Sua Marca Será um Sucesso: Por que a Coca-Cola muda sem perder o reconhecimento?

Coca-Cola Nova Marca

Mudar pode ser uma necessidade para uma marca. O desafio está em fazer isso sem romper a relação de confiança construída com o público ao longo do tempo. Esse foi o tema do ‘Sua Marca Será um Sucesso’ com Jaime Troiano e Cecília Russo no Jornal da CBN, inspirado na mudança e visualização da identidade da Coca-Cola.

Sempre que uma marca conhecida globalmente muda sua aparência, há reações instantâneas. Alguns elogiam, outros criticam e alguns argumentam que a mudança era necessária. Para a Coca-Cola, a transformação foi sutil. O logotipo tradicional foi mantido, a faixa branca voltou ao logotipo na embalagem e a identidade visual da família de produtos começou a se alinhar com o antigo.

Cecília Russo diz que o maior risco nem sempre é mudar. Em muitos casos, o perigo é ficar parado enquanto o mercado, os consumidores e a cultura mudam. Ela nos lembra que a evolução da identidade visual não se limita ao design de um logotipo. Trata-se de como a marca acompanha os tempos sem abrir mão do que a tornou reconhecível.

A história da Coca-Cola nos ajuda a entender esse processo. A cor vermelha, os elementos gráficos simplificados, a tipografia reorganizada e a embalagem da empresa foram gradualmente alterados ao longo de mais de um século. Essas são mudanças quase invisíveis por si só, mas que funcionam juntas para manter a marca em funcionamento sem estranhamento.

A estratégia é uma grande expressão de um princípio essencial de branding: inovação não significa romper com o passado. Significa manter o que é a essência da marca para permanecer relevante.

Na verdade, Jaime Troiano expande essa reflexão para uma ideia fundamental de construção de marca: consistência. Ele afirma que os clientes desenvolvem relações de confiança uma vez que conhecem uma marca ao longo do tempo e sabem o que esperar dela. “As pessoas constroem relações de confiança quando reconhecem uma marca ao longo do tempo”, diz Jaime Troiano. “Elas sabem o que esperar dela, sem medo de serem traídas pela marca.”

Para explicar essa ideia, Jaime faz uma comparação com as próprias pessoas. As pessoas evoluem seu modo de vestir, trabalhar e até falar ao longo da vida, mas ainda são identificadas pelo que veem e pelo que são. De certa forma, é assim com as marcas. A identidade visual da marca pode evoluir se o significado da marca ainda for reconhecível.

É essa lógica que nos permite entender por que mudanças muito abruptas tendem a ser recebidas com resistência. Quando uma empresa descarta coisas que simbolizam a história da empresa, corre o risco de romper o vínculo emocional que foi construído ao longo de décadas. Um exemplo foi a Jaguar, marca inglesa de carros de luxo, que foi obrigada a revisar uma mudança de identidade, que havia gerado uma enorme reação pública por não levar em conta coisas consideradas essenciais para o seu público.

No caso da Coca-Cola, a avaliação é que a empresa encontrou um equilíbrio entre renovação e continuidade. Como resumiu Jaime, a marca “promoveu uma mudança, sinalizou que está se movimentando”, mas, como a Cecília falou, preservou o essencial na busca do novo.”

Saiba mais em “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o case infeliz da Jaguar” e no artigo “O Jaguar ferido: se algo pode dar errado, dará”.

A Marca da Sua Marca

Com boas marcas, a evolução é um processo constante. A mudança é possível e deve acontecer se não destruir a confiança, o reconhecimento e o significado que são construídos ao longo do tempo.

Ouça Sua Marca Será um Sucesso

Sua Marca Será um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após as 7h50, no Jornal da CBN, com apresentação de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Dez Por Cento Mais: Daniela Dib mostra como transformar o banho em um ritual de autocuidado

“Esteja aberta para você mesma. Você pode se surpreender.”

Um gesto que costuma durar poucos minutos e ser tratado apenas como parte da rotina pode se transformar em um momento de pausa, presença e cuidado consigo. Essa é a proposta da empreendedora Daniela Dib, que criou uma linha de produtos inspirada em experiências vividas em viagens e em uma necessidade pessoal de hidratação da pele. 

