31 de março ou 1º de abril?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

563cedfc82bee127f104eb3c11-filmes-para-entender-a-ditadura-militar-no-brasil-html1

 

Golpe ou revolução?

 

Eis aí um fato que pode contribuir para dirimir a questão da melhor distância para analisar um acontecimento histórico, sem acentuado juízo de valor. Pelo menos para a nossa observação. Afinal, se passaram 55 anos e, universitário da PUC SP com 22 anos, vivenciei aqueles tensos momentos políticos e sociais. Como testemunha da diferença entre o início do movimento e sua continuidade entendemos o viés analítico que esta metamorfose gerou.

 

Por isso nos parece difícil para as gerações que vieram uma análise que neutralize pré-qualificação política. Principalmente porque o movimento militar foi gerado por forças políticas e sociais contrárias a um status quo beligerante e anárquico.

 

João Goulart pagava a conta de Jânio Quadros, que o mandara para a China e renunciara. Para assumir teve que enfrentar militares contra a sua posse. Ocupou a presidência através de plebiscito, anulando o parlamentarismo então criado como alternativa de poder.

 

A verdade é que a gestão de Jango foi desastrosa. Criando agressividade e emulando a luta de classes bem como acirrando um desmonte da hierarquia em todas as organizações. Principalmente nos quadros militares. A animosidade que hoje vivemos nas eleições e que até agora incita posições políticas antagônicas nada sociáveis não chega ao nível de intensidade daquele 1964.

 

Em 13 de março, João Goulart em comício na Central do Brasil, diante de 200 mil pessoas, assinou documento intitulado de Reformas de Base, que desapropriava refinarias e colocava sujeito a desapropriação terras subutilizadas para efeito de reforma agrária e urbana. Anistiou os participantes da Revolta dos Marinheiros encabeçada pelo cabo Anselmo, em flagrante provocação da hierarquia militar. Defendeu o voto dos analfabetos e da baixa hierarquia militar.

 

Em 19 de março, os conservadores e os representantes das classes empresariais e religiosas reagiram e criaram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, liderados pelos governadores de São Paulo, Adhemar de Barros e da Guanabara, Carlos Lacerda, e pelo Presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, com a participação da União Cívica Feminina e da FIESP. Essa manifestação realizada por uma multidão de 500 mil pessoas, com forte apelo político, econômico, religioso e feminino, se alastrou pelo resto do país.

 

Acionados, portanto, pelas lideranças civis, os militares atenderam o chamamento e destituíram Goulart. Contextualizando, é possível entender o movimento militar. Mas, o poder transfigurou o movimento. O poder não foi devolvido aos civis, que foram esmagados – Lacerda, Adhemar, Magalhães, Kubitschek, etc.
O poder só voltou aos civis depois de 21 anos.

 

É possível comemorar?

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Entrevista: Matheus Leitão conta a história do Brasil, na busca pelo delator e torturadores dos pais dele

 

52c8bc0b-7e0d-4cb1-ac08-55a33c8b2ece.jpg.640x360_q75_box-0,390,4160,2730_crop_detail

Matheus Leitão em entrevista ao Jornal da CBN

 

 

Àquela altura, não havia mais o que fazer, a não ser perguntar sem rodeios

 

– Você entregou meus pais?

 

– Oh, quando eu caí… Eu sei qual o teu problema aqui. Eu já estava te esperando. Quando eu caí, eu caí com a imprensa completa. Não tinha como dizer “eu não sou do partido”. Essa é a primeira coisa

 

(trecho do livro Em nome dos pais)

 

 

Do diálogo acima participaram o jornalista Matheus Leitão e um senhor de 73 anos, Foedes dos Santos. A conversa foi em um sítio próximo a São João do Garrafão, no Espírito Santo. A história que reuniu os dois personagens havia acontecido em 1972, quando Marcelo Netto e Miriam Leitão, pais de Matheus e parceiros de Foedes, então integrante do PCdoB, foram presos e torturados pelo Regime Militar.

