Avalanche Tricolor: o sabor do empate

Godoy Cruz 2×2 Grêmio
Sul-Americana – Malvinas Argentinas, Mendoza, ARG

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Empate é o tipo de resultado curioso no futebol. Você não ganha, mas também não perde. Costuma-se dizer que, fora de casa, ele tem um valor; dentro, outro. No entanto, o que realmente define seu sabor são as circunstâncias da partida. Quando seu time sai atrás — tomando três gols ainda no primeiro tempo, por exemplo — e consegue se recuperar, sai de campo como se tivesse vencido. Quando está na frente — como fez o Grêmio duas vezes nesta noite — e cede o empate ao adversário, fica sem saber bem o que comemorar.

Pensando no futuro do Grêmio na Copa Sul-Americana, empatar contra o time que briga pela liderança da chave, fora de casa, deveria ser considerado um excelente resultado. O Grêmio segue no topo da tabela, mesmo com desvantagem no saldo de gols, e disputará duas das três partidas restantes diante de sua torcida. Uma delas, provavelmente decisiva pela liderança do grupo, será contra o adversário desta noite.

Por que, então, essa dúvida que paira na cabeça do torcedor neste momento? Pelo menos na cabeça deste torcedor que escreve?

A ideia de começar a nova jornada de Mano Menezes no comando do Grêmio com uma vitória fora de casa era animadora. Renovaria a esperança depois dos tropeços no início da temporada. A vitória nos faria, mais uma vez, acreditar que os astros estariam se alinhando e o universo conspiraria a nosso favor. Tudo dependeria apenas da boa vontade dos deuses do futebol.

Infelizmente, as coisas não funcionam dessa maneira. A crença de que existe uma mística que determina o que vai acontecer nos gramados se encaixa bem no imaginário do torcedor e no romantismo dos cronistas esportivos — especialmente daqueles que sabem tratar o texto com o refinamento de um camisa 10.

O futebol, no entanto, é mais pragmático do que parece. Para vencer, é preciso mais do que vontade, raça e determinação. É necessário treinamento apurado, inteligência tática, refinamento na movimentação e posicionamento, esmero na construção das jogadas e precisão na finalização. Também é indispensável um ajuste fino na marcação para reduzir os riscos que o adversário inevitavelmente vai impor.

Mano Menezes, que reestreou na casamata gremista, não teve tempo para tudo isso. Nos poucos dias de treino, fez os ajustes possíveis. Praticamente repetiu o time do Gre-Nal. Reforçou o espírito de luta que já havia se destacado no fim de semana. E, por pouco, não saiu com êxito. Por duas vezes teve a vitória nas mãos, com os gols de Edenílson, no primeiro tempo, e Aravena, no segundo. Por duas vezes viu seu sistema defensivo falhar e ceder o empate.

A despeito de tudo que aconteceu esta noite, na Argentina, e do que vem se repetindo com o Grêmio nesta temporada, sendo tão pragmático quanto o futebol exige, o empate fora de casa, contra um adversário direto, e que ainda virá à Arena, é para ser comemorado. Mas, confesso: fiquei com um gosto amargo na boca. Porque, por instantes, provei o doce sabor da vitória.

Avalanche Tricolor: Kannemann voltou!

Grêmio 1×1 Inter
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFPBA

Seis meses após ser submetido a uma nova cirurgia no quadril, Kannemann voltou. E voltou em grande estilo: no Gre-Nal deste Sábado de Aleluia, substituiu Wagner Leonardo aos 29 minutos do primeiro tempo. Foi ovacionado pelo torcedor e aplaudido a cada bola interceptada na defesa.

De verdade, Kannemann já estava em campo antes mesmo de ele entrar. O zagueiro, que é símbolo maior de raça e determinação, lembrança dos maiores títulos que conquistamos nos últimos anos, esteve presente no espírito do time que entrou na Arena para o seu quarto clássico regional do ano.

Desde os primeiros minutos, era possível perceber uma postura diferente por parte dos jogadores escalados pelo interino James Freitas. De novidade, apenas Marlon na lateral esquerda e mais duas mudanças na escalação dos últimos jogos: Dodi e Monsalve entraram como  titulares. Todos os demais vinham jogando nas partidas anteriores, mas o comportamento em campo era completamente outro.

