De sofrimento ao perdão, da falta de controle à resiliência: filmes, livros e histórias de um fim de semana

Reprodução do documentário Unrest

Acachapado no sofá, com o corpo imóvel diante da TV e a mente impressionada, passei pouco mais de uma hora e meia desse domingo assistindo ao americano Unrest, no Netflix. É um documentário dirigido, roteirizado e elencado por Jennifer Brea, estudante de doutorado em Harvard, que aos 28 anos, após uma febre, iniciou uma jornada incrível para descobrir que sofria da Síndrome da Fadiga Crônica.

É uma doença neurológica, segundo a Organização Mundial de Saúde, que pode se desenvolver após infecções virais —- aliás, por isso mesmo, voltou ao noticiário com a pandemia da Covid-19. Das pessoas afetadas, 75% ficam incapazes de trabalhar e 25% ficam presas à cama. Calcula-se que de 15 a 30 milhões de pessoas sofram deste mal, no mundo. As causas ainda são incertas, e o desconhecimento se expressa em crueldade e preconceitos de familiares, comunidades e médicos, como fica escancarado em Unrest. . 

Jennifer realiza quase todo o documentário de sua cama de onde mal consegue levantar, e quando o faz é por períodos curtos. Entrevista médicos, conversa com outros pacientes, mobiliza pessoas, chora, sofre e nos faz sofrer com ela e com as histórias que são contadas. 

Uma das mais chocantes é a da jovem dinamarquesa que é retirada da casa dos pais pela polícia para receber tratamento em uma clínica comandada por um médico que acredita que a doença é psicológica e a pessoa precisa ser afastada de seu habitat natural e das pessoas que supostamente realimentaram o mal que mantém o paciente doente. Sim, isso acontece na Dinamarca.

Sabe-se pelo documentário do triste fim de algumas pessoas que não suportaram a si mesmo e por não se compreenderem nem serem compreendidas desistiram de viver. 

De outro lado, vê-se a ação dedicada e generosa de pais, irmãos, amigos, médicos e maridos. Um deles é o de Jennifer que está boa parte das vezes ao lado dela nas filmagens e aceitou expor suas fragilidades, dúvidas e dramas, nos permitindo vivenciar a intimidade deles através da câmera que os acompanha —- um dos efeitos é nos deixar prostrados enquanto a história se desenvolve, como se tivéssemos sido acometidos pela fadiga (que fique claro, é apenas uma sensação que tive, porque nada, nada se compara ao que essas pessoas sofrem no cotidiano).

No coquetel de emoções  gerados por Unrest, chorei ao ouvir o marido de uma das pacientes acometidas pela síndrome revelar seu arrependimento por ter deixado a esposa na cama e as duas filhas sozinhas em casa. Abandonou a família e diz que o fez por acreditar que ele seria o motivo daquela reação da mulher. Não entendia o sofrimento dela. E sequer entendeu seu papel na relação. A dúvida que expôs, de volta ao lado da cama da esposa, era se conseguiria se redimir do tempo em que ficou afastado. Queria perdão! A medida que a luz do conhecimento se fez, os dois recasaram.

Arrependimento e perdão. Temas que também me acompanharam no fim de semana por outros caminhos. 

José Carlos De Lucca,  juiz de direito, escritor e espírita, entrevistado no canal Dez Por Cento Mais, no Youtube — que revi no sábado —- ensinou que não existe nenhum processo de desenvolvimento espiritual que não seja feito em função do amor. Ao próximo, claro, mas começando com você mesmo. E sem a pretensão de idealização. De Lucca lembra que travamos uma briga constante com o perfeccionismo:

“Querem ser um Jesus Cristo, uma Irmã Dulce, uma Madre Tereza de Calcutá, embora todos esses, à exceção de Cristo, tenham sido figuras humanas que tiveram suas rachaduras, mas que a despeito delas não se deixaram contaminar pela revolta, pelo desamor à vida” 

José Carlos De Lucca

Sugere que saibamos nos aceitar como somos, sejamos mais amigos de nós mesmos, mais pacientes. Sejamos melhores, mas não perfeitos. É na tensão que a perfeição exige de nós que se cancela o direito ao perdão. A si e aos outros. Motivo de doenças, como escreve o dr. Cláudio Domênico, no livro “Em suas mãos”, que tive oportunidade de ler também nessa folga de Corpus Christi. 

