Avalanche Tricolor: correndo contra o tempo — de novo

Fluminense 2×1 Grêmio
Brasileiro – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Gremio x Fluminense
Pavón foi destaque positivo. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O mais longo Campeonato Brasileiro da história já começou. Janeiro ainda nem fechou as malas e os times que sequer definiram seus destinos nos estaduais já são chamados a disputar pontos no torneio nacional. O calendário esticado do futebol brasileiro cobra seu preço desde a largada. E os três pontos de hoje valem exatamente o mesmo que aqueles que estarão em jogo na última rodada de dezembro.

Essa constatação torna a derrota do Grêmio na estreia algo ainda mais incômodo, mesmo fora de casa. O revés maltrata um torcedor que ainda digeria a frustração do clássico do fim de semana, no Gaúcho. Não pela dimensão do resultado, mas pela sensação de reincidência.

Sem transformar o episódio em crise, cabe a Luís Castro e à sua comissão técnica entender — e enfrentar — as falhas defensivas que têm acompanhado o Grêmio nas últimas temporadas. Fui buscar os números desde o retorno à Série A: 56 gols sofridos em 2023, 50 em 2024 e outros 50 no ano passado. São 156 gols em 114 partidas. É muito. Exige um poder ofensivo quase sobre-humano para compensar tamanha fragilidade atrás.

Às vezes penso que esse seja o preço pago aos deuses do futebol por termos assistido, durante oito temporadas, à maior dupla de zaga que já vestiu a camisa gremista: Geromel e Kannemann. Misticismo à parte, a realidade é objetiva e urgente. A defesa precisa ser corrigida, seja com reposicionamento de peças, seja com mudança no sistema de marcação. O problema não é novo e tampouco invisível.

Apesar disso, seria um erro iniciar uma caça às bruxas desenfreada em tão poucos dias de jornada. Luís Castro precisa de tempo — e o torcedor, de paciência — para ajustar o modelo de jogo que pretende implantar. Há caminhos claros a explorar: a qualidade de Arthur na saída de bola, a força dos atacantes pelos lados e a presença física e finalizadora de Carlos Vinícius dentro da área. O centroavante voltou a marcar num jogo em que recebeu poucas bolas em condição real de conclusão. Um sintoma, não um detalhe.

Faz falta, também, um camisa 10 que organize o meio-campo e dê fluidez às transições. William, que tem entrado no segundo tempo, além de não ser especialista na função, ainda é um esboço do que pode oferecer ao time. A engrenagem funciona, mas gira com dificuldade.

Um mérito de Luís Castro na partida foi apostar em Pavón, apesar das ressalvas e críticas da torcida. Provavelmente respaldado pelo que observa nos treinos, lançou o atacante argentino no segundo tempo. A entrada mudou a forma de o Grêmio atacar. O gol marcado por Carlos Vinícius nasceu de uma jogada construída por Pavón. O empate, que Gustavo Martins desperdiçou dentro da área, também passou por ele. Mais atitude do que brilho, talvez. Mas atitude faz diferença.

No fim de semana, o Grêmio volta a campo já com a cabeça dividida entre o Campeonato Gaúcho e o Brasileiro. A tendência é de uma equipe bastante modificada, até porque, na próxima semana, o calendário volta a apertar. Os três pontos desperdiçados agora precisarão ser recuperados em casa, independentemente do adversário.

O campeonato é longo. O tempo para errar, não.

Avalanche Tricolor: tão longe e tão perto de ti

Guarany 0x2 Grêmio

Gaúcho – Estrela D’Alva, Bagé RS

Gremio x Guarany
Carlos Vinícius comeora quarto gol no Gaúcho Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Comecei a Avalanche passada falando da minha distância em relação ao Grêmio. Distância física, claro, porque de alma e coração estamos sempre próximos. Estava, como ainda estou, em João Pessoa, na Paraíba, enquanto o Grêmio disputava uma partida em Porto Alegre. A distância volta à nossa crônica, porque na noite de quarta-feira o Grêmio foi para mais distante ainda ao jogar em Bagé, cidade gaúcha tradicional de muitas histórias e personagens.