 

 

A pergunta que marcou essa conversa foi o que levou Matheus a iniciar a investigação que resultou no livro “Em nome dos pais” (Intrínseca) – um trabalho profundo, íntimo e emocionante no qual o autor buscou desvendar a história sofrida por Marcelo e Miriam e nos ajudou a entender um pouco mais sobre o período em que o Brasil esteve submetido à repressão da ditadura militar.

 

Ao ser entrevistado pelo Jornal da CBN, nesta quinta-feira, Matheus contou a maneira como reagiu diante das revelações obtidas através das várias entrevistas que realizou e documentos que conseguiu ter acesso. Pois além de buscar o delator de seus pais também localizou agentes que teriam participado das sessões de tortura.

 

Algumas respostas trouxeram sentimentos contraditórios, pois provocavam repulsa e alívio ao mesmo tempo. O que parece porém lhe incomodar muito mais são as não-respostas, por exemplo as que as Forças Armadas brasileiras se negam a dar, apesar da existência de registros que poderiam esclarecer muitos dos fatos em aberto.

 

Outro incomodo: se o delator, ao fim da conversa, pediu perdão, o Exército ainda não se desculpou dos crimes que cometeu.

 

Na conversa que tivemos, ao lado de Cássia Godoy, em que falamos também do atual momento político brasileiro e do futuro da Operação Lava Jato, Matheus teve oportunidade de falar, ao vivo, com a mãe, Miriam Leitão. Ambos protagonizaram um diálogo emocionante concluído por ela com a certeza que, apesar de tudo, a história que Matheus relata no livro teve um final feliz.

 

Ouça a entrevista completa com Matheus Leitão sobre o livro, sobre a busca da verdade e sobre a luta pela liberdade. Ao fim, o diálogo dele com sua mãe:

 

Pode me chamar de Francisco: filme para ser assistido e querido por todos

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Pode Me Chamar de Francisco”
Um filme de Daniele Luchetti
Gênero: Série Biografica
País:Itália

 

Biografia do papa Francisco. Originalmente chamado de Jorge Maria Bergolio, o papa teve sua vocação descoberta em Buenos Aires, Argentina, que, em 1960, passava por uma ditadura que não poupava nem os padres. Em meio ao conturbado momento político um dos seres humanos mais benevolentes era querido por todos.

 

Por que ver:

 

Em vários momentos a série tem acontecimentos bem tensos. Sabe aquela coisa de segurar a respiração…. Então, boa parte da vida do Papa foi assim, se arriscando para ajudar ao próximo e em que acreditava ser o correto.

 

O diretor é o mesmo do filme “Meu irmão é filho único”, e para esta pegada de filme político ele realmente manda muito bem.

 

As cenas são realistas, do tamanho certo, e sem sensacionalismo ou exagero na exaltação da humanidade de Bergolio.

 

Bergolio era um homem sensacional, humano, benevolente e sempre, sempre que possível livre de julgamentos. Um Papa no sentido mais espiritual da palavra…

 

Como ver:

 

À noite é uma boa pedida. Apesar de momentos tensos, não vai te tirar o sono, nem te fazer dormir rápido demais… Pode convidar a família…Avós e etc…

 

Quando não ver:

 

Se você quiser manter a rixa Brasil x Argentina… Com este Papa seus conceitos vão mudar hahahahahahah…

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Minhocão: Costa e Silva ou João Goulart?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

4515658493_d51e003c5b_z

Minhocão em foto de Luis F.Gallo/FLickr

 

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou a mudança de denominação do popular Minhocão: de Elevado Presidente Arthur da Costa e Silva para Presidente João Goulart.

 

O Projeto de Lei de autoria do vereador Eliseu Gabriel PSB argumenta que Costa e Silva foi “um ditador responsável pelo ordenamento de inúmeros crimes contra a nação” e João Goulart “teve uma vida de luta em prol da democracia e melhoria das condições de vida da população”.