Jamais saberei explicar que fenômeno é esse que a demissão de um treinador provoca nos brios dos atletas. O fato é que o time apático das rodadas anteriores se transformou: impôs marcação forte na saída do adversário, soube jogar de maneira mais compacta e ofereceu menos espaço para o toque de bola. Não havia dividida perdida nem jogada desperdiçada. Quando partia para o ataque, colocava a bola no chão e explorava especialmente o talento de Cristian Oliveira. Houve até troca de passes no meio-campo como alternativa aos lançamentos longos.

Era como se o espírito de Kannemann tivesse sido incorporado pelos onze titulares antes mesmo de ele entrar em campo. Por isso, não surpreendeu a ninguém (a não ser alguns repórteres de campo) o fato de, ainda ao lado do gramado, enquanto esperava a autorização para substituição, Villasanti já haver passado a braçadeira de capitão ao nosso maior zagueiro. O time sabe o que ele representa e o poder de sua liderança.

Em campo, Kannemann voltou a brilhar com a nossa camisa e encheu de esperança o torcedor que, justificadamente, estava acabrunhado com o que vinha assistindo nestes primeiros meses da temporada. Infelizmente, o retorno não foi ainda mais marcante porque, mais uma vez, fomos claramente prejudicados pelo árbitro da partida (alguém sabe me dizer se, nas mudanças das regras, existe alguma proibição de marcar pênalti a favor do Grêmio?). Mas até nesse momento, foi Kannemann quem nos representou, reclamando da injustiça cometida.

Sim, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, Kannemann está de volta. Que o Grêmio e a sua história voltem aos gramados também neste ano de 2025.

Avalanche Tricolor: devolvam o meu Grêmio!

Mirassol 4×1 Grêmio
Brasileiro – Campos Maia, Mirassol (SP)

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Uma vergonha! Uma vergonha atrás da outra.

Despindo-me de qualquer romantismo, a campanha do Grêmio na atual temporada é medíocre — a despeito de tudo que, apaixonadamente, já escrevi até aqui.

Fui logrado pela ilusão, levado pela história de superação que sempre foi motivo de orgulho do nosso torcedor. Enxerguei heroísmo e bravura em resultados que deveriam ter sido alcançados com facilidade — como nos dois primeiros jogos da Copa do Brasil, contra equipes sem nenhuma expressão.

No Gaúcho, fechei os olhos para o fato de que nossos melhores desempenhos foram contra times de categorias inferiores. Diante dos dois clubes da Série A, primeiro quase perdemos a classificação à final e, depois, fomos superados com extrema facilidade — especialmente diante da nossa torcida.

Na Sul-Americana, onde sustentamos uma campanha invicta e com duas vitórias, minhas alegrias esconderam a fragilidade dos adversários que enfrentamos. O principal teste ainda está por vir, na próxima semana.

No Brasileiro, após uma vitória improvável na estreia — considerando as falhas cometidas no início da partida — acumulamos uma sequência de derrotas. A mais vexaminosa aconteceu na noite desta quarta-feira, no interior paulista: uma goleada sofrida contra um time estreante na Série A, que ainda não havia vencido nenhum jogo na competição.

Minha paixão cega pelo Grêmio não me permitiu entender o que estava acontecendo na (des)construção do time. Bastavam alguns rompantes individuais de jogadores mais comprometidos com o clube para que eu acreditasse que, a partir dali, viria uma reação. Entusiasmo fugaz!

Hoje, os erros do Grêmio foram escancarados. A marcação é frouxa, feita à distância. O posicionamento defensivo é frágil. Bastam alguns toques de bola para o adversário aparecer na frente do gol. No instante em que recuperamos a bola, a desarticulação se manifesta em passes errados e movimentos sem sintonia. A impressão é de que cada jogador busca uma solução por conta própria. Até nas bolas paradas, como nos escanteios, percebe-se que não há uma ideia a ser executada: cruza-se na área e torce-se para que algo dê certo. Nada dá certo!

O Grêmio que estamos vendo nesta temporada não merece a presença do seu torcedor no estádio — o que explica muito do que falamos na edição dominical desta Avalanche. Parece um time qualquer, irreconhecível, que sequestrou o manto tricolor para entrar em campo. Veste nossa camisa tradicional, mas se despiu da nossa história.

Por favor, devolvam o meu Grêmio!
Antes que a torcida esqueça como é vestir a alma junto com a camisa.
Antes que a paixão silencie.
Antes que a imortalidade vire apenas uma lenda esquecida nos muros da Arena.