Em entrevista ao programa Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa, Daniella contou que a ideia nasceu de uma dificuldade que a acompanhava desde a adolescência. Com a pele muito ressecada, ela buscava alternativas que oferecessem mais do que hidratação. A inspiração surgiu de forma inesperada. “O projeto se formou todo nessa primeira fungada, literalmente, de um produto presente”, contou, ao lembrar o momento em que experimentou um óleo recebido de presente da irmã.

Do comércio às experiências sensoriais

Formada em Comunicação Social, Daniela construiu a carreira na empresa da família, tradicional comerciante da Rua 25 de Março, em São Paulo. Participou da implantação do comércio eletrônico ainda no início dos anos 2000 e afirma que o contato diário com consumidores foi uma escola para compreender as pessoas.

Segundo ela, o novo negócio não surgiu para substituir sua trajetória anterior, mas para ampliá-la. A marca nasceu da combinação entre uma necessidade pessoal, lembranças de viagens ao Oriente Médio e o desejo de oferecer uma experiência de autocuidado dentro de casa.

“O banho virou uma rotina corrida, obrigatória, de higiene. Acho que a gente pode fazer muito mais pelo nosso prazer, pela nossa pele”, afirmou.

A proposta é transformar um hábito cotidiano em um momento de desaceleração. “Essa pausa que já acontece na rotina diária pode ser melhor aproveitada para si mesmo, para o seu corpo, para sua alma”, disse.

Um projeto construído a partir da própria necessidade

Daniela explica que o desenvolvimento dos produtos levou quase três anos. O maior desafio foi criar uma fragrância capaz de despertar memórias e transportar a pessoa para outras experiências.

“Eu não queria só um cheiro bom. Queria um cheiro que te transportasse, que te viajasse no tempo, no espaço, em si mesma”, relatou.

A linha foi desenvolvida com fórmulas de alta concentração de ingredientes de origem natural, tendo como base óleos vegetais como palmiste, argão, abacate e semente de romã. A escolha, segundo ela, buscou unir hidratação intensa, perfumação duradoura e menor impacto ambiental.

Reinvenção depois dos 50

O projeto começou quando Daniela já tinha mais de 50 anos, continuava trabalhando na empresa da família e conciliava a rotina profissional com a maternidade.

Ela afirma que não precisou abandonar a carreira construída ao longo de décadas para iniciar um novo empreendimento. Ao contrário, procurou somar experiências.

“Ter me permitido realizar um sonho meu foi um prazer enorme. Foi puxado, mas foi uma delícia”, resumiu.

Ao refletir sobre esse período da vida, ela reconhece que passou muitos anos deixando suas próprias necessidades em segundo plano.

“Já me vejo melhor posicionada na minha própria agenda. Não estou mais no fim da minha lista”, afirmou.

No encerramento da entrevista, Daniela deixou uma mensagem para quem pensa em começar um novo projeto ou experimentar novos caminhos.

“Eu nunca planejei nada do que aconteceu. Não feche nenhuma porta para você mesma. Você pode se surpreender.”

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Mundo Corporativo: Bruna Vaz e Fábio Rodas, da Shopper, falam do desafio de crescer rápido com visão de longo prazo

Mundo Corporativo com Bruna Vaz e Fabio Rodas
Bruna e Fábio, da Shopper, em entrevista ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A gente tem que ter pressa para fazer rápido, para crescer rápido, só que na hora de pensar em colher o que a gente tá plantando, tem que ter uma paciência de monge” Fábio Rodas

O varejo alimentar ainda é dominado pelo modelo tradicional: cerca de 97% das compras são feitas em lojas físicas, mesmo com o avanço das plataformas digitais e das mudanças no comportamento do consumidor. Foi nesse ambiente que surgiu a Shopper, um supermercado online criado para testar se as pessoas estariam dispostas a mudar seus hábitos — tema de entrevista de Bruna Vaz e Fábio Rodas ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

A empresa nasceu em 2015 com um experimento simples, feito na faculdade. Um site que não permitia concluir a compra. A proposta era medir interesse. “Olha, desculpa, a gente ainda não atende a sua região”, informava a página após o cadastro. A estratégia funcionou. Em poucos meses, os fundadores perceberam que havia demanda.

Depois do teste que exigiu um investimento de R$ 28 mil, o passo seguinte foi iniciar a operação do negócio ainda com recursos limitados. “Éramos nós, eu e Bruna… a gente ia para o supermercado… empacotava e entregava”, contou Fábio.

