Sua Marca: “comunicar é namorar”

Reproduçao da cena de “Breakfast at Tiffany’s”

“Esqueçam aquele mito de que marca se escolhe é na hora da compra” 

Jaime Troiano

Audrey Hepburn, no papel de Holly, tem uma bebida em uma das mãos e come um sanduíche diante da vitrine da loja de luxo Tiffany, em Nova Iorque. O olhar está vidrado nas joias de uma das marcas mais desejadas do mundo. Essa cena que abre o filme “Breakfast at Tiffany’s” ou “Bonequinha de Luxo”, como foi batizado no Brasil, ilustra como funciona a relação das pessoas com as marcas.

Jaime Troiano e Cecília Russo, especialistas em branding e comentaristas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso dizem que a transformação do consumidor em cliente se assemelha a aproximação de duas pessoas que descobrem que têm coisas em comuns ou complementares:

“Não se escolhe noiva no altar. Ou seja, consumidores namoram marcas, ficam noivos e a compra é apenas a celebração do compromisso” — Cecília Russo

Aproveitando o sábado, em que se comemora o Dia dos Namorados, Jaime lembra que independentemente das formas que os namoros têm assumido, existem coisas que são clássicas:

“Uma certa química que aproxima: o olhar, o jeito, o toque ou qualquer elemento que o outro projeta e que te engancha …. o namoro não acontece porque se tem uma necessidade fria pelo outro, acontece porque tem os ingredientes típicos de um enamoramento”

As marcas também emitem sinais, mensagens, traços de sua personalidade, que são valorizados e compreendidos pelos consumidores. Cecília Russo ensina que para essa relação ser um sucesso é preciso alimentar esses sentimentos e a comunicação tem papel essencial:

“A comunicação traz esses ingredientes do namoro. Comunicar é namorar”.

Como o casal que apresenta o programa também está enamorado há muitos anos, sabe que a manutenção desta atração é sensível e precisa ser cuidada no dia a dia para que, se a relação não for eterna, ao menos seja “infinita enquanto dure”, como escreveu Vinícius de Moraes.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e saiba, também como a ideia de transformar o namorado em noivo, ou melhor, o consumidor em cliente funciona nos relacionamentos digitais:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ao ar, sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN 

O amor faz um bem danado

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de Jasmine Carter no Pexels

“E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida”

Vinicius de Moraes e Tom Jobim

Como explicar o que é o amor?

Na tentativa de decifrar esse fenômeno que acompanha a civilização humana desde os seus primórdios, surgiram mitos, lendas, poesias, músicas e, mais recentemente, estudos científicos bastante elaborados, como experimentos que utilizam a Ressonância Magnética Funcional para investigar a atividade cerebral relacionada ao amor romântico e a formação de vínculos.

Uma das áreas de maior ativação cerebral relacionada aos vínculos afetivos envolve o sistema de recompensa, um circuito cerebral que processa a informação diante da sensação de prazer.

Esse sistema é bastante antigo em termos de evolução e está relacionado à sobrevivência, permitindo que os animais tenham motivação, se engajem e mantenham comportamentos, como buscar alimento ou o sexo, possibilitando a perpetuação da espécie.

Diante de situações prazeirosas, ocorre uma liberação de substâncias químicas no cérebro, a dopamina, responsável por ativar esse sistema de recompensa. Assim, se a ação executada trouxer satisfação, prazer ou alegria, o cérebro vai registrar essa consequência e ações repetidas se seguirão, na busca por obter novamente essas sensações.

Com o amor vai acontecer algo semelhante.

Diante da pessoa pela qual se está interessado, a dopamina será liberada, ativando o sistema de recompensa cerebral, promovendo euforia e bem-estar.

Isso vai gerar o desejo de estar cada vez mais próximo dessa pessoa, repetindo-se esse ciclo, que poderia ser chamado, não à toa, de círculo vicioso.

Os estudos também apontam que outras substâncias, como a vasopressina e a oxitocina, poderiam influenciar a formação de vínculos afetivos, porém estariam associadas a maior estabilidade e segurança dos relacionamentos, reduzindo a necessidade de estar constantemente ao lado do ser amado.

De maneira simples, poderíamos associar a dopamina com a fase da paixão e o amor companheiro, mais maduro, com a oxitocina.

Mas vamos combinar, se há milênios tentamos explicar o que é o amor, não parece muito romântico, na semana do dia dos namorados, dizer que se resume a uma liberação de substâncias químicas e ativação cerebral!