Avalanche Tricolor: com esforço, vitória e liderança

Grêmio 2×0 Atlético Grau

Sul-Americana – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Foto: Lucas Uebel/ GrêmioFBPA

Copa é para ganhar. O Grêmio e os gremistas sabem bem disso. Já conquistamos muitas copas superando todo tipo de obstáculo, às vezes, até nossas próprias limitações. Portanto, antes que alguém queira discutir aspectos técnicos, posicionamento tático, esquemas de jogo ou desempenhos individuais, o que realmente importa nesta Copa Sul-Americana, hoje, é que o Grêmio venceu as duas partidas disputadas até aqui.

Na partida desta noite, diante de poucos torcedores na Arena e muitos desconfiados em frente à televisão, o time entrou em campo decidido a mostrar que esforço não faltará. Mesmo os jogadores mais contestados lutaram muito para acertar e corrigir erros anteriores. Por isso, atrevo-me a dizer que boa parte das vaias direcionadas a Cristian Pavón foi injusta, decorrente mais do conjunto de sua temporada do que propriamente da atuação nesta partida. Foi dele a assistência para o gol de cabeça marcado por Arezo, o primeiro e providencial gol, em um momento em que a impaciência da torcida já era evidente.

A defesa, que recentemente tem sofrido muitos gols, desta vez evitou problemas maiores aos trancos e barrancos. Ficou claro que a dupla formada por Rodrigo Ely e Wagner Leonardo é, atualmente, nossa melhor opção para o miolo da zaga – ainda que sem criar grandes ilusões. Villasanti, que vinha irregular nos últimos jogos, finalmente assumiu o controle do meio de campo. Cristaldo, por sua vez, mostrou claramente que o time necessita, sim, de um articulador criativo. Foram dele os dribles em meio à marcação acirrada do adversário, iniciando a jogada que resultou no primeiro gol.

No ataque, Arezo é uma peça importante como substituto de Braithwaite, mas o destaque principal vai mesmo para Cristian Olivera, provavelmente a melhor contratação feita pelo Grêmio nesta temporada. O segundo gol, que confirmou a vitória sobre os peruanos, nasceu justamente do talento e precisão de Olivera no drible e na finalização. Ele já havia sido decisivo em outros momentos complicados do ano e voltou a marcar quando o time mais precisava.

Ninguém saiu da Arena empolgado com a atuação apresentada, é verdade. Mas o Grêmio conquistou a vitória e a liderança de seu grupo – e, no fim das contas, isso é o mais importante neste momento. Até que Gustavo Quinteros consiga encontrar o equilíbrio e a formação ideal, vencer partidas como a de hoje é fundamental para o nosso objetivo maior: ganhar a Copa.

Avalanche Tricolor: vitória fora de casa, mas …

Defensores del Chaco 1×2 Grêmio

Sul-Americana – Assunção, Paraguai

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Sou do tempo em que empate fora de casa é vitória. Mas isso faz muito tempo. Hoje, mesmo em competições sul-americanas, é de se esperar que o Grêmio se imponha diante dos adversários considerados mais frágeis. Na estreia da Copa, na noite dessa quarta-feira, contra o lanterna do campeonato paraguaio, a expectativa era dos três pontos — três pontos que vieram, mas de maneira muito mais sofrida do que se imaginava.

A fragilidade do Grêmio em marcar qualquer que seja o adversário quando atacado — a ponto de tomar um “gol de gandula” — tanto quanto a de articular a bola pelo meio de campo com pouca aproximação de seus jogadores tornaram muito mais difícil uma tarefa que deveria ter sido resolvida logo cedo. Em um dos poucos lances em que a troca de passe funcionou, conseguimos um pênalti que nos colocou à frente no placar, em precisa cobrança de Arezo.

Vale um parênteses: se tem uma notícia positiva deste Grêmio em construção é que temos bons cobradores de pênalti; aliás, temos também um grande defensor de pênaltis. 

Destaque-se, ainda, que assistimos ontem ao retorno de Braithwaite. O atacante não apenas encurtou o tempo de recuperação da lesão que havia sofrido como entrou no segundo tempo e resolveu a partida com um cabeceio de dentro da área.

A vitória conquistada longe de casa, o pênalti bem executado e o retorno decisivo de Braithwaite podem parecer especialmente valiosos. Porém, o torcedor — ao menos este torcedor, caro e raro leitor desta Avalanche — esperava ver em campo um futebol mais seguro e organizado, porque precisamos pensar na sequência da temporada. Definitivamente, foi-se o tempo em que empate fora de casa era vitória.