Crescimento com aprendizado constante

Ao longo da trajetória, a empresa mudou de escala e de foco. Hoje, tem cerca de 2 mil funcionários, três centros de distribuição e atende mais de 120 cidades em São Paulo.

A mudança de prioridades acompanhou esse crescimento. “Lá atrás, talvez as nossas maiores preocupações era entregar o pedido e ao longo do tempo ele vai se direcionando cada vez mais para time”, disse Bruna. “Acho que o nosso principal desafio hoje em dia é formar esse time.”

A formação de equipe passou a ser central para garantir a continuidade do negócio sem dependência direta dos fundadores. Segundo ela, o objetivo é construir uma estrutura capaz de operar de forma autônoma.

A empresa também estabeleceu uma meta clara: alcançar R$ 2 bilhões de faturamento até 2027. Para isso, aposta na combinação entre crescimento orgânico e fortalecimento de parcerias estratégicas. Entre os investidores estão fundos de venture capital, a Minerva Foods e o iFood, que ampliam o acesso a conhecimento, tecnologia e base de clientes. “Quando a gente fez essa parceria, agora a gente abriu um outro leque gigante de possibilidades, dado todo o abrangência de clientes que o iFood tem”, afirmou Bruna. 

Segundo os fundadores, o avanço depende de três fatores centrais: evolução tecnológica, expansão da operação e contratação de pessoas. “A gente contrata dezenas de pessoas por semana e vamos continuar contratando”, disse Fábio.

O modelo de crescimento também foi sendo ajustado. A empresa começou com compras recorrentes mensais e, com o tempo, ampliou para compras semanais, entregas pontuais e até pedidos em poucos minutos. Ainda assim, há um elemento que permanece constante.

“O como a gente faz, ele vai evoluindo… mas sempre o pilar do encantamento tem que estar lá”, afirmou Fábio.

Esse foco na experiência do cliente se tornou base da estratégia. A lógica é simples: uma boa primeira experiência aumenta a chance de fidelização. Uma falha pode afastar o consumidor.

Tecnologia, operação e cultura

Um dos aprendizados mais relevantes veio de um erro. No início, a Shopper tentou usar tecnologias de terceiros. A decisão gerou problemas operacionais.

“A gente sofreu muito e a gente aprendeu na pele que não seria o caminho”, disse Fábio.

A partir dessa experiência, a empresa decidiu desenvolver seus próprios sistemas. A mudança reposicionou o negócio. “A gente teve que se tornar uma empresa de tecnologia que faz supermercado.”

A operação passou a ser desenhada a partir da experiência desejada pelo cliente. Primeiro define-se o resultado. Depois, os processos. Por fim, a tecnologia que sustenta essa estrutura.

A cultura interna também acompanha essa lógica. Em momentos de pico, funcionários de diferentes áreas atuam diretamente na operação. O objetivo é manter o padrão de entrega e identificar falhas no processo.

Longo prazo em um ambiente de urgência

O tempo necessário para construir um negócio, especialmente considerando que tudo se iniciou quando Bruna e Fábio tinham pouco mais de 20 anos, foi um dos principais ensinamentos que tiveram durante a experiência com a  Shopper.

Bruna destacou a dificuldade de manter o foco em um horizonte mais longo. “O pensamento de longo prazo, ele é importante, ele é difícil”, afirmou. “Depois de 10 anos, eu vi quanto isso foi importante.”

Fábio complementou com a lógica que orienta a gestão da empresa. “A gente tem que ter pressa para fazer rápido… só que na hora de pensar em colher o que a gente tá plantando, tem que ter uma paciência de monge.”

A combinação entre velocidade na execução e paciência na estratégia resume o modelo adotado pelos fundadores. Um equilíbrio que, segundo eles, só se comprova ao longo do tempo.

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Mundo Corporativo: Hélio Rotenberg, da Positivo Tecnologia, explica como a empresa evoluiu dos PCs aos superservidores de IA

Bastidor da entrevista online de Rotenberg ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“O empreendedor é inquieto.”
Hélio Rotenberg

A Positivo Tecnologia nasceu ligada à educação, ganhou escala fabricando computadores e hoje mira o fornecimento de infraestrutura e serviços para inteligência artificial. A mudança, segundo o presidente e cofundador Hélio Bruck Rotenberg, foi resposta direta às oscilações do mercado e às novas demandas das empresas. Este foi o tema da entrevista concedida por Rotenberg ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Da fábrica de PCs à infraestrutura de IA

Rotenberg relembra que, no auge do mercado de computadores no Brasil, em 2012, a empresa produziu 2,5 milhões de unidades. A partir de 2013, com a retração do setor, veio a necessidade de diversificar. “Quando o mercado brasileiro de computador cai, despenca, a gente também aproveita essa oportunidade, que poderia ser uma crise, mas se torna uma oportunidade para diversificar a empresa”, afirma.

