Como escolher um candidato a deputado

 

Com a mídia de olho na disputa para a presidência e quando é possível para o governo estadual, também, o espaço para discussão em relação ao trabalho legislativo fica reduzido. A própria legislação eleitoral dificulta a cobertura nas emissoras de rádio e televisão, pois exige tempos semelhantes a todos os concorrentes, o que inviabiliza qualquer debate entre candidatos a deputado estadual e federal.

As regras da propaganda eleitoral também não oferecem oportunidade para que os candidatos apareçam com mais frequência para o eleitor e os leva a realizar malabarismos para se destacar em um mundo de caras e bocas políticas que dizem a mesma coisa. Não por acaso, os partidos correm em busca de personalidades do mundo artístico e personagens exóticos capazes de chamar atenção do cidadão.

Deputados que concorrem à reeleição levam enorme vantagem, pois tiveram quatro anos para estabelecer vínculos com as comunidades e criar canais de comunicação que se transformam em uma preciosidade no período eleitoral.

Neste cenário, a responsabilidade do eleitor aumenta na mesma proporção que a dificuldade para a escolha certa. Por isso, é fundamental que nestes dias que antecedem o pleito o cidadão estabeleça critérios claros para a escolha do seu candidato à assembleia legislativa (ou Distrital, caso de Brasília) e o Congresso Nacional.

Nesta semana, o CBN São Paulo vai conversar com os ouvintes-internautas para saber qual a estratégia que usam para decidir seu voto para o parlamento. Caso você tenha sugestões de sites com informações sobre os candidatos que possam ajudar na escolha, não deixe de nos enviar.

Na edição desta segunda-feira, perguntei aos ouvintes-internautas se já haviam escolhido seu candidato e qual o critério que usam para a escolha.

Reproduzo a seguir algumas das mensagens que chegaram

Pelo Twitter

@k4rlosss pesquiso seus antepassados. Tds as emendas sugeridas e só depois vejo suas propostas futuras

@Màssao Uéhara  ninguém está escolhendo seu candidato pelo @fichalimpa ? Está tão fácil escolher pela quantidade de candidatos que se comprometeram serem #fichalimpa com transparência com quem está fazendo doações para a sua campanha

@AlmirVieira Olho sempre o candidato no Projeto Excelências e agora se ele tem #FICHALIMPA. Também analiso seus sites e onde atuam

@Zabarov Sigo de perto o meu eleito e, se merecer, mantenho o voto. Nesse pleito só votarei para DFed. O resto vou anular. Depois, adoto.

@MarcosTomazini Eu voto na legenda para que o partido, elegendo o Executivo, tenha cadeiras no parlamento

@bethgrampola procuro ver a trajetória política do candidato e quais suas propostas caso seja eleito

@rsbraun Candidato comprometido com educação. Porém como o voto é proporcional, deveríamos analisar toda a chapa da legenda.

@ antobastos Já e fiz a escolha baseada na bio do candidato, programa viável e comportamento parlamentar anterior

@ _nizer Já desisti de votar em duas candidatas depois de ver cavaletes de propaganda nas ruas

Pelo e-mail

Rodrigo Romero: Meu critério de escolha se baseia em um tripé: biografia política, realizações em mandatos (costumo não votar em estreantes) e trajetória partidária (se muda muito de partido). Acompanho todos os meus votos, durante os quatro anos de mandato. Para mim, são importantes a coerência e a competência e capacidade do candidato. Por isso, a maioria dos meus votos vão a candidatos experientes. Já escolhi todos os meus.

Cezar e Michel: Procuramos escolher nossos deputados, tanto Federal, quanto Estadual, verificando sua vida pregressa, honestidade e capacidade para o cargo.

Laércio Teodoro: A minha escolha é de acordo com a atuação do candidato, seja para primeiro mandato ou reeleição. Acompanho constantemente o candidato que  ajudei eleger, porém se vejo que ele não se compromete  com aquilo que se propôs, meu voto ele não recebe nunca mais e ainda faço campanha contra.

Fábio Boni: Não voto em quem já é deputado ou já foi. Renovação total.