Avalanche Tricolor: com coração e Volpi gigante, Grêmio vence na estreia

Grêmio 2 x 1 Atlético-MG
Brasileirão – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Edenílson comemora 2º gol, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Havia algo diferente no time que entrou em campo no início da noite deste sábado. Não me refiro à escalação nem ao posicionamento da defesa – que, nos primeiros 20 minutos, quase nos levou ao desastre. Não foi um toque mais refinado na bola nem uma movimentação mais bem organizada dos jogadores. Nada disso apareceu de forma evidente na estreia do Grêmio no Campeonato Brasileiro de 2025. Temos muito a melhorar.

Apesar das falhas, das carências, da dificuldade em conter o ataque adversário e da pouca articulação no meio-campo, o atual elenco gremista mostrou-me ter entendido que, antes mesmo de o talento aparecer, o torcedor espera que o time se entregue em cada jogada como se fosse a última. E essa foi uma mudança crucial.

Mesmo quando nossa marcação acumulava erros e repetia as falhas de partidas anteriores, os jogadores se esforçavam ao máximo para impedir a saída de bola do adversário. Nossos atacantes tentavam fechar espaços nem sempre com sucesso, mas com uma entrega que era perceptível. Esse comportamento também estava presente nos três volantes escalados para congestionar o meio-campo e apareceu nos jogadores de defesa à medida que eles se reposicionaram e entenderam melhor a movimentação adversária.

Sem vergonha de admitir a inferioridade técnica, o time não renunciou às faltas – recurso necessário para conter a pressão sobre nossa área. Mais de uma vez, vimos nossos ponteiros – Cristian Oliveira e Amuzu – roubando a bola na defesa. Camilo, mesmo cometendo erros ofensivos, transformava-se em um leão na marcação, ao lado de Villasanti e Edenílson. Wagner Leonardo destacou-se dentro da área.

Quando conseguimos equilibrar a partida e, minimamente, colocar a bola no chão, o Grêmio foi mais eficiente do que seu adversário. Em uma das primeiras jogadas realmente perigosas, Arezo abriu o placar. Logo depois, com um pouco de sorte, ampliamos com Edenílson.

É evidente que tudo isso só se tornou viável porque Tiago Volpi foi um gigante quando mais precisamos dele. No começo do jogo, quando parecia que tudo daria errado, nosso goleiro defendeu o possível e o impossível. Após equilibrarmos a partida, Volpi voltou a fazer defesas decisivas que garantiram a vitória. Não o incluo entre as novidades positivas deste sábado apenas porque, desde que chegou, Volpi tem sido excepcional. Seu talento não é mais uma novidade.

Para disputar o título do Campeonato Brasileiro, precisaremos de mais do que Volpi e da entrega vista em campo. Enquanto o ajuste fino não acontece pelas mãos do técnico Gustavo Quinteros, porém, que os jogadores continuem a nos fazer acreditar que merecem vestir a camisa que nos tornou Imortais.

Avalanche Tricolor: de sofrência em sofrência, lá se vão as férias

Athletic-MG 3 (7) x (8) 3 Grêmio
Copa do Brasil – São João del-Rei (MG)

Gandro defende a última cobrança. FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Torcer para o Grêmio é não viver um dia de sossego. Nem nas férias. A semana de descanso, aqui pelo litoral de Alagoas, tem sido uma sofrência só — considerando que nossa conversa nesta Avalanche é sobre futebol, claro. Depois do sábado em que vimos o caminho para o octacampeonato ficar mais distante, fomos a São João del-Rei, a 1.600 quilômetros de Porto Alegre, e por pouco não nos despedimos precocemente de nossas viagens na Copa do Brasil.

O jogo desta noite, que assisti na tela do computador, aproveitando a luz de uma lua cheia que brilhava no céu alagoano, foi completamente maluco. Tomamos um gol muito cedo, em um lance que tem se tornado rotineiro na vida do gremista. O empate veio no cabeceio de Braithwaite, que já havia sinalizado problemas físicos e aguardava a substituição. A virada surgiu de um improvável lance de gol, no qual a falha do goleiro adversário foi de dar dó. Quando imaginávamos coisa melhor, tivemos mais um jogador expulso ainda no primeiro tempo. Desta vez, o autor da atabalhoada foi Luan Cândido.