Domênico é profeta da medicina da qualidade de vida —- aquela que trata pessoas de forma preventiva, e não apenas a doença.  Há um instante em que o doutor e escritor se pergunta: “como ajudar nossos pacientes a lidar com emoções negativas, como a culpa, o arrependimento, a angústia, o medo, o egoísmo, a mágoa?”.

Fatores psicológicos negativos, escreve, com base em estudos da Associação Americana de Cardiologia, podem estar relacionados a uma série de problemas de saúde. O pessimismo aumenta a mortalidade por doença coronária em duas vezes, enquanto a ansiedade faz crescer em até cinco vezes a chance de espasmo das artérias do coração.

De acordo com pesquisadores do Centro Internacional de Saúde e Sociedade, no Reino Unido, a principal diferença entre pessoas muito ou pouco estressadas não consiste em fatores genéticos ou psíquicos, mas na sensação do indivíduo se sentir dono do próprio destino. 

E como sofremos quando estamos diante de situações que não dependem de nós. Não estão sob nosso controle.

Vivo essa experiência diariamente. Porque são esses os desafios do ser humano na sociedade contemporânea. Deparamos com diversas situações —- de nossa responsabilidade ou não —- em que a solução independe de nós. Ao mesmo tempo, assumimos riscos e fazemos escolhas, muitas erradas, que nos tornam mais vulneráveis do que somos e o destino tão incerto quanto esse mundo pode ser.

Se não nos perdoamos pelo que fizemos, não podemos pedir que sejamos perdoados. Se não aceitamos quem somos, não é justo cobrar que sejamos aceitos. Exercitar a resiliência é talvez o que esteja em nossas mãos. E para isso, convido que você assista ao TED da Dra Lucy Hone, psicóloga, do Instituto do Bem-Estar e Resiliência da Nova Zelândia, que enumera três estratégias que podem nos ajudar nessa batalha da vida e pela vida:

  1. Entender que o sofrimento faz parte da vida humana
  2. Buscar o lado bom na situação adversa
  3. Compreender se a atitude que está tomando frente ao problema está ajudando ou piorando ainda mais a situação.

Que venha o próximo fim de semana!

Cultura organizacional: American Factory e o caso Magazine Luiza

Por Milena Botelho de Moraes

Estudante de psicologia na FMU

Foto: Netflix

 

A chegada do capital chinês para irrigar terras secas de prosperidade onde o ideal americano florescia de forma exuberante no passado, descrita no documentário American Factory, que recebeu o Oscar da categoria, em 2020, revela as transformações que o mundo industrial enfrenta neste século. Os Estados Unidos, potencia maior, assistiram à destruição de parte do seu parque fabril por estarem amarrados em regras operacionais e trabalhistas incapazes de competir com os resultados alcançados por fabricantes chineses que usam a força de um regime que ainda se apresenta como comunista, mesmo que tenha absorvido princípios do capitalismo, conhecido por Capitalismo de Estado.

A câmera não-intrusiva que acompanha os movimentos dos protagonistas do documentário —- da cúpula ao chão de fábrica —-, sem censura, nos mostra muito além dessa luta entre capital e trabalho. Ao passear pela nova fábrica de vidros automotivos da chinesa Fuyao — propositalmente chamada Fuyao Glass America —, construída onde antes flanava a bandeira de um dos maiores símbolos da economia americana, a General Motors, em Moraine, Ohio, os documentaristas desvendam como é difícil construir e desconstruir culturas organizacionais quando o mesmo espaço é ocupado por pessoas que foram forjadas sob regimes tão diversos. 

