Eu e minhas irmãs crescemos ouvindo minha mãe contar que, por ocasião de sua formatura do curso primário, em 1932, num grupo escolar na rua Augusta, ela cantou um hino composto, letra e música, por um maestro. Dona Lydia – Lydia Yolanda Meira – apesar de não lembrar mais o nome do maestro, sabia que ele havia pedido às alunas que não deixarem o hino cair no esquecimento.
Muitos anos passaram e já com idade avançada perseguiu o objetivo de ver o hino em partitura. O único material que tinha era um CD, gravado por um neto, onde cantou a letra que estava guardada em sua memória.
A busca continuou até que um maestro da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo se sensibilizou e presenteou-a com a partitura do Hino a São Paulo que tinha essa letra:
Letra
I
São Paulo berço formoso
De nobre gente imortal
É o meu torrão generoso
É a minha terra natal !
II
Os meus avós denodados
Vivem gigantes na história
Com seus nomes honrados
Resplandecentes de glória !
Coro:
Glória ao heroi bandeirante
Ao paulista varonil
Pioneiro, vigilante
Da grandeza do Brasil….
Hei de amar-te ó minha terra
Hei de amar-te até morrer
Quer na paz ou quer na guerra
O teu nome enaltecer !
III
Deus me conserve esta graça
De ser paulista altaneiro
E justo orgulho de raça
E do torrão brasileiro!
IV
Filho de um povo valente
Sou franco, altivo, leal
Sempre serei combatente
Da justiça e do ideal!
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Vera Mantovani e a mãe dela, Lydia Yolanda Meira, são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história, escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.
Minha certificação internacional de comunicação profissional, em parceria com a WCES, está à sua espera. Depois do evento de lançamento, realizado semana passada em São Paulo, que me deixou bastante impactado pela adesão de pessoas e pela participação de profissionais de diversas áreas, líderes empresariais, além de colegas e amigos, agora abrimos as inscrições oficialmente. Aqueles que se inscreverem neste período de pré-venda assistirão a duas aulas on-line e ao vivo ainda em outubro. As aulas on-line e gravadas estarão disponíveis em novembro.
No evento em que a certificação foi apresentada, tive o privilégio de receber Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn, que destacou a importância da comunicação no desenvolvimento profissional. Em uma lista das 10 habilidades mais procuradas no Brasil para 2024, segundo pesquisa do LinkedIn, a comunicação aparece em primeiro lugar. Entre as demais habilidades, ao menos cinco — como trabalho em equipe, negociação e liderança — exigem domínio da comunicação para serem realizadas com excelência.
Faço coro com meu parceiro de certificação, Thiago Quintino, fundador da WCES, que acredita na ideia de que “comunicação é coisa séria”. E, para tornar essa ideia uma realidade, tive o prazer de contar com a presença de profissionais renomados que participam como professores-convidados em ao menos quatro masterclasses: o filósofo Mário Sérgio Cortella, a futurista Martha Gabriel, a fonoaudióloga Leny Kyrillos e o professor franco-brasileiro de escutatória Thomas Brieu. Nessa jornada, em breve, poderei anunciar mais dois convidados que trarão ainda mais conteúdo para essa certificação.
As aulas seguem uma estrutura própria com tempo aproximado de 10 minutos cada uma, sempre trazendo casos, conceitos e considerações para que você aplique na prática e imediatamente os conhecimentos trabalhados. Nas masterclasses, com até uma hora de duração, nossos professores-convidados nos ajudam com reflexões sobre estratégia, tecnologia, ética, comportamento humano e relacionamento profissional, a partir do uso apropriado da comunicação.
Quarenta anos se passaram desde o meu primeiro dia em uma redação. Eram 10 de agosto quando sentei em frente a máquina de datilografia e os cheiros da lauda, do carbono e da tinta que imprimia as letras no papel me faziam sentir pronto para desbravar o mundo com palavras — uma ilusão, pois, não estava tão pronto assim; de verdade, ainda era um estagiário, um jovem aprendiz.