 

Entre o Presidente imposto e o Presidente deposto, pode-se deduzir que pelo julgamento do vereador sai o nome de um malfeitor para entrar um benfeitor.

 

Este ato específico é parte de um todo que se origina também da orientação da Comissão Nacional da Verdade, cujo relatório final propõe a mudança de todos os nomes de logradouros públicos que sejam de pessoas ligadas ao período ditatorial recente.

 

Pelos números do UOL a tarefa será longa, pois 717 escolas brasileiras têm nomes dos cinco presidentes do período. Ao mesmo tempo, poderá ser realizada dentro da especialização das Câmaras. Algumas estatísticas mostram que 80% das leis aprovadas são as propostas para nomear espaços, criar datas e dar título.

 

Entretanto se o revisionismo ficar a cargo de outras entidades, podemos ter o resultado de Salvador. No Colégio Estadual Presidente Garrastazu Médici votaram os professores, funcionários, estudantes e pais de alunos. Quem ganhou foi Carlos Marighela, ativista da luta armada contra o regime militar, ficando o geógrafo Milton Santos em segundo lugar.

 

3250913921_98275d2c0f_o

Intervenção pública na sinalização de rua

 

Em São Paulo, os vereadores Orlando Silva e Jamil Murad do PC do B criaram a lei que permite aos moradores trocar os nomes de militares que tenham histórico de violações contra os direitos humanos. Nesta mesma direção, Nabil Bonduki PT apresentou projeto de lei que permite a mudança pelos vereadores de ruas que tenham nomes de pessoas envolvidas na ditadura militar.

 

Como São Paulo tem mais de 65 mil ruas, com estas novas diretrizes muitas mudanças de nomes virão além do Minhocão.

 

Alguns especialistas sugerem que se discutam os critérios para o rebatismo de logradouros públicos, afinal os nomes podem ajudar na preservação da história.

 

A função de nomear não deve se restringir a homenagear, mas também a ensinar. É o caso dos bairros paulistanos dos Jardins com nomes de países, Ipiranga com nomes de fatos e personagens da Independência, Brooklin com nome de cidades americanas, Higienópolis com nomes de estados brasileiros.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

A caricatura de personagens importantes da história do Brasil

 

José Dirceu e José Genoíno, ao se apresentarem à Polícia Federal para cumprir a pena imposta pela condenação no processo do Mensalão, ergueram o braço esquerdo e cerraram o punho. Na velocidade imposta pelas novas tecnologias, a imagem ilustrou sites, redes sociais, reportagens de televisão e, com a demora de praxe, às primeiras páginas dos jornais. A ação foi pensada, eles queriam sinalizar que não se renderiam à verdade revelada durante o julgamento do Supremo Tribunal Federal. Se entregariam ao cárcere mas como presos políticos, vítimas de uma elaborada conspiração da qual teria feito parte a elite política e econômica do Brasil, refletida em seu pensamento pelos grandes veículos de comunicação, e com participação de setores derrotados nas últimas três eleições presidenciais. Um esquema, levando em consideração a tese golpista, que contou com a colaboração fundamental dos ministros do STF – curiosamente, a maioria indicada pelos governos Lula e Dilma.

 

Na Ditadura Militar, José Dirceu participou das revoltas estudantis, teve de se exilar e quando retornou ao país, se esconder. Era perseguido político, correu risco de vida mas nunca desistiu de lutar pela Democracia. Foi nela que conseguiu retomar o caminho da política, deixando a clandestinidade, concorrendo a cargos no legislativo e construindo partido que trazia o discurso de respeito à ética e ao combate à corrupção. Chegou ao poder quando conseguiu enquadrar as alas radicais do PT e promover alinhamento mais moderado na política e na economia que permitiu a Lula tornar-se presidente da República. Perdeu-se, porém, ao se envolver na compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional em uma tentativa de garantir a permanência de seu grupo no Governo Federal.