96% dos projetos de deputados são de baixo impacto

 

adoteTem nota boa, sim. E tem muita nota ruim, também. Mas o maior problema dos deputados estaduais de São Paulo pode ser identificado quando se verifica os índices de produtividade nos quase quatro anos de mandato.

Dos 1.533 projetos que se transformaram em leis, 96% são de baixo impacto e se resumem a denominações de equipamentos públicos, inclusão de datas em calendário turístico, entre outros – segundo avaliação do Movimento Voto Consciente.

Não bastasse isso, o rendimento das comissões parlamentares é mínimo conforme levantamento feito pela ONG que fiscaliza a atuação na Assembleia Legislativa de São Paulo. Os encontros deveriam ocorrer às terças, quartas e quintas-feira, porém “a falta de quórum é gritante” disse Rosângela Giembinsky, coordenadora do Voto Consciente. Em média, as comissões fizeram 40 reuniões em três anos – pouco mais de 10 por ano. “Tem comissões que se reuniram cinco ou seis vezes em todo este tempo”, contou.

O resultado é preocupante a medida que a maioria dos deputados concorre à reeleição, ou seja pretende voltar ao parlamento apesar de não ter cumprido seu papel no atual mandato. Rosângela Giembinsky explica que “o levantamento do Voto Consciente tem a intenção de levar ao cidadão o trabalho do deputado dentro do parlamento”. Ela sugere que o eleitor também leve em consideração o que pensa, quais as ideias e a ação que este deputado realiza fora da Assembleia Legislativa.

Ouça a entrevista de Rosângela Giembinsky, do Voto Consciente, ao CBN SP


Veja aqui a nota dos deputados estaduais

Depois do caso Vanusa, deputado quer hino na escola

 

Aproveitando-se do ‘sucesso’ que o vídeo com a execução do Hino Nacional Brasileiro pela cantora Vanusa, na Assembleia Legislativa de São Paulo, teve no You Tube, o deputado Donisete Braga (PT-SP) divulga texto do projeto de lei de autoria dele que obriga os alunos a cantarem o “Ouviram no Ipiranga” pelo menos uma vez por semana nas escolas, públicas e particulares. O projeto, apresetado no ano passado, que já estaria em condições de ser votado em plenário, também impõe o hasteamento da bandeira. (leia aqui o texto do projeto)

“Infelizmente muita gente ainda desconhece a letra e a até a música”, diz a nota divulgada pela assessoria do deputado que não faz nenhuma menção ao que ocorreu no parlamento. Na solenidade de abertura do 1º Encontro de Agentes Públicos, Vanusa errou a letra em mais de uma estrofe. Nesta segunda, a cantora que foi sucesso nos anos 70, disse que havia ingerido dois comprimidos de remédio para labirintite, o que teria atrapalhado a performace dela. Registre-se que a cantora estava como hino em mãos, o que a exime do “crime” de desconhecer a letra.

Em São Paulo, os alunos do primeiro grau da rede pública estadual já são obrigados por lei a executar o hino. Nos jogos de futebol realizados no Estado, também. Por sinal, a lei muitas vezes é cumprida nos gramados paulistas sem que haja qualquer respeito ao símbolo nacional. Houve situações em que os jogadores aqueciam enquanto o hino tocava nos alto-falantes. Outro projeto de lei do próprio deputado petista quer obrigar as repartições públicas a hastearem as bandeiras nacional e estadual.

Lei antifumo e não adianta reclamar

Os fumantes se mobilizaram da noite de ontem para esta manhã e enviaram uma centena de mensagens a jornalistas – para este que lhe escreve, inclusive – criticando a lei anti-fumo que entrou em vigor, nesta sexta-feira. A caixa de correio de ‘milton@cbn.com.br’ acordou cheia de reclamações de ouvintes-internautas-fumantes contra o que consideram ser “brutalidade” do Estado, entre outras expressões que surgiram por aqui.