Essa trajetória que se iniciou há quatro décadas me levou às mais diversas redações e forjou minha experiência no campo da comunicação. Aprendi na lide e com os leads, entrevistando, com os entrevistados e com os colegas. Da profissão que escolhi, surgiram as oportunidades para desenvolver novos conhecimentos. E de tanto aprender peguei o gosto por ensinar. Comecei pelo microfone, depois passei aos palcos, nas palestras, e, mais tarde, às páginas dos livros. Já escrevi cinco até agora.
Começar uma nova etapa profissional, em paralelo a todas as demais que seguirei exercendo, é como folhear um livro cujas páginas ainda não revelam o que está por vir. Mas sabemos que a história será rica. Talvez seja a oportunidade de retomar alguns fatos já contados, com um novo olhar e de um novo jeito. Talvez, a chance de acessar outros conhecimentos e se espantar com o mundo de sabedoria que temos para explorar. A comunicação é uma criatura viva, inquieta. Sempre em busca de novas maneiras de se expressar, de se conectar. Não há um fim; há sempre um novo começo.
A decisão de ensinar me pareceu natural. É como compartilhar um segredo, só que sem mistério. Agora, sinto que estou entrando em uma nova fase com a produção de um curso de comunicação, que se inicia on-line e pode se expandir nos mais diversos formatos, ampliando essa conversa. Um livro em branco, pronto para ser preenchido com histórias e descobertas, mas com a vantagem de que, dessa vez, a jornada não será solitária — será acompanhada de parceiros, mestres e de cada aluno que decidir fazer parte desse percurso.
A nova aventura, que se soma a maior delas que realizo diariamente na rádio CBN, surge a partir da parceria proposta pela WCES — empresa americana de educação e consultoria. Desde os primeiros contatos, Thiago Quintino, o fundador da startup e especialista em experiência do cliente, me dizia: “Comunicação é coisa séria.” E isso me fez lembrar de uma lição que aprendi ainda criança.
Lá no início, quando eu era pequeno e andava de mãos dadas com meu pai, ele me levava ao estúdio da rádio onde apresentava o principal noticiário do Rio Grande do Sul. Enquanto ele transmitia as notícias, eu ficava quieto, sentado num canto, quase sem me mexer, consciente da seriedade daquela missão. Foi ali, naquele estúdio silencioso, que aprendi a respeitar o microfone — aquele equipamento mágico que amplificava a voz do meu pai e fazia suas palavras chegarem longe. O microfone me ensinou que comunicação é coisa séria.
A decisão de participar de um curso, nos moldes do proposto pela WCES, não é apenas um passo a mais; é um salto. É reconhecer que o mundo mudou, que a comunicação não conhece mais barreiras físicas, e o ensino também precisa se adaptar a essa nova realidade. Assim como na rádio, onde a voz precisa alcançar o ouvinte onde quer que ele esteja, o nosso curso tem essa mesma missão: chegar ao público, onde quer que ele esteja, com a mesma paixão e compromisso de quem acredita no poder da comunicação para transformar.
Nessa caminhada, tive o privilégio de contar com mestres generosos que aceitaram o convite de ampliar o conhecimento. O filósofo Mário Sérgio Cortella vai falar de ética na comunicação; a futurista Martha Gabriel compartilhará sua visão sobre a importância do pensamento crítico em tempos de transformação digital; Leny Kyrillos, fonoaudióloga e colega de diversos projetos, trará sua expertise sobre a comunicação efetiva e afetiva; e meu companheiro de livro, Thomas Brieu, vai nos mostrar como o exercício da escuta pode ser transformador para as relações humanas. Novas vozes se juntarão a nós em breve, pessoas que têm muito a ensinar e que, assim como eu, acreditam que, por meio da educação, podemos nos tornar melhores.
Este é o momento de pegar a experiência acumulada, os aprendizados ao longo da carreira, as lições de nossos parceiros e transformá-los em algo acessível, prático e, principalmente, transformador. Afinal, a comunicação é isso: uma jornada constante de troca, de aprendizado e de evolução. E agora, esse caminho se faz na tela, na conexão entre professor e aluno, num espaço virtual que promete ser tão envolvente quanto uma boa crônica.