 

José Genoíno também foi para a clandestinidade para sobreviver ao Regime Militar. Contra a Ditadura, pôs mãos às armas, foi guerrilheiro e por cinco anos sofreu na cadeia, aí sim, como preso político. Com a Democracia, entrou na vida parlamentar e, com inteligência, aprofundou-se nos conhecimentos regimentais que lhe deram papel de liderança no processo de impeachment do presidente Fernando Collor. Lembro da desenvoltura dele nos corredores do legislativo negociando com parlamentares dos mais diferentes partidos e nas conversas matinais na sala de imprensa da Câmara dos Deputados enquanto se aproximava o fim lamentável do governo do primeiro presidente eleito pós-Ditadura. Um dos primeiros sinais de que seu perfil mudara foi na campanha para o Governo do Estado de São Paulo, em 2002, quando em busca do eleitor conservador adotou o discurso de Paulo Maluf de que a segurança pública se garantia com a Rota na rua. As palavras não cabiam na sua história passada e assim sofreu dupla derrota: na eleição e na biografia.

 

Durante o julgamento foi a ministra Carmem Lúcia, do STF, quem alertou que no Mensalão não se julgava a biografia dos réus mas os fatos apresentados no processo de compra de votos. Talvez por isso mesmo, ao ver Dirceu e Genoíno reproduzindo o símbolo da resistência no momento em que se transformavam em raros “políticos presos” no Brasil, o que enxerguei foi apenas a caricatura mal feita de dois personagens importantes da política brasileira. E pior, protagonizada por eles próprios.

Conte Sua História de SP: a revolução nas minhas aulas de taquigrafia

 

Por Neide de Souza Praça
Ouvinte-internauta

 

Ouça este texto que foi ao ar na CBN, sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Há algumas semanas ouvi de uma participante deste quadro que, em 1968, ela presenciou as manifestações estudantis que dominaram o país naquele período. Ao contrário dela, não tive a oportunidade de ver o presidente da UNE, mas também tenho recordações daquele tempo.

 

Nasci em São Paulo na década de 1950. Em 1968, cursava o quarto ano do ginásio (atual oitava série do ensino fundamental), e morava em Itaquera, bairro do subúrbio do município de São Paulo. Na época, o bairro era servido por trens da Central do Brasil, que precedeu a CPTM. Eram trens que, partindo da estação Roosevelt, no bairro do Brás, chegavam à cidade de Mogi das Cruzes. Itaquera ficava no meio deste trajeto, a trinta minutos do Brás. Outro meio de transporte eram os ônibus que ligavam o subúrbio ao centro da cidade transitando pela Avenida Celso Garcia, como rota principal, já congestionada. Os carros ainda eram bens de poucos.

 

Com o propósito de me preparar para o futuro, frequentava o ginásio pela manhã, no mesmo bairro onde residia, e às terças e quintas-feiras, juntamente com uma colega, fazia um curso de taquigrafia, cuja escola situava-se à Rua Riachuelo, no centro da cidade. Para chegarmos até ela, íamos de trem até o Brás, e depois pegávamos um ônibus até a região central, num percurso total de aproximadamente uma hora e meia. A Rua Riachuelo se localiza exatamente atrás da Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco. As aulas terminavam em torno de cinco da tarde, horário difícil para o retorno à Itaquera. Na época, meu pai era motorista em uma empresa que permitia que ele levasse para casa o carro que dirigia, de modo a facilitar seu acesso. Só que seu dia de trabalho se encerrava às sete da noite. Portanto, às terças e quintas, eu e minha colega esperávamos por ele para nos levar para casa. No intervalo entre o final da aula e a “carona”, passeávamos pelo centro da cidade visitando as lojas da Rua Direita, Rua José Bonifácio, Rua São Bento. Toda semana, calmamente, olhávamos as mesmas vitrines até que meu pai nos pegava em um determinado ponto na Rua Boa Vista.

