Kassab culpa o passado, não assume erro do presente

 

Bueiro jorra água

Um dia após a enchente que parou a cidade e matou duas crianças, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) em vez de assumir a responsabilidade pelos problemas que ocorreram prefere atacar seus antecessores – entre os quais, ressalta, não está o governador José Serra (PSDB), que faz parte da gestão iniciada há cinco anos. Usou números de 2008 para comparar com investimentos da gestão Marta Suplicy (PT) e reclamou da falta de ação no combate as enchentes nos últimos 50 anos. Sendo assim, sobrou até para o ex-governador Mário Covas (PSDB) que foi prefeito na capital paulista entre 1983 e 1985.

Kassab disse que nunca antes se fez tantos investimentos nesta área como no governo dele, usando de estragégia que ganhou popularidade na boca do presidente Lula (PT). Não admite que o corte de 20% no valor pago às empresas que fazem a varrição de rua seja um dos motivos que tenham causado tanto transtorno ao paulistano. Repetiu a “excelência” da sua administração na limpeza de bocas de lobo, galerias de águas pluviais, córregos etecetera e tal.

Ouça o que o prefeito Gilberto Kassab disse à repórter Luciana Marinho

 

Canto da Cátia: A terra que cai

 

Deslizamento em Osasco

A chuva forte, a terra deslizando, os barracos caindo e famílias mortas são cenas que ainda fazem parte do cenário brasileiro, onde as contruções irregulares e muitas vezes incentivadas por políticas públicas de habitação capengas e por homens públicos inconsequentes ainda persistem. Osasco, na região metropolitana de São Paulo, foi o último caso, mas outros mais estarão no noticiário nos próximos temporais aqui ou em qualquer região do Brasil. Durante toda a manhã, a repórter Cátia Toffoletto acompanhou o trabalho na busca dos corpos de três das crianças que estavam em um das casas que despencaram durante a terça, 09.09.


Acesse aqui outras imagens feitas pela Cátia, em Osasco, e fotos enviadas por ouvintes-internautas das consequências do temporal na capital paulista.

Conte Sua História de SP: A enchente

Enchente em São Paulo

Foi na temporada das chuvas que o ouvinte-internauta Cláudio Vieira desembarcou em São Paulo e não precisou mais de uma semana para constatar boa parte daquilo que seus conterrâneos o alertavam sobre os riscos na grande cidade. Alagado, com muito esforço, otimista, ele encarou a capital paulista e se apaixou como é possível descobrir no texto enviado ao Conte Sua História de São Paulo:

Ouça o texto “Enchente” de Cláudio Vieira

Conte mais um capítulo da cidade de São Paulo enviando texto ou arquivo em áudio para contesuahistoria@cbn.com.br.

Veja outras fotos de Marcos Paulo Dias no álbum de imagens do Flickr

Garantia de Kassab vai por água abaixo, com o perdão do trocadilho

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) demorou 19 horas para dar uma resposta ao paulistano sobre o caos que se transformou a cidade na terça 17.03 após chuva torrencial. No dia do temporal estava em Brasília onde reuniu-se com ministro das Cidades, Saúde e Relações Internacionais, além de um grupo de prefeitos (segundo agenda oficial). Por lá também falou, provocado por jornalistas, em favor da candidatura de José Serra (PSDB) à presidência da República.

Apenas no fim da manhã de quarta-feira, Kassab deu explicações sobre os problemas enfrentados pelos paulistanos. A principal cobrança foi em relação a “garantia”  dele, em novembro de 2008, ao lançar o programa antienchentes, de que São Paulo estava preparada para a temporada de chuvas.

Ouça o que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse em entrevista reproduzida pela repórter Cátia Toffoletto

O prefeito esqueceu de fazer esta ressalva de que “nem todo o Orçamento de São Paulo daria para resolver o problema das enchentes, em quatro anos” quando criticou as gestões passadas por terem sido incapazes de impedir os transtornos no período de chuvas, durante as duas campanhas eleitorais das quais participou. Também não o fez ao apresentar o programa antienchente, no fim do ano.

A cidade não está preparada  como todos nós sabemos. E o prefeito, também. São Paulo tem dificuldades históricas para reduzir o impacto que o desenvolvimento urbano desorganizado provocou. Qualquer cidadão não-contaminado pela visão partidária sabe que o trabalho para resolver os problemas das enchentes vai despender muito dinheiro e esforço, inclusive com mudança no nosso comportamento cotidiano.

Exatamente, por isso, a autoridade pública tem de ter mais cuidado no momento em que faz críticas, afirmações ou promessas, sob o risco de ser cobrado assim que estas se revelarem frágeis. Assim que estas se depararem com a realidade enfrentada pelo cidadão.