Participe do lançamento de “Comunicação Profissional – técnicas e práticas para o sucesso no trabalho”
Convidado especial: Milton Beck, Diretor-geral do LinkedIn
Vagas limitadas
Inscrição gratuita
Dia: 26 de setembro, quinta-feira
Hora: das 19h às 21h30
Local: Edifício Milano | Espaço Olos
Avenida Mário de Andrade, 1.400, 14º andar, Água Branca/SP
No Brasil, o combate ao racismo nas escolas é uma questão de urgência cívica e social. No entanto, apenas metade das instituições de ensino público havia adotado ações contra o racismo em 2021. Para entender o cenário atual e preparar a política nacional de educação antirracista, o Ministério da Educação convocou prefeitos e secretários de educação para participarem de uma pesquisa sobre as ações desenvolvidas pelas redes de ensino para enfrentar o racismo.
É preocupante notar que, apesar da importância dessa iniciativa, a adesão dos estados mostra um cenário desigual. A Atricon informa que o estado de São Paulo teve a menor adesão até o momento, com apenas 54,3% dos prefeitos paulistas respondendo à pesquisa. Amapá (56,3%), Rondônia (57,7%), Tocantins (58,3%) e Rio Grande do Sul (59,6%) seguem nesta lista de estados com menor adesão. Em contraste, Minas Gerais alcançou 100% de adesão, com todas as 853 cidades respondendo ao levantamento. Ceará e Alagoas também tiveram adesão total.
Surge a questão: a baixa adesão dos prefeitos à pesquisa seria por receio de serem vistos como omissos no combate ao racismo? Tal hesitação poderia refletir falta de responsabilidade ou comprometimento com suas obrigações.
O MEC prepara-se para lançar a “Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola”, um passo potencialmente transformador se acompanhado de envolvimento efetivo das esferas governamentais locais. Este momento é crítico: prefeitos e secretários municipais de educação devem reconhecer a importância de sua participação ativa nesta pesquisa, que não apenas moldará políticas futuras, mas também impactará diretamente na formação cívica e cultural de jovens estudantes.
Portanto, é imperativo que todos os estados e municípios brasileiros estejam alinhados e engajados com o MEC nesse esforço conjunto. A diversidade é uma riqueza inestimável do Brasil e deve ser refletida e respeitada em nossas salas de aula. Para que isso aconteça, é essencial que cada prefeito e secretário de educação responda à chamada do MEC, ajudando a transformar nosso sistema educacional em um espaço verdadeiramente inclusivo e representativo.
“A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”.
A frase costumava ser dita por Darcy Ribeiro (1922-1997), um dos principais antropólogos, sociólogos e educadores do Brasil. A declaração era uma referência aos problemas sociais e estruturais do país, que ele tanto combatia.
De lá pra cá, muita coisa mudou. Mas as velhas adversidades persistem. Segundo o IBGE, a taxa de analfabetismo no Brasil registrou queda de 0,5 ponto percentual entre 2019 e 2022. Apesar do resultado relativamente positivo, as discrepâncias permanecem. No Nordeste, por exemplo, estão 55,3% de todos os brasileiros com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever. O analfabetismo na região alcança 11,7% da população. Já Centro-Oeste (4%), Sul (3%) e Sudeste (2,9%) possuem taxas abaixo da média nacional.
Os obstáculos mencionados acima passam pela falta de acesso ao ensino, de investimentos em gestão pedagógica, evasão escolar, dentre outros motivos. Sabemos que são problemas graves, enraizados, de difícil solução. Mas o Grupo Movimenta, que há mais de dez anos desenvolve conteúdos educacionais alinhados à BNCC, busca fazer o seu papel, contribuir para o desenvolvimento sócio-educacional e eliminar barreiras. Entendemos que os processos da educação não são estáticos. Acreditamos que a inovação e a diversificação de estratégias didáticas devem fazer parte desse desenvolvimento.