Os americanos são muito devagar, diz um executivo chinês sem se importar com a câmera ligada ao seu lado. Considera-os mimados:

“tem de fazer como para escovar um burro — sempre a favor do pelo; se for no sentido contrário, há o perigo de levar um coice. ”

Entre máquinas e peças, americanos resmungam pela falta de respeito dos novos donos da fábrica aos direitos dos trabalhadores e se escandalizam com a insegurança física e operacional com que agem os chineses, tanto nas plantas industriais da China quanto na dos Estados Unidos.

Duas realidades que parecem irreconciliáveis. 

Bobby, um negro americano na casa dos 55 anos, com uma só frase resume o drama que todos vivem naquele ambiente:

“A GM me proporcionou uma ótima vida. Isso acabou quando ela fechou as portas. Nunca mais vamos ganhar uma grana tão boa na vida. Aquilo ficou no passado”. 

Para referência: o salário que era de 29 dólares por hora, caiu para 14; os 30 minutos reservados ao almoço, não são remunerados; o trabalho se estende aos fins de semana; desperdícios de segundos são punidos com demissão. A máquina chinesa não para nunca e por isso se submeter às ordens de um sindicato é inconcebível —- os executivos da China não medem esforços para impedir a entrada desta instituição até então sagrada no campo trabalhista americano. E têm sucesso na empreitada.

O documentário observacional —- como os críticos de produção cinematográfica o definem — permite que as diferentes vozes surjam expressando de forma transparente e com o sotaque natural de cada nação o choque de cultura que se trava na fábrica. Ao espectador que assiste ao embate, ora surpreso pela sinceridade das falas ora indignado pelo sofrimento que trabalhadores —- sejam americanos sejam chineses —- são submetidos, recomenda-se que reflita sobre como essa engrenagem cultural funciona no seu ambiente de trabalho.

Mesmo que aparentemente estejamos distantes do embate entre o modo de vida e de produção dos Estados Unidos e da China, sabemos que os processos de gestão extrapolam fronteiras desde sempre. Está aí a história a nos mostrar as muitas tentativas de implantarmos modelos como o Fordismo e o Toyotismo —- não por acaso um de berço americano e outro, asiático —- aqui no Brasil. Algumas vezes com sucesso, outras precisando tropicalizar a forma de agir. 

Além dos processos de produção, uma reflexão necessária —- e ainda mais importante —- neste momento é quão flexível pode ser a cultura da sua organização para entender as transformações inevitáveis da sociedade contemporânea. No Brasil, estamos assistindo a um forte movimento de conscientização que impõe mudanças internas na gestão das empresas com a busca da diversidade de gênero, de raça e social, dando direito ao trabalho a populações discriminadas e a minorias.

As ações mais contundentes e recentes surgiram por iniciativa do Grupo Magazine Luiza e da Bayer que lançaram programas de trainees exclusivamente para negros com o objetivo de incluir minorias nos locais de trabalho. Ao mesmo tempo que o anúncio da iniciativa recebeu o apoio de grupos e indivíduos que defendem a igualdade racial; surgiram críticas ao que passou a ser identificado como discriminação invertida. 

Onze ações por promover prática de racismo foram apresentadas ao Ministério Público do Trabalho de São Paulo sob a justificativa, segundo texto de um dos denunciantes de que a medida adotada pelo Magazine Luiza “impede que pessoas que não tenham o tom de pele desejado pela empresa” participem do processo seletivo. Um integrante da Defensoria Pública da União, Jovino Bento Junior, abriu Ação Civil Pública de R$ 10 milhões contra o grupo de varejo por entender que não se trata de um sistema de cotas mas de “contratação exclusiva de trabalhadores de determinada raça ou etnia em detrimento de outras que ao invés de promover igualdade de oportunidades gera exclusão de determinados (muitos, no caso) grupos de trabalhadores”.