Na fronteira com o Uruguai, o futebol gremista também esteve tecnicamente distante do que havíamos assistido na rodada anterior, na Arena. É preciso considerar que o time não era aquele que entendemos ser o titular. Ressalvas ainda para  palco da partida: estádio acanhado, vestiários precários, gramado ruim e, como se viu, infraestrutura frágil. O jogo começou com 40 minutos de atraso por problemas no fornecimento de energia na subestação do Estrela D’Alva, segundo informou a companhia elétrica. 

Apesar de a falta de criatividade e coletividade, três nomes se destacaram no primeiro tempo: os jovens Luis Eduardo, na zaga, e Roger e Enamorado, no ataque. No segundo tempo, o time voltou a ter dificuldades para chegar ao gol. O cenário mudou pouco mesmo com a expulsão justa de um dos adversários, aos cinco minutos — pô, Serginho, esperava que ao menos você gritasse na hora que era caso de expulsão (desculpa aí, caro e raro leitor, foi só recado para um dos amigos que mais admiro na crônica esportiva).

Cansado de esperar um desempenho melhor, Luis Castro fez as mudanças necessárias para o time chegar ao gol. Gabriel Meck entrou bem na direita e foi dele o cruzamento para que Carlos Vinícius marcasse o gol que abriu o placar. Vini da Pose precisou de poucos minutos para mostrar a André Henrique como se posicionar corretamente entre os zagueiros e cabecear de maneira certeira no gol. Em lance parecido, no primeiro tempo, André havia desperdiçado uma das poucas oportunidades que tivemos.

O jogo ficou mais fácil com a necessidade de o adversário sair para o ataque e a presença no meio de campo de outro guri da base, Jefferson. O time ganhou em intensidade e criatividade, chegando ao segundo gol em lance que também teve participação de Carlos Vinícius e foi concluído por Edenílson. Uma nota positiva ainda para o goleiro Weverton que fez uma estreia segura nas poucas vezes que foi acionado. 

Domingo tem Gre-Nal. É o dia em que retorno das férias. Estarei um pouquinho mais próximo do Grêmio. E, espero, que o Grêmio esteja muito próximo de mais uma vitória no clássico.

Avalanche Tricolor: vida mansa!

Grêmio 5×0 São Luiz
Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Gremio x Sao Luiz
Carlos Viniciu marcou 3 vezes. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Vim longe para assistir ao Grêmio neste início de noite de sábado. Estou em João Pessoa, na Paraíba, onde passo meus dias de férias. Cheguei pouco depois do meio-dia e me hospedei de frente para o mar, na praia de Cabo Branco. Vida mansa! — deve estar pensando o caro, e cada vez mais raro, leitor desta Avalanche. Não há como discordar. É aqui que o sol nasce primeiro, as praias são mais limpas e as falésias desenham parte da costa. Um cenário convidativo para começar o ano com outro ritmo.

Justiça seja feita, porém. Para chegar até aqui, fizemos por merecer. Um ano de trabalho intenso, enfrentando o corre da redação e os desafios de quem insiste em fazer jornalismo com equilíbrio. Uma jornada árdua em muitos momentos, recompensada, de vez em quando, com pequenos privilégios. Foi nesse cenário generoso que acompanhei a goleada do Grêmio lá em Porto Alegre.

A partida começou fácil e terminou antes mesmo da hora. O Grêmio resolveu o placar no primeiro tempo e, no segundo, apenas completou a goleada. A vida do gremista foi mansa, sem dúvida. Mas o time também fez por merecer. Alguém poderá desdenhar o gol de abertura, surgido da infelicidade de um defensor adversário. Convém lembrar que o erro foi provocado pelo dinamismo imposto pelo Grêmio, bem diferente do que se viu no meio de semana.

A equipe que iniciou a partida se aproxima daquela que Luis Castro deve consolidar como titular, especialmente do meio de campo para frente. A começar por Arthur. Com ele, o Grêmio muda de patamar. A bola é tratada com respeito, circula mais rápido e chega melhor ao ataque.

