De elevador de serviço, do significado do termo ‘empregada doméstica’, de preconceito e…

 


Por Maria Lucia Solla

 

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A frase que apresenta o texto de hoje é longa, mas o tema não tem começo nem tem fim! Fazer o quê!

 

Começar por onde, para tentar exterminar o preconceito (ou escapar das suas garras) daquele que se considera mais do que outro, numa escala nunca dantes sonhada? O que fazer para fugir das gotas venenosas e manipuladoras diárias, a que somos sujeitos sem trégua? Gotas que tornam escorregadio o caminho do nosso dia, do nosso crescimento, que nos rasgam as ideias, as puxam pelos cabelos, sem dó nem piedade tentando nos fazer engolir, cada um a sua receita redentora, fazendo-nos parecer um bando de Mentecaptus condecorados pela Ordem Maior, cada um do seu lado do rio.

 

E a gente engata, sabe como é, não é? Cada circo que passa nos distrai mais do que o outro. Coisa do Demo, só pode! É mais satisfatório enxugar gelo. Ao menos termina no final.

 

Mas o que tem me incomodado já há tempo! são as regras de uso dos elevadores sociais e os de serviço,mais ou menos, rígidas, dependendo do condomínio onde a gente mora.

 

A Silvana se lembra de quando trabalhava lá em casa. Uma mulher linda, mãe, esposa, inteligente, bom papo, trabalhava dois turnos, um no meu vizinho e outro no meu apartamento. Excelente em tudo o que fazia, e olha que os dotes dela não eram nada comuns, na cozinha e na faxina. No terceiro turno cursava Pedagogia, e acompanhava os estudos das meninas, de madrugada, se fosse preciso.

 

Ela tinha que subir e descer pelo elevador de serviço, mesmo que ele estivesse sendo usado para descer o lixo dos apartamentos de todos os andares, os trecos da reforma de algum apartamento e os cachorros.

 

Eu não conseguia entender a razão! Ela não tinha as solas das botas sujas de cimento, não estava manchada nem escorrendo óleo de caminhão, fazendo mudança para dentro ou para fora, nem carregando uma sacola de peixes. E mesmo que estivesse. Tive um vizinho que tomava banho de perfume, ao menos duas vezes por dia. Como ele morava abaixo do meu apartamento, o cheiro subia ligeirinho, e entrava pela janela da cozinha, onde eu estava cozinhando, e ligeirinho, ligeirinho, atingia a casa toda. Nesse caso eu concordaria com que ele devesse usar o elevador de serviço, como eu também, se carregasse uma sacola de peixes.

 

Alguém me explica, por favor, o que faz o empregado doméstico diferente do empregado não doméstico? Por que empregado doméstico tem que usar o elevador de serviço? Ele faz a tua cama, a comida que você come, lava a louça onde você vai comer, tem acesso a tudo, ou quase tudo, na tua casa, lava a mamadeira do teu filho e tem que usar um elevador que é de serviço? O nome para mim é claro. Leva tijolos, lixo, funcionários e moradores, trabalhadores que são empregados e trabalhadores que empregam, na faixa de salário que for, quando estiverem portando malas, sacolama do super, a bicicleta do filho ou a casinha de boneca da filha. O cachorro-com-coleira-de-rubis e o vira-lata-sem-vergonha.

 

Faltam em nós, consciência, coerência, humanidade e uma pitada de realidade, entre outros ingredientes.

 

Ah, antes que eu me esqueça, os oito ladrões que invadiram meu apartamento, por duas horas e meia, com armas na minha cabeça, roubando tudo, e aterrorizando com facas e todo o horror que estava na minha história, e não na tua, subiram pelo elevador social.

 

Síndicos, uni-vos!
Ou não.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

E agora estão inventando o pedágio urbano …

 

Por Julio Tannus

 

Eh, eh, eh… São Paulo… São Paulo da garoa, São Paulo terra boa!

 

Parece que esse tempo já não existe mais…

 

Nossa cidade está chegando ao fim?

 

Ruas congestionadas, transporte público precário, motoristas imprudentes, arrastões a condomínios, assaltos à luz do dia, ensino público deficiente, professores mal pagos, um sem fim de impostos municipais, impostos cada vez mais elevados, ruas mal iluminadas, ruas esburacadas, calçadas intransitáveis, cracolândia espalhada pela cidade… E assim por diante!

 

E agora estão inventando o pedágio urbano. Já não chega a imensa carga tributária municipal, estadual e federal, temos agora que arcar com mais esse tributo!

 

Em minha opinião, enquanto não detivermos a exploração imobiliária indiscriminada, a falta de investimento sério no transporte público, a recuperação de ferrovias pelo país afora, a participação das comunidades na definição de prioridades para a cidade, a transparência na aplicação dos valores arrecadados através dos tributos, e uma revisão competente e com participação cidadã do plano piloto da cidade, viveremos em estado de calamidade.

 

Como presidente de uma associação de moradores de bairro, e a convite da prefeitura de São Paulo, participei, no passado relativamente recente, de reuniões sobre o Plano Diretor da cidade. Só faltou sair tiros! Descobriu-se que alguns dos presentes tinham sido “comprados” para representar interesses escusos à população.

 

Outro fato: todos os condomínios de São Paulo estão obrigados a recolher um tributo municipal, que é uma taxa de fiscalização, para cada elevador existente na edificação. Bem, moro em um edifício construído nos anos 60, desde então nunca apareceu um representante da prefeitura para, atendendo ao objetivo do dito imposto, fazer a fiscalização de qualquer dos elevadores existentes. Então pergunto: para onde vai o dinheiro arrecado?

 

Diante desse quadro, penso que nossa passividade transforma-se em permissividade, apesar de alguns dados de pesquisa junto à população apontar as áreas de serviço como as mais críticas de nosso país. Vejamos os dados abaixo:

O INSC é uma medida de satisfação do consumidor brasileiro.
 Ele é nacional e seu objetivo é avaliar a qualidade dos bens de consumo e serviços com base na opinião do consumidor. Essa opinião é publicada espontaneamente na internet e refere-se a bens de consumo e serviços dos vários setores representativos da economia brasileira. Conforme pode ser observado na tabela acima, os piores resultados referem-se aos serviços: Transporte Metropolitano, Energia Elétrica, Telecomunicações.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Escreve às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung.

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