Essa diversificação incluiu servidores, tablets, máquinas de pagamento, serviços de TI e segurança, além de contratos públicos como a urna eletrônica. Na frente de IA, a aposta está no lado da infraestrutura, tanto para data centers quanto para soluções on-premise em empresas — um sistema de TI em que a infraestrutura (hardware e software) é instalada e mantida nas próprias instalações físicas da empresa.

“Nós acabamos de vender o maior servidor de inteligência artificial do Brasil”, diz. A companhia também passou a oferecer implementação e manutenção desses ambientes após a aquisição da Algar Tech (atual Positivo S+), integrando hardware e serviços.

A leitura de comportamento do consumidor é fundamental para as transformações e soluções que a Positivo Tecnologia oferece. Foram essas informações que orientaram, por exemplo, a evolução do portfólio de PCs. Rotenberg conta que, em parceria com a consultoria IDEO, a empresa passou dias em lares de classe média no Rio e em São Paulo para entender hábitos e expectativas. O resultado influenciou decisões de design e posicionamento. “A gente aprendeu que para a população de classe média, o computador era muito importante, era um bem muito caro. Então, ele ficava na sala, não ficava no quarto. Então, ele tinha que ser bonito”, recorda, ao descrever a presença do desktop como peça central da casa.

IA distribuída e uso prático

Para além dos grandes data centers internacionais, Rotenberg vê expansão do processamento de IA em ambientes locais por razões de custo, soberania e privacidade. “Algumas das inteligências artificiais […] vão ser processadas em data centers menores ou nas próprias empresas, que a gente chama de on-premise.” Por isso, a empresa se posicionou em parceria com fabricantes globais de chips e placas para atender bancos, governo e grandes organizações no país.

Na ponta, ele projeta crescimento do uso de NPUs nos computadores corporativos e pessoais. E aponta um desafio educativo: muitos usuários tratam os modelos de linguagem como um buscador tradicional. “A gente […] notou que as pessoas que usam inteligência artificial pela primeira vez […] usam hoje os LLM como se fossem um browser.” A Positivo trabalha numa interface que oriente o público a explorar melhor esses recursos.

Gestão, cultura e qualificação

Ao falar de liderança, Rotenberg descreve um estilo baseado em participação direta e adaptação. “A minha liderança é muito mais pelo exemplo, pelo ‘vamos lá, vamos fazer junto, vamos vencer mais essa’.” Ele reconhece, porém, a necessidade de ampliar estruturas e delegar com o crescimento da organização. “A cultura da empresa é uma cultura empreendedora […] as pessoas vibram com as vitórias […] mas a empresa foi mudando, […] tem mais níveis hierárquicos.”

Sobre qualificação, ele destaca a engenharia nacional envolvida em projetos como a urna eletrônica e a disputa por talentos de software. A educação segue como fator crítico: “Quanto melhor a educação, melhor nós seremos em tecnologia.”

Empreender é ajustar rota

No encerramento, Rotenberg sintetiza o recado para quem pretende abrir ou ampliar negócios: “O empreendedor tem que ser resiliente. Ele tem que estar totalmente aberto a corrigir rumos. Tenta um rumo, não dá certo, vai para outro, mas não desiste.”

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Mundo Corporativo: Joca Oliveira, da Unico Skill, explica por que educação deve ser benefício tão essencial quanto saúde

Entrevisa online com Joca Oliveira Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Daqui 5 anos a gente vai olhar para trás e vai ser que nem plano de saúde… algo super necessário e essencial para qualquer colaborador.”

