Mundo Corporativo: Luiz Carlos de Souza diz como estar preparado para tomar a decisão certa

 

 

“Todos os personagens que estão dentro do mundo corporativo são tomadores de decisão, independentemente do cargo ou função que a pessoa ocupe” – Luiz Carlos Pereira de Souza, professor da área de negócios.

 

 

O ambiente de trabalho exige dos profissionais tomadas de decisão rápidas e precisas a todo momento e para que isso ocorra é fundamental que se tenha consciência dos vários aspectos que nos influenciam: sociais, financeiros, psicológicos e espirituais.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Luiz Carlos Pereira de Souza fala de estratégias e cuidados que precisam ser adotados antes de uma decisão. Por exemplo, saber ouvir o outro, agir sem precipitação e analisar o ponto de vista da corporação que representa.

 

Ele ensina que uma palavra mágica diante de um pergunta que lhe exija uma resposta muito rápida é “depende”:

 

“Fundamental quando nós vamos tomar uma decisão é poder respirar, refletir, e quando você fala depende você ganha essa oportunidade”.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, ou aos domingos, às 22h30, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Condenado e inelegível

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

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Por óbvio que o leitor sabe que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, manteve a condenação imposta pelo juiz federal Sérgio Moro ao ex-presidente Lula da Silva. O TRF/4 proferiu um julgamento memorável, assistido por milhões de pessoas. Tudo com transparência, serenidade e obediência aos ritos e códigos vigentes.

 

Quem o acompanhou via internet, pelo rádio ou na televisão, pode observar que os acusados, através de seus defensores, e a acusação, tanto pelo procurador da República com assento na 8ª Turma quanto pelo assistente de acusação constituído pela Petrobrás, realizaram suas sustentações orais. Na sequência, os desembargadores proferiram seus votos. Aliás, votos minuciosos e amplamente fundamentados, inclusive em precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça para demonstrar a convicção de cada julgador acerca dos crimes imputados ao ex-presidente. A tal ponto que só o voto do relator contém 430 páginas.

 

A primeira pergunta a partir do histórico veredito é a seguinte: o ex-presidente poderá concorrer em 2018? Consoante o texto da Lei Complementar nº 135/10, popularizada como da Ficha Limpa ou Ficha Suja e repetidas vezes interpretada tanto pelo Tribunal Superior Eleitoral quanto pelo Supremo Tribunal Federal, aquele que for condenado por um órgão colegiado (como a 8ª Turma do TRF4) pela prática de crime de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, fica inelegível a partir da publicação da decisão, independentemente de recursos endereçados ao STJ ou ao STF buscando a reforma da pena.

 

Via de consequência, perante o regramento jurídico, há uma inelegibilidade que impede Lula de concorrer a qualquer cargo eletivo em todo o território nacional.

 

Todavia, fique claro que o questionamento acerca da possibilidade (ou não) da ventilada candidatura ocorrerá somente quando (e se) a mesma for requerida junto ao TSE.

 

Outro detalhe: a avaliação deste registro de candidatura tende a ser objetiva e sem maiores diligências, posto resumir-se a uma questão de direito, e não de fato. Assim decidiu o TSE numa decisão de 28/11/2016 repetindo um entendimento fixado no mínimo desde 18/11/1996.

 

Muitos se perguntam: mas como é possível uma convenção partidária homologar o nome de um candidato inelegível? É que de acordo com a Lei das Eleições, qualquer candidato cujo registro esteja sub judice, deferido ou indeferido e em discussão noutra instância, pode efetuar atos de campanha eleitoral.

 

Dito diferente: enquanto o inelegível busca arredar, provisória ou definitivamente, o impedimento da sua candidatura, a lei lhe assegura o direito de fazer campanha (por sua conta e risco).