A estreia de Tetê pela direita trouxe boas notícias. O atacante aposta em jogadas individuais, combina força e talento, participou diretamente de dois gols e quase deixou o seu. Cristaldo foi outro destaque. Iniciou a jogada que resultou no gol contra, deu assistência no segundo e marcou um golaço já na etapa final. Carlos Vinicius, autor de três gols, sinaliza que pode ocupar o espaço deixado por Luis Suárez, algo que o Grêmio procura desde então. Tiago e Roger seguem cavando espaço entre os titulares. Amuzu aparece cada vez mais solto e atrevido pela esquerda, agora com a concorrência de Enamorado, o colombiano que estreou no segundo tempo

Entre o sol que nasce primeiro em João Pessoa e a goleada construída com autoridade na Arena, ficou a sensação de que descanso e merecimento também fazem parte do futebol. O Grêmio venceu com tranquilidade, apresentou sinais de evolução coletiva e ofereceu ao torcedor uma noite sem sobressaltos — dessas que ajudam a organizar ideias, alimentar expectativas e lembrar que, quando o time joga bem, até a vida do gremista pode ser mansa.

Conte Sua História de São Paulo: a São Silvestre que me abriu caminho para as maratonas

Jose Tadeu Guglielmi 

Ouvinte da CBN

Corrida em 2016 (divulgação)

A São Silvestre, essa tradicional prova de rua realizada no último dia do ano, faz parte da história de São Paulo e da minha, também.

Minha paixão pelas corridas vem desde 1995, ano em que completei minha primeira São Silvestre. 

Porém, recordo da prova desde os tempos de criança: ano após ano, minha mãe fazia uma referência, ao ver a corrida pela televisão, sobre a vontade de meu pai de um dia participar da São Silvestre. Desejo não realizado, porque ele faleceu no dia 11 de fevereiro de 1973, quando eu tinha oito anos. Tomei seu desejo então como minha herança.

Desde aquela época participo da prova quase todas as edições. São 26 participações na São Silvestre desde 1995. 24 consecutivas.

Fazer esta prova é um privilegio. Maneira perfeita de encerrar um ano corrido. 

A cidade de Sao Paulo que simboliza trabalho nesta data se transforma em um ambiente descontraído. Os corredores largam na Avenida Paulista e percorrem o centro da cidade com seus prédios históricos. A famosa esquina Ipiranga com a São João. O desafio de encarar a Brigadeiro Luis Antonio. A alegria de cruzar a linha de chegada praticamente no mesmo ponto de partida.

E não parei por ai. 

Os sonhos se renovam e graças a São Silvestre iniciei-me nas maratonas, em 2003. Tornei-me o primeiro brasileiro e sul-americano a completar maratonas nos sete continentes, em 2009, com a participação na maratona da Antarctica. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Jose Tadeu Guglielmi é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br e vamos participar das comemorações de mais um aniversário da nossa cidade. Para ouvir outros capítulos visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Avalanche Tricolor: pela volta às manchetes 

Sport 0x4 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Retiro, Recife/PE

Foto de Rafael Vieira/GrêmioFBPA

Os jornais do dia, que insistem em sobreviver na banca do Vilela, na Vicente da Fontoura, ou na do Largo dos Medeiros, mais ao centro de Porto Alegre, vão estampar na manchete principal o livramento do co-irmão. Escapou do rebaixamento na rodada final e teve de contar com o revés dos adversários diretos. Ao Grêmio, com sua vaga garantida na Copa Sul-Americana, restará a segunda dobra da primeira página. Ao Juventude, quiçá uma linha fina. Ao descrever esse cenário, não faço crítica alguma à hierarquia construída pelos editores; fosse eu o responsável pelo jornal, faria o mesmo.

Muitos porto-alegrenses que ainda preservam o ritual da leitura do impresso talvez sigam ao trabalho, nesta segunda-feira, com a camisa do clube. Nós, gremistas, celebrando a goleada que encerrou a temporada — mesmo sabendo da fragilidade do adversário — e o fato de terminarmos o campeonato na primeira página da tabela, com um lugar assegurado em competição sul-americana.