Seja no ensino público ou no privado, nos projetos do Grupo Movimenta estão as alternativas para uma forma mais diversificada do ato de ensinar, como é o caso do jogo como estratégia de aprendizagem. No programa MAJOG, por exemplo, estão incorporadas todas as facetas do ato de jogar, onde estão aplicadas toda dinâmica e estrutura do jogo e suas ramificações. Isso inclui a ludicidade, porque onde há jogo, há ludicidade, ainda que o objetivo final seja aprender conteúdos matemáticos.
Nesse processo, os projetos devem ser meticulosamente elaborados e descritos nas sequências didáticas para guiar passo a passo as intervenções do professor e as mediações necessárias durante o jogo para que ele seja verdadeiramente uma ferramenta de ensino-aprendizagem.
É comprovado que o jogo tem papel fundamental no desenvolvimento social, emocional e cognitivo dos aprendizes. Trata-se de uma ferramenta potente que propicia a problematização dos conteúdos a serem aprendidos, convocando estratégias cognitivas para a elaboração das soluções dos problemas matemáticos a serem resolvidos em situação de interação entre os pares.
O jogo incentiva a autonomia por se instaurar através da mediação pela regra, que institui também o contexto do desenvolvimento moral.
A arquitetura do jogo propõe que a sala de aula altere sua dinâmica a favor do trabalho coletivo, onde os próprios aprendizes atuam como informantes e se pode alcançar conquistas definitivas para a aprendizagem através da ação inteligente do pensamento, potencializando assim o desenvolvimento cognitivo.
Ana Cláudia Rocha é curadora da linha pedagógica do Grupo Movimenta, criadora de projetos como “Majog” e “A Voz e a Vez da Criança”.
“Não bastava trabalhar, não bastava ter boa vontade de correr e ter uma boa ideia; e, sim, também, de educação.”
Vinícius Mendes, Besouro de Fomento Social
Imagine começar um negócio do zero antes mesmo de ter uma ideia do que você pode oferecer ou criar. Esse é o desafio que Vinícius Mendes lança às pessoas que vivem nas comunidades mais carentes do país, a partir do trabalho que realiza na Besouro de Fomento Social, empresa que reúne um instituto sem fins lucrativos e uma agência que busca o lucro, criada, em Porto Alegre, em 2009. No programa Mundo Corporativo da CBN, ele compartilha como transcendeu as dificuldades iniciais para impulsionar outros a empreender, revelando que o sucesso vai além da mera inovação ou esforço – é fundamentalmente ancorado na educação.
A educação como alicerce para o empreendedorismo
Vinícius Mendes enfatiza que, para realmente prosperar e transformar uma ideia em um empreendimento de sucesso, é essencial possuir não apenas a visão ou o ímpeto, mas uma sólida compreensão dos fundamentos de negócios e uma educação empreendedora.
“O empreendedor tem muita chance de dar certo, tem riscos, mas tem muita chance mais rápido de dar certo”.
Ele ilustra essa perspectiva com sua trajetória, desde as primeiras experiências vendendo crepes na frente de escolas, passando pela criação de uma empresa de eventos, até a fundação da Besouro de Fomento Social. Sua história é um testemunho da transformação que a educação empreendedora pode engendrar, especialmente em comunidades vulneráveis.
O empreendedorismo como vetor de transformação social
A atuação da Besouro no campo da educação empreendedora visa, sobretudo, capacitar indivíduos em situação de vulnerabilidade social, oferecendo-lhes as ferramentas necessárias para identificar oportunidades de mercado e transformá-las em negócios sustentáveis. A pesquisa realizada por Mendes, tanto na Rocinha quanto em favelas da Argentina, revelou que o conhecimento específico em gestão de negócios e estratégias de mercado é crucial para o sucesso empreendedor, mesmo (ou especialmente) em contextos de recursos limitados.
“Não tenho dúvida de que o empreendedorismo já faz a diferença no nosso país e fará ainda mais quando estas pessoas compreenderem o poder que têm delas serem empresárias e empreendedoras”.
