Dê nome ao novo programa de esportes do CBN SP

Você está convidado a nos ajudar a batizar o quadro de esportes do CBN São Paulo que, desde a semana passada, reúne narradores, comentaristas e repórteres da rádio para debater os principais assuntos do dia. De segunda à sexta, logo após às 11 e meia, eu e mais dois colegas da equipe de esportes conversamos sobre as coisas do futebol na nossa cidade. Claro, você não estará livre, de me ouvir puxando a sardinha para o Grêmio, afinal paixão não se discute. Mas o foco está nos times paulistas que chegam a final do estadual e disputam as principais competições do país e do continente. A pauta também estará aberta as demais modalidades esportivas porque nem tudo se resume a um chute na canela e outro na bola.

Solte sua criatividade e registre aqui a sua sugestão.

Avalanche Tricolor: Por linhas tortas

Aurora 1 x 2 Grêmio
Libertadores – Bolívia

Foi Ele quem empurrou esta bola

Começamos com uma bola no travessão que explodiu na grama, antes da linha do gol; seguimos com um chute cruzado no poste; na mesma jogada os pés  do zagueiro salvaram os bolivianos. Teve ainda o ataque parado pelos braços longos do goleiro adversário. O Grêmio e seus incríveis gols perdidos estavam de volta aos campos da Libertadores, nesta noite de quarta-feira.

Dominou na defesa, avançou pelas laterais, foi criativo no meio-campo e se movimentou  muito no ataque. As chances de gols apareciam a todo momento, fruto do bom futebol. O comentarista chegou a dizer que o Grêmio jogava como se estivesse em casa, mas a bola não entrava. Na cabeça do torcedor a imagem do drama das últimas partidas se reproduzia.

“Papai do céu, olhai por nós”, ouvi minha fé cristã sussurar quase que envergonhada pela heresia de misturar futebol e religião. Não é que ele olhou e deu a Jonas, o nosso “pior e idolatrado atacante do mundo”, a oportunidade de apagar a distorcida imagem forjada pela imprensa estrangeira desde sua última aparição na Libertadores. Com o dedão, a ponta da chuteira, ele fez seu oitavo gol desde que voltou a vestir o manto tricolor. Ele merecia.

Já tendo desperdiçado alguns gols a mais e com o segundo tempo se iniciado, Alex Mineiro foi displicente ao usar o calcanhar quando deveria dar preferência ao dedão de Jonas, e permitiu o contra-ataque que resultou – com toda justiça posso dizer isso – no  injusto empate boliviano.

Não dá para querer justiça divina dentro das quatro linhas. E, afinal, por que facilitar se podemos sofrer ?

A camisa com o espírito do RenatoA  camisa sete, que já vestiu Renato Gaúcho, parece ter transferido a Jonas as múltiplas facetas do atacante que nos levou a conquista do Mundial. Quando mais precisávamos de seus gols perdidos, foi expulso. A bola não nos queria mais, o adversário passou a acreditar na vitória, nossa linha de impedimento quase matava o torcedor do coração, e nosso ataque deixou de existir.

Na televisão, o locutor já falava em tom de consolo que “empate fora de casa não é tão ruim assim” ou “dá prá garantir a classificação no Olímpico”. Devia ter torcedor falando mal do Celso Roth.  Havia um, em Porto Alegre, que pediu as bençãos de Padre Reus.

Mas, você sabe, era o Grêmio que estava em campo. E quando o Grêmio joga não podemos esperar que as coisas se resolvam de maneira lógica. Damos preferência as linhas tortas que, desta vez, confundiram as mãos do bom goleiro adversário.

Gol de Tcheco, disse a televisão. Gol do padroeiro, disse o fiel lá no Rio Grande do Sul. Gol do Papai do Céu que estava vendo tudo lá de cima e com os dedos a coçar o queixo pensava com seus anjos: este time merece ser líder da Libertadores.

Avalanche Tricolor: Soy loco por ti !

O velho Grêmio Copeiro está de volta

Boayacá Chicó 0 x 1 Grêmio

Libertadores – Tunja (Colômbia)


O atacante deles está próximo da linha de fundo. Na posição onde, antigamente, aparecia o ponta esquerda. Quer chegar na área para o gol. Mas, precisa voltar com a bola. Há três jogadores do Grêmio na marcação. Assustado, procura um companheiro de time. Encontra, mas antes de a bola chegar até ele, um quarto gremista aparece. A bola é do Grêmio. O jogo está 0 a 0.

A cena descrita acima não vai aparecer nos melhores momentos da partida desta noite , no acanhado estádio La Independencia.  Os editores vão preferir o gol de falta de Souza, aos 32 do primeiro tempo; a incrível jogada de Jonas que conseguiu de uma só vez perder três oportunidades de marcar; os muitos chutes contra o goleiro Velásquez que foram para fora, que foram para o travessão, que foram parar nas mãos dele.