Outros torcedores comemorando como se fosse épico escapar na rodada final, passando 90 minutos de ouvido colado no que acontecia nos estádios alheios. Devem ter chegado em casa aliviados e repetido a velha frase: “time grande não cai”. Esquecem que já caíram, assim como tantos outros.

Não critico editores, tampouco os excessos de paixão. O futebol nos empurra para um território em que todos os sentimentos sobem ao topo da tabela, enquanto a razão amarga uma vaga cativa no banco de reservas.

O fato é que aquilo que testemunhamos no fim desta temporada deveria preocupar quem acompanha o futebol do Rio Grande do Sul. A rivalidade que, durante décadas, nos impulsionou para cima perdeu o fôlego. Ganhar campeonatos estaduais deixou de ser medida de grandeza. Diante do tricampeonato brasileiro do adversário, o Grêmio apontou para horizontes maiores: tornou-se tricampeão da Libertadores, conquistou o mundo. A contratação de um craque de um lado exigia resposta imediata do outro. Um estádio mais moderno chamava outro ainda mais robusto. Era uma disputa que elevava o nível.

Nos últimos anos, e neste em particular, deixamos a ambição escorregar e adotamos a mediocridade como parâmetro. A tabela do Brasileiro e a ausência de clubes gaúchos nas decisões das competições relevantes dizem por si.

O futebol do Rio Grande do Sul não nasceu para ser nota de rodapé. Nesta última Avalanche do ano, deixo o desejo de que voltemos a ocupar a parte mais nobre das manchetes — não pelas circunstâncias, mas pelos feitos.

Avalanche Tricolor: essas mal traçadas linhas

Grêmio 1×2 Fluminense
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Era para sair de campo com os três pontos, manter viva a fantasia da Libertadores e encerrar a temporada ao lado do torcedor com algum alento. Talvez até encontrar uma trégua nessa relação instável, cheia de tropeços, que sustentamos com o futebol gremista ao longo do ano. Uma vitória ajudaria a apagar, ainda que por alguns instantes, os reveses causados por nossas próprias falhas, pelos azares que cruzaram o caminho e pelas arbitragens que nos tomaram pontos valiosos — especialmente, embora não exclusivamente, neste Campeonato Brasileiro.

Acreditava, com uma boa dose de teimosia, que esta Avalanche — escrita tarde da noite, para desespero de quem madruga — pudesse trazer linhas firmes, bem desenhadas, celebrando o renascimento de um time e a promessa de um ano novo mais generoso. A temporada, porém, insiste em esfregar no rosto a realidade que temos evitado encarar. E ironicamente me faz lembrar Lulu Santos, como aquele amigo que aparece na hora errada com uma verdade desconfortável: “nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia”. Sigo acreditando que será, sim. Só não será agora.

O Grêmio mostrou lampejos de um futebol mais organizado na segunda metade do campeonato. Redescobriu o talento impressionante de Arthur, que precisa ser mantido no elenco se quisermos, em 2026, voltar a ser competitivos. Encontrou também um centroavante eficiente, Carlos Vinícius, cuja ausência por suspensão pesou demais neste jogo.

Há outros jogadores que, recuperados fisicamente, podem contribuir nas competições que começam já em janeiro. E existe a expectativa — sempre ela — de contratações capazes de elevar o nível do time e do grupo.

O placar desta noite, no entanto, praticamente fechou a porta por onde ainda passava uma réstia de sonho: uma combinação improvável de resultados até a última rodada que nos levasse a Liberadores, esperança demais para quem produziu de menos ao longo do ano. A atuação, hoje, nem foi ruim, embora tenhamos sucumbido a um adversário mais consistente na temporada. E ainda apareceram os acasos, sempre prontos para cumprir seu papel de protagonistas — como aquelas mal traçadas linhas que validaram o primeiro gol do Fluminense.

De minha parte, quem sou eu para julgá-las? Se já me vejo às voltas com a dificuldade de desenhar melhor as próprias linhas desta Avalanche, imagine querer analisar as linhas traçadas pelo VAR.