Joca Oliveira, Unico Skill

A ideia de tratar educação como benefício corporativo — com acesso amplo a cursos, faculdades e certificações — ganhou corpo dentro de uma empresa de tecnologia e virou negócio próprio. A Unico Skill, liderada por Joca Oliveira, oferece às companhias um “plano de educação” ilimitado para colaboradores e dependentes, com rede de instituições no Brasil e no exterior. Os desafios para empreender neste setor foi o tema da entrevista no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Joca descreve o modelo de forma direta: “A Unico Skill é o primeiro benefício de educação ilimitada do Brasil; de uma forma simples, é como um plano de saúde, só que para educação.” No desenho do serviço, a empresa escolhe entre quatro planos e o colaborador recebe uma “carteirinha” que dá acesso a uma rede credenciada. Segundo ele, “hoje a gente tem no total mais de 100 instituições de educação, são mais de 26 mil cursos… é acesso a fazer uma pós-graduação na GV, uma graduação, curso de inglês em mais de nove escolas, curso de tecnologia, inclusive no exterior”.

O produto que virou empresa

A tese nasceu dentro da Unico, companhia de identidade digital, e migrou para operação independente para ganhar foco e escala. “O spin-off é quando você separa esse produto e ele vira uma empresa com CNPJ próprio… com time isolado, processos e cultura, ainda conectado à holding, mas com muito mais independência.” A separação, relata, acelerou a tração e reduziu conflitos de prioridades.

No modelo de negócios, a Unico Skill atua como orquestradora B2B2C: “A gente basicamente compra educação no atacado… aplica muita tecnologia. Nós somos uma empresa de tecnologia, não de educação. A gente orquestra todo esse ecossistema, mas eu não crio educação.” A curadoria e a hiperpersonalização por IA buscam orientar o uso efetivo do benefício — inclusive por dependentes.

Engajamento e a pressão por requalificação

A demanda acompanha a mudança do mercado de trabalho. Joca cita o diagnóstico de que até 2030 a maior parte da força de trabalho precisará de requalificação, puxada por automação e inteligência artificial. “O colaborador tem visto isso como uma janela para continuar crescendo, e a empresa entende que ela precisa disso para manter a mão de obra extremamente qualificada.” Entre os conteúdos mais buscados estão tecnologia (IA, cibersegurança, dados), graduações e cursos técnicos, além de idiomas. No formato, cresce o interesse por cursos de curta duração com certificação e por aulas síncronas ao vivo: “Não é verdade que todo mundo só quer presencial; e o EAD sozinho, às vezes, faz falta na interação. O síncrono ao vivo tem sido um dos grandes formatos do futuro.”

Crescimento com qualidade e a dor de escalar

A expansão traz desafios operacionais. “A dor do crescimento ela é latente”, admite Joca. “Se a gente esperar tudo ser perfeito, às vezes a gente vai desacelerar crescimento, mas garantindo que eu consiga manter a qualidade e consiga manter tanto colaborador quanto a empresa extremamente satisfeitos com o produto e com a entrega.” Para sustentar o padrão, ele enfatiza pessoas e liderança: “Contratar pessoas melhores do que você… um talento bom toca o problema, resolve o problema, não esconde o problema.”

Educação como política estrutural do setor privado

A visão de longo prazo mira a mesma abrangência de outros benefícios já consolidados. “O acesso à educação privada no Brasil é um problema gigante… a gente, como parte da iniciativa privada, [precisa] resolver isso de forma estrutural.” Na comparação com outras políticas corporativas, a defesa é explícita: “A gente acredita que a educação, sim, deveria ser tão grande quanto o plano de saúde.”

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Mundo Corporativo: Bertier Ribeiro-Neto, da UME, explica como empreender com tecnologia e supervisão humana

Bastidores da entrevista online com CTO da UME Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A minha visão é sempre muita tecnologia com supervisão do humano.”
Bertier Ribeiro-Neto

Empreender começa menos pelo plano de negócios e mais por um incômodo real: “O que que te incomoda? Qual o problema que você gostaria de resolver? Por que que você gostaria de resolver esse problema?” A partir dessa provocação, Bertier Ribeiro-Neto, CTO da UME, conecta a prática do empreendedorismo ao uso criterioso de tecnologia para resolver dores concretas de clientes. Esse foi um dos temas sobre os quais conversamos no Mundo Corporativo.

Tecnologia que resolve problemas (com gente no circuito)

Para Bertier, automatizar decisões é útil, mas não basta: “O resultado não é verídico, o resultado não é final, o processo precisa de supervisão.” Ele descreve a operação da UME no varejo — concessão de crédito no ponto de venda em minutos — como um arranjo que combina dados públicos, relacionamento do cliente com o lojista, informações de renda e um “motor de crédito”, isto é, “um núcleo de inteligência artificial que combina todos esses sinais e toma uma decisão de forma automatizada”.

