De amor que alimenta a alma

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De amor que alimenta a alma” na voz da autora

Santa

Olá,

Às vezes parece que não se tem nada a dizer. A gente puxa daqui, estica dali e se sente oca.
Carcaça.

Quando o corpo enfraquece, a gente fica sem força para lutar.
Tudo rateia, e você não sai do lugar.
A impotência que se sente, é de assustar

Não existe receita e muito menos remédio milagroso para momentos assim.
É aguentar o tranco e se agarrar à vida.
É dizer o que se tem lá dentro, para fazer que a alma se sinta de novo bem-vinda e te faça sentir vivo sempre, e ainda.

É lutar contra o desânimo porque é ele o barqueiro que leva de nós a alma, antes do tempo previsto, quando a gente está desanimada.
Quando não acredita mais em nada.

Então, é se agarrar ao sentimento de amor que alimenta o invisível, de tal forma que o visível se fortalece e revive.

É lembrar-se de que o segundo passo depois de estar desanimado é ficar desalmado.
Passa-se a ser zumbi!
E o fim triste está aí.

Na imensidão das faces da vida, quem termina assim pena até reencontrar-se com a alma e se reconciliar com ela.

Se não me reconcilio com minha alma todos os dias da vida, se não dou boas-vindas a cada novo dia; a cada nova oportunidade, ao abrir meus olhos depois do sono;
se acredito em tudo o que vejo com os olhos do corpo,
meu corpo fica girando feito bobo da corte, tonteia, falseia e cai.

Insisto na beleza da vida. Insisto na beleza do ser humano. Insisto na possibilidade de redenção – sem obrigação -, sentindo o ar que respiro e agradecendo por ele.

Preciso disso. É o meu modo. E conto para você, não com intuito de ensinar, porque mesmo sendo educadora, não acredito nele. Acredito no aprender.

Só quem sabe aprender pode abrir o seu cardápio e oferecer amostras dos limites que percorre.

Eu teria, hoje, um catatau de gente para enviar a minha gratidão. Vou escolher dois anjos que povoam a minha vida.
Duas Silvanas.
Duas mulheres que se reconciliam com suas almas e a trazem estampada no corpo inteiro.

E você? Está agarradinho à sua alma? Tem uma gratidão especial querendo explodir no fundo do teu coração?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung e se fortalece a cada frase que compõe, sempre pensando no seu apoio para reescrever o livro “De bem com a vida mesmo que doa”