 

Quando nosso curso de taquigrafia estava próximo do final, começaram as manifestações. Estávamos em sala de aula e ouvíamos os estrondos das bombas disparadas pelos militares contra os estudantes que se reuniam no Largo São Francisco. Os estrondos eram tão altos que pareciam que ocorriam na sala ao lado. O medo tomava conta dos alunos que teriam de sair às ruas após o término da aula, correndo o risco de se ver em meio ao tumulto. O que fazer para esperar pela carona de meu pai, por duas horas, em um clima tão hostil?

 

Tínhamos conhecimento do que estava ocorrendo, porém, ainda adolescentes, não dimensionávamos a situação. Ao sair às ruas, por várias vezes nos deparávamos com jovens correndo em várias direções e quase sempre havia muita fumaça. Não me lembro se as lojas fechavam as portas, provavelmente sim, mas não seriam lugar seguro.
Neste contexto, quando a aula terminava, eu e minha colega, rapidamente nos esgueirávamos pelas ruas menos tumultuadas e nos escondíamos no local que nos parecia o mais apropriado, pois o julgávamos livre de invasão: a Igreja de São Bento, no Largo São Bento, próximo à Rua Boa Vista onde às 19 horas meu pai nos apanharia.
Lembro-me que o interior da igreja era escuro, silencioso e sombrio, mas nos fazia sentir seguras. Ficávamos lá, de onde, por vezes, ouvíamos gritos e estrondos pelas ruas da região. Quando os grupos eram dispersos, saíamos de nosso refúgio, embora temêssemos ser abordadas pelos militares, ou cair no meio de novo conflito, que a cada semana se intensificava. Quando escurecia, o medo era ainda maior. Enfim, o curso terminou e voltamos ao nosso cotidiano em Itaquera, distantes das manifestações.
Foi dessa maneira que conheci a Igreja de São Bento. Hoje sei que ela é um marco da história da cidade.

 

O curso de taquigrafia valeu para eu captar com maior rapidez o conteúdo dos cursos que frequentei, mas por outro lado, me levou a ser um ator daquele momento histórico inesquecível do país.

 

Neide de Souza Praça é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br. Ou agende uma entrevista, em áudio e vídeo, no Museu da Pessoa. Para ouvir outras histórias de São Paulo vá no blog, o Blog do Mílton Jung

Campanha contra Marin tem apoio de Chico Buarque

 

 

O cantor e compositor Chico Buarque de Holanda não conseguiu assinar, mas autorizou incluir seu nome na petição pública ‘Fora Marin!, iniciativa Ivo Herzog, que teve seu pai, Vladimir, morto pela Ditadura Militar. Chico escreveu para Ivo dizendo ter encontrado dificuldade para incluir o nome dele no Avaaz, pela Internet:

“Pode divulgar Ivo, mas não consigo mesmo preencher este formulário. Deve haver outras 15 mil pessoas com a mesma dificuldade. O espaço do país simplesmente não funciona. Abraço, Chico

 

O pedido digital tem a intenção de impedir que Marin siga à frente da Confederação Brasileira de Futebol e seja o embaixador do País no evento com a importância da Copa do Mundo de 2014. Para Ivo, “ter Marin à frente da CBF é como se a Alemanha tivesse permitido um membro do antigo partido nazista ter organizando a Copa de 2006”. De acordo com a petição, Marin fez discursos públicos em favor do assassino, sequestrador e torturados Sérgio Fleury, além de ter apoiado o movimento que levou a morte e desaparecimento de centenas de brasileiros. Parte desta história foi contada pelo colega Juca Kfouri em seu blog.

 

Até à noite desta quarta-feira, havia mais de 25 mil e 600 assinaturas apoiando o pedido de afastamento do presidente da CBF: “Fora Marin”. Se quiser assinar, ou entender a petição, vá ao site do Avaaz e se tiver problema para incluir seu nome conte para a gente fazer um alerta, também.