A discussão é válida, a polêmica existe e há argumentos em favor de todos os lados. Mas a reclamação chega tarde, deveria ter ocorrido durante a votação do projeto de lei do Executivo na Assembleia Legislativa. O governador José Serra, patrocinador da ideia, enviou o projeto para lá, as comissões trataram do assunto e aprovaram, foi para o plenário da Casa e os deputados estaduais, após duas votações, aceitaram. No Palácio dos Bandeirantes, a lei foi sancionada, é lógico.

Apesar de todo este trâmite poucos cidadãos se mobilizaram para debater o tema na Assembleia Legislativa. O lobby dos fumantes ficou por conta dos donos de bares e restaurantes que temem prejuízo com a perda de clientes – coisa que não acredito que aconteça, como não aconteceu em cidades como Nova York.

Que sirva de lição para todos nós. Se queremos discutir os temas que podem mexer nos nossos hábitos ou na nossa qualidade de vida, que estejamos mobilizados na hora e no local certos.

Só STF para barrar esqueleto de R$ 288 bi para exportadores

 

O Superior Tribunal Federal pode mandar de volta para a tumba um esqueleto de R$ 288 bi referente a incentivo fiscal reclamado por exportadores desde a década de 80. No dia 12 de agosto, semana que vem, se reúne para decidir se o pagamento é inconstitucional. Os deputados federais repetiram ontem o que os senadores já haviam feito: aprovaram a medida que permite o pagamento desta fortuna. Pagamento feito com dinheiro público, o nosso dinheiro.

Desde o primeiro semestre, o colunista do Blog, Carlos Magno Gibrail, vem alertando para esta conta que seria apresentada ao cidadão brasileiro. Na conversa desta quinta-feira com a Miriam Leitão, no Jornal da CBN, ela lembrou uma das muitas ironias na decisão dos deputados e senadores. Como o pagamento deste incentivo fiscal aos exportadores foi enfiado de contrabando na medida provisória que trata do projeto Minha Casa, Minha Vida, os parlamentares em nome de beneficiar os pobres, autorizaram que os ricos enchessem o bolso de dinheiro.

Miriam chamou atenção ainda para o fato de que o lobby comandado pela Fiesp de Paulo Skaf – que até pouco tempo sonhava em se eleger a um cargo público – foi duro nas últimas semanas, inclusive com assédio aos comentaristas de economia. O Governo, que finge ser contra o pagamento, apoiou a aprovação. O PSDB jogou para a galera dos exportadores. E todos os partidos – ou quase – assinaram embaixo.

Para entender mais sobre o assunto acesse os links abaixo e ouça o comentário da Miriam Leitão:

E o Senado não é mais aquele (Carlos Magno Gibrail)

De volta ao Senado (Carlos Magno Gibrail)

Ouça o comentário “O Esqueleto Levantou” de Miriam Leitão, ao Jornal da CBN

Deputados do Rio criam cota para “moções”

Saudar a D. Josefa pelos trabalhos realizados na comunidade pode ser algo que vá  enchê-la de orgulho. Regozijar-se com a conquista de um cidadão se justifica em alguns casos. Assim como louvar o trabalho de um colega. Todos estes atos estão na categoria das moções, comuns no parlamento brasileiro mas de pouquíssimo ou nenhum impacto na sociedade.

Criticados pela baixa produtividade no parlamento, os deputados estaduais do Rio de Janeiro decidiram criar uma cota para moções. Cada um dos 70 parlamentares fluminenses apenas poderá fazer 24 por ano. Convenhamos que 1.680 proposições de saudação, apoio, regozijo, louvor, repúdio ou seja lá o que for já é moção pra burro, mas pelo menos se tentará reduzir o tempo desperdiçado na Assembléia Legislativa com estas solicitações. No texto que propôs a alteração, há a informação de que apenas entre fevereiro e novembro de 2007, época na qual o projeto foi apresentado, haviam sido feitas 3.500 moções.

Ao criar a cota-moção, os deputados fluminenses cedem a pressão da ONG Transparência Brasil que, anualmente, publica levantamento sobre a produtividade das principais casas legislativas do País e destaca o elevado percentual de proposição com pouco ou nenhum impacto.