Avalanche Tricolor: vitória para dormir tarde e acordar sonhando

Grêmio 3×2 Palmeiras
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Fui dormir tarde. E fui dormir feliz. Há muito esperava ver o Grêmio estampado na primeira parte da tabela de classificação. A combinação de resultados nos levou ao nono lugar, talvez a melhor posição até aqui — com o bônus de afastar, de vez, o fantasma maior do rebaixamento.

Na gangorra de emoções que o futebol gremista tem proporcionado nesta temporada, hoje era dia de festa. A despeito da sofrência que nos acompanhou durante todo o primeiro tempo, fomos recompensados no lance final: Amuzu empatou após o toque de cabeça de Wagner Leonardo, que recebeu o lateral cobrado por Marcos Rocha — mérito do nosso jogador, que sabe aproveitar como poucos uma jogada tão subestimada no futebol mundial.

O segundo tempo, com William de volta ao meio, mudou a história da partida. Arthur encontrou alguém à sua altura para tabelar. E, bem tratada, a bola retribuiu. Os dois tomaram conta do setor, balançaram a marcação de um lado para o outro e abriram caminhos para que o time chegasse à área adversária.

Os dois pênaltis nasceram dessa mudança de postura e da qualidade com que o Grêmio passou a tratar a bola. Carlos Vinícius marcou seu décimo gol com a camisa gremista e se consolida como um dos atacantes mais efetivos do campeonato. William — quase dois meses afastado — foi premiado com seu primeiro gol no clube. Duas cobranças seguras.

Durmo feliz e com a sensação de que essa vitória pesa no destino do Grêmio em 2026. Além de deixar o time com os dois pés dentro da Sul-Americana, ainda abre espaço para sonhar com uma última vaga na Libertadores até a rodada final. Mais do que isso, mostrou que, com alguns nomes em forma e em campo, o Grêmio pode ser um time bem melhor no ano que vem. Afinal, já que vou dormir tarde, que me deixem sonhar ao menos até a próxima rodada.

Conte Sua História de São Paulo: com poesia defendo a cidade que escolhi viver

Laurete Godoy

Ouvinte da CBN

Nevoa, poluição e horizonte em São Paulo  (Foto Petria Chaves)
Foto: Petria Chaves/Flickr CBN SP

 

Excelente ideia! Adorei isso de poder contar uma pequena história sobre São Paulo!  Além da minha história eu quero apresentar também para você uma homenagem rimada que eu fiz mas não sei se ela vai corresponder ao que você deseja.

(leia e ouça a poesia na voz da autora no pé deste post)

Sou santista e, assim que eu obtive o diploma de  professora primária, vim para São Paulo em 1958, para estudar educação física na USP.  Fui aprovada,  comecei o curso, na época ele funcionava no Ginásio do Ibirapuera e eu desisti depois de 2 meses, mas como eu sempre fui atleta  lá em Santos, passei a competir em Atletismo pelo Club Atlético Paulistano.

Como eu já era funcionária da Secretaria da Segurança Pública, eu pedi transferência para a antiga DST, que era  Diretoria de Serviço de Trânsito e funcionava ali no Ibirapuera,  perto do ginásio onde eu tinha aula.

Bom, eu saía do serviço às 18 horas, tomava o ônibus Bola Branca, descia na Avenida Nove de Julho e, pela Rua Estados Unidos chegava ao Paulistano, para treinar até às 21 horas. Depois do treino tomava banho, comia alguma coisa e findo o treino pegava o ônibus elétrico  ali na Rua Augusta, que era super famosa, e descia no ponto final, lá na Praça da República, atrás do Colégio Caetano de Campos.

Aí já eram mais ou  menos quase dez horas da noite! Atravessava toda a praça para, do outro lado, tomar o ônibus que vinha da Praça Ramos de Azevedo e ia para a Lapa, porque eu morava na Água Branca, ali na Rua Crasso, perto da Praça Cornélia. 

Ah, Milton! Que tempinho bom aquele! A gente podia atravessar a praça sem nenhum receio. O perigo eram os playboys da Rua Augusta.