O Ministério Público de Trabalho, em São Paulo, indeferiu todas as ações sob a justificativa de que não houve violação trabalhista, mas uma ação afirmativa de reparação histórica. Onze defensores públicos, do Grupo de Trabalho Políticas Etnorraciais da Defensoria Pública da União, publicaram uma nota de repúdio à postura do defensor Jovino Bento Júnior por não refletir “a missão e posição institucional da Defensoria Pública da União quanto à defesa dos direitos dos necessitados. Mais do que isso, contraria os direitos do grupo vulnerável cuja DPU tem o dever irrenunciável de defender”.

À crítica de que o processo seletivo do Grupo Magazine Luiza e da Bayer é discriminatório, pois permite a contratação apenas de indivíduos de uma raça, contrapõem-se a ideia da Discriminação Positiva, figura que surgiu como forma de oferecer justiça social.

“(A Discriminação Positiva) procura estabelecer equilíbrios e garantias para pessoas que historicamente, encontram-se em grupos excluídos pela sociedade. Tal instituto é o responsável por trazer as ações afirmativas, como a Lei de Cotas, o Estatuto do Deficiente, regras que possuem o intuito de inserir na sociedade aqueles que são excluídos” —- justificam Oliveira e Fagundes, em artigo escrito para o site Consultor Jurídico.

Em entrevista ao jornal O Globo, edição de 15 de outubro de 2020, o vice-presidente de Finanças da Bayer, Maurício Rodrigues, explicou a decisão da multinacional em criar o programa para candidatos negros:

“No passado, tinha a questão de que era preciso formar as pessoas, que não era possível contratar porque os negros não tinham formação etc. Já não era 100% verdade naquela época, mas as pessoas conseguiam ganhar com essa argumentação. Passados 15 anos, hoje a gente tem um contingente de pessoas bem formadas muito grande. E essas pessoas estão cada vez mais demandando espaço, também com as mídias sociais dando voz. E, dentro das empresas, há cada vez mais um interesse genuíno no que a diversidade pode proporcionar”

Em sintonia com a afirmação do executivo da Bayer, o Instituto Identidades Brasil, que atua em defesa da igualdade racial, diz que triplicou o número de negros com ensino superior, nos últimos dez anos no Brasil e isso não se reflete nas corporações sobretudo no alto escalão. É preciso mudar a cultura, torná-la mais inclusiva, disse em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN: 

“É uma pauta que tem de ser transversal; não é uma pauta só de recrutamento; é uma pauta de posicionamento; é uma pauta de comunicação; é uma pauta estratégica para toda a empresa que quer crescer para além de olhar só a metade da população do Brasil. Tem de olhar a população por inteiro”.

A partir dessa afirmação, a reflexão que se faz necessária é se, além das iniciativas empresariais, que buscam incentivar a inserção do negro no mercado de trabalho e, especialmente, a ascensão a postos de liderança, existem trabalhos internos nas corporações para que essas pessoas até então consideradas “estranhas” ao ambiente organizacional sejam recebidas com o devido respeito.

Políticas organizacionais que inspirem a inclusão terão tanto sucesso quanto conseguirem tornar a diversidade um movimento genuíno na base de seus trabalhadores. A inclusão de negros, apenas para ficarmos no campo da igualdade racial, tem de ser absorvida por todos os colaboradores e para tal é necessária uma mudança da cultura das empresas, acostumadas até aqui a manter em um mesmo ambiente pessoas que pensam e agem da mesma maneira. A diversidade é tanto uma necessidade quanto um desafio interno e externo das empresas no Brasil. 

Aos colaboradores que ainda se sentem incomodados com a “nova concorrência”, vale lembrar o que disse Bobby, um dos protagonistas do documentário American Factory, já citado neste trabalho: “aquilo ficou no passado” —- neste caso, ainda bem. Porque o futuro, não tem mais como evitar, é de quem investir na diversidade. E adaptar sua cultura organizacional a essa realidade mais rica e promissora.