Adote um Vereador ganha versão na Assembleia

Adote um VereadorAcompanhar o trabalho do vereador Aurélio Miguel (PR-SP) motivou Mário Cesar Nogales a estender esta ação de cidadania para a Assembleia Legislativa de São Paulo. Nesta quinta-feira, ele lançou o Blog Adotei Milton Leite Filho, que fiscalizará o deputado estadual pelo DEM-SP, que está em sua primeira legislatura.

Nos primeiros posts, Nogales lista os projetos de lei apresentados pelo parlamentar desde 2007 e traz o perfil do deputado, filho do vereador Milton Leite. Curiosamente, a família Leite está na mira do cidadão, pois se o filho tem seu trabalho acompanhado por Nogales, o pai é acompanhado por Alessandro Temperini.

Aliás, foi no Blog do Adotei Milton Leite – DEM SP que tive a oportunidade de assistir ao vereador travestido de âncora de programa de televisão. Há a reprodução de vídeos do programa Sala de Visita apresentado por Milton Leite forjando entrevista com os “queridos”* representantes da cidade de Cotia e da Subprefeitura de Capela do Socorro, não por acaso região em que está centrada a base eleitoral do vereador.

* O “queridos” acima é apenas para usar adjetivo repetido todas as vezes em que o vereador se referia aos seus entrevistados.

Adote um Vereador na MTV

A campanha Adote um Vereador foi destaque no comentário político do jornalista Marcelo Soares, na MTV, que mantém o Blog E Você Com Isso, que considerou a iniciativa como uma das formas mais eficazes para se transformar o legislativo. Marcelo alerta que se você não se lixa para o político, ele também não se lixa para você. Assim, quanto mais distante do parlamento, mais gente como o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), meu conterrâneo infelizmente, conquista espaço no legislativo.

Hoje, aliás, Moraes agradeceu aos jornalistas pela divulgação que deram ao nome dele. O camarada está contando com a memória curta dos brasileiros. Ano que vem, na hora de escolher um deputado federal, talvez o nome dele se destaque entre tantos outros que estejam concorrendo, mas o eleitor não lembre mais os motivos que o levaram a aparecer na mídia.

Se você estiver atento ao trabalho no Legislativo não será vítima deste esquecimento. Adote um vereador. Adote um deputado. Adote um senador. Adote esta ideia.

Deputado paulista custa R$ 112,3 mil por mês

O salário do deputado estadual de São Paulo é de R$ 12.384,06, mas todo mês é turbinado com mais R$ 2.250,00 a título de bolsa-moradia, mesmo que ele more na capital, onde é a sede da Assembleia Legislativa. Caso do deputado do PSOL Celso Gianazzi que diz ser contra o pagamento, ter reclamado no início da legislatura, mas que segue recebendo o dinheiro, pois foi informado pela Mesa Diretora que o valor registrado em holerite tem respaldo do STF.

Os deputados de SP tem direito a 14 salários, além de verba indenizatória de R$ 17,8 por mês e R$ 76,2 mil para manter 17 funcionários no gabinete.  Junta tudo, multiplica pelas vezes que cada um desses valores são pagos, divide por 12, e você descobre que cada um deles custa para os cofres públicos de São Paulo R$ 112,3 mil por mês.

A bolsa-moradia foi criada por meio de projeto de lei no fim de dezembro de 2002 quando o presidente da Assembleia era o atual secretário municipal de Esportes Walter Feldmann. Em nome da  “igualdade”  – fraternidade teria a ver com isso também ? -, foi estendido a todos os deputados em 2003.

Ouça a entrevista com o deputado estadual Carlos Gianazzi (PSOL-SP)

Explore o atendimento ao cidadão da Assembleia

A sugestão é do ouvinte-internauta Mário do Carmo que ligou para a Assembleia Legislativa de São Paulo para criticar a falta de cuidado com o dinheiro público dos deputados estaduais que mantém uma série de regalias como a presença de número excessivo de diretores ou gabintes especiais para ex-integrantes da Mesa Diretora.

“Acredito que se houver mobilização das pessoas ligando para a Central de Atendimento ao Cidadão e registrando nossa indgnação conseguiremos pressionar os deputados”, escreveu. O telefone do C.A.C da Assembleia:

0800 77 25 377