Mesmo assim, o critério é manter controle humano sobre o que o modelo decide: “A gente treina o modelo, coloca o modelo no ar, faz uma série de testes e a gente pergunta: ‘O modelo tá tomando decisão boa ou não?’ Quando o modelo toma decisão ruim, como é que a gente para o modelo e passa a decisão para um agente humano?”

Essa postura, diz ele, vale para qualquer empreendimento que adote IA: não aplicar tecnologia “de forma cega”, mas medir impacto e qualidade continuamente. “O propósito não é usar a tecnologia. O propósito é resolver um problema que aflige o seu cliente.”

Siga o cliente, o resto é consequência

A bússola de produto segue uma regra simples aprendida nos tempos de Google: “Follow the user. All else is a consequence.” Em português: “Siga o usuário, o resto é consequência.” No contexto da UME, isso significa observar necessidades diferentes por segmento (da “super compra” de uma geladeira ao crédito atrelado a um celular com garantia via bloqueio remoto) e desenvolver produtos que façam sentido no momento da decisão.

Ao falar com quem quer empreender, Bertier volta ao princípio: antes de crescer, encontre a solução que melhora a experiência de quem usa. “Você vai criar uma solução para aquele caso de uso, se a solução for boa, as pessoas vão adotar a solução, o resto é consequência.”

Escala com estabilidade e métricas

Os desafios atuais combinam crescimento e qualidade. “Estabilidade é muito importante… o sistema não pode cair.” Em paralelo, medir resultado passa a ser obrigatório: produtividade, capacidade de atendimento “com o mesmo time” e, sobretudo, a experiência do cliente e do varejista. Se a qualidade piora, “tem um problema”.

Ao olhar adiante, a aposta é que “o futuro do crédito não está mais nos bancos… está nas empresas que têm relacionamento direto com o consumidor”. Daí iniciativas como ferramentas de CRM para que o varejista “se comunique com o cliente do crédito” e refine sua visão sobre recorrência e preferências de compra.

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Mundo Corporativo: Ana Fontes explica como transformar habilidades em negócios viáveis

Ana Fontes dá entrevista no estúdio de podcast da CBN. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Propósito não paga os boletos do mês”

Ana Fontes, RME

Começar um negócio a partir do que você já sabe fazer e validar se há gente disposta a pagar por isso é a linha mestra do empreendedorismo defendida por Ana Fontes. Fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME), que conecta diariamente 3 milhões de mulheres em diferentes plataformas, ela descreve um caminho prático: combinar competências pessoais com demandas reais do mercado, criar diferenciais e buscar apoio em comunidade, mentoria e formação contínua. É sobre isso que ela fala na entrevista ao programa Mundo Corporativo.

Ana recorda sua própria trajetória, da carreira executiva ao blog que deu origem à RME, para reforçar a orientação inicial a quem deseja empreender: “Use as suas habilidades para pensar no seu próximo negócio ou para pensar no seu negócio. É a primeira coisa que eu falo.” A partir daí, vem o teste de realidade: “Procure uma oportunidade de negócio, que é a parte mais dura. […] Você tem que combinar as duas coisas, a sua habilidade que você tem com alguma coisa que as pessoas queiram comprar.”

Do propósito à validação de demanda

A combinação entre vocação e problema resolvido no mundo concreto passa, segundo ela, por abandonar romantizações. “A maioria das pessoas fala assim: ‘Ah, empreende com o seu propósito, que vai dar tudo certo’. Nem sempre. […] Propósito não paga os boletos do mês.” Na prática, isso significa investigar necessidades do bairro, da cidade, do setor; observar o que já existe; e decidir como entregar algo diferente — do tempo de atendimento ao formato do serviço.

A RME, diz Ana, opera em duas frentes: uma empresa com causa e o Instituto RME, organização sem fins lucrativos voltada a mulheres em situação de vulnerabilidade. O desenho dos programas inclui capacitação (liderança, negociação, finanças e gestão), mentoria entre pares, organização em grupos e microdoações diretas. O efeito desse arranjo aparece em histórias como a de uma empreendedora de Belém que, após formação e R$ 2.000 recebidos, comprou um carrinho de sorvete usado e aumentou o faturamento em 60% — aliviando o peso físico do trabalho e abrindo novas frentes de venda em eventos.