Se a flecha de Eros, o deus do amor, nos atingiu, em vez de pensar em dopamina, talvez possamos nos concentrar naquelas borboletas no estômago, no coração que bate mais forte, naquele desejo de estar junto, abraçar e poder manifestar, para quem se quer bem, todo o nosso amor.

Como disse Carlos Drummond de Andrade:

“O amor foge de todas as explicações possíveis”.

Então, viva o amor! Isso faz um bem danado!

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: um Dia dos Namorados muito especial para mim

 

Botafogo 0x1 Grêmio
Brasileiro — Estádio Nilton Santos/RJ

 

Gremio x Botafogo

Jean Pyerre comemora em cena flagrada por LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O 12 de junho é dos namorados. Data criada pelo comércio, em 1949, que contaminou os corações e mexeu com as emoções. São tantos os estímulos — dos anúncios, dos colegas, dos amigos e dos amantes —- que nenhum casal se atreve a passar o dia em branco. Eu, por exemplo, passei em azul, preto e branco.

 

Um post no Instagram, um WhatsApp logo cedo, uma lembrança comprada na loja da esquina, um beijo intenso antes de levantar da cama ou uma música oferecida no rádio —- e meus ouvintes se esbaldaram em sugestões durante todo o programa que apresentei na CBN. Vale todo o artifício para revelar o seu amor. Há os que preparam surpresas, enchem a casa de rosas, escrevem cartas melosas ou servem um jantar inesquecível.

 

O dilema é que tudo isso tinha de ser feito em uma noite na qual os clubes brasileiros se despendiam por um tempo de seus torcedores. A bola só voltará a rolar no Campeonato Brasileiro na metade do mês de julho, devido a parada para a Copa América. Imagine a saudade que vão nos deixar, especialmente quando assistimos ao nosso time iniciando a prometida decolagem como é o caso do Grêmio.

 

Sei que muita gente torce o nariz para essa prioridade que os apaixonados dedicam ao futebol. Deve ter quem nos condene por gostarmos tanto de um time, por sofrermos diante das derrotas, por nos descabelarmos com o chute mal dado ou por chorarmos na inacreditável conquista. Coisa ridícula! — é o que ouço da consciência enrustida dessa turma.

 

Pensem o que quiserem. O que importa é que nossas amantes — e os amantes, também — entendem esse sentimento. Sabem que não desdenhamos da companhia, do carinho e da troca de carícia deles e delas. Nosso coração tem espaço para as diversas paixões que nos movem, desde o time de futebol que aprendemos a amar quando ainda éramos pequenos até a pessoa que escolhemos para dividir angústias, sonhos e amenidades em algum momento qualquer da vida.

 

É nesse entender que uma relação se constrói. Por isso, a noite desta quarta-feira deixou de ser um dilema para se transformar em mais uma prova de amor nesse relacionamento que já preservamos por 27 anos. Adaptamos nosso dia, curtimos nosso almoço, trocamos juras de amor durante a tarde, jantamos no intervalo do jogo e compartilhamos o presente mais incrível que eu poderia ter ganhado em um Dia dos Namorados: a camisa autografada por Geromel.

 

1978C695-8502-4A81-8583-3E4BF6338E84

A camisa de Geromel entregue pelo mano Ricardo

 

Sou fã de carteirinha do nosso zagueiro. Não bastasse o que ele representa para o Grêmio, ainda demonstra a todo momento o quão gente boa consegue ser na vida. Conheci a mãe dele na felicidade de um gol, na semifinal do Mundial de Clubes em Abu Dabhi, há dois anos — história que acredito já ter contado para você nesta Avalanche.

 

Hoje, recebi o irmão de Geromel, Ricardo, para entrevista em programa sobre negócios, carreiras e empreendedorismo que apresento na CBN. Assim que chegou, replicando o sorriso do mano, me entregou a nova camisa tricolor com a mensagem grafada em tinta: “Ao Amigo Milton Jung, Geromel”.

 

Sim, isso mesmo. O melhor presente que poderia ganhar neste Dia dos Namorados tem a marca de uma das minhas mais fortes paixões: o Grêmio. E chegou até mim pelas mãos de um cara que recém conheci, mas que há muito sabe dos meus amores.