E assim foi passando o meu tempo: trabalhando, treinando, correndo, participando de torneios atléticos. Depois que eu “pendurei  as sapatilhas de prego”, eu comecei a pensar sério na vida. Participei de concursos públicos, fui aprovada e acabei permanecendo por São Paulo. 

Aqui eu estou há 65 anos…

Mas por que minha homenagem rimada?

Há alguns anos, uma conhecida que veio do Interior do estado e foi muito bem sucedida por aqui, passou a falar mal da cidade, para justificar a mudança de residência que ela queria fazer para o Rio de Janeiro . Fiquei tão triste com a ingratidão dela, que fiz umas rimas enaltecendo a minha admiração por esta cidade. 

São essas rimas que eu compartilho com você, com alegria,  e formulando votos de continuidade de sucesso para a sua carreira e a de todos os excelentes jornalistas e todas as pessoas que trabalham na CBN, minha companheira de dia e noite, minha companheira querida, a CBN. Um grande abraço a você! Parabéns, viu, por esse programa e para todos que colaboraram e também contaram suas histórias.

 A poesia de Laurete Godoy

Parabéns, senhora.

 

 

            Neste seu aniversário,

            Venho aqui, bela senhora,

            Trazer os meus cumprimentos

            Falar da alegria imensa

            Que invade o coração

            E toma conta do peito

            Misturando com carinho

            Respeito e admiração.

 

 

                                    Respeito por sua força,

                                    Pelo trabalho incessante

                                    Que ao longo da jornada

                                    Foi a    marca registrada

 

 

            Senhora braços abertos

            Qual enormes avenidas

            Recebendo e acolhendo

            Toda essa gente sofrida

            Velhos, jovens ou crianças

            Olhos cheios de esperança

            Mãos postas em devoção,

            Pedindo trabalho e pão.

 

 

                                    Senhora nome de santo,

                                    Senhora das mil etnias

                                    Senhora das mil alegrias

                                    Dos aeroportos e parques

                                    Sempre repletos de gente, 

                                    Nas tardes ensolaradas

                                    Senhora hospitaleira, 

                                    Onde a fraternidade

                                    Construiu sua morada.

 

 

            Venho aqui, velha senhora,

            Minha São Paulo querida,

            Terra da minha adoção.

            Falar deste bem-querer,

            Expressar a gratidão

            E rogar a Deus que a mantenha

            Digna, altiva, honrada

            No incessante labor,

            Solucionando problemas

            Criados por sua grandeza

            E que também fazem parte

            Da sua rotina e beleza.

 

                        Continue sempre assim,

                        Pulsando com energia

                        Força e determinação,

                        Produzindo a bendita seiva

                        Que alimenta esta Nação.

 

                                                Senhora nome de santo

                                                São Paulo mil etnias

                                                São Paulo mil alegrias

                                                Minha São Paulo querida

                                                Minha São Paulo bendita

                                                Terra da minha adoção

                                                Que me dá trabalho e pão …

                                           

Laurete Godoy é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, vá no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

A poesia de Laurete Godoy

Avalanche Tricolor: o sorriso da vitória

Grêmio 2 x 0 Vasco
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Gol de Carlos Vinícius Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

“É gol…
Que felicidade!

O verso que atravessou décadas na voz do Trio Esperança ganhou fama nas transmissões esportivas do rádio e ainda ecoa no imaginário do torcedor brasileiro. Mesmo narrando um gol fictício do Flamengo, a música virou trilha de quem vibra diante da bola que estufa a rede. O refrão traduz um gesto simples e universal: o sorriso que surge sem pedir licença quando o time marca.

A quarta-feira, em Porto Alegre, foi guiada por esse sorriso — o de Carlos Vinícius, centroavante à moda antiga, daqueles que vivem da área e para a área. Até o segundo tempo, o Grêmio fazia um jogo em que era melhor, ocupava o campo adversário, trocava passes, mas não encontrava o caminho do gol. Coube ao camisa 9(5) desfazer o nó.

Pavón cruzou, como quem acende uma luz. Carlos Vinícius dominou na marca do pênalti, cercado, sem espaço e sem tempo. Controlou com a direita, girou com a esquerda e bateu forte. A bola entrou. E o estádio abriu o sorriso que estava preso desde o início da partida.