Em tempo: a Fuyao Glass American que teve prejuízos no seu primeiro ano de operação nos Estados Unidos, em 2014, lucrou 24 milhões de dólares americanos, em 2018, aumento de 30% em relação ao ano anterior. Tem 2.500 funcionários americanos e chineses, apesar do forte investimento em automação. “Havia uma diferença cultural, mas passamos e conquistamos a confiança deles”, acredita Jeff Liu, CEO da Fuyao Glass American, em entrevista ao site Xinhua, dedicado a notícias da China e publicado em versão em português.

Referências:

CASO Magazine Luiza: MPT rejeita denúncias de racismo por trainee só para negros. Estadão Conteúdo. 24/09/2020. Disponível em https://www.otempo.com.br/brasil/caso-magazine-luiza-mpt-rejeita-denuncias-de-racismo-por-trainee-so-para-negros-1.2389913. Acesso em: 17/10/2020

CEO da Fuyao Glass America prevê tempos difíceis em 2020. site Xihua Português. 09/12/2019. Disponível em http://portuguese.xinhuanet.com/2019-12/09/c_138616691.htm. Acesso em: 17/10/2020

DPU entra com ação de R$ 10 milhões contra Magazine Luiza por programa de trainee exclusivo para negros. Época Negócios. 06/10/2020. Disponível em https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2020/10/dpu-entra-com-acao-de-r-10-milhoes-contra-magazine-luiza-por-programa-de-trainee-exclusivo-para-negros.html Acesso em: 17/10/2020

GRUPO  de defensores públicos repudia ação contra Magazine Luiza. Valor Econômico, 06/10/2020. Acesso em: 17/10/2020

JUNG, Mílton. Mundo Corporativo: ter negros na liderança é estratégico para empresas, diz Luana Genót, do ID_BR. 2020. 11/09/2020 (33min20s). Disponível em https://miltonjung.com.br/2020/09/11/mundo-corporativo-ter-negros-na-lideranca-e-estrategico-para-empresas-diz-luana-genot-do-id_br/. Acesso em: 17/10/2020

HIROSE, Rodrigo. American Factory, que venceu Democracia em Vertigem, é o retrato de um mundo em constante transformação. Jornal Opção. 16/02/2020. Disponível em https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/ponto-de-partida/american-factory-que-venceu-democracia-em-vertigem-e-o-retrato-de-um-mundo-em-constante-transformacao-235847/. Acesso em: 17/10/2020

O defensor Jovino Bento Júnior é o responsável pela ação protocolada na última segunda-feira. Época Negócios, 07/10/2020. Disponível em https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2020/10/dpu-entra-com-acao-de-r-10-milhoes-contra-magazine-luiza-por-programa-de-trainee-exclusivo-para-negros.html. Acesso em: 17/10/2020

OLIVEIRA, Adrielly Letícia Silva & FAGUNDES, Patrícia Fernanda de Albuquerque. O caso Magazine Luiz e a discriminação positiva. CONJUR. 26/09/2020. Disponível em https://www.conjur.com.br/2020-set-26/opiniao-magazine-luiza-discriminacao-positiva Acesso em: 17/10/2020

SETTI, Renan. Executivo da Bayer que criou trainee só pra negros sofreu preconceito na carreira: ‘Perguntaram o que eu fazia ali’. O Globo. 15/10/2020. Disponível em //blogs.oglobo.globo.com/capital/post/executivo-da-bayer-que-criou-trainee-so-pra-negros-sofreu-preconceito-na-carreira-perguntaram-o-que-eu-fazia-ali.html. Acesso em: 17/10/2020

The Social Dilemma: 14 dicas para reduzir o impacto de redes sociais e internet na sua vida

A mensagem é forte e provocadora: nós criamos o sistema e sabemos o mal que ele pode lhe causar; então, saia do sistema. É o que alertam os protagonistas do documentário The Social Dilemma, dirigido por Jeff Orlowski, que, certamente, está entre as sugestões que o Netflix lhe oferece sempre que você acessa o serviço —- e o faz baseado nos mesmos algoritmos manipuladores que são parte do sistema criticado por Tristam Harris, ex-designer ético do Google e co-fundador do Center for Humane Tecnhology e mais 20 professores, cientistas, pesquisadores, executivos, engenheiros e criadores que trabalharam nas maiores empresas de tecnologia do Vale do Silício. 