 

O mais legal é que ela — o amor com quem compartilho, sem vergonha, minhas paixões —- sabe muito bem o quanto isso é importante para mim. E não me julga por isso. Me adora assim mesmo. É capaz de me endereçar um sorriso ao me ver vibrar sozinho na sala diante da televisão pelo golaço que Jean Pyerre, esse gênio com futebol e sobrenome de craque (leia a Avalanche anterior se ficou curioso), marcou na vitória desta noite — outro  presente a todos aqueles que adoram torcer pelo Grêmio, como eu.

 

Por seu gol, obrigado Jean Pyerre!

 

Por sua dedicatória, obrigado Geromel! 

 

Por sua compreensão, obrigado Abigail!

 

Vocês fizeram este Dia dos Namorados ainda mais especial para mim.

Avalanche Tricolor: uma questão de amor!

 

 

Grêmio 1×0 Bahia
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

IMG_8011

Geromel e Kannemann comemorar vitória (reprodução da SporTV)

 

Uma segunda-feira destinada aos namorados, àqueles casais que se aceitam como são e por isso se amam como se amam. Sabem que a perfeição não existe, porque essa somente surge quando a vida acaba. E queremos vida longa para viver ao lado de quem amamos. Um amor que explica sacrifício e compressão.

 

Sinto-me privilegiado. Há 26 anos, comemoro o Dia dos Namorados ao lado da mesma pessoa, que soube me entender, compartilhar dor e angústia, alegria e prazer por todo esse tempo. Soubemos e sabemos ceder, e isso é fundamental para que se viva em harmonia. Nos olhamos e percebemos o que desejamos. Às vezes me engano, ela poucas vezes.

 

Desde o fim de semana, dá sinais que preferia ficar em casa, nesta segunda-feira à noite: está frio lá fora, amanhã você acorda cedo, restaurantes cheios, só ficaremos nós dois, eu faço o jantar gostoso, você serve o vinho … uma desculpa atrás da outra para justificar nossa permanência.

 

Desculpas, não. Compreensão.

 

Ela sabia que o Grêmio jogaria nesta noite do Dia dos Namorados. Aliás, mais uma vez. Há três ou quatro anos, jogamos também em uma noite de 12 de junho: era um sábado, frio pelo inverno que se avizinhava e em São Paulo. Foi comigo ao Morumbi e respeitou meu sentimento porque sabia da minha alegria (naquele jogo, o resultado não foi nada bom – ainda bem que ela estava ao meu lado). Hoje, fez o mesmo, sem precisar sair de casa. Apenas preparou o ambiente para que, no calor do aquecimento elétrico, eu pudesse estar à frente da televisão no momento em que o Grêmio entrasse em campo.

 

Ficou ali bebericando o vinho comigo, enquanto o time tentava furar o bloqueio defensivo do adversário. Ao ver que o gol não saía e a ansiedade aumentava, levantou-se sem se fazer perceber. Não queria me ter sofrendo pelo resultado que não alcançávamos. Não queria me constranger. Mais uma vez respeitou meu sentimento sabendo que nada daquilo desrespeitaria a paixão que compartilhamos um pelo outro. Quando a gente se ama, compreende.

 

Eu também compreendia o Grêmio e a dificuldade para chegar ao gol. Tínhamos pela frente um adversário disposto a fechar todos os espaços possíveis e encarávamos este time encardido sem nossa formação ideal no ataque. A lesão de Barrios e o deslocamento de Luan para o comando do ataque exigiram adaptação e paciência.

 

Muita paciência.

 

Tivemos de usar todas nossas formas de atacar. No toque de bola não encontrávamos espaço, no drible não avançávamos, então era hora de usar arsenal treinado por Renato. Sim, porque o gol aos 40 minutos do segundo tempo não foi obra do acaso. Já marcamos ao menos mais dois da mesma maneira, apenas com protagonistas diferentes, neste campeonato. Cobrança de escanteio no primeiro pau, o zagueiro desvia de cabeça e a bola encontra alguém fechando em direção ao gol do outro lado. Se antes foram Kannemann e Barrios, hoje foram Geromel e Cortez.

 

A paciência, a compreensão e a  perseverança nos levaram a mais uma vitória  e nos deixaram na vice-liderança isolada do Campeonato Brasileiro. E, por isso, agradeço ao Grêmio.

 

A paciência, a compreensão e a perseverança nos levaram a construir uma família e convivermos lado a lado ao longo de todos este tempo. E, por isso, agradeço a você meu amor!