A Besouro de Fomento Social desenvolveu uma metodologia que considera as particularidades de cada indivíduo e comunidade, focando na criação de oportunidades reais de negócios que podem gerar renda sustentável e, consequentemente, promover o desenvolvimento local.
A abordagem da Besouro, ao capacitar pessoas a partir de suas próprias casas e realidades, demonstra que o empreendedorismo pode ser um caminho viável para a autonomia financeira e o empoderamento. Vinícius reflete sobre o impacto dessa capacitação na vida das pessoas, destacando que a educação empreendedora não apenas alimenta sonhos, mas os torna tangíveis e realizáveis.
“O empreendedor tem muita chance de dar certo, tem riscos, mas tem muita chance mais rápido de dar certo. Quando a gente expõe isso para quem precisa o hiperfoco toma conta e a chance de dar certo é enorme”.
Assista ao Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você ouve, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.
À medida que o avanço tecnológico redefine as fronteiras do emprego e do conhecimento, a capacitação dos jovens nesse setor se torna indispensável, não apenas como meio de inserção profissional, mas também como estratégia crucial de combate ao desemprego. No Brasil, a questão do desemprego juvenil é particularmente premente, com taxas que destacam a necessidade urgente de ação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 15% dos jovens brasileiros estão desempregados, um número que, embora menor do que nos anos anteriores, ainda representa um desafio significativo para o país e sublinha a importância de iniciativas como o Programa de Aprendizagem Impulso Digital.
Lançado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), nessa quarta-feira, em São Paulo, em parceria com Ada Tech, o Impulso Digital é um programa pioneiro com o objetivo de abrir até cinco mil vagas para jovens aprendizes no setor de tecnologia. Esse programa representa uma resposta concreta ao duplo desafio do desemprego juvenil e da demanda crescente por profissionais qualificados na economia digital.
Projetado dentro dos parâmetros da Lei da Aprendizagem, o Impulso Digital propõe uma formação integral que inclui desde competências básicas em língua inglesa até conhecimentos avançados em banco de dados e estatística, passando pela inclusão de aulas de português e matemática. Essa abordagem multifacetada não só atende às necessidades imediatas do mercado de trabalho, mas também fortalece as bases educacionais dos jovens, preparando-os para um futuro promissor no campo tecnológico.
O apoio do Movtech, uma coalizão de organizações dedicadas a fomentar investimentos sociais em educação e tecnologia, sublinha a importância de uma ação coletiva para abordar essas questões. Este grupo tem como meta mobilizar, capacitar e inserir um número cada vez maior de jovens no setor tecnológico até 2030, refletindo um compromisso com a sustentabilidade econômica e o progresso social.
Dessa forma, o Programa de Aprendizagem Impulso Digital, do CIEE, se estabelece como uma iniciativa fundamental não apenas para o enfrentamento do desemprego juvenil, mas também como um catalisador para o desenvolvimento de competências que são cruciais para o futuro do trabalho. Ao capacitar os jovens com as ferramentas necessárias para prosperar na economia digital, o programa joga uma luz de esperança sobre as estatísticas de desemprego e abre caminho para um futuro mais inclusivo e próspero para o Brasil.
seu ‘De repente sessenta’, citando Cora Coralina –,
‘com mais estrada no coração do que medo na cabeça.’” [1]
Nesse começo de ano alcanço a idade de sessenta anos!
Todos vocês já sabem como vou começar, mas, me desculpem, não há como ser diferente, senão iniciando pelo bordão: passa rápido demais…
E pior: não fosse o bendito do espelho, eu sequer me veria com sessenta anos.
Mas, chegou. E devo dizer: que ótimo, uma vez que a outra opção não é melhor, uma vez que desconheço literalmente se há “um depois”, e como ele é ou seria.
Bora, então, olhar o lado bom e místico desse novo número etário.