 

Com isso, o seu nome, número e fotografia estarão na urna eletrônica em outubro? É provável. Afinal, nem na Constituição Federal, nem na legislação eleitoral, há regra que determine expressamente a exclusão dessas informações daquele candidato que, até a data da eleição, não teve o seu registro de candidatura deferido pela Justiça Eleitoral. Porém, como não existem direitos absolutos, o mesmo TSE pode determinar em sentido contrário, como inclusive já fez noutros casos.

 

Embora cause rebuliço, dado que muitos não se conformam à legalidade e alguns preguem desobediência ou até incitação à desordem, uma eleição sem a presença de um ex-presidente que foi condenado criminalmente pela prática do delito de lavagem de dinheiro e ocultação de bens é algo amparado pelo Estado Democrático de Direito materializado nas normas disciplinadoras dos processos penais e eleitorais do país.

 

Resumindo o momento pós-TRF/4: sem registro de candidatura, não há votação; sem votos não ocorre diplomação e, sem diploma, não há posse alguma, de ninguém, em nada.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e prática” (2016). Escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: Tem decisão eu vou

 

Guarani 0 x 3 Grêmio
Brasileiro – Campinas (SP)


Chegou a hora da conquista. Até aqui, disputamos cada partida pelo orgulho de ser gremista. Superamos os momentos mais difíceis neste campeonato, quando muita gente grande nos olhava com desdém, dava de ombros às nossas vitórias  e nos considerava um time com data de validade vencida, após não seremos capazes de conquistarmos a Copa do Brasil.

Para estarmos onde estamos foi preciso recuperar não apenas o futebol, mas a auto-estima de jogadores desgastados com os resultados ruins. Que não acreditavam neles mesmos. Entravam em campo como se carregassem o peso de uma história em vez de tê-la como aliada.

Houve um momento em que cada partida teria de ser encarada como uma decisão isolada, como se estivéssemos disputando um campeonato particular em que nosso pior adversário era a imagem que estávamos construindo na contramão dos nossos feitos.

Renato Gaúcho foi convocado para encarar este desafio, um técnico muito mais elogiado pelo que fez com os pés do que vinha fazendo com a cabeça. Verdade que no comando do Bahia havia ajeitado o time, este ano, e o colocado no rumo da primeira divisão. Mas o restante de sua história diante da casamata não era motivo de exaltação.

O torcedor gremista acreditou na aura de Renato, apostou na possibilidade dele contaminar o vestiário, mudar o espírito da equipe, torná-la competitiva e fazer, novamente, do Olímpico Monumental uma muralha intransponível. Isto seria pouco, porém, para buscarmos um destino melhor no Campeonato Brasileiro, haja vista os resultados obtidos até aquele momento e a distância que estávamos da tropa de elite.

Renato foi além. Montou uma equipe corajosa que não temia o adversário no campo dele e organizou o time de forma inteligente, reposicionando jogadores como Lúcio e Fábio Santos, a ponto de fazer do nosso lado esquerdo o caminho mais rápido para chegar ao ataque. Deu confiança a Fábio Rochemback que passou a dominar a frente da área e a Douglas, que ganhou liberdade para criar. Também trouxe sangue novo como o xerife Paulão, incontestável zagueiro que esperávamos há tanto tempo. E Diego Clementino, esse rapaz que tem cara de gremista.

Fomos conquistando os pontos disponíveis em nossa caminhada até chegar os atuais 60, que nos posiciona entre os quatro melhores da competição e o melhor no segundo turno. Fomos marcando gols e mais gols até nos transformarmos no ataque mais forte do Brasileiro, com os 65 alcançados hoje. Sem contar o artilheiro-dançarino Jonas (com 22), Andre Lima (com 10, quem acreditaria nele?) e Diego (que com 5 deve ter a melhor média de gols por minuto jogado, este ano).

Falta apenas mais um jogo nesta temporada. Vencemos o que devíamos até aqui. O Grêmio voltou ao seu lugar, entusiasmou sua torcida, levantou seu moral e obrigou analistas a reverem seus conceitos. Chegamos onde muitos, mesmo gremistas, não acreditavam mais em 2010.

