Saudável cidadania no encontro do Adote

 

Esclerose lateral amiotrófica e a política municipal. Temas aparentemente sem conexão direta estiveram na mesa central do café do Pátio do Colégio, que todo segundo sábado do mês se transforma em ponto de encontro de integrantes do Adote um Vereador, em São Paulo.

Mesa eclética, sem dúvida. Em torno dela sentam não apenas integrantes do Adote, mas voluntários do Voto Consciente, e todos aqueles que estejam dispostos a discutir (ou apenas ouvir) temas de interesse do cidadão. Foi o caso do @maozero – desculpe-me se uso apenas o nome do perfil dele do Twitter, mas foi assim que o conhecemos emaranhado na rede social.

Maurício – assim passamos a chamá-lo – chegou vestindo a camisa da seleção brasileira e de óculos escuros. Nem precisou se apresentar, pois a maioria ali já havia “conversado” com ele. De cara mostrou que bandeira tem desfraldado nos últimos anos: é filho da Dona Catarina, diagnosticada com doença cruel que destrói o tecido muscular e interrompe movimentos – para qual existem regras, resoluções e leis poucas vezes cumpridas. Um exemplo: a internação domiciliar que ajuda o paciente e reduz custos do Estado, para a qual é preciso intervenção da Justiça pela falta de definição de políticas públicas.

Por coincidência, saúde havia sido o tema da conversa pouco antes dele sentar na roda que, neste sábado, estava cheia e entusiasmada. Falávamos dos debates na comissão da Câmara que trata do tema e tem causado espanto nos voluntários do Voto Consciente que assistem às discussões.

Vistoria dos vereadores da Comissão de Saúde no Pronto Socorro 21 de Junho, na Freguesia do Ó, administrado pela Santa Casa, havia identificado dificuldades no atendimento aos pacientes, equipamentos sem funcionar e o não cumprimento do contrato com a prefeitura. Duas das irregularidades encontradas: a administração do PS não contratou todos os médicos exigidos no acordo e o repasse de verba pública por serviço não realizado (leia mais aqui).

O baixo nível do debate sobre o uso de sacolas plásticas também foi motivo de comentários durante o encontro do Adote um Vereador, tema para o qual parece que a Câmara ainda não está preparada. Durante a semana, cenas de agressão verbal e ameaças físicas foram transmitidas pela Tv Câmara e internet e os projetos de lei que tratam do assunto estão pendentes ainda.

Abrimos um parênteses: as imagens amplamente transmitidas são um avanço na Casa, assim como a reunião do colégio de líderes abertos à participação popular.

A presença de Marcos Paulo Dias, jornalista e colaborador do Blog do Mílton Jung, trouxe para a conversa situações encontradas em São Miguel Paulista e demais bairros da zona leste da capital. Com sua inseparável máquina de fotografias nas mãos, mostrava imagens que, logo, estarão publicadas por aqui. E não pense que se falou apenas de problemas da região. Ele destacou, por exemplo, os encontros que ocorrem no espaço cultural Mundo da Lua, a Sexta Socialista, em Guaianazes, na qual música e roda de debate se misturam. Prometeu escrever sobre isso em breve.

Gente nova e dos primeiros encontros se misturaram em uma combinação que apenas aumenta o desejo de conquistar mais adeptos do Adote um Vereador. Hoje, somos 18 blogs ativos em São Paulo, três sites, um jornal eletrônico e um sem-número de boas intenções em favor da cidadania. Saudável cidadania !

#Adote1Distrital e #Adote1Vereador se encontram

 

O Adote um Distrital se inciou este ano e, de maneira estruturada, tem encaminhado questões interessantes na Câmara Distrital de Brasília, entre estas o combate aos 13º e 14º salários dos deputados. Conseguiram até agora cerca de 800 assinaturas em apoio ao fim do pagamento. Semana passada, integrantes do Adote um Distrital e do Adote um Vereador conversaram aqui em São Paulo. Para falar do movimento na capital paulista, estiveram Massao Uehara e Sérgio Mendes – foi este quem escreveu o texto a seguir:

Na tarde desta sexta feira, de cara cinza em São Paulo, tínhamos um motivo para deixarmos as nossas rotinas e abrir espaço para uma pausa e um café. Mundo pequeno este em que vivemos e onde todo mundo se encontra e interage o tempo todo, ao sabor de suas conveniências, necessidades e afinidades. Fomos nos encontrar com Cláudia Mesquita, do Adote um Distrital de Brasília/DF, com quem já de saída sentimos grande empatia e parecia uma velha conhecida destes mais de dois anos que a cidadania aproximou, aqui em São Paulo.

Não foi difícil reconhecê-la, que por precaução resolveu chegar um pouco mais cedo e esperar por nós lendo no café da livraria Cultura do Conjunto Nacional.

Foi um encontro informal, como costumam ser os que fazemos todos os segundos sábados de cada mês. Para a nossa alegria, soubemos que em Brasília a ideia de adotar os representantes do povo no legislativo do Distrito Federal conta com o apoio e empenho de muitos jovens, são mais de 30 integrantes, que acompanham e publicam o que dizem e fazem os distritais. Falamos sobre nossas experiências, sobre nossos pontos de vista e comparamos as diferenças da maneira de fazer acontecer a cidadania lá e cá.

Colocamos para ela como foi no início e como temos colhido frutos tanto pelo contato com outros cidadãos quanto por fazer a voz da cidadania avançar dentro do parlamento. Falamos de como vemos mudada a relação representados e representantes e, também, de como a internet encurtou este caminho.

Cláudia mostrou-se interessada em saber dos blogs, do twitter e contou que o pessoal de Brasília pensa em fazer um seminário de cidadania por estes dias. Vai mandar convites quando tudo estiver combinado. Ficamos felizes com os avanços dos padrinhos em Brasília e de poder passar para ela e para eles um pouco da nossa experiência e, também, aprender.

Mas como eu dizia no início deste breve relato sobre ontem à tarde (sexta), mundo pequeno este em que vivemos. A Cláudia e eu descobrimos ter uma grande amiga em comum! Eu a conheço desde a minha adolescência lá no interior do MT e a Cláudia, trabalha com ela em Brasília.

Pequeno mundo de cidadãos interessados em cidadania, esta sim, grande e sem fronteiras. Como esperamos que seja o nosso país. Estivemos no café da Livraria Cultura do Conjunto Nacional com a Claudia Mesquita, o Massao e eu.

Por Sérgio Mendes