Nesse sentido, os olhares espiritual, mítico e da numerologia se apresentam como um belo elixir para amainar o peso dos sessenta, afinal de contas, segundo a Bíblia:
“Sessenta é o número que representa misticamente todos os perfeitos. Por isso se diz no Cântico dos Cânticos (3:7): ‘É a liteira de Salomão – isto é, a Igreja de Cristo – escoltada por sessenta guerreiros, sessenta valentes de Israel’. Também sessenta é o fruto dado pelas viúvas e continentes. Daí que se leia no Evangelho (Mt 13:23): ‘E produzirão fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um’”;[2]
No espiritismo, observo o número 60 pode ser associado a diferentes conceitos, como evolução espiritual, aprendizado, equilíbrio e transformação;
Nos enigmáticos, numerologia, horóscopo e signos, o número 60 pode ter diferentes interpretações e significados. Pode representar uma energia específica, uma influência astrológica ou até mesmo um arcano do tarot;
No Candomblé e umbanda, o número 60 pode estar relacionado a diferentes entidades, orixás ou energias espirituais. Cada um desses sistemas possui suas próprias interpretações e significados específicos”.
Na vida prática o neófito sexagenário deve, portanto, para que “todos os perfeitos” se manifestem; para exteriorizar e materializar o “aprendizado, o equilíbrio e a transformação”; fruir “energias positivas, próprias de um arcano”; e dar “interpretações e significados” apropriados a esse estágio de vida, fazer mais, diferente e novo, de novo.
Não pode ter melindres. Deve ser humilde e atento com todos os vetores de mudanças. Tem de desaprender e reaprender. Se reinventar a todo instante, a cada segundo; a cada 60 segundos; a cada minuto; a cada 60 minutos; a cada hora; a cada ciclo de cinco anos ou 60 meses; e assim sucessivamente até por muito mais de 60 anos …
Deve viver numa espécie de looping-cognitivo-alquimista capaz de transformar experiência em desempenho superior (e digital). O tempo, mesmo para o sessentão, não para.
Há um começo em cada esquina. Há sempre mais um novo; e de novo ponto a ser ligado no mosaico nexialista dessa recente casa etária.
O sessentão não pode apenas contar com o conteúdo-linear da sua bagagem de aprendizado acumulado. Ela, com certeza, é insuficiente, e, por vezes até errática culturalmente, uma vez que se permeia pela limitação da fonte que a carregou, frente às infindas oportunidades tutoriais e disruptivas agora disponibilizadas, de modo fácil e com disponível acesso a todos.
Ele tem de olhar para frente.
Ter clareza e certeza de que o para-brisa do saber é muito maior que o retrovisor das informações lineares recebidas ao longo da sua vida.
Tem de enxergar e fazer mais, mais e diferenciado. Não existe limitação de estação, saber e/ou especialidades.
“É a capacitação técnica que abre a porta para esse jovem entrar na empresa, mas é a responsabilidade comportamental, o engajamento, a responsabilidade dele, que o faz brilhar, que abre para ele as oportunidades de carreira — inclusive para as pessoas com deficiência”.
Kelly Lopres, Instituto de Oportunidade Social
A necessidade de educação digital se tornou evidente ao longo dos anos, à medida que a sociedade avançou tecnologicamente. Estar mais bem preparado para atender a essa demanda pode ser o grande diferencial para jovens e pessoas com deficiência que buscam espaço nas empresas. De olho nessa oportunidade foi que surgiu o Instituto de Oportunidade Social que tem como superintendente Kelly Lopes, entrevistada do Mundo Corporativo da CBN.
Instituto promove formação profissional
Kelly diz que o IOS tem desempenhado um papel fundamental na formação profissional e na empregabilidade de jovens entre 15 e 29 anos e pessoas com deficiência, a partir de 16 anos. Um aspecto que ela destaca é a ênfase na formação tecnológica. O Instituto aborda esse desafio fornecendo formação profissional extracurricular em tecnologia, que pode ser realizada simultaneamente ou após a conclusão do ensino médio. O objetivo é capacitar os jovens a conquistarem seu primeiro emprego ou obterem uma recolocação profissional no mercado de trabalho formal.
O Instituto, que completa 25 anos de existência, teve sua origem em uma iniciativa da empresa Totvs, que segue sendo sua principal mantenedora. No entanto, ao longo dos anos, o IOS estabeleceu parcerias com outras empresas, como Dell e 3M no Brasil, além de colaborar com órgãos governamentais municipais e estaduais em São Paulo e Minas Gerais, por meio de projetos de incentivo fiscal e fundos de defesa das crianças e adolescentes.