O documentário se presta a que veio: colocar uma dúvida na cabeça de cada um de nós sempre que olharmos para a tela de nosso celular. Faço por vontade própria ou estou sendo impulsionado a tomar essa decisão? Geralmente é a segunda opção, porque a engrenagem digital que está por trás dessas máquinas nos ensina a não pensar por vontade própria, nos conduz pelo caminho que lhe convier ou pelo qual seu patrocinador pagou. Causa distorções de comportamento, põe em risco sua saúde mental e o equilíbrio político que deve haver nas democracias.

Vale dedicar uma hora e meia de um só dia para assistir ao documentário e refletir sobre a manipulação que sofremos todas as vezes que acessamos o celular ou entramos na internet. É muito pouco perto das oito horas e meia, em média, que você despende clicando, arrastando, escorregando seu dedo para cima e para baixo na tela do celular em busca de imagens, vídeos, informações, comentários e da aceitação social representada por likes, corações e emojis. 

Oito horas e meia? Não acredita? Dá uma conferida no seu celular e procure “tempo de uso”. Fiz isso e tomei um susto.

Os 21 entrevistados do documentário fazem alertas, ensinam como funcionam as máquinas e sugerem caminhos para escarpamos das armadilhas digitais. Listei 14 dessas dicas:

  1. Desinstale todos os APP do celular que apenas tomam seu tempo
  2. Desligue ou reduza o número de notificações 
  3. Elimine qualquer notificação que gere vibração no seu celular
  4. Substitua o Google pelo Qwant que não armazena o histórico de busca
  5. Nunca clique em um vídeo recomendado para você no YouTube — sempre escolha você mesmo
  6. Use extensões do Chrome que removem recomendações
  7. Antes de compartilhar, cruze informações, veja outras fontes, pesquise
  8. Obtenha diferentes informações por conta própria
  9. Siga pessoas no Twitter das quais discorda para ser exposta a outros pontos de vista
  10. Se algo parece ter sido criado para lhe desestabilizar emocionalmente, provavelmente é
  11. Não deixe nenhum dispositivo nos seu quarto depois de um determinado horário da noite
  12. Permita redes sociais apenas na adolescência — a pré-adolescência já é difícil, deixe isso para depois
  13. Decida com seu filho uma quantidade de tempo para usar os dispositvos eletrônicos. Pergunte “quantas horas por dia você quer passar no seu dispositivo?” Eles costumam dizer um bom número.
  14. Saia do sistema

Depois dessas 14 dicas, duas perguntas minha:

Você tem coragem de adotar uma das sugestões acima?

O que você faz para reduzir o impacto das redes sociais na sua vida?

Avalanche Tricolor: se o Juca disse, quem sou eu para desdizer!

 

 

Grêmio 2 x 0 Veranópolis
Gaúcho – Arena do Grêmio/Porto Alegre-RS

 

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Marinho comemora mais um gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Era noite de estreia. Não na Arena. No cinema. O documentário “Vida em movimento” do meu amigo — e colega de CBN — Márcio Atalla estava sendo apresentado ao público pela primeira vez, com sessão prevista para o mesmo horário da partida do Grêmio.

 

Em situação normal de pressão e temperatura — haja vista ser uma segunda-feira –, ficaria em casa assistindo ao meu time, na última partida antes da estreia na Libertadores.

 

Mas não podia perder a oportunidade de estar ao lado de alguém que tanto admiro, em momento desta importância. Assisti ao documentário no cinema Iguatemi, aqui em São Paulo, enquanto o Grêmio cumpria mais um compromisso pelo Gaúcho.