A partida de domingo é tão importante para nós como foram todas as demais sob o comando de Renato. É a última desta série de decisões que nos impuseram. E que pode nos abrir caminho para mais uma conquista da América.

Todos ao Olímpico domingo que vem. Eu vou

De posição

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De posição” na voz da autora

Tenho mudado de posição vezes quase demais e tenho consciência de quanto isso é difícil para quem faz parte de mim; mas não quero enveredar por esse assunto para não desengavetar a coleção de culpas, que só faz entupir os canais da vida da gente e ainda por cima contagia e incendeia competição. Sim, porque um quer ter mais culpa do que o outro, só que quando se expressa se expressa espelhando. Eu mesma me pego no trânsito, por exemplo; se alguém faz uma manobra espertinha eu fico louca da vida, mas vivo fazendo manobra espertinha, e então…

Percebo que quem não muda de posição não é flexível fisicamente. Pode prestar atenção. Olha em volta, só que antes examina a tua posição, no espelho. Onde houver tensão, é melhor ir corrigindo logo, porque se ela já se instalou no físico, está no último estágio para a inflexibilidade virar crônica.

Só sei que me encanta mudar.

Do lugar onde estou agora, luz e cores são novas, mas é também a viagem para a mudança de posição que me encanta; a paisagem é indescriivelmente rica. Tem tudo o que a gente conhece: alegria, tristeza, dor, paz, turbulência, saciedade e fome, só que tudo é menos importante. É menos retumbante. Causa menos estardalhaço. A gente faz menos listas de bom e ruim, porque descobre que a mesma coisa pode ser boa num dia e ruim no outro.

Às vezes muda de rótulo algumas vezes no mesmo dia
e haja rótulo dona maria

Tem coisa que me faz entristecer
mas que faria o outro viver

E aí vou prestando atenção em cada detalhe mostrado pelo ângulo que passa a fazer parte de mim. E nos vejo como um enorme exército de gente de boa índole, de boa cultura, de bom comportamento, de boa intenção, lutando uma luta inglória. Inglória porque não há esperança de vitória se não se persegue o objetivo com ao menos o esboço de um plano de ação. E a gente vive de lá pra cá, murmurando, se queixando e nhenhenhando. Tudo está ruim. Tudo! Abre o jornal. Olha as fotos que são mostradas para você, para mim, para os teus filhos e os meus. São fotos que você porventura colocaria no álbum e guardaria para gerações futuras? Mas você olha, e olha, e ainda mostra, e divulga. e eu também não estou livre do meu próprio puxão de orelha. A gente escorrega. É o hábito da posição anterior. É como mudar de casa, tentar sair da cama pelo lado de sempre e dar com a cabeça na parede.

A gente deixa que penetrem os nossos ouvidos a sujeira, a desgraça, a desesperança, a maledicência; e é disso que a gente se alimenta. Como abutres. E é isso que a gente exala.

Não sou gurua, não tenho a mínima intenção de liderar movimentos e considero esse tipo de liderança, pecado.

Um pecado sem perdão
eliminação da lista dos que no céu entrarão

Mas o que vejo, reporto.

Vejo você e eu cuspindo nos atos alheios num interminável exercício de não sair do lugar. E não gosto nem um pouco do que vejo.

Mas vejo outras coisas.

Vejo por exemplo que não foi o mundo que piorou
foi a gente que melhorou
só que na ansiedade de que outros melhorem na nossa medida para que a festa fique melhor
a gente fica girando como disco riscado
e só o que vê em volta é pecado

Não é o mundo que deixou de evoluir
é você e sou eu que de vento em popa se deixa seguir

Tenho ideia das coisas vistas daqui, e tenho novas, porque parecem boas.

E você, tem visto a vida de janelas diferentes?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza palestra sobre comunicação e expressão. Aos domingos, nos leva a mudar de posição várias vezes com seus artigos publicados no Blog do Mílton Jung