O desafio de jovens e pessoas com deficiência
Um dos principais desafios enfrentados pelos jovens na busca por emprego é a falta de preparação do ambiente escolar para o mercado de trabalho. A educação básica não costuma abordar as habilidades técnicas e comportamentais necessárias no mundo corporativo, avalia Kelly . Além disso, a maioria dos jovens não recebe orientação sobre suas opções de carreira ou mentoria. Por outro lado, as empresas enfrentam desafios relacionados à digitalização do processo seletivo, que pode tornar difícil identificar os verdadeiros talentos entre os candidatos.
“O nosso jovem brasileiro, ele é o jovem do corre, ele é o jovem que faz as coisas acontecer. Está faltando para ele referência, mentoria, cuidado e acolhimento. Principalmente, agora no pós-pandemia. No Instituto, a gente faz esse complemento, esse atendimento niversal do indivíduo. E aí é quase uma mágica”.
Taxa de desemprego entre jovens é enorme
Kelly enfatiza que o IOS se preocupa em promover a educação digital, preparando os jovens para lidar com as ferramentas tecnológicas usadas no ambiente corporativo. Muitos jovens estão conectados digitalmente, mas não possuem as habilidades necessárias para se destacarem no mercado de trabalho.
O público-alvo do IOS são jovens de 15 a 29 anos, com a maioria situada na faixa etária de 15 a 21 anos. Esses jovens frequentemente enfrentam altas taxas de desemprego, mesmo com incentivos existentes. Kelly destaca a importância de proporcionar oportunidades de capacitação e emprego para essa faixa etária.
Desafio é maior entre pessoas com deficiência
Quando se trata de pessoas com deficiência, a situação é ainda mais desafiadora. Muitas vezes, elas enfrentam dificuldades não apenas na educação formal, mas também no acesso à tecnologia e no entendimento do mundo corporativo. A falta de acesso à educação inclusiva e a falta de apoio adequado contribuem para a exclusão dessas pessoas do mercado de trabalho formal.
No entanto, o IOS está fazendo a diferença na vida dessas pessoas, oferecendo formação profissional e apoio psicossocial sob demanda, diz Kelly. Os resultados são impressionantes, com uma média de 65% de empregabilidade bem-sucedida para os jovens formados pelo Instituto e até 80% para pessoas com deficiência.
O IOS não se limita apenas à capacitação. Também trabalha com empresas para sensibilizá-las sobre a importância da diversidade e inclusão, ajudando a criar oportunidades para jovens e pessoas com deficiência. Além disso, o Instituto auxilia na preparação das empresas para receberem esses profissionais e promove a conscientização e o treinamento de lideranças sobre como apoiar e incluir esses colaboradores.
“É importante a gente também mostrar para as empresas que a gente pode apoiá-las na questão da diversidade, porque o nosso jovem é diverso. Estou atendendo jovem da escola pública, muitos em situação de vulnerabilidade, pessoas negras, pessoas com deficiência, o público LGBTQIA+. É um público diverso que a gente está atendendo e isso também traz valor para a empresa”.
Uma história inspiradora
Kelly compartilha uma história inspiradora de uma jovem chamada Beatriz, que superou desafios e encontrou sucesso profissional após participar dos cursos do IOS. Beatriz, uma jovem negra da periferia de Diadema, ingressou no Instituto, fez cursos de tecnologia e gestão empresarial e conseguiu se destacar em um processo seletivo em uma grande multinacional de tecnologia. Sua jornada de superação demonstra o potencial dos jovens quando recebem oportunidades adequadas.
No Brasil, a educação técnica de nível médio ainda é subutilizada, com apenas 11% dos jovens tendo acesso a esse tipo de formação. Kelly enfatiza a importância de levar a capacitação técnica para dentro das escolas, capacitando professores e promovendo o voluntariado corporativo para ampliar as oportunidades para os jovens.