A volta do intervalo nos reservaria mais uma dose de sofrimento. Sob forte pressão, cedemos o empate muito cedo, quase sofremos a virada e passamos o restante da partida tentando manter a bola o mais distante possível do nosso gol. Foi numa dessas tentativas que Arezo soube aproveitar a escapada entre os zagueiros, encobriu o goleiro e concluiu para as redes, nos dando uma improvável (e parcial) vitória. Quando os locutores (e nós, torcedores) já se empolgavam com narrativas e hipérboles sobre a imortalidade tricolor, fomos surpreendidos com um gol contra de João Lucas, que levou a decisão da vaga para os pênaltis.

É verdade que, nesta temporada, já havíamos conquistado duas classificações — no Gauchão e na Copa do Brasil — vencendo nos pênaltis. O drama é que Thiago Volpi, o goleiro que nos proporcionou essas vitórias, defendendo cobranças adversárias e marcando seus gols, estava assistindo a tudo do banco. Caberia a Gabriel Gandro repetir o feito. Foram necessárias oito cobranças de cada lado até que, finalmente, ele se destacasse com a defesa final que nos levou à terceira fase da Copa do Brasil.

A melhor notícia da noite — além da classificação, lógico — foi que o Grêmio finalmente voltou a ter bons cobradores de pênaltis. Quem sabe não nos serão úteis no sábado, quando precisaremos, mais uma vez, que o mito da Imortalidade se expresse. Sim, porque antes de minhas férias se encerrarem vem mais sofrência por aí.

Avalanche Tricolor: um time que jamais se renderá!

Juventude (2) 2×1 (3) Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi, Caxias do Sul, RS

Volpi comemora classificação à final. Foto: Lucas Uebel/GremioFBPA

A ausência de um futebol mais envolvente obrigou o Grêmio a ser mais guerreiro do que nunca nesta temporada. Sem espaço para o talento brilhar, a classificação veio na base da insistência e da resiliência. O time recém-formado, ainda sem pleno entrosamento, superou suas falhas com valentia e manteve viva a esperança do Octacampeonato Gaúcho.

Saímos de Caxias do Sul cientes de que será preciso mais equilíbrio para sustentar um futebol de alto nível nos 180 minutos decisivos. Alguns jogadores, especialmente na defesa, precisam se posicionar com mais segurança. No ataque, será essencial diversificar as jogadas, explorando melhor os dois lados do campo e movimentando-se com mais sintonia entre os marcadores para criar oportunidades de gol.

Não há ilusão. Há orgulho, porém, pela postura do time diante da adversidade. Com um jogador a menos na maior parte do jogo e sofrendo dois gols que nos desclassificariam, conseguir voltar à disputa com um gol de bicicleta nos acréscimos é feito para poucos.

O zagueiro Gustavo Martins, mesmo sob a desconfiança de parte da torcida, já havia arriscado um cabeceio, sem muito perigo. Usar o recurso do malabarismo para alcançar uma bola que escapava e colocá-la na rede, naquelas circunstâncias, foi coisa de quem nunca se entregará enquanto vestir a camisa gremista.

Impossível não lembrar que, no instante do gol salvador, quem estava na área adversária, porque também não aceita a rendição, era o nosso novo goleiro, Tiago Volpi. Foi ele, aliás, quem mais uma vez revelou coragem e talento quando mais precisamos. No tempo normal, já havia feito ótimas intervenções. Na decisão por pênaltis, voltou a brilhar com duas defesas e ainda marcou seu gol com uma cobrança precisa.

Estamos em mais uma final do Campeonato Gaúcho — pelo oitavo ano seguido. Mesmo com um futebol inconstante, de altos e baixos, levamos para esta decisão uma certeza: o Grêmio jamais desistirá!

Avalanche Tricolor: Grêmio se reinventa e sonha com o Octa

Grêmio 2×1 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Cristian Oliveira foi um dos destaques do time. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Temos um time para a temporada. Essa é a melhor notícia do fim da noite de sábado. Espero que Gustavo Quinteros tenha a oportunidade de construí-lo e dar consistência à equipe, a tempo de conquistar o octacampeonato. O tamanho dessa missão pode ser medido pela quantidade de jogadores recém-chegados que disputaram essa partida de semifinal: sete deles estiveram em campo, dos quais cinco como titulares. Alguns mal devem ter desfeito as malas. Alguns se comunicam apenas pela linguagem da bola.

Mesmo sem o devido entrosamento, a equipe já demonstra uma ideia clara de jogo, movimentação coordenada, jogadas ensaiadas e um futebol empolgante para o torcedor. Ainda há falhas na execução de algumas jogadas e ajustes a serem feitos na saída de bola da defesa. Quinteros tem alternativas no elenco, o que propicia mudanças conforme a necessidade da partida e substituições à medida que a intensidade do futebol proposto cause cansaço.