No financiamento, entram parcerias com marcas interessadas no impacto social do S do ESG. Programas incluem, por exemplo, o uso de inteligência artificial para melhorar a gestão dos negócios. Para quem está começando, Ana recomenda aproveitar a oferta de cursos gratuitos (RME, Sebrae e outras organizações) e buscar orientação prática: “Empreender você tem que aprender.” E isso inclui um passo que economiza “tempo, dinheiro e dor de cabeça”: mentoria.

Diversidade como motor de inovação

A presença de mulheres em espaços de decisão, afirma, tem relação direta com inovação e desempenho. “Sim, a gente precisa estar nesses espaços, não para ter o poder pelo poder, mas porque a nossa voz precisa ser ouvida, porque as mulheres têm ideias interessantes e porque as pesquisas mostram que espaços mais diversos são espaços mais inovadores.” Hoje, lembra Ana, as mulheres ainda são minoria nas altas lideranças, no Judiciário e na política — cenário que empobrece o debate e limita a capacidade de fazer diferente.

Quando compara motivações, ela diz observar respostas distintas entre gêneros nas pesquisas da rede: homens tendem a apontar “ganhar dinheiro” como objetivo imediato; mulheres costumam citar a vontade de “mudar o mundo”. O avanço, no entanto, depende de unir as duas coisas: sustentabilidade econômica e transformação social.

Na ponta, o conselho final volta ao básico: olhar para problemas concretos e estruturar o negócio com método. “Antigamente, tinha uma visão de que empreender é só você abrir um negócio que ia dar certo. Hoje não, empreender você tem que aprender.”

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Dez Por Cento Mais: “Precisamos integrar o velho e o novo”, diz Fábio Betti sobre o futuro do trabalho e o papel das gerações


“O trabalho é uma das maneiras de mantermos nossa utilidade na vida, mas não a única.”

Fábio Betti, Age-Free.World

O mercado de trabalho não quer mais saber de fidelidade cega, nem valoriza currículos marcados por longas permanências em um mesmo lugar. Enquanto os mais jovens pulam de emprego em emprego em busca de sentido e equilíbrio, líderes experientes questionam se ainda cabe a eles atuar em um modelo que exige energia de super-herói e uma dedicação que sacrifica a vida pessoal. Esse movimento de transformação — que atinge todas as gerações — foi tema da entrevista com Fábio Betti, que está à frente da age-free.world, no programa Dez Por Cento Mais, apresentado por Abigail Costa.

Entre gerações: rupturas e aprendizados

Para Betti, que também atua na Corall Consultoria, “envelhecer no mercado não deveria ser sinônimo de se tornar descartável”. Ele alerta que muitas empresas continuam presas a parâmetros que exigem velocidade e entrega constante, ignorando a experiência acumulada ao longo dos anos. “Muitos líderes chegam aos 55, 60 anos e dizem: ‘Eu não aguento mais’. Não porque falte energia, mas porque não faz mais sentido atuar em um ambiente desumanizador”, afirma.

A busca por um trabalho com propósito também não é exclusividade da nova geração. Para os mais velhos, surge a necessidade de se reinventar. Segundo Betti, mais de 40% das novas empresas no Brasil em 2019 foram abertas por pessoas com mais de 45 anos, mostrando que empreender também é uma alternativa para quem deseja continuar contribuindo, mas em outro formato. “A sensação de inutilidade adoece. Encontrar novas formas de se sentir útil é fundamental para a saúde mental”, destaca.

As novas gerações, por sua vez, querem clareza. “O jovem quer uma relação mais pragmática: ele quer saber como crescer, quanto vai ganhar e o que precisa fazer para chegar lá. E muitos líderes não sabem conversar sobre isso porque construíram suas carreiras em um modelo que pedia sacrifício absoluto”, pontua Betti.

Essa convivência entre cinco gerações no mesmo ambiente — boomers, X, Y, Z e alfa — intensifica os choques e, ao mesmo tempo, abre espaço para conversas importantes. “Precisamos integrar o velho e o novo, porque ambos têm valor. A evolução não é destruir o modelo anterior, mas entender o que manter e o que transformar”, explica.

