Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quem manda no seu pedido de comida é o restaurante ou o aplicativo?

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Pedir comida virou um gesto automático: alguns cliques no celular e o jantar está a caminho. Esse hábito cotidiano ajuda a revelar uma disputa silenciosa que vai além da fome e do cardápio. O tema foi analisado no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN de sábado, a partir de uma pergunta simples e incômoda: quem está influenciando a escolha do consumidor: a marca do restaurante ou a do aplicativo?

A discussão parte de um dado concreto da vida urbana. Mochilas de entregadores se multiplicam pelas ruas e mostram como os aplicativos passaram a ocupar um espaço central no consumo. Para Cecília Russo, houve uma inversão relevante na lógica de decisão. “Hoje, muitas vezes, a escolha começa pelo app”, observa, ao lembrar que antes o consumidor pensava primeiro no tipo de comida e depois no restaurante. Agora entram em cena descontos, tempo de entrega e destaque na tela. A fome continua mandando, mas o algoritmo ajuda a decidir.

Esse novo caminho traz consequências diretas para quem produz a comida. Nos ambientes de marketplace, o restaurante perde parte de sua identidade. Fotos padronizadas, descrições genéricas e pouca história dificultam a diferenciação. Cecília alerta para o risco de a marca virar apenas “mais uma opção com 30% de desconto”. Quando tudo se organiza por promoção e velocidade, o valor simbólico some e o preço vira o único argumento.

O cenário fica ainda mais complexo com a expansão das dark kitchens, cozinhas que não existem no mundo físico e operam apenas para atender aos aplicativos. São marcas criadas para performar no algoritmo, pensadas para o clique e não para a experiência. Nesse modelo, o cliente escolhe pela nota, pela imagem e pelo prazo, não pela trajetória ou pelo vínculo. Construir relacionamento, aqui, é tarefa árdua.

Do outro lado da tela estão as marcas dos aplicativos. Jaime Troiano chama atenção para a mudança de confiança do consumidor. “Hoje, muitas vezes, a confiança não está no restaurante, mas na marca do aplicativo”, afirma. É o logotipo do iFood, do 99Food, do Rappi ou do Keeta que garante segurança na entrega e recebe a reclamação quando algo dá errado. Essas plataformas não vendem sabor nem memória afetiva. Vendem tempo, conveniência e menos esforço.

A estratégia passa por ocupar cada vez mais espaço na rotina doméstica, com entregas que vão além da comida: farmácia, mercado, serviços para pets. Na tentativa de se diferenciar, acabam se parecendo. Jaime lembra que há um ponto sensível nessa equação: a relação com entregadores e restaurantes. “A respeitabilidade e a construção de reputação passam por como essas marcas tratam as três pontas do sistema”, diz. Consumidor, parceiro e trabalhador formam uma triangulação que precisa ser equilibrada.

A marca do Sua Marca

O comentário deixa uma mensagem clara para negócios de todos os setores. Rapidez é requisito básico, não diferencial. O desafio está em entregar valor, criar significado e evitar a armadilha de competir apenas por preço ou conveniência imediata.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca: quantas vezes por mês você usa o serviço de delivery? E como isso impacta na estratégia das marcas

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“O serviço de delivery é inevitável para ampliar opções de relacionamento com os clientes, mas eles não são apenas entregas, eles são mais um momento de criar encantamento com as marcas e merecem essa atenção”.

Jaime Troiano

A moça se apaixonou pelas bolsas de crochê, confeccionadas por uma pequena fabricante do interior de Minas, que encontrou no Instagram. Com alguns cliques encomendou o modelo mais colorido e em menos de uma semana o produto já estava sendo entregue em casa. Mercadoria de qualidade, preço bom e prazo de entrega razoável foram insuficientes para conter a frustração com o pacote que embrulhava a bolsa. Uma maçaroca, foi como definiu em mensagem enviada à fabricante.

A historia ilustra bem o nível de exigência do consumidor que surgiu durante a pandemia. Uma gente  que deixou de comprar presencialmente para usar os serviços de entrega. Uma pesquisa feita pela Globo e a Industry Insights, identificou que 48% dos entrevistados usaram esses serviços ao menos uma vez ao mês, informaram Cecília Russo e Jaime Troiano, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Confesso que achei pouco, diante da variedade disponível no mercado, tanto de comércios que entregam em casa seus produtos quanto de empresas que exploram o serviço de entrega.

No mesmo estudo soube-se que a compra no comércio eletrônico aumentou 41% em 2020, em um dos fenômenos provocados pela pandemia. 

“Esse aumento de frequência foi bem importante para que o delivery ganhasse destaque e permanecesse fazendo sucesso, mesmo depois de algumas flexibilizações”

Cecília Russo

O setor que mais esteve ativo no delivery foi o de supermercados que cresceu em até um terço nessa modalidade de venda. Depois vieram bebidas (25%), petshops (18%) e farmácias (13%). 

“E também a pesquisa mostra a experiência multicanal de compra para entregas, que pode ser via aplicativo, pelo marketplace e até pelo whatsapp, direto com o vendedor ou fornecedor”

Cecília Russo

Ao comentar como esse crescimento do delivery impactou as marcas, Jaime Troiano faz antes uma ressalva: os números desse tipo de serviço podem estar inflados porque as pessoas ainda estão temerosas com os riscos da Covid-19. É provável que o serviço de entrega vai recuar em prol de experiências físicas. 

“Ou seja, as marcas precisam fazer esse ajuste de expectativa para terem um número mais real. Mesmo assim, esse aprendizado trará o patamar do delivery para um nível maior do que estava antes da pandemia”

Jaime Troiano

Alguns aspectos que devem ser considerados:

  1. As marcas vão se relacionar com pessoas que hoje são mais exigentes
  2. O cliente mais criterioso vai privilegiar o tempo de entrega
  3. A experiência da entrega será importante
  4. A embalagem do produto será considerada pela consumidora
  5. Eficiência no pós-venda, por exemplo em caso de troca ou reclamação.

“O delivery não pode ser impedimento para o cliente ser bem atendido se ele precisa de ajuda após a com[pra, Esse ainda é um gargalo bem grande de muitas marcas, até de marcas consagradas”

Jaime Troiano

Um aspecto que não pode ser desdenhado pois vai reverberar na imagem da marca que se utiliza do serviço e da própria empresa que faz a entrega é a relação de trabalho entre a prestadora de serviço e os entregadores. Jaime e Cecília dizem que cada vez mais isso será uma pauta de seleção de empresas de entrega, quando são contratadas diretamente. Aspecto que impacta na imagem de quem contrata e influencia na decisão de quem encomenda.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h50, no Jornal da CBN.

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