 

Vida em Movimento relata uma série de ações e pesquisas pelo mundo que mostra o risco do sedentarismo na sociedade moderna e nos faz pensar: o que estamos fazendo com a nossa vida?

 

Soube do resultado da partida pelo aplicativo que me acompanha no celular. Primeiro gol, Marinho. Segundo gol, ele de novo. Marinho deve ter arrasado com o jogo, pensei comigo.

 

Sem chance de conferir os gols e melhores momentos, qual não foi minha surpresa, hoje cedo, ao ouvir as palavras de outro craque que tenho o prazer de ser colega de trabalho — e amigo: Juca Kfouri.

 

Comentarista do Jornal da CBN, que, na segunda-feira, resmungava a baixa qualidade do futebol jogado pela maioria dos times brasileiros, neste início de temporada, Juca teceu elogios ao meu Grêmio.

 

Disse no comentário da CBN e repetiu em seu blog no UOL:

Com dois gols de Marinho, um em cada tempo, o Grêmio chegou a 23 gols em oito jogos e mais uma vez mostrou atuação agradável de ver, sob chuva.

 

Ah, mas contra o lanterna, o Veranópolis, dirá alguém.

 

OK, e contra quem têm jogado os principais time do país? Como o Santos e o Fluminense, o Grêmio não esquece que tem gente que gosta de futebol bem jogado, não apenas de vencer.

 

Pois tem vencido e jogado bem.

 

Ah, mas o Gauchinho é mole. É, e o Paulistinha, o Carioquinha?

 

Pegue o Avenida, por exemplo, que vendeu cara a derrota para o Corinthians na Copa do Brasil e só por 1 a 0 para o Inter ontem.

 

O Grêmio enfiou-lhe meia dúzia…

 

A vantagem do Grêmio sobre o Santos e o Flu é óbvia: tem Kanneman, Geromel, Maicon, Luan, Everton, enfim, tem jogadores de mais qualidade para impor aquilo que Renato Portaluppi determina.

 

Hoje, sem concorrência, foi possível vê-lo jogar e redimiu o péssimo futebol jogado pelo Brasil afora no fim de semana.

 

O Grêmio lidera o Gauchinho, com 20 pontos ganhos….

Se o Juca disse isso, quem sou eu para desdizer.

 

PS1: Reproduzi o comentário do Juca sem pedir licença a ele; fico na expectativa de que ele me perdoe por tal atrevimento.

 

PS2:O documentário de Márcio Atalla estará no circuito de cinema, a partir do dia 28 de março. Antes, o tema será foco de reportagens no Fantástico.

Documentário mostra que esse negócio de e-Sport é coisa séria

 

 

 

 

Um jogo de xadrez moderno e dinâmico. Assim é definido o League of Legends, jogo mais jogado e disputado do mundo, em documentário que busca desmistificar a ideia que este negócio de e-Sports é brincadeira de garoto. Produzido por estudantes de jornalismo da ESPM, no vídeo são entrevistados jogadores, técnicos e jornalistas – e, assim, é revelada uma série de profissões que já existem em torno da competição, o que nos permite entender a dimensão desta modalidade eletrônica, confirmando o que venho escrevendo há algum tempo neste blog.

Promises: o conflito Israel-Palestina pelo olhar das crianças

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Promises”
Um filme de B.Z. Goldberg
Gênero: Documentário
País: USA

 

O filme foi gravado entre 1995 e 2000, tendo continuidade em 2004. É a captura do olhar de sete crianças palestinas e israelenses sobre o conflito Israel/Palestina.