O humano versus a máquina

Betti também observa que o avanço da inteligência artificial escancara a crise do trabalho automatizado. “Se o trabalho que fazemos pode ser substituído por uma máquina, o que resta de humano?”, questiona. Ele defende que a reflexão sobre o sentido do trabalho é urgente, já que o modelo atual, centrado em controle e metas incessantes, está “sobrevivendo por aparelhos”.

Para ele, o papel dos líderes deveria incluir cuidar das pessoas de forma integrada, não apenas fora do ambiente corporativo. “Vejo líderes que correm maratonas e falam sobre autocuidado, mas dentro das organizações continuam reproduzindo discursos de cobrança e desconfiança. Como integrar essas duas vidas?”, provoca.

No fim, a mudança depende de disponibilidade para ouvir e de coragem para criar um ambiente em que todos — jovens ou veteranos — possam pertencer e contribuir de maneira autêntica. “O grande desafio é lembrar que ninguém quer estar em um lugar onde a desconfiança é a base”, conclui.

Assista ao Dez Por Cento Mais

O Dez Por Cento Mais pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, ao meio-dia, pelo YouTube. Você pode ouvir, também, no Spotify.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as marcas estão saindo da memória do consumidor

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A cada dia fica mais difícil para as marcas manterem sua relevância. Um estudo recente comparando os anos 2000 e 2025 mostra que o desconhecimento de marcas entre os consumidores brasileiros saltou de 24% para 36%. Essa mudança de cenário é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

O levantamento, realizado a pedido do jornal Valor Econômico, analisou 1.500 marcas a partir de entrevistas com mais de 40 mil consumidores, utilizando a metodologia de auditoria de marca desenvolvida pela TroianoBranding. “A quantidade de coisas que temos para guardar na memória é infinitamente maior e impossível de guardar tudo”, observou Cecília Russo, explicando que o problema não é desinteresse, mas excesso de estímulos e opções.

Jaime Troiano destacou outro dado preocupante: a queda no índice de marcas idealizadas, aquelas com forte conexão emocional com os consumidores. Esse número caiu de 8% em 2000 para apenas 3% em 2025. “Ficou muito mais difícil para as empresas reterem seus clientes e consumidores”, afirmou Jaime, apontando que o problema vai além das falhas de marketing — é reflexo de relações cada vez mais voláteis e superficiais, também no consumo.

A marca do Sua Marca

Jaime e Cecília mostram que a força das marcas está sendo corroída pela dispersão de atenção e pelo excesso de alternativas. Em um cenário descrito como “arena hostil da modernidade líquida”, a principal lição é clara: as marcas precisam parar, olhar e escutar — com humildade e planejamento — se quiserem continuar vivas na memória do consumidor.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: mudar de nome é mais do que trocar a fachada

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A CCR agora é MOTIVA. O novo nome da concessionária de rodovias foi anunciado em maio, e se soma a uma longa lista de empresas que decidiram rebatizar suas marcas. Mas o que está por trás desse tipo de mudança? Essa é a discussão central do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.

Segundo Cecília, há diferentes razões para uma companhia adotar um novo nome. “Muitas delas mudam de nome porque querem expressar um novo momento da empresa, um redirecionamento de rota dos negócios. Querem se mostrar mais amplas do que eram antes”, observa. O novo nome pode simbolizar uma nova estratégia, uma nova fase ou uma tentativa de reconexão com o mercado. Em alguns casos, como ela destaca, “há aquelas que mudam para apagar o passado, reverter crises e o novo nome abre possibilidades para recomeçar”.

Jaime Troiano cita o caso emblemático da Odebrecht, que trocou o nome para Novonor após os escândalos revelados pela Lava Jato, mas que agora resgata a marca original. “Cá entre nós, não estamos vendo uma nova razão social. O que estamos vendo é um suposto renascimento do que, na verdade, nunca deixou de existir”, afirma. Ele lembra que, na época da mudança, alertou: “marca identifica, mas não é capaz de esconder, principalmente no mundo de hoje, com janelas digitais absolutamente transparentes”.

A marca do Sua Marca

A principal mensagem do comentário é que a troca de nome, embora muitas vezes necessária, não é suficiente para reposicionar uma marca. “O que você entrega e demonstra no dia a dia, até mais do que seu nome, é o que constrói seu significado no mercado”, resume Cecília. A identidade de uma empresa é feita mais pelas atitudes do que pelas palavras escritas na fachada.

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O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.