Ao final da entrevista, Kelly destacou que a tecnologia não deve ser apenas uma ferramenta, mas também um meio para empoderar jovens e pessoas com deficiência. A capacitação e o desenvolvimento de habilidades comportamentais são essenciais para abrir portas para esses indivíduos no mercado de trabalho.
Assista à entrevista completa com Kelly Lopes no Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo da CBN pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no canal da CBN No You Tube. O programa tem a colaboração de Renato Barcellos, Larissa Machado, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
Nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti
“Cada vez mais é importante que a sociedade se mobilize porque é dessa forma que a gente vai transformar a potência do jovem numa realidade para o país”.
Julio Campos, Movimento Jovens do Brasil
A população brasileira está prestes a assistir uma transformação no seu perfil demográfico. Atualmente, ainda temos uma quantidade enorme de jovens e adultos com potencial de levarem o país ao crescimento econômico e a dar um salto de qualidade. É o que os técnicos chamam de “bônus demográfico” — mais jovens e adultos do que idosos e dependentes da Previdência Social. Haverá, porém, uma queda expressiva da população e o aumento no número de idosos se acentuará — e diante dessa transição virá o “bônus demográfico”. Mais gente sendo sustentada pela Previdência, menos produzindo.
Temos uma janela de oportunidade se fechando e será preciso investir fortemente na juventude para inserir essa população no mercado de trabalho. Esse é um dos desafios do Movimento Jovens do Brasil uma iniciativa de Luiza Helena, do Magazine Luiza, e de Julio Campus, CEO da Compra Agora, que surgiu em 2018. Entrevistado pelo Mundo Corporativo, Julio disse que a educação é o fator primordial para inclusão dos jovens, oferecendo-lhes escolhas e preparo adequado.
“O acesso à educação e às oportunidades são fundamentais para que os jovens possam avançar em suas carreiras”.
O movimento tem como objetivo oferecer treinamento de habilidades técnicas, cognitivas, emocionais e sociais aos jovens, capacitá-los para que se tornem agentes de transformação na sociedade, conectá-los a oportunidades de trabalho e promover o diálogo entre gerações, unindo jovens e jovens por mais tempo — expressão que a instituição usa para identificar os mais velhos que se dispõem a colaborar nessa transformação.
Dentro do Movimento Jovens do Brasil, são trabalhados quatro pilares essenciais: desbravar, transformar, conectar e dialogar. Através dessas trilhas, o movimento busca fortalecer os jovens e prepará-los para o mercado de trabalho. A trilha do desbravar engloba a capacitação técnica, cognitiva e emocional. Já a trilha de ser um agente de transformação convida os jovens a exercitar um pensamento crítico sobre políticas públicas e seu papel na sociedade. O movimento também conecta os jovens às oportunidades de trabalho e cursos disponíveis. Por fim, a promoção do diálogo intergeracional fortalece tanto os jovens quanto aqueles que já têm mais experiência, incentivando a compreensão mútua.
Júlio também destaca a importância da mobilização da sociedade em auxiliar os jovens, especialmente aqueles que vivem em áreas periféricas, a superar as barreiras e alcançar seu potencial máximo. É importante destacar que o Movimento Jovens do Brasil busca formar jovens multiplicadores, capazes de impactar positivamente suas comunidades. Através do voluntariado e do entendimento de seu papel como cidadãos, esses jovens podem devolver ao seu território as oportunidades que receberam.
“Acho isso extremamente potente. Porque você traz gente que fala a linguagem dos seus semelhante, do seu igual, ele entende aquela realidade. Então, ninguém melhor do que ele para poder passar esse conhecimento. Então, a gente forma o jovem voluntário para que ele possa ser se agente multiplicador na sociedade.”
Para saber como participar desse projeto, seja em busca das oportunidades de conhecimento existente seja diante da possibilidade de oferecer o seu conhecimento ao movimento, visite o site jovensdobrasil.org.
Assista à entrevista completa com Julio Campos, do Movimento Jovens do Brasil, ao Mundo Corporativo que teve às participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.