Conte Sua História de SP: Nem o gato é mais o mesmo

 

Um dia no tradicional colégio Caetano de Campos, no ano de 1968, é o ponto de partida de mais um capítulo do Conte Sua História de São Paulo, enviado pela ouvinte-internauta Suzana de Mello. Ela era uma menina de visão romântica a assistir ao enfrentamento das tropas militares com jovens revolucionários. E a partir deste olhar, percebe o quando São Paulo mudou e muitos dos protagonistas daquela história, também:

 

Ouça o texto “Nem o gato é mais o mesmo”, de Suzana de Mello, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

Este texto foi publicado no livro Conte Sua História de São Paulo (Editora Globo). Você também pode contar outras capítulos da nossa cidade, enviando um texto para milton@cbn.com.br ou marcando uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa. O Conte Sua História vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no programa CBN SP.

Conte Sua História de São Paulo: Cidade conquistada

 

Celina Fernandez

No plano de viagem, Celinda Fernandes Aguillera ficaria com o marido e os filhos não mais do que três anos no Brasil, país no qual se refugiou da violência da Ditadura Militar no Chile. Os ditadores demoraram um pouco mais para ser banidos do mapa e a vida desta enfermeira criou raízes na capital paulista, onde vive até os dias de hoje. Tem saudades de Santiago, não o suficiente para fazê-la retornar ao país de origem.

No depoimento ao Museu da Pessoa, Celinda conta como chegou ao Brasil e registra algumas de suas primeiras lembranças na capital paulista que passam pelos encontros na Catedral da Sé às compras no Mappin:

Ouça trechos do depoimento de Celinda Fernandes Aguillera sonorizados por João Amaral

O Conte Sua História de São Paulo reúme depoimentos sobre a cidade gravados especialmente para o programa pelo Museu da Pessoa. Para participar, agende uma entrevista pelo telefone 011 2144-7150 ou acesse o site do Museu da Pessoa. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã.

Conte Sua História: Carteirinhas da Ordem (Para o Zé)

O trio na charge de Erico San Juan, enviada por Guarabyra

Ouça “Carteirinha da Ordem”

Zé Rodrix está na lista dos amigões de Guarabyra, assim como Sá. Eles tem uma amizade daquelas que todos nós gostaríamos de ter. Lá no Sul, o pessoal diria que são amigos de “escovar o dente” de porta aberta. O dizer gauchesco não se refere a escovação, a bem da verdade. O que interessa é que esses caras ao serem lembrados por nós, parece que são todos uma só pessoa: “Muito Prazer, Eu sou Sá Rodrix Guarabyra”.

Construíram suas história lado a lado. E foi para contar uma dessas peripécias que comprovam o que eu disse acima que Guttemberg Guarabyra, assim mesmo com todos o Ts e Gs, enviou um texto para o quadro Conte Sua História de São Paulo apresentando aos sábados no CBN SP, em fevereiro deste ano. Não se contentou em apenas escrever, anexou a charge do Erico San Juan na qual os três aparecem como se em um porta-retrato estivessem.

Para lembrar o trio, para homenagear Zé Rodrix e em nome da amizade, reproduzo neste sábado, o texto de Guarabyra:

Em 1973, morava no Rio e fazia parte do trio Sá, Rodrix & Guarabyra, que antes era uma dupla apenas, Sá & Rodrix. Minha adesão se deu quando, após encontrar Sá perambulando por Ipanema, soube que acabara de se separar da mulher e que ficara sem ter para onde ir, visto que a ex-esposa continuaria a ocupar o apartamento do casal.

Convidei-o, então, para morar comigo num quarto na rua Alberto de Campos, ali mesmo em Ipanema, num apartamento que eu dividia com alguns jornalistas, aparelhagem de som, instrumentos e caixas de bebidas — além das duas Marlys, serviçais da casa, de quem desconfiávamos seriamente de que completavam o ordenado com suspeitos programas noturnos.

Convite aceito, Luís Carlos Pereira de Sá, a quem também denominamos Dr. Pereira – já que possuía carteirinha da OAB, ainda na edição antiga, vermelha e vistosa — veio morar conosco. A tal carteirinha, inclusive, tirou-nos de variados apertos estrada da vida afora.

Continuar lendo