 

Por que ver: estamos nos deparando com estas questões em torno deste conflito há tempos e, pelo menos eu, não consigo chegar a uma conclusão. Através deste doc., algumas perspectivas são colocadas em pauta e outras derrubadas. O olhar das crianças é muitas vezes fruto do pensamento de seus pais. Existe um ódio que não é deles, apenas uma repetição da fala dos mais velhos… O diretor, que conduz tudo com habilidade, vai quebrando tais ideias pré-concebidas com conversas e questionamentos interessantes. É engraçado como as visões viciadas se quebram aos poucos.

 

Como ver: chame aquele seu amigo jornalista, ou CDF que ama história, que será um bom debate…

 

Quando não ver: se você for do tipo de pessoa que se nega a repensar seus ódios e vícios, e, portanto, fechado a mudanças.

 

Ano novo, vida nova a todos!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos, deseja a todos um super ano!

O prestígio de Fabergé está em documentário que conta sua história desde o império

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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História, prestígio e tradição. Esses são alguns dos principais atributos de uma marca de luxo. A Fabergé, fundada em 1842 por Gustav Fabergé, é a prova disso. Famosa por sua criação de ovos com pedras preciosas, e sob a direção de seu filho, Peter Carl Fabergé, tornou-se a joalheria oficial do império russo. Verdadeiras obras-primas da joalheria produzidas por ele e sua equipe entre os séculos XIX e XX para os czares da Rússia.

 

Se uma marca de luxo tem uma história, nada mais interessante que seu público-alvo a conheça. Admiradores da Fabergé agora contam com uma novidade: a grife criou um documentário com toda sua história e tradição que pode ser conferida nas telas de cinema com o lançamento mundial do premiado documentário Fabergé: “A life on its own”. 

 

O filme mostra objetos requintados da Fabergé em detalhes impressionantes gravados através das mais avançadas lentes cinematográficas.

 

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Produzido em associação à Arts Alliance,  o documentário chegou aos cinemas em 29 de junho deste ano em países como Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Canadá, Rússia, mas ficará em cartaz por tempo limitado. Os espectadores também terão acesso às coleções particulares de alto luxo, com a participação de especialistas e entrevistas com descendentes da família Fabergé.

 

Além de descrever a ascensão de Peter Carl Fabergé quando trabalhava sob o patrocínio dos czares Alexandre III e Nicolau II, em São Petersburgo, Rússia e a expansão internacional da marca, o filme mostra também a história de um ovo imperial que estava desaparecido e que quase chegou a ser derretido por um comerciante de sucata, antes de perceber o seu verdadeiro valor.

 

Veja uma amostra da qualidade do trabalho cinematográfico no trailer do documentário:

 

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Recado dos moradores de rua aos candidatos

 

 

 

O curta-documentário “Eu Existo” foi produzido pelo Centro Acadêmico XI de Agosto com o objetivo de cobrar compromissos dos candidatos a prefeito e a vereador de São Paulo com a causa dos moradores de rua. Sebastião Nicomedes, escritor e poeta das ruas, sempre colaborando com o Blog, foi quem me chamou atenção para este trabalho do qual ele também faz parte. Conforme descrição do vídeo, os criadores se propõem “a tirar os moradores de rua da invisibilidade a qual estão condenados, colocando-os como agentes políticos capazes de expor os próprios problemas e de sugerir mudanças”.

Rua Augusta, o documentário

 

Tenho recebido muitas contribuições e sugestões de homenagens para a cidade de São Paulo que, nessa quarta-feira, completa 458 anos. Alguns textos serão usados no Conte Sua História de São Paulo, outros serão publicados aqui no Blog, nos próximos dias. Hoje, reproduzo documentário Augusta St, curta-metragem sobre a avenida que se inicia no centro da cidadem, atravessa a avenida Paulista e vai parar lá embaixo nos Jardins. Foi motivo de música e muita controvérsia, parte dela descrita neste vídeo criado por Ricardo Hirsch, Morgana Duque, Gabriel Tye e Natália Rodrigues, em uma realização do Senac-SP e sugestão da ouvinte-internauta Mia Triafa.

 

Curta:

 

Augusta St. [Documentary] from Morgana Duque on Vimeo.