Outro que parece carregar um sorriso como parte do uniforme é Amuzu. O ponta belga, nascido em Gana, trata o drible como diversão e a velocidade como ferramenta. Atacou o jogo inteiro, insistiu, incomodou. No lance que selou a vitória, correu atrás do lançamento de Dodi, deixou a marcação para trás e finalizou com talento acima da média, tirando o goleiro da jogada.

O segundo gol trouxe alívio e alegria. O tipo de alegria que o torcedor reconhece no ato: aquele sorriso involuntário de quem sabe que os três pontos não vão escapar.

Com a vitória na Arena, o Grêmio respira, se afasta do perigo maior, reencontra um lugar mais confortável na tabela e volta a mirar um espaço nas competições sulamericanas. A noite termina e o torcedor se dá o direito de voltar para casa cantarolando pelas ruas de Porto Alegre:

“É gol…
Que felicidade!
É gol o meu time é alegria da cidade…”

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que as marcas podem aprender com o time do coração

Gremio x Juventude
Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A relação mais estável da vida de muita gente não é com a cidade onde mora nem com a profissão que exerce: é com o time de futebol. Esse é o ponta pé inicial do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN, que se inspira nessa relação íntima do torcedor com seu time para extrair lições aos gestores de marcas.

Jaime começa fazendo um convite: “vamos pensar o seguinte: o que os donos de marcas esperam que seus clientes e consumidores sintam em relação a elas?”. Você dirá que é respeito, admiração, afeto, conexão, lealdade. A resposta parece óbvia, mas o caminho para construí-la é tudo menos simples. Por isso, Jaime propõe olhar para o território em que esses sentimentos são intensos, duradouros e, muitas vezes, irracionais: o futebol.

Vivemos em uma época em que quase tudo muda. Pessoas trocam de profissão, de cidade, de religião, de arranjo familiar. É a efemeridade descrita nos pensamentos de Zygmunt Bauman. Agora, quantas pessoas você conhece que mudaram de time de futebol? Se existem, são raridades. A comparação para as marcas é ainda mais cruel: quando um produto falha, o consumidor troca; quando o time cai para a segunda divisão, o torcedor continua. É só lembrar o caso do rebaixamento do Corinthians, em 2007, que acabou fortalecendo o laço com muitos dos seus torcedores e se transformou em um momento de comoção no ano seguinte.

Essa fidelidade absoluta é exatamente o tipo de vínculo que marcas gostariam de inspirar. Mas não se copia por decreto.

Cecília Russo retoma a discussão pelo lado emocional. Para ela, “as relações que ligam consumidores com marcas são acima de tudo de caráter emocional”. Características físicas e técnicas do produto ou serviço — como o nível técnico dos jogadores — são importantes, porém não sustentam sozinhas a conexão. O que mantém o vínculo é algo mais sutil, simbólico e intangível, que precisa ser cultivado com cuidado ao longo do tempo.

No comentário destacou-se também o papel da identidade. No futebol, o escudo, as cores, o uniforme e a bandeira carregam significados profundos, construídos em décadas de história. No universo das marcas, o paralelo está na identidade visual, no logo, nas embalagens e em todos os elementos que ajudam o consumidor a reconhecer de imediato quem está em campo. Marcas podem se atualizar, como times que lançam novos uniformes a cada temporada, porém sem desfigurar aquilo que é essencial. Quando essa essência é ameaçada, a reação costuma ser forte — e não apenas no estádio.

No fim, o paralelo com o futebol funciona como um espelho: mostra o quanto as marcas ainda estão distantes de construir relações tão sólidas quanto as dos torcedores com seus clubes.

A marca do Sua Marca

A ideia central do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso pode ser resumida assim: se querem torcedores, e não apenas compradores ocasionais, as marcas precisam cultivar vínculos emocionais, cuidar da identidade com rigor e jogar sempre para vencer, não apenas para “não perder”. Como resume Jaime, a expectativa do consumidor não é que a marca jogue pelo empate; é que ela se posicione bem em campo e dê orgulho de torcer por ela.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.