Com os reforços e o novo treinador, jogadores que antes já se destacavam ganharam ainda mais protagonismo: João Pedro, Villasanti, Monsalve e Braithwaite são exemplos disso. Na partida deste sábado, foram fundamentais para a vitória.

Dos reforços, Cristian Oliveira se destaca pelos gols decisivos que marcou nas duas partidas em que esteve em campo. Amuzu, mesmo com pouco tempo, consegue mostrar seu potencial — e o gol da vitória teve participação importante dele. Terá de mostrar se tem físico e dimensão para manter sintonia com a forma como o time marca e retoma a bola assim que o adversário planeja o ataque.

Cuéllar e Camilo, volantes com cara de volantes, tendem a dar a consistência que o setor defensivo busca há duas temporadas. Thiago Volpi tem feito defesas difíceis em momentos cruciais, sem contar o feito do meio da semana, na Copa do Brasil.

O placar da primeira semifinal poderia ter sido mais elástico, especialmente porque defenderemos a classificação na casa do adversário. Fizemos por merecer mais. Tivemos a oportunidade de abrir dois gols de vantagem, o que abateria o adversário logo cedo, mas, infelizmente, a incompetência de quem deveria sinalizar o pênalti, que aconteceu ainda no primeiro tempo, nos prejudicou. Sofremos o empate. No segundo tempo, dominamos a maior parte do jogo, passamos à frente do placar e por muito pouco não ampliamos.

Teremos uma tarefa difícil em Caxias do Sul. O caminho para o octacampeonato ainda vai nos impor muitos desafios. Quinteros, ao menos, terá uma semana livre para ajustar a equipe. E o fará com a certeza de que temos um time para a temporada. E essa é a certeza que anima os gremistas para o que vem pela frente.

Avalanche Tricolor: no limite do desespero

São Raimundo 1 (1) x (4) 1 Grêmio
Copa do Brasil – Canarinho, Boa Vista, RR

Volpi, o protagonista. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A partida era contra o vice-campeão estadual de Roraima. O estádio acanhado, de gramado irregular, tinha espaço para cerca de 5 mil torcedores — lembrava mais um campo de várzea do que um palco para um gigante do futebol brasileiro. Em campo, o desequilíbrio era evidente no papel: qualquer jogador gremista que pisou no gramado ganha, ao fim de um ano, mais do que toda a folha salarial do adversário. Mas isso não bastou para dar ao Grêmio superioridade enquanto a bola rolava.

O time produziu pouco no ataque, sofreu com a falta de entrosamento e saiu atrás no placar, castigado por um contra-ataque no segundo tempo. Por muito pouco, não voltou para Porto Alegre com um vexame na bagagem, após cruzar quase 10 mil quilômetros de distância. Uma eliminação precoce na primeira rodada da Copa do Brasil seria um golpe duro para a autoestima do torcedor e para as expectativas na temporada de 2025.

Foi só nos acréscimos, aos 47 do segundo tempo, já com um jogador a menos depois da expulsão de Edmilson, que o Grêmio conseguiu acertar o gol. E a bola entrou. Cristian Oliveira, o uruguaio recém-chegado, matou no peito após a sobra de um escanteio, bateu firme e colocou no ângulo, sem chances para o goleiro. Mesmo considerando as diferenças técnicas, financeiras e estruturais entre os dois times, arrisco dizer que a mística da imortalidade se insinuava ali.

Mas a classificação ainda exigiria mais um teste para os nervos. O novo regulamento da Copa do Brasil determina que, nas fases iniciais, um empate leva a decisão para os pênaltis. Foi quando, enfim, a superioridade gremista apareceu.

Braithwaite, Jemerson e Arezo converteram com segurança. O São Raimundo desperdiçou a primeira cobrança chutando para fora. Depois, Thiago Volpi brilhou: defendeu a terceira batida e assumiu a responsabilidade na última cobrança. Bateu com categoria, definiu a classificação e evitou um fiasco.

Diante do que se desenhava ao longo da partida, a se comemorar o fato de o Grêmio não ter desistido em nenhum momento. Teve jogadores com frieza para converter os pênaltis e um goleiro que não apenas defendeu, mas decidiu. Foi mais sofrido do que deveria, mas o alívio final lembrou que, no futebol, por vezes, a glória nasce no limite do desespero. “É a Copa do Brasil”, disse Volpi com um sorriso no rosto.