidos ou coligações conquistando número de cadeiras no parlamento conforme o número de votos que obtiverem.

 

O que muda?

 

Os partidos ou coligações fazem uma relação de candidatos e os colocam em uma ordem que será previamente conhecida pelo eleitor.

 

O eleitor vai ter de votar no partido e não no candidato.

 

Caso o partido ou a coligação consigam 10 cadeiras, os 10 primeiros da lista se elegem, por exemplo.

 

Hoje, no Jornal da CBN, promovemos debate sobre o assunto:

 

A cientista política Maria do Socorro Sousa Braga é a favor da lista aberta, que, para ela, possibilita maior manifestação popular na eleição.

 

Já o procurador federal Adriano Sant’Ana Pedra acredita que a lista fechada é a melhor opção. Ele diz que esse sistema ajuda a eleger bons candidatos que não são tão populares, barateia o custo das campanhas e dá maior transparência ao pleito.

 

Os dois concordam, porém, que este não é o melhor momento para travar esta discussão no Congresso Nacional.

 

Ouça o debate, entenda os argumentos e tire suas próprias conclusões:

 

Aposentadoria: você concorda com a ideia de igualar a idade mínima para homens e mulheres?

 

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Temer a caminho do discurso no Dia Internacional da Mulher (foto Palácio do Planalto)

 

 

O presidente Michel Temer ao discursar em cerimônia pelo Dia Internacional da Mulher se referiu ao papel da mulher na família e no lar. Disse também que, com as perspectivas de recuperação econômica, as mulheres terão mais oportunidades de emprego, além de cuidar dos “afazeres domésticos”. Em outro trecho, chamou atenção para o fato de somente as mulheres serem capazes de indicar os desajustes de preços nos supermercados.

 

Com essa sequência de afirmações, Temer deu a entender que cabe a mulher a função de cuidar dos filhos, trabalhar em casa e fazer as compras. Muita gente ouviu nas palavras presidenciais a reprodução de preconceito que há algum tempo a sociedade moderna busca eliminar.

 

A turma do Palácio se esforçou para desfazer o mal-entendido e justificou que Temer estava apenas constatando uma realidade brasileira, na qual às mulheres cabe o cuidado dos filhos e da casa, mesmo que já esteja trabalhando. O pessoal da assessoria lembrou que foi dele a iniciativa de abrir a primeira delegacia da mulher, na época em que era secretário de Segurança do Estado de São Paulo.

 

Os assessores palacianos poderiam ter lembrado uma outra iniciativa do presidente na busca da igualdade de direitos. No texto da Reforma da Previdência, em discussão no Congresso, o Governo Federal propõe que mulheres e homens se aposentem com a mesma idade, no caso 65 anos. Atualmente, a aposentadoria é por tempo de contribuição, sendo 30 anos para as mulheres e 35 para os homens.

 

Opa, mas aí talvez o tema ficasse ainda mais cabeludo. Afinal, a medida não é unanimidade nem mesmo entre as mulheres.

 

Ainda nesta quarta-feira, o Jornal da CBN promoveu debate para entender as diferentes visões que existem entre os que defendem e os que criticam essa equiparação da idade mínima entre os gêneros.

 

A economista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto de Estudos Avançados de Berlim, Lena Lavinas, disse que medidas que tendem a homogeneizar padrões em sociedades desiguais têm consequências. Já a sócia-diretora da Better Governance, Sandra Guerra, entende que processos desiguais não levarão à igualdade que se almeja.

 

Caso você não tenha acompanhado ao vivo o Debate CBN, reproduzo a seguir os argumentos completos de cada uma das convidadas do Jornal para que você mesmo tire suas conclusões: homens e mulheres devem ter a mesma idade mínima para se aposentar?