Para mim, porém, aquele lance do primeiro parágrafo, foi o mais significativo desta partida em que o Grêmio marca uma virada na sua trajetória de 2009 e na sua história de Libertadores.  Nunca antes – como diria o Presidente – havíamos vencido de um time na Colômbia. Nem mesmo quando conquistamos o bicampeonato da América, na casa do Nacional, em Medellin.

No instante em que vi os jogadores do Grêmio “caçando” o adversário, como se fosse um exército determinado a superar o inimigo, certos de que para vencer o jogo precisavam conquistar aquela batalha, naquele minuto, ficou claro para mim que o Imortal Tricolor estava de volta a Libertadores.

O que aconteceu dali para a frente, o único gol marcado em meio a uma centena de gols perdidos, a preferência ao toque de bola para “matar” o jogo em lugar do chutão, os desarmes do meio-campo, a firmeza da defesa e a presença segura de nosso goleiro nos poucos momentos em que foi exigido, não me surpreenderiam mais, após redescobrir o Grêmio Copeiro que já nos ofereceu dois títulos da América.

Que venha o terceiro, porque “soy loco por ti, América”!

Calouríadas para combater o trote violento

Veteranos pisoteando calouros que estavam deitados de bruço no chão de areia foi a última cena que assistimos com destaque no noticiário envolvendo trote violento em universidade. O ‘rito de passagem’ que chegou ao Brasil nos hábitos de portugueses, em 1831, ano em que um estudante foi assassinado, tem proporcionado desagradáveis exemplos no decorrer da história. Apesar de algumas iniciativas que tentam imputar gestos de cidadania ao trote, a recepção violenta aos recém-chegados ainda ocorre de maneira chocante.

A Secretaria Municipal de Esporte de São Paulo pretende combater o trote violento com gincanas físicas e esportivas. Uma Calouríada, na qual os calouros sejam motivados a integrarem equipes, organizadas por veteranos, logo que  realizarem a inscrição na faculdade. Reitores das mais importantes universidades paulistanas estiveram em conversa com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o secretário Walter Feldmann (PSDB) discutindo a possibilidade de realização do evento esportivo já no segundo semestre deste ano, quando novas turmas estarão chegando as faculdades.

O projeto de Feldmann é canalizar a extemporaneidade e irreverência juvenil, que muitas vezes se concretiza na violência do trote, para a competição esportiva. Resultados alcançados pela cidade durante a realização das Viradas Esportiva e Cultural, quando se teve baixo registro nos índices de violência, motivam o secretário a acreditar que a medida amenizará o clima de guerra que existe hoje.

Há menos de um mês, o CBN São Paulo entrevistou o vice-Reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pedro Ronzelli, que analisou  a ocorrência de agressões entre jovens universitários. Na conversa, disse que o Mackenzie havia tentado mobilizar as associações atléticas para impedir o trote violento, mas que não tinham encontrado apoio nas entidades.

Citei o fracasso dessa experiência ao secretário de esportes que manteve, mesmo assim, sua convicção no projeto. A diferença para ele é que, agora, haverá a participação do poder público e o envolvimento de várias universidades.

Leia e ouça o que disse o vice-Reitor do Mackenzie, Pedro Ronzelli

Leia artigo publicado pelo colega de blog Carlos Magno Gibrail, semana passada.

Leia texto do ouvinte-internauta Ricardo Gomes Fo. publicado no blog

Puc anuncia apoio a torneio de calouros (publicada em 12h22 de 06/03)

Ouça a entrevista do pró-Reitor da PUC, Hélio Roberto Deliberador, ao CBN SP, nesta sexta-feira

Avalanche Tricolor: Prazer, Libertadores !

Jonas luta em mais um ataque do Grêmio

Grêmio 0 x 0 Universidad de Chile
Libertadores – Olímpico

Uma foi no poste. Outra foi no travessão. Teve a que o zagueiro tirou antes da linha do gol. Duas, três ou quatro que o goleiro se esticou todo e desviou para escanteio. Fora o chute prá fora. Os chutes, aliás. Em uma só jogada foram quatro e nenhum foi parar no fundo do poço, como diria aquele famoso locutor esportivo do Rio Grande do Sul que agora só quer saber de sofrer diante da televisão.

Houve dois penâltis, também. Nenhum o juiz viu. Nos restou reclamar dele. E quando ele acertou para nós, ao expulsar o defensor, pouco mudaria no jogo. Afinal, em Libertadores quem está em campo não se importa com quantos o adversário joga. Redobra-se a marcação; o carrinho sai mais longo; para alcançar a bola sobe-se bem mais do que as pernas permitem; chuta-se para qualquer lado. E fica tudo igual, novamente.

Ficou tudo igual mesmo, apesar da enorme diferença do futebol jogado pelo Grêmio em relação a Universidad. de Chile. Já havia acontecido isso com o São Paulo na estréia. E muitos mais vai acontecer daqui prá frente. Aliás, como bem lembrou o técnico campeão do mundo Valdir Espinosa foi também assim que aconteceu com o Grêmio na estréia da Copa Libertadores contra o Flamengo, no estádio Olímpico, em 1983.

E você sabe quem foi o campeão sul-americano e mundial daquele ano, não sabe?